7.07.2009

Intoxicação: alerta na cozinha



Metade das contaminações por alimentos estragados ocorre dentro de casa. Perigo está na falta de cuidados com manuseio e conservação da comida. Problema afeta mais quem tem imunidade baixa, crianças, idosos e grávidas

Ovos na porta da geladeira, superfície de madeira para cortar a carne, e o velho pano úmido na pia. É assim que funciona a cozinha da sua casa? Abra o olho, alertam especialistas. A falta de cuidados pode levar a Doenças de Transmissão Alimentar (DTA), problema que atinge gravemente idosos, gestantes, crianças e pessoas com baixa imunidade.


Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, órgão da ONU), no ano passado 82 milhões de brasileiros (43% da população do País) foram internadas com intoxicação alimentar e mais de 6 mil morreram. Metade das contaminações ocorreu dentro de casa.

Os ambientes perfeitos para a proliferação de bactérias, fungos e protozoários são os de temperatura próxima a 37 graus. “Mas a maioria desses micro-organismos se multiplica dentro da faixa entre 4 e 60 graus.
Para impedir o problema, só submetendo os alimentos a temperaturas superiores a 70 graus”, orienta a pesquisadora Tatiana Pastorello, do projeto Cuidar dos Alimentos, da Fiocruz. Depois de pronta, a comida não deve ficar mais de duas horas fora da geladeira.

CONTÁGIO CRUZADO

Na cozinha, nada de manipular diferentes alimentos sem lavar as mãos. “Leva-se micro-organismos de um para outro”, explica Tatiana. Usar a mesma faca, sem lavar, para cortar produtos distintos é perigoso. “Em churrascos acontece muito: a faca que corta a carne crua é a mesma que fatia o alimento servido”, diz. Alimento cozido não está livre do risco de ser contaminado, se tiver contato com alimento cru, que é onde os micro-organismos proliferam. O problema ocorre com facilidade ao se colocar, na mesma vasilha, carne crua e alimentos cozidos.

Ou quando a mesma tábua de carne é usada, ainda suja, para cortar alimentos ‘in natura’, como temperos e saladas.

O ovo é um dos alimentos que mais recebe ressalvas. “Pode transmitir salmonella. Se a casca quebrar, há risco de contaminar a gema. Colocá-los na porta da geladeira é arriscado: o abre e fecha causa microfissuras que provocam o contágio”, orienta o microbiologista Roberto Martins Figueiredo.
“Comer ovo cru ou com a gema mole é perigoso”. Alimentos folhosos devem ser bem lavados em água corrente.

O Dia

7.06.2009

Política Vigente para a Regulamentação de Medicamentos no Brasil

Agência Nacional de Vigilância Sanitária redefiniu as regras para o registro de medicamentos no Brasil e sua renovação.

As mudanças se basearam nos seguintes pontos:
1. Reconhecimento de três categorias principais para o registro de medicamentos:
homeopáticos, fitoterápicos e substâncias quimicamente definidas;
2. Verificação da qualidade quanto à reprodutibilidade (igualdade entre lotes),
segurança e eficácia terapêutica dos medicamentos dentro das três categorias,
por meio de comprovação laboratorial ou de estudos clínicos;
3. Controle da matéria-prima;
4. Redefinição das categorias de venda para medicamentos: isentos de prescrição
médica, com prescrição médica e controlados;
5. Exigência da certificação de Boas Práticas de Fabricação para a concessão de
registro para linha de produção de medicamentos;
6. Redução da assimetria de informação (diferenças dos níveis de informação
na cadeia prescritor-farmácia-paciente) e aumento do controle sobre o
direcionamento e conteúdo adequados da propaganda de medicamentos;
7. Aumento do controle da venda de medicamentos de tarja preta;
8. Participação nas estratégias que facilitam o acesso a medicamentos pela maioria
da população;
9. Informatização e desburocratização do processo de registro e das alterações
pós-registro;
10 Ampliação do monitoramento da qualidade dos medicamentos em
comercialização;
11. Redução do número de associações irracionais (dois ou mais princípios ativos
que possam levar a um aumento da toxicidade sem aumento de eficácia;
princípios ativos em quantidade insuficiente para atingir o efeito desejado ou
em desacordo com guias de prática clínica);
12. Reforço na fiscalização quanto à utilização de nomes comercias pelos
fabricantes que possam induzir erros de prescrição e automedicação.

Política Vigente para a Regulamentação de Medicamentos no Brasil

AS TRÊS CATEGORIAS
Cada categoria, por conta de suas especificidades, exige legislação própria. A
Homeopatia afirma que os medicamentos têm propriedades terapêuticas produzidas
por uma energia vital proveniente do processo de dinamização de extratos vegetais,
animais ou minerais. A Fitoterapia entende que os extratos vegetais, compostos
de substâncias produzidas pela natureza, são tão ou mais seguros e efi cazes que
os produzidos sinteticamente. A produção de medicamentos com substâncias
quimicamente definidas faz uso da tecnologia de produção oriunda de sínteses
químicas ou biológicas ou do isolamento de substâncias da natureza.

QUALIDADE
A inspeção nas linhas de produção de medicamentos é um meio para comprovar
seu funcionamento em acordo com padrões que garantem a qualidade dos produtos.
Na inspeção, a linha de produção deve estar condizente com a descrição detalhada
do processo de produção e com as metodologias de controle de qualidade nas
diferentes etapas. O perfil de segurança e eficácia é obtido por meio da análise dos
ensaios clínicos (fase 3) de produtos novos ou da revisão bibliográfica de utilização
em diferentes subgrupos populacionais em produtos de uso tradicional.
Para as cópias, genéricos e similares, não há necessidade de repetir os ensaios
clínicos (fase 3), desde que seja comprovada equivalência farmacêutica (teste in
vitro, para comprovar que têm a mesma formulação) e bioequivalência (teste in
vivo - biodisponibilidade relativa - para comprovar que têm a mesma absorção e
distribuição na corrente sanguínea) para os que necessitam ser absorvidos pelo trato
gastrintestinal. Os medicamentos de referência são aqueles que tiveram eficácia e
segurança comprovadas por ensaio clínico de fase 3 (além de terem sido aprovados
nas fases 1 e 2).

CONTROLE DA MATÉRIA-PRIMA
A qualidade das matérias-primas influencia na qualidade dos medicamentos.
As empresas devem certificar seus fornecedores para garantir a equivalência e a
5
Política Vigente para a Regulamentação de Medicamentos no Brasil
bioequivalência dos medicamentos que produzem. Se houver alterações no processo
de fabricação de uma matéria-prima ou alteração de fornecedor, a equivalência
farmacêutica e a bioequivalência podem ser comprometidas. A certifi cação de
fornecedores e o controle de qualidade quando do recebimento da matéria-prima
na empresa são itens inerentes às Boas Práticas de Fabricação.
A Anvisa vem certificando as indústrias nacionais de farmoquímicos que
seguem as Boas Práticas de Fabricação, além de manter atualizado o regulamento
técnico '64estes procedimentos. Um banco de dados com informações sobre
produtos rejeitados em testes de qualidade está em construção para maior controle
dos insumos. A Agência também investe recursos nas pesquisas da Farmacopéia
Brasileira para incremento da produção de padrões a serem utilizados em testes
analíticos no País. Em complemento a isto, a atualização da Denominação Comum
Brasileira, para fi ns de publicação e utilização para a importação, permitirá
conhecimento amplo e específico de quais matérias-primas estão entrando no
Brasil. Essas informações se somarão às informações sobre quais matérias-primas
são produzidas dentro do País. Este conjunto de medidas possibilitará a criação de
um banco de dados que contenha a procedência e a qualificação do fornecedor.
Assim, haverá monitoramento de produtos específicos desde o momento de sua
entrada no País, o que, em situações de risco sanitário, pode ser uma informação
de fundamental relevância para tomadas de decisão pela Vigilância Sanitária.

CATEGORIA DE VENDA
Foi criada legislação específica para definição de medicamentos de venda sem
prescrição a partir de uma lista que contempla três quesitos definidos a priori, e
que os medicamentos devem preencher: grupo terapêutico, indicações terapêuticas
e exceções.
Em função de um grande afluxo de propagandas de medicamentos que não
estavam sujeitos à prescrição, porém de indicações terapêuticas cuja efi cácia
é controvertida, alguns medicamentos foram incluídos como de venda com

BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÂO E CONTROLE
Inspeções periódicas em linhas de produção no espaço fabril pela
Vigilância Sanitária têm levado à modernização das linhas de produção e
a uma maior capacidade de garantir a qualidade de medicamentos pelos
fabricantes. Para fortalecer o cumprimento da legislação específica que trata
das Boas Práticas de Fabricação e Controle, o registro de produtos somente
será aprovado em caso de condições satisfatórias na última inspeção e com
o pedido de certificação da linha inspecionada já protocolado na Anvisa,
por parte da empresa.

ASSIMETRIA DE INFORMAÇÃO E FALSA PROPAGANDA
As bulas e rótulos são instrumentos de informação sobre medicamentos
dirigidos aos pacientes, dispensadores e prescritores por parte da indústria.
Estes instrumentos costumavam a ser usados para f ins de marketing e não
havia controle por parte da Vigilância Sanitária sobre o conteúdo das bulas.
Este ano será lançado um Compêndio de Bulas de Medicamentos que suprirá
a necessidade de informação para pacientes, dispensadores e prescritores.
As informações que estavam presentes nas bulas dos medicamentos em seu
país de origem, não poderão ser suprimidas. Similares e genéricos deverão
seguir o conteúdo das bulas dos medicamentos de referência.
As propagandas diretas ao consumidor e aos prescritores vêm sendo
monitoradas por meio de um convênio com universidades. Aqueles que
violarem as leis atuais e divulgarem falsas informações estarão sujeitos a
multas e processos judiciais.
A existência de um Compêndio de Bulas e de um Bulário Eletrônico,
com conteúdo validado pela Vigilância Sanitária, em muito contribuirá
para o aperfeiçoamento das ações de assistência farmacêutica, uma vez que
haverá maior confiança nas informações.

CONTROLE DA VENDA DE MEDICAMENTOS COM TARJA PRETA
O uso racional de medicamentos depende de diversas iniciativas, incluindo
o aperfeiçoamento dos recursos humanos na área da saúde. A Anvisa, por meio
da Gerência de Vigilância em Serviços de Saúde, vem promovendo cursos de
Boas Práticas de Prescrição em alguns Hospitais-Escolas do País. Porém, além da
prescrição racional, cabe o controle informatizado da distribuição e do consumo
de medicamentos de alto risco para evitar abusos em sua utilização. Este ano
será implantado o Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados
(SNGPC), que permitirá o aperfeiçoamento do controle da movimentação de
medicamentos, substâncias e plantas controladas. Após a efetivação deste sistema
para medicamentos controlados, o mesmo será estendido a medicamentos de tarja
vermelha. Desta forma, o gerenciamento das movimentações, desde a fabricação/
importação até o consumo final de tais produtos, poderá ser efetivamente
acompanhado pelos órgãos de controle competentes.
PARTICIPAÇÃO NAS ESTRATÉGIAS PARA AMPLIAR O ACESSO
Hoje, a aprovação de um medicamento novo no Brasil também leva em conta
dados de preço no mercado internacional, para que o governo possa negociar valores
adequados ao consumidor brasileiro. Os medicamentos genéricos, no momento
do seu lançamento, são 35% mais baratos que os medicamentos de referência.
Os laboratórios oficiais que produzem medicamentos distribuídos pelo SUS,
gratuitamente, estão isentos das taxas da Anvisa e têm prioridade na análise de
seus processos. A execução da política de controle de preços de medicamentos é
defi nida pela Câmara de Medicamentos com participação interministerial.

INFORMATIZAR E DESBUROCRATIZAR
A construção do banco de dados da Anvisa (Datavisa) facilitará a rastreabilidade,
a verifi cação de toda a história de um produto desde o seu registro. É um processo
em construção que se aprimora dia a dia com a entrada de dados no sistema e
seu desenvolvimento concomitante em termos de complexidade. Processos como
petição eletrônica, avaliação de bulas e transmissão de dados de farmacovigilância
já estão em andamento. Hoje as petições são organizadas eletronicamente o que
facilita a transparência das atividades e o planejamento adequado para suprir a
demanda de análise de processos.
A introdução da notificação de contratos de terceirização de etapas de produção
no lugar de petições para a análise e a anuência prévia para estes contratos pela
Anvisa vem contribuir para a desburocratização. O cumprimento das regras dos
contratos de terceirização será averiguado durante as inspeções de Boas Práticas
de Fabricação por linha de produção.
MONITORAMENTO DO MERCADO
A farmacovigilância tem uma rede que já conta com a adesão de várias empresas,
centros de toxicologia, secretarias estaduais de saúde e cem hospitais-sentinela,
além de acesso a dados internacionais. Para este ano, está prevista a conclusão
do processo informatizado da coleta e análise de dados. Os hospitais-sentinela
já estão conectados em rede e o envio dos relatórios à Organização Mundial da
Saúde (OMS) ocorrerá por meio eletrônico. Hoje, existem atividades regulares
de monitoramento do mercado de medicamentos genéricos, área onde estão
sendo buscados os avanços necessários. Para facilitar a produção de padrões de
qualidade no Brasil a preços compatíveis houve um grande apoio ao crescimento
e estruturação da Farmacopéia Brasileira (instituição que cuida da padronização
das fórmulas farmacêuticas).
REDUÇÃO DE ASSOCIAÇÕES IRRACIONAIS
Na alopatia sintética, associações racionais são aquelas em que há evidência
de aumento de eficácia sem aumento de toxicidade; os diferentes fármacos
têm mecanismos de ação distintos e atendem a um único diagnóstico. As
associações podem se apresentar em uma mesma formulação ou em duas ou mais
lapresentações em uma mesma embalagem, para uso concomitante ou seqüencial.
A nova legislação exige estudos clínicos (fase 3) para a permanência no mercado
de associações entre drogas sintéticas e fitoterápicos, e/ou homeopáticos, e/ou
vitaminas, e de associações com quatro ou mais princípios ativos sintéticos. Entre
antigripais e hepatoprotetores, alguns princípios ativos foram listados para serem
retirados das formulações.

• REPRESSÃO À FALSIFICAÇÃO
Três medidas conjuntas estão em andamento para combater a falsificação
de medicamentos no País: obrigação de constar o número do lote em cada nota
fiscal de medicamentos transportados, cadastramento dos estabelecimentos
farmacêuticos na Anvisa e capacitação de inspetores das vigilâncias sanitárias
estaduais. Essas medidas permitem que as regulamentações quanto a exigências de
qualidade se ampliem sem o risco de que as empresas, que não queiram se adaptar
às novas legislações, insistam em permanecer no mercado de forma clandestina.

