3.26.2017

Vidas secas, nunca mais

Enviado especial a Monteiro (PB) no último domingo, o jornalista Aquiles Lins relata os sonhos e as esperanças dos moradores da região, que está sendo transformada com a chegada das águas da transposição do São Francisco; na reportagem especial, ele também analisa o impacto político da inauguração popular da transposição, que pode marcar o início da caminhada do ex-presidente Lula de volta ao Palácio do Planalto 

Por Aquiles Lins, enviado especial a Monteiro (PB) pelo 247

© Flickr José Pimentel
O coração do semiárido nordestino presencia uma revolução. A chegada das águas do rio São Francisco aos municípios da caatinga paraibana e pernambucana foi festejada em um evento histórico no último dia 19 de março, em Monteiro, com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da presidente deposta Dilma Rousseff, acompanhados de alguns dos principais representantes da esquerda do País e de mais de 120 mil pessoas.
A transposição das águas do São Francisco, que vai democratizar o acesso a água para 12 milhões de pessoas, sendo mais de 1 milhão de pessoas só na Paraíba, deixaria orgulhosos vários autores que relataram o histórico de seca e miséria da região.
Entre eles, o escritor alagoano Graciliano Ramos talvez derramasse algumas lágrimas ao ver a água do Velho Chico correndo em Monteiro (PB) ou em Sertânia (PE), tão distante de seu leito sertão adentro.
Graciliano Ramos nasceu e por anos morou no semiárido alagoano. Escreveu, entre outros, o livro Vidas Secas, publicado em 1938. A obra conta a história de miséria e permanente migração do vaqueiro Fabiano e sua família: a esposa Sinhá Vitória, os dois filhos e o cachorro Baleia. Tinha um papagaio também, mas foi sacrificado para servir de comida.
Em dado trecho do livro, Fabiano contempla a chegada da chuva, o “inverno” para os nordestinos, mas sabe que é uma felicidade passageira. “Fabiano olhava a caatinga e previa que a seca voltaria, o verde sumiria, ele precisaria apertar o cinto, encolhendo o estômago. Isso porque sempre acontecia com ele, com o pai dele, e com o avô dele. Ele precisava resistir, ser duro. Ser homem. E quando morresse, seus filhos deveriam seguir o mesmo caminho. Era bom que aprendessem a ser duros como ele, para não morrerem fracos como Seu Tomás da bolandeira”, diz Graciliano, ao descrever seu protagonista.
Quase 80 anos depois de Vidas Secas vir a público, para muitos a felicidade da água já não será mais passageira. Além da água que cai do céu, agora tem a que vem do “rio”. Ainda é possível encontrar exemplares de Fabiano na região. Com alguns avanços tecnológicos, obrigados pelo tempo a chegar aos rincões do Nordeste, como luz elétrica e telefone celular, mas muitos continuam preservados em sua essência “dura”, forjada na seca.
Seu Sebastião Alves da Silva é um desses exemplares. Com 68 anos, é nascido e criado em Monteiro. Diz que nunca saiu da cidade, nem mesmo para a vizinha Campina Grande, que fica a 172 km dali, muito menos para a capital João Pessoa. Sebastião sobrevive de uma aposentadoria como trabalhador rural. Não sabe ler, nem escrever. Se envergonha de assinar seu nome com o polegar. “Na minha época, a escola mais próxima ficava a sete léguas [cerca de 34 km] da minha casa. Não tinha condição”, diz.
© Aquiles Lins/247
“Espero que daqui até o resto da minha vida não vai faltar mais não uma felicidade dessas”, diz seu Sebastião sobre a chegada da água
Sebastião tem a mesma pele curtida do sol do semiárido que tinha Fabiano. A diferença crucial entres os dois está na esperança. O aposentado monteirense, conta, sempre acreditou que a água um dia não fosse faltar na sua terra.
“Tinha muitas pessoas da minha idade que estavam pensando que essa água não chegava. Mas eu nunca desenganei. Porque primeiro Deus, e segundo os homens da terra”, diz Sebastião, orgulhoso, olhando para o leito do rio Paraíba, agora perenizado com as águas do São Francisco, que viajaram 208 km desde o reservatório de Itaparica (BA).
Ele conta que até o momento, a população de Monteiro estava se mantendo com o que restava de água do açude de Poções, principal reservatório da cidade. “Com as chuvas muito poucas, o reservatório estava sem água. É tanto que a Cagepa [Companhia de Água e Esgotos da Paraíba] puxava uma água pra gente que só era lama”.
Como a grande maioria dos moradores de Monteiro, ao falar da água do São Francisco, seu Sebastião engata logo em seguida um agradecimento ao ex-presidente Lula, responsável por retirar do papel a transposição das águas, que havia sido idealizada inicialmente pelo intendente da comarca do Crato (CE), Marcos Antônio de Macedo, em 1847 (saiba mais sobre o histórico da transposição).
“Para o bem que Lula tem feito, eu acreditava que essa água chegava. Porque ele não fez o bem só para mim, mas também para os nordestinos”, afirma. Questionado sobre o que espera do futuro, agora com as águas do Velho Chico em Monteiro, seu Sebastião é só esperança. “Mas rapaz, eu espero tudo de bom. Que onde tem muita água, tem tudo quanto é bom. Só não tem se não quiser. Eu já estou com esta idade, e espero que daqui até o resto da minha vida não vai faltar mais não uma felicidade dessas.”

