--- 07/07/2008
CONTROLE DE QUALIDADE MICROBIOLÓGICO
Estamos com uma vaga em aberto para controle de qualidade microbiológico. Local de trabalho: bairro de riachuelo RJ. Horário : 1/2 período ( 8:00 - 12:00) ou (13:00 - 17:00) à escolher. Pretensão salarial: à combinar. Atividades: rotina geral de microbiologia para medicamentos (análise de MP, PA, Água, Monitoramento ambiental). Oferecemos Vale transporte. Início: imediato. Enviar CV para samanthabrigo@gmail.com
VENDEDOR INTERNO
Empresa Nacional de pequeno porte está com uma vaga para Vendedor interno. Localização da Empresa: Bairro do Riachuelo - RJ. Salário: enviar pretensão. Oferecemos: almoço e vale transporte. Horário: 8:00 - 18:00 (segunda - sexta). Início: imediato. Enviar curriculum com pretensão para: samanthabrigo@gmail.com
03/07/2008
GARANTIA DA QUALIDADE
vagas 01 Benefícios/Bolsa: Auxílio transporte e alimentação no local. Bolsa: R$ 600,00. Depto: Garantia da Qualidade. Disp. Horário: 6 horas / dia. Sexo: Preferencialmente feminino. Formação: A partir do 3º período do curso de Farmácia. Perfil: Domínio no pacote Office (Word e Excel principalmente) ; Inglês intermediário; Boa fluência verbal; Desejável experiência em telemarketing; Disponibilidade para atuar de 07:00 às 14:00h. Principais atribuições: Reconciliação de ordens de fabricação e embalagem; Atendimento ao consumidor e preenchimento de formulários eletrônicos. Observação: Os interessados devem enviar os currículos impreterivelmente até o dia 04/07/2008, às 16:00h com o seguinte assunto no e-mail: Vaga RJ - Estagiário Garantia. CV's entregues após este prazo serão desconsiderados. Esta etapa já possui caráter eliminatório. E-mail para contato: monique@daudt.net
VALIDAÇÃO
vagas 01 Benefícios/Bolsa: Auxílio transporte (RioCard), Auxílio compras (Visa Vale), Plano de Saúde, Plano Odontológico e alimentação no local. Salário: R$ 1.250,00. Depto: Validação. Disp. Horário: 8,5 horas / dia. Sexo: NA. Formação: Técnico em química e cursando Farmácia. Perfil: Domínio no pacote Office (Word e Excel principalmente); Inglês intermediário; Bons conhecimentos em procedimentos de bancada (preparo de soluções, titulações); Bons conhecimentos em validação de limpeza, HPLC, CG; Ser dinâmico (a), organizado (a) e disciplinado (a) com horários e prazos; Disponibilidade para atuar de 07:00 às 16:30h. Principais atribuições: Responsável pela realização de validação de limpeza. Observação: Os interessados devem enviar os currículos impreterivelmente até o dia 04/07/2008, às 16:00h com o seguinte assunto no e-mail: Vaga RJ - Validação de Limpeza. CV's entregues após este prazo serão desconsiderados. Esta etapa já possui caráter eliminatório. E-mail para contato: monique@daudt.net
ÁREA DE ATUAÇÃO VALIDAÇÃO/ GARANTIA DA QUALIDADE
B Braun, Empresa multinacional alemã, atuando no mercado médico/hospitalar com alta tecnologia aliada a qualidade em seus produtos, seleciona para sua sede em São Gonçalo, um profissional com o seguinte perfil: Formação Acadêmica: Superior completo em Farmácia Industrial ou Engenharia. Perfil Profissional: Conhecimento de Qualificação de instalações, utilidades, equipamentos e sistemas (DQ/IQ/OQ/PQ), Sistema de Garantia da Qualidade, BPF, Validação de processos, limpeza e métodos analíticos e elaboração de URS, Análise de risco (FMEA) e estudos de CEP/DoE; Domínio de microinformática e desejável inglês fluente. Os interessados deverão encaminhar os curriculos para: rh.br@bbraun.com, informando no campo assunto: Vaga de Validação
COMPRADOR
Farmácia de Manipulação e Indústria de Cosméticos seleciona: Formação: Superior Completo. Principais atribuições do cargo: Cotar, Negociar, Efetuar compras de materiais de consumo, matérias primas e embalagens. Conhecimentos em Informática: Excell avançado - Será realizado teste. Horário de Trabalho - 2ª à 6ª - Horário Comercial. Local de trabalho: Bonsucesso. Atitudes esperadas: Comprometimento com a marca, relacionamento interpessoal, persuasão, comunicativo, ética, pró - atividade, responsabilidade e organização. Interessados, favor encaminhar CV com pretensão salarial para mgoering@dermage.com.br. Colocando no título da vaga, a palavra COMPRAS. CV's sem pretensão salarial não serão analisados
CHEFE DE PRODUÇÃO
Empresa Metalúrgica no ramo de restauração de metais procura profissional. Local: Rio de Janeiro. Requisitos: Formação: 2º grau técnico ou superior (completo ou cursando). Experiência em cargo de liderança em linha de produção (processos, times). Conhecimentos de conceitos de qualidade e planejamento de produção. Desejável conhecimento de galvanoplastia. Atribuições da função: Supervisionar as tarefas executadas pela equipe, distribuindo programações para execução diária conforme a demanda de produção, monitorando o desempenho e as metas a serem alcançadas. Supervisionar limpeza e organização da área de produção, buscando higiene e segurança aplicada ao trabalho. Fazendo cumprir normas de segurança e o uso de EPIs. Os candidatos devem encaminhar o currículo para: santospds31@gmail.com. Favor colocar no assunto: CHEFE DE PRODUÇÃO
ESTAGIÁRIO EM INTELIGÊNCIA COMPETITIVA
O estagiário vai atuar junto ao segmento de cosméticos, indústria farmacêutica, empresas de biotecnologia e farmácia de manipulação. O Núcleo de Inteligência Competitiva subsidia as empresas na tomada de decisão estratégica no que se refere à gestão, gerenciamento, marketing, área técnica e regulatória. Pré-requisitos: Graduandos em Farmácia do 4º ao 7º período, conhecimento em Inglês e pacote Office, desejáveis noções do Mercado Farmacêutico e Vigilância Sanitária e facilidade de comunicação e exposição a público, bem como redação. Principais Atividades realizadas: Ações de Marketing, Participação em projetos e novos negócios, Publicação de conteúdo em portal eletrônico e Ações de Inteligência Competitiva (monitoramento e análise de informações estratégicas). Localização: Fundação BIORIO (ao lado do CCS) - Avenida Carlos Chagas Filho, 791, Cidade Universitária - Ilha do Fundão - Rio de Janeiro. Carga Horária: 20 horas. Benefício: bolsa auxílio. Envio de Currículo para: nicsfarma@biorio.org.br /nicsbiotec@biorio.org.br
ESTOQUISTA FARMÁCIA HOSPITALAR
Hospital maternidade, localizado zona oeste do Rio de Janeiro, seleciona para o cargo de estoquista de farmácia hospitalar com o seguinte perfil: Sexo masculino, acima de 25 anos . Experiência na função de no mínimo 1 ano . Disponibilidade pr trabalho em regime de plantão 12x36 (7:00hs as 19:00hs) . Início imediato!!!. A empresa oferece: Salário compatível, VT, Refeição local, adicional de insalubridade,plano de saúde, entre outros. interessados enviar currículo c/ pretenção salarial para: hospitalmat@yahoo.com.br. COM URGÊNCIA.
ANALISTA FISCAL PLENO
Assessorando cliente no ramo de serviços, localizado na Barra da Tijuca, selecionamos Analista Fiscal Pleno com o seguinte perfil: Superior Ciências Contábeis. Experiência acima de 02 anos na área Fiscal. Conhecimentos: Elaboração de DCTF. PER/DCOMP. DIPJ. DACON. Apuração do Lucro Real. Apuração PIS/COFINS. Apuração do Imposto de Renda e Contribuição Social por estimativa ou balancete. Suspensão e redução. Retenção de impostos (PIS/COFINS/CSLL/IRRF/INSS/ISS). Favor encaminhar cv para rhastem@gmail.com, com pretensão salarial, mencionando no assunto "ANALISTA FISCAL"
webmaster@boaspraticasfarmaceuticas.com.br
7.07.2008
7.06.2008
Dúvidas sobre concursos públicos: inscrições, provas, escolaridade e limites de idade, entre outros temas.
Tire suas dúvidas sobre concursos públicos
Relação de perguntas e respostas.
Saiba mais sobre inscrições, provas, escolaridade e limites de idade, entre outros temas.
Perguntas e respostas, todas baseadas nos editais de concursos já publicados
Como faço para me inscrever num concurso público?
Como faço para saber se minha inscrição foi aceita?
Que informações encontro no edital de um concurso?
Como é possível saber os locais e horários das provas se eles não constam no edital?
Onde encontro o conteúdo das provas?
Onde encontro as localidades em que há vagas?
Como consigo saber o prazo e forma de pagamento?
Como obtenho os gabaritos dos concursos e relação dos aprovados?
Como obtenho informações sobre isenção de pagamento ou redução da taxa de inscrição?
Fiz a inscrição para um cargo para o qual não tenho a escolaridade exigida. Posso obter a devolução da taxa?
Se ainda não completei 18 anos posso prestar concurso público?
Não tenho acesso a computador. Como posso fazer a inscrição?
Como obtenho informações sobre publicações de editais de concursos que foram autorizados pelo governo federal?
Como consigo saber o prazo de homologação e convocação para as vagas?
Se eu estou desconfiado da lisura do processo de um concurso e da integridade do edital, como posso sanar minhas dúvidas?
Estou com meu nome sujo no SPC, Serasa e no Banco Central por motivo de desemprego. Eu posso fazer concurso público e ser contratado caso seja aprovado? Pessoas com mais de 65 anos podem fazer concurso?
Pessoas com mais de 65 anos podem fazer concurso?
Quero prestar concurso público, mas meu título eleitoral foi cancelado. Já fiz um novo, porém, não houve eleições no último ano. Tem como fazer o concurso com o último comprovante do título que foi cancelado?
Tenho 53 anos e sou aposentada bancária há três anos, gostaria de saber se posso prestar concurso público?
Como entro em contato com as principais organizadoras de concursos?
Inscrição
Os editais especificam as formas de inscrição. Na maioria das vezes podem ser feitas somente por meio do site da organizadora. Mas outros concursos abrem a possibilidade para serem feitas também em agências bancárias ou dos Correios. Nesse caso, o edital traz a lista de endereços. Quando o concurso é municipal, os candidatos também podem se inscrever nas prefeituras e câmaras municipais, entre outros órgãos autorizados pela administração. ↑
Confirmação
O candidato deve acompanhar a sua inscrição no site da organizadora. Ele deve buscar o link correspondente ao concurso para o qual se inscreveu e acessá-lo freqüentemente para saber não somente se sua inscrição foi aceita, como também retificações do edital e datas, locais e horários de provas. Mas há organizadoras que enviam o cartão de inscrição para a residência do candidato. Nesse caso essa prática estará especificada no edital do concurso. ↑
Edital
Todos os editais trazem informações sobre os requisitos exigidos para os cargos (incluindo idade e nível de escolaridade); tabela de cargos e vagas, com os respectivos salários e jornada de trabalho; prazo, taxas e formas de inscrição; como obter isenção ou desconto no pagamento da taxa de inscrição; documentação exigida na inscrição e na data da posse; informações sobre as provas - caso não constem datas, locais e horários, o edital informa também quando esses dados serão divulgados; conteúdo das provas, número de questões e peso de cada disciplina; formulários para entrada de recursos e descrição dos cargos. Muitas organizadoras também incluem um quadro no final do edital ou em um anexo separado contendo o cronograma geral de todo o processo seletivo. O mesmo pode ocorrer com também com a tabela de cargos. ↑
Locais das provas
Muitos editais de concursos trazem somente as datas e horários previstos das provas, mas essas informações iniciais podem ser modificadas, ou seja, o regulamento pode ser retificado e divulgado novamente no site da organizadora. As informações sobre os locais de aplicação dos exames geralmente são divulgados por meio de edital de convocação publicado nos Diários Oficiais correspondentes à esfera do concurso (municipal, estadual e federal), de cartões de convocação que podem ser acessados pelos candidatos no site da organizadora ou que são encaminhados pelos Correios, ou por meio de comunicado no site da instituição responsável pelo concurso. Por isso, o candidato deve colocar o endereço residencial correto e completo no formulário de inscrição, inclusive com a indicação do CEP. Além disso, deve ter o hábito de acessar o site da organizadora para acompanhar todas as etapas do processo, retificações e comunicados.↑
Conteúdo das provas
O conteúdo programático do exame geralmente está na parte final dos editais. Os regulamentos separam as disciplinas previstas nas provas por níveis de escolaridade ou por cargos. Outros trazem ainda indicações bibliográficas (livros e artigos recomendados para estudo). É importante o candidato verificar o peso das provas e das disciplinas, além do número de questões de cada exame para programar o estudo. ↑
Locais das vagas
Os editais trazem essas informações ou no próprio corpo do regulamento ou em anexos nos sites das organizadoras. Por isso, quando o candidato acessa a página na internet referente ao concurso, ele deve prestar atenção em todos os links que a organizadora coloca para serem lidos, principalmente os anexos. ↑
Pagamento da taxa
Os editais trazem no item prazo de inscrição a data máxima para pagamento da taxa. As formas também são especificadas. Geralmente podem ser feitas por meio de Guia de Recolhimento da União (GRU), disponível no próprio site da organizadora, que deve ser impressa pelo candidato, ou por meio de boleto bancário. As organizadoras também especificam no edital onde a taxa pode ser paga. O candidato deve ficar atento ao prazo de pagamento, pois a efetivação da inscrição só se dá após a confirmação pelo banco do recebimento do valor da taxa. Além disso, o interessado deve acompanhar a situação da sua inscrição no site da organizadora para evitar imprevistos. As organizadoras geralmente dão um prazo após o encerramento para o candidato entrar em contato caso ocorra algum problema com a inscrição e pagamento. ↑
Resultados
As organizadoras costumam colocar nos sites os gabaritos e resultados dos exames. Por isso, o candidato deve sempre consultar as etapas do processo seletivo no endereço eletrônico da organizadora responsável pelo concurso para ficar informado e, caso queira, para entrar com recursos contra os resultados. ↑
Isenção da taxa
Se o concurso prevê isenção ou redução no pagamento de taxa o edital especifica os casos que são contemplados com esse benefício. Dependendo do edital, há previsão de isenção e/ou redução para doadores de sangue, desempregados, estudantes, candidatos que consigam comprovar baixa renda, entre outros. Mas há editais que não prevêem esse benefício. ↑
Devolução da taxa
Geralmente as organizadoras dos concursos não se responsabilizam por esse tipo de erro e não devolvem o valor da taxa. Por isso, é importante o candidato ficar atento à escolaridade mínima exigida para o cargo. As escolaridades exigidas vão desde ensino fundamental incompleto até superior completo. Um candidato que tenha nível superior e se interessa por uma vaga de nível médio pode prestar o concurso para a oportunidade. Mas quem tem nível médio não pode prestar concurso para nível superior. ↑
Menores de 18 anos
A maioria dos editais exige que os candidatos tenham 18 anos completos na data da posse. Mas podem ocorrer concursos que exijam essa idade mínima até o prazo final das inscrições. Essa especificação fica nas seções de inscrições ou requisitos para o cargo do edital. ↑
Internet
Geralmente os editais de concursos trazem uma relação de postos específicos com computadores em que os candidatos podem acessar a internet gratuitamente. ↑
Vagas autorizadas
Quando o governo federal autoriza a realização de um concurso público, na portaria publicada no Diário Oficial da União (http://portal.in.gov.br/) vem especificado o prazo máximo para publicação do edital de abertura após a data da autorização. ↑
Homologação e convocação
Os editais trazem a validade do concurso, que pode ser de até dois anos, a contar da data da publicação da homologação do resultado final, podendo ser prorrogada por igual período. Portanto, se a validade for de dois anos, prorrogável por mais dois, os candidatos aprovados podem ser chamados em até quatro anos. Os órgãos públicos podem se reservar o direito de admitir o número total ou parcial dos candidatos aprovados em relação às vagas relacionadas no edital. ↑
Credibilidade do edital
Um edital de concurso público deverá apresentar regras claras, objetivas e isonômicas, sob pena de ser impugnado e invalidado. Havendo indícios de lisura, faça uma representação junto ao Ministério Público local, que saberá pedir explicações e a retificação do edital, se for o caso. ↑
Inadimplência
O registro nos órgãos de proteção ao crédito não é impeditivo para tomar posse em cargo público. Os requisitos básicos para a investidura em cargo público são idade mínima de 18 anos, escolaridade compatível com o cargo, pleno gozo dos direitos políticos, estar quite com as obrigações eleitorais e militares (no caso do homem), nacionalidade brasileira, aptidão física e mental, entre outros, conforme a natureza e a complexidade do cargo – tudo expresso na lei que criou ou restruturou a carreira. ↑
Idosos
A idade limite para ingresso no cargo ou emprego público é, em regra, 70 anos incompletos (para homens e mulheres), sendo essa a idade para aposentadoria compulsória com provento proporcional ao tempo de contribuição. Em cargos de ministro de tribunais superiores e do TCU, por exemplo, a idade máxima para ser investido é de 65 anos. ↑
Título de eleitor
Não há impedimento para tomar posse em cargo público por esse motivo, uma vez que você está quite com a obrigação eleitoral e com um novo título. ↑
Aposentados
Sim, porém, não poderá se aposentar e receber o provento (aposentadoria) do segundo cargo, uma vez que não se trata de uma acumulação legal, que só é possível nos seguintes casos: dois cargos de profissionais de saúde; dois de professor; um cargo de professor e outro cargo técnico ou científico. Assim, você receberá o provento de bancária e a remuneração do cargo público (contribuindo para a seguridade social), mas não poderá pegar o provento do segundo cargo. ↑
Organizadoras
Fundação Vunesp: (11) 3874-6300 – www.vunesp.com.br
Cespe/UnB: (61) 3448-0100 – www.cespe.unb.br
Instituto Cetro: (11) 3285-2777 – www.cetroconcursos.com.br
Fundação Carlos Chagas: (11) 3723-3000 – www.concursosfcc.com.br
Fundação Cesgranrio: (21) 2103-9600 – www.cesgranrio.org.br
Escola de Administração Fazendária (Esaf): (61) 3412-6288/6238 – www.esaf.fazenda.gov.br
Fundação Conesul de Desenvolvimento: (51) 3320-5205 – www.conesul.org
Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ: 0800-7273333/(21) 2598-3051 – www.nce.ufrj.br/concursos ↑
Fonte: IG
Relação de perguntas e respostas.
Saiba mais sobre inscrições, provas, escolaridade e limites de idade, entre outros temas.
Perguntas e respostas, todas baseadas nos editais de concursos já publicados
Como faço para me inscrever num concurso público?
Como faço para saber se minha inscrição foi aceita?
Que informações encontro no edital de um concurso?
Como é possível saber os locais e horários das provas se eles não constam no edital?
Onde encontro o conteúdo das provas?
Onde encontro as localidades em que há vagas?
Como consigo saber o prazo e forma de pagamento?
Como obtenho os gabaritos dos concursos e relação dos aprovados?
Como obtenho informações sobre isenção de pagamento ou redução da taxa de inscrição?
Fiz a inscrição para um cargo para o qual não tenho a escolaridade exigida. Posso obter a devolução da taxa?
Se ainda não completei 18 anos posso prestar concurso público?
Não tenho acesso a computador. Como posso fazer a inscrição?
Como obtenho informações sobre publicações de editais de concursos que foram autorizados pelo governo federal?
Como consigo saber o prazo de homologação e convocação para as vagas?
Se eu estou desconfiado da lisura do processo de um concurso e da integridade do edital, como posso sanar minhas dúvidas?
Estou com meu nome sujo no SPC, Serasa e no Banco Central por motivo de desemprego. Eu posso fazer concurso público e ser contratado caso seja aprovado? Pessoas com mais de 65 anos podem fazer concurso?
Pessoas com mais de 65 anos podem fazer concurso?
Quero prestar concurso público, mas meu título eleitoral foi cancelado. Já fiz um novo, porém, não houve eleições no último ano. Tem como fazer o concurso com o último comprovante do título que foi cancelado?
Tenho 53 anos e sou aposentada bancária há três anos, gostaria de saber se posso prestar concurso público?
Como entro em contato com as principais organizadoras de concursos?
