9.07.2009

Tire suas dúvidas sobre as novas regras para farmácias e drogarias (RDC nº 44/2009)





Em razão das mudanças previstas na RDC nº 44/2009, que dispõe sobre boas práticas farmacêuticas de dispensação, comercialização de produtos e prestação de serviços farmacêuticos em farmácias e drogarias; na Instrução Normativa nº 9, que dispõe sobre a relação de produtos para a dispensação e comercialização em farmácias e drogarias; e na Instrução Normativa nº10, que aprova a relação de medicamentos isentos de prescrição que poderão permanecer ao alcance dos usuários em farmácias e drogarias, o CRF-SP preparou um material informativo para esclarecer dúvidas dos farmacêuticos.

Confira a seguir as informações na íntegra, organizadas didaticamente na forma de perguntas e respostas:

Perguntas e Respostas:

1) O farmacêutico responsável pode se ausentar da farmácia e drogaria durante o seu horário de trabalho para prestar atenção farmacêutica domiciliar?

R. Sim, este serviço esta previsto no parágrafo 2º do artigo 61 da RDC 44/2009, entretanto, o estabelecimento deverá constar com outro farmacêutico no local para substituí-lo durante suas ausências, pois nos termos do artigo 15 da Lei 5.991/73 e artigo 3° da RDC 44, as farmácias e drogarias deverão ter assistência de farmacêutico durante todo o horário de funcionamento.

2) Quais os serviços farmacêuticos que podem ser prestados nas farmácias e drogarias?

R. De acordo com o artigo 61 da RDC 44/2009, poderão ser prestados a atenção farmacêutica e perfuração de lóbulo auricular para colocação de brincos.

Com base na Resolução, entende-se por serviço de atenção farmacêutica o acompanhamento e a avaliação da eficácia do tratamento prescrito, a promoção do uso racional de medicamentos, a atenção farmacêutica domiciliar, a aferição de parâmetros fisiológicos (ex. aferição de pressão e temperatura), parâmetros bioquímico (teste de glicemia capilar) e administração de medicamentos (nebulização, aplicação de injetáveis)

3) O que é atenção farmacêutica domiciliar?

R. O serviço de atenção farmacêutica domiciliar consiste na avaliação da eficácia do tratamento prescrito, a promoção do uso racional de medicamentos, a aferição de parâmetros fisiológicos (ex. aferição de pressão e temperatura) e parâmetros bioquímicos (teste de glicemia capilar) e, ainda, administração de medicamentos (nebulização, aplicação de injetáveis) na residência do paciente.

4) Já posso dar início a prestação dos serviços previstos no artigo 61 da RDC 44/2009?

R. Não. Somente serão considerados regulares os serviços farmacêuticos devidamente indicados no licenciamento da farmácia ou drogaria, ou seja, mediante prévia autorização da Vigilância Sanitária.

Esclarecemos que a Vigilância Sanitária fará uma prévia inspeção para constatação do atendimento às regras contidas na RDC 44/2009 e na legislação sanitária em vigor.

5) Qual o profissional habilitado para a prestação desses serviços nas farmácias e drogarias?

R. De acordo com o artigo 21 da RDC 44/2009, a prestação de serviço deve ser realizada por profissional devidamente capacitado, respeitando as determinações estabelecidas pelos Conselhos Federal e Regionais de Farmácia, sendo assim, somente o farmacêutico poderá realizá-los conforme dispõe a Resolução n° 499/2008 e 505/2009 do Conselho Federal de Farmácia - CFF.

6) Os técnicos auxiliares poderão realizar todas as atividades nas farmácias e drogarias?

R. Não. Os técnicos auxiliares somente poderão prestar atividades que não sejam privativas do farmacêutico (decreto 85.878/81 e Resoluções do CFF) e desde que, previstas no procedimento operacional padrão (POP) e sob supervisão do farmacêutico responsável ou do farmacêutico substituto, conforme prevê o artigo 22 da RDC 44/2009.

7) Pode haver dispensação de medicamentos na ausência do farmacêutico?

R. Não. A dispensação de medicamentos é privativa do farmacêutico.

Salientamos que de acordo com o artigo 42 da RDC 44/2009, o usuário tem direito à informação e orientação (posologia, interação medicamentosa, interação com alimentos reações adversas e conservação do produto) quanto ao uso de medicamentos e, o único profissional capacitado para tanto é o farmacêutico.

8) Quando o paciente apresentar receita médica, como deve proceder o farmacêutico?

R. De acordo com artigo 44 da RDC, o farmacêutico tem a obrigação de avaliar a receita, quanto: legibilidade e ausência de rasuras e emendas; identificação do usuário, identificação do medicamento, concentração, dosagem, forma farmacêutica e quantidade; modo de usar ou posologia; duração do tratamento; local e data da emissão; assinatura e identificação do prescritor com n° de registro no respectivo conselho profissional.

Caso haja dúvida o farmacêutico deverá entrar em contato com o prescritor para esclarecimentos.

9) Quais os documentos que o estabelecimento deve possuir?

R. A farmácia e drogaria deverão O estabelecimento deverá manter Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE) expedida pela ANVISA; Licença ou Alvará Sanitário expedido pelo órgão competente Estadual ou Municipal da Vigilância Sanitária; Certidão de Regularidade Técnica emitida pelo Conselho Regional de Farmácia, Manual de Boas Práticas e, no caso de farmácia que manipula substâncias da Portaria 344/98, a Autorização Especial de Funcionamento (AE) expedida pela Anvisa.

10) Como deve ser feita a aferição de parâmetros fisiológicos e bioquímicos nas farmácias e drogarias?

R. Para a medição de parâmetros fisiológicos e bioquímicos deverão ser utilizados materiais, aparelhos e acessórios que possuam registro, notificação, cadastro, salvo se forem legalmente dispensados. No caso especifico da glicemia capilar a medição deverá ser feita por equipamento de autoteste.

A farmácia e drogaria que forem prestar estes serviços deverão manter registro de manutenções e calibrações periódicas dos aparelhos e, ainda, POPs indicando claramente os equipamentos, as técnicas e metodologias utilizadas, paramentos de interpretação de resultados e referências bibliográficas.

11) Quanto a administração de medicamentos, o farmacêutico pode aplicar injetáveis sem a apresentação de receita?

R. Não. Todo medicamento injetável é de venda sob prescrição médica, conforme RDC 138/2003 da Anvisa.

12) Como pode ser feita a perfuração da orelha para a colocação de brincos?

R. A perfuração somente pode ser efetuada com pistola e brincos regularizados junto à Anvisa. NÃO podem ser utilizadas agulhas de aplicação de injeção, agulhas de suturas ou outros objetos. Os brincos, que devem estar conservados em condições que permitam a manutenção de sua esterilidade, somente poderão ter sua embalagem aberta no ambiente destinado a perfuração, na frente do paciente e após a realização dos procedimentos de assepsia e anti-sepsia.

Os procedimentos relacionados a anti-sepsia da orelha do paciente, das mãos do aplicador, ao uso do aparelho utilizado na perfuração deverão estar descritos em POPs.

13) O que é a declaração de serviço farmacêutico?

R. A declaração de serviço farmacêutico é o documento escrito, elaborado pelo farmacêutico e entregue ao usuário após a prestação do serviço farmacêutico.

Deverá ser emitida em duas vias, a primeira via deve entregue ao paciente e a segunda deverá ser arquivada no estabelecimento.

Deverá conter identificação do estabelecimento (nome, endereço, telefone e CNPJ), identificação do usuário ou de seu responsável legal , serviço farmacêutico prestado, data, assinatura, carimbo do farmacêutico responsável pelo serviço com nome e n° de inscrição no CRF e, ainda, informações específicas com relação ao serviço prestado ou a perfuração da orelha, conforme descrito no artigo 81, § 2º, inciso I e II da RDC 44/2009.

14) A declaração de serviço é obrigatória?

R. Sim. Sempre que for prestado um serviço farmacêutico previsto na RDC ela deverá ser emitida.

15) É necessário elaborar algum documento?

R. Sim. O farmacêutico deverá elabora Manual de Boas Práticas Farmacêuticas e POPs de acordo com as atividades que for realizar.

Para a elaboração dos POPs deverão ser considerados o disposto nos artigos 86 e 87 da RDC.

Além desses documentos o farmacêutico deverá manter registro sobre treinamento de pessoal, serviço farmacêutico prestado, execução de programa de combate a insetos e roedores, manutenção e calibração de aparelhos ou equipamentos.

16) Pode ser dispensado medicamento por outro meio, como internet ou outros meios remotos (fax, telefone)?

R. Sim, somente farmácias e drogarias abertas ao publico com farmacêutico presente durante todo o horário de funcionamento. O estoque dos medicamentos deverá ser feito no local.

Será imprescindível a apresentação e avaliação da receita pelo farmacêutico para a dispensação de medicamentos sujeitos a prescrição.

A farmácia e drogaria que realizem a dispensação de medicamentos solicitados pela internet devem informar o endereço de seu sitio eletrônico na autorização de funcionamento (AFE expedida pela Anvisa).

É PROIBIDA A VENDA DE MEDICAMENTOS SUJEITOS A CONTROLE ESPECIAL POR MEIO REMOTO.

17) Como deverá ser pedido por internet?

R. O pedido feito pela internet deverá ser por meio de sítio eletrônico do estabelecimento ou da respectiva rede de farmácia ou drogaria e deverá obrigatoriamente utilizar o domínio “.com.br” e ainda conter os dados e informações que constam do artigo 53, § 1°, incisos I a VI e § 2º da RDC.

18) Como devem ser transportados os medicamentos solicitados por meio remoto?

R. O transporte será de responsabilidade do estabelecimento farmacêutico e deve assegurar condições que preservem a integridade e qualidade do produto, respeitando as restrições de temperatura e umidade descritas na embalagem do medicamento pelo detentor do registro, além de atender as Boas Práticas de Transporte.

O estabelecimentos deverá manter POPs contendo as condições para o transporte e, no de terceirização a atividade somente poderá ser realizada por empresa devidamente regularizada, ou seja, que atenda o disposto na Portaria 1052/1998 do Ministério da Saúde (possuir licença de funcionamento e responsável técnico farmacêutico) e na RDC 329/1999 da ANVISA.

19) No site pode ser divulgada imagem, promoção ou propaganda de medicamentos sujeitos a prescrição médica?

R. Não. Somente poderão constar lista de preços sem designações, símbolos, figuras, imagens, desenhos, marcas figurativas ou mistas, slogans e quaisquer argumentos de cunho publicitário.

20) Quais os produtos que podem estar ao alcance dos usuários nas farmácias e drogarias?

R. Poderão ficar ao alcance dos usuários: Produtos e correlatos previstos na instrução normativa n° 9/2009, e alguns medicamentos ISENTOS DE PRESCRIÇÃO, desde que sejam fitoterápicos, de uso dermatológicos ou sujeitos a notificação simplificada.

21) Quais são os medicamentos sujeitos a notificação simplificada, previstos no artigo 1°, III da Instrução Normativa 10/2009?

R. Os medicamentos sujeitos a notificação simplificada, são os da farmacopéia como por exemplo: água boricada, água oxigenada, glicerina, tintura de iodo, soro fisiológico, entre outros (lista constante da RDC 199/2003).

Informamos que estes medicamentos deverão conter no rótulo a seguinte frase: MEDICAMENTO DE NOTIFICAÇÃO SIMPLIFICADA – RDC 199/2006 e AFE nº __.

22) O que deverá ficar fora do alcance dos usuários, ou seja, atrás do balcão?

R. Medicamentos de venda sob prescrição médica e medicamentos isentos de prescrição que não estejam citados acima na resposta.

23) Quais são os alimentos que podem ser comercializados na farmácia e drogaria?

R. Alimentos para fins especiais (ex. dietas com restrição de: nutrientes, carboidratos, gordura, proteína, sacarose, frutose e ou glicose, outros mono e ou dissacarídios, sódio, etc.), suplementos vitamínicos ou minerais e chás.

Poderão ainda ser comercializadas substâncias bioativas, probióticos ou alimentos com alegação de propriedades funcionais e/ou de saúde e novos alimentos quando em forma de apresentação não convencionais de alimentos tais como: comprimidos, tabletes, drágeas, cápsulas, saches ou similares.

Todos os alimentos somente poderão ser comercializados se estiverem registrados na ANVISA e sua rotulagem indicar a finalidade a que se destina, salvo os isentos de registro conforme regulamentação, quando então o rotulo deverá conter esta informação e a respectiva resolução.

Não poderão ser comercializados alimentos que tenham registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, COM EXCEÇÃO do mel, própolis e geléia real.

24) Qual o estabelecimento que pode efetuar a dispensação de floral?

R. A comercialização de essências florais, empregadas na floralterapia, somente é permitida em farmácias, conforme § 2º do artigo 4º da Instrução normativa nº 9/2009.

25) Podem ser comercializados piercings, brincos comuns e lentes de grau?

R. As farmácias e drogarias não podem comercializar piercings, brincos comuns e lentes de grau.

As lentes de grau somente poderão ser comercializadas quando não houver no município estabelecimento especifico para esse fim (ex. óticas), conforme legislação vigente.

