4.09.2018

Cresce apoio pela indicação de Lula para o Prêmio Nobel da Paz


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo preso injustamente, poderá ganhar o Prêmio Nobel da Paz. Em apenas cinco horas, o petista obteve o apoio de 100 mil pessoas num abaixo-assinado na internet organizado pelo argentino Adolfo Pérez Esquivel — Nobel da Paz em 1980.
petição online foi endereçada à presidenta do Comitê Nobel da Noruega, Berit Reiss-Andersen, e pretende alcançar 150 mil apoiadores nas próximas horas.
“Por meio desta carta, gostaria de apresentar a esta Comissão a candidatura ao Prêmio Nobel da Paz de Luiz Inácio “Lula” da Silva, ex-Presidente da República Federativa do Brasil entre 2003 e 2010, que através de seu compromisso social, sindicato e político, desenvolveu políticas públicas para superar a fome e a pobreza em seu país, uma das desigualdades mais estruturais do mundo”, defende Esquivel.
Lula está preso deste sábado (7) na carceragem da Polícia Federal de Curitiba. Ele é considerado um preso político pelas principais lideranças mundiais que, nesta quarta (7), prometem um ato internacional na capital paranaense pela sua liberdade.

O que causa câncer e quais seus sintomas e tratamentos


No Dia Mundial de Combate ao Câncer, entenda como um tumor maligno surge, cresce e afeta a saúde – e quais os remédios e métodos de prevenção que temos

O que causa câncer? Ora, ele surge quando uma célula do corpo sofre um conjunto de mutações que a fazem se proliferar desordenadamente, invadir locais onde não deveria estar e escapar de mecanismos de defesa do organismo que a destruiriam. Esse crescimento descontrolado pode acontecer em diferentes áreas – pulmão, cólon, mama, cérebro, pele, ossos, nervos, estômago, intestino…
Aos poucos, as células tumorais tomam o lugar das saudáveis e abalam o funcionamento do órgão afetado. Quando a doença avança, pode se espalhar pelo corpo, fenômeno conhecido como metástase. Aí o tratamento fica mais complexo.
O desenvolvimento anormal da célula acontece por um defeito no DNA. Essas alterações podem ser herdadas dos pais, pipocar de modo espontâneo ou decorrer de agentes externos, como cigarro, vírus, exposição excessiva ao sol, obesidade e consumo de certos alimentos. Esses são os fatores cancerígenos
Essa doença pode atingir células sanguíneas (são os cânceres líquidos, assim por dizer) ou órgãos (os sólidos). No primeiro caso, por exemplo, enquadram-se as leucemias, que dão as caras na medula óssea – nossa fábrica de unidades sanguíneas – e os linfoma, formados nos gânglios linfáticos.
Os tumores sólidos, por sua vez, englobam os sarcomas, que atingem músculos, ossos e cartilagens e são mais prevalentes em pessoas jovens. Ou os carcinomas, que atingem o tecido epitelial – que recobre a pele e a maioria dos órgãos – e são mais comuns com a avançar da idade.
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), estima-se que, em 2018, ocorrerão no Brasil cerca de 600 mil novos casos de câncer.

Sintomas e sinais

– Nódulos
– Dores
– Lesões
– Manchas
– Coceira
– Perda de peso
– Fadiga
– Febre frequente
– Sangue nas fezes ou na urina (câncer anal ou de bexiga)
– Rouquidão e dificuldade de fala (câncer de boca e garganta)
– Tosse persistente e sangramento nas vias respiratórias (câncer de pulmão)
– Anemia (leucemia)
– Confusão mental, distúrbios visuais, convulsões (câncer no cérebro)
Dependendo da localização e da agressividade, os sintomas podem demorar mais a aparecer. Isso, claro, impacta na precocidade do diagnóstico e nas chances de sucesso do tratamento.
Fora que esses sinais muitas vezes são confundidos com outros problemas de saúde – um indicativo de que podem sinalizar algo grave é o tempo. Ou seja, se o sintoma não tem motivo aparente e não desaparece após alguns dias, possivelmente está atrelado a alguma doença.