Inscrição
Os editais especificam as formas de inscrição. Na maioria das vezes podem ser feitas somente por meio do site da organizadora. Mas outros concursos abrem a possibilidade para serem feitas também em agências bancárias ou dos Correios. Nesse caso, o edital traz a lista de endereços. Quando o concurso é municipal, os candidatos também podem se inscrever nas prefeituras e câmaras municipais, entre outros órgãos autorizados pela administração. ↑
Confirmação
O candidato deve acompanhar a sua inscrição no site da organizadora. Ele deve buscar o link correspondente ao concurso para o qual se inscreveu e acessá-lo freqüentemente para saber não somente se sua inscrição foi aceita, como também retificações do edital e datas, locais e horários de provas. Mas há organizadoras que enviam o cartão de inscrição para a residência do candidato. Nesse caso essa prática estará especificada no edital do concurso. ↑
Edital
Todos os editais trazem informações sobre os requisitos exigidos para os cargos (incluindo idade e nível de escolaridade); tabela de cargos e vagas, com os respectivos salários e jornada de trabalho; prazo, taxas e formas de inscrição; como obter isenção ou desconto no pagamento da taxa de inscrição; documentação exigida na inscrição e na data da posse; informações sobre as provas - caso não constem datas, locais e horários, o edital informa também quando esses dados serão divulgados; conteúdo das provas, número de questões e peso de cada disciplina; formulários para entrada de recursos e descrição dos cargos. Muitas organizadoras também incluem um quadro no final do edital ou em um anexo separado contendo o cronograma geral de todo o processo seletivo. O mesmo pode ocorrer com também com a tabela de cargos. ↑
Locais das provas
Muitos editais de concursos trazem somente as datas e horários previstos das provas, mas essas informações iniciais podem ser modificadas, ou seja, o regulamento pode ser retificado e divulgado novamente no site da organizadora. As informações sobre os locais de aplicação dos exames geralmente são divulgados por meio de edital de convocação publicado nos Diários Oficiais correspondentes à esfera do concurso (municipal, estadual e federal), de cartões de convocação que podem ser acessados pelos candidatos no site da organizadora ou que são encaminhados pelos Correios, ou por meio de comunicado no site da instituição responsável pelo concurso. Por isso, o candidato deve colocar o endereço residencial correto e completo no formulário de inscrição, inclusive com a indicação do CEP. Além disso, deve ter o hábito de acessar o site da organizadora para acompanhar todas as etapas do processo, retificações e comunicados.↑
Conteúdo das provas
O conteúdo programático do exame geralmente está na parte final dos editais. Os regulamentos separam as disciplinas previstas nas provas por níveis de escolaridade ou por cargos. Outros trazem ainda indicações bibliográficas (livros e artigos recomendados para estudo). É importante o candidato verificar o peso das provas e das disciplinas, além do número de questões de cada exame para programar o estudo. ↑
Locais das vagas
Os editais trazem essas informações ou no próprio corpo do regulamento ou em anexos nos sites das organizadoras. Por isso, quando o candidato acessa a página na internet referente ao concurso, ele deve prestar atenção em todos os links que a organizadora coloca para serem lidos, principalmente os anexos. ↑
Pagamento da taxa
Os editais trazem no item prazo de inscrição a data máxima para pagamento da taxa. As formas também são especificadas. Geralmente podem ser feitas por meio de Guia de Recolhimento da União (GRU), disponível no próprio site da organizadora, que deve ser impressa pelo candidato, ou por meio de boleto bancário. As organizadoras também especificam no edital onde a taxa pode ser paga. O candidato deve ficar atento ao prazo de pagamento, pois a efetivação da inscrição só se dá após a confirmação pelo banco do recebimento do valor da taxa. Além disso, o interessado deve acompanhar a situação da sua inscrição no site da organizadora para evitar imprevistos. As organizadoras geralmente dão um prazo após o encerramento para o candidato entrar em contato caso ocorra algum problema com a inscrição e pagamento. ↑
Resultados
As organizadoras costumam colocar nos sites os gabaritos e resultados dos exames. Por isso, o candidato deve sempre consultar as etapas do processo seletivo no endereço eletrônico da organizadora responsável pelo concurso para ficar informado e, caso queira, para entrar com recursos contra os resultados. ↑
Isenção da taxa
Se o concurso prevê isenção ou redução no pagamento de taxa o edital especifica os casos que são contemplados com esse benefício. Dependendo do edital, há previsão de isenção e/ou redução para doadores de sangue, desempregados, estudantes, candidatos que consigam comprovar baixa renda, entre outros. Mas há editais que não prevêem esse benefício. ↑
Devolução da taxa
Geralmente as organizadoras dos concursos não se responsabilizam por esse tipo de erro e não devolvem o valor da taxa. Por isso, é importante o candidato ficar atento à escolaridade mínima exigida para o cargo. As escolaridades exigidas vão desde ensino fundamental incompleto até superior completo. Um candidato que tenha nível superior e se interessa por uma vaga de nível médio pode prestar o concurso para a oportunidade. Mas quem tem nível médio não pode prestar concurso para nível superior. ↑
Menores de 18 anos
A maioria dos editais exige que os candidatos tenham 18 anos completos na data da posse. Mas podem ocorrer concursos que exijam essa idade mínima até o prazo final das inscrições. Essa especificação fica nas seções de inscrições ou requisitos para o cargo do edital. ↑
Internet
Geralmente os editais de concursos trazem uma relação de postos específicos com computadores em que os candidatos podem acessar a internet gratuitamente. ↑
Vagas autorizadas
Quando o governo federal autoriza a realização de um concurso público, na portaria publicada no Diário Oficial da União (http://portal.in.gov.br/) vem especificado o prazo máximo para publicação do edital de abertura após a data da autorização. ↑
Homologação e convocação
Os editais trazem a validade do concurso, que pode ser de até dois anos, a contar da data da publicação da homologação do resultado final, podendo ser prorrogada por igual período. Portanto, se a validade for de dois anos, prorrogável por mais dois, os candidatos aprovados podem ser chamados em até quatro anos. Os órgãos públicos podem se reservar o direito de admitir o número total ou parcial dos candidatos aprovados em relação às vagas relacionadas no edital. ↑
Credibilidade do edital
Um edital de concurso público deverá apresentar regras claras, objetivas e isonômicas, sob pena de ser impugnado e invalidado. Havendo indícios de lisura, faça uma representação junto ao Ministério Público local, que saberá pedir explicações e a retificação do edital, se for o caso. ↑
Inadimplência
O registro nos órgãos de proteção ao crédito não é impeditivo para tomar posse em cargo público. Os requisitos básicos para a investidura em cargo público são idade mínima de 18 anos, escolaridade compatível com o cargo, pleno gozo dos direitos políticos, estar quite com as obrigações eleitorais e militares (no caso do homem), nacionalidade brasileira, aptidão física e mental, entre outros, conforme a natureza e a complexidade do cargo – tudo expresso na lei que criou ou restruturou a carreira. ↑
Idosos
A idade limite para ingresso no cargo ou emprego público é, em regra, 70 anos incompletos (para homens e mulheres), sendo essa a idade para aposentadoria compulsória com provento proporcional ao tempo de contribuição. Em cargos de ministro de tribunais superiores e do TCU, por exemplo, a idade máxima para ser investido é de 65 anos. ↑
Título de eleitor
Não há impedimento para tomar posse em cargo público por esse motivo, uma vez que você está quite com a obrigação eleitoral e com um novo título. ↑
Aposentados
Sim, porém, não poderá se aposentar e receber o provento (aposentadoria) do segundo cargo, uma vez que não se trata de uma acumulação legal, que só é possível nos seguintes casos: dois cargos de profissionais de saúde; dois de professor; um cargo de professor e outro cargo técnico ou científico. Assim, você receberá o provento de bancária e a remuneração do cargo público (contribuindo para a seguridade social), mas não poderá pegar o provento do segundo cargo. ↑
Organizadoras
Fundação Vunesp: (11) 3874-6300 – www.vunesp.com.br
Cespe/UnB: (61) 3448-0100 – www.cespe.unb.br
Instituto Cetro: (11) 3285-2777 – www.cetroconcursos.com.br
Fundação Carlos Chagas: (11) 3723-3000 – www.concursosfcc.com.br
Fundação Cesgranrio: (21) 2103-9600 – www.cesgranrio.org.br
Escola de Administração Fazendária (Esaf): (61) 3412-6288/6238 – www.esaf.fazenda.gov.br
Fundação Conesul de Desenvolvimento: (51) 3320-5205 – www.conesul.org
Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ: 0800-7273333/(21) 2598-3051 – www.nce.ufrj.br/concursos ↑
Fonte: IG
Variedade da maconha pode elevar risco de psicose
Londres - Uma pesquisa do King's College de Londres sugere que pessoas que usam a variedade mais forte da maconha, conhecida como skunk, têm mais risco de sofrer com problemas como psicose do que as que usam as formas mais suaves da droga, segundo informa nesta quinta-feira a BBC Brasil.
O estudo, do Instituto de Psiquiatria do King's College, analisou 317 pessoas. Desse grupo, os usuários skunk mostram que tinham 18 vezes mais chances de sofrer um episódio de psicose do que usuários de maconha. A pesquisa também informou que as pessoas que usam o skunk têm mais chances de usarem maconha todo dia.
Entre as pessoas que usaram o skunk, as que tiveram um episódio psicótico tinham duas vezes mais chances de ter usado maconha por mais tempo, chances três vezes maiores de ter usado a droga diariamente e 18 vezes mais chances de ter usado skunk. O skunk é três vezes mais forte do que a maconha convencional e, atualmente na Grã-Bretanha, entre 70% e 80% das apreensões são de skunk.
Di Forte afirmou que, se os resultados preliminares forem comprovados, a crescente disponibilidade de skunk no mercado será uma preocupação. Paul Morrison, que também participou da pesquisa afirmou que o skunk tem níveis mais altos de THC, o que causa os sintomas psicóticos, e níveis baixos de outro composto chamado canabidiol, que parece proteger os usuários do efeito do THC.
As provas da ligação entre maconha e doenças psicóticas como a esquizofrenia têm sido inconsistentes em diferentes estudos sobre o assunto. No começo de 2008, o conselho que faz recomendações sobre abuso e classificação de drogas na Grã-Bretanha, do qual David Nutt é membro, concluiu que provavelmente existe uma ligação entre os dois, mas ainda não está claro se esta ligação ficará mais forte à medida que o uso do skunk fica mais comum.
O estudo, do Instituto de Psiquiatria do King's College, analisou 317 pessoas. Desse grupo, os usuários skunk mostram que tinham 18 vezes mais chances de sofrer um episódio de psicose do que usuários de maconha. A pesquisa também informou que as pessoas que usam o skunk têm mais chances de usarem maconha todo dia.
Entre as pessoas que usaram o skunk, as que tiveram um episódio psicótico tinham duas vezes mais chances de ter usado maconha por mais tempo, chances três vezes maiores de ter usado a droga diariamente e 18 vezes mais chances de ter usado skunk. O skunk é três vezes mais forte do que a maconha convencional e, atualmente na Grã-Bretanha, entre 70% e 80% das apreensões são de skunk.
Di Forte afirmou que, se os resultados preliminares forem comprovados, a crescente disponibilidade de skunk no mercado será uma preocupação. Paul Morrison, que também participou da pesquisa afirmou que o skunk tem níveis mais altos de THC, o que causa os sintomas psicóticos, e níveis baixos de outro composto chamado canabidiol, que parece proteger os usuários do efeito do THC.
As provas da ligação entre maconha e doenças psicóticas como a esquizofrenia têm sido inconsistentes em diferentes estudos sobre o assunto. No começo de 2008, o conselho que faz recomendações sobre abuso e classificação de drogas na Grã-Bretanha, do qual David Nutt é membro, concluiu que provavelmente existe uma ligação entre os dois, mas ainda não está claro se esta ligação ficará mais forte à medida que o uso do skunk fica mais comum.
maconha tem antiinflamatório que 'não dá barato
Estudo: maconha tem antiinflamatório que 'não dá barato'
EUA - Pesquisadores da Academia Americana de Ciência afirmam que um componente da maconha pode funcionar como um poderoso agente antiinflamatório sem causar "barato" nas pessoas, mostra uma reportagem da National Geographic.
A descoberta pode trazer um grande alívio aos que sofrem de artrite, cirrose e outras doenças. As drogas já existentes nem sempre são tão eficazes, podendo ainda provocar efeitos colaterais, desde úlceras estomacais ao aumento do risco de ataques cardíacos.
Os defensores da maconha há tempos afirmam que os ingredientes ativos da planta, conhecidos como canabinóides, são seguros e eficazes no tratamento de dores, náuseas e outros males. O principal canabinóide - delta-9-tetraidrocanabinol, ou THC - é conhecido por suas propriedades antiinflamatórias. Mas a substância também é responsável pelos efeitos psicotrópicos da planta.
Agora, pesquisadores dizem que outro canabinóide, chamado beta- cariofileno, ou (E)-BCP, ajuda no combate à inflamação sem afetar o cérebro. O (E)-BCP já faz parte da dieta de muitas pessoas, ressaltam os pesquisadores. Alimentos como pimenta-do-reino, orégano, manjericão, limão, canela, cenouras e aipo contêm alto teor desse componente.
"As pesquisas se focavam sempre nos canabinóides clássicos, (e não no (E)-BCP)," disse o autor líder do estudo, Jurg Gertsch, do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça.
O THC ativa ambos os receptores, aliviando a inflamação, mas também causando o "barato" nos usuários. Já o (E)-BCP afeta somente o receptor CB2, segundo o estudo.
EUA - Pesquisadores da Academia Americana de Ciência afirmam que um componente da maconha pode funcionar como um poderoso agente antiinflamatório sem causar "barato" nas pessoas, mostra uma reportagem da National Geographic.
A descoberta pode trazer um grande alívio aos que sofrem de artrite, cirrose e outras doenças. As drogas já existentes nem sempre são tão eficazes, podendo ainda provocar efeitos colaterais, desde úlceras estomacais ao aumento do risco de ataques cardíacos.
Os defensores da maconha há tempos afirmam que os ingredientes ativos da planta, conhecidos como canabinóides, são seguros e eficazes no tratamento de dores, náuseas e outros males. O principal canabinóide - delta-9-tetraidrocanabinol, ou THC - é conhecido por suas propriedades antiinflamatórias. Mas a substância também é responsável pelos efeitos psicotrópicos da planta.
Agora, pesquisadores dizem que outro canabinóide, chamado beta- cariofileno, ou (E)-BCP, ajuda no combate à inflamação sem afetar o cérebro. O (E)-BCP já faz parte da dieta de muitas pessoas, ressaltam os pesquisadores. Alimentos como pimenta-do-reino, orégano, manjericão, limão, canela, cenouras e aipo contêm alto teor desse componente.
"As pesquisas se focavam sempre nos canabinóides clássicos, (e não no (E)-BCP)," disse o autor líder do estudo, Jurg Gertsch, do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça.
O THC ativa ambos os receptores, aliviando a inflamação, mas também causando o "barato" nos usuários. Já o (E)-BCP afeta somente o receptor CB2, segundo o estudo.
Infarto do miocardio
Faixa etária de risco
Drauzio - Qual a faixa etária com maior risco de sofrer infarto do miocárdio?
Carlos Alberto Pastore - A faixa etária vem caindo nos últimos 20, 30 anos. Antes, quando entrava no Incor um paciente com 40 ou 50 anos, a equipe médica se surpreendia, porque o infarto acontecia, em geral, depois dos 60. Hoje, no entanto, é rotina atender casos de infarto em pessoas mais jovens.
Drauzio - Como você explica esse fato?
Carlos Alberto Pastore - Acredito que, no passado, a aterosclerose ocorria mais lentamente e os que envelheciam, mais cedo ou mais tarde, apresentariam um problema coronariano. Como se sabe, o infarto é uma doença multifatorial. Infelizmente, algumas condições de vida do homem moderno contribuíram para acelerar esse processo. Pessoalmente, dou muita ênfase aos hábitos alimentares, à redução das atividades físicas e aos efeitos nocivos do estresse.
A dieta
Drauzio - DV- Você citou a dieta de hoje mais rica em calorias, mas no passado se cozinhava com banha de porco o que acentuava o teor calórico dos alimentos. Não parece um contra-senso culpar apenas o excesso de colorias pela ocorrência de infarto mais precocemente?
Pastore - A banha de porco talvez não fosse tão importante no cômputo geral das calorias, quanto o é a comida fast food. Quando se come um hambúrguer, uma porção de batata frita e se toma um milk shake, em poucos minutos ingeriu-se de 1000 a 1500 calorias, o que representa praticamente a necessidade calórica de um dia inteiro. Esses novos hábitos alimentares estão muito ligados ao modo de viver dos americanos, que se preocupam, no momento, com as alterações orgânicas decorrentes do aumento excessivo de peso, porque a população dos Estados Unidos, no geral, engordou bastante nas últimas décadas.
Quando insisto em dietas equilibradas, destaco sempre dois pontos: a necessidade de conhecer as propriedades nutricionais de cada alimento e a de criar hábitos saudáveis de alimentação desde a infância. Um saco de pipocas, por exemplo, que qualquer um come brincando, tem 500 calorias. Se for feita na manteiga, o número sobe para 2000.
E tem mais: dietas miraculosas, como a da Lua, do abacaxi, ou do pozinho que substitui a comida, não cumprem o que prometem. Dieta não é para uma semana, é para a vida toda. Por isso, não pode ser sinônimo de privação e sacrifício. Se comermos nas proporções e horários adequados, quase nada é proibido. Não é exagero dizer que vive mais quem come 70% da alimentação diária até as 2 horas da tarde e, daí em diante, come com moderação, pois disso depende sua saúde e bem-estar.
Drauzio - Isso quer dizer que comer na hora de dormir engorda mais?
Pastore - Tudo indica que o metabolismo fique mais lento à noite. Por isso, é aconselhável alimentar-se bem no início do dia, período de atividades mais intensas e, conseqüentemente, de maior queima de energia. Quando o ritmo decresce, deveríamos comer menos, mas ocorre, geralmente, o contrário. É mais fácil colocar dentro de um pão umas fatias de queijo e presunto, besuntá-lo com manteiga e tomar um refrigerante do que preparar uma salada. Ingerir açúcar rápido (pão, macarrão, massas, doces) à noite duplica a absorção e engorda. O aconselhável seria comer verduras, legumes, frutas, fibras e, talvez, algum grelhado.
A atividade física
Drauzio - Sem falar nos homens primitivos que lutavam para encontrar o que comer, num passado relativamente próximo, o homem era obrigado a locomover-se mais. Hoje, ele desce pelo elevador, entra na garagem, pega o carro e pára na porta do local de destino. Quais as implicações dessa vida sedentária a que se submete o homem moderno?
Pastore - Na área da Cardiologia moderna, todos os trabalhos científicos publicados recentemente são unânimes em reconhecer que, para o coração, nada supera os benefícios da atividade física regular. Veja, insisto no termo: regular. Estudos realizados nos Estados Unidos demonstram que as pessoas devem fazer exercícios quatro vezes por semana durante meia hora, ou andar durante uma hora, sem exageros, mas com regularidade. Indivíduos idosos, que já adotaram essa conduta, têm melhor qualidade de vida. Provavelmente viverão mais 10 anos do que viveriam se fossem sedentários.
Drauzio - Nos Estados Unidos, há um empenho em levar indivíduos de 80 anos para correr a maratona. Quando se poderia imaginar que alguém com essa idade seria capaz de correr 40 km?
Pastore - É surpreendente como eles conseguem fazê-lo. Há todo um trabalho corporal que possibilita não mais considerar idoso o indivíduo com 80 anos. Antigamente, quando se pensava em alguém com 80 anos, era comum ouvir-se: "puxa, que velho!". Hoje, conheço muita gente nessa idade que se dedica ao trabalho, toca empresas, leva vida produtiva. O investimento na longevidade saudável, porém, precisa começar cedo. Se a pessoa tem 40 anos e nunca fez exercícios, necessita de uma avaliação prévia, porque pode apresentar hipertensão leve ou níveis alterados de colesterol que requerem cuidados. Como provam os octogenários que correm a maratona, é possível iniciar uma atividade tardiamente. Nos primeiros dias, é aconselhável andar 15 minutos e ir aumentando o esforço aos poucos, até atingir uma hora. Nesse caso, não é válido considerar uma ida ao shopping para ver vitrines, subir e descer alguns lances de escadas e a movimentação própria do trabalho rotineiro, como treinamento regular.
Sempre que posso aconselho: ande pelo prazer pessoal de andar. Ande num lugar gostoso, ouvindo música, observando a paisagem. O exercício precisa ser contínuo, cadenciado. Considere-o uma fonte de bem-estar. Uma ala expressiva de estudiosos no assunto garante que se deveria dedicar ao lazer o mesmo tempo que se leva trabalhando. Se isso soa utópico, pelo menos há de ser possível encontrar uma hora no dia para revertê-la em benefício pessoal.
Drauzio - Muitos se orientam pela sudorese para avaliar o ritmo adequado dos exercícios. Você concorda com isso?
Pastore - A sudorese é sinal de que o indivíduo atingiu certa freqüência de batimentos cardíacos. O valor da freqüência ideal é obtido por um teste ergométrico e cada pessoa deve exercitar-se ao redor de 80% de sua freqüência máxima. Portanto, se o indivíduo está suando em bicas, provavelmente tenha ultrapassado os limites desejáveis.
Atividade física para cardíacos
Drauzio - Qual a atividade física indicada para quem já teve problemas cardíacos?
Pastore - Pessoas que já tenham apresentado problemas cardíacos exigem atenção especial. O início do trabalho está sujeito a uma avaliação criteriosa. Se já houve um infarto de conseqüências mais graves, é imprescindível verificar que tipo de atividade o coração pode suportar. Como regra geral, a orientação é caminhar, o que raramente apresenta contra-indicações. Dependendo da extensão do infarto, ou de tratamentos cirúrgicos que exigiram revascularizaçao, encaminha-se o paciente para uma clínica de reabilitação especializada no acompanhamento de cardíacos.
Drauzio - Quanto tempo após a cirurgia, uma pessoa pode novamente fazer exercícios?
Pastore - Em geral, no segundo ou terceiro mês depois da cirurgia, já se pode indicar um trabalho de reabilitação. Recomenda-se que o indivíduo comece a andar. No entanto, embora pareça incrível, mesmo depois do infarto ou de uma cirurgia cardíaca, poucos são os que seguem à risca os conselhos da equipe médica.
O peso da emoção
Drauzio - Que papel exercem as emoções nos casos de infarto do miocárdio?
Pastore - Quando se fala em infarto, a preocupação imediata recai sobre a hipertensão, os níveis elevados de colesterol, os malefícios do fumo. Muitos se esquecem dos efeitos negativos dos fatores emocionais sobre os males do coração.
Nos congressos mundiais de Cardiologia, esse tema tem sido abordado com destaque especial, pois verificou-se que, em muitos casos, estados depressivos antecediam os infartos, sugerindo que, se a pessoa baixar a guarda, a probabilidade de um futuro infarto aumenta. Por isso, a depressão passou a ser vista como fator de risco tão importante quanto o colesterol, a pressão alta ou o cigarro.
Num dos últimos congressos, o cardiologista clínico do presidente Clinton discutiu sua proposta de trabalho que se tornou famosa pelos bons resultados obtidos. Trata-se de um tratamento que poderia ser chamado de alternativo, porque se baseia, principalmente, em dieta e meditação.
Hoje, ninguém mais contesta a importância de estar atento ao lado emocional dos pacientes, antes e depois do infarto, porque a depressão custa a desaparecer. Indivíduos que tiveram um infarto ou foram revascularizados necessitam de suporte psicoterápico e familiar, pois costumam evoluir melhor aqueles que recebem cuidados e carinho das pessoas que o cercam.
