3.26.2015

Por que Dilma é o alvo central dos protestos?


Posição de evidência dentro do PT, percepção popular de que a presidenta governa sozinha e erros cometidos pela própria Dilma explicam por que ela virou alvo central dos protestos
por Deutsche Welle — 
José Cruz/ Agência Brasil
Por Clarissa Neher
Por que só Dilma? Apesar de nem figurar na lista de acusados na Operação Lava Jato e de ter pautado sua gestão pelo combate à corrupção, a presidente Dilma Rousseff foi o principal alvo dos manifestantes que saíram às ruas de várias cidades brasileiras no domingo passado (15/03).
O fato de os nomes dos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, estarem na lista de políticos a serem investigados na Operação Lava Jato, entregue pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal (STF), parece ter passado despercebido pela maioria dos manifestantes.
A denúncia de que o esquema de corrupção na Petrobras existe há pelo menos 15 anos também foi deixada de lado. Os protestos de 15 de março, que em tese poderiam ser contra os representantes máximos do Executivo e do Legislativo, bem como contra a disseminação da corrupção pela política brasileira, voltaram-se contra a presidente. Por quê?
Para especialistas ouvidos pela DW Brasil, um dos motivos centrais é o descontentamento de boa parte dos brasileiros com o PT, que há mais de 12 anos governa o país. Além do desgaste natural de quem está há tanto tempo no poder, o partido se viu envolvido em escândalos de corrupção, como o mensalão, e é apontado como um dos principais beneficiados pelo esquema de desvio de dinheiro na Petrobras.
Dilma, na condição de presidente da República, é hoje a figura mais em evidência do PT, até mais do que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, maior líder do partido. E, ao contrário de Lula, ocupa um cargo, para o qual foi eleita pela população, e do qual pode ser afastada. Assim, é contra ela que a indignação de muitos brasileiros se volta.
"A Operação Lava Jato só exacerbou uma reação contrária, já existente, ao governo do PT e à presidente Dilma", afirma a socióloga Vera Chaia, da PUC-SP. O cientista político Pedro Floriano Ribeiro, da Universidade Federal de São Carlos, é da mesma opinião. Para ele, os protestos só evidenciam o descontentamento de uma parcela da população com o PT, principalmente em São Paulo.
O sociólogo Marcelo Siqueira Ridenti, da Unicamp, acrescenta que os manifestantes que saíram às ruas no último domingo eram sobretudo pessoas que não votaram no PT, então era de se esperar que apenas Dilma e o PT fossem os alvos. "O interesse dos manifestantes era atacar o partido que está no governo", completa.
Mas a aversão ao PT não explica sozinha esse foco na figura de Dilma. Para os especialistas, o sistema presidencialista brasileiro, extremamente concentrado na figura do presidente, reforça uma percepção equivocada de que ele governa e resolve tudo sozinho – bastaria, portanto, trocá-lo para solucionar os problemas.
"É natural que o presidente funcione como um para-raio, pois no sistema presidencialista ele acaba encarnando toda a classe política. E como há uma aversão muito grande e generalizada à classe política, e não só no Brasil, é normal que a população jogue toda a sua 'raiva' contra a figura do presidente", diz Ribeiro.
Por esse raciocínio, um presidente de estilo durão e com pouco carisma, como é o caso de Dilma, se torna ainda mais facilmente um alvo da insatisfação popular.
Quanto ao Congresso, que tem 22 deputados federais e 12 senadores entre os investigados na Lava Jato, Ribeiro é categórico: "Os parlamentares já tem uma imagem tão negativa perante a população que um caso a mais ou a menos de corrupção não afeta a sua imagem. Por isso, eles ficam em segundo plano, e todo o foco da rejeição à classe política vai em direção à figura da presidente."
Há, porém, alguns motivos justificados para que a presidente seja alvo da ira popular. Chaia lembra que Dilma tem uma ligação recente com a Petrobras, primeiro como presidente do Conselho de Administração da estatal entre 2003 e 2010, depois como presidente da República. A escolha de Graça Foster para o comando da petrolífera foi uma decisão de Dilma. Ambas são amigas.
Após as primeiras denúncias de irregularidades, a presidente demorou para mudar a diretoria da estatal. Depois, o governo segurou a divulgação do balanço da empresa no terceiro trimestre de 2014, que, mesmo sem considerar as perdas causadas por corrupção, mostrou uma queda de 9,07% em seus lucros. Essas decisões certamente não ajudaram a melhorar a imagem da presidente perante a população.
"Houve uma sequência de posicionamentos duvidosos do governo, como a manutenção da Graça Foster na presidência da Petrobras, que depois se reverteram negativamente para a própria presidente da República", avalia o cientista político Alexandre Gouveia, da UnB.