Fatores de risco

– Tabagismo
– Excesso de ingestão de bebida alcoólica
– Obesidade
– Alimentação desregrada: por exemplo, o consumo excessivo de alimentos industrializados ou embutidos, com substâncias como nitritos e nitratos, favoreceria tumores
– Sexo sem proteção
– Exposição a poluentes ou substâncias tóxicas, como amianto, arsênio e níquel
– Exposição prolongada aos raios solares sem proteção
– Radiação
– Remédios à base de hormônios
– Idade: o risco de sofrer de câncer duplica a cada cinco anos após os 25 anos de idade
– Infecções virais a exemplo de HPV e hepatite B
– Doenças inflamatórias como colite ulcerativa
– Herança genética

A prevenção

Embora o componente hereditário tenha participação importante no desenvolvimento de tumores, é possível se cercar de cuidados para reduzir o risco da doença.
Evitar a exposição ao sol entre as 10 e as 16 horas, assim como passar protetor, diminui bastante a probabilidade de câncer de pele, por exemplo. Não fumar afasta inúmeros tumores, dos de pulmão aos de intestino. Maneirar no álcool resguarda a boca e a garganta.
Já o HPV, responsável por praticamente todos os tumores de colo de útero, pode ser prevenido com uma simples vacina. Outras infecções cancerígenas, como a hepatite B, são preveníveis com uso de camisinha.
A dieta também tem peso importante. Um cardápio equilibrado, com frutas, legumes e verduras, abastece o corpo de nutrientes antioxidantes, que formam uma barreira contra os radicais livres, moléculas que podem danificar o DNA e originar uma célula tumoral.
Isso sem contar um considerável efeito indireto: quem opta por esse tipo de alimentação costuma ter mais facilidade em controlar o peso. E a obesidade promove processos inflamatórios e alteração dos níveis de certos hormônios, entre outras coisas que servem de estopim para a enfermidade.
Para ter ideia, estudos apontam ainda que uma alimentação com baixo teor de gordura diminui o risco de aparecimento de tumores de mama, intestino e próstata. Por outro lado, comidas gordurosas, embutidos, produtos processados cheios de conservantes e açúcar demais devem ter seu consumo restrito.

O diagnóstico

O ideal é que o câncer seja flagrado antes mesmo de o paciente apresentar sintomas. Quanto mais cedo o problema for detectado e tratado, maiores as chances de ser contido.
Pessoas com história de tumores malignos na família devem relatar esses casos ao médico. Para mulheres que tiveram mãe, tias ou avós com câncer de mama, por exemplo, o especialista poderá antecipar a solicitação de exames de ultrassom ou mamografia, em geral recomendado a partir dos 40 ou 50 anos de idade na população. E, independentemente do histórico familiar, o autoexame da mama é recomendado a partir dos 18 anos.
O ideal é conversar com um profissional para checar qual o acompanhamento mais adequado no seu caso. Se alguma alteração for observada, o passo seguinte será a realização de exames específicos para cada tipo de suspeita: ultrassomtestes de sangue, de fezes, biópsias.
De olho no diagnóstico precoce, os médicos costumam solicitar exames em consultas de rotina, a partir de determinada idade. Exemplo: acima dos 50 anos, homens e mulheres devem fazer exame para detecção de sangue de fezes, o que pode indicar câncer de intestino.
O toque retal é indicado anualmente para homens a partir dos 50 anos – ou antes, em certas situações –, assim como o teste de sangue para medir o PSA, substância produzida pela próstata e que, em níveis elevados, sugere que a glândula sexual masculina está sob ameaça.
E por aí vai.