Drauzio - Talvez o exercício físico ajude a amenizar esses quadros depressivos. Eu, nos dias em que corro, fico mais feliz. Você concorda com esse papel secundário da atividade física?
Pastore - Sem dúvida, porque o organismo libera endorfina que ajuda a combater a depressão. Infelizmente, nem todos conseguem aplicar-se a um programa metódico de exercícios. Nesse caso, é preciso combater a depressão de alguma forma para evitar o risco de novo infarto.
O colesterol
Drauzio - Lembrando que o ideal é valor de colesterol total abaixo de 200, como você orienta seus pacientes que apresentam colesterol alto?
Pastore - Como considero a informação fundamental para a adesão ao tratamento, explico aos pacientes a diferença entre o bom colesterol (HDL), que protege as artérias, pois não deixa a gordura grudar em suas paredes e o colesterol ruim (LDL), produtor de ateromas e de trombos. Como resultado, o objetivo principal é sempre melhorar o valor do HDL e diminuir o do LDL. O exercício, por exemplo, levanta o bom colesterol; o cigarro, abaixa-o.
Por razões genéticas, alguns indivíduos não apresentam desequilíbrio algum no metabolismo das gorduras. Outros, por predisposição familiar, apesar da dieta, têm dificuldade de mantê-lo baixo. Felizmente, a farmacologia moderna está empenhada em criar drogas, cada vez mais eficientes, para combater o colesterol. É o caso das estatinas que, quase sem efeitos colaterais, diminuem a agressividade dos ateromas. No exterior, já há quem indique medicação para jovens com história familiar de colesterol elevado.
Drauzio - O colesterol alto pode manifestar-se em crianças cujos pais apresentem também essa característica? Foi publicado, num editorial do New England, que se deveria dosar o colesterol das crianças. Essa recomendação, feita há alguns anos, teria provocado estranheza. O que você acha disso?
Pastore - O colesterol elevado é uma doença e como tal deve ser encarado. Tenho um paciente que sofreu um infarto aos 30 anos e o colesterol de seu filho de 12 anos é 400. Se existem sinais de predisposição genética, as crianças precisam ser observadas. Além disso, numa família com essas características, prevenir é o melhor remédio. Cultivar, nas crianças, hábitos alimentares saudáveis pode representar excelente profilaxia, pois de nada adiantam dietas espartanas feitas durante um mês ou dois. Persistência e bom-senso são fundamentais para enfrentar essa dificuldade.
Entretanto, não se deve abrir mão de certos prazeres. Oriento meus pacientes a terem juízo de segunda a sexta-feira: bom café da manhã, almoço caprichado e jantar frugal. Quando surgir uma festa no meio da semana, aceitem o convite, mas antes de sair comam algo que faça parte de sua dieta. Assim fica mais fácil resistir às tentações. Aos sábados e domingos, permitam-se algumas extravagâncias, mas esqueçam-se delas novamente, na segunda pela manhã.
A bebida alcoólica
Drauzio - Como você orienta seus pacientes quanto à ingestão de álcool?
Pastore - Peço sempre moderação. Mesmo o vinho que, em pequenas doses, pode trazer algum benefício para o colesterol e o coração, deve ser bebido com parcimônia, pois há outros órgãos, como o fígado e os intestinos, que reagem negativamente ao álcool. Além disso, o álcool é altamente calórico, portanto desaconselhável para quem não pode engordar.
Esse ponto de vista choca-se sempre com o argumento de que, na Europa, beber vinho é um costume visto como salutar. Acontece que o clima do Brasil é muito diferente do europeu e a bebida aqui não se restringe a um ingênuo cálice de vinho tinto. Por isso, a bebida não consta de minhas prescrições terapêuticas. No entanto, volto a repetir que, com moderação, nada é proibido. Portanto, beber esporadicamente, em ocasiões especiais, de preferência durante as refeições, não acarreta maiores prejuízos a ninguém.
Drauzio Varela e Carlos Alberto Pastore
Drauzio - Qual a faixa etária com maior risco de sofrer infarto do miocárdio?
Carlos Alberto Pastore - A faixa etária vem caindo nos últimos 20, 30 anos. Antes, quando entrava no Incor um paciente com 40 ou 50 anos, a equipe médica se surpreendia, porque o infarto acontecia, em geral, depois dos 60. Hoje, no entanto, é rotina atender casos de infarto em pessoas mais jovens.
Drauzio - Como você explica esse fato?
Carlos Alberto Pastore - Acredito que, no passado, a aterosclerose ocorria mais lentamente e os que envelheciam, mais cedo ou mais tarde, apresentariam um problema coronariano. Como se sabe, o infarto é uma doença multifatorial. Infelizmente, algumas condições de vida do homem moderno contribuíram para acelerar esse processo. Pessoalmente, dou muita ênfase aos hábitos alimentares, à redução das atividades físicas e aos efeitos nocivos do estresse.
A dieta
Drauzio - DV- Você citou a dieta de hoje mais rica em calorias, mas no passado se cozinhava com banha de porco o que acentuava o teor calórico dos alimentos. Não parece um contra-senso culpar apenas o excesso de colorias pela ocorrência de infarto mais precocemente?
Pastore - A banha de porco talvez não fosse tão importante no cômputo geral das calorias, quanto o é a comida fast food. Quando se come um hambúrguer, uma porção de batata frita e se toma um milk shake, em poucos minutos ingeriu-se de 1000 a 1500 calorias, o que representa praticamente a necessidade calórica de um dia inteiro. Esses novos hábitos alimentares estão muito ligados ao modo de viver dos americanos, que se preocupam, no momento, com as alterações orgânicas decorrentes do aumento excessivo de peso, porque a população dos Estados Unidos, no geral, engordou bastante nas últimas décadas.
Quando insisto em dietas equilibradas, destaco sempre dois pontos: a necessidade de conhecer as propriedades nutricionais de cada alimento e a de criar hábitos saudáveis de alimentação desde a infância. Um saco de pipocas, por exemplo, que qualquer um come brincando, tem 500 calorias. Se for feita na manteiga, o número sobe para 2000.
E tem mais: dietas miraculosas, como a da Lua, do abacaxi, ou do pozinho que substitui a comida, não cumprem o que prometem. Dieta não é para uma semana, é para a vida toda. Por isso, não pode ser sinônimo de privação e sacrifício. Se comermos nas proporções e horários adequados, quase nada é proibido. Não é exagero dizer que vive mais quem come 70% da alimentação diária até as 2 horas da tarde e, daí em diante, come com moderação, pois disso depende sua saúde e bem-estar.
Drauzio - Isso quer dizer que comer na hora de dormir engorda mais?
Pastore - Tudo indica que o metabolismo fique mais lento à noite. Por isso, é aconselhável alimentar-se bem no início do dia, período de atividades mais intensas e, conseqüentemente, de maior queima de energia. Quando o ritmo decresce, deveríamos comer menos, mas ocorre, geralmente, o contrário. É mais fácil colocar dentro de um pão umas fatias de queijo e presunto, besuntá-lo com manteiga e tomar um refrigerante do que preparar uma salada. Ingerir açúcar rápido (pão, macarrão, massas, doces) à noite duplica a absorção e engorda. O aconselhável seria comer verduras, legumes, frutas, fibras e, talvez, algum grelhado.
A atividade física
Drauzio - Sem falar nos homens primitivos que lutavam para encontrar o que comer, num passado relativamente próximo, o homem era obrigado a locomover-se mais. Hoje, ele desce pelo elevador, entra na garagem, pega o carro e pára na porta do local de destino. Quais as implicações dessa vida sedentária a que se submete o homem moderno?
Pastore - Na área da Cardiologia moderna, todos os trabalhos científicos publicados recentemente são unânimes em reconhecer que, para o coração, nada supera os benefícios da atividade física regular. Veja, insisto no termo: regular. Estudos realizados nos Estados Unidos demonstram que as pessoas devem fazer exercícios quatro vezes por semana durante meia hora, ou andar durante uma hora, sem exageros, mas com regularidade. Indivíduos idosos, que já adotaram essa conduta, têm melhor qualidade de vida. Provavelmente viverão mais 10 anos do que viveriam se fossem sedentários.
Drauzio - Nos Estados Unidos, há um empenho em levar indivíduos de 80 anos para correr a maratona. Quando se poderia imaginar que alguém com essa idade seria capaz de correr 40 km?
Pastore - É surpreendente como eles conseguem fazê-lo. Há todo um trabalho corporal que possibilita não mais considerar idoso o indivíduo com 80 anos. Antigamente, quando se pensava em alguém com 80 anos, era comum ouvir-se: "puxa, que velho!". Hoje, conheço muita gente nessa idade que se dedica ao trabalho, toca empresas, leva vida produtiva. O investimento na longevidade saudável, porém, precisa começar cedo. Se a pessoa tem 40 anos e nunca fez exercícios, necessita de uma avaliação prévia, porque pode apresentar hipertensão leve ou níveis alterados de colesterol que requerem cuidados. Como provam os octogenários que correm a maratona, é possível iniciar uma atividade tardiamente. Nos primeiros dias, é aconselhável andar 15 minutos e ir aumentando o esforço aos poucos, até atingir uma hora. Nesse caso, não é válido considerar uma ida ao shopping para ver vitrines, subir e descer alguns lances de escadas e a movimentação própria do trabalho rotineiro, como treinamento regular.
Sempre que posso aconselho: ande pelo prazer pessoal de andar. Ande num lugar gostoso, ouvindo música, observando a paisagem. O exercício precisa ser contínuo, cadenciado. Considere-o uma fonte de bem-estar. Uma ala expressiva de estudiosos no assunto garante que se deveria dedicar ao lazer o mesmo tempo que se leva trabalhando. Se isso soa utópico, pelo menos há de ser possível encontrar uma hora no dia para revertê-la em benefício pessoal.
Drauzio - Muitos se orientam pela sudorese para avaliar o ritmo adequado dos exercícios. Você concorda com isso?
Pastore - A sudorese é sinal de que o indivíduo atingiu certa freqüência de batimentos cardíacos. O valor da freqüência ideal é obtido por um teste ergométrico e cada pessoa deve exercitar-se ao redor de 80% de sua freqüência máxima. Portanto, se o indivíduo está suando em bicas, provavelmente tenha ultrapassado os limites desejáveis.
Atividade física para cardíacos
Drauzio - Qual a atividade física indicada para quem já teve problemas cardíacos?
Pastore - Pessoas que já tenham apresentado problemas cardíacos exigem atenção especial. O início do trabalho está sujeito a uma avaliação criteriosa. Se já houve um infarto de conseqüências mais graves, é imprescindível verificar que tipo de atividade o coração pode suportar. Como regra geral, a orientação é caminhar, o que raramente apresenta contra-indicações. Dependendo da extensão do infarto, ou de tratamentos cirúrgicos que exigiram revascularizaçao, encaminha-se o paciente para uma clínica de reabilitação especializada no acompanhamento de cardíacos.
Drauzio - Quanto tempo após a cirurgia, uma pessoa pode novamente fazer exercícios?
Pastore - Em geral, no segundo ou terceiro mês depois da cirurgia, já se pode indicar um trabalho de reabilitação. Recomenda-se que o indivíduo comece a andar. No entanto, embora pareça incrível, mesmo depois do infarto ou de uma cirurgia cardíaca, poucos são os que seguem à risca os conselhos da equipe médica.
O peso da emoção
Drauzio - Que papel exercem as emoções nos casos de infarto do miocárdio?
Pastore - Quando se fala em infarto, a preocupação imediata recai sobre a hipertensão, os níveis elevados de colesterol, os malefícios do fumo. Muitos se esquecem dos efeitos negativos dos fatores emocionais sobre os males do coração.
Nos congressos mundiais de Cardiologia, esse tema tem sido abordado com destaque especial, pois verificou-se que, em muitos casos, estados depressivos antecediam os infartos, sugerindo que, se a pessoa baixar a guarda, a probabilidade de um futuro infarto aumenta. Por isso, a depressão passou a ser vista como fator de risco tão importante quanto o colesterol, a pressão alta ou o cigarro.
Num dos últimos congressos, o cardiologista clínico do presidente Clinton discutiu sua proposta de trabalho que se tornou famosa pelos bons resultados obtidos. Trata-se de um tratamento que poderia ser chamado de alternativo, porque se baseia, principalmente, em dieta e meditação.
Hoje, ninguém mais contesta a importância de estar atento ao lado emocional dos pacientes, antes e depois do infarto, porque a depressão custa a desaparecer. Indivíduos que tiveram um infarto ou foram revascularizados necessitam de suporte psicoterápico e familiar, pois costumam evoluir melhor aqueles que recebem cuidados e carinho das pessoas que o cercam.
Drauzio - Talvez o exercício físico ajude a amenizar esses quadros depressivos. Eu, nos dias em que corro, fico mais feliz. Você concorda com esse papel secundário da atividade física?
Pastore - Sem dúvida, porque o organismo libera endorfina que ajuda a combater a depressão. Infelizmente, nem todos conseguem aplicar-se a um programa metódico de exercícios. Nesse caso, é preciso combater a depressão de alguma forma para evitar o risco de novo infarto.
O colesterol
Drauzio - Lembrando que o ideal é valor de colesterol total abaixo de 200, como você orienta seus pacientes que apresentam colesterol alto?
Pastore - Como considero a informação fundamental para a adesão ao tratamento, explico aos pacientes a diferença entre o bom colesterol (HDL), que protege as artérias, pois não deixa a gordura grudar em suas paredes e o colesterol ruim (LDL), produtor de ateromas e de trombos. Como resultado, o objetivo principal é sempre melhorar o valor do HDL e diminuir o do LDL. O exercício, por exemplo, levanta o bom colesterol; o cigarro, abaixa-o.
Por razões genéticas, alguns indivíduos não apresentam desequilíbrio algum no metabolismo das gorduras. Outros, por predisposição familiar, apesar da dieta, têm dificuldade de mantê-lo baixo. Felizmente, a farmacologia moderna está empenhada em criar drogas, cada vez mais eficientes, para combater o colesterol. É o caso das estatinas que, quase sem efeitos colaterais, diminuem a agressividade dos ateromas. No exterior, já há quem indique medicação para jovens com história familiar de colesterol elevado.
Drauzio - O colesterol alto pode manifestar-se em crianças cujos pais apresentem também essa característica? Foi publicado, num editorial do New England, que se deveria dosar o colesterol das crianças. Essa recomendação, feita há alguns anos, teria provocado estranheza. O que você acha disso?
Pastore - O colesterol elevado é uma doença e como tal deve ser encarado. Tenho um paciente que sofreu um infarto aos 30 anos e o colesterol de seu filho de 12 anos é 400. Se existem sinais de predisposição genética, as crianças precisam ser observadas. Além disso, numa família com essas características, prevenir é o melhor remédio. Cultivar, nas crianças, hábitos alimentares saudáveis pode representar excelente profilaxia, pois de nada adiantam dietas espartanas feitas durante um mês ou dois. Persistência e bom-senso são fundamentais para enfrentar essa dificuldade.
Entretanto, não se deve abrir mão de certos prazeres. Oriento meus pacientes a terem juízo de segunda a sexta-feira: bom café da manhã, almoço caprichado e jantar frugal. Quando surgir uma festa no meio da semana, aceitem o convite, mas antes de sair comam algo que faça parte de sua dieta. Assim fica mais fácil resistir às tentações. Aos sábados e domingos, permitam-se algumas extravagâncias, mas esqueçam-se delas novamente, na segunda pela manhã.
A bebida alcoólica
Drauzio - Como você orienta seus pacientes quanto à ingestão de álcool?
Pastore - Peço sempre moderação. Mesmo o vinho que, em pequenas doses, pode trazer algum benefício para o colesterol e o coração, deve ser bebido com parcimônia, pois há outros órgãos, como o fígado e os intestinos, que reagem negativamente ao álcool. Além disso, o álcool é altamente calórico, portanto desaconselhável para quem não pode engordar.
Esse ponto de vista choca-se sempre com o argumento de que, na Europa, beber vinho é um costume visto como salutar. Acontece que o clima do Brasil é muito diferente do europeu e a bebida aqui não se restringe a um ingênuo cálice de vinho tinto. Por isso, a bebida não consta de minhas prescrições terapêuticas. No entanto, volto a repetir que, com moderação, nada é proibido. Portanto, beber esporadicamente, em ocasiões especiais, de preferência durante as refeições, não acarreta maiores prejuízos a ninguém.
Drauzio Varela e Carlos Alberto Pastore
Fibromialgia
Fibromialgia
Fibromialgia caracteriza-se por dor crônica que migra por vários pontos do corpo e se manifesta especialmente nos tendões e nas articulações. Trata-se de uma patologia relacionada com o funcionamento do sistema nervoso central e o mecanismo de supressão da dor que atinge, em 90% dos casos, mulheres entre 35 e 50 anos. A fibromialgia não provoca inflamações nem deformidades físicas, mas pode estar associada a outras doenças reumatológicas o que pode confundir o diagnóstico.
A fibromialgia, doença identificada apenas nas últimas décadas, caracteriza-se por dor crônica que migra pelo corpo e manifesta-se predominantemente em um de seus lados, embora o outro também seja sensível.
São nove os pontos fundamentais de cada lado, portanto 18 no total, em que a dor pode instalar-se:
1) na região subocciptal (atrás da cabeça);
2) no músculo trapézio (em cima do ombro e nas costas);
3) na região supraespinal;
4) na altura das vértebras cervicais;
5) na articulação condrocostal, onde a segunda costela se insere no osso esterno;
6) no joelho, especialmente na parte de trás do joelho;
7) no trocanter, área onde o fêmur se encaixa na bacia;
8) na região glútea;
9) do lado do cotovelo.
Em 90% dos casos, a doença atinge as mulheres o que de certa forma confundiu o diagnóstico, uma vez que se atribuía a dor à somatização de possíveis problemas psicológicos. Hoje, se sabe que a fibromialgia é uma doença relacionada com o funcionamento do sistema nervoso central e o mecanismo de supressão da dor. Além da dor, ela provoca outros sintomas como fadiga, falta de disposição e alterações do sono.
Causas
A causa específica da fibromialgia é desconhecida. Sabe-se, porém, que os níveis de serotonina são mais baixos nos portadores da doença e que desequilíbrios hormonais, tensão e estresse podem estar envolvidos em seu aparecimento.
Sintomas
·Dor generalizada e recidivante;
·Fadiga;
·Falta de disposição e energia;
·Alterações do sono que é pouco reparador;
·Síndrome do cólon irritável;
·Sensibilidade durante a micção;
·Cefaléia;
·Distúrbios emocionais e psicológicos.
Diagnóstico
O diagnóstico da fibromialgia baseia-se na identificação dos pontos dolorosos. Ainda não existem exames laboratoriais complementares que possam orientá-lo.
Recomendações
·Tome medicamentos que ajudem a combater os sintomas;
·Evite carregar pesos;
·Fuja de situações que aumentem o nível de estresse;
·Elimine tudo o que possa perturbar seu sono como luz, barulho, colchão incômodo, temperatura desagradável;
·Procure posições confortáveis quando for permanecer sentado por mito tempo;
·Mantenha um programa regular de exercícios físicos;
·Considere a possibilidade de buscar ajuda psicológica
Tratamento
O tratamento da fibromialgia exige cuidados multidisciplinares. No entanto, tem-se mostrado eficaz para o controle da doença:
·uso de analgésicos e antiiflamatórios associados a antidepressivos tricíclicos;
·atividade física regular;
·acompanhamento psicológico e emocional;
·massagens e acupuntura.
Fonte: IG
"Não a automedicação"
Fibromialgia caracteriza-se por dor crônica que migra por vários pontos do corpo e se manifesta especialmente nos tendões e nas articulações. Trata-se de uma patologia relacionada com o funcionamento do sistema nervoso central e o mecanismo de supressão da dor que atinge, em 90% dos casos, mulheres entre 35 e 50 anos. A fibromialgia não provoca inflamações nem deformidades físicas, mas pode estar associada a outras doenças reumatológicas o que pode confundir o diagnóstico.
A fibromialgia, doença identificada apenas nas últimas décadas, caracteriza-se por dor crônica que migra pelo corpo e manifesta-se predominantemente em um de seus lados, embora o outro também seja sensível.
São nove os pontos fundamentais de cada lado, portanto 18 no total, em que a dor pode instalar-se:
1) na região subocciptal (atrás da cabeça);
2) no músculo trapézio (em cima do ombro e nas costas);
3) na região supraespinal;
4) na altura das vértebras cervicais;
5) na articulação condrocostal, onde a segunda costela se insere no osso esterno;
6) no joelho, especialmente na parte de trás do joelho;
7) no trocanter, área onde o fêmur se encaixa na bacia;
8) na região glútea;
9) do lado do cotovelo.
Em 90% dos casos, a doença atinge as mulheres o que de certa forma confundiu o diagnóstico, uma vez que se atribuía a dor à somatização de possíveis problemas psicológicos. Hoje, se sabe que a fibromialgia é uma doença relacionada com o funcionamento do sistema nervoso central e o mecanismo de supressão da dor. Além da dor, ela provoca outros sintomas como fadiga, falta de disposição e alterações do sono.
Causas
A causa específica da fibromialgia é desconhecida. Sabe-se, porém, que os níveis de serotonina são mais baixos nos portadores da doença e que desequilíbrios hormonais, tensão e estresse podem estar envolvidos em seu aparecimento.
Sintomas
·Dor generalizada e recidivante;
·Fadiga;
·Falta de disposição e energia;
·Alterações do sono que é pouco reparador;
·Síndrome do cólon irritável;
·Sensibilidade durante a micção;
·Cefaléia;
·Distúrbios emocionais e psicológicos.
Diagnóstico
O diagnóstico da fibromialgia baseia-se na identificação dos pontos dolorosos. Ainda não existem exames laboratoriais complementares que possam orientá-lo.