Fracassa a manifestação dos coxinhas no Rio em apoio à Operação Lava Jato, a Polícia Federal e ao Juiz Sergio Moro

Rio - Durou cerca de duas horas a manifestação organizada pelo Movimento Brasil Livre (MBL) na Ave nida Atlântica, em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. Por volta das 11h, início do evento de apoio à Operação Lava Jato, a Polícia Federal e ao juiz Sergio Moro.  A organização falou em expectativa de 20 mil a 30 mil participantes, mas, as projeções se frustraram na manhã de forte sol no Rio.


Protesto em Copacabana teve meia dúzia de gatos pingados. 

A previsão era concentrar as 10h e prosseguir até 14h. Na prática, o protesto durou de 11h às 13h, quando foram encerradas as falas em cima dos carros de som. Policiais militares que faziam a segurança se negaram a estimar o tamanho da manifestação.
O MBL distribuiu cinco carros de som ao longo de cinco quadras da Avenida Atlântica. A maioria dos participantes se concentrou em torno dos carros de som, principalmente, em frente ao hotel Othon Palace. Entre um carro e outro era possível encontrar cariocas passeando pela orla, como acontece todos os domingos nas praias do Rio. Alguns deles vestiam roupas nas cores verde e amarela, demonstrando apoio ao movimento. E vários, camisas com imagem do rosto do deputado federal Jair Bolsonaro.
"Acabou o caô. Sérgio Moro chegou", "Congresso inimigo do Brasil Moro, herói nacional" e "Fora Pezão. Fora PMDB" foram algumas das palavras de ordem ditas pelos organizadores, seguidas de aplausos. Teve também a bandeira verde amarela que percorreu as manifestações do MBL durante o processo de impeachment(golpe) da ex-presidente Dilma Rousseff e pedidos de prisão do ex-presidente Lula, para que não seja candidato em 2018.
"Tivemos grande vitória com a saída. Mas o vírus esquerdopata está vivo", afirmou a empresária Elisa Sandronni, que também protestou contra a reforma da Previdência.

A desilusão mandou recado neste domingo

"Há um sentido muito claro no fracasso das manifestações convocadas para este domingo, 25, por MBL, Vem Pra Rua e outros movimentos que fizeram grandes atos no ano passado a favor do impeachment(golpe): amplos setores da classe média desiludiram-se com o golpe que apoiaram e entenderam o sentido retrógrado do governo Temer", diz a colunista Tereza Cruvinel; "A inflexão está em curso, no povo e na elite, embora isso não garanta uma saída política para a encalacrada brasileira. Acabou-se a ilusão com o golpe. O golpista Temer prometeu crescimento e veio mais recessão e desemprego. Prometeu o combate à corrupção e a cada dia mais um ministro de seu governo aparece nas delações"; segundo ela, o MBL não ousou defender o golpista, mas foi um dos instrumentos para promover a atual tragédia brasileira 

247 - A prova do fracasso da manifestação convocada pelo MBL (Movimento Brasil Livre) para este domingo 26 são cartazes levados pelos manifestantes contra o próprio grupo. "MBL, você uma farsa", diz um deles.
O movimento liderado por Kim Kataguiri e Fernando Holiday, que convocou atos pelo impeachment de Dilma Rousseff no ano passado, chamou as pessoas pelas redes sociais a protestar em defesa da Lava Jato, do juiz Sergio Moro e pelo fim do foro privilegiado.
Muitas pessoas que apoiaram o impeachment com a promessa de que a corrupção iria acabar e a economia melhorar, porém, já se dizem arrependidas. Mais de 1 milhão de pessoas foram às ruas no dia 15 de março para pedir "Fora Temer", "Não à reforma da previdência", "não à reforma trabalhista", e "não à terceirização".
O protesto do MBL conseguiu reunir neste domingo algumas centenas de pessoas em cidades do interior e capitais. No Rio de Janeiro, a Polícia Militar disse que acompanha o ato, mas que não irá estimar o número de pessoas presentes.

