3.04.2015

Estamos ficando mais inteligentes?


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Testes de QI apontam índices maiores agora em comparação com os do passado
Os índices de QI (quociente de inteligência) estão aumentando em muitos lugares do mundo. Mas o que está por trás desse aumento? Isso realmente significa que as gerações atuais estão ficando mais inteligentes do que seus avós?
É até comum ouvir pais comentando que seus filhos são mais espertos do que eles mesmos. Fazendo isso, eles disfarçam uma observação prepotente sobre seus filhos por trás de um comentário autodepreciativo.
Mas um novo estudo, divulgado pela publicação científica Intelligence, traz novas provas de que, em muitos casos, isso pode realmente ser verdade.
Os pesquisadores – Peera Wongupparaj, Veena Kumari e Robin Morris, da Universidade Kings College, de Londres – não pediram para ninguém fazer o teste de QI, mas analisaram informações de 405 estudos anteriores. Ao todo, foram colhidos dados de testes de QI de mais de 200 mil participantes, feitos nos últimos 64 anos, em 48 países.
Focados em uma parte do teste de QI, o das Matrizes Progressivas de Raven, eles descobriram que, em média, a inteligência dos seres humanos aumentou o equivalente a 20 pontos desde 1950. Considerando que a pontuação média de um teste de QI é 100, esse é um aumento significativo.
Esses "ganhos de inteligência", porém, não foram distribuídos de maneira uniforme. Os índices de QI, em geral, aumentaram de forma mais rápida em países em desenvolvimento, com os maiores saltos acontecendo na China e na Índia.
Já no mundo desenvolvido, o crescimento do QI tem sido mais contido e variável – nos Estados Unidos, por exemplo, houve um aumento contínuo, mas no Reino Unido, houve um declínio.

Efeito Flynn

A nova pesquisa é uma confirmação real de uma tendência que os cientistas identificaram há algum tempo.
Em 1982, James Flynn, um filósofo e psicólogo da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, analisou os manuais americanos para testes de QI e percebeu que esses testes eram revisados a cada 25 anos ou mais – assim, os organizadores conseguiram observar um cenário que colocasse lado a lado os testes antigos e os novos.
"Eu percebi que, ao fazer o teste antigo, eles conseguiram uma pontuação maior do que a obtida ao fazer o teste novo", explicou Flynn.
Em outras palavras, os testes estavam ficando mais difíceis. Isso ficou conhecido como "Efeito Flynn", embora Flynn faça questão de reiterar que ele não foi o primeiro a perceber esse "padrão" e não foi o responsável por dar esse nome à descoberta.
Mas se os testes estão ficando mais difíceis, e a média de pontuação ainda permaneceu estável em 100, as pessoas provavelmente começaram a apresentar um desempenho melhor. Parece que elas realmente estão ficando mais inteligentes.
Se os americanos de hoje fizessem os testes do século passado, teriam uma média extraordinariamente alta de QI com uma pontuação de 130, segundo Flynn.
E se os americanos do século passado fizessem os testes de hoje, eles teriam uma pontuação média de 70 – o reconhecido limite para pessoas com deficiência intelectual. Isso significa que o QI das pessoas está aumentando cerca de três pontos por década.

Explicações

Essa é uma questão não apenas nos Estados Unidos, mas para todos os países que têm demonstrado o efeito Flynn.
Em um estudo, Flynn comentou o desafio que os resultados lhe apresentavam: "Isso faz sentido? É certo admitir que em um determinado momento no passado quase 40% dos homens holandeses não tinham capacidade de entender futebol, o esporte nacional favorito?"
Então, afinal, o que está acontecendo? "Há muitas teorias, mas nenhuma delas foi comprovada por enquanto", disse Robin Morris.
Uma explicação possível tem a ver com as mudanças na educação. Na maioria dos países desenvolvidos, mais pessoas estão ficando por um período mais longo na escola, e os métodos de ensino evoluíram – não se resumem simplesmente a memorizar nomes, datas e fatos. Parece razoável supor que a educação esteja treinando as pessoas a pensar mais.
Mas, na verdade, essa suposição ainda é confusa. Não existe relação clara entre o aumento dos índices de QI e a melhora no ensino das escolas americanas.
A escola, porém, prepara as crianças para fazer os testes de QI de outras maneiras – o que o psicólogo Arthur Jensen tem chamado de "sabedoria dos testes". Com o tempo, os alunos ficam acostumados com a pressão de provas e com o fato de serem testados o tempo todo, e eles aprendem táticas de exames que ajudam a melhorar o desempenho.
Uma demonstração clara disso surgiu de um estudo de dados brutos sobre QI na Estônia. Quando os psicólogos Olev e Aasa Must colocaram lado a lado testes de QI feitos em 1930 e em 2006, eles observaram um aumento considerável de respostas certas – e também de respostas erradas. Os alunos atuais sabiam que não seriam penalizados por 'chutarem" errado na hora de responder.
James Flynn acredita que a "sabedoria dos testes" pode ter sido um dos motivos do aumento do QI dos Estados Unidos na primeira metade do século 20. No entanto, desde então, a quantidade de provas de QI aplicadas diminuiu, e o aumento nos resultados permaneceu constante.
Flynn justifica esse progresso contínuo com as mudanças profundas pelas quais a sociedade passou e também com a evolução da educação no último século, que levou as pessoas a pensarem de maneira mais abstrata, de um jeito científico – bem o tipo de inteligência medido nas provas de QI.
Ele cita o trabalho do neurocientista Alexander Luria, que estudou povos nativos da antiga União Soviética. "Luria descobriu que eles eram muito pragmáticos e concretos na forma de pensar", diz Flynn, "e que não eram capazes de usar lógicas abstratas ou de tirarem conclusões hipotéticas num processo formal."
Luria colocou o seguinte problema para o líder de uma comunidade na Sibéria: "Onde sempre tem neve, os ursos são brancos; sempre há neve no Polo Norte – de que cor são os ursos do Polo Norte?"
O homem respondeu que nunca havia visto ursos de qualquer outra cor, a não ser marrom, mas se um homem sábio e honesto vindo do Polo Norte dissesse a ele que por lá os ursos eram brancos, ele poderia acreditar nele.
O método científico de raciocínio hipotético, fazendo classificações e tirando deduções lógicas, era muito estranho a ele.
"Atualmente, praticamente todo o ensino formal, na trajetória que passa pelo primeiro e segundo grau e entra na universidade, se baseia no raciocínio hipotético", conta Flynn. "Isso é a base da lógica científica. E você está aplicando a lógica em categorias abstratas."
E esse tipo de raciocínio não é praticado somente na escola.