26) Qual é o prazo para as farmácias e drogarias se adequarem as normativas: RDC 44/2009, Instrução Normativa 9/2009 e 10/2009 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária?

R. O prazo para adequação é de 6 (seis) meses a partir da publicação das normas (18/08/2009).

Fonte: CRF-SP

9.06.2009

Redemoinhos capilares e a homossexualidade



Estudo sobre redemoinhos capilares e homossexualidade
04 de setembro de 2009

Foi durante um congresso sobre epigenética, em Boston neste ano, que tive a chance de conhecer pela primeira vez Amar Klar, do Centro para Pesquisa de Câncer, em Maryland, nos Estados Unidos. Ele palestrava sobre a segregação não aleatória dos cromossomos durante a divisão celular. Um assunto polêmico na comunidade científica, pois dados convincentes ainda não foram publicados. Com um jeitão enrolado e uma aparência notória (apesar da origem indiana, ele é branco pálido devido ao vitiligo e se parece muito com Zorba, o grego), Klar usa de um raciocínio perspicaz (aliado a um humor de gosto duvidoso) para passar sua mensagem.

As evidências de Klar sobre a segregação não aleatória dos cromossomos me pareceram sólidas e os experimentos que ele usou para demonstrar seu ponto de vista, extremamente elegantes. Ao me interessar mais pela sua pesquisa, decidi procurar no Pubmed (um site público que lista as publicações dos cientistas na área biomédica) outros trabalhos do seu grupo de pesquisa. Entre diversas outras publicações em revistas científicas de peso, me deparei com uma curiosa publicação em seu nome, sobre a orientação do redemoinho capilar em indivíduos homossexuais (Klar, A. J. S. “Excess of counterclockwise scalp hair-whorl rotation in homosexual men”, Journal of Genetics, 2004).

Vale lembrar que os fatores que determinam a variação da preferência sexual em humanos são ainda desconhecidos. Acredita-se que a preferência sexual seja consequência da combinação genética e ambiental. Assume-se que os fatores sejam semelhantes para homens e mulheres gays. A maioria dos trabalhos que tentam explicar a homossexualidade está baseada em alguns genes ou no ambiente hormonal durante o desenvolvimento, influenciando redes neuronais nas quais a preferência sexual estaria, presume-se, codificada.

No trabalho, Klar tenta estabelecer uma conexão genética para o homossexualismo masculino. Para isso, procurou relacionar a direção dos redemoinhos capilares com o comportamento sexual. Cerca de 96% da população tem apenas um redemoinho, que rota no sentido horário ou anti-horário (veja a figura acima). Os redemoinhos são determinados geneticamente, não se alteram com o ambiente e estão diretamente relacionados à preferência do uso das mãos.

Segundo descrito na parte de metodologia do trabalho, ele fez as primeiras observações enquanto circulava por uma praia em Miami (Rehoboth Beach), frequentada em sua maioria por homossexuais masculinos. Caminhava pela praia e notava a orientação dos redemoinhos sem interagir com as pessoas (uma forma de manter o anonimato na pesquisa).
Os indivíduos foram por ele considerados homossexuais baseando-se nas observações sobre o comportamento interpessoal típico e ausência de mulheres e crianças no local. Klar fez as observações durante dois anos consecutivos naquela praia e depois validou seus achados em outros locais frequentados por homossexuais masculinos. Como controle, ele usou recintos neutros, como shopping centers, onde observou que a frequência de redemoinhos anti-horários em homens era de, aproximadamente 8%.

Ele excluiu da pesquisa mulheres, por causa dos penteados e adornos que poderiam interferir na observação exata da direção dos redemoinhos. Obviamente, excluiu os carecas também. Os resultados estatísticos sugerem que os homossexuais masculinos têm 3,6 vezes mais chance de ter redemoinhos anti-horários do que os não homossexuais.

Klar propõe uma explicação para a influência genética do homossexualismo. Baseia-se no desenvolvimento da lateralidade cerebral. Os dois hemisférios do cérebro são, de um modo geral, espelhados, mas existem pequenas diferenças entre eles. Mais importante, acredita-se que os hemisférios executem tarefas cognitivas bem distintas. O hemisfério dominante estaria envolvido nos processos de linguagem e coordenação motora das mãos, ao passo que o outro envolveria atividades “automáticas” como orientação espacial e outras funções não verbais. O lado “dominante” está bem relacionado com o uso preferencial das mãos (destro ou canhoto).

Mas como explicar essa correlação? Tanto nossos cabelos como os hemisférios cerebrais e o uso predominante de uma das mãos, são originados do mesmo tecido embrionário, a camada da ectoderme. Dessa forma, uma possibilidade seria que um cérebro menos simétrico teria mais chances de estabelecer conexões neuronais entre os dois hemisférios, favorecendo a tendência homossexual.

Como o fenômeno não é único da espécie humana, pode haver alguma vantagem evolutiva correlacionada a esse comportamento. Talvez a vantagem evolutiva seria de permitir o surgimento de indivíduos na população com uma percepção acentuada ou maior sensibilidade, auxiliando o grupo em situações de perigo ou estresse, por exemplo. Obviamente, um número elevado de pessoas com essas características poderia ser prejudicial, daí o controle populacional pela orientação sexual.

Segundo essa lógica, Amar propõe que o fenótipo da orientação do redemoinho seja um indicativo do comportamento sexual masculino. Como esse comportamento não é patológico, ele sugere que futuras pesquisas se concentrem na análise da lateralidade dos homossexuais para comprovar a teoria.

O trabalho é certamente provocativo. Fortalece alguns dados obtidos em irmãos gêmeos que sugerem 50% de influência genética no comportamento sexual. Por outro lado, os dados precisam ser confirmados em outras populações homossexuais, incluindo mulheres. Outro ponto importante é que, apesar dos redemoinhos não se alterarem com o ambiente, o uso preferencial das mãos pode ser modificado culturalmente, influenciando a atividade cerebral. Dessa forma, mesmo que o giro anti-horário do redemoinho seja um indicativo do comportamento sexual, me parece tão superficial quanto a preferência pelo rosa (uma tendência feminina).

Sei que existem pessoas que ignoram trabalhos como esse ou mesmo repudiam cientistas que trabalham com esse tipo de pesquisa. Entendo a polêmica e certamente Klar não passou ileso. Segundo ele, ao tentar publicar seus achados na “Science”, foi rejeitado justamente pelo teor polêmico do artigo – e não pelo rigor científico. Acabou publicando numa revista indiana de baixo impacto, e mesmo assim teve de remover o nome de seu departamento nos EUA e usar seu endereço residencial e contato pessoal para evitar possíveis conflitos com colegas cientistas.

Felizmente, os dados de Amar Klar foram publicados e trazem uma hipótese provocativa, que ainda não foi provada correta ou incorreta, mas faz refletir.

G1.com

Dados relatados por pacientes na internet se tornam tesouro para pesquisa médica

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Amy Faber (Foto: C.J. Gunther/The New York Times)

Dados relatados por pacientes na internet se tornam tesouro para pesquisa médica
Experiências são mais aproveitadas em modelo on-line, dizem defensores.
Céticos apontam para baixa qualidade das informações reunidas por redes.

Os pacientes têm sido um recurso tremendamente subutilizado pela pesquisa clinica como base de dados.

Depois que Amy Farber ficou sabendo que tinha a rara e fatal doença LAM, em 2005, ficou determinada em ampliar e acelerar as pesquisas sobre sua condição – com a esperança de encontrar uma cura ainda em vida.


Amy, de 39 anos, era estudante de direito, com doutorado em antropologia, prestes a começar uma família. Ela deixou a faculdade e fundou a Aliança de Tratamento de LAM, a fim de levantar fundos e conectar uma rede de cientistas em todo o mundo para pesquisar essa misteriosa doença, que destrói os pulmões de jovens mulheres.

Para sua tristeza, ela encontrou um incômodo sistema de pesquisa, repleto de obstáculos à colaboração e ao progresso – um sistema que não foca nas necessidades dos pacientes. “Podemos fazer melhor”, ela pensou.

Ela levou suas frustrações a George Demetri, membro do quadro de conselheiros de sua organização. Professor e pesquisador de câncer da Escola de Medicina de Harvard, Demetri há tempos queria usar a internet para conectar pacientes ao redor do mundo – e usar sua sabedoria coletiva para extrair novas percepções sobre os raros cânceres que estuda.

Isso a levou a Frank Moss, diretor do Laboratório de Mídia do MIT (Massachusetts Institute of Technology), e a uma nova colaboração entre seu grupo e o laboratório: LAMsight, um site na internet onde os pacientes podem relatar informações sobre sua saúde, e então transformar esses relatórios em bancos de dados – que podem ser explorados por observações sobre a doença.

Desde os primeiros dias da internet, os pacientes usaram a web para compartilhar experiências e aprender sobre doenças e tratamentos. Hoje, porém, pessoas como Amy dizem que as comunidades on-line têm o potencial de transformar a pesquisa médica – especialmente sobre doenças raras, como a dela, que não têm o número necessário de pacientes para estudos de grande escala, e que raramente atraem financiamentos de pesquisa da indústria farmacêutica.

Além disso, diz ela, isso dá poder para que os pacientes contribuam, questionem e ajudem a liderar o caminho às descobertas. “Os pacientes têm sido um recurso tremendamente subutilizado”, diz.

Estamos alterando o equilíbrio de poder entre médicos, cientistas e pacientes"
Moss, que chegou ao laboratório em 2005, vindo da indústria farmacêutica, concorda. As experiências cotidianas dos pacientes com a doença são uma enorme fonte de dados não aproveitados, segundo ele; agregados, esses dados poderiam gerar novas hipóteses para pesquisa. “Estamos realmente transformando pacientes em cientistas, e alterando o equilíbrio de poder entre médicos, cientistas e pacientes.”

Cientistas e empreendedores estão cada vez mais explorando maneiras de utilizar esse potencial, e não só para doenças raras.

Diversas empresas privadas estão coletando on-line dados de pacientes, além de informações genéticas, para recrutar pacientes para experimentos clínicos, conduzir pesquisas internamente ou para vender a companhias de medicamentos e de biotecnologia.

Apoiadores desse modelo – algumas vezes chamado de pesquisa de código aberto – chamam-no de democratização da pesquisa, e dizem estar desbravando novos modelos que colocam o paciente no controle de seus dados, criando pontes entre pesquisadores, pacientes e seus médicos. Eles dizem que esses métodos são muito mais baratos e rápidos que a pesquisa tradicional, que embute altos custos iniciais.

Mesmo assim, alguns especialistas estão céticos. Surgem questões sobre como esses sites vão garantir a privacidade dos pacientes; se os pacientes compreendem totalmente o que significa compartilhar suas informações médicas on-line; se as empresas privadas deveriam seguir as mesmas regras de proteção que governam a maioria dos pesquisadores; e os problemas de qualidade em relação a dados gerados por usuário.

Dados autorrelatados criam dilemas consideráveis de pesquisa


A internet oferece enorme potencial para atingir rapidamente grande número de pacientes, mas dados autorrelatados criam dilemas consideráveis de pesquisa, diz James Potash, professor associado de psiquiatria da Escola de Medicina Johns Hopkins.

Potash cita dois estudos que examinaram a qualidade de informações relatadas on-line por pacientes com depressão. Eles relataram seus diagnósticos on-line; os médicos, então, entrevistaram-nos para confirmar. Em um estudo, apenas dois terços das respostas foram validadas; no outro estudo, três quartos.

G1.com

Pfizer é multada em US$ 2,3 bilhões por irregularidade na venda de remédios

secretário de Justiça, Thomas Perelli anuncia a multa



WASHINGTON - A Pfizer, maior indústria farmacêutica do mundo, terá que pagar uma multa recorde de US$ 2,3 bilhões, como parte de um acordo extrajudicial, depois de ser alvo de processos civis e criminais pela forma como divulgou e comercializou alguns medicamentos, informou nesta quarta-feira o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.


- Combater as fraudes com os produtos médicos é uma das prioridades máximas deste governo - disse o secretário de Justiça, Thomas Perelli, ao anunciar o acordo com a empresa.

Segundo ele, este é um exemplo de como o departamento "pode ajudar o público americano quando os recursos são escassos e os custos dos cuidados médicos são altos".

O valor do acordo é o maior já pago por uma empresa farmacêutica por suposta violação de normas sobre medicamentos. O governo dos EUA explicou que a punição é resultado da promoção, por parte da Pfizer, de remédios, entre eles o analgésico Bextra, para uso com finalidades diferentes daquelas que foram aprovadas pelo órgão que regula o mercado de drogas e alimentos nos Estados Unidos, o FDA.

O uso de drogas no chamado "fora da posologia' para tratar outras indicações médicas não é incomum, porém os fabricantes são proibidos de divulgar no mercado utilizações diferentes daquelas aprovadas pelo FDA.

Uma filial da Pfizer, a Pharmacia and Upjohn Inc, adquirida em 2003, concordou em se declarar culpada pelo delito de uso indevido da posologia.