• ENCONTROS TÉCNICOS COM AS VIGILÂNCIAS SANITÁRIAS ESTADUAIS
Entre 2002 e 2003 realizaram-se oito encontros técnicos com as vigilâncias
sanitárias estaduais para discussão, principalmente, de aspectos relacionados
à farmacovigilância, inspeções, estudo das propostas de regulamentação em
consultas públicas, farmácias de manipulação e outros temas específi cos. Este
ano novos encontros vêm ocorrendo.
• REPACTUAÇÃO DO TERMO DE AJUSTES E METAS COM ESTADOS E
MUNICÍPIOS
O Termo de Ajuste e Metas (TAM), acordado em 2003 para vigir em 2004,
facilitará a integração das atividades entre a Anvisa, os estados e os municípios,
permitindo maior eficiência das atividades descentralizadas e delegadas.
• FARMÁCIA MAGISTRAL E “FARMÁCIA VIVA”
A regulamentação de registro de produtos fi toterápicos tem como abrangência
medicamentos cujos princípios ativos são exclusivamente derivados de drogas
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Política Vigente para a Regulamentação de Medicamentos no Brasil
vegetais. Não é objeto de registro planta medicinal ou suas partes, após processos
de coleta, estabilização e secagem, podendo ser íntegra, rasurada, triturada ou
pulverizada. Portanto, as autodenominadas “farmácias vivas” não são objeto de
regulamentação pela Anvisa, no momento.
Quanto às farmácias magistrais, há uma legislação em vigor sobre Boas Práticas
de Manipulação. Em 2003, tendo em vista óbitos por imperícia na prática de
manipulação com produtos de alto risco (pequenas variações na formulação podem
causar danos graves à saúde), estes chegaram a ter sua manipulação proibida. A
medida foi substituída por nova legislação com critérios mais rígidos de controle
sobre a atividade.
• MEDICAMENTOS NOVOS
Na área de medicamentos novos, a Câmara Técnica de Medicamentos
deixou de ser a única responsável pela avaliação da eficácia e segurança destes
produtos, e passou a ter, principalmente, a função de subsidiar a Agência por
meio da padronização de critérios de análise e da emissão de pareceres sobre
temas controversos. Uma postura importante adotada pela Anvisa foi a de
não aprovar o registro de medicamentos oncológicos novos que não tenham
comprovado sua eficácia por ensaios clínicos controlados, independentemente
de eles terem sido registrados por agências reguladoras de outros países. Até
que tais evidências sejam apresentadas e aceitas, esses produtos podem ser
utilizados no País em ensaios clínicos e em programas de acesso expandido,
situações nas quais o ônus permanece com as empresas farmacêuticas, ao invés
de ser transferido para o SUS.
• PESQUISA CLÍNICA
Na área de pesquisa clínica três propostas de regulamentação passaram por
consulta pública, e mais duas propostas deverão passar pelo mesmo processo
ainda este ano. As consultas relativas à obrigatoriedade de notificação de eventos
adversos observados em estudos clínicos e a de realização de auditorias nestes
estudos representam um avanço considerável no controle da pesquisa clínica
no País, pois permitirão que a Anvisa acompanhe o desenrolar desses estudos
ao invés de apenas aprovar sua realização.
11
Política Vigente para a Regulamentação de Medicamentos no Brasil
• PATENTES
Os pedidos de patentes de produtos e processos farmacêuticos passaram a
ter sua análise obrigatória pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária desde
1999, por meio do instituto da anuência prévia. Ressalta-se que esta anuência é
concedida, ou negada, após a avaliação do pedido, considerando além dos aspectos
formais da análise (verificação técnica dos requisitos de patenteabilidade), os
aspectos próprios de saúde pública (acesso aos medicamentos e avaliação técnica
dos compostos).
Vale lembrar que quando a patente é concedida o seu detentor passa a ter direitos
exclusivos de exploração do objeto protegido (produção, utilização, comercialização
sem concorrência, venda ou importação) pelo período de 20 anos. Por isso, há a
necessidade de análise criteriosa dos requisitos para a concessão de tal benefício,
tendo sempre em conta que esta proteção pode se refl etir diretamente no custo
fi nal do medicamento.
• FISCALIZAÇÃO QUANTO A NOMES COMERCIAIS
Há regras que impedem que medicamentos diferentes tenham nomes
semelhantes e também que uma empresa comercialize o mesmo produto com
mais de um nome comercial. Medidas para reforçar a fi scalização quanto a este
aspecto vem sendo adotadas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O processo ora em andamento visa qualificar o mercado farmacêutico nacional
refletindo anseios dos consumidores, dos profissionais de saúde, dos fabricantes
e de instâncias do Sistema Único de Saúde (SUS). Este processo, “sem volta’’,
está sujeito a avaliações periódicas visando à correção de rotas e à absorção de
fatores que se revelarem importantes para sua adequação no próprio momento
histórico de sua construção. A mudança é gradual, em acordo com parâmetros
internacionais, contudo levará a uma desejável realidade no futuro: a certeza de
que todos os medicamentos à disposição no País terão acréscimos fundamentais
nos quesitos de segurança, eficácia e qualidade.
Brasília, setembro de 2004.

Fonte: Anvisa

NORMA TÉCNICA PARA O TRABALHO EM PÉ E SENTADO: VIGILÂNCIA EM SAÚDE

NORMA TÉCNICA PARA O TRABALHO EM PÉ E SENTADO

Considerações
As questões de posturas no trabalho são tratadas por algumas empresas, gerentes, trabalhadores, profissionais da saúde e do esporte, principalmente como um problema de caráter individual, incorrendo no viés de que a correção destas por parte do indivíduo minimizaria/ eliminaria o risco. O mobiliário ajustável é utilizado indistintamente como medida de adequação de postura, ficando a critério do usuário o ônus do seu ajuste e a adequação da postura. As intervenções na maioria das vezes passam por medidas educativas e de orientações posturais que não são suficientes para o enfrentamento individual e coletivo desta problemática.
Dados da bibliografia nacional e internacional apontam para a associação de vários agravos à saúde relacionados à manutenção de posturas fixas, tais como: Lesões por Esforços Repetitivos/ Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (LER/DORT), distúrbios vasculares periféricos, relacionados ao sistema digestório, alterações neurosensoriais, etc.
Os dados sobre os atendimentos a trabalhadores de diversos ramos de atividades nos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador no Município de São Paulo indicam que houve um aumento de casos de LER/DORT na década de noventa, constituindo uma das principais demandas. Nos últimos anos, com o risco de desemprego, a introdução de novas tecnologias e mudanças organizacionais, constata-se que esta demanda tem outra característica: trabalhadores com LER/DORT em estágios mais avançados. Sabe-se que estes distúrbios são decorrentes de diversos fatores, não sendo exclusivo o fator biomecânico, mais especificamente as questões de postura. Identifica-se a organização do trabalho como um dos principais fatores na determinação das posturas no trabalho, na escolha dos equipamentos/ ferramentas/ máquinas/ mobiliário, concepção do trabalho e tempo de exposição, que contribuem para o desenvolvimento das LER/DORT, (NATIONAL RESEARCH COUNCIL 1998, NIOSH 2000, MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001), bem como os distúrbios já citados.
Também é importante ressaltar que a população acometida por estes agravos é jovem, nos estágios mais avançados, com seqüelas físicas e psicológicas, limitações e impedimentos permanentes para a realização das atividades cotidianas e do trabalho.
O alto índice de desemprego e as novas formas de reestruturação produtiva têm propiciado no Município de São Paulo a criação de atividades de comércio, cabeleireiros, manicures, clínicas de estética, serviços de assessoria e suporte de informática, bares, restaurantes, entre outros, o que vem contribuindo para o aumento do tempo de manutenção na postura em pé e sentada.
A freqüência do trabalho envolvendo o uso de microeletrônica tem contribuído para a manutenção da postura sentada mais fixa junto ao computador.
A permanência das posturas fixas (sentado ou em pé) durante a jornada de trabalho também contribui para a diminuição do tempo de alternância postural.
As posturas são impostas e a concepção e a organização do trabalho determinam a possibilidade ou não de variar as posturas e ter autonomia sobre elas.
Parte-se do princípio que não existe uma postura única “adequada”, além disto, esta terminologia embute uma valoração negativa ou positiva sobre uma atitude/ comportamento individual e descarta os diversos aspectos que envolvem o trabalho.
Freqüentemente, a adoção destas medidas ocorre de maneira compulsória, sem discriminar os trabalhadores que já portam alguma patologia relacionada ou não ao trabalho. Na concepção e aplicação das intervenções comumente se desconsideram as alternâncias posturais e de movimentos nas tarefas. Esses aspectos podem contribuir para agravar e/ ou propiciar o aparecimento de agravos à saúde.
Considerando as premissas anteriores, as atribuições da COVISA no Código Sanitário Municipal, que determina a elaboração de instrução normativa para a proteção da saúde do trabalhador e a lacuna de instrumentos normativos pertinentes a essa questão no âmbito do Município de São Paulo, institui-se esta norma técnica, com o objetivo de nortear a atuação das autoridades sanitárias, dos profissionais da Vigilância em Saúde do Município de São Paulo, empregadores, sindicatos e empregados nas obrigações e recomendações sobre o trabalho nas posturas em pé, sentado e alternado.
A instituição de norma técnica pelo órgão competente do sistema de vigilância em saúde municipal encontra amparo legal na Constituição Federal, na Lei Federal nº 8080/90 e na Lei Municipal nº 13725/2004, que instituiu o Código Sanitário do Município de São Paulo.
De acordo com o artigo 7º, inciso XXII da Constituição Federal são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social, a redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança.
Estabelece o artigo 23, inciso II da Carta Magna, competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios cuidar da saúde.
O artigo 196 da CF estabelece que a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução de doenças e de outros agravos, competindo ao Sistema Único de Saúde executar as ações de vigilância sanitária, epidemiológica e de saúde do trabalhador (artigo 200 inciso II da CF).

Cumprindo a norma constitucional a Lei Federal nº 8080/90 incluiu no campo de atuação do SISTEMA ÚNICO DE SAUDE a execução de ações de saúde do trabalhador e a colaboração na proteção do meio ambiente, já que o trabalho pe um dos fatores determinantes e condicionantes da saúde.
Por esta razão estabeleceu em seu artigo 15, inciso VI competência concorrente da União, Estados, Distrito Federal e Municípios para elaborar normas técnicas e estabelecimento de padrões de qualidade para a promoção da saúde do trabalhador.
Cumprindo os ditames constitucionais e da lei federal a Lei Municipal nº 13.725/2004, norteada pelo princípio da precaução, determinou aos órgãos de vigilância em saúde municipais a adoção de medidas intervencionistas preventivas quando houver ameaça de danos sérios ou irreversíveis à vida, à saúde e ao meio ambiente.
Dentre essas medidas o artigo 10º da referida lei atribuiu à direção municipal do Sistema Único de Saúde, em articulação com o órgão competente de vigilância em saúde, competência para elaboração de normas, códigos e orientações no que diz respeito as questões das vigilâncias sanitária, ambiental, epidemiológica e em saúde do trabalhador.
Para tanto impôs às autoridades sanitárias que executam ações de vigilância em saúde do trabalhador para desempenhar suas funções, o dever de estabelecer normas técnicas para a proteção da saúde no trabalho (artigo 38 inciso VII).
De acordo com o artigo 43 do mesmo diploma legal a organização do trabalho deve adequar-se às condições psicofisiológicas dos trabalhadores, tendo em vista as possíveis repercussões negativas sobre a saúde, quer diretamente por meio dos fatores que a caracterizam, quer pela potencialização dos riscos de natureza física, química, biológica e psicossocial, presentes no processo de produção, estabelecendo em seu parágrafo único que, na ausência de norma técnica federal e estadual, o órgão competente do sistema de vigilância em saúde municipal elabore instrumentos normativos relacionados aos aspectos da organização do trabalho e ergonômicos que possasm expor a risco a saúde dos trabalhadores.
Em cumprimento a esses ditames legais é que a subgerência de vigilância em saúde do trabalhador apresenta para apreciação e aprovação a presente norma técnica que complementa a NR 17.
Esta norma indica a adoção de posturas mais próximas das consideradas neutras, ou seja, aquelas que impõem a menor carga possível sobre articulações e segmentos musculoesqueléticos (Rio e Pires, 1999). Quando isto não for possível, deve-se proporcionar maior aproximação das posturas neutras para minimizar ou eliminar os agravos à saúde relacionados ao trabalho.
Com o objetivo de considerar o que será apresentado nos enunciados, é importante definir os conceitos para a aplicação prática deste instrumento.

Definições:
A postura é uma atitude adotada pelo corpo; a disposição do corpo no espaço. Uma postura natural deve ser aquela que, segundo os princípios da biomecânica, as articulações ocupem posição neutra, ou seja, sem movimentos, por exemplo, de extensão ou flexão ou inclinação. Deve ser uma postura que não exija grande esforço para mantê-la e assim não prejudique o organismo, não crie sobrecargas funcionais ou condições que a longo ou curto prazo possam originar processos patológicos (Queiróz 1998).
Postura é a posição assumida pelo corpo por meio da ação integrada dos músculos operando para contra-atuar com a força da gravidade ou quando mantida durante inatividade muscular. Além dos mecanismos intrínsecos que influenciam a postura, como é o caso, principalmente do sistema muscular, fatores extrínsecos, tais como a superfície de sustentação, precisam também ser considerados, uma vez que o modo como elas são construídas torna-se um aspecto importante que influencia as posturas da coluna. Muitas posturas são naturalmente assumidas durante o curso das 24 horas, sendo consideradas apenas aquelas de uso mais corrente: sentado, alternado e em pé (Oliver e Middletich (1998).

FUNÇÕES DA POSTURA
Segundo Moraes e Mont’Alvão (1998) pode-se atribuir à postura várias funções:
- A manutenção dos segmentos corporais no espaço. Neste caso, consideram-se apenas os mecanismos fundamentais e necessários para agir contra a gravidade: características biomecânicas do corpo humano, informações externas e exteroceptivas (musculares, articulares, do labirinto, visuais, auditivas), estruturas nervosas de integração e de comando dos músculos antigravitacionais, atividades destes músculos;
- A atividade primordial do homem. Mas não se trata somente de se manter em pé ou sentado mas também agir; portanto a postura é suporte para tomada de informação e para a ação motriz no meio exterior. Simultaneamente ela é meio para localizar as informações exteriores em relação ao corpo e modo de preparar os segmentos corporais e os músculos com o objetivo de agir sobre o ambiente. Ela participa da atividade e ela é em si mesma, um meio para realizar a atividade;
- meio de expressão e de comunicação. Ela é um sinal da atividade, portanto, um meio de comunicação com os outros para a realização do trabalho;
- elemento significativo essencial da atividade de trabalho. Certas posturas não estão ligadas apenas à atividade de trabalho, mas às dificuldades superpostas.
A postura depende, por um lado, dos constrangimentos ditos externos, quer dizer, da tarefa a realizar e das condições ditas internas do indivíduo, ou seja, de seu estado geral, de seu estado físico-sensorial, de sua experiência, de suas características antropométricas.