Recomendações
·Tome medicamentos que ajudem a combater os sintomas;
·Evite carregar pesos;
·Fuja de situações que aumentem o nível de estresse;
·Elimine tudo o que possa perturbar seu sono como luz, barulho, colchão incômodo, temperatura desagradável;
·Procure posições confortáveis quando for permanecer sentado por mito tempo;
·Mantenha um programa regular de exercícios físicos;
·Considere a possibilidade de buscar ajuda psicológica
Tratamento
O tratamento da fibromialgia exige cuidados multidisciplinares. No entanto, tem-se mostrado eficaz para o controle da doença:
·uso de analgésicos e antiiflamatórios associados a antidepressivos tricíclicos;
·atividade física regular;
·acompanhamento psicológico e emocional;
·massagens e acupuntura.
Fonte: IG
"Não a automedicação"
Antidepressivos e a síndrome de abstinência
Abstinência de antidepressivos
Grande número de pessoas faz uso de antidepressivos. Nos últimos anos, os chamados inibidores da recaptação da serotonina têm sido o grupo de drogas mais empregadas no tratamento de distúrbios psiquiátricos como depressão, ansiedade, bulimia, estresse pós-traumático, obsessão-compulsão, disforias pré-menstruais e outros.
Pertencem a esse grupo medicamentos como fluoxetina (Prozac, Daforin, Eufor), paroxetina (Aropax), sertralina (Zoloft) e outros. O sucesso dessas drogas na clínica se deveu especialmente à tolerabilidade e segurança de uso em comparação com os antidepressivos empregados anteriormente.
Síndrome de abstinência - No entanto, um dos problemas mais freqüentes associados ao uso desses inibidores é o aparecimento de síndrome de abstinência, quando sua administração é interrompida abruptamente.
Fenômeno semelhante pode ocorrer com outros antidepressivos não pertencentes a esse grupo, como a venlafaxina (Efexor), mirtazapina (Remeron), etc.
Síndrome de abstinência, aqui, é definida como “um conjunto de sinais e sintomas de instalação e duração previsíveis, que envolve sintomas psicológicos e orgânicos previamente ausentes à suspensão da droga e que desaparecem depois que ela foi reiniciada”.
Sintomas da síndrome - A abstinência à descontinuação abrupta dos inibidores da recaptação de serotonina, surge 24 a 72 horas depois da interrupção do tratamento e provoca os seguintes sintomas:
1) Psiquiátricos: ansiedade, insônia, irritabilidade, explosões de choro, distúrbios de humor e sonhos vívidos;
2) Neurológicos e motores: tonturas, vertigens, sensação de cabeça vazia, cefaléia, falta de coordenação motora, alterações de sensibilidade da pele e tremores;
3) Gastrintestinais: náuseas, vômitos e alterações do hábito intestinal;
4) Somáticos: calafrios, fadiga, letargia, dores musculares e congestão nasal.
Na ausência de tratamento esses sintomas desagradáveis costumam durar de uma a três semanas. Embora sejam discretos ou de moderada intensidade na maioria dos casos, às vezes podem se tornar mais intensos e serem confundidos com outras enfermidades.
A probabilidade de desenvolver a sintomatologia descrita é tanto maior quanto mais longa tiver sido a duração do tratamento. As reações geralmente estão associadas com durações de pelo menos quatro a seis semanas, mas podem acontecer depois de períodos de uso mais curtos.
Quanto mais rapidamente for excretado o antidepressivo, maior a probabilidade de surgir a síndrome. No caso de drogas como a fluoxetina que têm meia-vida (tempo necessário para eliminar metade da droga administrada) de 2 a 3 dias, os sintomas de abstinência podem instalar-se mais tardiamente (até uma semana depois da interrupção).
Duas a três semanas depois de instalados os sintomas da abstinência, costuma ocorrer um fenômeno conhecido como “rebote”: o reaparecimento dos sintomas psiquiátricos que levaram à indicação do medicamento.
Tratamento - O tratamento da síndrome de abstinência é óbvio: basta reiniciar a droga cuja retirada intempestiva foi responsável por ela. Com o reinício do tratamento os sintomas começam a melhorar já nas primeiras 24 horas. Para evitar a repetição do quadro, as doses diárias devem ser diminuídas gradativamente no decorrer de quatro a seis semanas, até que a interrupção completa possa ser realizada com segurança.
O grande número de pessoas que faz uso de antidepressivos atualmente, deve estar informado de que os efeitos benéficos do tratamento pode levar até seis semanas para se tornar aparente, e que precisa ser continuado por períodos de seis meses a um ano, para evitar recaídas precoces. Em caso de quadros depressivos que se instalam antes dos vinte anos de idade, em pacientes com recaídas múltiplas ou distúrbio bipolar, o tratamento pode exigir mais tempo ainda, ou mesmo estar indicado para ser mantido pelo resto da vida.
Durante esse período é fundamental que as doses diárias sejam tomadas com regularidade, porque os sintomas de abstinência podem surgir depois de apenas dois ou três dias de interrupção.
Por: Drauzio Varela
Grande número de pessoas faz uso de antidepressivos. Nos últimos anos, os chamados inibidores da recaptação da serotonina têm sido o grupo de drogas mais empregadas no tratamento de distúrbios psiquiátricos como depressão, ansiedade, bulimia, estresse pós-traumático, obsessão-compulsão, disforias pré-menstruais e outros.
Pertencem a esse grupo medicamentos como fluoxetina (Prozac, Daforin, Eufor), paroxetina (Aropax), sertralina (Zoloft) e outros. O sucesso dessas drogas na clínica se deveu especialmente à tolerabilidade e segurança de uso em comparação com os antidepressivos empregados anteriormente.
Síndrome de abstinência - No entanto, um dos problemas mais freqüentes associados ao uso desses inibidores é o aparecimento de síndrome de abstinência, quando sua administração é interrompida abruptamente.
Fenômeno semelhante pode ocorrer com outros antidepressivos não pertencentes a esse grupo, como a venlafaxina (Efexor), mirtazapina (Remeron), etc.
Síndrome de abstinência, aqui, é definida como “um conjunto de sinais e sintomas de instalação e duração previsíveis, que envolve sintomas psicológicos e orgânicos previamente ausentes à suspensão da droga e que desaparecem depois que ela foi reiniciada”.
Sintomas da síndrome - A abstinência à descontinuação abrupta dos inibidores da recaptação de serotonina, surge 24 a 72 horas depois da interrupção do tratamento e provoca os seguintes sintomas:
1) Psiquiátricos: ansiedade, insônia, irritabilidade, explosões de choro, distúrbios de humor e sonhos vívidos;
2) Neurológicos e motores: tonturas, vertigens, sensação de cabeça vazia, cefaléia, falta de coordenação motora, alterações de sensibilidade da pele e tremores;
3) Gastrintestinais: náuseas, vômitos e alterações do hábito intestinal;
4) Somáticos: calafrios, fadiga, letargia, dores musculares e congestão nasal.
Na ausência de tratamento esses sintomas desagradáveis costumam durar de uma a três semanas. Embora sejam discretos ou de moderada intensidade na maioria dos casos, às vezes podem se tornar mais intensos e serem confundidos com outras enfermidades.
A probabilidade de desenvolver a sintomatologia descrita é tanto maior quanto mais longa tiver sido a duração do tratamento. As reações geralmente estão associadas com durações de pelo menos quatro a seis semanas, mas podem acontecer depois de períodos de uso mais curtos.
Quanto mais rapidamente for excretado o antidepressivo, maior a probabilidade de surgir a síndrome. No caso de drogas como a fluoxetina que têm meia-vida (tempo necessário para eliminar metade da droga administrada) de 2 a 3 dias, os sintomas de abstinência podem instalar-se mais tardiamente (até uma semana depois da interrupção).
Duas a três semanas depois de instalados os sintomas da abstinência, costuma ocorrer um fenômeno conhecido como “rebote”: o reaparecimento dos sintomas psiquiátricos que levaram à indicação do medicamento.
Tratamento - O tratamento da síndrome de abstinência é óbvio: basta reiniciar a droga cuja retirada intempestiva foi responsável por ela. Com o reinício do tratamento os sintomas começam a melhorar já nas primeiras 24 horas. Para evitar a repetição do quadro, as doses diárias devem ser diminuídas gradativamente no decorrer de quatro a seis semanas, até que a interrupção completa possa ser realizada com segurança.
O grande número de pessoas que faz uso de antidepressivos atualmente, deve estar informado de que os efeitos benéficos do tratamento pode levar até seis semanas para se tornar aparente, e que precisa ser continuado por períodos de seis meses a um ano, para evitar recaídas precoces. Em caso de quadros depressivos que se instalam antes dos vinte anos de idade, em pacientes com recaídas múltiplas ou distúrbio bipolar, o tratamento pode exigir mais tempo ainda, ou mesmo estar indicado para ser mantido pelo resto da vida.
Durante esse período é fundamental que as doses diárias sejam tomadas com regularidade, porque os sintomas de abstinência podem surgir depois de apenas dois ou três dias de interrupção.
Por: Drauzio Varela
7.05.2008
FARMÁCIA ( Dispensação / Responsabalidades )
A farmácia possui fundamental importância como porta de acesso da população em relação ao consumo de medicamentos e devia ser entendida como um posto avançado de atenção primária de saúde. Segundo dados do Ministério da Fazenda1, as farmácias e drogarias seriam responsáveis por 76% do fornecimento direto de medicamentos à população.
Farmácias comunitárias referem-se aos estabelecimentos do comércio varejista privado tendo o farmacêutico como responsável técnico, atendendo as exigências da Lei 5991/73 do Ministério da Saúde2. É necessário destacar que, neste trabalho, o termo farmácia comunitária exclui as farmácias de manipulação e as farmácias públicas, se referindo tão somente às farmácias ditas comerciais e drogarias. Nestas, o atendimento ao paciente acontece ao nível de atenção primária à saúde, com a responsabilidade técnica, legal e privativa, de farmacêutico.
Sendo assim, a farmácia comunitária ocupa um importante espaço no cenário da saúde pública brasileira, como local de dispensação de medicamentos e de contínua promoção do consumo de medicamentos para a população. Nelas, o usuário busca, através do consumo de produtos, prescritos ou não, o restabelecimento da sua saúde.
Entretanto, ainda que o medicamento seja de fundamental importância para o paciente, tornando-se um componente estratégico na terapêutica e na manutenção de melhores condições de vida do indivíduo, é fundamental que não nos esqueçamos da necessidade de fornecer à sociedade informações seguras que minimizem o risco à saúde, que pode ser causado se o medicamento não for utilizado de modo adequado, efetivo e seguro. E a farmácia comunitária, pelo espaço que ocupa no processo de aquisição e dispensação destes produtos, pode ser um lócus importante para a realização de práticas que fomentem seu uso mais seguro e racional. A presença e a ação do farmacêutico, nestes estabelecimentos, se fundamentam no fato que o uso racional do medicamento requer a aplicação de um conhecimento técnico-científico aprofundado sobre as suas características intrínsecas, pelas reações e interações adversas que podem desencadear, e sobre as doenças para as quais são úteis.
Os modelos tradicionais de prática farmacêutica têm sua preocupação principal voltada para os cuidados com o medicamento. Nesse sentido, o foco de trabalho do farmacêutico se direciona para o planejamento, síntese, produção, abastecimento, distribuição e o controle de qualidade dos medicamentos. Em decorrência desse foco, sua prática mostra-se pouco efetiva sobre a morbimortalidade relacionada à medicamentos3, o que tem levado ao surgimento de algumas novas propostas de prática profissional na profissão farmacêutica. Dentre esses novos caminhos, há a Atenção Farmacêutica, que se apresenta como uma alternativa — implementada ou em implementação em diversos países4 — que visa redirecionar o objetivo do trabalho do farmacêutico para o indivíduo que necessita e usa os medicamentos, no sentido de melhorar a qualidade do processo de utilização de medicamentos pela população. Na Atenção Farmacêutica, a perspectiva profissional do farmacêutico seria a de assumir a responsabilidade de identificar e resolver as necessidades do paciente em relação aos medicamentos, e responder por esse compromisso5.Conforme alerta Cipolle6 essa reorientação da atenção profissional parte do conceito de que não são os fármacos que têm doses, mas sim são as pessoas que recebem as doses, e que essas doses de medicamentos (e esses medicamentos) devem ser adequadas às suas necessidades individuais.
Acompanhando os avanços na discussão da promoção do uso racional de medicamentos, foi elaborada no país, em 2002, uma proposta de Consenso Nacional de Atenção Farmacêutica7, que define essa Atenção como parte integrante da Assistência Farmacêutica, na perspectiva da integralidade das ações de saúde, A concepção subjacente seria de que a Atenção Farmacêutica se referiria as ações de cuidado do farmacêutico com o indivíduo no sentido de promover o uso racional dos medicamentos e a melhoria da qualidade de vida. Já a Assistência Farmacêutica seria um conjunto mais amplo de atividades relacionadas com o medicamento, envolvendo o farmacêutico e outros profissionais de saúde, destinadas a apoiar as ações de saúde relacionadas com o medicamento, definida pela Política Nacional de Medicamentos8.
Esse modelo de atenção também indica o caminho que o farmacêutico deve trilhar no sentido de recuperar o compromisso na prevenção de doenças, promoção e recuperação da saúde, de forma integrada à equipe de saúde. Esse novo modo de exercer a prática profissional muda o objeto central da atuação do profissional farmacêutico, que deixa de ser o medicamento, em si mesmo, voltando a ser o usuário e a comunidade como um todo.
A despeito desses movimentos, observa-se na literatura uma escassez de trabalhos referentes à percepção do farmacêutico quanto a sua prática profissional, seja em farmácias públicas9, seja em farmácias comunitárias privadas. Estefan10 já ressaltava a necessidade urgente de compreender e assimilar a essência da identidade da profissão farmacêutica bem como do contexto onde ela se insere, como mecanismo que propicie conhecer a realidade e planejar o futuro da profissão.
Desse modo, compreender as percepções que esses profissionais têm de sua práxis e dos processos de trabalho presentes nas farmácias comunitárias pode ajudar a identificar o modus operandi dessa prática e aonde há estrangulamento de interesses que desfocam o objetivo das farmácias como estabelecimentos produtores de saúde para estabelecimentos estritamente comerciais. Essa identificação, portanto, pode ser de auxílio na elaboração de caminhos e estratégias que avancem na efetiva implementação da Atenção Farmacêutica e outras práticas assistenciais em nosso meio, melhorando a segurança, a eficácia e o uso racional dos medicamentos.
Este artigo é um recorte da dissertação de mestrado de uma das autoras11 e teve como objetivo identificar a concepção que os farmacêuticos responsáveis técnicos, atuantes em farmácias comunitárias do estado do Rio de Janeiro, têm sobre a sua prática profissional e como essa visão pode estar relacionada e facilitar a implementação de práticas focadas no paciente, tais como a Atenção Farmacêutica.
Metodologia
Trata-se de um estudo qualitativo, de estratégia metodológica descritiva e analítica. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com farmacêuticos responsáveis técnicos de farmácias do estado do Rio de Janeiro, que atuavam em três tipos de farmácias comunitárias, de modo a contemplar farmácias de rede estadual, farmácias de rede local e farmácias familiares.
O critério de seleção dos entrevistados foi o de escolha dos farmacêuticos responsáveis técnicos entre os que trabalhassem em um desses três tipos de farmácias comunitárias, por no mínimo vinte horas semanais.
A abordagem utilizada nas entrevistas fez com que os entrevistados rememorassem suas trajetórias profissionais desde o primeiro emprego como farmacêutico, bem como descrevessem suas atividades em um dia típico na farmácia comunitária e enumerassem aquelas atividades consideradas como mais importantes e/ou mais difíceis de serem realizadas. Foram ainda exploradas suas vivências no balcão da farmácia, as descrições das tarefas de dispensação de medicamentos e seus desdobramentos, com ênfase na questão do medicamento genérico e nas dificuldades da população no uso de medicamentos.
Na seleção dos informantes para as entrevistas, houve a preocupação e o cuidado em evitar a possibilidade de introdução de vieses decorrentes do fato de a pesquisadora que conduziu as entrevistas ser farmacêutica fiscal do CRF-RJ. Logo, as entrevistas foram realizadas apenas em farmácias de áreas cuja fiscalização não seja ou já tenha sido de sua responsabilidade. Buscou-se com isso que a adesão ao estudo e as respostas tivessem motivação espontânea dos farmacêuticos e não decorressem da identificação do pesquisador com a figura de um agente que estaria ali para fiscalizar seus atos.
Os farmacêuticos responsáveis técnicos selecionados trabalhavam em estabelecimentos dos municípios de São Gonçalo, Tanguá, Rio Bonito e Itaboraí. São Gonçalo está inserido na chamada Região Metropolitana do Rio de Janeiro e é o segundo município em densidade demográfica do estado do Rio, tendo passado por um processo de desindustrialização nas últimas décadas. Os demais municípios fazem parte do eixo do Leste Fluminense, com economia predominantemente rural e estão, em média, 50 quilômetros distantes da capital.
O trabalho de campo se desenvolveu em 2006, ao longo de um mês, iniciando-se pelas farmácias da periferia do município de São Gonçalo. Todos foram individualmente esclarecidos sobre os objetivos da pesquisa e se posicionaram sobre sua participação através de um termo de consentimento livre e esclarecido, obedecendo às normas estabelecidas pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa — CONEP12.
Na etapa de coleta de dados, a definição de fechamento amostral aconteceu à medida que, na avaliação da pesquisadora, as informações fornecidas pelos novos participantes da pesquisa pouco acrescentavam ao material já obtido, não mais contribuindo de modo significativo para o desenvolvimento da reflexão teórica das percepções sobre as práticas profissionais realizadas no universo estudado na pesquisa, como ressaltado por Fontanella et al13.
A análise dos dados privilegiou a compreensão e interpretação das percepções a partir dos discursos dos entrevistados. O exame do material obtido nas entrevistas seguiu a análise de conteúdo proposta por Bardin14, onde os dados das entrevistas foram codificados segundo as seguintes categorias analíticas: (1) prática profissional; (2) dificuldades da população no uso de medicamentos; (3) satisfação dos farmacêuticos na farmácia; e (4) significados atribuídos ao termo Atenção Farmacêutica. Além disso, procedeu-se ao desenho de um breve perfil dos entrevistados, buscando poder contextualizar e explorar eventuais percepções e sentidos que pudessem estar relacionados ao local de atuação profissional, tempo de formado e de atuação na profissão e em farmácias comunitárias, tempo de exercício naquele estabelecimento em questão e habilitações adicionais.
A identificação das concepções buscou compreender o significado desse trabalho para os profissionais e o modo como ele era efetivamente executado no dia-a-dia. Entendemos que a forma como se organiza o trabalho cotidiano guarda, em última instância, uma profunda relação com as concepções acerca da prática, conduzindo ao modelo concretamente operado de prática profissional farmacêutica vigente.
Resultados e Discussão
Perfil dos entrevistados
Foram realizadas 15 entrevistas, com distribuição equânime do número de entrevistados pelos três tipos de estabelecimentos examinados: farmácias familiares, farmácias de redes locais e de redes estaduais.
Sete dos entrevistados eram homens. Nas farmácias familiares, todos os entrevistados eram do sexo masculino, situação inversa da observada naquelas de rede local. Apesar da idade variar entre 22 e 76 anos, e o tempo de formado variar entre 2 e 56 anos, a maioria era jovem e tinha pouco tempo de formado. Em decorrência, a experiência profissional da maioria deles era bem recente, com três anos ou menos de atuação como farmacêutico. Todos os entrevistados atuavam profissionalmente como farmacêuticos desde a saída da faculdade, não se observando qualquer padrão específico segundo o tipo de estabelecimento.
O grau de qualificação encontrado em todas as tipologias de estabelecimento estudadas indicou a presença do empenho pessoal e intelectual dos farmacêuticos em obter conhecimentos técnicos que proporcionassem condições de estarem inseridos com diferencial no mercado de trabalho. Contudo, o maior percentual de farmacêuticos com habilitações (principalmente em Bioquímica), especializações e pós-graduação estava presente nos segmentos de farmácias de rede local e estadual, talvez como uma exigência de mercado. Sobre suas atividades pregressas, que podia lhes conferir um grau de experiência profissional acumulada que facilitasse suas atividades cotidianas, observou-se que 80% dos entrevistados trabalharam em outros locais, como farmacêuticos, antes de estarem no exercício da responsabilidade técnica atual. Do total de entrevistados, a maioria relatou não trabalhar, no momento da entrevista, em outro local, sendo uma constante a observação de dedicação exclusiva no grupo de farmacêuticos proprietários, independente da tipologia de farmácias.
A Prática Profissional nas Farmácias Comunitárias
Naves15assinala que, no Brasil, há uma série de peculiaridades em relação ao comércio varejista de medicamentos. Uma delas refere-se ao fato da maior parte deste segmento ser composta de proprietários leigos, não havendo mecanismos para impedir a abertura de novas farmácias por eles. Nesse contexto, basta que a farmácia atenda as exigências sanitárias locais e federais, quanto à estrutura física e requisitos legais, e que contrate um farmacêutico responsável técnico, para poder abrir e funcionar. Os demais funcionários desses estabelecimentos possuem, via de regra, baixa escolaridade16, não havendo, na maioria dos casos, exigências de qualificação prévia para fazer parte do quadro de funcionários de uma farmácia. Como decorrência, não é incomum que profissionais leigos sem qualquer formação ou qualificação específica na área da saúde estejam, nestes estabelecimentos, em contato direto com o público e com o processo de atendimento de suas necessidades, em termos de aquisição e orientação no consumo e uso dos medicamentos:
(...) tivemos o momento de pegarem o segurança e colocarem no balcão, sem noção de nada, para atender os clientes (...) Não é fácil. (...) Por enquanto, acontece uma coisa peculiar: o nosso gerente é o gerente dos laticínios... O chefe dos laticínios é o chefe da drogaria. Ele não entende nada da drogaria, tanto que ele nem vem aqui. (Farmacêutico de farmácia de rede estadual)
Um outro elemento destacado pelos entrevistados dizia respeito ao contexto de incremento de vendas pela indústria farmacêutica, que chega a atingir os medicamentos genéricos, expressando também uma mudança nas estratégias de competição do segmento industrial a partir do final dos anos 90, quando é regulamentada a Lei dos Genéricos17. As empresas produtoras — não apenas de similares, mas também de medicamentos genéricos e de referência — concorrem entre si, fornecendo bônus, comissões e outras vantagens comerciais sobre venda de determinados medicamentos, e fazendo da propaganda, nos meios de comunicação, um instrumento de sedução ao uso de medicamentos por conta própria.