- Estes acordos encerram problemas legais importantes e nos ajudam a nos concentrar naquilo que fazemos de melhor: descobrir, desenvolver e lançar no mercado medicamentos inovadores para tratar os pacientes e algumas das doenças mais debilitantes do mundo - disse a vice-presidente e assessora legal da Pfizer, Amy. W. Schulman.
Fonte: O Globo

NOVO TRATAMENTO PARA CÂNCER DE PULMÃO É APROVADO NO BRASIL

Foto de um raio-x de um pulmão com cancer, as áreas em vermelho é onde está atingido pela doença
Medicamento prolonga a sobrevida dos pacientes

Pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células – tipo que representa cerca de 85% dos casos e que cresce e se espalha mais lentamente que o de pequenas células - já podem contar com um novo aliado, pois a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de aprovar essa nova indicação para o medicamento Alimta.

A aprovação dessa nova indicação para primeira linha de tratamento é baseada em estudos realizados em vários países, inclusive no Brasil, que apontam sobrevida de até 12.9 meses, além da melhora na qualidade de vida devido à baixa toxicidade da medicação. Mais de 1.700 pacientes com câncer de pulmão avançado participaram desses estudos.

Recentemente, uma das principais novidades em câncer de pulmão no principal evento mundial da oncologia, o 45º Congresso Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, American Society of Clinical Oncology), foi um estudo de fase III com Alimta para o tratamento da doença em estágio avançado. Realizado em parceria com pesquisadores oncologistas brasileiros, os resultados desse estudo causaram grande repercussão na comunidade científica, pois foi o único que apontou aumento de sobrevida dos pacientes superior a 15 meses.

O medicamento, desenvolvido pela indústria farmacêutica Eli Lilly, é comercializado no Brasil, desde 2004, para o tratamento do mesotelioma pleural maligno, um tipo raro de câncer associado à exposição ao amianto e, desde 2007, como segunda linha para o tratamento de câncer de pulmão.

Sobre o câncer de pulmão

O câncer pulmonar é uma anomalia maligna que ocorre nas células do pulmão. Cresce assustadoramente atingindo anualmente 2% da população mundial.
Normalmente ocorre em pessoas que tem o hábito de fumar, pois o tabagismo responde por 90% dos casos.

Também pode ocorrer quando o doente tem contato com agentes químicos, enfisema pulmonar, bronquite crônica, quando não se alimenta com frutas, verduras e legumes naturais, além dos fatores genéticos.


Sintomas
Tosse, respiração ofegante e curta, rouquidão, sangramento pelas vias respiratórias, dor no tórax, pneumonia, chiado no peito, hemoptise, falta de apetite, dificuldade em engolir e perda de peso.

Tratamento
O tratamento pode ser feito através de cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou pela combinação dos mesmos. Se o tumor estiver apenas no pulmão deve-se optar pela cirurgia para a remoção do mesmo, o que apresenta 75% de chances de cura já que impedirá a metástase das células cancerígenas. A utilização da quimioterapia combinada à radioterapia apresenta bons resultados dando a vítima cerca de 30% de chances de cura.

Cerca de 60% dos casos são descobertos quando a doença já espalhou as células cancerígenas para outras partes do corpo, o que impede o tratamento cirúrgico e diminui as possibilidades de cura. O método utilizado no tratamento contra o câncer pulmonar depende do estágio da doença, do tipo das células anormais que compõem o tumor e as condições fisiológicas da vítima.


Prevenção
A suspensão do hábito de fumar é a melhor prevenção, pois reduz a probabilidade de desenvolvimento da doença.

A doença é a principal causa de óbitos em homens e mulheres, já que mais pessoas morrem desse tipo de câncer do que de colón, mama e próstata juntos. Anualmente, são diagnosticados 1.200.000 novos casos de câncer de pulmão no mundo. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, no Brasil, o câncer de pulmão é a primeira causa de morte por câncer em homens e a segunda em mulheres. Recentemente, o câncer de pulmão fez mais uma vítima conhecida, o médico e deputado federal José Aristodemo Pinotti, de 74 anos.
Fonte Anvisa

9.05.2009

Risco de prescrição de drogas para uso alternativo não aprovado ("off label")

Estudo mostra risco de prescrição de drogas para uso alternativo não aprovado
Muitos médicos nem sabem que estão fazendo prescrição 'off label'.
Off label é aplicar remédio para tratamento diferente do autorizado (desvio de uso).

Médicos podem usar drogas de formas não especificamente aprovadas pelo FDA, a agência americana que regula remédios e alimentos, uma prática chamada de prescrição off label. Há poucas evidências científicas para apoiar usos não aprovados. Uma nova pesquisa descobriu que muitos médicos podem nem saber o que estão prescrevendo off label.

Na média, os médicos da pesquisa identificaram corretamente o status de aprovação do FDA para apenas metade das drogas de uma lista oferecida pelos pesquisadores, segundo estudo publicado na "Pharmacoepidemiology and Drug Safety".

A confusão foi ainda maior com drogas psiquiátricas, descobriu a pesquisa, realizada com cerca de 600 médicos.

Quase um em cada cinco médicos que prescreveram quetiapine no ano anterior pensou que ela era aprovada para pacientes com demência e agitação. Entretanto, a droga nunca foi aprovada para tal uso – até trazia um aviso de traja preta alertando que o medicamento era perigoso para pacientes idosos com demência.

Um em cada três médicos que usaram lorazepam para tratar ansiedade crônica pensava que ela tinha sido aprovada para esse uso. Na verdade, um aviso do FDA alerta sobre o uso para esse propósito.

O principal autor do estudo, G. Caleb Alexander, professor assistente de medicina da Universidade de Chicago, afirmou ser preocupante o fato de que usos off label não têm o mesmo nível de análises científicas dos usos aprovados pelo FDA.

Roni Caryn Rabin do 'New York Times'
G1

Identificado novos anticorpos contra Aids (“Science”)

Grupo americano identifica novos anticorpos contra Aids

Descoberta abre novo caminho para desenvolvimento de vacina.

Anticorpos combinam potência e amplitude de reação, diz estudo.

Um grupo de cientistas americanos identificou novos anticorpos que defendem o organismo contra o HIV, o vírus causador da Aids. O artigo descrevendo o achado foi publicado nesta quinta-feira (3) no site da revista “Science”.
A partir de um doador africano soropositivo, a equipe coordenada por Laura Walker, do Instituto de Pesquisas Scripps, na Califórnia (EUA), isolou dois anticorpos anteriormente não conhecidos. O achado, considerado um dos mais promissores dos últimos 20 anos na luta contra a Aids, abre novo caminho no desenvolvimento de uma vacina eficaz contra a doença.

A pesquisa constatou que os anticorpos (PG9 e PG16) parecem ser não só “muito potentes” na neutralização do vírus, como capazes de bloquear a ação de uma grande variedade de subtipos do HIV, uma gama de alvos que supera a de anticorpos já avaliados. O PG9 combateu com sucesso 127 de 162 subtipos (78%). O PG16, 119 de 162 (73%).

Os anticorpos atuam como uma espécie de chave para uma cadeado viral oculto, reconhecendo um padrão em uma proteína do HIV que não havia ainda sido descrita pela ciência. Tanto a identificação dos anticorpos quanto do “cadeado” constituem um novo alvo no desenvolvimento futuro de uma vacina contra o vírus da Aids.

Os cientistas analisaram 1,8 mil pacientes de Tailândia, Austrália, Reino Unido, Estados Unidos e de uma série de países da África subsaariana.

Fonte G1

Linguagem da Alma

A Esperança




"Julgamos que a insatisfação seja decorrente de desejos não realizados. Essa distorção nos faz transferir ao outro ou às circunstâncias a responsabilidade por essas frustrações.

Os impasses somente serão superados se tivermos humildade de admitir as deficiências. O medo de sentir dor por si só já nos causa sofrimento e nos afasta de experiências que justamente nos ajudariam a exorcizar esses fantasmas.

Errar ou acertar, assim como perder ou ganhar não podem ser os objetivos maiores em nosso viver, mas a determinação em fazer o melhor, seja em qual atividade for, na certeza de que através desse esforço e independente do resultado estaremos lapidando o bem mais precioso que nos foi outorgado pela vida e do qual somos o guardião-mor, o ser que somos.

É natural o anseio de estender as mãos aos outros, especialmente, a quem gostamos, mas a proximidade, apesar de ser um fator positivo, também nos imporá dificuldades. Será possível promover benefícios efetivos somente se conseguirmos ser imparciais. As dificuldades do outro serão potencializadas por esse envolvimento,mas ao mesmo tempo evidenciarão o que ainda nos falta para conseguir essa imunidade
Quando nos deixarmos abater diante da injustiça, retomemos a esperança, lembrando da espontaneidade e alegria da criança que ainda habita em nós.

E,mesmo que nesses tempos decisivos muitos estejam desistindo,inspiremo-nos na chama da imortalidade que nos sustenta e,através de cada ação que promovermos hoje nos faça livrar dos vícios que nos têm enfraquecido e ,assim renovados,poderemos construir um futuro mais promissor aos que estão chegando como oferenda por tudo que temos recebido"
Seiji
Extraído do livro Sensibilidade Linguagem da Alma 2ª edição

Esclerose múltipla



A esclerose múltipla (EM) é uma doença inflamatória que não tem cura e extremamente invasiva. Atinge as fibras nervosas responsáveis pela transmissão de comandos do cérebro a várias partes do corpo, provocando um descontrole interno generalizado. Muitas vezes o termo esclerosado é usado para as pessoas que perdem a memória ou apresentam outras confusões mentais quando vão envelhecendo.
Não tem nada a ver! A esclerose múltipla não tem nenhuma relação com as limitações que surgem com o envelhecimento. Trata-se de um problema comum em adultos jovens, na faixa de 20 a 40 anos. O maior pico é por volta dos 30 anos. Raramente pessoas na terceira idade desenvolvem a doença.

A esclerose múltipla não é um processo degenerativo contagioso e, na maioria dos casos, não é fatal. Apesar de não ser herdada, atinge pessoas geneticamente predispostas a doença e se manifesta de diferentes modos.
Atualmente, há cerca de 35 mil brasileiros que sofrem deste mal. E, em geral, as mulheres são as mais atingidas (na proporção de duas mulheres para um homem).

O diagnóstico não é simples e pode levar alguns anos para ser feito corretamente, pois os sintomas se assemelham, em alguns casos, com outros tipos de doenças do sistema nervoso (devido aos sintomas iniciais, muitas vezes o paciente nem procura orientação médica). Entre os principais sintomas da doença estão alteração no controle de urina e fezes, comprometimento da memória, depressão, dificuldades de movimentos, fala e deglutição, dores articulares, dormências, fadiga intensa, mudanças de humor, paralisia total ou parcial de uma parte do corpo, perda da visão em um ou ambos os olhos, queimações, sensações de formigamento, tremores e tonturas. Segundo o neurologista Dagoberto Callegaro, “estes sinais podem levar horas ou dias para aparecer. Em média, a doença inicia com um surto por ano ou um a cada dez meses. Chamamos de surto um novo sintoma neurológico que provoca uma alteração sensitiva ou motora”.

A forma mais comum de esclerose múltipla é a recorrente-remitente (quando os surtos podem deixar seqüelas ou não). A primário-progressiva é a pior forma de esclerose, onde a evolução da doença é galopante. A rápida progressão pode causar paralisia dos membros, perda da visão ou demência se não for tratada a tempo.

A esclerose múltipla pode se manifestar de 4 formas:

* Remitente-recorrente: é a manifestação clínica mais comum, caracterizada por surtos que duram dias ou semanas e, em seguida, desaparecem.
* Progressiva-primária: apresenta uma progressão de sintomas e comprometimentos (seqüelas) desde o seu aparecimento.
* Progressiva-secundária: pacientes que evoluíram da forma remitente-recorrente e vão piorando lenta e progressivamente.
* Progressiva-recorrente: do tipo progressiva com surtos. Desde o início da doença, mostra a progressão clara das incapacidades geradas a cada crise.

A ciência ainda não descobriu a causa da doença nem sua cura (atribui-se à doença a uma reação auto-imune do organismo, que em algum momento e por algum motivo, começa a atacar o Sistema Nervoso Central). Acredita-se que o motivo mais provável seja um vírus não identificado até o momento.

Entendendo melhor o desenvolvimento da esclerose múltipla

Ainda não se sabe o porquê do ataque ao Sistema Nervoso Central, que é dirigido à mielina – uma substância gordurosa que cobre as fibras nervosas do cérebro e facilita a comunicação entre as células.
Esse ataque acontece silenciosamente e recebe o nome de desmielinização (o processo de destruição das camadas da mielina). Uma vez que as camadas da mielina vão sendo destruídas, as mensagens que saem do cérebro são atrasadas ou bloqueadas de vez, alterando, assim, o funcionamento da região que esperava um comando de ordem.
Onde quer que a camada protetora seja destruída, forma-se um tecido parecido com uma cicatriz. Daí o nome esclerose. E é múltipla, pois atinge várias áreas do cérebro e da medula espinhal .
A gravidade de cada caso está relacionada com a área afetada. Se atinge a medula, o paciente geralmente manifesta fraqueza, dormência ou paralisia dos braços e pernas. Não se tem como avaliar o desgaste da mielina; por isso, o diagnóstico é basicamente clínico, baseado nas queixas dos pacientes, em seu histórico médico, na avaliação dos sintomas e na existência de sinais neurológicos (através de testes para avaliação de coordenação, reflexos e sensibilidades). Exames como ressonância magnética, avaliação do líquido da medula espinhal (líquor) e potencial evocado também são fundamentais neste momento.