3.25.2017

Ciro convoca o povo para derrubar Temer: “A hora de lutar é agora”


Ceará247 - Candidato à presidência da República em 2018, o ex-ministro Ciro Gomes voltou a criticar o governo Michel Temer e as reformas propostas por ele em bate-papo com internautas ao vivo, pelo Facebook, nesta sexta-feira (24). Ciro fez questão de enfatizar a importância das manifestações do povo na luta contra medidas como a reforma da previdência e chamou o povo às ruas.
“A hora de lutar é agora. Algumas coisas ainda dá tempo de reverter, o que não é possível é aceitar passivamente. Lutar dentro das linguagens da democracia, mas o povo precisa sair de casa”, disse ele, enfatizando que o País experimenta no momento um “retrocesso em matéria de cuidados com os direitos do trabalhador, com os pobres, com os usuários da saúde pública, da educação, daqueles que precisam da segurança pública funcionando”. 

Sobre a reforma da previdência, Ciro disse que “está animado que ela não vai passar”  e que a proposta do governo é um “avanço terrível sobre os mais pobres, mais vulneráveis”. “Isso tudo é uma imoralidade. Temos que lutar”, reforçou, observando que “a única coisa que amedronta político é perder o voto do cidadão”. Ele comentou as mudanças propostas recentemente, de retirar o estado e os municípios, e considera isso uma vitória da população. “Eles só estão recuando porque estamos fazendo o serviço de dizer em alto e claro som que eles não passarão”
Ciro disse também acreditar que o País passará pela maior renovação da política em 2018. “Espero que numa eleição próxima a gente faça uma grande faxina, uma grande limpeza, não deixando voltar esse magote de picaretas que assaltou a vida pública brasileira e que deu o golpe na nossa democracia tão jovem”.

Aécio se encontra com FHC e trama fim de partidos menores


:
Presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves se encontrou com o ex-presidente FHC nesta sexta-feira, segundo ele, para discutir a reforma política; se a reforma defendida pelos tucanos for aprovada, partidos como PSOL, Rede e PCdoB, entre outros, desaparecem; "A reforma é fundamental para que o país tenha condições de ter uma representação política mais transparente", defendeu Aécio em seu Facebook 
  O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), se encontrou com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nesta sexta-feira 25 em São Paulo, de acordo com o parlamentar, para discutir a reforma política.
Se a reforma defendida pelos tucanos for aprovada, partidos como PSOL, Rede e PCdoB, entre outros, desaparecem. Aécio apresentou uma PEC nesse sentido com o senador Ricardo Ferraço.
"Ela dificulta a criação de partidos sem representação junto à sociedade, aqueles que buscam unicamente obter recursos públicos e ter acesso a tempo de TV para usar como moeda de troca em período eleitoral", definiu o senador em texto publicado em seu Facebook nesta sexta.
"Isso possibilitaria a redução no número de partidos no Brasil, hoje, são quase 40. A proposta também acaba com as coligações para deputados e vereadores. A PEC 36 já foi aprovada no Senado e, agora, está sob análise na Câmara. Sua aprovação representaria passo fundamental para avançarmos na representação política do país", finaliza o tucano.

O golpista Temer quer anular delações e nova jurisprudência no TSE

247 – Rejeitado pela ampla maioria da população brasileira, o golpista  Michel Temer,  terá sua cassação pedida pelo ministro Herman Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral, tentou sua última cartada na noite de ontem.
Em petição encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral, ele pediu a anulação das delações da Odebrecht, onde seu braço direito o corrupto Eliseu Padilha é acusado de organizar um esquema de propinas, após um jantar de arrecadação com sua presença no Jaburu, e também a divisão da chapa Temer – o que contraria a jurisprudência da corte.
"Na peça, os advogados do peemedebista argumentam que o ministro Herman Benjamin, relator da matéria, decidiu convocar os colaboradores 'sem requerimento de qualquer das partes e do Ministério Público' e fundamentou a ação em 'indicativos extraídos da mídia escrita', resultado de vazamento ilegal das informações'", informa o jornalista Paulo Gama
A chicana jurídica do golpistaTemer  pede a nulidade das provas e também a divisão da chapa Temer. No entanto, a presidenta eleita Dilma Rousseff já demonstrou que despesas de Temer foram pagos pelo caixa único.
Com a economia na lama e o golpista Temer incapaz de entregar o que prometeu aos fiadores do golpe, como a reforma da Previdência, a tendência é que o Fora Temer cresça nas próximas semanas.