POSTURA E AGRAVOS À SAÚDE RELACIONADOS AO TRABALHO:
A atividade postural é uma fonte essencial de informações proprioceptivas que permite encadear o caráter espacial das informações exteriores com a situação dos diferentes segmentos corporais no espaço. A postura como aspecto fundamental da atividade motriz é uma parte da carga de trabalho. (....) Somente se pode descrever uma postura quando se considera a duração, ou seja, a mudança ou a manutenção de uma postura (Moraes e Mont`Alvão,1998).
As posturas fazem parte dos elementos da análise do trabalho mais evidentes e que, no entanto, não são correta e devidamente valorizadas. A postura adotada como resposta comportamental do operador passa a ser um critério essencial por ser um elemento observável (Moraes e Mont`Alvão,1998). A partir da observação e análise da postura é possível evidenciar sinais de cansaço, os aspectos relacionados à saúde e possíveis agravos.
As pessoas adotam posturas para o desenvolvimento da atividade do trabalho e para o descanso. Essas posturas podem produzir cargas e torques adequados para a manutenção e promoção da saúde ou podem ser excessivas, ou mesmo, insuficientes para sua preservação, levando à deterioração (Rio e Pires, 1999)
As posturas gerais básicas são as posições em pé (parado e andando), sentado, de cócoras e deitado. Além destas, há posturas segmentares, relacionadas a segmentos particulares, que são adotadas, tendo como base as posturas gerais (Rio e Pires, 1999).
Neste instrumento normativo somente as posturas sentada, em pé e alternada serão tratadas por serem as mais adotadas.
Caillet (1986) diz que a pressão intradiscal na posição em pé, passa para 10 kg e na posição sentada, para 15kg, em cada disco intervertebral.
A posição sentada exige atividade muscular do dorso e do ventre para manter esta posição. Praticamente todo o peso do corpo é suportado pela pele que cobre o osso ísquio, nas nádegas. O consumo de energia é de 3 a 10% maior em relação à posição horizontal. A posição ligeiramente inclinada para frente é mais natural e menos fatigante que aquela ereta (IIda, 1992).
Nachemson e Elfstrom em 1970, citado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (2004) em relação à influência sobre a postura sentada ou em pé, devido aos movimentos dos segmentos corporais, demonstraram que inclinações do tronco para frente, ou torções do tronco, devido às exigências da tarefa (visuais ou de movimentos) levam a um aumento de mais de 30% de pressão sobre o disco intervertebral.
Por outro lado, inclinar ligeiramente o corpo para frente mantém o corpo em equilíbrio. A distância visual para a leitura pode ser, em alguns casos, uma outra razão para se curvar levemente para frente. Portanto, pode haver um conflito de interesse entre as demandas dos músculos e as demandas dos discos: enquanto os discos preferem a posição ereta, os músculos preferem a posição levemente inclinada para frente. Recostar em um apoio de costas bem desenhado alivia a coluna e os tecidos conectivos (especialmente os músculos) das costas. Tanto a postura recostada quanto a postura com as costas apoiadas (postura para escrever) reduzem a pressão nos discos intervertebrais. (Kroemer e Grandjean 2000).
A posição parada em pé é altamente fatigante porque exige muito trabalho estático da musculatura envolvida para manter essa posição. O coração encontra maiores resistências para bombear sangue para os extremos do corpo. As pessoas que executam trabalhos dinâmicos em pé, geralmente apresentam menos fadiga que aquelas que permanecem estáticas ou com pouca movimentação (Iida, 1992).
Na posição em pé, a cintura pélvica é inclinada para frente devido à tensão dos músculos anteriores da coxa, de modo que o ângulo entre a superfície superior do sacro e a horizontal é de aproximadamente 50- 53° (Hellems e Keats apud Oliver e Middleditch, 1998). Esta inclinação, juntamente com a compressão exercida pelo peso do corpo sobre a coluna lombar, acentua a lordose neste nível (Renner 2002).
A postura em pé não pode usualmente ser mantida por longos períodos e as pessoas recorrem ao uso assimétrico das extremidades inferiores, usando alternadamente a perna direita e esquerda como principal apoio. É provável que assim procedam a fim de lidar com as inadequações de suas circulação venosa e arterial ou com vistas a manter uma reduzida lordose, com conseqüente redução de forças compressivas sobre as articulações apofisárias (Adams e Hutton citado por Oliver e Middleditch, 1998).
Muitas vezes é necessário inclinar a cabeça para frente para se ter uma melhor visão, como nos casos de pequenas montagens, inspeção de peças com pequenos defeitos ou leitura difícil. Essas necessidades geralmente ocorrem quando: o assento é muito alto; a mesa é muito baixa, a cadeira está longe do trabalho que deve ser fixado visualmente ou há uma necessidade específica, como no caso do microscópio. Essa postura provoca cansaço rápido dos músculos do pescoço e do ombro, devido, principalmente, ao momento (no sentido da Física) provocado pela cabeça, que tem um peso relativamente elevado (4 a 5 kg).
As posturas secundárias são aquelas que as pessoas de maneira consciente e inconsciente utilizam para variar as exigências musculoesqueléticas (??).
O ideal é que haja flexibilidade postural porque a variação de posição ora favorece as articulações, ora favorece a economia de energia, uma vez que não existe uma única postura que satisfaça as duas necessidades. Variar as posturas corporais permite ao indivíduo, por meio do sistema musculoesquelético, alternar os focos principais de exigências, ao mesmo tempo em que propicia mobilidade para esse sistema e a manutenção da saúde de músculos, tendões, etc (Rio e Pires 1999).
Quando o posto de trabalho é inadaptado, os trabalhadores assumem posturas não indicadas para que se possa realizar as operações do ciclo de trabalho.
Para cada articulação, pode-se definir uma postura de base em que as exigências ligadas à sua manutenção são mínimas e as estruturas anatômicas estão em posições favoráveis.
Uma postura é não indicada quando, por exemplo, o corpo tem de lutar contra a gravidade para mantê-la. Ocorre quando as estruturas anatômicas encontram-se em má posição para poderem funcionar de maneira eficaz. Sabemos do desconforto sentido quando o punho é mantido em flexão ou extensão extrema32.
As posturas no trabalho vão depender do estado físico do homem, da disposição das máquinas e dos equipamentos no espaço de trabalho, das características do ambiente, da forma das ferramentas e suas condições de utilização, do produto utilizado, do conteúdo das tarefas, da cadência e ritmo de trabalho e da freqüência e duração das pausas.
Riscos à saúde decorrentes das posturas rígidas/ fixas no trabalho:

Vários riscos à saúde estão associados com posturas rígidas no trabalho, listados a seguir. Deve-se evitar ao máximo reproduzir estes constrangimentos posturais, visando eliminar ou minimizar os agravos à saúde.
No caso da postura em pé sem movimentar, há o risco de varizes nos pés e pernas, dor ou lesão em região lombar; sensações dolorosas nas superfícies de contato articulares que suportam o peso do corpo (pés, joelhos, quadris);
Na postura sentada, a manutenção prolongada pode levar a uma flacidez dos músculos do abdômen e ao desenvolvimento da cifose, sedentarismo e a adoção de posturas desfavoráveis, ocasionando lordose.
O sentar-se curvado para frente deve ser desfavorável para os órgãos internos, em especial os da digestão e da respiração, contribuindo para o aparecimento e agravamento de transtornos circulatórios, digestórios e respiratórios.
A postura sentada associada à dificuldade para acomodação de joelhos, pernas e pés, a compressão da face posterior dos músculos da coxa e da panturrilha, provocada por inadequação de mobiliário, layout, arranjo físico e outras características das atividades de trabalho, comprometem o conforto circulatório, podendo gerar distúrbios deste sistema.
Por melhor que seja a postura sentada, ela impõe carga biomecânica significativa sobre os discos intervertebrais, principalmente, da região lombar.
As dores no pescoço começam a parecer quando a inclinação da cabeça, em relação à vertical, for maior que 30°. Nesse caso, deve-se tomar providências para restabelecer a postura vertical da cabeça, de preferência com até 20 ° de inclinação, fazendo-se ajustes na altura da cadeira, mesa ou localização da peça. Se isso não for possível, o trabalho deve ser programado de modo que a cabeça seja inclinada durante o menor tempo possível e seja intercalado com pausas para relaxamento, com a cabeça voltando à sua posição vertical.
O trabalho sentado, associado a pouca movimentação, tem como conseqüência carga estática sobre certos segmentos corporais que, embora possa não ser intensa, se muito prolongada e associada à inércia musculoligamentar, pode produzir fadiga.
1) mesa de trabalho excessivamente alta a coluna fica retificada, originando esforço estático da musculatura do dorso para ser mantida nessa situação;
2) Sentado ereto, sem apoio para as costas: dor/ lesão em região lombar;
3) Sentado, sem um bom descanso para os pés a uma altura correta: dor/ lesão nos joelhos, pés e região lombar;
4) Sentado, com os cotovelos apoiados em uma superfície de trabalho muito alta, dor/ lesão no trapézio, rombóide e musculatura escapular;
5) Sentado, em assento muito alto: dor/ lesão no joelho, pescoço, região lombar, pés e gêmeos (panturrilha);
6) Sentado, em assento muito baixo, sem apoio para o dorso: o indivíduo fica com as coxo-femorais muito fletidas e seu corpo é impulsionado para trás; para compensar, a musculatura do dorso tem que desenvolver esforço estático prolongado, vindo a fadiga, e com ela a dor. Isso pode ocasionar uma tensão muscular crônica, acompanhada de hipóxia e miosite, com conseqüente reação fibrosa intramuscular, aderências e uma situação de dor crônicas, aos menores movimentos e, refratária à volta à situação de repouso. Além disso, a tensão muscular crônica age comprimindo os discos intervertebrais, prejudicando sua nutrição e contribuindo para sua degeneração.
7) Braços estendidos: dor / lesão em ombros, região escapular e braços (possivelmente artrite dos ombros);
8) Tronco inclinado para frente, posição parada: dor/ lesão em região lombar, músculos eretores da coluna, deterioração dos discos intervertebrais da região lombar;
9) Qualquer posição paralisada: dor/ lesão na musculatura envolvida.
10) Manutenção de qualquer segmento em posição extrema: lesão no segmento envolvido.

Normas gerais de postura:
As determinações e recomendações da autoridade sanitária nas posturas do trabalho podem incluir mudanças no arranjo físico (distribuição dos diversos instrumentos de informação e controle existentes no posto de trabalho), layout, mobiliário, nas ferramentas /instrumentos, nas tarefas, na organização do trabalho (a forma como o trabalho está ordenado, abrangendo a divisão e distribuição do trabalho bem como a organização hierárquica, as dimensões técnicas e sociais) nos outros fatores biomecânicos (repetitividade, vibração, força), aspectos físicos (térmicos, acústicos e luminosos), cognitivos (PEGAR DA APRESENTÇÃO) por serem estes aspectos que influem e condicionam a adoção das posturas.
O mobiliário deve proporcionar a melhor postura principal, assim como possibilitar, segundo Bustamente( 1995), a mobilidade, a variabilidade, a capacidade de adotar a posturas distintas: "Sentados ou de pé, é recomendável mudar freqüentemente de postura, pois a melhor delas é ruim se se prolonga demasiadamente. Variemos entre um repertório de posturas convenientes, em torno de uma postura sadia."

1) A organização do trabalho deve prever possibilidade de alternância postural;
2) Para posturas extremas, ou seja, aquelas que implicam em posições acima dos ângulos de conforto, em freqüência elevada, e/ou manutenção por longos períodos, exige-se pausas de recuperação;
3) Quando houver movimentos executados em alta velocidade e de grande amplitude deve-se garantir que ocorram somente contra pequenas resistências;
4) Deve-se evitar esforços musculares estáticos por tempo prolongado e implementar práticas complementares visando reduzir estes esforços;
5) Deve-se eliminar os torques sobre a coluna vertebral. Quando a característica da tarefa não permitir a eliminação, deve-se buscar medidas para a diminuição do tempo de exposição, com a implementação de pausas regulares;
6) Quando as características das tarefas desenvolvidas não permitirem esta indicação, é necessário reduzir estes torques ao mínimo.
7) Os objetos utilizados com freqüência devem estar dispostos mais próximos do tronco respeitando a zona 1 de conforto, segundo Brandmiller;
8) Os cabos das ferramentas que atingem o chão devem ser alongados;

Normas para o trabalho em postura sentada
Na postura sentada, há alto grau de estabilidade do equilíbrio do corpo, indicada para longos períodos de trabalho, possibilidade de evitar posições forçadas do corpo, consumo de energia reduzido, alívio da circulação sanguínea, facilidade de precisão e uso de ambos os pés para controles, possibilita grande aplicação de força ou movimentação dos controles pedais.
É indicada para o trabalho fino e com tarefas visuais de exatidão, para trabalho de precisão em indústria, para a escrita ou para trabalho industrial leve, trabalho manual pesado, ou medianamente pesado, como o embalar. Porém O campo de visão é limitado e pode haver dificuldade para alcançar dispositivos de controle manual. Portanto, nesta posição, é necessário que se sigam estas recomendaões:
1) deve-se evitar permanecer prolongadamente na posição sentada;
2) deve garantir ângulo com tronco- coxa entre 100 a 110°;
3) deve-se proporcionar ângulo em torno de 90 a 120° entre as coxas e pernas;
4) os braços na posição vertical devem alinhar-se ao tronco, formando um ângulo de 90° a 110° com os antebraços;
5) deve-se garantir espaço suficiente sob a mesa para as pernas;
6) os pés devem estar apoiados no chão e/ou superfície de apoio, sem flexão forçada das pernas;
7) a cadeira, a mesa e acessórios devem ser ajustáveis às características antropométricas, anatômicas e às tarefas desenvolvidas.

Normas para o trabalho na postura em pé
A posição em pé, apresenta a vantagem de liberar os braços e pés para tarefas produtivas, permitindo grande mobilidade desses membros e, além disso, tem um ponto de referência relativamente fixo no assento. Na posição em pé, além da dificuldade de usar os próprios pés para o trabalho, freqüentemente necessita-se também do apoio das mãos e braços para manter a postura e fica mais difícil manter um ponto de referência (Iida ???).
A postura em pé é indicada para mobilidade de alcance e controles de displays e monitores; quando não são necessários controles manuais precisos; na impossibilidade de oferecer ao operador sentado um espaço para as pernas; para controlar um painel grande com grande acessos visuais a sua volta e quando controles pediosos não são necessários, além de vá/ na vá, ou liga / desliga.
No entanto, a tensão muscular permanentemente desenvolvida para manter o equilíbrio em pé dificulta a execução de tarefas de precisão e será mais penosa quando o trabalhador tiver que associar posturas antinaturais, tais como: braços acima dos ombros, inclinação ou torção de tronco ou de outros segmentos corporais.

A escolha da postura em pé só está justificada nas seguintes condições já definidas no Manual de Aplicação da Norma Regulamentadora- NR-17:
- a tarefa exige deslocamentos contínuos como no caso de carteiros e rondantes;
- a tarefa exige manipulação de cargas com peso igual ou superior a 4,5 kg;
- a tarefa exige alcances amplos freqüentes para cima, para frente ou para baixo; no entanto, deve-se tentar reduzir a amplitude desses alcances para que se possa trabalhar sentado;
- a tarefa exige operações freqüentes em vários locais de trabalho, fisicamente separados;
- a tarefa exige a aplicação de forças para baixo, como em empacotamento.
Fora dessas situações, além do auditor fiscal, como determina a norma, as autoridades sanitárias do Município de São Paulo, não deve aceitar, em hipótese alguma, o trabalho em pé.
1) As estações em pé não são recomendadas para períodos de trabalho muito longos;
2) O design de uma estação em pé deve assegurar a localização de controles e displays ao alcance e dentro do campo de visão do operador mais baixo;

Alternância entre ficar de pé, sentar e andar
Normalmente quando ocorre desconforto pela compressão articular, tensão ligamentar, contração muscular contínua ou oclusão circulatória, uma nova postura é procurada. Se uma articulação esteve em uma posição durante um longo tempo, a pessoa se movimenta e estica a articulação e os músculos.
Posturas habituais sem alterações posicionais podem levar à lesão tecidual, limitação de movimento ou deformidade.
1) As tarefas que devam ser desenvolvidas durante longos períodos na posição de pé devem ser alternadas com outras que possam executar sentado;
2) Os operadores devem ter também a oportunidade de se sentarem durante as paradas no trabalho (por exemplo, operadores de máquinas ou vendedores de lojas). Um assento do tipo pedestal ou uma estação de trabalho sentada/ de pé deverá ser fornecido ao operador para que ele possa variar a postura durante a atividade. Um assento tipo pedestal pode ser utilizado para a postura de pé. Um assento pedestal consiste em num banco de altura ajustável (65 a 85 cm), e está inclinado entre 15 a 30 graus. Isto permite a assunção de posturas semi-apoiadas, que alivia o estresse sobre as pernas. Mas não deve ser usado por longos períodos e só se adapta às atividades realizadas em pé, nas quais não se exige muita força nos movimentos. O chão deve oferecer atrito suficiente para evitar que o banco deslize.

Relações entre as posturas básicas e segmentares/ extremas

Recomendações
1) Na posição sentada, deve ser privilegiado o pescoço sem flexão, extensão ou torção,
2) Recomenda-se evitar os braços acima do nível dos ombros e os ombros em abdução. Quando estas posturas forem imprescindíveis, deve-se reduzir a freqüência e/ ou o tempo de manutenção.
3) Punhos em alinhamento natural com os antebraços, evitando, sua flexão ou extensão.

Registros de comportamento/ análise de posturas:

O registro das posturas assumidas permite avaliar os constrangimentos da tarefa e dos postos de trabalho. Mais ainda, consideram as posturas em relação às dificuldades superpostas e como um elemento significativo essencial, consegue-se operacionalizar a fadiga dos trabalhadores.
(Moraes e Mont`Alvão,1998).

Fonte: Secretaria de Saúde- SP

BOAS PRÁTICAS DE PESQUISA DE FARMACOLOGIA CLÍNICA

PRINCÍPIOS GERAIS

Em toda pesquisa de Farmacologia Clínica deverá prevalecer o bem estar
individual das pessoas submetidas a estudo, acima dos interesses da ciência e
da comunidade.

A realização de pesquisas em Farmacologia Clínica deve ser conduzida
com estrita observação dos princípios científicos reconhecidos e com
escrupuloso respeito pela integridade física e psíquica dos indivíduos
envolvidos.