* A atenção da família e de pessoas próximas é essencial ao doente. Como o indivíduo perde a capacidade de fazer coisas simples, o apoio familiar ajuda a manter sua vida quase normal e sua saúde mental em melhor condição.
* É importante controlar o estresse físico e emocional.
Sessões de fisioterapia auxiliam no tratamento.
Procurar reduzir o excesso de peso e praticar algum tipo de atividade física (caminhada, hidroginástica, por exemplo).

A luz no fim do túnel

Atualmente não existe a cura para a doença. Entretanto, como vimos, as pesquisas não param. Existem avanços na área e novos medicamentos que possam, pelo menos, tornar os efeitos da esclerose múltipla menos agressivos. É o caso dos remédios chamados imunomoduladores e imunosupressores (capazes de aliviar ou reduzir os sintomas da esclerose).

O acompanhamento terapêutico também é fundamental ao paciente de esclerose múltipla, cuidar da mente é tão importante quanto tomar a medicação correta. O neurologista Cícero Galli Coimbra afirma que, “O sistema imunológico é ativado toda vez que enfrentamos uma situação de estresse grave.
Avisado de que algo está errado em nosso organismo, ele começa a vasculhá-lo na tentativa de identificar ‘invasores’ como vírus e bactérias. Por fim, acaba atacando a bainha de mielina que envolve os neurônios.
Com a estabilidade emocional, 85% dos surtos podem ser reduzidos. Psicoterapia e terapia ocupacional são indicadas para organizar os pensamentos e as atividades”.

Não há como prevenir a esclerose múltipla. Nem se pode afirmar quem ou não é propenso à doença. A recomendação é manter uma dieta equilibrada. E para aqueles que já foram atingidos pelo mal, uma dieta adequada é recomendada.

* As fibras presentes em cereais integrais e leguminosas ajudam a fazer a digestão.
* Dietas de baixo teor de gorduras saturadas (presente em produtos de origem animal) e ricas em ômega 3 podem retardar a evolução da doença (baseado em estudos realizados).
* Evite ingerir alimentos duros, pois são difíceis de digerir e podem provocar engasgos.
* Refeições pastosas ou líquidas (purês e/ou sopas) são as mais recomendadas.

Fontes: “Revista Viva saúde” e “Guia da Vida Saudável” e “Alimentação e Saúde de A a Z”


Apesar de não ter cura, doença pode ser controlada com uso de medicamentos

A esclerose múltipla acomete mais de 30 mil pessoas no país e pode comprometer a capacidade motora, sensitiva e cognitiva se não tratada.

Crônica, a doença atinge o comando do corpo, o sistema nervoso central.
É caracterizada pela inflamação da mielina – bainha que reveste e protege as fibras nervosas -, o que ocasiona o início dos sintomas como visão borrada, fadiga, fraqueza, formigamento nos braços e nas pernas, incontinência urinária ou fecal e dificuldades na fala.

- É normal a pessoa acordar com o braço dormente, sentir a dor por alguns dias e pensar que é apenas uma conseqüência de ter dormido em cima do braço, mas pode ser a primeira manifestação da esclerose múltipla – diz Sérgio Haussen, presidente da Academia Brasileira de Neurologia e chefe do Setor de Neurologia da Santa Casa.

A esperança dos especialistas para a cura da EM está nos testes dos medicamentos imunomodificadores, na terapia gênica e no uso de células-tronco. Estudos de mapeamento genético que estão em desenvolvimento no país podem ajudar a identificar a característica genética que provoca a doença.

Saiba Mais

- O que é esclerose múltipla
Doença neurológica crônica que acomete o sistema nervoso central. É provocada por uma desregulação do sistema imunológico, que em vez de proteger o organismo, acaba atacando a bainha de mielina, revestimento das fibras nervosas, responsáveis pelo comando de funções como coordenação motora, visão, sentidos e cognição
- Tratamento
À base de imunomodulares (controlam os sintomas) e de imunosupressores (reduzem a defesa imunológica defeituosa do organismo e são muito usados para evitar a rejeição de órgãos transplantados). Durante os surtos, os medicamentos mais usados são a cortisona e as imunoglobulinas

- Causas
Desconhecidas. É mais freqüente em mulheres. Os primeiros sintomas começam a aparecer entre os 20 e 50 anos Superação

Superação

Em geral, leva-se até quatro anos entre o aparecimento dos primeiros sintomas e o diagnóstico.
O bancário Carlos Oscar Newlands, 51 anos, levou oito para conseguir saber a origem da dormência na perna, originada subitamente após a perda da avó.
- Só recebi o diagnóstico no segundo surto, uma vertigem súbita, depois de fazer uma ressonância magnética – conta.

De lá para cá, Newlands dribla a doença com medicamentos que controlam os surtos, tornando-os menos freqüentes. Mesmo levando uma vida normal, ele tem dificuldades ao caminhar, teve de se aposentar por invalidez e precisa dedicar meio turno do seu dia para fazer fisioterapia, ginástica e terapia. Segundo Clóvis Francesconi, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e neurologista do Hospital de Clínicas, um dos oito centros brasileiros que participam de uma pesquisa mundial sobre EM, esses cuidados são importantes para o paciente se recuperar das seqüelas após os surtos, sempre imprevisíveis.

- Na maioria das vezes, os pacientes melhoram depois das crises, mas essa recuperação pode não ser total – diz.

( silvia.lisboa@zerohora.com.br )

Fonte: Zero Hora. Porto Alegre

Resignação na adversidade

O sofrimento é uma ocorrência comum em nosso mundo.

Em todas as condições, em todas as idades, sob todos os climas, o homem tem padecido, a humanidade tem derramado lágrimas.

Apesar dos progressos sociais, milhões de seres gravitam ainda sob o jugo da dor.

Por vezes é a miséria provocando intensas agonias.

Em outras, é a enfermidade arrastando os seres para os vales do sofrimento e da angústia.

Nem mesmo as classes mais abastadas têm sido isentas desses males.

Até nos ambientes onde reina a abundância, um sentimento de desânimo, uma vaga tristeza, às vezes se apodera das almas.

A dor, sob suas múltiplas formas, é o remédio supremo para as imperfeições, para as enfermidades da alma.

No estágio evolutivo em que nos encontramos, sem ela não é possível o aprimoramento.

Assim como as moléstias orgânicas são muitas vezes resultantes dos nossos excessos, assim também as provas morais que nos atingem são conseqüências de nossas faltas passadas.

Cedo ou tarde o resultado desses equívocos recairão sobre nós.

É a lei de justiça agindo no curso de nossas existências.

Saibamos aceitar os seus efeitos como se fossem remédios amargos, operações dolorosas, capazes de restituir nossa saúde.

Embora nos sintamos entristecidos pelos desgostos, devemos sempre suportá-los com paciência.

O lavrador rasga o seio da terra para daí fazer brotar o campo dourado.

Assim também é a nossa alma, depois de desbastada também se tornará exuberante em frutos morais.

Pela ação da dor abandonamos os vícios e as más paixões.

A adversidade é uma grande escola, um campo fértil em transformações.

A ignorância das leis universais é que nos faz ter aversão aos nossos males.

Se compreendêssemos o quanto esses males são necessários ao nosso adiantamento, eles não nos pareceriam mais um fardo.

Em nossa cegueira, estamos quase sempre prontos a amaldiçoar as nossas vidas.

Mas, quando formos capazes de discernir o verdadeiro motivo de nossas existências, compreenderemos que todas elas são preciosas.

A dor é capaz de abrandar o nosso coração, avivando os fogos da nossa alma.

É o cinzel que lhe dá proporções harmônicas, que lhe apura os contornos e a faz resplandecer em sua perfeita beleza.

Pense nisso!

Vivemos em um mundo de provas e expiações.

Nele a dor reina soberana, em virtude do mal ainda sobrepujar o bem.

Embora conscientes dessa inegável condição, é nosso dever lutar contra a adversidade.

Sofrer sem reagir aos males da vida seria uma covardia.

Porém, quando os nossos esforços se tornam supérfluos, quando tudo se mostra inevitável, chega então o momento de apelarmos para a resignação.

Revoltarmo-nos contra a lei moral seria tão insensato como querermos resistir à lei da gravidade.

O espírito sensato encontra na provação os meios de fortificar suas qualidades.

A alma corajosa aceita os males do destino, mas, pelo pensamento, eleva-se acima deles e daí faz uma escala para atingir a virtude.


Fonte: Momentos de Reflexão

9.04.2009

Medicamentos podem ganhar selo "proibido dirigir"

Depois da restrição quanto à combinação bebidas alcoólicas e direção, agora a Anvisa analisará uma proposta que inclui um selo de alerta nas caixas de alguns medicamentos que causam sonolência.
A idéia do selo “proibido dirigir” da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), em parceria com a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, tem o objetivo de alertar os motoristas sobre os riscos de assumir a direção de veículos após a ingestão desses medicamentos. Na lista, estão analgésicos, antidepressivos, estimulantes, anticonvulsivos e outros.

Pesquisas que relacionaram o sono com os acidentes de trânsito mostraram que 30% das ocorrências foram causadas por motoristas que “cochilaram” enquanto estavam ao volante.
Especialistas afirmam que pelo menos 20% dos motoristas têm algum tipo de distúrbio do sono.

A assessoria de imprensa da Anvisa garante que a criação do selo “proibido dirigir” será analisada por um grupo de trabalho.
Em seguida, a sugestão poderá ser submetida à população por meio de uma consulta pública no site oficial da instituição.

Confira os medicamentos que podem receber o selo:

Analgésicos
Anticolinérgicos
Anticonvulsivantes
Antidepressivos
Anti-eméticos
Anti-histamínicos
Anti-hipertensivos (alfametildopa)
Antiparkinsonianos
Antipsicóticos
Benzodiazepínicos
Estimulantes
Hipoglicemiantes (insulina)
Miorelaxantes

Fonte: CRF-SP

PARA NÃO ADOECER

Se não quiser adoecer - "Fale de seus sentimentos"

Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças
como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna.. Com o tempo a
repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar,
confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados.
O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia..

Se não quiser adoecer - "Tome decisão"

A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A
indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é
feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder
vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de
doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.

Se não quiser adoecer - "Busque soluções"

Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas.
Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o
fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de
mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia
negativa que se transforma em doença.

Se não quiser adoecer - "Não viva de aparências"

Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que
está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando
toneladas de peso... uma estátua de bronze, mas com pés de barro.
Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com
muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.

Se não quiser adoecer - "Aceite-se"

A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos
algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os
que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos,
destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é
sabedoria, bom senso e terapia.

Se não quiser adoecer - "Confie"

Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria
liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não
há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em
Deus.

Se não quiser adoecer - "Não viva SEMPRE triste!"

O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida
longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive.

"O bom humor nos salva das mãos do doutor". Alegria é saúde e terapia.

Autor desconhecido

Redução da progressão da retinopatia diabética


Administração precoce de losartan ou enalapril reduz a progressão da retinopatia diabética, de acordo com artigo do New England Journal of Medicine
Publicado no New England Journal of Medicine, estudo multicêntrico duplo-cego comparou os efeitos do enalapril e do losartan nas funções renal e ocular de pacientes com diabetes tipo 1.
Um total de 285 pacientes com diabetes tipo 1 foram randomizados com o uso de losartan (dose diária de 100mg), enalapril (dose diária de 200mg) ou placebo. Após 5 anos de tratamento, nenhuma diferença significativa foi observada na albuminúria com a administração precoce dessas duas medicações comparadas ao placebo.
Entretanto, tanto o enalapril como o losartan reduziram a progressão da retinopatia em 65 a 70% dos pacientes, respectivamente.
Além disso, efeitos colaterais como cetoacidose ou hipoglicemia foram semelhantes com o uso de enalapril, losartan ou placebo.

Fonte: New England Journal of Medicine

Tamiflu vai chegar às farmácias (Controle pela Anvisa)


Ministério diz que não restringiu venda e que Tamiflu vai chegar às farmácias
Medicamento deve começar a ser distribuído no início de 2010.
Há um mês ministro afirmou que poderia haver "corrida às farmácias".

O laboratório Roche, produtor do medicamento Tamiflu, deve distribuir o remédio para farmácias e drogarias, afirmou nesta quinta-feira
O diretor de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Eduardo Hage. A informação é da Agência Brasil.

Hage participou de audiência pública na Câmara dos Deputados e rebateu as críticas de que a pasta tenha concentrado toda a produção. O diretor alegou que o medicamento só não chegou às farmacias porque não havia estoque para suprir a demanda.

"O próprio laboratório priorizou a demanda do ministério, o que foi correto. Na medida em que foi aumentando a sua capacidade, ele informou que vai ter disponibilidade de atender nossa nova demanda, bem como comercializar o medicamento. A partir do momento em que oficializarem, vamos nos manifestar mas não há nenhum problema”, disse Hage.

A declaração contraria a postura adotada pelo ministério durante os últimos meses. Há um mês, o ministro José Gomes Temporão afirmou que o Tamiflu só está disponível nos serviços públicos de saúde para evitar uma “corrida às farmácias.”

