12.06.2018

Anvisa - Confira as principais atualizações regulatórias que ocorreram nos últimos seis meses


A Anvisa representa um dos sistemas de vigilância sanitária mais avançados no mundo. Suas atualizações são contínuas e as indústrias farmacêuticas que não acompanham essas evoluções, por meio de seus profissionais, correm o risco de terem suas certificações e licenças até revogadas pelo órgão regulador.

Nos últimos seis meses, resoluções foram atualizadas, manuais foram lançados, orientações de serviços foram publicadas, enfim, a Anvisa sendo a Anvisa de sempre, mudou diversos cenários regulatórios para a indústria farmacêutica no Brasil.

Veja as  22 atualizações da Anvisa para quem atua na indústria farmacêutica. Confira:   

1. Novas regras e atualizações normativas: a Anvisa atualizou o arcabouço normativo para medicamentos dinamizados registrados no Brasil. O novo conjunto de regras visa ao aprimoramento dos requisitos técnicos estabelecidos para a indústria, considerando a evolução do conhecimento aplicado a essa classe de medicamentos. O principal ato normativo publicado foi a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 238, do dia 25/7/2018, que dispõe sobre o registro, a renovação de registro, as mudanças pós-registro e a notificação de medicamentos dinamizados industrializados. Também integram o conjunto de regulamentação as Instruções Normativas (IN) de 25, que trata das indicações terapêuticas para registro e notificação de medicamentos dinamizados; a 26, que dispõe sobre os limites de potência para registro e notificação desses produtos; e a 27, que traz a lista de referências para avaliação de segurança e eficácia dos medicamentos. As novas regras entrarão em vigor no dia 25 de setembro de 2018. A Anvisa ressalta que a IN 25/2018 seguirá rito de atualização frequente, de modo que seja possível modernizar rapidamente a padronização das indicações terapêuticas sem comprometer a segurança do uso dos medicamentos, mantendo um cenário de desenvolvimento e inovação de produtos.

2. Anvisa eliminou 128 normas obsoletas: pelo menos 11,5% do estoque de normas da Anvisa será revogado. Isso é o que representam os 128 atos normativos considerados obsoletos e que serão revogados pela Agência. A medida faz parte de mais uma ação da guilhotina regulatória e foi aprovada em reunião da diretoria colegiada da Anvisa. Nenhuma das normas cortadas apresenta mais efeitos jurídicos.

3. Registro e pós-registro de produtos biológicos ganham códigos específicos: a análise de pedido de registro e pós-registro de produtos biológicos junto à Anvisa conta com novas regras desde fevereiro deste ano, quando foi publicada a Orientação de Serviço nº 45. O documento traz todo o detalhamento dos procedimentos para a análise de petições protocoladas por empresas do setor produtivo junto ao órgão. Para facilitar a pesquisa sobre o que é exigido na fase de aditamento do processo de registro e pós-registro, a Gerência Geral de Medicamentos e Produtos Biológicos (GGMED) criou códigos específicos, disponíveis na área destinada à Consulta de Assuntos, no Portal da Anvisa.

4. Anvisa abre CP sobre medicamentos nasais e inalatórios orais: a Consulta Pública (CP) 490/18, publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 2/4, visa a debater orientações mais práticas e específicas relacionadas à condução de ensaios in vitro e in vivo e que necessitam de comprovação de equivalência terapêutica para a concessão e renovação do registro e mudanças de pós-registro desses tipos de produtos com princípios ativos sintéticos classificados como novos, genéricos e similares.

5. Anvisa suspende processos de registros de medicamentos clones que não estão alinhados à RDC 31/14 e interrompe contagem do prazo de análise: a Lei 13.411/16 determinou que os processos de registro e de alteração pós-registro que tenham sido protocolados antes de sua data de vigência deverão ter sua decisão final publicada no prazo máximo de um ano após a data de início da vigência da referida lei. Entretanto, independente da publicação da lei, as empresas requerentes que protocolizaram seus pedidos de registro clone sem a efetiva existência do processo matriz adequado tinham ciência da indefinição do prazo em que esses protocolos seriam analisados, uma vez que dependeriam da regularização do processo matriz.