As pesquisas clínicas deverão ser precedidas por estudos pré-clínicos,
podendo-se começar as pesquisas em Farmacologia Clínica no momento em
que os resultados de tais estudos permitam inferir que os riscos para a saúde
das pessoas envolvidas sejam previsíveis e não significativos. As pesquisas em
Farmacologia Clínica poderão incluir pessoas sadias e enfermas.

Os custos provenientes da pesquisa clínica serão custeados pelo
patrocinador, se houver, ou pelo grupo pesquisador.


DO ÂMBITO DE APLICAÇÃO E ALCANCES

Para realizar pesquisas de Farmacologia Clínica, tanto em suas Fases I, II
e III, assim como os de Fase IV ( estudos controlados, estudos de
farmacoepidemiologia e/ou de farmacovigilância) e de Biodisponibilidade e/ou
Bioequivalência, as pessoas físicas ou jurídicas deverão solicitar autorização da
autoridade sanitária do Estado Parte, dando cumprimento previamente aos
requisitos detalhados a seguir. Não ficam enquadrados dentro da presente
norma os estudos em seres humanos sem fins farmaco-clínicos e/ ou
terapêuticos.


OBRIGAÇÕES E TRANSGRESSÕES DA AUTORIZAÇÃO, ACOMPANHAMENTO E CUMPRIMENTO DO ESTUDO.

A autoridade competente para autorização, acompanhamento e controle

das pesquisas de Farmacologia Clínica será a autoridade sanitária do Estado

Parte que avaliará a informação apresentada, controlará o cumprimento do

estabelecido na presente norma durante o transcurso da pesquisa, e realizará

a análise dos resultados obtidos.

Para tanto, deverá:

1.Avaliar a informação contida nos Capítulos VI, VII, VIII, IX, X, XI, XII e
XIII do presente Anexo, podendo aprová-la, questioná-la ou recusá-la, em
todos os casos, por razões devidamente fundamentadas.

2.Comparecer aos centros onde estejam sendo realizadas pesquisas de
Farmacologia Clínica, com o objetivo de avaliar o cumprimento das Boas
Práticas de Pesquisa Clínica.

3.Examinar o Formulário de Registro Clínico Individual que faça parte do
protocolo autorizado

4.Reunir, examinar e/ ou interrogar ( quando necessário) as pessoas
envolvidas na pesquisa.

5.Recomendar a modificação do projeto de pesquisa, durante o seu curso,
ou a interrupção, por causas devidamente fundamentadas.

6.Aprovar, recusar ou reclamar da seleção dos centros propostos para
realizar a pesquisa, mediante posição devidamente fundamentada.

7.Registrar as pesquisas de Farmacologia Clínica. Neste registro deverá
constar um acompanhamento detalhado e o grau de progresso das mesmas.

8.Analisar e avaliar os relatórios periódicos e final dos pesquisadores,
podendo ser aprovados, questionados ou recusados, mediante a indicação
de modificações e ou solicitação de esclarecimentos.

9.Interromper a continuidade da pesquisa quando surgirem: reações
adversas graves, ineficácia, violações do protocolo, transgressão parcial ou
total do consentimento informado e assinado, falsificação da informação ou
violação da presente norma.


DAS RESPONSABILIDADES DOS PESQUISADORES E DOS PATROCINADORES

A- DOS PESQUISADORES

O pesquisador principal deverá:

1.Responsabilizar-se pela realização da pesquisa clínica em conformidade
com o Protocolo autorizado.

2. Respeitar as Boas Práticas de Pesquisa Clínica.
3.Prestar informações aos pacientes com o objetivo de obter o
consentimento informado, devidamente assinado.

4.Propor e informar aos comitês de ética, de ensino e pesquisa (se houver) e
ao patrocinador (se houver), os quais deverão comunicar à autoridade
sanitária, qualquer modificação no protocolo original, devidamente
fundamentada, devendo a mesma ser previamente autorizada.

5.Arquivar a informação registrada (Formulário de Registro Clínico
Individual) durante a pesquisa e depois de finalizada a mesma, durante um
prazo mínimo de cinco anos, contados a partir da data de apresentação do
relatório final à autoridade sanitária.

6.Assegurar a anotação rigorosa de toda a informação no Formulário de
Registro Clínico Individual.

7.Pôr à disposição da autoridade sanitária, dos comitês de ética, de ensino e
pesquisa (se houver), do patrocinador (se houver) e do monitor externo (em
caso de existir) toda a informação que seja requerida pelos mesmos.

8.Assegurar a confidencialidade da informação nas etapas de preparação,
execução e finalização da pesquisa, assim como da identidade das pessoas
engajadas na mesma.

9.Tomar as medidas adequadas em caso de reações adversas graves ou
inesperadas e dar conhecimento das mesmas ao comitê de ética, ao
patrocinador (se houver) e ao auditor externo (em caso de existir), os quais
darão conhecimento das reações adversas graves à autoridade sanitária,
assim como às autoridades do estabelecimento de saúde onde está sendo
realizada a pesquisa. No caso de reações adversas graves, tratando-se de
estudos multicêntricos realizados nos Estados Parte, a Autoridade Sanitária
do Estado Parte onde se haja detectado a reação adversa comunicará a
mesma às autoridades sanitárias dos outros Estados Parte.

10.Apresentar uma comunicação periódica e uma final (em um prazo não
superior a 120 dias posteriores à finalização da pesquisa) aos comitês de
ética, de ensino e pesquisa (se houver) e ao patrocinador (se houver) os
quais comunicarão à autoridade sanitária.

11.Cuidar do material utilizado na pesquisa (medicamentos, placebos,
instrumentos) sendo responsável pelo uso correto dos mesmos.

B- DOS PATROCINADORES

1.Solicitar a autorização para a realização do estudo clínico ao
estabelecimento de saúde onde se realizará o mesmo.

2.Solicitar autorização à autoridade competente pela aplicação da presente
norma, para a realização do estudo clínico.

3.Propor o pesquisador principal , cuja experiência profissional deve
comprovar mediante a autorização pertinente.

4.Facilitar ao pesquisador principal toda informação química, farmacêutica,
toxicológica e farmacológica (experimental e clínica), que garanta a
segurança do medicamento ou especialidade medicinal, assim como toda a
informação adicional necessária para a correta condução do estudo na fase
da pesquisa que motiva o mesmo.

5.Assegurar a vigilância do estudo mediante a monitorização do mesmo.

6.Assegurar a apresentação dos relatórios periódicos e final previstos na
presente norma.


Da Transgressão da Presente Norma

1. Qualquer transgressão não devidamente esclarecida da presente norma,
uma vez iniciada a pesquisa, dará motivo ao cancelamento da mesma nos
centros infratores.
2. O falseamento da informação requerida pela presente norma, bem como
dos dados relacionados com as pesquisas antes, durante ou depois da sua
apresentação, dará lugar à suspensão da pesquisa, sem prejuízo das ações
penais pertinentes.


REQUERIMENTOS E DOCUMENTOS


DOS REQUISITOS BÁSICOS

Deverá ser apresentada a informação básica detalhada a seguir:

1. Nome(s) genérico(s) (DCI ou similar ) sigla da pesquisa.
2. Classificação ATC (Anatomical, Therapeutic, Chemical) se possuir, ou em
sua ausência, classificação até o 4º nível.
3. Classificação CAS (Chemical Abstract Service)
4. Propriedades físico-químicas
5. Fórmula qualitativa e quantitativa.
6. Forma(s) farmacêutica(s) a estudar.
7. Todo produto de origem biológica deverá possuir uma clara metodologia
de identificação e de qualificação/ quantificação que assegure a uniformidade
do preparado a ser pesquisado.
8. Não se aceitará para pesquisa clínica nenhum medicamento que não
possua uma correta identificação de seu(s) princípio(s) ativo(s) e excipientes (
corantes, edulcorantes, conservadores, etc ) contidos no produto.
9. Em caso de estudos que incluam materiais obtidos de plantas, o
extrato ou outra forma farmacêutica a ser pesquisada deverá ser identificado
e padronizado.


DA DOCUMENTAÇÃO GERAL A SER APRESENTADA

1. Curriculum vitae do pesquisador responsável pela pesquisa.
2. Concordância assinada pelo pesquisador responsável pela pesquisa e
pelos profissionais que participarão da mesma (documentação original ou
fotocópia autenticada) .
3. Declaração pela qual os pesquisadores se comprometem expressamente
a respeitar o sentido textual e o espírito das declarações de Nuremberg,

Helsinki e Tóquio, respeitar os direito dos pacientes e proteger as pessoas em
experimentação clínica ( documento original ou fotocópia autenticada ).

4. Autorização do Comitê de Ensino e Pesquisa (se houver) do centro onde
se realizará a pesquisa( documento original ou fotocópia autenticada).
5. Autorização do Comitê de Ética( documento original ou fotocópia
autenticada).
6. Fotocópia da Declaração de Helsinki.
CAPÍTULO VIII

DOS CENTROS ONDE SE REALIZARÁ A PESQUISA

Deverá constar claramente : -endereço, código postal, telefone, fax e correio
eletrônico ( se houver) de cada um dos centros onde se desenvolverá a
pesquisa.


DOS REQUISITOS ÉTICOS

1. Comitê de Ética:
Os pesquisadores principais deverão assegurar a participação de um
Comitê de Ética independente dos pesquisadores intervenientes na pesquisa
clínica. Os Comitês deverão estar compostos por pessoas provenientes de
diferentes áreas, incluindo profissionais de distintas disciplinas e pessoas ou
entidades de comprovada trajetória em aspectos relacionados à ética e à
defesa dos direitos humanos.

Este comitê poderá, quando considerar necessário, realizar consultas
com especialistas em temas específicos.

2. Consentimento Informado
Será requisito indispensável para a autorização de uma pesquisa clínica
a apresentação de um termo de consentimento livre e esclarecido, que será
assinado pelo paciente / voluntário sadio, na presença de pelo menos uma
testemunha de acordo com a legislação vigente em cada um dos Estados
Parte. O mesmo só será válido quando constar claramente que o paciente foi
informado da confidencialidade da informação, dos objetivos, métodos,
vantagens previstas, opções terapêuticas e possíveis riscos inerentes à
pesquisa, assim como dos incômodos que esta possa acarretar, e que é livre
para retirar seu consentimento de participação, em qualquer momento, sem
explicar as causas, com exceção dos casos em que existirem razões que ponham em perigo a saúde ou a vida do paciente/ voluntário sadio,
devidamente justificadas. Isso não deverá levar a nenhum prejuízo para o
paciente / voluntário sadio. A transgressão deste requisito dará motivo a um
imediato cancelamento da pesquisa clínica nos centros infratores, por parte da
autoridade sanitária competente, sem prejuízo das ações legais que possam
corresponder, de acordo com a legislação vigente em cada Estado Parte.

No caso em que o paciente / voluntário sadio não possa por si próprio
dar o consentimento, deverá ser colhido de seu representante legal, de acordo
com a legislação vigente em cada Estado Parte.

3. Recrutamento de pessoas para participar das pesquisas clínicas.
No caso em que para o recrutamento de pessoas sejam utilizados avisos
através dos meios de comunicação, os mesmos deverão ser autorizados por
um comitê de ética. Não deverá ser indicado, de forma implícita ou explícita,
que o produto a ser investigado é eficaz e/ou seguro ou que é equivalente ou
melhor que outros produtos existentes.

DA INFORMAÇÃO PRE-CLÍNICA.

A informação pré-clínica deverá ser adequada para justificar a natureza,
extensão e duração da pesquisa.

A informação pré-clínica deve ser apresentada, sem exceção, para
realização de pesquisas de farmacologia clínica de Fases I e II, ajustadas às
características do produto a ser investigado. No caso de pesquisas de
farmocologia clínica da Fase III, a informação pré-clínica deverá ser a
apropriada e necessária para planejar e conduzir esta fase da investigação.

Para os estudos de bioequivalência de medicamentos em fase IV, não será
imprescindível a apresentação da informação pré-clínica.

Para a realização de estudos de farmacologia clínica em fase IV ou com
especialidades medicinais que tenham produtos similares autorizados para sua
comercialização em países de alta vigilância sanitária, deverá ser apresentada
uma síntese completa e bibliograficamente fundamentada da informação préclínica necessária.

1-Apresentação da Informação.

1.1. Material e Métodos:
1.1.1. Plano Experimental: detalhado e fundamentado.
1.1.2. Produto empregado com indicação de número de
lote, nº do protocolo de controle de qualidade do mesmo, data do vencimento,
etc.

1.1.3. Animais utilizados e/ou modelos substitutivos com
indicação de número, espécie, cepa, sexo, idade, peso, etc.
1.1.4. Condições experimentais com indicação de doses,
freqüência e vias de administração, tipo de alimentação, etc

1.2. Resultados:
Os resultados obtidos, favoráveis ou não, deverão ser apresentados
em sua totalidade, registrando os gráficos, fotografias, tabelas, dados originais
e, quando for o caso, a correspondente análise estatística, de forma tal que
permitam uma avaliação crítica e independente da interpretação dos autores.

1.3. Discussão dos Resultados e Conclusões.
Os dados obtidos na pesquisa deverão ser analisados de maneira
tal que a conclusão permita caracterizar o medicamento em estudo,
farmacológica e toxicologicamente, evidenciando suas ações farmacológicas,
possíveis efeitos colaterais e sua margem de segurança.

1.4. Bibliografia
1.5. Excipientes:
Para todo excipiente sem antecedentes de utilização em medicina
humana, deverão ser apresentados estudos que avaliem a segurança em seu
emprego.

2. Os estudos deverão incluir:
2.1. Objetivos:
2.1.1. Propriedades farmacológicas e potencial terapêutico do
composto a ser estudado, relacionando-as em forma qualitativa e quantitativa
com a indicação terapêutica que se preconiza.
2.1.2. Margem de segurança e efeitos colaterais previsíveis nas
condições de emprego terapêutico no homem.
3. Farmacologia Pré-clínica
3.1. Farmacodinamia
Os estudos farmacodinâmicos deverão demonstrar o efeito
terapêutico previsto do medicamento e os possíveis mecanismos de ação de
seu(s) princípio(s) ativo(s). Estes estudos deverão ser extensivos aos
principais órgãos e sistemas, para determinar não só o efeito terapêutico
previsto, senão revelar outros possíveis efeitos, quer sejam convenientes do
ponto de vista terapêutico ou nocivos.

Realizar-se-ão pesquisa de:

3.1.1. Farmacodinâmica especial: deverão ser demonstrados os
efeitos famacodinâmicos em relação às indicações propostas: curvas,
dose/efeito, tempo/efeito, etc.
3.1.2. Farmacodinâmica geral: deverão ser realizados estudos
sobre os sistemas: cardiovascular, respiratório, nervoso central, nervoso
vegetativo, neuromuscular, urinário, endócrino, digestivo, etc..
3.1.3. Interações farmacodinâmicas: deverão ser realizados
estudos que permitam inferir as possíveis interações deste tipo.
3.1.4. Mecanismo de ação possível: deverão ser descritos o(os)
mecanismo(s) de ação dos princípios ativos, surgidos da pesquisa.
3.2. Farmacocinética
Os estudos farmacocinéticos servirão para estabelecer a velocidade
e magnitude da absorção, o modelo de distribuição, os tipos de
biotransformação, a velocidade e vias de eliminação e a localização do princípio
ativo nos tecidos.

Deverão ser realizadas pesquisas de:

3.2.1. Farmacocinética com dose única.
3.2.2. Farmacocinética depois de administração repetida.
3.2.3. Distribuição em animais normais e gestantes.
3.2.4. Biotransformação.
3.2.5. Excreção
3.2.6. Interações farmacocinéticas.
4. Toxicologia Pré- Clínica.
4.1. Toxicologia geral
Deverão ser realizados estudos de:

4.1.1. Toxicidade aguda: os estudos deverão ser realizados pelo
menos em três espécies, das quais uma deverá ser de não roedores. Deverão
ser utilizadas pelo menos duas vias de administração, uma das quais deverá
estar relacionada com a que se recomenda para o uso terapêutico proposto, e
a outra deverá assegurar a absorção do fármaco.