A assessoria de imprensa da Roche afirma que por enquanto o laboratório trabalha na produção de 9 milhões de tratamentos de Tamiflu a serem entregues entre fevereiro e abril ao Ministério da Saúde. Somente após a entrega ser feita, o medicamento começará a chegar às farmácias.

Em nota divulgada no início da noite, a empresa afirma que "não houve, em nenhum momento, recolhimento do Tamiflu nas farmácias". O comunicado diz ainda que a Roche "está alinhada com o Ministério da Saúde para dar prioridade aos seus pedidos. Esta conduta obedece a uma orientação do plano de contingência da própria OMS, que prioriza o abastecimento dos governos em situações de emergência."


De acordo com Hage, o controle da venda do remédio em farmácias e drogarias será de responsabilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O medicamento só será vendido mediante prescrição médica e monitoramento de eventos adversos

G1.com

Idosos têm risco aumentado para câncer de pele e infecções por inabilidade para mobilizar o sistema imunológico

A pele dos idosos têm maior risco de câncer de pele e infecções porque não possui a habilidade de mobilizar o sistema imunológico para defender-se, segundo pesquisadores do Reino Unido. Este achado contradiz o conhecimento prévio que um tipo celular, conhecido como célula T, é o responsável pela possível deterioração da imunidade com o envelhecimento.

Os achados foram publicados no periódico Journal of Experimental Medicine. O coordenador do estudo, professor Arne Akbar, da University College London, diz que a queda na imunidade de pessoas com idade avançada é bem conhecida, mas a maneira como isso acontece não está estabelecida.

Em um estudo feito com voluntários – um grupo de 40 anos e outro de mais de 70 anos –, os cientistas injetaram um antígeno para estimular a resposta imune das células T desses dois grupos e observar o comportamento do organismo dos participantes.

Como esperado, a imunidade dos mais idosos foi menor que a do grupo mais jovem. Um dos primeiros passos da resposta imune não foi suficiente. Após a injeção de antígenos, os macrófagos na pele de idosos produziram menos TNF que os macrófagos da pele de pessoas mais jovens. Os linfócitos não chegam ao local onde foi injetado antígeno naqueles com mais de 70 anos. O que surpreende é que as células T destes mesmos indivíduos não estavam defeituosas. Elas respondiam normalmente à ativação in vitro. O que estava prejudicada era a habilidade da pele do grupo mais idoso em atrair as células T, efetivamente os sinais para direcioná-las ao local correto.

Fonte: The Journal of Experimental Medicine

9.03.2009

Licopeno




Apoio Antioxidante para a saúde cardiovascular.

Licopeno é um pigmento vermelho que dá ao tomate sua brilhante cor vermelha.

Estudos científicos recentes sobre esta substância fitoquímica indicam que este licopeno exibe propriedades antioxidantes que protegem o corpo contra os danos causados pelos radicais livres e pode também ajudar a apoiar e sustentar a saúde da próstata, algo que tem preocupado muitos homens.

Licopeno é o principal constituinte ativo nos tomates, tem recebido bastante das pesquisas sobra o câncer da próstata. Entretanto, há alguns debates dentro da indústria sobre qual realmente é melhor—somente licopeno ou licopeno juntamente com outras substâncias fitoquímicas naturais encontradas no tomate.

Licopeno é um extrato de tomates totalmente natural, padronizado para conter 6% de licopeno, e mais uma variedade de outras substâncias fitoquímicas que ocorrem naturalmente nos tomates, incluindo beta-caroteno, tocoferóis, fitosteróis, fitoeno e fitoflueno.
De acordo com algumas pesquisas publicadas no Jornal do Instituto Nacional do Câncer, indicam que uma combinação das substâncias fitoquímicas naturais encontradas nos tomates, e não só o licopeno, podem ajudar a diminuir o risco de mortes resultando do câncer da próstata.
Estudos conduzidos por pesquisadores de Universidades mostram que os ratos que se alimentaram de uma dieta contendo pó de tomate, que continha todas as substâncias fitoquímicas importantes do tomate, tiveram um menor risco de vida relacionado ao câncer da próstata,do que os ratos alimentados de uma dieta contendo licopeno sintético.

Cientistas também liberaram recentemente uma pesquisa sobre o papel do licopeno na redução do risco do câncer de próstata.
Em um estudo publicado, cientistas descobriram que o licopeno puro reduz significativamente o efeito do hormônio masculino, androgênio, na próstata. De acordo com os pesquisadores, os androgênios atuam um papel chave no desenvolvimento do câncer de próstata nos homens durante a vida.
Em co-operação com os Alemães, cientistas usaram um modelo animal de câncer de próstata para imitar o câncer humano.
Os animais se alimentavam de licopeno, vitamina E, uma combinação dos dois ou uma mistura de um placebo, por quatro semanas.
Logo após receberam uma injeção de células de câncer de próstata em suas próstatas. Estas células de câncer cresceram e se tornaram tumores dentro de duas semanas. Dando licopeno, e também a vitamina E, causou um maior número de morte das células, o que foi mostrado pelas áreas maiores dos tecidos mortos nos tumores da próstata.

De acordo com o líder dos pesquisadores, J. Elliot, os pesquisadores descobriram que o licopeno interfere com a ativação local de androgênio nivelando a 5-alfa-reductase, a enzima chave para a transformação de testosterona para DHT. Além disso, o licopeno diminui as expressões de duas citocinas prostáticas, IGF-I e IL-6, ambas sendo fatores de risco para o câncer de próstata.
Fonte:Nutrivea-po.com

Licopeno é uma substância carotenóide que dá a cor avermelhada ao tomate, melancia, beterraba, pimentão, entre outros alimentos. É um antioxidante que, quando absorvido pelo organismo, ajuda a impedir e reparar os danos às células causados pelos radicais livres.


Os radicais livres são produzidos durante funções normais do corpo humano, como respiração e atividade física. Também são formados como resultado do hábito de fumar, superexposição ao sol, poluição do ar e estresse.
São altamente reativos e, se não controlados, podem danificar as moléculas importantes das células saudáveis do corpo humano. Isso pode contribuir para o desenvolvimento de várias doenças, como câncer e doenças cardiovasculares.

Assim como o betacaroteno, o licopeno é transportado no sangue humano por meio de lipoproteínas, principalmente a LDL.
A principal função da LDL é fornecer colesterol para as células do corpo e, ao fazer isso, também fornece licopeno e betacaroteno. Os maiores níveis de licopeno e betacaroteno são encontrados no fígado (principal local de armazenamento). No tecido adiposo, a taxa de carotenóides é muito baixa. No entanto, devido à quantidade total de tecido adiposo no organismo, também pode ser um importante local de armazenamento.

A melhor fonte de licopeno é o tomate. É um alimento pouco calórico, com seus efeitos antioxidantes, fonte de fibras e bem utilizado na culinária pela sua cor, melhorando a aparência dos pratos.
O tomate é matéria prima que pode entrar em diversas refeições.
Quanto maior a concentração de tomate em uma receita, maior o teor de licopeno e os benefícios por ele proporcionados. Este possui maior aproveitamento quando combinado a uma pequena quantidade de gordura, preferencialmente do tipo monoinsaturada.

Encontra-se presente em alimentos como o tomate (média de 3,31 mg em 100 gr) e o mamão (média de 3,39 mg em 100 gr). A absorção do licopeno é maior quando o alimento em questão é cozido, pois o rompimento das paredes celulares facilita o contato deste com a mucosa intestinal. O licopeno da melancia e do mamão é muito biodisponível (em torno de 60%), enquanto o do tomate cru está em 13%, contra 70% do mesmo quando cozido. Assim sendo, alimentos como a massa e o molho de tomate são ótimas fontes desse antioxidante valioso e barato.

Existem algumas evidências de que o consumo regular de licopeno diminui a probabilidade do indivíduo ter câncer de próstata. De fato, estudos australianos em fase avançada estão demonstrando que o uso regular do licopeno reduz a incidência de alguns tumores viscerais.
"http://pt.wikipedia.org/wiki/Licopeno"

Boas Práticas Farmacêuticas: O Fator humano e a Consciência da Qualidade

Boas Práticas Farmacêuticas: O Fator humano e a Consciência da Qualidade

O Fator humano e a Consciência da Qualidade





A Qualidade é percebida como função que viabiliza e define o sistema continuado das ações de melhoria da qualidade. Este sistema faz parte de um processo contínuo de verificação e correção de produtos e processos, tem uma função estratégica na organização.

A gestão da qualidade deve estar adaptada à realidade e missão de cada empresa, não deve ser um pacote fechado, que bloqueie a criatividade.

O fator humano é a base de sustentação da empresa para a implantação e a continuidade da gestão da qualidade. No mundo competitivo de hoje, não sobrará espaço para aqueles que não se prepararem para atingir níveis de eficiência e qualidade.

A globalização se colocou de forma inexorável no mercado, passando a determinar o seu comportamento e fazer parte do novo cenário mundial, desenvolvendo altos níveis de competitividade, obrigando as economias a reverem suas estratégias operacionais.

Neste novo cenário as regras mais importantes podem ser definidas da seguinte forma: quem não tiver eficiência e qualidade, será banido do mercado. O Brasil como as demais economias do mundo, encontra-se exposto no cenário competitivo internacional e, portanto, precisa investir no conhecimento tecnológico e no treinamento dos seus recursos humanos.

Um dos caminhos para se atingir a eficiência é a Gestão da Qualidade Total, através do qual a empresa terá condições de aumentar sua produtividade, possibilitando o alcance da competitividade e assegurando a sua sobrevivência.

O desenvolvimento da Qualidade deve ser iniciado através do treinamento contínuo dos funcionários, visando uma mudança de comportamento e atitudes em relação aos métodos de trabalho.

A Qualidade Total, segundo Alex Damazio, é basicamente, o princípio e a própria ação para a mudança de comportamento e de atitudes em relação aos métodos de trabalho.

Os princípios que regem a filosofia da Qualidade Total se baseiam nos princípios da satisfação dos clientes, gerência participativa, desenvolvimento dos recursos humanos, constância de propósitos, melhoria contínua, gerência de processos, delegação de poderes, gerência de informação e comunicação, garantia da qualidade e busca da perfeição. Estes princípios deverão ser observados e adaptados à realidade de cada empresa em ações diárias, sejam elas estratégicas ou operacionais.

Os maiores obstáculos à implantação da Gestão da Qualidade são os paradigmas definidos como um modelo de normas e regras de comportamento que criam barreiras às mudanças por insegurança e conservadorismo, principalmente dos funcionários mais acomodados, que não entendem os avanços como um benefício às suas tarefas.

Embora todos reconheçam que as mudanças são necessárias, há uma crença generalizada de que a implantação da filosofia da qualidade provoque mudanças no paradigma.

Na maioria das empresas, principalmente naquelas que tem seus objetivos voltados para fins sociais, revela-se com freqüência pouca atenção atribuída à pessoa humana, cujo o desempenho, comprometimento e esforços são essenciais tanto para a qualidade dos produtos quanto para os serviços prestados.

A ausência de recompensa sociais ou salariais contribui para que os funcionários se sintam desmotivados a dar o melhor de si todos os dias. Os resultados deste equilíbrio, entre desempenho e reconhecimento tem levado a uma constante insatisfação e reclamação por parte dos funcionários.

Por outro lado, a insatisfação, levando a um baixo desempenho tem reflexo no usuário, que necessita de um excelente atendimento por parte dos serviços.

O treinamento dado a estes funcionários, na maioria das vezes, é de caráter teórico, uma vez que as condições físicas e materiais contrastam com o objetivo das metas que se deseja alcançar.

Culpar os servidores por não desempenharem bem suas funções ou por não proporcionarem um serviço eficiente e rápido aos usuários contribui para criar uma imagem distorcida destas pessoas, denegrindo a imagem da coisa pública. Há que se pensar que, sendo o ser humano fator fundamental para a implementação da Gestão da Qualidade Total, fica cada vez mais distante atingir este degrau.

A falta de um treinamento objetivo e o distanciamento físico dos órgãos encarregados desses treinamentos, a falta de um sistema de avaliação do grau de satisfação dos clientes e a não participação da alta administração muitas vezes levam a um desperdício de tempo e recursos.

Por outro lado, as pessoas treinadas não saem capacitadas a serem multiplicadoras eficientes e líderes nos treinamentos dos subordinados. Sendo estes os responsáveis pela prestação direta dos serviços aos clientes acabam penalizados pela má qualidade dos serviços.

A ênfase numa administração mais política tem levado alguns serviços a um distanciamento entre o padrão de qualidade desejável e o efetivamente realizado.

Precisamos despertar a consciência dos dirigentes de empresas públicas e privadas para a compreensão de que sendo o capital humano o fator básico da empresa, é, necessário investir no aporte de conhecimentos, cujos resultados não são apenas de ordem financeira, mas principalmente de eficiência e de qualidade.

A implantação da qualidade surge da consciência do trabalhador para o trabalho em equipe, com ênfase ao trabalho participativo e cooperativo. Deve-se iniciar pela análise de problemas e a busca de solução para então se dar início ao trabalho.