Promotoria francesa diz que copiloto teria derrubado avião deliberadamente

Aeronave da Germanwings caiu nos alpes franceses com 150 pessoas.

Segundo autoridades, copiloto não estava em lista de suspeitos de terrorismo.

Do G1, em São Paulo
O copiloto Andreas Lubitz (Foto: Reprodução)O copiloto Andreas Lubitz (Foto: Reprodução)
A Promotoria francesa disse nesta quinta-feira (26) que o copiloto do avião da Germanwings que caiu na terça-feira (24) nos alpes franceses assumiu o controle da aeronave e teria derrubado o avião de maneira deliberada. Segundo a autoridade, ele estava respirando normalmente até o momento em que a aeronave bateu nas montanhas.
O copiloto foi identificado como Andreas Lubitz, de 28 anos, de nacionalidade alemã. Segundo o jornal "Bild", ele seria de Montabaur, em Rhineland-Palatinate, na Alemanha. Ele não estava em lista de suspeitos de terrorismo, e por enquanto não há base para afirmar que tenha sido um incidente terrorista.
O promotor de Marselha, Brice Robin, afirmou em uma entrevista coletiva que os registros de áudio mostram que o piloto deixou a cabine e que o copiloto se recusou a abrir a porta para a volta do tripulante.
Robin também afirmou que o copiloto acionou o mecanismo de descida do avião de maneira voluntária quando estava sozinho na cabine. Não houve alerta de emergência vindo do avião, segundo o promotor.
Ainda de acordo com Robin, os sons da caixa-preta dão a entender que Andreas Lubitz estava bem e não parecia ter sofrido nenhum problema de saúde, como um AVC. Ele disse que só nos últimos minutos da gravação se ouvem gritos dos passageiros.
Segundo o promotor, durante os primeiros 20 minutos de voo, há uma troca de cortesias e até mesmo brincadeiras entre o piloto e o copiloto.
Quando o piloto começa a preparar o procedimento para a aterrissagem em Dusseldorf (Alemanha), o copiloto se mostrou mais "lacônico".
Depois que o comandante sai da cabine, o copiloto fica sozinho até o momento da queda.
"Por vontade própria, ele se negou a abrir a porta da cabine para o comandante", enfatizou.
"Ele não tinha nenhuma razão para impedir a volta do comandante ao cockpit", contou ainda Robin, acrescentando que o piloto pediu várias vezes acesso à cabine, sem obter resposta do copiloto.
Brice Robin, o promotor de Marselha, fala sobre investigações em coletiva de imprensa no sul da França. À direita, o general David Gaultier olha para baixo com as mãos na cabeça (Foto: AP)Brice Robin, o promotor de Marselha, fala sobre investigações em coletiva de imprensa no sul da França. À direita, o general David Gaultier olha para baixo com as mãos na cabeça (Foto: AP)
Sozinho na cabine, o copiloto "pressionou o botão de perda de altitude por uma razão que não fazemos nenhuma ideia, mas que pode ser visto como um desejo de destruir a aeronave", afirmou.
Com os dados que a investigação tem até agora, não se pode falar de suicídio, segundo o promotor, que reforçou que todas as informações são preliminares e que as investigações continuam.
De acordo com Robin, a análise da caixa-preta de dados irá ajudar os investigadores a entender melhor o que aconteceu. Por enquanto, não há indícios de envolvimento de outras pessoas.
O ministro alemão de Transportes, Alexander Dobrindt, disse que, segundo especialistas alemães, é "plausível" que o copiloto tera deliberadamente derrubado o avião da Germanwings
Piloto teria tentado arrombar a porta
Nesta quarta, uma fonte militar próxima das investigações disse sob anonimato ao jornal “New York Times” que a gravação da caixa-preta indica que um dos pilotos teria ficado trancado para fora da cabine e não teria conseguido voltar.
A fonte disse que a gravação indica que no começo do voo os dois pilotos conversavam de maneira tranquila e que depois um deles teria saído da cabine e não teria conseguido entrar de volta.
"O homem do lado de fora bate levemente na porta da cabine e não há resposta. Depois bate mais forte e sem resposta. Nunca há uma resposta", diz a fonte. Também seria possível escutar ele tentando arrombar a porta.
Segundo a Promotoria francesa, a interpretação mais plausível dos dados obtidos até agora aponta que o copiloto deliberadamente se recusou a abrir a porta da cabine para a volta do piloto.
Lufthansa chocada