Deverão ser registrados:

4.1.1.1. Aparecimento e duração dos efeitos tóxicos, relação
dose -efeito e sua reversibilidade, diferenças relacionadas com a via de
administração para o uso terapêutico proposto e a outra via que garantirá a
absorção do fármaco.
4.1.1.2. Sintomas de toxicidade e causas de morte.
4.1.1.3. Parâmetros bioquímicos e hematológicos.
4.1.1.4. Observações clínicas e anatomopatológicas.
4.1.1.5. Dose tóxica estimada.
4.1.2 Toxidade sub aguda a doses repetidas.
Deverá ser realizada em pelo menos em duas espécies, uma
das quais deverá ser não roedores.
A duração deverá ser de 12 a 24 semanas, de acordo com a
natureza do produto, emprego terapêutico proposto e espécie de animal
utilizada.

A via de administração deverá estar relacionada com o
emprego terapêutico proposto. Deverão ser utilizadas o mínimo de três doses,
sendo que a maior deverá produzir efeitos tóxicos demostráveis e a menor
deverá relacionar-se com a dose terapêutica proposta, tendo em conta a
sensibilidade da espécie utilizada.

Deverão ser registrados:

4.1.2.1.Aparecimento de efeitos tóxicos, ralação dose -efeito
e sua reversibilidade, diferenças relacionadas com o
sexo e a espécie.

4.1.2.2. Morbidade e mortalidade
4.1.2.3. Parâmetros bioquímicos, hematológicos e de nutrição
(evolução do peso, consumo de água, etc)
4.1.2.4. Observações clínicas e anatomopatológicas
4.1.2.5. Dose de efeito não tóxico.
4.1.2.6. Dose tóxica.
4.1.2.7. Órgãos brancos.
4.1.3. Toxidade crônica (doses repetidas).
Deverão ser utilizadas pelo menos duas espécies, uma das quais
será não roedores.
A duração deverá ser de no mínimo 24 semanas, de acordo com a
natureza do produto, emprego terapêutico proposto e espécie animal a ser
utilizada.

A via de administração deverá estar relacionada ao emprego
terapêutico proposto. Deverão ser utilizadas um mínimo de três doses, sendo
que a maior deverá produzir efeitos tóxicos demonstráveis, e a menor deverá
relacionar-se com a dose terapêutica proposta, tendo em conta a sensibilidade
da espécie utilizada.

Deverão ser registrados:
e sua espécie.
4.1.3.1. Aparecimento de efeitos tóxicos, relação dose -efeito
reversibilidade, diferenças relacionadas com sexo
4.1.3.2. Morbidade e mortalidade

4.1.3.3. Parâmetros bioquímicos, hematológicos e de nutrição
(evolução do peso, consumo de água, etc).
4.1.3.4. Observações clínicas e anatomopatológicas.
4.1.3.5. Dose de efeito não-tóxico.
4.1.3.6. Dose tóxica estimada.
4.1.3.7. Órgãos brancos.

Normas gerais que deverão ser observadas a respeito do
tempo de administração nos estudos toxicológicos.

Período de administração no homem
Período proposto em mais de uma
espécie de animais de experimentação
Dose única ou em pequeno número
Duas semanas, no mínimo
Até quatro semanas
Três a vinte e seis semanas
Mais de quatro semanas Vinte e seis semanas, no mínimo,
sem incluir os estudos de
carcinogenicidade.

4.2. Toxidade especial
Deverão ser realizados estudos para demonstrar:

4.2.1. Efeitos sobre a fertilidade.
4.2.2. Estudos de embriotoxicidade (principalmente
teratogenicidade) e toxicidade peri e pós-natal. Deverão ser apresentados
estudos realizados em pelo menos duas espécies, uma das quais deverá ser
não roedores.
Deverão empregar-se um mínimo de três níveis de doses, sendo
que a maior deverá ser subtóxica.

4.2.2. Atividade mutagênica.
Deverá ser demonstrada, mediante provas:
4.2.2.1. “In vivo”
4.2.2.2. “In vitro” com e sem ativação metabólica.
4.2.3. Potencial oncogênico/ carcinogênico.
Deverão ser demonstrados mediante provas:
4.2.3.1. “In vivo”
4.2.3.2. “In vitro”
4.2.4. Outros estudos: quando forem necessários deverão ser
realizados e informados os resultados de:
4.2.4.1. Estudos de irritação local (dérmica, ocular, retal,
vaginal, etc).
4.2.4.2. Estudos de sensiblização.
4.2.4.3. Outros estudos programados de acordo com a
natureza do produto.
Capítulo XI

DA INFORMAÇÃO CLÍNICA.

A documentação a ser apresentada deverá conter os seguintes
elementos:

1.
Informação Geral
Ver capítulo III. Princípios Básicos.
2. Informação Clínica:

2.1. Fase do processo de pesquisa clínica:
Deverá ser especificada e fundamentada a Fase de Investigação Clínica
na qual se realizará a pesquisa ( I, II, III ou IV ).

2.2. Pesquisa da Fase I
Deverá ser apresentada toda a informação pré-clínica necessária.

As mesmas realizar-se-ão em centros devidamente equipados e
autorizados para essa finalidade.

É o primeiro estudo em seres humanos com um novo princípio ativo ou
nova formulação, realizada geralmente em voluntários sadios
(excepcionalmente, para determinadas patologias, em pacientes). Estas
pesquisas têm por objetivo estabelecer uma avaliação preliminar da segurança.
É recomendável que a dose máxima a ser administrada seja 1/10 da dose
considerada segura nos estudos pré-clíncos, realizados na espécie que haja
demonstrado ser mais sensível, ou naquela com mais estreita semelhança
biológica ao homem, do perfil farmacocinético e, quando possível, do perfil
farmacodinâmico. As pessoas engajadas nesta fase não deverão ser expostas
a mais de três doses do fármaco em pesquisa. O aumento da dose deve ser
feito de maneira cautelosa (não superando o dobro da dose anterior). Depois
da administração de cada dose deverão ser realizados os estudos pertinentes
de tolerância. Esta fase se realiza em um número reduzido de pessoas.

Estas pesquisas têm por objetivo estabelecer os parâmetros
farmacocinéticos, a dose única e/ou dose múltipla e, em especial, a
biodisponibilidade absoluta da forma farmacêutica, a fim de estabelecer a dose
e o regime posológico. Ao mesmo tempo se realiza uma avaliação da
segurança do preparado.

2.3. Pesquisa em Fases II, III e IV.
Deverá ser apresentada informação detalhada a respeito das
observações realizadas durante as fases prévias, incluindo informação préclínica.

Fase II

Pesquisa Terapêutica Piloto.

Os objetivos da Pesquisa Terapêutica Piloto são demonstrar a atividade e
estabelecer a segurança, a curto prazo, do princípio ativo em pacientes
afetados por uma determinada enfermidade ou condição patológica. As
pesquisas deverão ser realizadas em um número limitado de pessoas e
freqüentemente são seguidos de um estudo comparativo. Nesta fase também
se determinam os intervalos de doses apropriadas e os regimes de
administração. Deve ser possível também estabelecer as relações dose
resposta, com o objetivo de obter antecedentes sólidos para o desenho de
estudos terapêuticos ampliados (Fase III).

Fase III

Pesquisa Terapêutica Ampliada

São pesquisas realizadas em grandes e variados grupos de pacientes,
com o objetivo de determinar:

3.1. O resultado risco/benefício a curto e longo prazo das formulações
do princípio ativo.
3.2. De maneira global o valor terapêutico relativo.
Examina-se nesta fase o tipo e perfil das reações adversas mais
frequentes, assim como características especiais do medicamento e/ou
especialidade medicinal (por exemplo interações clinicamente relevantes,
principais fatores modificadores do efeito, tais como idade, etc).

O desenho da pesquisa será preferentemente aleatório e duplo cego,
sendo também aceitável outros desenhos, como por exemplo o de segurança a
longo prazo.

Geralmente estas pesquisas se realizam tendo em conta quais serão as
condições normais de utilização do medicamento e/ou especialidade medicinal.

Fase IV

Pequisa Pós-comercialização

São pesquisas realizadas depois de comercializado o medicamento e/ou
especialidade medicinal.

Estas pesquisas são executadas de acordo com as bases firmadas para
autorização do medicamento e/ou especialidade medicinal. Geralmente são
Estudos de Vigilância Pós-comercialização, para estabelecer o valor
terapêutico, o aparecimento de novas reações adversas e/ou confirmação da
frequência de aparecimento das já conhecidas e as estratégias de tratamento.

Nas pesquisas de Fase IV devem ser seguidas as mesmas normas éticas
e científicas aplicadas às pesquisas de fases anteriores.

Depois que um medicamento e/ou especialidade medicinal tenha sido
comercializado, as pesquisas clínicas desenvolvidas com o objetivo de explorar
novas indicações, novos métodos de administração ou novas associações, são

considerados como estudos de novo medicamento e/ou especialidade
medicinal.
Nesta fase se realizarão também os estudos específicos de

Farmacoepedemiologia, Farmacovigilância e Bioequivalência

Estes estudos têm por objetivo estabelecer o valor terapêutico, a eficácia
do produto, o aparecimento de novas reações adversas e/ou confirmação da
frequência de aparecimento das já conhecidas (estratégia de tratamento) e o
possível aparecimento de novas propriedades terapêuticas -inclusão de um
plano de notificação de farmacovigilância sistematizado.

3. Protocolo
Deverá ser elaborado e apresentado para sua autorização um
documento que contenha a seguinte informação:

3.1. Informação Geral
3.1.1. Título do projeto
3.1.2. Nome do pesquisador responsável
3.1.3. Nome dos centros onde se realizará a pesquisa.
3.1.4. Profissão das pessoas que colaborarão com a pesquisa
(médico, bioquímico, farmacêutico, químico, enfermeira, estatístico, ou outros
profissionais de saúde.
3.1.5. Nome do patrocinador (se houver)
3.2. Justificativa e Objetivos
3.2.1. Objetivo da pesquisa
3.2.2. Motivos para sua execução
3.2.3.Antecedentes e informações essenciais, com as referências
bibliográficas respectivas.

3.3. Aspectos Éticos
3.3.1. Considerações éticas gerais sobre a pesquisa, desde o ponto
de vista dos direitos das pessoas sujeitas ao estudo.
3.3.2. Descrição da forma com que as pessoas sadias ou enfermas
submetidas ao estudo serão informadas, bem como o modelo de formulário de
consentimento informado.
3.4. Cronograma de trabalho:
3.4.1. Descrição do cronograma de trabalho com especificação dos
períodos de início, duração e finalização.
3.5. Descrição da Pesquisa
3.5.1. Fase da farmacologia clínica em que se desenvolverá a
pesquisa.
3.5.2. Especificação do tipo de estudo: controlado, piloto, cruzado,
ou outros, de acordo com as caraterísticas do medicamento pesquisado.
3.5.3. Descrição do método de randomização.
3.5.4. Descrição do desenho do estudo cruzado, paralelos, ou
outros.
3.5.5. Especificação dos fatores de redução de vieses, se for o
caso.
3.6. Critérios de Seleção.
3.6.1. Especificação da amostra (voluntários sadios, pacientes),
incluindo faixa de idade, sexo, grupo étnico, fatores prognósticos, etc.
3.6.2. Critérios diagnósticos de admissão, claramente
especificados.
3.6.3. Descrição exaustiva dos critérios de inclusão e exclusão da
pesquisa.
3.6.4. Descrição de critérios de retirada da pesquisa.
3.7. Tratamentos
3.7.1. Descrição dos tratamentos a serem administrados aos
grupos, mencionando de forma clara e os produtos que serão utilizados,
especificando os princípios ativos, formas farmacêuticas, concentrações, tanto
para os grupos em tratamento como controles.
3.7.2. Descrição dos períodos em que se administrará cada um dos
tratamentos, em cada um dos grupos.
3.7.3. Justificativa ética e científica do emprego de placebos, nos
casos em que os mesmos forem utilizados.
3.7.4. Descrição das doses, formas e vias de administração.
3.7.5. Normas de utilização dos tratamentos concomitantes,
quando os mesmos forem utilizados.
3.7.6. Descrição das medidas a serem implementadas para garantir
a utilização segura dos produtos em estudo.
3.7.7. Descrição das medidas para promover e controlar o rigoroso
cumprimento das instruções referidas para o desenvolvimento da pesquisa.
3.8. Avaliação da Eficácia
3.8.1. Especificação dos parâmetros selecionados para avaliação.
3.8.2. Descrição dos métodos de medição e registro dos efeitos
produzidos sobre os parâmetros selecionados para os produtos em estudo.
3.8.3. Descrição das análise e procedimentos especiais que serão
utilizados (farmacocinéticos, clínicos, de laboratório, imagenológicos, etc) em
relação ao seguimento dos parâmetros selecionados e ao possível risco da
pesquisa clínica.
3.9. Eventos e Efeitos Adversos
3.9.1. Metodologia empregada para o registro dos eventos e/ou
efeitos adversos.
3.9.2. Descrição das condutas a seguir, no caso de surgimento de
complicações.
3.9.3. Especificação do local onde estarão guardados os envelopes
lacrados com os códigos da pesquisa e dos procedimentos para efetuar sua
abertura em caso de emergência.
3.9.4. Informação sobre a notificação de eventos e/ou efeitos
adversos graves, incluindo quem informará, a quem será encaminhada, e prazo para
entrega, que será de 48 (quarenta e oito) horas.
3.10. Aplicação Prática
3.10.1. Matriz específica e detalhada para todas as etapas e
procedimentos.
3.10.2. Especificação dos possíveis desvios do protocolo e
instruções sobre os procedimentos a serem seguidos no caso de os mesmos se
apresentarem.

3.10.3. Especificação das obrigações e responsabilidades dentro da
equipe de pesquisadores.
3.10.4. Considerações sobre a confidencialidade da informação.
3.11. Registro da Informação.
3.11.1. Procedimentos para o arquivo geral da informação
registrada e das listas especiais de pacientes. Os registros deverão permitir
uma identificação fácil de cada voluntário (sadio ou enfermo) devendo-se
incluir uma cópia do Formulário de Registro Individual.
3.11.2. Procedimentos para o tratamento e processamento de
registros de eventos e efeitos adversos com o produto em pesquisa.
3.12. Avaliação da informação e metodologia estatística a
empregar.
3.12.1. Descrição da forma em que serão avaliados os resultados
obtidos.
3.12.2. Metodologia informática a ser utilizada.
3.12.3. Descrição dos métodos de tratamento da informação obtida
das pessoas que se retiraram da pesquisa.
3.12.4. Controle de qualidade dos métodos e processos de
avaliação.
3.12.5. Descrição pormenorizada dos métodos estatísticos a serem
utilizados.
3.12.6. Número de pacientes/ voluntários sadios que integraram a
pesquisa.
3.12.7. Fundamentação da escolha do tamanho da amostra,
incluindo cálculos sobre a potência da prova e sua justificativa clínica.
3.12.8. Nível de significação estatística a ser utilizado.
3.12.9. Normas para a finalização da pesquisa.
3.13. Bibliografia.
Anexar as referências bibliográficas utilizadas para preparação do
Protocolo

3.14. Resumo do Protocolo
Incluir um resumo do Protocolo apresentado.

3.15. Formulário de Registro Clínico Individual.
Deverá conter, minimamente, a seguinte informação:
3.15.1. Nome do pesquisador principal e do centro onde se
realizará a pesquisa.
3.15.2. Data, lugar e identificação da pesquisa.
3.15.3. Identificação da pessoa que está sendo pesquisada.
3.15.4. Idade, sexo, altura, peso e raça da pessoa.
3.15.5. Características particulares (hábitos, por exemplo de
fumar, dieta especial, gravidez, tratamentos anteriores, etc)
3.15.6. Diagnóstico (indicação para a qual o produto será
administrado , de acordo com o protocolo):
3.15.7. Observância dos critérios de inclusão e exclusão;
3.15.8. Duração da doença. Tempo transcorrido desde a última
crise ( se corresponder);
3.15.9. Dose, esquema terapêutico e administração do
medicamento. Informação sobre o cumprimento do tratamento;
3.15.10. Duração do tratamento;
3.15.11. Emprego concomitante de outros medicamentos e/ou
intervenções terapêuticas não farmacológicas;
3.15.12. Regimes dietéticos (se houver)
3.15.13. Registro da avaliação de cada parâmetro estudado
(qualitativo e/ou quantitativo)
3.15.14. Os exames de laboratório e/ou controles biológicos
deverão se basear em planilhas que correspondam à seguinte descrição

Modelo de Planilha de Registro de Exames de Laboratório

EXAMES REGISTRADOS
Exame Valor Normal
para o Inicial Subsequentes Terminal
Laboratório laboratório I II III IV V
Registrar aqui os exames realizados
Cada exame de laboratório terá registrado nesta coluna
os valores normais para a técnica empregada

Serão utilizadas tantas planilhas individuais quantas requeira a pesquisa.