[...] todas as indústrias, atualmente, dão comissão para as farmácias, mas depende muito do laboratório. Genérico e “éticos” estão dando comissão também. (...) Dependendo do produto, chega até a 40%, 45% e, também, dependendo da quantidade. Mesmo assim, quando você compra, eles dão no máximo 35%, mas se for comprar para três ou quatro lojas, tipo essas redes que existem, o desconto é maior. [Laboratório de] referência dá bonificação. Antes do genérico, não dava, mas hoje dá. (Farmacêutico de farmácia familiar)
Argüidos sobre as atividades que consideravam mais importantes no seu dia-a-dia nas farmácias, as opiniões dos farmacêuticos muitas vezes migraram para o trabalho de cuidado ao paciente, sendo demonstrada sua preocupação quanto ao uso adequado de medicamentos, às interações medicamentosas potenciais e à dificuldade de entendimento do que estava prescrito no receituário por parte do usuário. Além disso, sobre a prática profissional dos entrevistados nas três tipologias analisadas, se observou uma prioridade de ações no sentido do controle efetivo dos medicamentos vendidos com retenção de receita, conforme a Portaria 344/98 SVS/MS 18.
A cultura do controle de medicamentos específicos, como é o caso dos entorpecentes e psicotrópicos, ainda marca a práxis desses farmacêuticos. Isso contribui para a existência de tensões no ambiente de trabalho nas farmácias comunitárias, principalmente no que se refere a práticas relacionadas com a Atenção Farmacêutica. Como exemplo, é relatado desde a pouca autonomia para atuarem no cuidado direto ao paciente, como a imposição de muitas farmácias para que o farmacêutico se desloque para atividades administrativas, como o lançamento de notas fiscais de todos os medicamentos comercializados e a atividade de gerência. Ficou patente também, em alguns discursos, a resistência dos balconistas de acatarem orientações dos farmacêuticos, ficando claro as limitações existentes para o melhor desempenho profissional, em especial no que se refere às atividades de dispensação e orientação aos pacientes. Essas atividades, muitas vezes, são realizadas por profissionais de venda, com formação inadequada a estas ações e, em alguns casos, com motivações para ganhos adicionais vinculados às estratégias de competição das firmas produtoras dos medicamentos:
A dispensação de medicamentos é com os balconistas, os [medicamentos] controlados, sou eu. É assim: chega a receita, tem o genérico e o similar que é mais barato... Geralmente, o cliente leva o mais barato... Eles entregam o medicamento. (...) Na maioria das vezes, eu faço serviço burocrático, lançando nota fiscal... É raro eu participar da dispensação... Só quando é controlado mesmo... Antigamente, era a subgerente que lançava as notas fiscais da loja; depois que ela saiu, eu fiquei lançando. Se eu não tiro dúvidas, o balconista tira. (...) No início, quando eu via erros (dos balconistas), eu falava muito, depois eu fui parando... Eu estou em farmácia só há dois anos, já os balconistas tem mais tempo... (Farmacêutico de farmácia de rede local)
Eu assumi a farmácia. Deixei de ser farmacêutica e me tornei administradora. (Farmacêutica de farmácia de rede local)
Zubioli19 já apresentava o panorama de ambigüidade e conflito que o farmacêutico viria a conviver na farmácia comunitária, devido ao aspecto comercial nesse ambiente, e o contraponto das atividades realizadas pelo farmacêutico, em prol da saúde dos consumidores. Esse panorama complexo fica também bastante evidente quando os farmacêuticos entrevistados elencam o conjunto amplo de atividades executadas como parte de seu exercício profissional nas farmácias comunitárias: dispensação de medicamentos aos usuários; a intercambialidade de medicamentos prevista pela legislação, confirmação junto ao prescritor, de dúvidas no receituário; uso de bibliografia farmacêutica para consulta; controle da validade do estoque de medicamentos; controle de estoque dos medicamentos constantes na Portaria n° 344/98 SVS/MS; manutenção da documentação do estabelecimento devidamente organizada bem como dos padrões de higiene, de acordo com as normas sanitárias; treinamento de funcionários; e, gerenciamento da farmácia. A despeito desse espectro amplo de atribuições e atividades, o diálogo estabelecido com os profissionais indicou, em recorrentes falas, seu interesse e a preocupação com a fragilidade do paciente no seu contato com o medicamento. Também de forma uníssona, ecoou nos discursos dos farmacêuticos a demonstração de solidariedade para com estes, ainda que esta nem sempre se expresse em uma atitude concreta no cotidiano do trabalho.
Foram citadas, também, as dificuldades com a legibilidade das prescrições, oriundas em particular da letra do profissional médico, como um fator limitante para a efetiva e segura dispensação de medicamentos; e a legislação que, segundo os farmacêuticos, se modifica rápida e constantemente. Entender as normas sobre a dispensação de medicamentos controlados também foi mencionado como um fator de dificuldade, percebido principalmente no início da carreira farmacêutica.
Quando perguntados sobre que atividade consideravam como sendo de mais fácil execução no dia-a-dia profissional, uma grande parcela dos farmacêuticos — das três tipologias de farmácia — apontou o lançamento de medicamentos controlados no livro de registro aberto especificamente para esse fim. Na verdade, este monitoramento se resume, via de regra, em uma operação aritmética básica de controle de estoque de medicamentos, onde é indicada a entrada e a saída dos medicamentos em um livro específico, através dos seus respectivos documentos (nota fiscal de compra do medicamento e registro da receita, conforme preconiza a legislação). Embora não encerre em si grandes dificuldades, essa atividade consome significativo tempo de execução, cuja ordem de grandeza é diretamente proporcional ao volume de vendas deste tipo de medicamentos pelo estabelecimento, e é objeto de fiscalização rigorosa e sistemática pelos diversos órgãos responsáveis, tais como a Vigilância Sanitária Municipal, o Conselho Regional de Farmácia e a Delegacia de Crimes contra a Saúde Pública. Esse atendimento às exigências legais contribui e termina por afastar o profissional do atendimento e cuidado direto aos usuários, dificultando as ações mais voltadas para a Atenção Farmacêutica.
Dificuldades da população no uso dos medicamentos
O paciente deve ser visto não apenas como um corpo, com seu funcionamento biológico, mediado por uma gama de processos físicos químicos, mas também como a amálgama de processos sociais, políticos e culturais historicamente construídos que incidem sobre ele ao longo de sua vida 20. O conjunto de costumes, valores, crenças, saberes e experiências que ele possui sobre o medicamento e o resultado que dele se quer obter, é somado às incertezas e aos medos vivenciados por cada indivíduo, na busca do restabelecimento do seu equilíbrio orgânico. Vê-se, então, que as formas de pensar e agir frente ao uso de medicamentos se constrói individualmente, sendo seu uso modulado, também, pela forte mídia da indústria farmacêutica e pela facilidade com que, de modo geral, se pode adquirir quaisquer tipo de medicamentos nas farmácias comunitárias. Esse somatório tende a organizar o comportamento que a maioria das pessoas tem frente ao uso de medicamentos, levando-se em conta ainda que a população tem ao seu dispor, além dos medicamentos como fonte de terapia médica científica, a terapia popular, pelo uso recorrente de chás e emplastos; a terapia natural, pelo consumo de plantas e fitoterápicos, sem prescrição médica; e a terapia religiosa, como as rezas e benzeduras,fruto da compreensão que o processo de cura envolve, além do corpo, o espírito21.
Para a maioria dos informantes, as dificuldades da população quanto ao uso dos medicamentos, podem ser sumarizadas em um tripé: a ilegibilidade da letra do prescritor, a não compreensão sobre o uso dos medicamentos por parte dos consumidores, e o custo dos medicamentos.
Esse último elemento é de grande relevância para o consumidor no momento da compra do medicamento. Segundo Luiza & Bermudez22, a questão do poder de compra do usuário se insere como um dos fatores decisivos para o acesso aos medicamentos, devendo existir a compatibilidade entre o preço do medicamento e a capacidade aquisitiva dos usuários para que se realize este acesso.
No decorrer das entrevistas, vários farmacêuticos relataram que o cliente quer entender/conhecer, no corpo da receita, qual produto é o “mais importante” para sua recuperação, para poder eleger a compra deste, desprezando a aquisição dos demais medicamentos prescritos, em face da falta de condições econômicas para comprá-los.
[...] eles questionam muito a medicação prescrita. Muitos deles cortam pela metade a receita, inclusive perguntam: ”qual que é para dor? Me vê o da dor... Esse médico está achando o que? que eu sou milionário?” (Farmacêutico de farmácia de rede estadual)
Satisfação dos farmacêuticos com o trabalho na farmácia
No tocante à satisfação dos farmacêuticos no ambiente da farmácia, foram feitos quatro blocos de perguntas: sobre a satisfação intrínseca ao trabalho, em relação às condições de trabalho, à sua organização e sobre os vínculos sociais do trabalho.
Os farmacêuticos deram depoimentos contraditórios quanto à satisfação de estar trabalhando na farmácia comunitária. Uma gama de pressões é sentida pelos farmacêuticos; entre as mais citadas, estão a questão da desvalorização salarial; o não reconhecimento pela equipe e pela população em geral, do papel do farmacêutico; a sensação de abandono pelos órgãos profissionais, sindicatos e governo; a impossibilidade de continuar os estudos, que lhe garantiria uma maior qualidade do trabalho realizado; o número insuficiente de funcionários na farmácia, e o conflito entre as autoridades administrativa e profissional.
Em oposição a esse contexto, foram também fornecidos depoimentos onde aparecem, de forma significativa, a percepção de vitória, de conquista, de sensação de dever cumprido, espelhadas principalmente pelos farmacêuticos mais experientes de rede estadual e farmacêuticos de farmácias familiares, de um modo geral.
Destaca-se que a autonomia para a construção do seu dia-a-dia é percebida, com mais freqüência, nesses dois últimos grupos de farmacêuticos citados. Em contrapartida, os mais jovens e com menor bagagem profissional trazem uma carga de sofrimento com o desenrolar de seu cotidiano, com sentimentos de desvalorização e desesperança frente às expectativas profissionais.
Éboli23lembra que, para que a satisfação profissional seja completa, ela deve ser dialética e, nesse sentido, ressalta a importância da satisfação do farmacêutico no seu trabalho diário como fundamental para o bom desenvolvimento técnico e profissional.
Vale pontuar que os depoimentos indicaram o inconformismo frente à ausência de espaços mínimos para o desenvolvimento das suas atividades e quanto à organização do estabelecimento direcionado unicamente para o foco comercial e administrativo e não técnico e de cuidado. Como exemplo, houve relatos de ausência até mobiliário — cadeira e mesa — que permitissem ao farmacêutico poder sentar no decorrer do seu expediente, inclusive no momento de escriturar as receitas de medicamentos ditos controlados. Muitos reclamaram de não possuírem um microcomputador, de modo a operacionalizarem os lançamentos dos dados dos medicamentos controlados, pelo menos na elaboração dos balanços trimestrais e anuais exigidos pela Portaria nº. 344/98, além de consultas a material especifico, que ajudasse a dirimir dúvidas próprias e dos pacientes. As condições de trabalho são citadas como particularmente insatisfatórias, não apenas dificultando ações mais orientadas para a Atenção Farmacêutica, mas, sobretudo, permitindo ver que esta ainda está longe de ser considerada como uma atividade importante ou prioritária pelos donos dos estabelecimentos comerciais:
[...] eu acho que tinha que ter um espaço para o farmacêutico, para poder estar chamando e atendendo o paciente (...) Mas um espaço mesmo, que ninguém pudesse te interromper e o paciente pudesse contar realmente o que está se passando... Porque, num cantinho do balcão que a gente possa usar para falar com o cliente, às vezes ele se sente envergonhado de contar, às vezes, é um homem querendo falar de um problema de disfunção erétil ou alguma coisa parecida (...) mesmo aqui dentro... é a minha sala com o armário de controlados, não posso trazer para cá. (...). As redes, a meu ver, teriam que investir mais no farmacêutico, nas suas condições de trabalho. Tinha que ter um sistema de computador para agilizar a confecção do balanço trimestral. (...) ia ser rapidinho, invés de ficar escrevendo (...) (Farmacêutico de farmácia de rede estadual)
Quanto à organização do trabalho, percebemos que, na maioria dos casos, os farmacêuticos concordavam com o modo como a farmácia se organizava estruturalmente. Muitos se sentiam identificados com a existência de regras, condutas e procedimentos internos, creditando a esses elementos uma certa segurança no trabalho ali desenvolvido, apesar de muitas das vezes não concordarem com as regras ora impostas.
Quando indagados sobre a relação com os outros profissionais, surge como pano de fundo a disputa pelo espaço de poder e autonomia dentro da farmácia. Viu-se que os gerentes, e mesmo alguns balconistas, se opõem às orientações e determinações dadas pelos entrevistados. Suas falas mostram angústia e inconformidade com a estrutura hierárquica sentida dentro desses estabelecimentos, que muitas vezes não considera os campos de atuação e os conhecimentos específicos de cada um dos grupos profissionais envolvidos no processo de atendimento e cuidado ao usuário.
Os farmacêuticos das redes, em particular, apontaram o estabelecimento das relações sociais no interior das farmácias como uma das maiores dificuldades na sua atuação. Essas relações sociais assumem diversas interfaces, entre quais foram destacadas: o trabalho de convencer a equipe de balconistas e gerentes a colaborar, de modo a haver uma prática mais ética e menos comercial na farmácia; a resistência de alguns balconistas no sentido de implementar procedimentos orientados pelo farmacêutico; o fato dos clientes das farmácias confundirem sistematicamente o farmacêutico com o balconista; e o próprio exercício de estar em contato com o público, no esclarecimento de dúvidas, visto a falta ou precariedade de treinamento especifico nas faculdades de Farmácia, bem como a ausência, em uma boa parte dos estabelecimentos, de condições de infra-estrutura mínimas para que tal se realize com a privacidade, sigilo e ética necessárias.
Já o desapontamento com a profissão foi constatado predominantemente no grupo de farmacêuticos mais jovens, independente da tipologia de farmácias que trabalham, pois eles se viam inseridos em atividades que consideram marginais à sua profissão no seu cotidiano, tais como o trabalho administrativo e a gerência das farmácias, onde não é considerado importante os seus conhecimentos cognitivos referentes ao medicamento. Em contrapartida, à medida que o farmacêutico tinha experiência com a atenção ao paciente e atuava orientando-o sobre os cuidados com o uso dos medicamentos, era percebido um sentimento de satisfação com a profissão, ainda que os locais de trabalho fossem considerados inadequados.
Significado atribuído ao termo Atenção Farmacêutica
O objetivo em argüir sobre esse ponto derivava do interesse em saber, em que proporções, havia domínio sobre esse tema e como essa apreensão de conceitos poderia se refletir na construção, na prática diária dos profissionais, de um trabalho com foco no paciente.
Via de regra, os entrevistados demonstraram ter pouca compreensão do significado do termo Atenção Farmacêutica, retratando seu pouco contato com essa terminologia. A expressão Atenção Farmacêutica foi confundida com a Assistência Farmacêutica, ou era interpretada como mera atenção, na acepção de ser agradável e dar ouvidos ao que o paciente fala e não ao propósito de fornecer informações que minimizem o risco de problemas relacionados com os medicamentos.
Atenção Farmacêutica é o farmacêutico estar na drogaria dando atenção ao cliente. (Farmacêutico de farmácia de rede local)
Entretanto, mesmo sem domínio sobre o termo, mesmo sem estabelecer com precisão as relações das atividades de Atenção com o trabalho clínico, observou-se que certa transição já se processa na prática profissional relatada pelos entrevistados, na medida em que se referem o paciente como eixo principal do seu trabalho, quando defendem um envolvimento mais específico do profissional com a farmacoterapia e quando reclamam e reiteram a importância da existência de condições concretas para a realização de atividades técnicas nas farmácias deslocadas para o benefício dos pacientes no uso de seus medicamentos.
Para mim, Atenção Farmacêutica é como eu ajo. É transformar todo aprendizado que eu tive na faculdade em relação à farmacologia, em algo que possa favorecer a população em geral, que possa transformá-la com o meu conhecimento, que possa trazer conhecimento para as pessoas [...] É agir em prol da qualidade de vida das pessoas. (Farmacêutico de farmácia de rede estadual)
[...] significa estar interagindo com o paciente, ouvindo, entendendo o que ele quer dizer... E eu, da forma mais didática, vou orientá-lo para que ele possa realmente aderir ao tratamento e, assim, o medicamento possa realmente fazer efeito. Porque, às vezes, o paciente não sabe ler e o médico nem sabe que ele é analfabeto... Então, chega no balcão da farmácia e a gente vê que o paciente é humilde e até pergunta de uma forma ou de outra... A gente desenha, faz o desenho de como ele tem que tomar, explica dos efeitos... Isso sim, para mim, traduz Atenção Farmacêutica. (Farmacêutico de farmácia de rede estadual)
O trabalho de campo permitiu verificar ainda que já são realizadas, pelos farmacêuticos, várias atividades com pontos de convergência com a prática da Atenção Farmacêutica, tais como a orientação farmacêutica e um esboço da dispensação. Elas, entretanto, ainda parecem ser secundárias, executadas muito mais por disponibilidade e interesse intrínsecos de alguns profissionais do que resultando de um processo interiorizado e ampliado de compreensão e valorização por parte da categoria profissional como um todo, de seus órgãos formadores e fiscalizadores, e dos estabelecimentos comerciais.
Considerações Finais
Captar as percepções e relatos dos farmacêuticos sobre a dinâmica da sua prática profissional mostrou-se um caminho adequado para identificar alguns dos fatores que podem estar impedindo o exercício pleno do farmacêutico como legítimo profissional de saúde nas farmácias comunitárias.
Uma possível limitação do estudo pode ser devido ao perfil da região alvo da pesquisa. Contudo, os achados se alinham com a realidade observada pela pesquisadora no cotidiano das fiscalizações nas farmácias comunitárias do estado do Rio de Janeiro, indicando que as diversidades entre as regiões desse estado, no que tange aos aspectos abordados, podem ser pequenas.
Neste trabalho, a partir das falas sobre as trajetórias profissionais e os processos de trabalho dos farmacêuticos atuantes em três tipos de farmácias comunitárias — familiares, de rede local e de rede estadual — foi possível identificar pontos considerados críticos no seu cotidiano, bem como a presença de elementos relacionados com o estímulo ou, contrariamente, à obstaculização dos processos relacionados à implantação de práticas de Atenção Farmacêutica nas farmácias e drogarias. Nota-se, ainda, que o itinerário trilhado na prática profissional fica a cargo de cada um, solitariamente, sendo o esforço para prover mudanças no presente paradigma da prática farmacêutica e os méritos desse empenho considerados isolados, com os caminhos para se chegar ao objetivo desejado se mostrando sinuosos e acidentados.
Os encontros com os entrevistados e a oportunidade de fazê-los refletir ao responder sobre questões vivenciadas da prática profissional indicou muitas vezes, situações de desânimo presentes nos grupos de farmacêuticos jovens e de rede local e estadual, que se sentem inibidos profissionalmente pela pressão exercida pela organização das farmácias comunitárias, quanto à realização de ações de orientação e apoio quanto ao uso de medicamentos à população. Muitos desses farmacêuticos, aos poucos, tendem a assumir as posições desejadas pelos seus empregadores de somente se ater ao controle e dispensação de medicamentos da Portaria 344/98 SVS/MS, reduzindo o espectro das atividades com foco no paciente e seu processo de cuidado.
Já alguns dos farmacêuticos mais experientes transmitem uma mensagem e uma visão mais otimistas, de que a superação do modelo da atual prática profissional nas farmácias comunitárias é possível e se realiza na medida em que a população os procura e os reconhece como os profissionais do medicamento. Nesses encontros, independente da tipologia da farmácia, eles disseram se sentir realizados profissionalmente, quando podiam oferecer aos seus pacientes um cuidado que se expressava em uma efetiva contribuição para a compreensão de seu adoecimento, do processo de cuidado e da melhor forma de utilização dos medicamentos.
Quando a prática farmacêutica estava associada com o estabelecimento de vínculos, fornecimento de orientações sobre o uso de medicamentos e atitudes de co-responsabilidades no cuidado com o paciente, uma carga maior de satisfação era sentida pelos profissionais na realização de suas atividades nas farmácias.
Temos então a implantação de práticas focadas no paciente, tais como a Atenção Farmacêutica como um dínamo para a mudança do padrão de atitudes e comportamentos encontrados no cotidiano dos farmacêuticos. Apesar de não serem conhecedores do conceito teórico da Atenção Farmacêutica, eles expressam conhecer o valor dessa prática e a concepção de que é necessário haver uma atitude pró-ativa, compromisso com o paciente e uma mudança de comportamento, itens embutidos no conceito brasileiro de Atenção Farmacêutica.
A Atenção Farmacêutica não é uma realidade nas farmácias comunitárias estudadas e existe um caminho a ser percorrido até que possa sê-la. Ter o farmacêutico presente nas farmácias, com certeza, é uma grande conquista, mas ter a clareza dos seus limites e das dificuldades que são enfrentadas no exercício da sua prática é um dos imperativos desse momento de revitalização da profissão farmacêutica.
Schostack24 ressalta que o ato profissional farmacêutico está fundamentado em três princípios: o conhecimento efetivo do medicamento, o relacionamento com o usuário de medicamento e com o prescritor do medicamento. O que seria esperado da pratica farmacêutica ou atenção à saúde nas farmácias seria a integração dessas três matrizes proporcionando novas possibilidades para a profissão, resultando em ações que garantissem que o uso do medicamento viesse a ocorrer com eficácia e segurança visando atingir resultados terapêuticos definidos na saúde e na qualidade de vida do paciente, atendendo assim a proposta inicial de Atenção Farmacêutica de Hepler e Strand25.