6. Procedimentos internos na Siscomex foram atualizado:  A Anvisa estabeleceu critérios referentes à distribuição, análise, inspeção física, interdição, análise de recursos de indeferimento e ao atendimento às decisões judiciais no âmbito dos processos de importação, na modalidade Siscomex, de cargas de produtos para a saúde, diagnósticos in vitro, medicamentos, alimentos, saneantes, cosméticos e higiene. A norma define, ainda, as responsabilidades de cada agente interno nesse processo, buscando a cooperação e a harmonização nos diferentes níveis organizacionais. Essas atividades estão sob a coordenação da Gerência-geral de Portos, Aeroportos, Fronteiras e Recintos Alfandegados (GGPAF), que publicou a Orientação de Serviço 47 (OS 47), que revoga a OS 34, de 2017.

7. Agilidade na distribuição e análise das petições: Anvisa disponibilizou 11 novos códigos para pedidos de renovação de certificados de BPF de medicamentos e insumos farmacêuticos. Os pedidos de renovação passaram a ser tratados como petições secundárias, vinculadas ao processo da última certificação emitida pela Agência.

8. Revisão das regras para a concessão e renovação do registro de IFA: a proposta é estabelecer, junto com o setor regulado, os critérios e a documentação mínima necessária para a concessão e renovação do registro de medicamentos com princípios ativos sintéticos e semissintéticos, classificados como novos, genéricos e similares, visando a garantir a qualidade, a segurança e a eficácia desses produtos.

9. Novidades no sistema de peticionamento eletrônico de medicamentos: as empresas que formalizarem solicitações de registro ou pós-registro de produtos farmacêuticos poderão sinalizar diretamente no sistema se a petição deve ser tratada como prioritária, referente a produto para tratamento de doenças raras ou demanda ordinária. A regra vale também para pedidos relacionados a pesquisas clínicas de medicamentos. Antes desse novo modelo, a empresa precisava primeiro fazer a petição e só depois acrescentava ao pedido, por meio de aditamento, informações sobre o tipo de prioridade. Ou seja, menos uma etapa no processo.

10. Anvisa debate CP 1/2018 publicada no DOU no dia 14/5: a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), cuja secretaria executiva é exercida pela Anvisa, propõe-se a consolidar vários normativos já utilizados na regulamentação de preços de medicamentos isentos de prescrição e avança nesse modelo de regulação. A proposta de regulamentação disciplina o monitoramento e a liberação dos critérios de estabelecimento ou ajuste de preços dos medicamentos isentos de prescrição médica (MIP), fitoterápicos e anestésicos locais injetáveis de uso odontológico.

11. Novo modelo de gestão da AR 2017-2020: resultados parciais da Agenda Regulatória da Anvisa (AR 2017-2020), consultas públicas, instrumentos publicados no período de dezembro de 2017 a abril de 2018 e iniciativas regulatórias são destaques na Dicol pública de 15/05. Essa iniciativa prevê apresentações trimestrais para a diretoria acompanhar os temas e ao mesmo tempo dar transparência e a previsão ao público sobre o andamento e a conclusão dos processos regulatórios priorizados na Agenda. Entre os dados iniciais, o monitoramento quantitativo da AR 2017-2020 indica que há 81 temas em andamento, 27 que ainda não possuem processo iniciado e considera-se que nove temas já foram concluídos.

12. Documento atualiza a 1ª edição do Formulário de Fitoterápicos: O 1º Suplemento do Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira já está disponível para consulta. As alterações passam a vigorar 180 dias após a publicação do arquivo no Portal da Anvisa, que aconteceu no último dia 10 de maio. O caderno traz um novo capítulo sobre cápsulas com derivados vegetais e altera ainda a redação dos capítulos “Generalidades” e “Tinturas”.

13. Anvisa passa a emitir certificados de CBPF e CBPDA somente pelo sistema Datavisa: desde o dia 17 de maio as empresas recebem esses documentos em menor tempo e com maior segurança. O envio pelos Correios não é mais realizado. Cada certificado é assinado digitalmente. Isso permite que a autenticidade do documento possa ser verificada por interessados como a autoridade sanitária local, comissões de licitação para compras públicas, entre outros. Os certificados de Boas Práticas de Fabricação (CBPF) e Boas Práticas de Distribuição e Armazenagem (CBPDA) são assinados pela gerente-geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária da Anvisa e fazem parte dos requisitos para que as empresas de setores regulados pela Agência possam atuar plenamente.