3.15.15. Registro de eventos e/ou efeitos adversos (tipo, duração,
intensidade etc) conseqüências e medidas tomadas.

3.15.16. Razões para a interrupção da pesquisa e/ou violações dos
códigos estabelecidos.

3.16. Princípios ativos e/ou placebos.
Os princípios ativos em estudo ou os placebos empregados deverão
estar rotulados com uma legenda que os identifique por seu nome genérico ou
seu número de registro, e que expresse a destinação de pesquisa que terão .

3.17. Combinações (Associações)
Serão admitidas as pesquisas de farmacologia clínica das associações
quando estiverem cientificamente fundamentadas, devendo ajustarem-se às
normas anteriormente expostas.

3.18. Modificações no Protocolo
Toda modificação nos protocolos de pesquisa e seus anexos deverá ser
comunicada previamente às autoridades competentes.


Da Participação de Auditorias Independentes.

No caso de participação de uma Auditoria Independente, contratada pelo
patrocinador, deverá constar tal circunstância com a documentação que a
credencie, assim como o endereço, código postal, telefone, fax e correio
eletrônico da auditoria contratada.

A presença de uma auditoria independente não exime o pesquisador
responsável da responsabilidade que lhe compete, de acordo com o exigido no
Capítulo IV da presente norma.


Das Pesquisas Clínicas com Psicofármacos.

Os protocolos de pesquisas clínicas com psicofármacos exigirão para sua
aprovação uma declaração da Direção Técnica do laboratório patrocinador,
detalhando o lote de produção a ser utilizado e uma lista completa dos médicos
participantes autorizados a receber os psicofármacos motivo do estudo.

Os médicos terão, também, que assinar uma declaração pela qual se
responsabilizam pela correta distribuição do psicofármaco e se comprometem a
não entregar a medicação sujeita a pesquisa clínica exceto aos pacientes
participantes da pesquisa, sob pena das sanções mais severas que prescrevem
a lei.

A Direção Técnica e a Direção Médica ou Departamento Médico ou a
estrutura análoga do laboratório patrocinador, em conjunto com o pesquisador
responsável, informarão à autoridade sanitária competente a cada 3 (três)
meses, por escrito, sobre a evolução da pesquisa clínica. Tal informação terá
caráter de Declaração Juramentada e incluirá o número de pacientes
internados, a quantidade de medicamento ou especialidade medicinal utilizada
e o tempo de tratamento de cada paciente. O não cumprimento desses
requisitos implicará no cancelamento da pesquisa clínica, sem prejuízo de
outras sanções que correspondam, de acordo com a lei vigente.

No caso da pesquisa não ser patrocinada por laboratório, deverão ser
tomados os cuidados expressos anteriormente e no que se refere à
responsabilidade dos profissionais participantes deverá ser feito o registro da
especialidade medicinal pesquisada, bem como dos pacientes que a recebem.


Definição de Termos
(Glossário)


A

Alternativas Farmacêuticas: produtos que, dentro do conceito de
produto similar,
a)contenham o mesmo princípio terapêutico, sendo diferente a “salificação
esterificação complexação” do mesmo, ou
b) apresentam-se em diferentes formas terapêuticas, possuindo a mesma via
de administração, a mesma indicação terapêutica e a mesma posologia.

-Arquivo de Informação de Pessoas Incorporadas à Pesquisa.

Arquivos hospitalares, registro de consulta ou arquivos especiais que
permitem assegurar a autenticidade da informação contida no Formulário de
Registro Clínico Individual do protocolo e que pode ser verificada, e quando
necessário, ser corrigida e completada. Devem respeitar-se as
regulamentações do uso e consulta de tais documentos.

-Associação ou Combinação de Princípios Ativos
Especialidade medicinal que contém dois ou mais princípios ativos em
quantidades fixas por unidade de forma farmacêutica.

-ATC

Ver classificação ATC.

- Auditoria de uma Pesquisa Clínica
É um exame sistemático feito independentemente das pessoas
envolvidas na pesquisa, para determinar se a realização da mesma cumpre o
protocolo autorizado e se a informação é consistente com a registrada. Por
exemplo se os dados coletados ou informados no Formulário de Registro
Clínico individual estão de acordo (são coincidentes) com aqueles encontrados
nos arquivos do centro onde se realiza a pesquisa, assim como em outros
registros originais.

-Autoridade de Aplicação
Entende-se por tal, a Autoridade Sanitária encarregada de cuidar do
cumprimento de uma determinada norma.

B
-Biodisponibilidade

Refere-se à capacidade de uma determinada forma farmacêutica de
liberar princípio ativo em um local e a uma velocidade adequados para obter
uma concentração suficiente na biofase no momento oportuno.

O termo Disponibilidade dá a entender a capacidade de um princípio
ativo de encontrar-se na biofase em concentrações adequadas para exercer
sua ação.

Tendo em conta que não se pode determinar in vivo, em humanos, a
concentração na biofase (salvo exceções) e, assumindo um equilíbrio entre as
concentrações em soro e em biofase, admite-se como Biodisponibilidade a
fração da dose de uma droga -administrada extravascularmente-em uma
forma farmacêutica dada, que alcança a circulação sistêmica, e a velocidade
com que o faz.

-Bioequivalência
Existindo equivalência química, dois medicamentos ou especialidades
medicinais são bioequivalentes (biologicamente equivalentes), se
administrados à mesma pessoa em igual regime de dose, têm
biodisponibilidade similar.

-Biotransformação
É a modificação química que sofre um princípio ativo, ou qualquer outra
substância exógena, durante sua passagem pelo organismo. A
biotransformação na espécie humana ocorre preferentemente no fígado, e em
menor grau na membrana gastrointestinal, no rim, pulmão e outros órgãos. É
recomendável não empregar este termo como sinônimo de metabolismo ou
desintoxicação.

-Boas Práticas de Pesquisa Clínica
É um modelo para estudos clínicos que compreende o desenho,

condução, monitoração, terminação, auditagem, análise, comunicação e
documentação das pesquisas clínicas, que assegura que a pesquisa seja
científica e eticamente correta e que as propriedades clínicas do medicamento
e/ou especialidade medicinal para diagnóstico, profilaxia ou terapêutica
estejam apropriadamente documentadas.

C

-CAS

Ver Chemical Abstract Service

-Certificação de Auditoria
Certificado que confirma a realização de uma auditoria adequada.

-Chemical Abstract Service - CAS

Sistema de classificação codificada de substâncias químicas. Aporta
informação básica sobre características físico - químicas dos princípios ativos.

-Classificação ATC

Anatomical Therapeutic and Chemical Classiffication

Sistema de classificação de medicamentos criado pelo Conselho Nórdico
de Medicamentos, recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e
empregado pelo Centro Colaborativo para o Monitoramento Internacional de
Medicamentos.

Este sistema de classificacão é continuamente revisado pelo Conselho
Nórdico de Medicamentos sob a coordenação do Centro Colaborativo para
Metodologia sobre Estatística de Medicamentos da Organização Mundial da
Saúde, com sede em Oslo.

A classificação ATC é do tipo “Alfa-numérica” que responde ao seguinte
ordenamento:

Primeiro Nível (Alfa): Indica Grupo Anatômico, ou seja, órgão, aparelho
ou sistema sobre o qual atua principalmente o medicamento.

Segundo Nível (Numérico): Indica o Grupo Terapêutico principal.
Terceiro Nível (Alfa): Indica o Subgrupo Terapêutico.

Quarto Nível(Alfa): Indica o Subgrupo Químico Terapêutico.
Quinto Nível (Numérico): Indica o Princípio Ativo.

-Comitê de Docência e Pesquisa

Grupo de profissionais da saúde, constituído com o objetivo de estabelecer que
as pesquisas clínicas realizadas em determinado estabelecimento de saúde
cumpram com as normas do método científico.

Por extensão, uma pesquisa clínica cientificamente inaceitável não é
eticamente aceitável.

-Comitê de Ética

Grupo independente (da pesquisa) de pessoas (institucional, regional ou
nacional) constituído por profissionais médicos e não médicos e por não
profissionais, que têm a responsabilidade de assegurar a proteção da
integridade e direitos humanos das pessoas participantes da pesquisa.
Considera, portanto, a ética geral do estudo, reafirmando deste modo
publicamente a segurança da pesquisa. Os Comitês de Ética se constituirão e
exercerão suas tarefas, livres de influência daquelas pessoas que conduzem ou
intervêem na pesquisa clínica (pesquisadores, patrocinador, etc).

-Comunicação Final

Relatório Final

Descrição completa e pormenorizada da pesquisa depois de finalizada,
que compreende: a descrição de materiais e métodos experimentais (incluindo
a dos materiais e métodos utilizados e a metodologia estatística), avaliação dos
resultados com sua análise estatística e uma apreciação crítica (discussão)
ética, estatística e clínica da pesquisa.

-Comunicação Periódica

Relatório Periódico

Informe encaminhado trimestralmente à autoridade de aplicação pelo
pesquisador responsável, no qual constam os resultados parciais e o grau de
progresso de pesquisa.

-Condições Experimentais

Condições rigorosamente estabelecidas de tempo, espaço,
acondicionamento, manutenção, medição, avaliação, etc que devem ser
fixadas antes da realização de uma pesquisa e que devem ser mantidas
durante a realização da mesma.

-Confidencialidade

Manutenção da privacidade das pessoas envolvidas na pesquisa clínica
incluindo sua identidade e toda a informação médica pessoal.

-Consentimento assinado pelos pesquisadores

Documento assinado e datado, por meio do qual os pesquisadores se
comprometem a realizar a pesquisa respeitando o sentido literal e o espírito da
declaração de Helsinki e suas revisões periódicas, com o objetivo de
salvaguardar a integridade e dignidade humanas.

-Consentimento informado

O consentimento informado é a documentação que confirma a
participação voluntária das pessoas em uma pesquisa clínica particular. Só
poderá ser obtido depois que as mesmas hajam sido devidamente informadas
a respeito da pesquisa em que vão participar, incluindo explicação do estado
da pesquisa, seus objetivos, potenciais benefícios, riscos e inconvenientes,
tratamentos alternativos de que se dispõe, da confidencialidade da informação
e dos direitos das pessoas e suas responsabilidades, de acordo com as
atualizações da Declaração de Helsinki.

-Contrato

Documento datado e assinado pelo pesquisador ou instituição e pelo
patrocinador, que expressa os acordos e delegação e ou atribuição de
responsabilidades. O protocolo pode servir como contrato quando contém tal
informação e está assinado.

-Controle de Qualidade

Técnica de funcionamento e atividades existentes dentro do sistema de
garantia de qualidade para verificar que os requisitos de qualidade da pesquisa
sejam cumpridos. As atividades de controle de qualidade abrangem todos
os membros do grupo de pesquisa incluindo o patrocinador e a organização de
serviços de pesquisa, envolvidos no planejamento, condução, monitorização,
avaliação e relatórios de uma pesquisa clínica, incluindo o processamento da
informação, com o objetivo de evitar que as pessoas envolvidas em uma
pesquisa sejam expostas a riscos desnecessários ou que se chegue a
conclusões equivocadas, baseadas em informações pouco confiáveis.

-Critérios de Inclusão
Critérios de Admissão
Conjunto de variáveis selecionadas
situação de base.
para descrever uma determinada
-Critérios de Exclusão
Condições cuja presença
pesquisa.
determina que a pessoa seja excluída da
-Cronograma
Descrição escrita da distribuição das atividades no tempo.

-Curriculum Vitae

Documento em que se registram os dados pessoais e antecedentes
profissionais, docentes e de pesquisa de uma pessoa.

-Curva Dose - Resposta

Representação gráfica da expressão matemática da relação entre a dose
de um princípio farmacologicamente ativo e o seu efeito. Da análise dessa
curva surgem indicadores farmacodinâmicos tais como Dose Efetiva 50 (DE
50), Potência Relativa, Efeito Máximo, etc.

-Curva Efeito - Tempo

Representação gráfica da expressão matemática da relação entre tempo
transcorrido desde a administração de uma determinada dose de um princípio
ativo e a evolução temporal de efeito do mesmo.

D


-Dados Originais

São todos os registros ou cópias autenticadas das observações originais,
achados clínicos ou outras atividades de uma pesquisa clínica, necessários para
a reconstrução e avaliação do estudo. Tal informação inclui: pesquisas de
laboratório, atas, cálculos e documentos, registro de dados em instrumentos
automáticos ou exatos, , cópias confirmadas, microfichas etc. Inclui, também,
negativos fotográficos, vídeo-gravações, microfilmagens ou meios magnéticos.

-
CDI

Ver Denominação Comum Internacional

-Declaração de Helsinki

Princípios éticos recomendados para orientar a experimentação de
medicamentos em seres humanos. Estes princípios foram propostos pela
Associação Médica Mundial em 1964 e foram revisados posteriormente em
1975. Substitui o Código ou Decálogo de Nüremberg formulado em 1947,
como documento básico de aprovação internacional. Os princípios enunciados
reconhecem os direitos das pessoas em experimentação e a primazia de sua
saúde e segurança sobre qualquer interesse científico e social. Esta Declaração
foi atualizada pelas Assembléias Médicas Mundiais 29ª (Tóquio, Outubro de
1975), 35ª (Veneza, Outubro de 1983) e 41ª (Hong Kong setembro de
1989).

-Denominação Comum Internacional para Substâncias
Farmacêuticas - DCI

Nome comum para os princípios ativos, recomendado pela Organização
Mundial da Saúde, com o objetivo de se conseguir uma identificação
internacional. As denominações empregadas apresentam-se em latim,
espanhol, francês, inglês e russo.

-Discussão dos Resultados

Processo intelectual (que deve ser claramente escrito) mediante o qual
se interpreta a informação coletada durante pesquisa (resultados). Para tanto,
deve-se ter em conta o seguinte:

a)Significação e limitação dos resultados obtidos;
b)Comentário e explicação da coerência e das contradições entre si, dos
dados obtidos;
c)Comentário e explicação da consistência e inconsistência dos dados
obtidos com os de outros pesquisadores;
d)Possíveis implicações e outras deduções derivadas de pontos
anteriores;
e)Novas perguntas ou problemas formulados a partir desta discussão e
possíveis linhas futuras de pesquisa.

-Desenho Experimental

É a forma em que se fixa, sobre bases estatísticas, as relações entre
indivíduos, os estímulos, as respostas e qualquer outra variável que se tenha
em conta para se proceder à verificação experimental da hipótese.

-Documentação

São todos os registros de qualquer tipo (incluindo documentos, registros
magnéticos óticos, etc) que descrevem os métodos e condução da pesquisa,
fatores que os afetam e ações tomadas.

Incluem: o protocolo, cópias dos requisitos apresentados à autoridade de
aplicação, autorizações (da autoridade competente, do comitê de ética, do
comitê de docência e pesquisa, etc), curriculum vitae dos pesquisadores,
formulários de consentimentos, informes de monitoramento, certificados de
auditorias, correspondência, parâmetros de referência, dados originais,
formulário de registro clínico individual, comunicações periódicas e
comunicação final.

-Dosificação

Posologia

Descreve a dose de um medicamento, os intervalos entre as
administrações e a duração do tratamento. Não se deve confundir com o termo
Dose.