Carsten Spohr, CEO da Lufthansa, disse em entrevista coletiva após a divulgação das informações que está sem palavras com a revelação de que o copiloto teria deliberadamente derrubado o avião da Germanwings.
Segundo o CEO da Lufthansa, o copiloto Andreas Lubitz começou seu treinamento em 2008, mas o interrompeu brevemente. Ele foi comissário de bordo enquanto não podia pilotar. Ele começou a atuar como copiloto da companhia em 2013. Ele estava "100% apto para voar, sem restrições", e passou em todos os exames de pilotagem e médicos.
Spohr também disse que não tem nenhuma informação sobre o motivo que levou o copiloto Andreas Lubitz a fazer o que fez. "O que aconteceu foi um incidente trágico individual, eu gostaria de enfatizar isso", disse. "Temos altos padrões, mas um caso único como este não pode ser previsto."
Ele também explicou como funciona o acesso à cabine de comando. “Se um dos pilotos deixa a cabine, é possível chamar do lado de fora, o piloto pode olhar e ver quem quer entrar, e você pode abrir a porta controlada eletronicamente. Temos procedimentos – se o piloto saiu e o que ficou dentro está inconsciente, há um código que pode ser utilizado. Há um barulho dentro da cabine, e se ninguém abrir, a porta se abre eletronicamente. Mas a pessoa que está do lado de dentro pode impedir que a porta se abra.”
O que se sabe sobre a tripulação
Andreas Lubitz havia sido contratado em setembro de 2013 e tinha 630 horas de voo de experiência, informou a Lufthansa à AFP. Jornais internacionais disseram que Andreas se formou na escola de voo da Lufthansa em Bremen e obteve sua licença de voo em junho de 2010.
Ele vivia com os pais na cidade e também morava em Düsseldorf, afirmou a prefeita de Montabaur ao jornal "El País". O jornal espanhol afirmou ainda que o perfil de Andreas no Facebook foi apagado.
O promotor Brice Robin disse que não tem nenhuma informação sobre o perfil psicológico ou a filiação religiosa do copiloto.
Já o piloto do Airbus A320 tinha 10 anos de experiência e mais de 6.000 horas de voo, segundo a Germanwings. Identificado pelo jornal "Bild" como Patrick S., o piloto também era alemão.
Não explodiu
Segundo Rémi Jouty, diretor do BEA, órgão responsável pela investigação do acidente, a trajetória do avião indica que ele voou até a queda, descartando a hipótese de explosão no ar. "Isso não é a característica de um avião que explodiu em voo", disse, explicando a maneira como os destroços ficaram espalhados no terreno da queda. Ele se recusou a dizer se a tripulação estava consciente durante a queda e na hora do choque.
A última mensagem da cabine do avião para o controle de tráfego era rotineira, segundo a BEA. Um minuto depois, o avião começou a descida, que continuou até o impacto.
O radar acompanhou a aeronave até bem pouco antes do choque com a montanha. A aeronave perdeu contato com o tráfego aéreo francês quando estava a 6 mil pés de altura.
Segundo ele, é necessário comparar os dados das duas caixas-pretas para saber o que exatamente aconteceu com o avião acidentado. Isso pode levar dias, semanas ou meses. A segunda caixa-preta, que mostra dados do voo, ainda não foi encontrada.
Vítimas
As autoridades ainda não divulgaram a lista de passageiros e tripulantes embarcados no avião da Germanwings que caiu nos Alpes franceses. Porém, diante da notícia da tragédia, alguns familiares, empresas e órgãos oficiais dos países divulgaram nomes de pessoas que estavam no voo.
O Airbus A320 partiu de Barcelona, na Espanha, com destino a Düsseldorf, na Alemanha, e levava 150 pessoas – 144 passageiros e seis tripulantes.
Segundo informações da Germanwings, entre as vítimas do acidente havia 72 alemães, 35 espanhóis, 2 australianos, 2 argentinos, 2 iranianos, 2 venezuelanos, 2 americanos, 1 marroquino, 1 britânico, 1 holandês, 1 colombiano, 1 mexicano, 1 dinamarquês, 1 belga e 1 israelense.
A origem de algumas vítimas ainda é incerta, especialmente devido a casos de dupla nacionalidade. Devido à violência do acidente, as autoridades acham pouco provável encontrar sobreviventes.Conheça as histórias de algumas das vítimas.
Avião com parentes de vítimas decola de Düsseldorf, na Alemanha, nesta quinta (Foto: Reuters)Avião com parentes de vítimas decola de Düsseldorf, na Alemanha, nesta quinta (Foto: Reuters)

12 Golaços do Governo Dilma