Uma das premissas básicas da Gestão da Qualidade é a valorização do ser humano: desenvolver o potencial das pessoas e atender dentro do possível as necessidades deve ser meta das empresas que desejam trabalhar com qualidade.

Uma das grandes dificuldades encontradas nas empresas reside no fato dos seus dirigentes serem, de uma forma geral, despreparados para as funções que exijam a Qualidade Total, como meta a ser alcançada Uma outra reside na excessiva preocupação em apresentar - gráficos e relatórios - que demonstrem haver ultrapassado metas de gestões anteriores, reduzindo a qualidade a um plano secundário.
Por:Antonio Celso da Costa Brandão


O tema qualidade está despertando enorme interesse nas empresas, porém muitos empresários ainda não entenderam bem o que ela significa. Muitos estão imaginando que qualidade é comprar novas máquinas ou instalar um novo programa de computador no escritório pensando que a qualidade é uma tecnologia cuja implantação depende de trabalhos isolados. Para os que estão pensando que assim se faz qualidade terão enormes decepções, perdas de tempo e de dinheiro.

A ESSÊNCIA DA QUALIDADE

Qualidade é algo associado a novas tecnologias, especialmente às modernas técnicas de gestão empresarial, mas não se limita a tecnologias. A verdadeira essência da qualidade, condição fundamental para um programa ser bem sucedido, é um conjunto de mudanças fundamentais dos padrões de percepção, pensamento e comportamento das pessoas, criatividade e inovação, caracterizando um novo paradigma para os administradores de empresas. Quem não entender que implementar qualidade é mexer com o interior das pessoas terá muitas dificuldades para iniciar um programa de melhoria.

AS PESSOAS NA QUALIDADE

As empresas são formadas por pessoas humanas que buscam a satisfação de suas necessidades e da própria sobrevivência, inclusive de suas famílias, através do trabalho. Os resultados de uma empresa estarão sempre na dependência das pessoas.

É parte do ser humano buscar constantemente novos conhecimentos, valores e habilidades profissionais para plena realização. Acontece que nossa sociedade adota o procedimento de controlar o comportamento das pessoas através dos castigos e recompensas. A conseqüência disso tudo é de que as pessoas investem suas potencialidades na preocupação com os castigos e recompensas, com o que os outros estão pensando, ao invés da ação em si mesma, não deixando fluir toda a naturalidade, a criatividade e a autenticidade.

A motivação por um trabalho bem feito deveria estar no próprio trabalho. O medo de errar deveria ser eliminado, não somente nas empresas, mas na sociedade como um todo e passar a ser entendido como uma aprendizagem. Este processo de controle alienante prossegue durante toda a vida das pessoas - já faz parte da cultura - por vezes transformando-o num ser incapaz de aprender, de pensar, de criar e até de sentir alergia em seu trabalho.

TEORIA x PRÁTICA

A visão da qualidade é fundamentalmente otimista, apontando para a realização e liberdade das pessoas, com a melhoria das condições de vida, progresso econômico e social. Contudo, ao compararmos a teoria com prática da qualidade nas empresas, por vezes, ficamos decepcionados. Os modos como a qualidade é implementada leva a demissão de funcionários, ao crescimento de lucros sem distribuição, aumento do nível de controle, automação, menos criatividade e mais rotina, à alienação e a desmotivação.

Não basta contratarmos uma consultoria externa para a implementação de um programa de qualidade. O sucesso de um programa de qualidade não é automático nem assegurado, mesmo quando a metodologia utilizada já deu certo em outras empresas. A verdadeira qualidade precisa ser criada em cada caso, ela é uma conseqüência de nossas atitudes e valores. As técnicas em si não asseguram o sucesso, elas dependem fundamentalmente das pessoas. Os responsáveis pela qualidade serão sempre as pessoas que integram a empresa.

AS MUDANÇAS PARA A QUALIDADE

A adaptação às mudanças é uma questão de sobrevivência das empresas. No passado o ciclo de mudanças era mais demorado e uma empresa podia prosperar durante um século fazendo pequenos ajustes no produto. Atualmente, as crises nas organizações são mais freqüentes devido às mudanças sociais e tecnológicas muita rápidas. Então, as mudanças passam a ser regra, não exceção, na vida das empresas. Percebem-se os sinais de mudanças de três maneiras: o modelo velho está dando sinais de cansaço; o mundo mudou; e, a nossa maneira de pensar mudou.

A qualidade encontra-se inserida nesse processo de mudanças e sua essência está em desenvolver a capacidade da empresa em questionar constantemente seus hábitos e estruturas, mantendo em vista seus fundamentos e sua razão de ser.

Por fim, o ambiente das empresas mudou muito. Na verdade, a mudança passou a fazer parte do próprio ambiente, mas as mudanças de atitudes fundamentais, com a revitalização das pessoas, ainda estão distantes de serem atingidas. Estas devem começar pelos executivos ou os donos do "negócio" influindo no comportamento de seus subordinados. Pena que muitos ainda entendem que quem deve mudar são os outros e eles próprios não precisam mudar. Só que, aos poucos, acabam desaparecendo.
Por Geraldinho Buffon

“Mudança é, em nossos dias, uma ‘palavra mágica’. Vivemos a época das grandes mudanças e provavelmente nunca houve consciência tão acentuada para o fato. Realmente, é possível acompanhar e, mais que isso, sentir a ocorrência de modificações significativas no nosso ambiente através das mensagens que nos chegam de todas as fontes a todo o momento”.

Estas palavras, tão atuais, foram escritas em 1974 pelo consultor, J. M. Rodrigues Noronha, o que reforça a constatação de que mudança é um processo que deve ser praticado e sustentado nas Organizações.

Numa abordagem sistêmica identificamos os dois componentes das Organizações: o subsistema técnico, constituído da tecnologia, dos equipamentos e das instalações, entre outros, e o subsistema social,o fator humano, com seus estilos de relacionamento interpessoal, de liderança, de uso do poder e de trabalho em equipe, seus processos motivacionais, hábitos, costumes, e valores pessoais.

Quem implementa, pratica e sustenta os níveis de Qualidade, gerindo e participando dos processos organizacionais, individualmente ou em grupo, é fator humano. Para tanto, as pessoas devem estar comprometidas com todo o processo.

As pessoas comprometem-se mais facilmente quando se sentem co-responsáveis pelas idéias e isto se consegue estimulando a participação, que não é alguma coisa que se permite, e sim, algo que se estimula, exigindo esforço e ação. Para tanto, o papel do agente é essencial.

Numa inversão de palavras para reforço do conceito, é a Qualidade da Gerência, para a qual a eficácia da gestão do fator humano é prioritária.

O tema deve ser enfocado de forma estratégica, pois a satisfação das pessoas no trabalho é fator primordial para o atingimento dos níveis excelentes de Qualidade. É importante reconhecer e tratar o fator humano tão seriamente quanto tratamos os outros fatores, traçando planos, avaliando a eficácia com relação à sua gestão e aumentando a habilitação interpessoal dos gerentes e da Organização.

A eficácia e sinergia do trabalho em equipe, um dos itens que mais têm preocupado os gestores atualmente, é um exemplo disto. Os seus fatores causais são mais o processo de relacionamento do grupo, que cria clima apoiador para a maximização da criatividade e do comprometimento, e menos os recursos individuais e técnicos disponíveis.

A habilidade interpessoal é a capacidade e discernimento para trabalhar com pessoas, onde se incluem a competência no relacionamento interpessoal, a compreensão do processo de motivação, e a aplicação de liderança eficaz.

Complementando, fica a recomendação para que os programas de treinamento e desenvolvimento do fator humano para a Gestão pela Qualidade tenham sua abordagem fundamentada na habilidade interpessoal e baseada no seguinte:


As pessoas não resistem à mudança, mas sim a “serem mudadas”, portanto para a mudança de comportamento devemos buscar o seu comprometimento, que é conseqüência de seu envolvimento;

O objetivo é fornecer informações relevantes para a reflexão, criando clima apoiador para a conscientização e decisão de mudar, que é de cada um;

As técnicas usadas devem ser as da educação de adultos, propiciando a aprendizagem através de absorção de conceitos abstratos e teorias, da observação reflexiva, da experimentação ativa e da experiência concreta;

Os conceitos devem ser apresentados de forma não diretiva e têm a função de aumentar o conhecimento do participante, diminuindo sua insegurança e sua reação emocional de resistência à mudança;

O grupo deve ser encorajado a apresentar e reconhecer seus próprios valores, recursos e conhecimentos, gerando criatividade através da administração eficaz dos conflitos e a buscar a compatibilidade produtiva através do consenso; e

as correntes teóricas, mesmo que percebidas como antigas, não devem ser descartadas em prol da “modernas” sem uma avaliação profunda da aplicação real de seus princípios e a relação de causa e efeito.


A importância de conhecer a si próprio, competências, anseios, metas e sua relação com a qualidade das atividades que exercem . É um importante pre-requisito para o ser humano se organizar afim de alcançar os próprios objetivos e saber conduzir todo o processo apesar das dificuldades que naturalmente permeiam este objetivo.
Quando o indivíduo se permite trabalhar este conjunto de aspectos, ele é respeitado e estimulado pelos que o cercam criando um ambiente motivacional importante.

As pessoas que tem oportunidade de participar poderão transmitir esses "sentimentos" para os colegas através de mudanças em seus próprios comportamentos, da construção de mecanismos para alcançar suas metas pessoais, dentro e fora do ambiente de trabalho.

Outra forma de passar esses "sentimentos" para os colegas é através de uma nova forma de olhar para ele, elogiando-o, estimulando-o, respeitando-o e permitindo que desempenhe suas competências em seu ambiente de trabalho.
Por: Eduardo Rocha

A gestão do desempenho é mais que projetar, desenvolver e usar instrumentos de avaliação de desempenho.
Gestão do desempenho é um sistema projetado de maneira integrada para satisfazer as necessidades de desempenho humano no local de trabalho.
Este artigo, de dois especialistas da American Society for Quality (ASQ), dos Estados Unidos, apresenta um modelo e uma descrição das primeiras etapas do desenvolvimento de um sistema de gestão do desempenho humano.

Programas e processos da qualidade enfocam, tipicamente, a melhoria de velhos processos e a criação de novos, promovendo mudança incremental ou radical no modo de executar o trabalho. Em sua maioria, esses programas requerem que os processos sejam “mapeados, mensurados e melhorados, ou reengenheirizados”, conforme as necessidades, para satisfazer os requisitos dos clientes. Esta sede, tão dominante nos últimos dez anos, foi saciada com resultados mistos na comunidade corporativa. O que pode ter parecido a alguns como sendo uma ênfase exagerada sobre “qualidade”, à custa de prestar atenção às boas práticas negociais, parece ter colocado fora dos negócios algumas organizações outrora reconhecidas. Todavia, a demanda por melhor qualidade dos serviços e produtos continua; e está claro que a necessidade de aperfeiçoar a maneira pela qual o trabalho é realizado também deve continuar.


A melhoria do modo de fazer o trabalho deve incluir uma proativa ênfase no apoio aos empregados para que desempenhem suas tarefas de forma alinhada com os planos da organização e do negócio. As iniciativas da qualidade têm êxito quando o trabalho – papel e responsabilidade – de cada pessoa está ligado aos objetivos do negócio. Este documento descreve um modelo conceitual de gestão do desempenho e as primeiras etapas da criação de um sistema abrangente nesse sentido.

Abordagem tradicional não favorece desenvolvimento de RH


Gestão do desempenho parece ter-se tornado sinônimo de avaliação do desempenho e de definição de valor do desempenho. Os termos “avaliação do desempenho” e “definição de valor do desempenho” carregam uma bagagem negativa. Uma das percepções mais desfavoráveis é a de que o valor líquido dos empregados cai a um simples número, em intervalos periódicos no calendário, e que esse número pode relacionar-se ou não a conhecimento direto ou a experiência resultante do modo como o empregado satisfez os requisitos de seu serviço ao longo do tempo. Embora esta abordagem possa facilitar a tarefa dos especialistas em compensação, não favorece o crescimento e desenvolvimento dos recursos humanos de uma organização. Se o sistema de avaliação utilizado for eletrônico ou em papel, se for de 360o ou de alto a baixo, é, na verdade, apenas um componente da gestão do desempenho humano.

A gestão do desempenho humano consiste em ajudar os empregados a entender seu trabalho e o que é um desempenho aceitável, promover o alinhamento das metas individuais com os objetivos organizacionais, ligar as necessidades do empregado às atividades de desenvolvimento (que podem envolver ou não o treinamento) e estimular e remunerar o comportamento desejável.

Um sistema de gestão do desempenho e as ligações entre aspectos-chave do desempenho organizacional podem ser vistas com os componentes necessários à gestão do desempenho humano.
Quando fizeram o inventário dos componentes no diagrama, muitas organizações descobriram que havia algumas peças em falta.


Faça a conexão das necessidades e requisitos do cliente com o desempenho individual

Necessidades e expectativas do cliente

Após alguma análise, as organizações podem descobrir que sua operação se baseia em suposições daquilo que querem ou esperam seus clientes. Seu plano de mercado ou seus processos operacionais podem estar baseados em expectativas e percepções internas ou em dados históricos que não foram, necessariamente, atualizados com as tendências em mutação. Em muitos casos, as organizações estão descobrindo que, na realidade, não perguntaram a seus clientes quais são suas necessidades e expectativas. Ao não fazerem estas perguntas, realmente, e por operarem com base em presunções, elas podem estar subotimizando o desempenho dos empregados.