As questões apontadas nesse artigo suscitam a recondução do debate acerca dos elementos necessários para o melhor desempenho da prática farmacêutica nas farmácias comunitárias, direcionada a maximizar a contribuição de sua atuação profissional para as necessidades relacionadas ao uso de medicamentos pela sociedade. Diante dessa perspectiva, é preciso salientar que a mudança do paradigma ainda é um projeto, um percurso. É uma trajetória a ser buscada. Podemos sugerir um caminho: onde o interesse maior para esse projeto profissional esteja voltado para o seu trajeto, isto é, para o processo de implementação dessa prática.
Colaboradores
C.R.G. Bastos trabalhou na organização e execução da pesquisa e na concepção teórica, elaboração e redação do texto.
R. Caetano participou como orientadora durante todas as etapas da elaboração da dissertação e do artigo, colaborando na análise crítica do texto, redação e revisão final.
Agradecimentos
Ao Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Estado do Rio de Janeiro pela iniciativa em oferecer aos alunos dos cursos de mestrado e doutorado do Departamento de Planejamento e Administração em Saúde a Oficina de Artigos Científicos, desejando que essa iniciativa se torne uma constante na instituição. Em especial, aos professores Kenneth Rochel de Camargo Jr., Roseni Pinheiro e Ruben Araujo de Mattos pelas discussões e contribuições ao longo do processo de elaboração do artigo.
Referências Bibliográficas
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21. Loyola, MA. Médicos e curandeiros. São Paulo: Difel; 1984.
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24. Schostack, J. Atenção Farmacêutica. Porto Alegre: Publicações Biomédicas Ltda; 2004
25. Hepler, CD; Strand, LM. Opportunities and responsabilities in pharmaceutical care. Am J Hosp Pharm 1990, 47: 533-543
Farmácias comunitárias referem-se aos estabelecimentos do comércio varejista privado tendo o farmacêutico como responsável técnico, atendendo as exigências da Lei 5991/73 do Ministério da Saúde2. É necessário destacar que, neste trabalho, o termo farmácia comunitária exclui as farmácias de manipulação e as farmácias públicas, se referindo tão somente às farmácias ditas comerciais e drogarias. Nestas, o atendimento ao paciente acontece ao nível de atenção primária à saúde, com a responsabilidade técnica, legal e privativa, de farmacêutico.
Sendo assim, a farmácia comunitária ocupa um importante espaço no cenário da saúde pública brasileira, como local de dispensação de medicamentos e de contínua promoção do consumo de medicamentos para a população. Nelas, o usuário busca, através do consumo de produtos, prescritos ou não, o restabelecimento da sua saúde.
Entretanto, ainda que o medicamento seja de fundamental importância para o paciente, tornando-se um componente estratégico na terapêutica e na manutenção de melhores condições de vida do indivíduo, é fundamental que não nos esqueçamos da necessidade de fornecer à sociedade informações seguras que minimizem o risco à saúde, que pode ser causado se o medicamento não for utilizado de modo adequado, efetivo e seguro. E a farmácia comunitária, pelo espaço que ocupa no processo de aquisição e dispensação destes produtos, pode ser um lócus importante para a realização de práticas que fomentem seu uso mais seguro e racional. A presença e a ação do farmacêutico, nestes estabelecimentos, se fundamentam no fato que o uso racional do medicamento requer a aplicação de um conhecimento técnico-científico aprofundado sobre as suas características intrínsecas, pelas reações e interações adversas que podem desencadear, e sobre as doenças para as quais são úteis.
Os modelos tradicionais de prática farmacêutica têm sua preocupação principal voltada para os cuidados com o medicamento. Nesse sentido, o foco de trabalho do farmacêutico se direciona para o planejamento, síntese, produção, abastecimento, distribuição e o controle de qualidade dos medicamentos. Em decorrência desse foco, sua prática mostra-se pouco efetiva sobre a morbimortalidade relacionada à medicamentos3, o que tem levado ao surgimento de algumas novas propostas de prática profissional na profissão farmacêutica. Dentre esses novos caminhos, há a Atenção Farmacêutica, que se apresenta como uma alternativa — implementada ou em implementação em diversos países4 — que visa redirecionar o objetivo do trabalho do farmacêutico para o indivíduo que necessita e usa os medicamentos, no sentido de melhorar a qualidade do processo de utilização de medicamentos pela população. Na Atenção Farmacêutica, a perspectiva profissional do farmacêutico seria a de assumir a responsabilidade de identificar e resolver as necessidades do paciente em relação aos medicamentos, e responder por esse compromisso5.Conforme alerta Cipolle6 essa reorientação da atenção profissional parte do conceito de que não são os fármacos que têm doses, mas sim são as pessoas que recebem as doses, e que essas doses de medicamentos (e esses medicamentos) devem ser adequadas às suas necessidades individuais.
Acompanhando os avanços na discussão da promoção do uso racional de medicamentos, foi elaborada no país, em 2002, uma proposta de Consenso Nacional de Atenção Farmacêutica7, que define essa Atenção como parte integrante da Assistência Farmacêutica, na perspectiva da integralidade das ações de saúde, A concepção subjacente seria de que a Atenção Farmacêutica se referiria as ações de cuidado do farmacêutico com o indivíduo no sentido de promover o uso racional dos medicamentos e a melhoria da qualidade de vida. Já a Assistência Farmacêutica seria um conjunto mais amplo de atividades relacionadas com o medicamento, envolvendo o farmacêutico e outros profissionais de saúde, destinadas a apoiar as ações de saúde relacionadas com o medicamento, definida pela Política Nacional de Medicamentos8.
Esse modelo de atenção também indica o caminho que o farmacêutico deve trilhar no sentido de recuperar o compromisso na prevenção de doenças, promoção e recuperação da saúde, de forma integrada à equipe de saúde. Esse novo modo de exercer a prática profissional muda o objeto central da atuação do profissional farmacêutico, que deixa de ser o medicamento, em si mesmo, voltando a ser o usuário e a comunidade como um todo.
A despeito desses movimentos, observa-se na literatura uma escassez de trabalhos referentes à percepção do farmacêutico quanto a sua prática profissional, seja em farmácias públicas9, seja em farmácias comunitárias privadas. Estefan10 já ressaltava a necessidade urgente de compreender e assimilar a essência da identidade da profissão farmacêutica bem como do contexto onde ela se insere, como mecanismo que propicie conhecer a realidade e planejar o futuro da profissão.
Desse modo, compreender as percepções que esses profissionais têm de sua práxis e dos processos de trabalho presentes nas farmácias comunitárias pode ajudar a identificar o modus operandi dessa prática e aonde há estrangulamento de interesses que desfocam o objetivo das farmácias como estabelecimentos produtores de saúde para estabelecimentos estritamente comerciais. Essa identificação, portanto, pode ser de auxílio na elaboração de caminhos e estratégias que avancem na efetiva implementação da Atenção Farmacêutica e outras práticas assistenciais em nosso meio, melhorando a segurança, a eficácia e o uso racional dos medicamentos.
Este artigo é um recorte da dissertação de mestrado de uma das autoras11 e teve como objetivo identificar a concepção que os farmacêuticos responsáveis técnicos, atuantes em farmácias comunitárias do estado do Rio de Janeiro, têm sobre a sua prática profissional e como essa visão pode estar relacionada e facilitar a implementação de práticas focadas no paciente, tais como a Atenção Farmacêutica.
Metodologia
Trata-se de um estudo qualitativo, de estratégia metodológica descritiva e analítica. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com farmacêuticos responsáveis técnicos de farmácias do estado do Rio de Janeiro, que atuavam em três tipos de farmácias comunitárias, de modo a contemplar farmácias de rede estadual, farmácias de rede local e farmácias familiares.
O critério de seleção dos entrevistados foi o de escolha dos farmacêuticos responsáveis técnicos entre os que trabalhassem em um desses três tipos de farmácias comunitárias, por no mínimo vinte horas semanais.
A abordagem utilizada nas entrevistas fez com que os entrevistados rememorassem suas trajetórias profissionais desde o primeiro emprego como farmacêutico, bem como descrevessem suas atividades em um dia típico na farmácia comunitária e enumerassem aquelas atividades consideradas como mais importantes e/ou mais difíceis de serem realizadas. Foram ainda exploradas suas vivências no balcão da farmácia, as descrições das tarefas de dispensação de medicamentos e seus desdobramentos, com ênfase na questão do medicamento genérico e nas dificuldades da população no uso de medicamentos.
Na seleção dos informantes para as entrevistas, houve a preocupação e o cuidado em evitar a possibilidade de introdução de vieses decorrentes do fato de a pesquisadora que conduziu as entrevistas ser farmacêutica fiscal do CRF-RJ. Logo, as entrevistas foram realizadas apenas em farmácias de áreas cuja fiscalização não seja ou já tenha sido de sua responsabilidade. Buscou-se com isso que a adesão ao estudo e as respostas tivessem motivação espontânea dos farmacêuticos e não decorressem da identificação do pesquisador com a figura de um agente que estaria ali para fiscalizar seus atos.
Os farmacêuticos responsáveis técnicos selecionados trabalhavam em estabelecimentos dos municípios de São Gonçalo, Tanguá, Rio Bonito e Itaboraí. São Gonçalo está inserido na chamada Região Metropolitana do Rio de Janeiro e é o segundo município em densidade demográfica do estado do Rio, tendo passado por um processo de desindustrialização nas últimas décadas. Os demais municípios fazem parte do eixo do Leste Fluminense, com economia predominantemente rural e estão, em média, 50 quilômetros distantes da capital.
O trabalho de campo se desenvolveu em 2006, ao longo de um mês, iniciando-se pelas farmácias da periferia do município de São Gonçalo. Todos foram individualmente esclarecidos sobre os objetivos da pesquisa e se posicionaram sobre sua participação através de um termo de consentimento livre e esclarecido, obedecendo às normas estabelecidas pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa — CONEP12.
Na etapa de coleta de dados, a definição de fechamento amostral aconteceu à medida que, na avaliação da pesquisadora, as informações fornecidas pelos novos participantes da pesquisa pouco acrescentavam ao material já obtido, não mais contribuindo de modo significativo para o desenvolvimento da reflexão teórica das percepções sobre as práticas profissionais realizadas no universo estudado na pesquisa, como ressaltado por Fontanella et al13.
A análise dos dados privilegiou a compreensão e interpretação das percepções a partir dos discursos dos entrevistados. O exame do material obtido nas entrevistas seguiu a análise de conteúdo proposta por Bardin14, onde os dados das entrevistas foram codificados segundo as seguintes categorias analíticas: (1) prática profissional; (2) dificuldades da população no uso de medicamentos; (3) satisfação dos farmacêuticos na farmácia; e (4) significados atribuídos ao termo Atenção Farmacêutica. Além disso, procedeu-se ao desenho de um breve perfil dos entrevistados, buscando poder contextualizar e explorar eventuais percepções e sentidos que pudessem estar relacionados ao local de atuação profissional, tempo de formado e de atuação na profissão e em farmácias comunitárias, tempo de exercício naquele estabelecimento em questão e habilitações adicionais.
A identificação das concepções buscou compreender o significado desse trabalho para os profissionais e o modo como ele era efetivamente executado no dia-a-dia. Entendemos que a forma como se organiza o trabalho cotidiano guarda, em última instância, uma profunda relação com as concepções acerca da prática, conduzindo ao modelo concretamente operado de prática profissional farmacêutica vigente.
Resultados e Discussão
Perfil dos entrevistados
Foram realizadas 15 entrevistas, com distribuição equânime do número de entrevistados pelos três tipos de estabelecimentos examinados: farmácias familiares, farmácias de redes locais e de redes estaduais.
Sete dos entrevistados eram homens. Nas farmácias familiares, todos os entrevistados eram do sexo masculino, situação inversa da observada naquelas de rede local. Apesar da idade variar entre 22 e 76 anos, e o tempo de formado variar entre 2 e 56 anos, a maioria era jovem e tinha pouco tempo de formado. Em decorrência, a experiência profissional da maioria deles era bem recente, com três anos ou menos de atuação como farmacêutico. Todos os entrevistados atuavam profissionalmente como farmacêuticos desde a saída da faculdade, não se observando qualquer padrão específico segundo o tipo de estabelecimento.
O grau de qualificação encontrado em todas as tipologias de estabelecimento estudadas indicou a presença do empenho pessoal e intelectual dos farmacêuticos em obter conhecimentos técnicos que proporcionassem condições de estarem inseridos com diferencial no mercado de trabalho. Contudo, o maior percentual de farmacêuticos com habilitações (principalmente em Bioquímica), especializações e pós-graduação estava presente nos segmentos de farmácias de rede local e estadual, talvez como uma exigência de mercado. Sobre suas atividades pregressas, que podia lhes conferir um grau de experiência profissional acumulada que facilitasse suas atividades cotidianas, observou-se que 80% dos entrevistados trabalharam em outros locais, como farmacêuticos, antes de estarem no exercício da responsabilidade técnica atual. Do total de entrevistados, a maioria relatou não trabalhar, no momento da entrevista, em outro local, sendo uma constante a observação de dedicação exclusiva no grupo de farmacêuticos proprietários, independente da tipologia de farmácias.
A Prática Profissional nas Farmácias Comunitárias
Naves15assinala que, no Brasil, há uma série de peculiaridades em relação ao comércio varejista de medicamentos. Uma delas refere-se ao fato da maior parte deste segmento ser composta de proprietários leigos, não havendo mecanismos para impedir a abertura de novas farmácias por eles. Nesse contexto, basta que a farmácia atenda as exigências sanitárias locais e federais, quanto à estrutura física e requisitos legais, e que contrate um farmacêutico responsável técnico, para poder abrir e funcionar. Os demais funcionários desses estabelecimentos possuem, via de regra, baixa escolaridade16, não havendo, na maioria dos casos, exigências de qualificação prévia para fazer parte do quadro de funcionários de uma farmácia. Como decorrência, não é incomum que profissionais leigos sem qualquer formação ou qualificação específica na área da saúde estejam, nestes estabelecimentos, em contato direto com o público e com o processo de atendimento de suas necessidades, em termos de aquisição e orientação no consumo e uso dos medicamentos:
(...) tivemos o momento de pegarem o segurança e colocarem no balcão, sem noção de nada, para atender os clientes (...) Não é fácil. (...) Por enquanto, acontece uma coisa peculiar: o nosso gerente é o gerente dos laticínios... O chefe dos laticínios é o chefe da drogaria. Ele não entende nada da drogaria, tanto que ele nem vem aqui. (Farmacêutico de farmácia de rede estadual)
Um outro elemento destacado pelos entrevistados dizia respeito ao contexto de incremento de vendas pela indústria farmacêutica, que chega a atingir os medicamentos genéricos, expressando também uma mudança nas estratégias de competição do segmento industrial a partir do final dos anos 90, quando é regulamentada a Lei dos Genéricos17. As empresas produtoras — não apenas de similares, mas também de medicamentos genéricos e de referência — concorrem entre si, fornecendo bônus, comissões e outras vantagens comerciais sobre venda de determinados medicamentos, e fazendo da propaganda, nos meios de comunicação, um instrumento de sedução ao uso de medicamentos por conta própria.
[...] todas as indústrias, atualmente, dão comissão para as farmácias, mas depende muito do laboratório. Genérico e “éticos” estão dando comissão também. (...) Dependendo do produto, chega até a 40%, 45% e, também, dependendo da quantidade. Mesmo assim, quando você compra, eles dão no máximo 35%, mas se for comprar para três ou quatro lojas, tipo essas redes que existem, o desconto é maior. [Laboratório de] referência dá bonificação. Antes do genérico, não dava, mas hoje dá. (Farmacêutico de farmácia familiar)
Argüidos sobre as atividades que consideravam mais importantes no seu dia-a-dia nas farmácias, as opiniões dos farmacêuticos muitas vezes migraram para o trabalho de cuidado ao paciente, sendo demonstrada sua preocupação quanto ao uso adequado de medicamentos, às interações medicamentosas potenciais e à dificuldade de entendimento do que estava prescrito no receituário por parte do usuário. Além disso, sobre a prática profissional dos entrevistados nas três tipologias analisadas, se observou uma prioridade de ações no sentido do controle efetivo dos medicamentos vendidos com retenção de receita, conforme a Portaria 344/98 SVS/MS 18.
A cultura do controle de medicamentos específicos, como é o caso dos entorpecentes e psicotrópicos, ainda marca a práxis desses farmacêuticos. Isso contribui para a existência de tensões no ambiente de trabalho nas farmácias comunitárias, principalmente no que se refere a práticas relacionadas com a Atenção Farmacêutica. Como exemplo, é relatado desde a pouca autonomia para atuarem no cuidado direto ao paciente, como a imposição de muitas farmácias para que o farmacêutico se desloque para atividades administrativas, como o lançamento de notas fiscais de todos os medicamentos comercializados e a atividade de gerência. Ficou patente também, em alguns discursos, a resistência dos balconistas de acatarem orientações dos farmacêuticos, ficando claro as limitações existentes para o melhor desempenho profissional, em especial no que se refere às atividades de dispensação e orientação aos pacientes. Essas atividades, muitas vezes, são realizadas por profissionais de venda, com formação inadequada a estas ações e, em alguns casos, com motivações para ganhos adicionais vinculados às estratégias de competição das firmas produtoras dos medicamentos:
A dispensação de medicamentos é com os balconistas, os [medicamentos] controlados, sou eu. É assim: chega a receita, tem o genérico e o similar que é mais barato... Geralmente, o cliente leva o mais barato... Eles entregam o medicamento. (...) Na maioria das vezes, eu faço serviço burocrático, lançando nota fiscal... É raro eu participar da dispensação... Só quando é controlado mesmo... Antigamente, era a subgerente que lançava as notas fiscais da loja; depois que ela saiu, eu fiquei lançando. Se eu não tiro dúvidas, o balconista tira. (...) No início, quando eu via erros (dos balconistas), eu falava muito, depois eu fui parando... Eu estou em farmácia só há dois anos, já os balconistas tem mais tempo... (Farmacêutico de farmácia de rede local)
Eu assumi a farmácia. Deixei de ser farmacêutica e me tornei administradora. (Farmacêutica de farmácia de rede local)
Zubioli19 já apresentava o panorama de ambigüidade e conflito que o farmacêutico viria a conviver na farmácia comunitária, devido ao aspecto comercial nesse ambiente, e o contraponto das atividades realizadas pelo farmacêutico, em prol da saúde dos consumidores. Esse panorama complexo fica também bastante evidente quando os farmacêuticos entrevistados elencam o conjunto amplo de atividades executadas como parte de seu exercício profissional nas farmácias comunitárias: dispensação de medicamentos aos usuários; a intercambialidade de medicamentos prevista pela legislação, confirmação junto ao prescritor, de dúvidas no receituário; uso de bibliografia farmacêutica para consulta; controle da validade do estoque de medicamentos; controle de estoque dos medicamentos constantes na Portaria n° 344/98 SVS/MS; manutenção da documentação do estabelecimento devidamente organizada bem como dos padrões de higiene, de acordo com as normas sanitárias; treinamento de funcionários; e, gerenciamento da farmácia. A despeito desse espectro amplo de atribuições e atividades, o diálogo estabelecido com os profissionais indicou, em recorrentes falas, seu interesse e a preocupação com a fragilidade do paciente no seu contato com o medicamento. Também de forma uníssona, ecoou nos discursos dos farmacêuticos a demonstração de solidariedade para com estes, ainda que esta nem sempre se expresse em uma atitude concreta no cotidiano do trabalho.
Foram citadas, também, as dificuldades com a legibilidade das prescrições, oriundas em particular da letra do profissional médico, como um fator limitante para a efetiva e segura dispensação de medicamentos; e a legislação que, segundo os farmacêuticos, se modifica rápida e constantemente. Entender as normas sobre a dispensação de medicamentos controlados também foi mencionado como um fator de dificuldade, percebido principalmente no início da carreira farmacêutica.
Quando perguntados sobre que atividade consideravam como sendo de mais fácil execução no dia-a-dia profissional, uma grande parcela dos farmacêuticos — das três tipologias de farmácia — apontou o lançamento de medicamentos controlados no livro de registro aberto especificamente para esse fim. Na verdade, este monitoramento se resume, via de regra, em uma operação aritmética básica de controle de estoque de medicamentos, onde é indicada a entrada e a saída dos medicamentos em um livro específico, através dos seus respectivos documentos (nota fiscal de compra do medicamento e registro da receita, conforme preconiza a legislação). Embora não encerre em si grandes dificuldades, essa atividade consome significativo tempo de execução, cuja ordem de grandeza é diretamente proporcional ao volume de vendas deste tipo de medicamentos pelo estabelecimento, e é objeto de fiscalização rigorosa e sistemática pelos diversos órgãos responsáveis, tais como a Vigilância Sanitária Municipal, o Conselho Regional de Farmácia e a Delegacia de Crimes contra a Saúde Pública. Esse atendimento às exigências legais contribui e termina por afastar o profissional do atendimento e cuidado direto aos usuários, dificultando as ações mais voltadas para a Atenção Farmacêutica.
Dificuldades da população no uso dos medicamentos
O paciente deve ser visto não apenas como um corpo, com seu funcionamento biológico, mediado por uma gama de processos físicos químicos, mas também como a amálgama de processos sociais, políticos e culturais historicamente construídos que incidem sobre ele ao longo de sua vida 20. O conjunto de costumes, valores, crenças, saberes e experiências que ele possui sobre o medicamento e o resultado que dele se quer obter, é somado às incertezas e aos medos vivenciados por cada indivíduo, na busca do restabelecimento do seu equilíbrio orgânico. Vê-se, então, que as formas de pensar e agir frente ao uso de medicamentos se constrói individualmente, sendo seu uso modulado, também, pela forte mídia da indústria farmacêutica e pela facilidade com que, de modo geral, se pode adquirir quaisquer tipo de medicamentos nas farmácias comunitárias. Esse somatório tende a organizar o comportamento que a maioria das pessoas tem frente ao uso de medicamentos, levando-se em conta ainda que a população tem ao seu dispor, além dos medicamentos como fonte de terapia médica científica, a terapia popular, pelo uso recorrente de chás e emplastos; a terapia natural, pelo consumo de plantas e fitoterápicos, sem prescrição médica; e a terapia religiosa, como as rezas e benzeduras,fruto da compreensão que o processo de cura envolve, além do corpo, o espírito21.