O tratamento

A decisão sobre a estratégia de combate do câncer é complexa e envolve sua localização, o estágio da doença e as características moleculares dela. O próprio estado geral de saúde do paciente é importante, uma vez que certas medicações e os procedimentos podem provocar efeitos colaterais e abalar o organismo.
Muitas vezes, a terapêutica envolve a combinação de diferentes estratégias:
Quimioterapia
O paciente recebe remédios, em geral injetáveis, dotados de alta toxicidade. Eles vagam pela circulação e atacam praticamente toda célula que se reproduz de forma rápida e desordenada.
Mas, por essa mesma característica, o tratamento afeta também unidades saudáveis do corpo, gerando efeitos adversos como falha na imunidade, queda de cabelo, náusea, perda de apetite e de peso. Verdade que, hoje, as drogas são menos tóxicas do que antes e existem alternativas à disposição para controlar as reações indesejadas.
A quimioterapia é feita em sessões distribuídas num período de tempo após o qual o paciente é reavaliado. A depender do resultado, novas rodadas podem ser indicadas.
Radioterapia
O método se vale de raios de alta energia capazes de matar as células que formam o tumor, reduzindo seu tamanho e evitando sua disseminação. Como é quase impossível focar esses raios apenas na área doente, eles acabam prejudicando células sadias.
Atualmente, as máquinas emitem raios que contornam o tecido saudável sem atingi-lo em cheio. Com isso, lesões em órgãos próximos ao tumor são minimizadas ao mesmo tempo que a potência da radiação sobe, tornando o tratamento ainda mais letal contra a doença.
Reações como lesões na pele, náusea e perda de peso também podem acontecer. Assim como na quimioterapia, o tratamento é feito em sessões por um determinado tempo, com reavaliações periódicas.
Esse tipo de intervenção pode ser escolhido para dar cabo de tumores mais localizados. Por exemplo: um câncer em estágio inicial nas mamas ou na próstata. Com o bisturi, o médico extrai a área afetada pela doença.
O paciente é acompanhado meses depois a fim de comprovar que não existem mais resquícios do problema. E talvez tome remédios para destruir eventuais células malignas escondidas. Com o avanço tecnológico, hoje tumores como os de próstata já são extirpados em cirurgias guiadas por robôs.
Também é possível que a cirurgia entre em cena para reduzir os estragos de um tumor já espalhado pelo organismo.
Terapia-alvo
Em resumo, são uma espécie de míssil teleguiado. Em vez de atacar o corpo todo, como a químio, esses remédios miram características únicas do câncer, impedindo que ele se prolifere ou matando-o de fome, assim por dizer.
Como se focam em alterações específicas, muitas vezes é necessário checar, por meio de exames laboratoriais, se o tumor do paciente em questão apresenta essas particularidades ou não. O desenvolvimento desse arsenal terapêutico acelerou muito o que se chama de individualização do tratamento oncológico.
A ideia é fazer com que o próprio sistema imune da pessoa seja capaz de reconhecer e atacar o tumor. O tratamento é feito com moléculas que instigam o nosso próprio sistema imunológico a reconhecer e atacar a doença.
Nos últimos anos, ela tem ganhado cada vez mais importância na oncologia. Hoje, já é usada contra cânceres de pele, rim, pulmão e por aí vai.






Gleisi: “Não sairemos daqui sem Lula”


 
A fala da presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, abre o oitavo boletim divulgado nesta segunda (9) pelo Comitê Popular em Defesa de Lula e da Democracia. Daqui a pouco, às 14h, a executiva nacional do PT se reúne na capital em Curitiba.
Boletim 8 – Comitê Popular em Defesa de Lula e da Democracia
Direto de Curitiba – 09/04/2018 – 9h
1. “Não sairemos daqui sem Lula”. Essa é a orientação da presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, sobre a duração da Vigília Democrática #LulaLivre nas cercanias da Polícia Federal em Curitiba, onde o ex-presidente é mantido como preso político.
2. O advogado Cristiano Zanin reuniu-se com Lula neste domingo e relatou que o mesmo está tranquilo, embora bastante indignado com a injustiça que está sofrendo. Zanin acredita que o ex-presidente será libertado em breve. “Isso não é compatível com a nossa legislação. Nem a condenação, tampouco a prisão para o cumprimento antecipado de pena”, garantiu o advogado.
3. A Executiva Nacional do PT terá reunião às 14h desta segunda (9) na sede do PT do Paraná em Curitiba.
4. A apresentação musical da cantora Ana Cañas emocionou e inspirou o público da vigília. E o ato político, do qual participaram diversos parlamentares, juntamente com a presidenta Gleisi Hoffmann, serviu para fortalecer a certeza de que Lula é um preso político.
5. O mundo está acompanhando com atenção e perplexidade o que acontece no Brasil neste momento. Olímpio Cruz, que foi Secretário de Imprensa do governo Dilma Rousseff, fez um balanço sobre a cobertura da mídia internacional. “A foto de Lula, cercado por uma multidão em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, tirada por Francisco Proner, foi distribuída pela Reuters para todo o mundo e reproduzida em jornais influentes, como o inglês The Guardian e o canadense The Globe and Mail [além do norte-americano The New York Times e do espanhol El País]. (…) O material produzido pelas principais agências de notícia – Associated Press, Reuters, Bloomberg, AFP, EFE, DW e Prensa Latina – ganhou o mundo”, listou o jornalista.
6. Nesse contexto, a única presidenta legítima do Brasil até 31 de dezembro fará uma série de palestras na Espanha e nos Estados Unidos nos próximos dias. Nesta terça-feira (10), Dilma falará na Casa de América em Madri. Na quinta-feira (12), no Colégio de Advogados, em Barcelona. Nos Estados Unidos, Dilma fará conferências em universidades da Califórnia. Berkeley, no dia 16, Stanford, no dia 17, e Universidade Estadual de San Diego, no dia 18. Fiquemos atentos.
7. Durante show em Buenos Aires, na noite de domingo, a cantora Elza Soares denunciou a golpe contra a democracia brasileira e a tentativa de prisão “dos nossos sonhos”. O público do Centro Cultural Néstor Kirchner respondeu em peso: “Lula libre! Lula libre! Lula libre!”. O vídeo está na internet.
Comitê Popular em Defesa de Lula e da Democracia
#Boletim 8 – 09/04/2018 – 9h