-Dose

Quantidade de princípio ativo que se administra de uma só vez.

-Dose Tóxica

Quantidade de princípio ativo que produz um efeito tóxico (funcional ou
estrutural) tanto em animais, como em seres humanos.

E

-Equação Benefício - Riscos

É a proporção entre os benefícios e os riscos que apresenta o emprego
de um medicamento e?ou especialidade medicinal. É útil para expressar uma
apreciação sobre a utilidade de um medicamento e?ou especialidade medicinal
na prática médica, baseada em dados de eficácia e segurança, assim como em
considerações de seu possível emprego abusivo, a gravidade e prognóstico da
enfermidade ou condição patológica, etc.

O conceito pode aplicar-se a um só medicamento e?ou especialidade
medicinal ou para comparar a dois ou mais medicamentos e?ou especialidades
medicinais.

-Equação Benefício/ Risco/ Custo

Esta relação deve ter-se em conta quando um medicamento ou
especialidade medicinal é administrado a um indivíduo em seu benefício direto
e/ou da comunidade à qual pertence. Custo compreende um conceito
econômico e social bem definido em Farmacoeconomia.

-Efetividade

É a capacidade de um medicamento e?ou especialidade medicinal para
evitar e?ou retardar a evolução ou complicação de uma enfermidade ou estado
patológico assim como melhorar a sobrevivência e a qualidade de vida. Resulta
da utilização terapêutica adequada através do tempo.

-Efeito Nocebo

Efeitos indesejáveis determinados pela utilização de placebo.

-Efeito Placebo

Efeito clínico benéfico ou adverso (efeito nocebo) que se produz como
resultado de uma intervenção médica incluindo a administração de um placebo.
Em algumas circunstâncias pode representar de 30% a 60% do efeito
usualmente obtido depois da administração de um medicamento ou
especialidade medicinal que possua atividade farmacológica ou depois de
qualquer outra intervenção apropriada.

-Eficácia

É a capacidade de um medicamento e?ou especialidade medicinal para
corrigir um alteração fisiopatológica ou diminuir ? eliminar um determinado
sinal ? sintomatologia. A eficácia surge dos resultados da pesquisa
clínica controlada.

-Ensaio Clínico

ver Pesquisa Clínica

-Equivalentes Farmacêuticos

Medicamentos que contêm quantidade idêntica de iguais princípios
ativos, por exemplo o mesmo sal ou ester em idênticas formas farmacêuticas,
mas que não necessariamente contêm os mesmos excipientes. Como
consequência dois equivalentes farmacêuticos podem mostrar diferentes
biodisponibilidades e atividades farmacológicas.

-Especialidade Medicinal ou Farmacêutica

Todo medicamento designado por um nome convencional, seja ou não
uma marca de fábrica ou comercial, ou por nome genérico que corresponda à
sua composição e conteúdo, preparado e embalado uniformemente para sua
distribuição e consumo, de composição quantitativa definida, declarada e
verificável, de forma farmacêutica estável e de ação terapêutica comprovável.

-Especificidade

É a capacidade de um teste de produzir resultados negativos em pessoas
que não sofrem da enfermidade (verdadeiros negativos).

Estabelecimento de Saúde Autorizado

Entidade sanitária pública ou privada que reúne as condições humanas e
materiais que garantam o rigor e a qualidade científica exigida.

- Estudo clínico
Ver Pesquisa clínica

Etiqueta para Produtos em Pesquisa

Etiqueta desenvolvida especificamente para produtos envolvidos em
pesquisa clínica.

Todo medicamento e/ou especialidade medicinal submetida a pesquisa
clínica, assim como o material empregado como controle deverá estar
corretamente etiquetado, ressaltando que se trata de “Material para Pesquisa
Clínica”.

-Evento Adverso

Qualquer manifestação clínica ou biológica não desejada que se
apresenta durante o tratamento com um medicamento ou especialidade
medicinal, o qual não tem necessariamente uma relação de causalidade com o
tratamento realizado ou com a pesquisa clínica em execução.

-Evento Adverso Inesperado

Experiência indesejada não referida (quanto `a natureza, gravidade ou
freqüência) na informação para o pesquisador, no desenvolvimento da
pesquisa ou na bibliografia.

-Evento Adverso Sério

É um acontecimento associado com morte, hospitalização do paciente,
prolongamento da hospitalização, deficiência significativa ou persistente,
incapacidade, ou que haja ameaça de morte em relação a uma pesquisa
clínica.

-Excreção

Saída ou eliminação do organismo de um princípio ativo intacto ou de
seus metabólicos.


F

-Falsificação de Dados

Ato pelo qual se modificam arbitrariamente os dados originais ou se
realizam análise de dados teóricos (não surgidos de uma realidade
experimental).

-Falso Negativo

Resultado negativo de uma prova diagnóstica quando a pessoa tem a
doença.

-Falso Positivo

Resultado positivo de uma prova diagnóstica quando a pessoa não tem a
doença.
-Farmacocinética

Em geral, são todas as modificações que um sistema biológico produz em
um princípio ativo

Operacionalmente, é o estudo da cinética (relação quantitativa entre a
variável independente tempo e a variável dependente concentração) dos
processos de absorção, distribuição, biotransformação e excreção dos
medicamentos (princípios ativos) e/ou seus metabólitos.

-Farmacocinética Clínica

Aplicação dos princípios farmacocinéticos para a utilização eficaz e segura
dos medicamentos em seres humanos (sadios ou doentes). É de
transcendental importância em relação à seleção e desenho dos regimes de
dosificação.

-Farmacocinética Linear

Farmacocinética de primeira ordem; Farmacocinética de ordem 1;

Farmacocinética proporcional ou Farmacocinética dose independente.

Modelo farmacocinético aplicável quando a velocidade de passagem de
um compartimento a outro é proporcional à concentração no primeiro
compartimento (isto é, existe proporcionalidade direta entre a concentração do
princípio ativo e a dose biodisponívei ).

-Farmacocinética Não Linear

Farmacocinética de ordem 0; Farmacocinética não proporcional ou

Farmacocinética dose dependente.

Modelo farmacocinético em que a velocidade de passagem de um
compartimento a outro não é proporcional à concentração no primeiro
compartimento.

-Farmacodinamia

Como conceito geral são todas as modificações que um princípio ativo
produz em um sistema biológico.
Do ponto de vista prático, é o estudo dos efeitos bioquímicos e
fisiológicos dos medicamentos e seus mecanismos de ação.
Antigamente era sinônimo de Farmacologia Experimental ou Pré-Clínica

-Farmacoepidemilogia

1)Na concepção clássica, estudo tradicional, porém não
necessariamente observacional, diferentemente das pesquisas
experimentais ou estudos clínicos controlados, dos efeitos
terapêuticos ou adversos dos medicamentos em uma população
de pacientes ou em determinados subgrupos da população. Estas
pesquisas se iniciam depois que exista evidência incontestável da
eficácia do medicamento, ou seja na Fase IV da pesquisa clínica,
sendo necessárias, também, para determinar a efetividade do
medicamento.

2)Também compreende a aplicação dos métodos epidemiológicos
para determinar a efetividade e segurança dos medicamentos.

3)É atualmente considerada como a pesquisa do impacto produzido
pelo medicamento em uma população determinada, em um
momento determinado e em espaço também determinado.

-Farmacovigilância

É o conjunto de métodos, observações e disciplinas que permitem,
durante a etapa de comercialização ou uso ampliado de um medicamento,
detectar reações adversas e efeitos terapêuticos não previstos nas etapas
anteriores de pesquisa. O objetivo da farmacovigilância é a avaliação
permanente dos medicamentos vendidos com ou sem receita médica, através
da identificação e quantificação de risco, empregando técnicas de análise
populacional com base farmacoepidemiológica.

-Fases da Farmacologia Clínica
Ver Pesquisa Clínica

-Arquivo Principal da Pesquisa Clínica

Arquivo que contém informação clínica e demográfica das pessoas
incluídas na pesquisa. Este arquivo é necessário para verificar a autenticidade
da informação contida no formulário de registro clínico individual e, quando
necessário, ter a possibilidade de corrigir ou completar a informação, desde
que se respeitem as condições que regulamentam a consulta e utilização deste
tipo de documentos (ver confidencialidade).

-Fins Farmacoclínicos ou Farmacoterapêuticos

Aplica-se à pesquisa clínica que tem por objetivo estabelecer a
eficácia/efetividade e/ou segurança de um medicamento, assim como também
é aplicável a estudos de farmacoepidemiologia.

-Formulário de Registro Clínico Individual

Case Report Form; CRF
É um documento planejado para recolher informação de cada voluntário,
sadio ou doente, durante o desenvolvimento da pesquisa, e que se encontra
definido no protocolo autorizado. A informação será coletada por
procedimentos que garantam a preservação, retenção e recuperação e será
facilmente acessível para verificação, auditoria e inspeção.

-Garantia de Qualidade

Sistemas e processos estabelecidos para garantir que a pesquisa clínica
seja realizada e que a informação obtida esteja de acordo com as Boas Práticas
de Pesquisa Clínica, incluindo procedimentos éticos, relatórios, antecedentes
pessoais, acadêmicos e de pesquisa. É validada através de um processo
interno de controle de qualidade e de auditoria durante e depois da pesquisa, e
aplicada aos procedimentos do ensaio clínico, assim como a todos os dados
coletados.

O pessoal que realiza a auditoria, para garantir a qualidade, deve ser
independente do grupo pesquisador.

I


-Identificação de Princípios Ativos

Trata-se de um ou mais métodos que permitem a identificação química
de um princípio ativo de emprego potencial ou real em pesquisa farmacológica.

-Indicação

É a aplicação terapêutica de ação farmacológica melhor conhecida.
Entende-se ação farmacológica melhor conhecida aquela que provém dos
resultados obtidos em pesquisas clínicas controladas e/ou bibliografia
internacional suficientemente validada (por exemplo, publicações que possuem
árbitros independentes).

-Índice Terapêutico

Índice ou número que reflete a segurança relativa de um medicamento.

Geralmente calcula-se a partir da Curva Dose/Resposta obtida em
animais de experimentação e se refere a relação DL 50/DE 50, ou seja, a razão
entre a dose requerida para produzir efeito letal em 50% da população e a
dose que produz o efeito farmacológico desejado em 50%da população
estudada.

-Informação para o Pesquisador

Conjunto de dados para o pesquisador que consiste de toda informação
relevante dos produtos em pesquisa, conhecidos antes do começo de uma
pesquisa clínica, incluindo dados químicos ou farmacêuticos, toxicológicos,
farmacocinéticos e farmacodinânicos em animais de experimentação e no
homem, e os resultados das pesquisas clínicas iniciais. Esta pode ser
informação adequada para justificar a natureza, escala e duração da pesquisa
proposta e avaliar a potencial segurança e necessidade de precauções
especiais. Se surgirem novos dados, a informação original deve ser atualizada.

-Inspeção

Exame oficialmente conduzido, realizado por autoridades competentes,
no local da pesquisa e/ou em domicílio do patrocinador, para assegurar o
cumprimento das Boas Práticas de Pesquisa Clínica (por exemplo, revisão da
condução da pesquisa, incluindo qualidade, pessoal envolvido, delegação de
autoridade e auditoria).

-Instruções para o Pessoal Auxiliar

Conjunto de normas escritas em que se descrevem as funções de cada
participante da pesquisa.

-Interação Farmacológica

Influência que tem um medicamento, alimento ou outra substância sobre

o comportamento ou a eficácia de outro medicamento, quando ambos são
administrados simultaneamente.
As interações podem ser Farmacodinâmicas ( Sinergismo, Potenciação,

Antagonismo) ou Farmacocinéticas (na
biotransformação e/ou excreção).
absorção, distribuição,
-Intervalo de Variação da Dose
Quantidade de medicamento (por exemplo em mg) que se encontra

entre a dose mínima efetiva e a dose máxima efetiva e não tóxica.

J


-Janela Terapêutica

Quociente entre a concentração máxima efetiva (não tóxica) e a
concentração mínima efetiva. Estima-se que se deve realizar o seguimento de
dosificação dos pacientes que recebem princípios ativos, com uma janela
terapêutica igual ou menor que dois (2).

M


-Manual de Procedimento

Ver: Sistemas Operacionais Normatizados

-Margem de Segurança

Indicador farmacodinâmico que expressa a diferença entre a dose tóxica
(por exemplo DL 50) e a dose efetiva (por exemplo DE 50).

-Margem Terapêutica

É a relação entre a dose máxima tolerada, ou também tóxica, e a dose
terapêutica (Dose tóxica/dose terapêutica). Em farmacologia clínica se
emprega como equivalente de Índice Terapêutico.


-Medicamento

Toda preparação ou produto farmacêutico empregado para a prevenção,
diagnóstico e/ou tratamento de uma enfermidade ou estado patológico, ou
para modificar sistemas fisiológicos em benefício da pessoa a quem se
administra.

-Meta
É o objetivo quantificado
-Monitor
Pessoa designada pelo patrocinador ou pela organização de serviços de

pesquisa, responsável ante os mesmos por monotorizar e comunicar o
cumprimento do protocolo autorizado e o progresso da pesquisa clínica, assim
como para verificar a informação.

-Morbidade

Indicador epidemiológico (também empregado em farmacologia
experimental) que avalia enfermidade. Epidemiologicamente se analisa
mediante o emprego de indicadores tais como razões, proporções, taxas, risco

relativo, odds ratio, excesso de risco, etc

-Mortalidade

Indicador epidemiológico (também empregado em farmacologia
experimental) que avalia a morte. Epidemiologicamente se avalia mediante
taxas (reais ou ajustadas).

N


-Nome Genérico
Nome adotado para distinguir um princípio ativo que pode estar
amparado por uma marca de fábrica ou nome comercial.

Em geral, embora nem sempre, o nome genérico corresponde à
Denominação Comum Internacional (DCI).

0


-Objetivo

Expressão clara, concisa, precisa e quantificável do que se deseja obter.

-Organização de Contratos de Pesquisa

Organização científica (comercial, acadêmica ou outra) à qual o
patrocinador pode transferir alguma de suas tarefas e obrigações. Toda
transferência de tarefas e obrigações deve estar expressa por escrito.


-Órgão Branco

Órgão diana; Órgão Objetivo

Termo que descreve o órgão sobre o qual atua um princípio ativo.

P


-Patrocinador

Pessoa individual, grupo de pessoas, empresa, instituição ou organização
que assume a responsabilidade da iniciação, desenvolvimento e/ou
financiamento de uma pesquisa clínica.

Quando um pesquisador independente assume toda a responsabilidade
por uma pesquisa clínica, então ele assume, também, o papel de patrocinador.

São as seguintes as obrigações do patrocinador:

1. Solicitar a autorização para a realização da pesquisa clínica ao
estabelecimento de saúde onde será realizada a mesma.
2. Solicitar autorização à autoridade de aplicação da presente norma para a
realização da pesquisa clínica.
3. Propor o pesquisador principal cuja experiência profissional deve
comprovar mediante a demonstração pertinente.
4. Facilitar ao pesquisador principal toda a informação química, farmacêutica,
toxicológica e farmacológica (experimental e clínica) que garanta a
segurança do medicamento ou especialidade medicinal, assim como toda a
informação adicional necessária para a correta condução da pesquisa, na
fase que motiva o mesmo.
5. Assegurar a vigilância da pesquisa, mediante a monitoramento da mesma.
5. Assegurar o cumprimento da apresentação dos relatórios periódicos e do
relatório final, previstos na presente norma.
-Pesquisa Clínica

É um estudo sistemático, seguindo todas as normas do método científico
em seres humanos voluntários, sadios ou enfermos, realizado com
medicamentos e ou especialidades medicinais, com o objetivo de descobrir ou
verificar os efeitos e?ou identificar reações adversas do produto pesquisado,
e?ou estudar a absorção, distribuição, metabolismo (biotransformação) e
excreção dos princípios ativos, com o objetivo de estabelecer sua eficácia e
segurança.