Para a maioria dos informantes, as dificuldades da população quanto ao uso dos medicamentos, podem ser sumarizadas em um tripé: a ilegibilidade da letra do prescritor, a não compreensão sobre o uso dos medicamentos por parte dos consumidores, e o custo dos medicamentos.
Esse último elemento é de grande relevância para o consumidor no momento da compra do medicamento. Segundo Luiza & Bermudez22, a questão do poder de compra do usuário se insere como um dos fatores decisivos para o acesso aos medicamentos, devendo existir a compatibilidade entre o preço do medicamento e a capacidade aquisitiva dos usuários para que se realize este acesso.
No decorrer das entrevistas, vários farmacêuticos relataram que o cliente quer entender/conhecer, no corpo da receita, qual produto é o “mais importante” para sua recuperação, para poder eleger a compra deste, desprezando a aquisição dos demais medicamentos prescritos, em face da falta de condições econômicas para comprá-los.
[...] eles questionam muito a medicação prescrita. Muitos deles cortam pela metade a receita, inclusive perguntam: ”qual que é para dor? Me vê o da dor... Esse médico está achando o que? que eu sou milionário?” (Farmacêutico de farmácia de rede estadual)
Satisfação dos farmacêuticos com o trabalho na farmácia
No tocante à satisfação dos farmacêuticos no ambiente da farmácia, foram feitos quatro blocos de perguntas: sobre a satisfação intrínseca ao trabalho, em relação às condições de trabalho, à sua organização e sobre os vínculos sociais do trabalho.
Os farmacêuticos deram depoimentos contraditórios quanto à satisfação de estar trabalhando na farmácia comunitária. Uma gama de pressões é sentida pelos farmacêuticos; entre as mais citadas, estão a questão da desvalorização salarial; o não reconhecimento pela equipe e pela população em geral, do papel do farmacêutico; a sensação de abandono pelos órgãos profissionais, sindicatos e governo; a impossibilidade de continuar os estudos, que lhe garantiria uma maior qualidade do trabalho realizado; o número insuficiente de funcionários na farmácia, e o conflito entre as autoridades administrativa e profissional.
Em oposição a esse contexto, foram também fornecidos depoimentos onde aparecem, de forma significativa, a percepção de vitória, de conquista, de sensação de dever cumprido, espelhadas principalmente pelos farmacêuticos mais experientes de rede estadual e farmacêuticos de farmácias familiares, de um modo geral.
Destaca-se que a autonomia para a construção do seu dia-a-dia é percebida, com mais freqüência, nesses dois últimos grupos de farmacêuticos citados. Em contrapartida, os mais jovens e com menor bagagem profissional trazem uma carga de sofrimento com o desenrolar de seu cotidiano, com sentimentos de desvalorização e desesperança frente às expectativas profissionais.
Éboli23lembra que, para que a satisfação profissional seja completa, ela deve ser dialética e, nesse sentido, ressalta a importância da satisfação do farmacêutico no seu trabalho diário como fundamental para o bom desenvolvimento técnico e profissional.
Vale pontuar que os depoimentos indicaram o inconformismo frente à ausência de espaços mínimos para o desenvolvimento das suas atividades e quanto à organização do estabelecimento direcionado unicamente para o foco comercial e administrativo e não técnico e de cuidado. Como exemplo, houve relatos de ausência até mobiliário — cadeira e mesa — que permitissem ao farmacêutico poder sentar no decorrer do seu expediente, inclusive no momento de escriturar as receitas de medicamentos ditos controlados. Muitos reclamaram de não possuírem um microcomputador, de modo a operacionalizarem os lançamentos dos dados dos medicamentos controlados, pelo menos na elaboração dos balanços trimestrais e anuais exigidos pela Portaria nº. 344/98, além de consultas a material especifico, que ajudasse a dirimir dúvidas próprias e dos pacientes. As condições de trabalho são citadas como particularmente insatisfatórias, não apenas dificultando ações mais orientadas para a Atenção Farmacêutica, mas, sobretudo, permitindo ver que esta ainda está longe de ser considerada como uma atividade importante ou prioritária pelos donos dos estabelecimentos comerciais:
[...] eu acho que tinha que ter um espaço para o farmacêutico, para poder estar chamando e atendendo o paciente (...) Mas um espaço mesmo, que ninguém pudesse te interromper e o paciente pudesse contar realmente o que está se passando... Porque, num cantinho do balcão que a gente possa usar para falar com o cliente, às vezes ele se sente envergonhado de contar, às vezes, é um homem querendo falar de um problema de disfunção erétil ou alguma coisa parecida (...) mesmo aqui dentro... é a minha sala com o armário de controlados, não posso trazer para cá. (...). As redes, a meu ver, teriam que investir mais no farmacêutico, nas suas condições de trabalho. Tinha que ter um sistema de computador para agilizar a confecção do balanço trimestral. (...) ia ser rapidinho, invés de ficar escrevendo (...) (Farmacêutico de farmácia de rede estadual)
Quanto à organização do trabalho, percebemos que, na maioria dos casos, os farmacêuticos concordavam com o modo como a farmácia se organizava estruturalmente. Muitos se sentiam identificados com a existência de regras, condutas e procedimentos internos, creditando a esses elementos uma certa segurança no trabalho ali desenvolvido, apesar de muitas das vezes não concordarem com as regras ora impostas.
Quando indagados sobre a relação com os outros profissionais, surge como pano de fundo a disputa pelo espaço de poder e autonomia dentro da farmácia. Viu-se que os gerentes, e mesmo alguns balconistas, se opõem às orientações e determinações dadas pelos entrevistados. Suas falas mostram angústia e inconformidade com a estrutura hierárquica sentida dentro desses estabelecimentos, que muitas vezes não considera os campos de atuação e os conhecimentos específicos de cada um dos grupos profissionais envolvidos no processo de atendimento e cuidado ao usuário.
Os farmacêuticos das redes, em particular, apontaram o estabelecimento das relações sociais no interior das farmácias como uma das maiores dificuldades na sua atuação. Essas relações sociais assumem diversas interfaces, entre quais foram destacadas: o trabalho de convencer a equipe de balconistas e gerentes a colaborar, de modo a haver uma prática mais ética e menos comercial na farmácia; a resistência de alguns balconistas no sentido de implementar procedimentos orientados pelo farmacêutico; o fato dos clientes das farmácias confundirem sistematicamente o farmacêutico com o balconista; e o próprio exercício de estar em contato com o público, no esclarecimento de dúvidas, visto a falta ou precariedade de treinamento especifico nas faculdades de Farmácia, bem como a ausência, em uma boa parte dos estabelecimentos, de condições de infra-estrutura mínimas para que tal se realize com a privacidade, sigilo e ética necessárias.
Já o desapontamento com a profissão foi constatado predominantemente no grupo de farmacêuticos mais jovens, independente da tipologia de farmácias que trabalham, pois eles se viam inseridos em atividades que consideram marginais à sua profissão no seu cotidiano, tais como o trabalho administrativo e a gerência das farmácias, onde não é considerado importante os seus conhecimentos cognitivos referentes ao medicamento. Em contrapartida, à medida que o farmacêutico tinha experiência com a atenção ao paciente e atuava orientando-o sobre os cuidados com o uso dos medicamentos, era percebido um sentimento de satisfação com a profissão, ainda que os locais de trabalho fossem considerados inadequados.
Significado atribuído ao termo Atenção Farmacêutica
O objetivo em argüir sobre esse ponto derivava do interesse em saber, em que proporções, havia domínio sobre esse tema e como essa apreensão de conceitos poderia se refletir na construção, na prática diária dos profissionais, de um trabalho com foco no paciente.
Via de regra, os entrevistados demonstraram ter pouca compreensão do significado do termo Atenção Farmacêutica, retratando seu pouco contato com essa terminologia. A expressão Atenção Farmacêutica foi confundida com a Assistência Farmacêutica, ou era interpretada como mera atenção, na acepção de ser agradável e dar ouvidos ao que o paciente fala e não ao propósito de fornecer informações que minimizem o risco de problemas relacionados com os medicamentos.
Atenção Farmacêutica é o farmacêutico estar na drogaria dando atenção ao cliente. (Farmacêutico de farmácia de rede local)
Entretanto, mesmo sem domínio sobre o termo, mesmo sem estabelecer com precisão as relações das atividades de Atenção com o trabalho clínico, observou-se que certa transição já se processa na prática profissional relatada pelos entrevistados, na medida em que se referem o paciente como eixo principal do seu trabalho, quando defendem um envolvimento mais específico do profissional com a farmacoterapia e quando reclamam e reiteram a importância da existência de condições concretas para a realização de atividades técnicas nas farmácias deslocadas para o benefício dos pacientes no uso de seus medicamentos.
Para mim, Atenção Farmacêutica é como eu ajo. É transformar todo aprendizado que eu tive na faculdade em relação à farmacologia, em algo que possa favorecer a população em geral, que possa transformá-la com o meu conhecimento, que possa trazer conhecimento para as pessoas [...] É agir em prol da qualidade de vida das pessoas. (Farmacêutico de farmácia de rede estadual)
[...] significa estar interagindo com o paciente, ouvindo, entendendo o que ele quer dizer... E eu, da forma mais didática, vou orientá-lo para que ele possa realmente aderir ao tratamento e, assim, o medicamento possa realmente fazer efeito. Porque, às vezes, o paciente não sabe ler e o médico nem sabe que ele é analfabeto... Então, chega no balcão da farmácia e a gente vê que o paciente é humilde e até pergunta de uma forma ou de outra... A gente desenha, faz o desenho de como ele tem que tomar, explica dos efeitos... Isso sim, para mim, traduz Atenção Farmacêutica. (Farmacêutico de farmácia de rede estadual)
O trabalho de campo permitiu verificar ainda que já são realizadas, pelos farmacêuticos, várias atividades com pontos de convergência com a prática da Atenção Farmacêutica, tais como a orientação farmacêutica e um esboço da dispensação. Elas, entretanto, ainda parecem ser secundárias, executadas muito mais por disponibilidade e interesse intrínsecos de alguns profissionais do que resultando de um processo interiorizado e ampliado de compreensão e valorização por parte da categoria profissional como um todo, de seus órgãos formadores e fiscalizadores, e dos estabelecimentos comerciais.
Considerações Finais
Captar as percepções e relatos dos farmacêuticos sobre a dinâmica da sua prática profissional mostrou-se um caminho adequado para identificar alguns dos fatores que podem estar impedindo o exercício pleno do farmacêutico como legítimo profissional de saúde nas farmácias comunitárias.
Uma possível limitação do estudo pode ser devido ao perfil da região alvo da pesquisa. Contudo, os achados se alinham com a realidade observada pela pesquisadora no cotidiano das fiscalizações nas farmácias comunitárias do estado do Rio de Janeiro, indicando que as diversidades entre as regiões desse estado, no que tange aos aspectos abordados, podem ser pequenas.
Neste trabalho, a partir das falas sobre as trajetórias profissionais e os processos de trabalho dos farmacêuticos atuantes em três tipos de farmácias comunitárias — familiares, de rede local e de rede estadual — foi possível identificar pontos considerados críticos no seu cotidiano, bem como a presença de elementos relacionados com o estímulo ou, contrariamente, à obstaculização dos processos relacionados à implantação de práticas de Atenção Farmacêutica nas farmácias e drogarias. Nota-se, ainda, que o itinerário trilhado na prática profissional fica a cargo de cada um, solitariamente, sendo o esforço para prover mudanças no presente paradigma da prática farmacêutica e os méritos desse empenho considerados isolados, com os caminhos para se chegar ao objetivo desejado se mostrando sinuosos e acidentados.
Os encontros com os entrevistados e a oportunidade de fazê-los refletir ao responder sobre questões vivenciadas da prática profissional indicou muitas vezes, situações de desânimo presentes nos grupos de farmacêuticos jovens e de rede local e estadual, que se sentem inibidos profissionalmente pela pressão exercida pela organização das farmácias comunitárias, quanto à realização de ações de orientação e apoio quanto ao uso de medicamentos à população. Muitos desses farmacêuticos, aos poucos, tendem a assumir as posições desejadas pelos seus empregadores de somente se ater ao controle e dispensação de medicamentos da Portaria 344/98 SVS/MS, reduzindo o espectro das atividades com foco no paciente e seu processo de cuidado.
Já alguns dos farmacêuticos mais experientes transmitem uma mensagem e uma visão mais otimistas, de que a superação do modelo da atual prática profissional nas farmácias comunitárias é possível e se realiza na medida em que a população os procura e os reconhece como os profissionais do medicamento. Nesses encontros, independente da tipologia da farmácia, eles disseram se sentir realizados profissionalmente, quando podiam oferecer aos seus pacientes um cuidado que se expressava em uma efetiva contribuição para a compreensão de seu adoecimento, do processo de cuidado e da melhor forma de utilização dos medicamentos.
Quando a prática farmacêutica estava associada com o estabelecimento de vínculos, fornecimento de orientações sobre o uso de medicamentos e atitudes de co-responsabilidades no cuidado com o paciente, uma carga maior de satisfação era sentida pelos profissionais na realização de suas atividades nas farmácias.
Temos então a implantação de práticas focadas no paciente, tais como a Atenção Farmacêutica como um dínamo para a mudança do padrão de atitudes e comportamentos encontrados no cotidiano dos farmacêuticos. Apesar de não serem conhecedores do conceito teórico da Atenção Farmacêutica, eles expressam conhecer o valor dessa prática e a concepção de que é necessário haver uma atitude pró-ativa, compromisso com o paciente e uma mudança de comportamento, itens embutidos no conceito brasileiro de Atenção Farmacêutica.
A Atenção Farmacêutica não é uma realidade nas farmácias comunitárias estudadas e existe um caminho a ser percorrido até que possa sê-la. Ter o farmacêutico presente nas farmácias, com certeza, é uma grande conquista, mas ter a clareza dos seus limites e das dificuldades que são enfrentadas no exercício da sua prática é um dos imperativos desse momento de revitalização da profissão farmacêutica.
Schostack24 ressalta que o ato profissional farmacêutico está fundamentado em três princípios: o conhecimento efetivo do medicamento, o relacionamento com o usuário de medicamento e com o prescritor do medicamento. O que seria esperado da pratica farmacêutica ou atenção à saúde nas farmácias seria a integração dessas três matrizes proporcionando novas possibilidades para a profissão, resultando em ações que garantissem que o uso do medicamento viesse a ocorrer com eficácia e segurança visando atingir resultados terapêuticos definidos na saúde e na qualidade de vida do paciente, atendendo assim a proposta inicial de Atenção Farmacêutica de Hepler e Strand25.
As questões apontadas nesse artigo suscitam a recondução do debate acerca dos elementos necessários para o melhor desempenho da prática farmacêutica nas farmácias comunitárias, direcionada a maximizar a contribuição de sua atuação profissional para as necessidades relacionadas ao uso de medicamentos pela sociedade. Diante dessa perspectiva, é preciso salientar que a mudança do paradigma ainda é um projeto, um percurso. É uma trajetória a ser buscada. Podemos sugerir um caminho: onde o interesse maior para esse projeto profissional esteja voltado para o seu trajeto, isto é, para o processo de implementação dessa prática.
Colaboradores
C.R.G. Bastos trabalhou na organização e execução da pesquisa e na concepção teórica, elaboração e redação do texto.
R. Caetano participou como orientadora durante todas as etapas da elaboração da dissertação e do artigo, colaborando na análise crítica do texto, redação e revisão final.
Agradecimentos
Ao Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Estado do Rio de Janeiro pela iniciativa em oferecer aos alunos dos cursos de mestrado e doutorado do Departamento de Planejamento e Administração em Saúde a Oficina de Artigos Científicos, desejando que essa iniciativa se torne uma constante na instituição. Em especial, aos professores Kenneth Rochel de Camargo Jr., Roseni Pinheiro e Ruben Araujo de Mattos pelas discussões e contribuições ao longo do processo de elaboração do artigo.
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Petróleo: mil novas vagas em oito empresas
Com a economia em expansão, o setor de petróleo continua mostrando grande vigor e novos empregos serão gerados em 2005. Algumas empresas sediadas no Brasil já começaram a recrutar profissionais. São vagas para todas as formações, de secretárias-executivas e engenheiros e técnicos, com salários médios de R$ 4 mil a R$ 8 mil para cargos de nível superior e de cerca de R$ 1 mil a R$ 3,5 mil para nível técnico. O Globo Online identificou a abertura de pelo menos mil postos de trabalho a partir deste mês em oito companhias. A Nuclep, por exemplo, prepara um concurso público para contratar 102 trabalhadores, sem contar a terceirizada Pem Engenharia, que empregará 850 pessoas para a construção do casco da plataforma P-51. Além disso, empresas de porte, como a Halliburton, se comprometem a admitir todos os profissionais que baterem em sua porta e tiverem o perfil esperado pela companhia. A seguir, confira um guia com descrições das vagas, estimativas de remuneração e indicações para envio de currículo:
ROLLS ROYCE ENERGY - A companhia, que produz módulos de geração de energia para plataformas, pretende contratar de 30 a 40 engenheiros até julho. A empresa está instalando uma nova base em Macaé e construirá os módulos de geração de energia para as plataformas da Petrobras P-51, P-52 e P-53. Segundo o diretor da Rolls Royce Energia, Gilberto Bueno, 30 vagas se destinarão à nova base de Macaé, no Norte fluminense, quatro ao Rio de Janeiro, e, de duas a três, a Niterói.
Fluência em inglês é requisito obrigatório para os candidatos, que também devem ter, pelo menos, de quatro a oito anos de experiência na área de engenharia, ainda que não tenham trabalhado no setor de petróleo. Os salários, segundo Bueno, podem variar de R$ 4 mil a R$ 8 mil.Estamos com dificuldade de encontrar pessoal qualificado no Rio de Janeiro para preencher nossas necessidades de mão-de-obra - afirma Bueno. Entre as especialidades de engenharia requeridas estão a de mecânica, elétrica, de instrumentação e de controle. Os interessados devem mandar os currículos pelo correio para a sede da Rolls Royce Energia no Rio, na Avenida Almirante Barroso, número 52, 9º andar, Centro.
NUCLEP - Responsável pela construção do casco da Plataforma P-51 da Petrobras, a estatal federal Nuclep, em Itaguaí (RJ), fará um concurso público para preencher 102 vagas de níveis médio e superior do seu quadro permanente. A previsão é de que o concurso seja realizado entre março e abril e as contratações sejam feitas a partir de maio. Os salários deverão variar de R$ 1,1 mil a R$ 2 mil, para os cargos de nível médio, e de R$ 3,5 mil a R$ 5,8 mil, para os de nível superior. As vagas que exigem o terceiro grau serão voltadas para engenheiros de diversas formações, como mecânica e produção. Para as vagas de nível médio, serão contratados técnicos eletricistas, em montagem e soldadores, entre outros tipos de profissionais. A empresa informa que ainda não há a definição exata do número de vagas para cada especialidade, mas afirma que a maioria das contratações deverá ser para cargos de nível médio. Segundo o presidente da Nuclep, Jaime Cardoso, o processo de licitação para a escolha da instituição que fará o processo seletivo ainda está em curso. Portanto, apenas com a publicação do edital do concurso, que será publicado no Diário Oficial, serão divulgados detalhes como datas das provas e exigências que serão feitas aos candidatos.
PEM ENGENHARIA - A empresa, que prestará diversos serviços à Nuclep, abrirá 850 vagas temporárias gradualmente, entre janeiro e agosto deste ano. Segundo Jaime Cardoso, presidente da Nuclep, o maior índice de contratações acontecerá a partir de abril. As oportunidades surgirão para profissionais ligados à fabricação e montagem de plataformas nas diversas áreas envolvidas, principalmente montagem de estruturas, tubulação, pintura e solda. De acordo com a Nuclep, a Pem Engenharia deverá colocar anúncios em jornais para convocar os candidatos. Basta ficar de olho.
PIPEWAY - A empresa de inspeção de dutos também está abrindo seis vagas neste semestre para o Rio de Janeiro. Segundo o diretor-presidente da Pipeway, José Augusto Pereira da Silva, quatro destes postos de trabalho deverão ser preenchidos por candidatos com nível superior completo (duas vagas para secretárias-executivas, uma para administrador de empresas e outra para engenheiro) e duas para quem tem nível médio, ambas para técnico em eletrônica.Os salários serão negociados caso a caso, de acordo com a experiência doprofissional, mas deverão estar em linha com os vencimentos pagos pelo mercado.Os interessados devem enviar o currículo para o e-mail rh@pipeway.com.
COOPER CAMERON - A empresa americana que fabrica conjuntos de válvulas utilizadas nos poços de produção de petróleo conhecidos como árvores de natal, busca no momento dois profissionais de nível superior para a base do Rio de Janeiro com a exigência de inglês fluente e conhecimento do sistema de informática SAP. De acordo com a gerente de Recursos Humanos, Maria Ignês Limeira, uma das vagas é para engenheiro mecânico, e a outra para um profissional da área financeira, com formação em administração, economia ou ciências contábeis. Maria Ignês diz ainda que a empresa está em processo de aprovação para fazer novas contratações para as bases de Macaé, no Norte Fluminense do estado do Rio, e de Taubaté, em São Paulo. Os interessados devem se cadastrar no site www.rhi.com.bre enviar o currículo pela Internet.
CHEMTEC - A empresa está com dez vagas, sendo oito para engenheiros, duas para desenhistas projetistas e uma para estagiário em Comunicação Social, para contratação imediata. Os currículos devem ser enviados até o dia 20 de janeiro para o endereço eletrônico antonio.lyrio@chemtech.com.br . Mas a empresa também recebe currículos permanentemente para o seu banco de dados e contrata ao menos um trabalhador por mês para suas bases de Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Alagoas e Volta Redonda. Neste caso, os currículos devem ser enviados para o endereço eletrônico chemtech@chemtech.com.br. Profissionais formados em engenharia são os mais requisitados.
Para os engenheiros, as exigências são curso superior de Engenharia com registro no conselho de classe, inglês técnico, conhecimento de Word e Excel, familiarização com as normas da Petrobras, API e outras, além de conhecimento de critérios de projeto utilizados na indústria offshore. Também é desejável experiência de 10 a 15 anos.