Mande esse lixo janela abaixo aí”, disse um dos controladores de voo cujo áudio vazou na internet.

O presidente Lula foi ameaçado de morte durante no voo da Força Aérea Brasileira (FAB), no sábado (7), entre o aeroporto de Congonhas (SP) e Curitiba.


O presidente Lula foi ameaçado de morte durante no voo da Força Aérea Brasileira (FAB), no sábado (7), entre o aeroporto de Congonhas (SP) e Curitiba.morte durante no voo da Força Aérea Brasileira (FAB), no sábado (7), entre o aeroporto de Congonhas (SP) e Curitiba. morte durante no voo da Força Aérea Brasileira (FAB), no sábado (7), entre o aeroporto de Congonhas (SP) e Curitiba.
“Lula está sob custódia da PF. É inadmissível que um controlador de voo sugira ao piloto que atire Lula do helicóptero. Se algo acontecer com o presidente, a culpa é de Moro e da PF!”, protestou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).
Na ditadura militar da Argentina, entre 1976 e 1983, os militares tinham como padrão os “voos da morte”. O sistema consistia em drogar os presos políticos com Pentotal antes de serem despidos e embarcados em caminhões que os levariam a um avião, do qual seriam lançados ao mar.
Portanto, caro leitor, Lula corre risco de morte se continuar encarcerado na Polícia Federal e custodiado pelos fascistas.











Ouça o áudio:

4.08.2018

Desmoralização do Judiciário explica esforço contra prisão de Lula


7 de Abril de 2018

Apenas num país onde a credibilidade do Judiciário  atingiu um nível impensável em qualquer nação civilizada exibe a cena que os brasileiros assistiram nesta tarde de sábado, quando algumas centenas de manifestantes tentaram impedir que Lula se apresentasse a Polícia Federal.
Enquanto Lula fazia o possível para cumprir uma pena de 12 anos e um mês, algumas centenas de manifestantes decidiram barrar seu caminho e impedir que ele fosse conduzido à prisão.
Se a experiência humana ensina que a maioria dos condenados passa a existência fazendo planos para escapar da prisão, a situação de Lula era inversa:tentava cumprir a sentença que o TRF-4 lhe deu mas  não conseguia.
A hesitação da Polícia Federal, a mesma que agiu com truculência inesquecível quando cumpriu a ordem de "coerção coercitiva", se explica por um cálculo político óbvio. O risco era acender uma faísca que poderia produzir uma labareda.
Afinal, o prestígio da Lava Jato já viveu momentos melhores, vamos combinar. Lula não é qualquer prisioneiro. Sua prisão foi "absurda", disse Gilmar Mendes, do STF.
O surrealismo dessa situação não é difícil de entender.
Embora Lula tenha todo direito de tomar uma decisão que envolve seu destino como indivíduo, uma parcela considerável de aliados e militantes de longo curso enxerga -se como parte daquilo que o próprio presidente costuma chamar corretamente de "ideia Lula". Essa situação ficou clara na missa e no discurso de Lula na manhã de sábado.
Enquanto ele próprio, além de dom Angélico Sândalo Bernardino e demais lideranças religiosas fizeram pronunciamentos em tom favorável a apresentação de Lula, a massa reunida em frente ao carro de som berrava palavras-de-ordem como "Resistência" e "Não se entrega".
Mesmo no palanque, onde se reuniam convidados escolhidos por Lula, era possível fazer a leitura labial de bocas que diziam "Não se entrega, não se entrega".
Pode-se dizer que aquelas milhares de pessoas presentes não expressam a voz de todos brasileiros. Não é preciso. Enquanto Lula é o líder de todas as pesquisas presidenciais, levantamentos de caráter  qualitativo, que apuram a sensibilidade menos aparente do eleitorado, demonstram a consciência de que o país vive um ambiente de perseguição.
Estamos falando de pessoas que sustentaram Lula nos momentos de glória e nas derrotas. Participaram das grandes vitórias, comemoraram  seus sucessos. Após o golpe que derrubou Dilma, quando o laço da Lava Jato se tornou cada vez mais sufocante e cruel,  foram eles e elas que engrossaram atos públicos que ameaçavam fracassar e passeatas que seriam desfiles de ninguém.
A decisão de se entregar se baseia na convicção de que era preciso evitar o pior. Não há o que discutir. Sim, o arsenal de crueldades da Lava Jato, que, como instituição, o Supremo Tribunal Federal acompanha de camarote,  permite mais do que uma condenação sem provas. Autoriza Sérgio Moro a decretar uma "prisão preventiva,"  inferno penal contra o qual os recursos são complicadíssimos, já que sua base é altamente subjetiva. Não possui prazo de duração determinado em lei, devendo atender aos princípios da proporcionalidade e necessidade -- exigência vaga, que acaba sendo resolvida pelos valores e interpretações de um juiz. O sistema carcerário brasileiro guarda milhares de casos de presos provisórios encarcerados por anos e anos -- e nada.
A questão é aceitar a ideia de que Lula fez uma escolha acertada ao se apresentar à Justiça que indiscutivelmente lhe dá um tratamento persecutório.
Recapitulando mais uma vez. O Judiciário não respeitou seus direitos elementares na confecção de uma acusação. Formulou uma sentença leviana, revista de modo bisonho na segunda instância. Como se viu no 6 a 5 contra o habeas corpus, nem mesmo um debate constitucional claríssimo como um copo de água filtrada foi capaz de comover o STF.
Advertência para o futuro: já no forno, a Lava Jato prepara um pacote de novos processos contra Lula. Poderão ser atualizados sempre que houver necessidade. Alguém ousa ter alguma dúvida sobre seu resultado?
Outra advertência. Como se aprendeu recentemente, vivemos num país onde um ministro do Supremo, Luiz Roberto Barroso, questiona a concessão de indultos como prerrogativa presidencial -- como diz a Constituição -- e nada acontece. 
Este é o universo de dúvidas e receios justificados que explicam as tensões do dia. Colocado contra a parede, desrespeitado em seus direitos, Lula fez uma escolha uma coerente com sua história pessoal e sua visão de mundo. Falou em revolução para referir-se ao processo histórico pelo qual, de forma negociada e sem rupturas, promoveu mudanças jamais ocorridas na sociedade brasileira. Em vários momentos, usou a expressão "Eu sonhei", que remete ao pastor Martin Luther King, principal liderança do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos da década de 1960, de postura firme e métodos reconhecidamente moderados de ação política. 
Lula não quer que a população tenha uma sombra de dúvida sobre sua honestidade e por essa razão sempre rejeitou sugestões que poderiam lhe garantir mais conforto e liberdade pessoal, como pedir asilo na embaixada de um país amigo.
Também faz questão -- mesmo em condições especialmente difíceis -- de defender seu lugar na campanha presidencial. Continua candidato do PT.
Enquanto o cortejo de SUVs negras percorria as ruas de São Bernardo para São Paulo, sinalizando uma mudança que torna o país mais próximo da banalidade do mal permitida pela barbárie do Judiciário, só resta torcer para que a escolha de Lula traga os resultados esperados.   
Em qualquer caso, cabe preparar a mente para novas lutas e mobilizações que serão indispensáveis para proteger seus direitos numa situação ainda mais difícil, de quem perdeu a liberdade, o maior bem  após a vida.