14. Anvisa disponibiliza 11 novos códigos para renovação de produtos: desde 18/6, as empresas que tiverem interesse na renovação de Certificado de Boas Práticas de Fabricação (CBPF) de Produtos para Saúde, Cosméticos ou Saneantes ou em Certificado de Boas Práticas de Distribuição e Armazenagem (CBPDA) de Produtos para a Saúde devem protocolar pedidos junto à Anvisa utilizando novos códigos. A criação desses códigos tem como objetivo propiciar maior agilidade quanto à distribuição e à análise das petições de renovação, bem como de harmonizar os fluxos dos processos com outras demandas já existentes na Agência. As renovações passam a ser tratadas como petições secundárias. O expediente da renovação será vinculado ao processo da certificação inicial emitido pela Anvisa.

15. Anvisa divulga dados de protocolos realizados de janeiro a abril deste ano: a 5ª Edição do Boletim de Atendimento mostrou que foram registrados 154.236 protocolos abertos, 113.019 respondidos diretamente na central de atendimento e 84,46% desses protocolos foram respondidos dentro do prazo. Além disso, o documento mostra que 47 unidades da Anvisa tiveram o atendimento com a nota 10, ou seja, 100% dos protocolos encaminhados para essas unidades foram respondidos dentro do prazo estabelecido.

16. Há 18 anos, o primeiro medicamento genérico foi registrado no Brasil: Um levantamento inédito da Anvisa revela que os medicamentos genéricos em comercialização têm alto índice de aprovação em análises feitas para atestar qualidade e segurança dos produtos. De um total de 284 lotes analisados em 2016 e 2017, 85,9% estavam em conformidade com informações do fabricante e de acordo com exigências técnicas. Como são bastante comercializados no Brasil, a quantidade de lotes de genéricos selecionados para testes no período representou 61,4% do total avaliado (462). O número de novos registros de medicamentos genéricos no Brasil passou de 146, em 2014, para 336, em 2017, o que representou um aumento de 130,1% em apenas quatro anos. No total, houve 1.830 solicitações de registro desse tipo de produto.

17. Fim da fila de espera: acabou em agosto deste ano a fila de espera para análise dos pedidos de registro de medicamentos genéricos. Isso porque o órgão aumentou bastante a velocidade de avaliação das solicitações e conseguiu reduzir em 90% o passivo de petições entre abril de 2017 e maio deste ano. No total, 744 pedidos foram analisados no período. No momento, há pouco mais de 30 solicitações aguardando pelo início da análise de registro, o que, para a Anvisa, permite afirmar que o passivo será zerado até o fim deste mês. O aperfeiçoamento do processo de análise de registro de medicamentos genéricos pela Anvisa traz resultados extremamente benéficos para a sociedade, pois representa acesso a mais opções de medicamentos nas prateleiras das farmácias com preços, no mínimo, 35% mais baixos do que os de referência.

18. Regulamentação específica para suplementos alimentares: A Diretoria Colegiada (Dicol) da Anvisa aprovou um novo marco regulatório para esses produtos, que podem conter em sua composição diferentes nutrientes, substâncias bioativas, enzimas e probióticos. A nova regulamentação contribuirá para o acesso dos consumidores a suplementos alimentares seguros e de qualidade e ajudará a reduzir a assimetria de informações existente nesse mercado, especialmente no tocante à veiculação de alegações sem comprovação científica.

19. Acesso adicional ao sistema de fila de petições: a Anvisa disponibilizou um link exclusivo para o acompanhamento da fila de entrada de submissões que tenham sido assinaladas como prioritárias, conforme termos da RDC 204/2017, ou como relacionadas a doenças raras, conforme RDC 205/2017. O novo link, disponível na página principal do Sistema de Filas de Petições, envia o usuário para uma página de pesquisa. É necessário assinalar a área de interesse (Medicamento), em seguida qual fila – Registro, Pós-registro ou pesquisa clínica – e subfila, se deseja consultar e, por fim, qual tipo de consulta deseja obter: prioritária ou doenças raras.