A pergunta fundamental que uma organização pode formular aos clientes é: “Quais são suas necessidades e expectativas, e qual a melhor maneira que temos de satisfazê-las ou excedê-las?” Isto provoca um impacto na visão, na missão e nas metas da empresa, e deve orientar toda a organização.

Visão/missão, valores, metas

Orientados pelas expectativas do cliente, a visão/missão, os valores e as metas de uma organização são criados para guiar o desempenho e o comportamento em cada nível. Esses princípios orientadores impactam cada empregado, desde o executivo-chefe até o de nível mais baixo na hierarquia, à medida que as decisões do dia-a-dia são tomadas para garantir que todos os aspectos do desempenho da organização estejam direcionados no sentido de satisfazer os clientes. A visão provê o coração e a alma da organização – o ponto em que ela se vê no futuro “estado perfeito”. A missão descreve, tipicamente, o negócio que está sendo operado para realizar a visão. Os valores definem os princípios básicos identificados como guia do comportamento humano e da interação pessoal. As metas proporcionam os alvos mensuráveis para os quais os comportamentos individual e coletivo devem mirar. Cada uma dessas definições deve ser comunicada a todos os empregados de modo regular e consistente. Isto é, afinal, o que é reforçado por meio do sistema de gestão do desempenho.

Competências e processos essenciais da organização

Toda organização bem-sucedida tem um conjunto de competências essenciais, quer elas tenham sido formalmente reconhecidas ou não.
As competências essenciais são aquelas capacidades-chave que distinguem uma organização dos seus concorrentes. Identificar e incrementar as competências essenciais é uma maneira de estabelecer o diferencial entre uma organização e outra, em um mercado. Identificar as competências essenciais também dá uma oportunidade para caracterizar e descrever os processos essenciais do negócio, que proporcionam o alicerce para a estabilidade e previsibilidade da organização.

Processos de negócios são atividades, eventos, práticas e procedimentos conexos, por meio dos quais as mercadorias e os serviços de uma organização são colocados à disposição do cliente. Os processos essenciais são aqueles mais importantes dentro da organização, que sustentam toda a operação. Sem eles, a organização não sobreviveria. Embora outros processos possam apoiar esses processos essenciais, é importante identificar e recordar quais processos impulsionam a empresa no sentido de desenvolver produtos e serviços necessários ao alcance dos objetivos do negócio. Os processos essenciais devem ser projetados para assegurar que as competências se desenvolvam de modo eficaz e eficiente. As iniciativas da qualidade contemplam, tipicamente, esses processos essenciais, o que é importante, mas é apenas um dos aspectos do desempenho organizacional.


Desempenho individual

As competências essenciais da organização terão implicações quanto às espécies de conhecimentos, habilidades e competências (CHCs), bem como atividades e comportamentos, necessários no nível individual. Para maximizar o impacto das competências essenciais da organização, devem estar presentes, no nível individual, atividades, comportamentos ou CHCs específicos. O comportamento individual e coletivo de um empregado contribui para as competências essenciais da organização. Quando esta conexão se torna visível ao empregado, ajuda-o a entender como ele contribui para o sucesso da organização, o que se torna altamente importante se as premiações (tanto as intrínsecas como as extrínsecas) forem ligadas ao desempenho ou habilidades.

Conexão do suporte ao desempenho individual com o trabalho individual


Este é o ponto em que as organizações tipicamente presumem que todo o trabalho consiste na criação de um sistema de gerenciamento do desempenho. Contudo, conforme já foi explicado acima, há importantes ligações entre as necessidades e requisitos do cliente e o desempenho individual do empregado. Em seguida, será feita a conexão entre o suporte ao desempenho individual e o trabalho individual propriamente dito.

Até agora, os elementos da figura de um sistema de gestão do desempenho foram abordados trabalhando-se da direita para a esquerda, começando com “necessidades e expectativas do cliente” e terminando com “desempenho individual”. Agora, o restante da figura será explicado da esquerda para a direita, começando com “análise do serviço, especificações do pessoal, requisitos de desempenho e descrições do serviço” .

Análise do serviço, especificações do pessoal, requisitos de desempenho e descrições do serviço

O suporte ao desempenho individual começa com uma análise do serviço, que é o exame de cada trabalho em termos das tarefas, deveres e comportamentos necessários à sua realização. As especificações do pessoal delineiam as CHCs e outros requisitos humanos necessários para alcançar êxito no serviço. Os requisitos do desempenho identificam os vários níveis de desempenho individual e de equipe. A questão fundamental é: “Como é que a organização vai saber quando um empregado ou uma equipe é altamente eficaz, moderadamente eficaz, ou não é eficaz de forma alguma no serviço?” Seja ao projetar ou validar um processo de seleção, um processo de avaliação de desempenho, um processo de definição do valor de desempenho, ou qualquer outro componente de um sistema integrado de gestão do desempenho, devem ser identificados os níveis de eficácia e de ineficácia no desempenho de serviços. O processo de análise do serviço é subjacente a todos os outros passos em um bem-sucedido sistema de suporte ao desempenho individual, afetando o recrutamento, a seleção, a avaliação do desempenho, a definição do valor do desempenho e o treinamento individual e de equipe. Uma vez reunidas todas essas informações, as descrições de serviço podem ser criadas para manter todos os dados relevantes acerca de cada serviço.

Normas para recrutamento e seleção

Após completado o processo de análise do serviço, com deveres, tarefas, comportamentos, CHCs e esboço dos níveis desejáveis de desempenho, relativos a cada posto, podem ser criadas normas de recrutamento e seleção, para utilização no preenchimento das vagas que forem surgindo na empresa. Em seqüência ao desenvolvimento dos critérios de seleção baseada na análise do serviço, podem ser criados e validados os procedimentos da seleção, os quais predirão melhor que candidatos terão maior probabilidade de ser empregados bem-sucedidos.

Avaliação do desempenho

Este é o processo de prestar informações aos empregados sobre o desempenho individual ou de equipe, que com freqüência leva ao treinamento e desenvolvimento. Por meio da análise do serviço, são esboçados as tarefas, os deveres e os comportamentos relevantes, em termos individuais, e identificados os níveis de desempenho. O processo de avaliação provê feedback aos empregados, individualmente, a respeito da maneira como cada um deles se desincumbiu do serviço e como pode melhorar o desempenho. Este é, também, o momento em que são fixadas as metas do próximo período de avaliação, bem como identificadas e planejadas as oportunidades relevantes de treinamento ou desenvolvimento para o indivíduo.

Atividades de feedback/coaching, treinamento e desenvolvimento

O processo de avaliação ajuda os empregados e gerentes a chegarem a um acordo sobre planos individuais de treinamento e desenvolvimento, fazendo ligações diretas entre os resultados da avaliação e oportunidades de treinamento e desenvolvimento. Estas oportunidades de treinamento e desenvolvimento devem estar interconectadas com o processo de avaliação para garantir que as atividades de treinamento ou desenvolvimento fiquem à disposição dos empregados e gerentes.

Definição do valor do desempenho

Este é o processo de avaliação do desempenho ou das habilidades em termos do seu valor ou valia para a organização. Faz a conexão do desempenho ou habilidades individuais e de equipe com a remuneração e as promoções. A análise do serviço inclui em seus resultados informações sobre os níveis do desempenho exitoso, tendo impacto na definição do valor do desempenho. O desempenho individual é avaliado por confronto com os critérios identificados no processo da análise do serviço, prestando assistência à organização quando esta vai decidir como remunerar ou dar reconhecimento a indivíduos ou equipes por meio de promoções, bônus, aumentos salariais etc.

Sistema de compensação & benefícios, premiações & reconhecimento

Se os indivíduos ou equipes têm compensações baseadas no desempenho, antigüidade ou habilidades adquiridas, isso depende da filosofia organizacional quanto à recompensa do desempenho. Uma dica para o êxito deste elemento é envolver empregados, gerentes e executivos na identificação das premiações verdadeiramente significativas para eles. Combinar um sistema de compensação significativa com um sistema de treinamento e desenvolvimento dá aos empregados e gerentes incentivo e apoio de que eles precisam para chegar a um desempenho máximo.

Trajetória da carreira e planejamento da sucessão

A trajetória da carreira envolve a descrição em termos objetivos (baseados na análise do serviço, especificações do pessoal e requisitos do desempenho) da seqüência de serviço e experiências de trabalho em sua organização. Sob a perspectiva individual, isto possibilita a clara identificação do trajeto que sua carreira poderia seguir em sua organização. Também elimina a suposição sobre como se deve movimentar, horizontal ou verticalmente, na organização, porque o serviço, as especificações de pessoal e os requisitos do desempenho foram claramente identificados. Sob a perspectiva da organização, o planejamento da sucessão é o processo de projetar quais as posições que necessitarão ser preenchidas no futuro, bem como de certificar-se de que o talento vem sendo desenvolvido por meio da seleção, treinamento, trajetória da carreira e promoções. Adotados em conjunto, a trajetória da carreira e o planejamento da sucessão garantem que a organização e seu pessoal tenham os melhores recursos humanos disponíveis agora e no futuro.

Os sete elos esboçados acima demonstram como os componentes-chave do suporte ao desempenho individual são interdependentes e críticos para a garantia de que bons candidatos ao serviço sejam contratados, de que os indivíduos e as equipes sejam avaliados sob critérios objetivos e relevantes no que concerne ao serviço e que premiações e oportunidades de desenvolvimento significativas estejam disponíveis para melhorar o desempenho. Como um sistema, o quadro completo aparece quando todas as variáveis específicas do cliente e da organização (no lado direito da figura 1) guiam o desenvolvimento do Sistema de Suporte ao Desempenho Individual, garantindo que os indivíduos e as equipes sejam focalizados e premiados pela luta contínua no sentido do atingimento das metas da organização voltadas à satisfação ou superação das expectativas do cliente em toda instância.

Os elementos do diagrama do sistema de gestão do desempenho proporcionam visão acurada de um sistema ideal desse tipo em qualquer organização. Todavia, nem todas as organizações completam o esforço e tomam as decisões difíceis para criar um sólido sistema de gestão do desempenho que apóie a cultura interna, melhore o desempenho individual e de equipe e, desta forma, incremente o desempenho organizacional. Na próxima seção, serão discutidas com brevidade algumas variáveis-chave que afetam o desenvolvimento de um sistema desses.

A próxima discussão inclui variáveis fundamentais a serem consideradas ao se planejar o desenvolvimento de um sistema de gestão do desempenho que seja, ao mesmo tempo, o certo para uma organização e seus empregados.


Cultura organizacional única

Uma cultura organizacional única ou exclusiva afetará cada elemento de seu sistema de gestão do desempenho. Por exemplo, considere sistemas padronizados de avaliação e definição de valor do desempenho. Para que sejam aplicáveis a muitas organizações, eles devem ser projetados no vácuo, isto é, um sistema padronizado de avaliação ou de definição do valor do desempenho não pode refletir a cultura de nenhuma organização em particular, senão se tornará inútil para todas as demais. Ao contrário, ele é projetado para refletir o viés não declarado sobre a cultura e provê resultados incompletos e talvez impróprios da avaliação e da definição de valor do desempenho.

Alinhar com uma cultura exclusiva é mais do que carimbar com o logotipo da companhia a capa do instrumento de avaliação ou definição do valor do desempenho. Significa garantir o ajustamento deste com os valores, estrutura e processos da companhia. Por exemplo, um sistema de avaliação e definição do valor do desempenho excessivamente estruturado afundaria uma organização competitiva, com elevado risco comercial. Portanto, é importante investigar os parâmetros que a cultura de sua organização exigiria de um sistema de gestão de desempenho. Igualmente, os processos de seleção precisam ser desenvolvidos e validados de acordo com os conjuntos de habilidades únicas ou exclusivas, necessárias em sua organização.


Valores organizacionais

Toda organização valoriza certos aspectos do desempenho do empregado, e eles devem ser claros para todo mundo. Perguntas-chave a serem feitas:

A organização atribui valor mais alto ao desempenho individual?
A organização dá valor ou quer promover uma contribuição individual à equipe?
A organização atribui valor superior ao desempenho em nível de equipe?
A organização dá valor maior a habilidades individuais já desenvolvidas e a desenvolver?
A organização dá valor superior a habilidades de equipe já desenvolvidas e a desenvolver?
A organização oferece oportunidades de aprendizado para promover o desenvolvimento das equipes e dos indivíduos?
Dentro de cada uma dessas perguntas jazem certos valores organizacionais que ajudam a criar o alicerce para o desenho e a implementação de um sistema de gestão do desempenho. Com demasiada freqüência, as organizações descobrem que o processo de desenvolvimento de um sistema de gestão do desempenho desvenda desencontros de algum nível entre valores declarados e aqueles que são realmente passados aos empregados por meio de remuneração formal e informal do desempenho. Esses problemas devem ser solucionados para ser desenvolvido um bem-sucedido sistema de gestão do desempenho.


