12.10.2018

Rosa Weber defende direitos humanos e incomoda aliados de Bolsonaro

  Valter Campanato/Agência Brasil

Aliados do presidente eleito, que foi diplomado nesta segunda-feira 10 pela presidente do TSE, Rosa Weber, reagiram negativamente ao discurso da ministra, que lembrou os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, defendeu a democracia e o respeito às minorias; para a deputada eleita Joice Hasselmann (PSL-SP), "a ministra Rosa Weber nos submeteu a uma longa aula de direitos humanos fora de tom e de propósito. Desnecessário"; Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP), também eleito deputado federal, classificou a fala como "inadequada" Aparentemente, o discurso da presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, foi um recado para o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), diplomado por ela em cerimônia no tribunal nesta segunda-feira 10. A magistrada lembrou dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, celebrados também nesta segunda, e fez uma longa defesa à democracia, ao respeito às minorias e aos direitos de todos os cidadãos. A fala, no entanto, não foi bem recebida por aliados de Bolsonaro. 
Nas redes sociais, deputados eleitos da futura bancada do presidente eleito, o PSL, criticaram a defesa dos direitos humanos, termo que para a direita configura a 'defesa de bandidos'. A deputada federal eleita Joice Hasselmann (PSL-SP) postou no Twitter: "Diplomação de @jairbolsonaro. Nosso presidente, agora diplomado, fez um discurso simples, de união, é de agradecimentos. Já a ministra Rosa Weber nos submeteu a uma longa aula de direitos humanos fora de tom e de propósito. Desnecessário. Mas nada tirou o brilho do momento".
Luiz Philippe de Orleans e Bragança, que também se elegeu deputado federal pelo PSL paulista e é herdeiro da família real brasileira, classificou a fala como "inadequada". Beatriz Kicis (PRP-DF) falou em "aulinha de direitos humanos" e Carla Zambelli destacou:
"Ministra Rosa Weber fez questão de fazer um discurso 4 vezes mais demorado que do @jairbolsonaro. E deu mais atenção ao dia Internacional dos Direitos humanos do que ao espetáculo de termos pela 1ª vez um Presidente aplaudido em pé na sua Diplomação. Pena que não teve réplica". 