A primeira das vagas abertas é para a área de engenharia mecânica, para trabalhar com elaboração de arranjos gerais, layout e tubulações industriais (inclusive análise de flexibilidade e tensões; duas são voltadas à área de engenharia de processamento, com foco em projeto de unidades de produção de óleo e gás offshore e onshore. Neste caso, o candidato deve dominar a utilização do simulador ProII - Provision; outra vaga será voltada a um profissional de engenharia de
segurança, com foco em projetos industriais de produção, inclusive análises Hazop, APP e AQR. Há também duas vagas destinadas a engenheiros de automação/instrumentação, com foco em projetos de instrumentação e automação de unidades de produção de óleo e gás offshore e onshore. Os salários variam de R$ 3,2 mil a R$ 12 mil, dependendo da experiência do profissional.
Para os candidatos às vagas de desenhistas projetistas, são exigidos nível técnico e experiência mínima de 10 anos. A empresa também busca um estagiário para a área de comunicação social (de qualquer habilitação) para trabalhar no Rio de Janeiro. O currículo também deve ser enviado para o endereço antonio.lyrio@chemtech.com.br. O candidato deve estar, de preferência, cursando o 5º ou 6º períodos. Entre os requisitos básicos está o bom desempenho acadêmico, conhecimentos básicos de computação, além de qualidades como dinamismo e iniciativa. Conhecimento do idioma inglês é desejável. A bolsa de estágio fica em torno de R$ 720 por mês, mas a empresa também oferece plano de saúde, ticket refeição, seguro de vida e ajuda de 50% a 100% no pagamento de cursos de formação complementares.
Existem ainda vagas constantemente abertas para estagiários de todas as áreas de engenharia que desejem trabalhar no Rio, Minas, São Paulo, Bahia, Espírito Santo, Alagoas e Volta Redonda. Os currículos, neste caso, devem ser enviados paraestagio2005@chemtech.com.br
HALLIBURTON - A empresa tem um acordo com sindicatos de trabalhadores para empregar ao menos 60 funcionários neste ano, mas as vagas já estão quase todas preenchidas. No entanto, a Halliburton garante contratar todos os funcionários que se enquadrem ao perfil exigido pela companhia. A princípio, todas as estrelas que tenham competências e habilidades vão ter empregos na Halliburton. Estamos em um processo agressivo de contratação dos melhores profissionais do setor, independentemente de termos a vaga ou não. Se bater um profissional na minha porta com todas as características que desejamos, ele é contratado - garante o gerente de Logging Perfurating para o Brasil, Reinaldo Rezende.
A empresa prioriza a contratação de engenheiros e técnicos, mas também tem demandas na área administrativa, financeira e de recursos humanos. Segundo Rezende, os engenheiros podem ter formação básica ou especialização em civil, mecânica, elétrica e eletrônica. O processo de seleção inclui uma bateria de testes, durante a qual são avaliados comportamento, comprometimento, espírito de equipe, flexibilidade, liderança orientada para resultados e capacidade de analisar problemas, gerenciar riscos, comunicação, decisão e iniciativa. Para embarcados, o regime é de 14 dias de trabalho por 14 dias de folga, mas muitas vezes o regime é misto, com embarques alternados em períodos menores. Para quem fica na base da empresa, em Macaé, o regime é de oito horas diárias, cinco vezes por semana. Os candidatos devem ter inglês e estar com a mala pronta o tempo inteiro, com disponibilidade para viajar, sem nunca ter a certeza de saber onde estarão no dia seguinte - diz Rezende.
A empresa tem um plano de cargos e salários. Rezende não gosta de alar de cifras, mas a estimativa do mercado é que um engenheiro da Halliburton anhe cerca de R$ 3 mil a R$ 4 mil na fase inicial e até R$ 30 mil quando já tem xperiência acumulada. Já os técnicos ganham cerca de R$ 3 mil , além de enefícios como plano de saúde, seguro de vida, alimentação, plano odotológico e participação nos lucros da companhia. Os currículos devem ser enviados para o endereço oportunidades.br@halliburton.com
ULTRATEC - A empresa está para fechar alguns contratos, mas espera empregar cerca de 350 novos funcionários a partir do segundo semestre do ano. Os cargos são para nível técnico, voltados para soldadores, encanadores, eletricistas, instrumentistas e pintores. As vagas são para quem já tem experiência na área e os salários médios são de R$ 1,2 mil. Os currículos podem ser enviados para base.niteroi@ultratec.com.br. (Fonte: Globo Online)
ROLLS ROYCE ENERGY - A companhia, que produz módulos de geração de energia para plataformas, pretende contratar de 30 a 40 engenheiros até julho. A empresa está instalando uma nova base em Macaé e construirá os módulos de geração de energia para as plataformas da Petrobras P-51, P-52 e P-53. Segundo o diretor da Rolls Royce Energia, Gilberto Bueno, 30 vagas se destinarão à nova base de Macaé, no Norte fluminense, quatro ao Rio de Janeiro, e, de duas a três, a Niterói.
Fluência em inglês é requisito obrigatório para os candidatos, que também devem ter, pelo menos, de quatro a oito anos de experiência na área de engenharia, ainda que não tenham trabalhado no setor de petróleo. Os salários, segundo Bueno, podem variar de R$ 4 mil a R$ 8 mil.Estamos com dificuldade de encontrar pessoal qualificado no Rio de Janeiro para preencher nossas necessidades de mão-de-obra - afirma Bueno. Entre as especialidades de engenharia requeridas estão a de mecânica, elétrica, de instrumentação e de controle. Os interessados devem mandar os currículos pelo correio para a sede da Rolls Royce Energia no Rio, na Avenida Almirante Barroso, número 52, 9º andar, Centro.
NUCLEP - Responsável pela construção do casco da Plataforma P-51 da Petrobras, a estatal federal Nuclep, em Itaguaí (RJ), fará um concurso público para preencher 102 vagas de níveis médio e superior do seu quadro permanente. A previsão é de que o concurso seja realizado entre março e abril e as contratações sejam feitas a partir de maio. Os salários deverão variar de R$ 1,1 mil a R$ 2 mil, para os cargos de nível médio, e de R$ 3,5 mil a R$ 5,8 mil, para os de nível superior. As vagas que exigem o terceiro grau serão voltadas para engenheiros de diversas formações, como mecânica e produção. Para as vagas de nível médio, serão contratados técnicos eletricistas, em montagem e soldadores, entre outros tipos de profissionais. A empresa informa que ainda não há a definição exata do número de vagas para cada especialidade, mas afirma que a maioria das contratações deverá ser para cargos de nível médio. Segundo o presidente da Nuclep, Jaime Cardoso, o processo de licitação para a escolha da instituição que fará o processo seletivo ainda está em curso. Portanto, apenas com a publicação do edital do concurso, que será publicado no Diário Oficial, serão divulgados detalhes como datas das provas e exigências que serão feitas aos candidatos.
PEM ENGENHARIA - A empresa, que prestará diversos serviços à Nuclep, abrirá 850 vagas temporárias gradualmente, entre janeiro e agosto deste ano. Segundo Jaime Cardoso, presidente da Nuclep, o maior índice de contratações acontecerá a partir de abril. As oportunidades surgirão para profissionais ligados à fabricação e montagem de plataformas nas diversas áreas envolvidas, principalmente montagem de estruturas, tubulação, pintura e solda. De acordo com a Nuclep, a Pem Engenharia deverá colocar anúncios em jornais para convocar os candidatos. Basta ficar de olho.
PIPEWAY - A empresa de inspeção de dutos também está abrindo seis vagas neste semestre para o Rio de Janeiro. Segundo o diretor-presidente da Pipeway, José Augusto Pereira da Silva, quatro destes postos de trabalho deverão ser preenchidos por candidatos com nível superior completo (duas vagas para secretárias-executivas, uma para administrador de empresas e outra para engenheiro) e duas para quem tem nível médio, ambas para técnico em eletrônica.Os salários serão negociados caso a caso, de acordo com a experiência doprofissional, mas deverão estar em linha com os vencimentos pagos pelo mercado.Os interessados devem enviar o currículo para o e-mail rh@pipeway.com.
COOPER CAMERON - A empresa americana que fabrica conjuntos de válvulas utilizadas nos poços de produção de petróleo conhecidos como árvores de natal, busca no momento dois profissionais de nível superior para a base do Rio de Janeiro com a exigência de inglês fluente e conhecimento do sistema de informática SAP. De acordo com a gerente de Recursos Humanos, Maria Ignês Limeira, uma das vagas é para engenheiro mecânico, e a outra para um profissional da área financeira, com formação em administração, economia ou ciências contábeis. Maria Ignês diz ainda que a empresa está em processo de aprovação para fazer novas contratações para as bases de Macaé, no Norte Fluminense do estado do Rio, e de Taubaté, em São Paulo. Os interessados devem se cadastrar no site www.rhi.com.bre enviar o currículo pela Internet.
CHEMTEC - A empresa está com dez vagas, sendo oito para engenheiros, duas para desenhistas projetistas e uma para estagiário em Comunicação Social, para contratação imediata. Os currículos devem ser enviados até o dia 20 de janeiro para o endereço eletrônico antonio.lyrio@chemtech.com.br . Mas a empresa também recebe currículos permanentemente para o seu banco de dados e contrata ao menos um trabalhador por mês para suas bases de Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Alagoas e Volta Redonda. Neste caso, os currículos devem ser enviados para o endereço eletrônico chemtech@chemtech.com.br. Profissionais formados em engenharia são os mais requisitados.
Para os engenheiros, as exigências são curso superior de Engenharia com registro no conselho de classe, inglês técnico, conhecimento de Word e Excel, familiarização com as normas da Petrobras, API e outras, além de conhecimento de critérios de projeto utilizados na indústria offshore. Também é desejável experiência de 10 a 15 anos.
A primeira das vagas abertas é para a área de engenharia mecânica, para trabalhar com elaboração de arranjos gerais, layout e tubulações industriais (inclusive análise de flexibilidade e tensões; duas são voltadas à área de engenharia de processamento, com foco em projeto de unidades de produção de óleo e gás offshore e onshore. Neste caso, o candidato deve dominar a utilização do simulador ProII - Provision; outra vaga será voltada a um profissional de engenharia de
segurança, com foco em projetos industriais de produção, inclusive análises Hazop, APP e AQR. Há também duas vagas destinadas a engenheiros de automação/instrumentação, com foco em projetos de instrumentação e automação de unidades de produção de óleo e gás offshore e onshore. Os salários variam de R$ 3,2 mil a R$ 12 mil, dependendo da experiência do profissional.
Para os candidatos às vagas de desenhistas projetistas, são exigidos nível técnico e experiência mínima de 10 anos. A empresa também busca um estagiário para a área de comunicação social (de qualquer habilitação) para trabalhar no Rio de Janeiro. O currículo também deve ser enviado para o endereço antonio.lyrio@chemtech.com.br. O candidato deve estar, de preferência, cursando o 5º ou 6º períodos. Entre os requisitos básicos está o bom desempenho acadêmico, conhecimentos básicos de computação, além de qualidades como dinamismo e iniciativa. Conhecimento do idioma inglês é desejável. A bolsa de estágio fica em torno de R$ 720 por mês, mas a empresa também oferece plano de saúde, ticket refeição, seguro de vida e ajuda de 50% a 100% no pagamento de cursos de formação complementares.
Existem ainda vagas constantemente abertas para estagiários de todas as áreas de engenharia que desejem trabalhar no Rio, Minas, São Paulo, Bahia, Espírito Santo, Alagoas e Volta Redonda. Os currículos, neste caso, devem ser enviados paraestagio2005@chemtech.com.br
HALLIBURTON - A empresa tem um acordo com sindicatos de trabalhadores para empregar ao menos 60 funcionários neste ano, mas as vagas já estão quase todas preenchidas. No entanto, a Halliburton garante contratar todos os funcionários que se enquadrem ao perfil exigido pela companhia. A princípio, todas as estrelas que tenham competências e habilidades vão ter empregos na Halliburton. Estamos em um processo agressivo de contratação dos melhores profissionais do setor, independentemente de termos a vaga ou não. Se bater um profissional na minha porta com todas as características que desejamos, ele é contratado - garante o gerente de Logging Perfurating para o Brasil, Reinaldo Rezende.
A empresa prioriza a contratação de engenheiros e técnicos, mas também tem demandas na área administrativa, financeira e de recursos humanos. Segundo Rezende, os engenheiros podem ter formação básica ou especialização em civil, mecânica, elétrica e eletrônica. O processo de seleção inclui uma bateria de testes, durante a qual são avaliados comportamento, comprometimento, espírito de equipe, flexibilidade, liderança orientada para resultados e capacidade de analisar problemas, gerenciar riscos, comunicação, decisão e iniciativa. Para embarcados, o regime é de 14 dias de trabalho por 14 dias de folga, mas muitas vezes o regime é misto, com embarques alternados em períodos menores. Para quem fica na base da empresa, em Macaé, o regime é de oito horas diárias, cinco vezes por semana. Os candidatos devem ter inglês e estar com a mala pronta o tempo inteiro, com disponibilidade para viajar, sem nunca ter a certeza de saber onde estarão no dia seguinte - diz Rezende.
A empresa tem um plano de cargos e salários. Rezende não gosta de alar de cifras, mas a estimativa do mercado é que um engenheiro da Halliburton anhe cerca de R$ 3 mil a R$ 4 mil na fase inicial e até R$ 30 mil quando já tem xperiência acumulada. Já os técnicos ganham cerca de R$ 3 mil , além de enefícios como plano de saúde, seguro de vida, alimentação, plano odotológico e participação nos lucros da companhia. Os currículos devem ser enviados para o endereço oportunidades.br@halliburton.com
ULTRATEC - A empresa está para fechar alguns contratos, mas espera empregar cerca de 350 novos funcionários a partir do segundo semestre do ano. Os cargos são para nível técnico, voltados para soldadores, encanadores, eletricistas, instrumentistas e pintores. As vagas são para quem já tem experiência na área e os salários médios são de R$ 1,2 mil. Os currículos podem ser enviados para base.niteroi@ultratec.com.br. (Fonte: Globo Online)
A Hipnose é reconhecida e adotada pela Medicina

Primeiro foi a acupuntura. Agora, é a vez de a hipnose ser finalmente reconhecida e adotada pela medicina. O método começa a figurar entre o arsenal de recursos oferecidos por instituições de renome no mundo todo. É usado, por exemplo, no Memorial Sloan- Kettering Cancer Center e no M. D. Anderson Cancer Center, dois dos mais importantes centros de tratamento e pesquisa da doença, para diminuir efeitos colaterais da quimioterapia, como a fadiga e a dor. Também é utilizada no Hospital de Liège, na Bélgica, como opção de analgesia. No Brasil não é diferente. Já faz parte da rotina de serviços de primeira grandeza como o Hospital A. C. Camargo, de São Paulo, especializado na luta contra o câncer, e ganhou espaço no Hospital das Clínicas de São Paulo (HC/SP), a instituição que serve de escola para os estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). As indicações também são amplas.
Só para citar algumas, além do câncer: dor crônica, transtorno do pânico, asma, tensão pré-menstrual, enxaqueca, analgesia em procedimentos dentários, alergias, problemas digestivos de fundo nervoso, fobias e insônia.
Esta entrada definitiva da hipnose pela porta da frente da medicina não ocorreu por acaso. O movimento está sustentado por uma gama de estudos comprovando sua eficácia nas mais variadas enfermidades. Um dos mais recentes foi conduzido na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e provou que o método pode ser usado com sucesso no diagnóstico de crianças com epilepsia. Os cientistas queriam saber se as oito participantes tinham mesmo crises da doença ou manifestavam os sintomas - muito parecidos com os provocados pela enfermidade - por causa de outros fatores, como stress profundo. Eles levaram as crianças a um estado hipnótico e as fizeram imaginar que estavam tendo uma crise. Enquanto isso, elas eram monitoradas por aparelhos de exame de imagem. Em todas, as áreas ativadas durante o transe não foram as tradicionalmente associadas à epilepsia. A conclusão foi a de que as crianças de fato não tinham a doença. Agora, os cientistas querem ensinar os pequenos a evitar as crises usando a hipnose.
Outro trabalho de resultado expressivo foi apresentado no congresso do Colégio Americano de Pneumologia, realizado no final do ano passado nos Estados Unidos. Coordenado por médicos do Massachusetts General Hospital, o estudo revelou que pacientes hospitalizados com doenças cardíacas submetidos a apenas uma sessão de hipnose tinham maiores chances de vencer a luta contra o tabagismo após seis meses do que aqueles que usavam adesivos para repor a nicotina. "Constatamos que a hipnoterapia está entre as melhores opções terapêuticas contra o cigarro", afirmou Faysal Hasan, líder do trabalho. No Beth Israel Deaconess Medical Center e na Faculdade de Medicina de Harvard (EUA), pesquisadores constataram que a técnica tornou mais confortável e menos dolorosa a realização de biópsia de nódulos de mama. "A hipnose ajuda muito a diminuir o stress das mulheres que precisam passar por essa experiência", disse Elvira Lang, professora de radiologia de Harvard. No Brasil, as pesquisas sobre os possíveis benefícios também começam a proliferar. Na Faculdade de Medicina da USP, campus de Ribeirão Preto, os médicos verificaram seu efeito como terapia auxiliar contra a dor de cabeça persistente. "Os resultados foram muito promissores. A hipnose pode ser um tratamento coadjuvante nesses casos", afirma o neurologista José Geraldo Speciali, professor do departamento de neurologia da universidade.
Hospitais do Brasil e do Exterior usam o método no tratamento de sintomas de doenças como câncer, asma ou insônia
Conclusões como essas estão motivando investigações mais profundas sobre os mecanismos pelos quais o método produz resultados. A explicação mais plausível obtida até agora é a de que a hipnose provoca modificações profundas no funcionamento do cérebro, alterações essas documentadas por exames de imagem precisos e sofisticados. Os achados derrubam por terra, de vez, a associação equivocada da técnica com algo místico, esotérico. Não é nada disso. Hoje, o conceito médico de hipnose é claro: trata-se de um estado alterado de consciência induzido por profissionais capacitados. Nesse estado, há mudanças nos padrões das ondas cerebrais e várias estruturas do órgão são ativadas com maior intensidade, em especial as relacionadas à memória e às emoções.
O objetivo é atingir um nível máximo de atenção para extrair da mente o que for preciso para ajudar no tratamento, aproveitando que as condições cerebrais obtidas deixam o paciente com maior abertura para ser sugestionado. "A pessoa desvia a atenção dos estímulos externos e a crítica diminui. Ela passa a entender e aceitar melhor as sugestões dadas pelo hipnólogo", explica o médico Osmar Colás, coordenador do grupo de estudos de hipnose do departamento de psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Um trabalho muito interessante comprovou quanto os indivíduos de fato ficam abertos à sugestão, chegando a enganar o próprio cérebro nesse processo. O neuropsicólogo Stephen Kosslyn, da Universidade de Harvard, induziu voluntários hipnotizados a enxergarem cor em um painel totalmente cinza. Nos exames de imagem, verificou que as áreas cerebrais ativadas foram exatamente as acionadas para a percepção de cores variadas.
Um exemplo prático desse processo pode ser visto nos passos tomados para o tratamento da dor. "É preciso fazer com que o paciente saia do foco da dor. Por meio da hipnose, ele deve ser levado a se concentrar em estímulos de relaxamento e sensações prazerosas, fazendo com que se esqueça o máximo possível da sensação de desconforto", explica a psiquiatra Célia Lídia Costa, do Hospital A. C. Camargo. Mas essa não é a única possibilidade. "Pode-se modificar a percepção de uma dor intensa para uma sensação de peso ou formigamento ou reduzir o tamanho da área dolorida para apenas uma parte", diz o clínico e psicoterapeuta João Figueiró, do Centro Multidisciplinar de Dor do HC/SP. De acordo com David Spiegel, pesquisador do Instituto de Neurociência da Universidade de Stanford, a alteração no entendimento do que ocorre também traz outro benefício, além de maior conforto: "O método reduz a ansiedade que normalmente acompanha os episódios de dor", Um alerta importante: os profissionais sérios jamais tratam dores cujas causas não tenham sido identificadas.
Fonte: Revista Isto é
Depresão e Hipnose
A depressão se apresenta como uma falta de gosto pela vida, como um transtorno afetivo e do humor. O indivíduo depressivo normalmente tem uma visão distorcida da realidade e não consegue perceber um futuro que seja prazeroso. Apresenta apatia frente aos diferentes estímulos que a vida lhe apresenta.
A depressão é uma alteração no pensamento, uma quebra de raciocínios que antes seguiam uma linha e que agora mediante a este novo estado, começa a pensar e sentir de uma forma até mesmo incoerente. Perdendo um pouco o próprio sentido da vida, suas motivações e objetivos enquanto Ser Humano.
Este transtorno não é apenas psíquico, também é físico na medida que há uma baixa na produção de serotonina, o hormônio que proporciona as sensações de prazer no corpo, sendo as vezes necessário medicamentos. Isso acontece na medida em que métodos de psicoterapia não são suficientes ou ter procurado um profissional depois de um certo tempo do sintoma se manifestar.
A hipnose, possibilita diferentes articulações do pensar, o que pode proporcionar mudanças específicas, onde o indivíduo ao vir pensando de uma certa forma, um pensamento viciado, ou mesmo contagiado pelo problema da depressão, pode modificá-lo. O paciente precisa ver transformada suas formas de perceber a si mesmo, o mundo e seu próprio futuro; Do negativo para o positivo. Com a hipnose, é possível coloca-lo em diferentes situações no presente e futuro, onde possa se imaginar já com uma nova realidade. Ver-se em diferentes situações: em casa, com familiares, amigos, no trabalho, na rua ou no clube. O interessante é cobrir o máximo de possibilidades onde o paciente possa se ver nas mudanças de hábitos, pensamentos, comportamentos e nas suas diferentes interações humanas.
Na hipnose, também tem-se a possibilidade do transe, que é um pensamento direcionado, este proporcionará com ainda maior facilidade a mudança. Desta forma pode-se ajudar o paciente a reaprender ou mesmo aprender novas formas de reagir frente aos diferentes estímulos, que até então eram de apatia. Como mais gosto, mais prazer, voltando à sua vida normal, conquistando um viver mais equilibrado.
Odair J. Comin
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