Estrutura organizacional

A estrutura da organização influenciará o desenvolvimento do sistema de gestão do desempenho. Se a companhia for altamente estruturada, é provável que seja necessário um sistema altamente centralizado para dar apoio à cultura e à estrutura da organização. Se ela for altamente descentralizada, dividida em equipes com significativa responsabilidade na tomada de decisões, talvez seja necessária adotar seleção, avaliação e definição de valor do desempenho baseadas em equipes. O sistema de gestão do desempenho deve espelhar e apoiar a cultura e a estrutura.


Criação de um sistema de gerenciamento de desempenho

A criação e a implementação de um sistema de gestão do desempenho, de alto valor, requerem que sejam dados vários passos, entre os quais a promoção de encontros, a coleta de dados e sua análise, e a criação de instrumentos, práticas e procedimentos específicos. As seguintes etapas demonstraram ser eficazes em várias organizações.

Assegure que a alta administração compre a idéia

Promova encontros para garantir que a liderança executiva da organização tenha o desejo de investir em um processo que, estratégica e taticamente, ligará o desempenho individual aos objetivos do negócio. Ajude os altos administradores a vislumbrarem o processo inteiro, bem como o tempo e a firmeza necessários à obtenção de sucesso na iniciativa. Garanta que eles entendam ao mesmo tempo os benefícios e os riscos de tal processo. Crie com o apoio deles um plano de alto nível de implementação que identifique a participação deles em marcos importantes. Peça-lhes que patrocinem a equipe responsável pelo projeto e pela implementação dessa iniciativa. Instrua-os a criarem a declaração da missão para o projeto de desenvolvimento e desdobramento da gestão do desempenho, e dê-lhes assessoria na definição de limites dentro dos quais essa iniciativa deve permanecer. Prepare-os para lançarem a equipe.

Identifique os membros da equipe

Escolha integrantes da equipe que tragam o seguinte conhecimento: as práticas de recursos humanos existentes na organização, as restrições legais sob as quais a companhia deve operar, a perspectiva do pessoal que vai prover a maior parte do feedback e a perspectiva do pessoal que irá receber esse feedback, as diferenças funcionais ou culturais entre as funções, departamentos ou divisões, e outras considerações importantes. Contribua para que a equipe seja lançada com todo o conhecimento e informação de que vai necessitar para criar e implementar com êxito um plano detalhado.

Defina o sistema de gestão do desempenho existente, incluindo um levantamento das atitudes dos empregados, descrições do serviço, processos e práticas de suporte ao desempenho humano.

Colete dados de cada uma das múltiplas categorias de partes interessadas e categorias de serviço. Determine a extensão em que os empregados usam o processo existente e as razões por trás do seu comportamento. Recolha dados sobre cada categoria de serviço que descrevam o que a pessoa realiza no serviço, bem como quem é o cliente destinatário dos produtos. Colha dados sobre a extensão em que as atividades-chave de suporte ao desempenho satisfazem as necessidades individuais e organizacionais. Identifique cenários, se houver, para os vários componentes de um novo sistema de gestão do desempenho e teste-os como hipótese com focus group. Recolha idéias e subsídios entre os executivos, gerentes e empregados no tocante à melhor maneira de satisfazer as suas necessidades de feedback e apoio ao desempenho.

Valide ou crie a visão, missão, valores, princípios norteadores e objetivos negociais da organização

Facilite reuniões com a liderança para validar ou criar visão, missão, valores, princípios norteadores e objetivos negociais da organização. Assegure que os valores e os princípios norteadores sejam definidos em termos comportamentais para dar uma referência básica diante da qual todos os comportamentos possam ser comparados. Certifique-se de que a liderança da organização compreende como essas declarações vão dar aos empregados a orientação sobre a forma de comportar-se.

Defina os processos e competências essenciais da organização

Promova sessão de funções cruzadas a fim de identificar cada uma das etapas necessárias para satisfazer os requisitos do cliente; então, colha os dados junto a clientes por categorias de serviço para garantir que os produtos finais de cada uma delas satisfaçam as exigências do consumidor. Defina as competências essenciais da organização; e, aí, identifique a extensão em que se espera que cada categoria de colaboradores, entre executivos, gerentes e empregados, demonstre aquelas competências por meio da execução da tarefa e do comportamento desejável.

Identifique as lacunas existentes no atual sistema de gestão do desempenho humano e como elas se relacionam com a capacidade dele de satisfazer as necessidades do desempenho humano na organização

Compare os resultados da análise do atual sistema com aqueles identificados na coleta de dados relativos às atividades conduzidas em torno da visão, missão, valores, princípios norteadores e objetivos negociais, bem como em torno de processos e competências essenciais da organização. Determine quais são os componentes do sistema existente que podem ser integrados em um novo sistema.

Crie ou incremente o sistema de suporte ao desempenho humano individual

Comprometa-se com os seguintes passos para criar ou incrementar o sistema de suporte ao desempenho humano individual:


Realize uma análise detalhada do serviço de cada posição

– As tarefas, as atividades, os comportamentos e as responsabilidades-chave de cada posto devem ser analisados e documentados, construindo o alicerce para cada aspecto da gestão do desempenho humano. Os resultados da análise detalhada do serviço serão importantes na definição das normas para o recrutamento e a seleção, bem como na criação de uma linha básica para a avaliação do desempenho individual.
Crie ou incremente perfis para cada categoria de serviço – Por categoria de serviço, defina o propósito básico do trabalho, os graus de responsabilidade e o conhecimento e as habilidades requeridos para executá-lo em consonância com os requisitos do cliente. Também identifique os principais problemas que este serviço deve resolver e as decisões-chave que precisarão ser tomadas pelo pessoal na atividade.

Crie ou incremente a documentação do recrutamento e seleção para cada categoria e serviço
– Usando os perfis dos serviços como base, crie ou incremente a documentação do recrutamento e seleção, que dará as orientações para facilitar a contratação dos candidatos que melhor se adaptem a cada categoria de serviço.
Crie ou estimule um processo de manter atualizada a descrição das categorias de serviço
– Institua um processo de coleta regular de dados sobre o serviço para garantir que, à medida que as exigências do cliente se modificam e as atribuições das tarefas mudam, os requisitos decorrentes de tais mudanças se reflitam adequadamente por todo o sistema de gestão do desempenho.
Crie ou incremente um processo de compensação e benefícios/premiação e reconhecimento
– recolha dados de mercado sobre categorias similares de serviço em indústrias semelhantes. Com base nas decisões estratégicas sobre visão, missão, valores, princípios norteadores e objetivos negociais, promova reuniões para determinar a postura de compensação que a organização adotará no mercado de emprego. Revise o atual processo de compensação e benefícios/premiações e reconhecimento à luz das decisões estratégicas e faça as mudanças necessárias para o atingimento dos objetivos.
Crie ou incremente um processo formal e informal para medir o desempenho humano e seus resultados – Com base nos dados colhidos, promova reuniões para determinar a extensão em que o atual processo de mensuração do desempenho humano pode ser usado ou precisa ser modificado. Faça modificações no processo de medição do desempenho conforme seja necessário para a satisfação dos requisitos individuais e organizacionais. Leve em consideração variadas ferramentas para esse processo, inclusive metodologias eletrônicas e processos de revisão em 360 graus.
Crie ou incremente um processo praticável de feedback e desenvolvimento/melhoria do desempenho – Institua e implemente um processo que inclua os seguintes elementos-chave:
coaching para mudar o comportamento que não é aceitável, ou que é aceitável mas pode ser melhorado
atividades de treinamento e desenvolvimento para proporcionar oportunidades de progresso e desenvolvimento individual e profissional na medida que se relacionem com a aquisição de conhecimento, melhoria de competências ou criação de habilidades

Crie um processo para monitorar e incrementar, continuamente, o sistema de gestão do desempenho
– Identifique as mensurações específicas que se relacionarão com cada componente do sistema e cada etapa do componente. Crie um processo para medir o desempenho do sistema, colete e estude os dados e use a análise para promover melhoramentos contínuos.

Conclusão

O movimento no sentido do melhoramento da Qualidade e da implementação da melhoria contínua dos processos não vai acabar e não pode acabar.
Todavia, tem sido crescentemente considerado pelas organizações como um modismo ou uma mania que começou a perder o fôlego. As companhias cansaram-se de perseguir a moda-do-ano e estão procurando voltar às práticas negociais conceituadas, que lhes permitam competir em seus mercados. Para que o movimento da Qualidade possa prosseguir dando o benefício completo de suas abordagens e metodologias, deve agora olhar para a fonte da produtividade. E a fonte da produtividade não são os processos, mas sim as pessoas que os desempenham.
Um sistema de gestão do desempenho humano bem-pensado e de alto valor coloca o foco sobre as pessoas e permite garantir que os requisitos do cliente estarão sendo satisfeitos por empregados que forem qualificados quando da sua contração, treinados adequadamente para desempenhar os serviços certos e receberem todo o apoio de que precisarem para sempre agregar valor ao seu local de trabalho. Implementar uma iniciativa da Qualidade sem criar e instalar um sistema de gestão do desempenho humano é um erro que os profissionais da Qualidade não podem se permitir.

por Marcey Uday e Tom Giberson

Fator Humano e a Qualidade

Qualidade: atender e encantar os clientes externos e internos, fazer certo da primeira vez e melhorar sempre. Cabe ressaltar que a produtividade está incluída neste conceito.

A implementação da Gestão pela Qualidade deve ser enfocada como uma mudança organizacional.

“Mudança é, em nossos dias, uma ‘palavra mágica’. Vivemos a época das grandes mudanças e provavelmente nunca houve consciência tão acentuada para o fato. Realmente, é possível acompanhar e, mais que isso, sentir a ocorrência de modificações significativas no nosso ambiente através das mensagens que nos chegam de todas as fontes a todo o momento”.

Estas palavras, tão atuais, foram escritas em 1974 pelo consultor, J. M. Rodrigues Noronha, o que reforça a constatação de que mudança é um processo que deve ser praticado e sustentado nas Organizações.

Numa abordagem sistêmica identificamos os dois componentes das Organizações: o subsistema técnico, constituído da tecnologia, dos equipamentos e das instalações, entre outros, e o subsistema social, o FATOR HUMANO, com seus estilos de relacionamento interpessoal, de liderança, de uso do poder e de trabalho em equipe, seus processos motivacionais, hábitos, costumes, e valores pessoais.

Quem implementa, pratica e sustenta os níveis de Qualidade, gerindo e participando dos processos organizacionais, individualmente ou em grupo, é o FATOR HUMANO. Para tanto, as pessoas devem estar comprometidas com todo o processo.

As pessoas comprometem-se mais facilmente quando se sentem co-responsáveis pelas idéias e isto se consegue estimulando a participação, que não é alguma coisa que se permite, e sim, algo que se estimula, exigindo esforço e ação. Para tanto, o papel do agente é essencial.

Numa inversão de palavras para reforço do conceito, é a Qualidade Total da Gerência, para a qual a eficácia da gestão do FATOR HUMANO é prioritária.

O tema deve ser enfocado de forma estratégica, pois a satisfação das pessoas no trabalho é fator primordial para o atingimento dos níveis excelentes de Qualidade. É importante reconhecer e tratar o FATOR HUMANO tão seriamente quanto tratamos os outros fatores, traçando planos, avaliando a eficácia com relação à sua gestão e aumentando a habilitação interpessoal dos gerentes e da Organização.

A eficácia e sinergia do trabalho em equipe, um dos itens que mais têm preocupado os gestores atualmente, é um exemplo disto. Os seus fatores causais são mais o processo de relacionamento do grupo, que cria clima apoiador para a maximização da criatividade e do comprometimento, e menos os recursos individuais e técnicos disponíveis.

A habilidade interpessoal é a capacidade e discernimento para trabalhar com pessoas, onde se incluem a competência no relacionamento interpessoal, a compreensão do processo de motivação, e a aplicação de liderança eficaz.

Complementando, fica a recomendação para que os programas de treinamento e desenvolvimento do FATOR HUMANO para a Gestão pela Qualidade tenham sua abordagem fundamentada na habilidade interpessoal e baseada no seguinte:

as pessoas não resistem à mudança, mas sim a “serem mudadas”, portanto para a mudança de comportamento devemos buscar o seu comprometimento, que é conseqüência de seu envolvimento;
o objetivo é fornecer informações relevantes para a reflexão, criando clima apoiador para a conscientização e decisão de mudar, que é de cada um;

as técnicas usadas devem ser as da educação de adultos, propiciando a aprendizagem através de absorção de conceitos abstratos e teorias, da observação reflexiva, da experimentação ativa e da experiência concreta;

os conceitos devem ser apresentados de forma não diretiva e têm a função de aumentar o conhecimento do participante, diminuindo sua insegurança e sua reação emocional de resistência à mudança;

o grupo deve ser encorajado a apresentar e reconhecer seus próprios valores, recursos e conhecimentos, gerando criatividade através da administração eficaz dos conflitos e a buscar a compatibilidade produtiva através do consenso; e

as correntes teóricas, mesmo que percebidas como antigas, não devem ser descartadas em prol da “modernas” sem uma avaliação profunda da aplicação real de seus princípios e a relação de causa e efeito.

Eduardo Rocha,