20. Medicamentos sintéticos: já está acessível no Portal da Anvisa a proposta de roteiro para análise de eficácia e segurança de medicamentos sintéticos. O texto do roteiro foi elaborado por especialistas em regulação e vigilância sanitária da área de registro de medicamentos sintéticos. O documento baseou-se no escopo de trabalho da área e teve como referências guias de agências reguladoras de referências internacionais, como European Medicines Agency (EMA), Food and Drug Administration (FDA) e em guia do The International Council for Harmonisation of Technical Requirements for Pharmaceuticals for Human Use (ICH). O documento foi elaborado com o objetivo de dar mais transparência aos critérios da análise técnica de eficácia e segurança para registro desses produtos. Em conjunto com os regulamentos específicos aplicáveis, o roteiro também se propõe a auxiliar o setor regulado na elaboração do dossiê por meio de maior transparência sobre os dados e os critérios da análise técnica de eficácia e segurança, minimizando o número de exigências técnicas emitidas.

Qualidade: Os 14 princípios de Deming


Os denominados "14 princípios", estabelecidos por Deming, constituem o fundamento dos ensinamentos ministrados aos altos executivos no Japão, em 1950 e nos anos subseqüentes. Esses princípios constituem a essência de sua filosofia e aplicam-se tanto a organizações pequenas como grandes, tanto na indústria de transformação como na de serviços. Do mesmo modo, aplicam-se a qualquer unidade ou divisão de uma empresa.

São os seguintes:

1º princípio: Estabeleça constância de propósitos para a melhoria do produto e do serviço, objetivando tornar-se competitivo e manter-se em atividade, bem como criar emprego;
2º princípio: Adote a nova filosofia. Estamos numa nova era econômica. A administração ocidental deve acordar para o desafio, conscientizar-se de suas responsabilidades e assumir a liderança no processo de transformação;
3º princípio: Deixe de depender da inspeção para atingir a qualidade. Elimine a necessidade de inspeção em massa, introduzindo a qualidade no produto desde seu primeiro estágio;
4º princípio: Cesse a prática de aprovar orçamentos com base no preço. Ao invés disto, minimize o custo total. Desenvolva um único fornecedor para cada item, num relacionamento de longo prazo fundamentado na lealdade e na confiança;
5º princípio: Melhore constantemente o sistema de produção e de prestação de serviços, de modo a melhorar a qualidade e a produtividade e, conseqüentemente, reduzir de forma sistemática os custos;
6º princípio: Institua treinamento no local de trabalho;
7º princípio: Institua liderança. O objetivo da chefia deve ser o de ajudar as pessoas e as máquinas e dispositivos a executarem um trabalho melhor. A chefia administrativa está necessitando de uma revisão geral, tanto quanto a chefia dos trabalhadores de produção;
8º princípio: Elimine o medo, de tal forma que todos trabalhem de modo eficaz para a empresa;
9º princípio: Elimine as barreiras entre os departamentos. As pessoas engajadas em pesquisas, projetos, vendas e produção devem trabalhar em equipe, de modo a preverem problemas de produção e de utilização do produto ou serviço;
10º princípio: Elimine lemas, exortações e metas para a mão-de-obra que exijam nível zero de falhas e estabeleçam novos níveis produtividade. Tais exortações apenas geram inimizades, visto que o grosso das causas da baixa qualidade e da baixa produtividade encontram-se no sistema, estando, portanto, fora do alcance dos trabalhadores;
11º princípio: Elimine padrões de trabalho (quotas) na linha de produção. Substitua-os pela liderança; elimine o processo de administração por objetivos. Elimine o processo de administração por cifras, por objetivos numéricos. Substitua-os pela administração por processos através do exemplo de líderes;
12º princípio: Remova as barreiras que privam o operário horista de seu direito de orgulhar-se de seu desempenho. A responsabilidade dos chefes deve ser mudada de números absolutos para a qualidade; remova as barreiras que privam as pessoas da administração e da engenharia de seu direito de orgulharem-se de seu desempenho. Isto significa a abolição da avaliação anual de desempenho ou de mérito, bem como da administração por objetivos
13º princípio: Institua um forte programa de educação e auto-aprimoramento.
14º princípio: Engaje todos da empresa no processo de realizar a transformação. A transformação é da competência de todo mundo.
Fonte: DEMING, W. E. Qualidade: A Revolução da Administração. Rio de Janeiro: Marques Saraiva, 1990.


12.05.2018

Gleisi tira onda com filho de Boso .


A presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, tirou uma onda do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no imbróglio do Menos Médicos.
O filho do presidente eleito Jair Bolsonaro escreveu nas redes sociais que ‘quatro’ médicos cubanos processaram a OPAS, entidade que os contratou para o programa Mais Médicos.
“Nossa, quatro médicos frente aos mais de 8 mil que atendiam aqui?”, questionou Gleisi em tom de ironia.
A dirigente petista cobrou ainda que o ‘Coisinha‘ [filho do Coiso] informe ‘como está o preenchimento das vagas dos cubanos que foram expulsos do Brasil’ por médicos brasileiros.

Lula envia carta aos BRICS


O ex-presidente Lula enviou uma carta aos BRICS, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China, nesta quarta-feira (5). A carta foi entregue pela presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann, ao secretário geral do Congresso Nacional Africano e organizador do encontro, Ace Magashule.“No Brasil, como sabem, o futuro governo já mostrou ser não apenas aliado incondicional dos Estados Unidos, mas totalmente subserviente a Trump”, diz trecho da carta.

Leia a íntegra da carta:
Meu caro presidente Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul, que generosamente hospeda este encontro de partidos políticos dos países BRICS.

Minha querida Nkosazana Dlamini-Zuma, com quem tive o privilégio de compartilhar tantas iniciativas no âmbito do desenvolvimento e do combate à fome na África.
Quero agradecer o convite ao Partido dos Trabalhadores para participar desse importante diálogo.
Saúdo os companheiros do CNA, do Partido Rússia Unida e do Partido Comunista da Rússia; do Partido do Congresso da Índia e BJP Partido do Povo; do Partido Comunista Chinês e todos os que trabalham pela amizade e integração de nossos países.
Em 2003, quando criamos o grupo dos BRICS, quinze anos atrás, o mundo vivia um momento de intenso diálogo e inovação nas relações entre os países. Apesar das guerras e da fome que atingia mais de 1 bilhão de pessoas, inclusive no Brasil, víamos nascer novas iniciativas de diálogo em torno de uma agenda global.
Esta agenda incluía desde combate à fome, a prevenção ao HIV e a solidariedade a seus portadores, até a questões do clima e da regulação das transações financeiras, entre tantos outros. Obtivemos avanços em muitos aspectos e fracassamos em outros.
Mas o que eu desejo ressaltar é o espírito daquela época, nem tão distante assim. Valorizávamos a solidariedade, a cooperação, o respeito à soberania dos países. Ambicionávamos construir uma ordem internacional pautada pelo multilateralismo e voltada para a paz e o progresso dos povos.
Quinze anos depois, estamos presenciando retrocessos pelo mundo, inclusive, e de maneira muito grave, em meu país. Se já tínhamos visto a ascensão, em países da Europa, de partidos e governos marcados pela xenofobia e pela intolerância, a eleição de Trump trouxe à tona um governo que persegue migrantes, fala a língua dos canhões e não tem noção de que existe um mundo fora de suas fronteiras.
No Brasil, como sabem, o futuro governo já mostrou ser não apenas aliado incondicional dos Estados Unidos, mas totalmente subserviente a Trump. Seu objetivo em política externa é desmanchar tudo que construímos com diálogo e cooperação, no âmbito da América Latina, com a África, com os BRICS e nas organizações internacionais.
É muito ruim para o mundo que, neste momento, um país das dimensões do Brasil deixe dar sua contribuição ao multilateralismo e à paz. E sentimos vergonha pelo tratamento ofensivo de Bolsonaro a tantas instituições e países amigos.
Mas vejo com muita esperança que podemos continuar contribuindo por meio do diálogo entre nossos partidos políticos, o que é uma honra e uma responsabilidade para o Partido dos Trabalhadores.
Como vocês sabem, encontro-me preso há oito meses, sem ter cometido crime nenhum, e isso ocorreu para me impedir de disputar as eleições. Pedi à companheira Gleisi Hoffmann, presidenta do PT, que levasse a vocês esta mensagem. Pedi também que conte como está a situação do país e que confirme o compromisso do nosso partido com a consolidação dos BRICS.
Quero, por fim, agradecer a solidariedade que tenho recebido de tantos companheiros de países amigos, o que é um grande conforto na situação em que me encontro.
Desejo que aproveitem bem este encontro, que façam um bom diálogo. Estou certo de que um dia o Brasil voltará a se integrar plenamente aos BRICS e à comunidade internacional.
Com os meus sinceros agradecimentos
Luiz Inácio Lula da Silva

Com informações de lula.com.br

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