Pior que Bolsonaro é quem o pôs lá



Por Mario Vitor Santos, para o Jornalistas pela Democracia
– Tá uma porção de gente ligando, mandando mensagem, todo tipo de ameaça. As mulheres tão no desespero, a gente ...
– Não dá agora por aqui. Vamos encontrar naquele lugar. Nem sei como tá isso aqui.
– O papo é sério, garoto, se não tiver uma saída logo eu denuncio tudo. Pode avisar a eles. A gente tá há dois meses trancado, sem sair, nesse lugar, a noite é horrível, ninguém dorme naquela casa, nem os caras que fazem a segurança a gente confia. Olha aqui: Não pensa que vão usar o mesmo esquema da vereadora. Eu falo tudo. Qualquer sinal a gente fala.
– Suave. A gente tá no controle, só não dá pra vc falar direto com eles. Acham que ta tudo grampeado, uma noia. O pior é que um deles é muito esquentado, sem falar dos noia em volta do bagulho, gente que a gente nem controla.
– Perigoso mesmo. Mas amizade e fidelidade é tudo, na hora boa, na ruim.
Os caras também tão se achando cercados, vítimas dos milicos que tão sabotando eles. Já não confiam em ninguém e acham que até os economistas tá tão fazendo ligação direta com os fardados. Tá foda. Ninguém se entende. Nem eu tô conseguindo falar com eles. Mas fica frio, e olha bem, vocês tão na mira de uns caras que você conhece. Tudo maluco. Não custa muito pra eles surtarem. Se for na boa, tem tudo. Senão, nada. Mas fica frio, só não dá por aqui.
...
A imagem do superministro indicado da Justiça, Sergio Moro, esgueirando-se das perguntas dos jornalistas ao final da entrevista em Brasília, espelham a acelerada deterioração do capital político do caçador de corruptos: o corpo torcendo-se, a cabeça travada ao pescoço em rotação panorâmica fazer o conjunto dar as costas, desligando-se dos microfones, depois das câmeras, as pernas num caminhar instintivo, o olhar autômato em diagonal; por último, atrasado, ocioso, o braço e no limite a mão, expressiva de um conflito em torno de que sinal emitir. O membro vai virando e erguendo, indeciso, o dedo indicador, primeiro, apontando para a frente, num gesto quase fuzilante, o que é ruim. Acode o dedo médio, tíbio, que evolui num V da vitória, o qual por sua vez tenta amenizar a mensagem do corpo que já deu as costas em fuga enquanto os gritos do lado de cá dos microfones se sucedem ecoando: Coaf, coaf, coaf...
...
Pode haver vários desfechos e desenvolvimentos, mas jamais será possível esquecer que os atores por trás de Bolsonaro são os maiores responsáveis pelos estragos que ele já está causando. O capital financeiro, os grandes empresários irmanados em torno da direita, os meios de comunicação, a Justiça atravessada pelo fascismo político e moral: dominada pelo fascismo, as igrejas evangélicas, os militares degenerados, os bilionários prejuízos potenciais causados na presença brasileira nos mercados internacionais tão duramente conquistada junto à China, ao Mercosul, ao Oriente Médio. Como relata André Barrocal, na revista Carta Capital, ao menos um analista de banco já dedica longo tempo a explicar aos investidores as chances de Paulo Guedes e seu programa serem comprometidos por envolvimentos em irregularidades. As populações pobres de municípios médios e pequenos de regiões distantes e das periferias das grandes cidades que já estão sem o atendimento dos cubanos do Mais Médicos não devem cobrar apenas de Bolsonaro, mas principalmente de quem o levou a sair das franjas para o Planalto.

Moro sai pela tangente e não comenta bolsogate



247 - O ex-juiz e futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, saiu pela tangente nesta segunda-feira (10) ao ser questionado sobre o escândalo das transações suspeitas do ex-assessor Fabricio de Queiroz, que envolvem o filho e a esposa do presidente eleito, Jair Bolsonaro.
Moro disse que sua pasta não deve interferir em casos concretos. "Eu, na verdade, fui nomeado ministro da Justiça. Não cabe a mim dar explicações sobre isso. Eu acho que o que existia no passado de um ministro da Justiça opinando sobre casos concretos é inapropriado. Então, esses fatos têm de ser esclarecidos", afirmou Moro.
"O presidente [Bolsonaro] já apresentou alguns esclarecimentos. Tem outras pessoas que precisam prestar seus esclarecimentos e os fatos esclarecidos, se não forem esclarecidos, têm de ser apurados. Mas eu não tenho como ficar assumindo esse papel. O ministro da Justiça não é uma pessoa para ficar interferindo em casos concretos", declarou.
Ligado ao Ministério da Fazenda, o Coaf é o órgão responsável por monitorar e receber informações dos bancos sobre transações suspeitas ou atípicas. Pela lei, os bancos devem informar qualquer transação que não siga o padrão do cliente.
Na reestruturação de ministérios planejada pela equipe de transição, o Coaf deverá passar a integrar o Ministério da Justiça. Na avaliação de Moro, o órgão estava "em boas mãos", mas sofreu "certa desidratação" por falta de verbas e recursos humanos.
A intenção com a transferência do Coaf para a Justiça, disse, é reforçá-lo com quadros funcionais da pasta e deixá-lo mais próximo a operações de combate à corrupção.

Diplomado, Bolsonaro diz que será presidente de todos os brasileiros


EX-ASSESSOR FEZ 176 SAQUES EM UM ANO. ERA O CAIXA ELETRÔNICO DOS BOLSONARO?