As pesquisas clínicas são classificadas em Fases I, II, III e IV como:

1. Fase I
É o primeiro estudo em seres humanos de um novo princípio ativo ou
nova formulação, realizado geralmente em pessoas voluntárias. Estas
pesquisas se propõem estabelecer uma avaliação preliminar da segurança e do
perfil farmacocinético e quando possível, um perfil farmacodinâmico. Salvo
exceções devidamente fundamentadas, realizam-se em pequenos grupos de
pessoas voluntárias sadias.


2. Fase II
Estudo Terapêutico Piloto

Os objetivos do Estudo Terapêutico Piloto são demonstrar a atividade e
estabelecer a segurança a curto prazo do princípio ativo em pacientes afetados
por uma determinada enfermidade ou condição patológica. As pesquisas
realizam-se em um número limitado (pequeno) de pessoas e frequentemente
são seguidas de um estudo comparativo. Nesta fase também se determinam as
dosagens apropriadas e os regimes de administração. Sendo possível, também
se estabelecem as relações dose-resposta, com o objetivo de obter sólidos
antecedentes para o desenho de estudos terapêuticos ampliados (Fase III).

3. Fase III
Estudo Terapêutico Ampliado

São estudos realizados em grandes e variados grupos de pacientes, com
o objetivo de determinar:

3.1. A razão Risco/Benefício a curto e longo prazo das formulações do
princípio ativo.
3.2. De maneira global (geral) o valor terapêutico relativo.
Exploram-se nesta fase o tipo e perfil das reações adversas mais
freqüentes, assim como características especiais do medicamento e/ou
especialidade medicinal( por exemplo: interações clinicamente relevantes,
principais fatores modificatórios do efeito tais como idade etc.)

O desenho da pesquisa será preferentemente aleatório e “duplo-cego”
mas também são aceitáveis outros desenhos, como por exemplo, os de
segurança a longo prazo.

Geralmente estas pesquisas realizam-se tendo em conta as condições
normais de utilização do medicamento e/ou especialidade medicinal.

4. Fase IV
Pós-comercialização

São pesquisas realizadas depois de comercializado o produto e/ou
especialidade medicinal.

Estas pesquisas são executadas com a base nas características com que
foi autorizado o medicamento e/ou especialidade medicinal. Geralmente são
estudos de vigilância pós-comercialização, para estabelecer o valor
terapêutico, o surgimento de novas reações adversas e/ou confirmação da
freqüência de surgimento das já conhecidas, e as estratégias de tratamento.

Nas pesquisas de Fase IV devem-se seguir as mesmas normas éticas e
científicas aplicadas às pesquisas de fases anteriores.

Depois que um medicamento e/ou especialidade medicinal tenha sido
comercializado as pesquisas clínicas desenvolvidas para explorar novas
indicações, novos métodos de administração, ou novas combinações
(associações) etc são consideradas como pesquisa de novo medicamento e/ou
especialidade medicinal.

Nesta fase se realizam os estudos específicos de Farmacoepidemiologia,
Farmacovigilância e Bioequivalência.


-Pesquisa Clínica Controlada

Pesquisa clínica no curso da qual se compara o resultado terapêutico de
um tratamento em relação a um tratamento de referência ou a um placebo.
Uma pesquisa deste tipo abrange o emprego de um grupo controle.

-Pesquisa Clínica Cruzada

Projeto experimental empregado na avaliação de dois ou mais
tratamentos no qual todas as pessoas recebem, de forma consecutiva, cada
um dos tratamentos.

-Pesquisa Clínica Multicêntrica

Pesquisa clínica conduzida de acordo com um protocolo único em vários
centros de pesquisa e, portanto, realizada por mais de um pesquisador
responsável, porém seguidos os mesmos procedimentos.

-Pesquisa Pós- comercialização

Ver Pesquisa Clínica (Fase IV)

-Pesquisa Pré-Clínica

Farmacologia Pré-Clínica: Fase 0

No desenvolvimento de um medicamento, são todas aquelas pesquisas
que se realizam “in vitro” e/ou em animais de experimentação, projetadas com
a finalidade de obter a informação necessária para decidir se se justificam
pesquisas mais amplas em seres humanos sem expô-los a riscos injustificados.
Muito embora as pesquisas pré-clínicas devam anteceder às pesquisas clínicas,
aquelas que requeiram períodos prolongados para sua execução ou são
pesquisas especiais, continuam durante as primeiras fases da pesquisa clínica.

- Pesquisa Terapêutica Ampliada
ver Pesquisa Clínica (Fase III)

- Pesquisa Terapêutica Piloto
ver Pesquisa Clínica II)

-Pesquisador

Pessoa responsável pela pesquisa clínica, bem como pelos direitos, saúde
e bem estar das pessoas envolvidas na pesquisa clínica. O pesquisador
principal pode ter qualificação e competência de acordo com as leis locais e
regulamentos, evidenciada pela informação contida no Curriculum vitae
atualizado e outras acreditações.

Os cuidados médicos e dentais e as decisões sempre devem ser
responsabilidade de uma pessoa clinicamente competente e legalmente
habilitada para o exercício da medicina e/ou da odontologia.

-Pesquisador Independente

Pesquisador que não possui patrocinador e que assume toda a
responsabilidade da pesquisa clínica.

-Pesquisador Principal


Pesquisador que atua como coordenador para certo tipo de pesquisa
clínica, por exemplo pesquisas multicêntricas.

-Pessoa em Pesquisa Clínica

É a pessoa, que participa voluntariamente de uma pesquisa clínica e
pode ser:

1. Uma pessoa sadia, envolvida na pesquisa.
2. Uma pessoa com uma condição não relacionada com o emprego do
produto pesquisado.
3. Uma pessoa (usualmente um paciente) cuja condição seja relevante para
o emprego do produto pesquisado.
Estas pessoas participam da pesquisa clínica seja como receptor do
produto em pesquisa ou como controle.

-Placebo

É uma substância inerte, como por exemplo a lactosa, que se emprega
como substituto de um suposto medicamento. Embora o placebo não possua
atividade farmacológica, pode, contudo, produzir uma resposta biológica, em
razão dos efeitos de sugestão associados a sua administração.

A utilização do placebo nas pesquisas clínicas deve estar ética e
cientificamente fundamentada.

-Plano Experimental

Documento escrito no qual deve constar:
a) A equipe de pesquidadores que realizará a pesquisa.
b) O problema pesquisado e seus antecedentes de forma resumida.
c) A pergunta que se deve responder e a resposta provável em termos de
hipótese.
d) A descrição da população, a amostra, os estímulos e as respostas que
constituirão o experimento.
e) A forma em que se ordenarão e agruparão no tempo e espaço os
elementos descritos em d), e que se denomina desenho experimental.
f) As tabelas que descrevem o desenvolvimento do experimento no tempo
e a oportunidade em que se aplicarão os estímulos e se medirão as respostas.
g) A forma e a intensidade dos estímulos aplicados.
h) A forma em que se medirão as respostas e as planilhas ou formulários
em que estas serão registradas e ordenadas para tipificá-las e analisá-las.
i) A forma em que são assegurados os requisitos éticos e legais.

-População de Risco

Conjunto de pessoas com uma determinada característica (biológica,
psíquica ou social) que se estima que possui maior probabilidade de sofrer
uma condição não desejada determinada por um medicamento.

-Poder de uma Prova Estatística

1. Beta
Capacidade de uma prova estatística para detectar diferenças
significativas. Corresponde a 1-beta, onde beta é a probabilidade de cometer
Erro Beta ou de tipo II. O mínimo valor aceitado é 0,80.


-Posologia

Ver Dosificação.

-Potência Farmacológia
É a relação entre respostas
(Resposta farmacológica/Intensidade
farmacológica/Dose ou Concentração).
farmado
cológica e
esintensidtímulo =
ade dResposta
o estímulo
-Precisão

É a concordância entre os resultados obtidos em uma determinação
analítica, utilizando repetidamente um procedimento experimental, sob
condições estabelecidas. Estas últimas são definidas especificamente no caso
de repetitibilidade e reproducibilidade.

-Probabilidade

Relação existente entre o número de casos favoráveis (com uma
determinada característica )e casos possíveis ( probabilidade = casos
favoráveis/casos possíveis): a probabilidade toma valores entre 0 e 1.

-Procedimentos Operacionais Normatizados

Manual de procedimentos. Standard Operating Procedures; SOP

Instruções normatizadas, detalhadas e escritas para a realização de uma
pesquisa clínica. Estes procedimentos proporcionam um sistema de idéias que
permitem a eficiente implementação e cumprimento de todas as funções e
atividades para uma pesquisa clínica particular.

-Produto de Comparação

Medicamento ou especialidade medicinal (incluindo forma/s
farmacêutica/s empregada/s como placebo) utilizados como referência em uma
pesquisa clínica.

-Produto em Pesquisa

Medicamento ou especialidade medicinal, ou placebo, testado ou utilizado
como referência em uma pesquisa clínica.

-Produto Farmacêutico

Toda substância, ou combinação de substâncias, que possuem propósitos
terapêuticos, profiláticos ou diagnósticos, ou empregados para modificar
funções fisiológicas, que se apresenta em forma posológica adequada para sua
administração ao ser humano.

-Produto Farmacêutico Similar

É aquele que contém o(s) mesmos princípio(s) ativo(s), em idêntica
concentração, a mesma fórmula farmacêutica ou sua alternativa, a mesma via
de administração, a mesma indicação terapêutica, a mesma posologia, e que é
equivalente ao produto considerado de referência, podendo diferir em
características tais como: tamanho e forma, excipiente, período de vida útil e
envasilhamento primário.


-Programa

Conjunto de instruções, fixando tempo e espaço para consecução de
objetivos estabelecidos.

-Protocolo

Documento que estabelece os antecedentes, justificativa e objetivos da
pesquisa e descreve seu desenho, metodologia e organização, incluindo,
considerações estatísticas e as condições sob as quais se executará a pesquisa
clínica. O protocolo deve estar datado e assinado pelo pesquisador/ instituição
envolvida e pelo patrocinador( quando houver). Pode em algumas
circunstâncias ser utilizado como contrato.

-Psicofármaco

1) Princípio ativo com ação farmacológica sobre os processos mentais e que
modifica a atividade psíquica.
2) Em geral, termo aplicável a qualquer substância que afeta a mente.
Especificamente se refere a qualquer medicamento utilizado para
o
tratamento de desordens ou enfermidades mentais.


-Psicotrópicos

Ver psicofármaco

R

-Randomização
1) Desenho experimental através do qual se escolhem as amostras, ou se
administra um tratamento sem previsão.

2) Método, ou mecanismo para nomear pessoas a grupo de controle ou de
tratamento, de forma tal que a pessoa tenha igual probabilidade de receber um
dos esquemas envolvidos.

-Reação Adversa

É qualquer manifestação nociva, clínica e/ou bilógica imputável (de
acordo a critérios estabelecidos de imputabilidade) a um medicamento e/ou
especialidade medicinal, que ocorre com as doses habitualmente utilizadas no
ser humano para a profilaxia, diagnóstico ou tratamentos de uma enfermidade
ou para a modificação de funções fisiológicas. Nas pesquisas clínicas as
alterações causadas por sobredose, abuso/dependência e interações com
qualquer outro princípio ativo, medicamento, especialidade medicinal,
alimento, etc, deverá ser considerada como reação adversa.

-Reação Adversa Grave

Ver evento adverso sério.

-Relatório Final
Ver: Comunicaçãp Final
-Relatório Periódico
Ver: Comunicação Periódica
-Repetibilidade
Condições em que os resultados ou valores observados nas provas

analíticas são obtidos utilizando o mesmo método analítico aplicado ao mesmo
material de análise, no mesmo laboratório, pelo mesmo operador, utilizando o
mesmo equipamento, dentro do mais curto espaço de tempo.

-Reproducibilidade

É a precisão que mede a variabilidade entre os resultados das medições
efetuadas sobre uma mesma amostra em diferentes laboratórios.

-Resultados

Informação obtida depois da finalização da pesquisa e que deve ser
analisado estatisticamente e comparado com outra informação própria ou
alheia. Geralmente os resultados dão origem a novas hipóteses.

-Risco na Investigação Clínica

É a probabilidade que uma pessoa sofra algum dano como consequência
imediata ou tardia de uma pesquisa clínica.

Para efeito da presente norma, se consideram as seguintes categorias:

Categoria I (Pesquisa sem Risco):

Compreende as pesquisas que utilizam técnicas de observação, nas quais
não se realiza nenhuma intervenção ou modificação intencional nas variáveis
fisiológicas, psicológicas ou sociais das pessoas que participam da pesquisa.
Por exemplo, inquéritos, questionários, entrevistas, revisão de histórias clínicas
e outros documentos que não invadam a intimidade da pessoa.

Categoria II (Pesquisa com Risco Mínimo):

Compreende estudo ou registro de dados por meio de procedimentos
diagnósticos de rotina ( físico ou psicológico), por exemplo, eletrocardiograma,
audiometria, termografia, tomografia, ultrasonografia, extração dentária
(quando indicada) coleta de sangue com frequência maxima de duas vezes por
semana, exercício moderado em voluntários sadios, testes psicológicos
individuais ou grupais nos quais não se manipula a conduta das pessoas,
utilização de medicamentos ou especialidades medicinais autorizadas, de
emprego comum e ampla margem terapêutica (utilizados com indicações,
doses e vias de administração estabelecidas).

Categoria III (Pesquisa com Risco Maior):

Compreende a pesquisa clínica em que as probabilidades de afetar uma
pessoa são significativas, por exemplo, pesquisa que se realiza com
medicamentos e/ou especialidades medicinais novas, novos dispositivos,
procedimentos invasivos (punção lombar, cateterismo) ou utilização de
placebo.


S

-Seguro de Qualidade da Pesquisa Clínica

Sistema, processamento e procedimento de controle de qualidade que se
estabelece para assegurar que a pesquisa clínica seja realizada e os dados
sejam gerados cumprindo as Boas Práticas de Pesquisa Clínica. Inclui
procedimentos de supervisão aplicável a condutas éticas e profissionais,
procedimentos operacionais, comunicações e qualificação profissional e/ou
pessoal.

-Sensibilidade

É a capacidade de um teste de detectar pessoas reativas ao mesmo,
quando tais pessoas têm a doença (verdadeiros positivos).

-Significação Estatística

Nível de significação; nível de significância; significância estatística; alfa

Probabilidade (p) de cometer um erro Alfa ou erro de tipo I, expressa em
porcentagem e denominada alfa. Os valores de alfa geralmente utilizados são
5% e 1%, correspondendo a p= 0,05 e p= 0,01.

-Similar

Ver produto farmacêutico similar.

T


-Testemunha

Uma testemunha independente é uma pessoa imparcial que não está
influenciada por nenhuma das pessoas envolvidas na pesquisa clínica, que
assiste ao processo de consentimento informado, assinando e datando o
consentimento.
-Tratamento Permitido

Qualquer tratamento dado aos pacientes envolvidos na pesquisa, para o
alívio dos sintomas causados pela doença estudada na pesquisa clínica. Este
tipo de tratamento freqüentemente se emprega para o alívio da dor nas
pesquisas controladas com placebo.

U


-Unidade de Medida

Expressa o conceito homogênico com que registram as quantificações na
programação.

Quantifica-se com o objetivo de controlar e avaliar o programa e suas
partes componentes.

V


-Validação

Ação que determina, de acordo com os princípios de Boas Práticas de
Pesquisa Clínica, que os procedimentos, processos, equipamentos, materiais,
atividades ou sistemas, realmente conduzirão aos resultados esperados.

-Verdadeiro Negativo
Ver especificidade
-Verdadeiro positivo
Ver sensibilidade

-Verficação (validação) de dados

Procedimentos pesquisados para assegurar que os dados contidos no
relatório final são iguais às observações originais. Estes procedimentos podem
aplicar-se aos dados originais, cópias eletrônicas, análises estatísticas e
tabelas.

-Viés

É o desvio das observações obtidas de uma amostra em relação ao valor
real ou aprovado. Também se aceita seu emprego para referir-se a um erro
sistemático ou consistente nos resultados de um teste.

Fonte:Legislação (Anvisa)