Estímulo cognitivo

Como Flynn observou, em 1900, somente 3% dos americanos tinham um emprego que fosse "cognitivamente exigente" – atualmente, esse número subiu para 35%, e o trabalho em si é muito mais exigente intelectualmente do que era há um século. As famílias também são menores, então crianças estão expostas a conversas mais "adultas" no jantar do que no passado.
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Crianças de hoje são mais estimuladas a desenvolver habilidades cognitivas, diz Flynn
Há ainda o fenômeno do "hothouse parenting" – pais que incentivam seus filhos a aprenderem mais rapidamente coisas avançadas para a idade deles –, o que também pode ser um fator para o crescimento do QI das novas gerações. E idosas vivem em geral com mais saúde, o que pode ter um efeito no desempenho delas nas provas.
Todos esses efeitos vão diminuindo seu impacto ao longo do tempo, conforme os países vão se tornando plenamente industrializados, segundo Flynn – isso explicaria por que alguns países europeus, incluindo França e os países escandinavos, apresentaram uma leve queda na pontuação do QI.
Ele admite que o padrão na Europa ainda é meio confuso, mas tem uma ideia sobre o porquê de os índices de QI continuarem a aumentar nos Estados Unidos. "Acho que a sociedade americana tem diferenças econômicas e sociais maiores do que na Escandinávia. Há, por exemplo, americanos negros que frequentam péssimas escolas e vivem em condições extremamente desfavoráveis."
Algumas outras causas possíveis para explicar o efeito Flynn foram apresentadas – e algumas são bastante intrigantes.
Uma, proposta por Arthur Jensen, que ainda precisa ser investigada, culpa a disseminação da energia elétrica.
Ele acredita que a luz das lâmpadas e das telas de TV pode ter contribuído para o desenvolvimento cognitivo de uma forma parecida como as luzes artificiais estimulam o crescimento dos frangos em granjas.
E existe também a teoria de que o mundo de hoje é mais visual do que era 100 anos atrás. As Matrizes Progressivas de Raven – usadas no estudo internacional recente do efeito de Flynn feito por Wongupparaj, Kumari e Morris – pede que as pessoas escolham padrões de um conjunto de listras e rabiscos.
Este teste em particular tem tido os maiores aumentos de QI comparado com todos os outros.
Talvez a televisão, os videogames, as propagandas e a multiplicação dos símbolos em locais de trabalho tenham tornado a tarefa de decodificar sinais pictóricos e identificar seus padrões.
Há também um debate sobre a nutrição das crianças.
Em um artigo publicado na edição de 2008 da Inteligence, Richard Lynn observa que as medidas de desenvolvimento mental infantil aumentaram nos Estados Unidos e no Reino Unido em números correlacionados aos do QI crescente de crianças um pouco mais velhas.
É difícil, porém, comprovar se as teorias de Flynn são suficiente para explicar isso. "As crianças pensam de forma mais científica hoje?", ele pergunta, de forma retórica.
Lynn argumenta que uma nutrição pré-natal é determinante para o peso do bebê no nascimento, que também tem uma relação com QIs mais altos.
A falta de um nutriente específico - o iodo – é conhecido por barrar o desenvolvimento intelectual em crianças que estão em fase de crescimento.
Um estudo de 2005 que examinou a deficiência de iodo na China demonstrou que a pontuação do QI das crianças era maior em áreas onde não havia essa deficiência, e aumentou depois que foram iniciados programas de estímulo.

Resultados

Explicações para o efeito Flynn não faltam, mas o que exatamente isso significa? Será que essa melhora contínua de resultados indica que o teste de QI não está medindo a inteligência? Ou será que as pessoas de hoje em dia realmente são mais inteligentes do que seus antepassados?
"Eu acho que não tem relação com 'mais inteligência'", diz Flynn.
"Hoje, temos uma uma soma maior de problemas cognitivos a que podemos responder em comparação com as pessoas de 1900. Mas isso é só porque a sociedade pede para que resolvamos mais e mais problemas cognitivos. As pessoas em 1900 tinham mentes perfeitamente adequadas para lembrar seus primos de primeiro grau, ou para arar a terra em uma fazenda, ou ainda para fazer uma mudança em uma loja. Ninguém pediu a eles que cursassem o ensino superior."
"É como um levantador de peso e um nadador. Eles podem ter tido o mesmo peso quando estavam no ventre de suas mães, mas teriam músculos diferentes em uma eventual autópsia, não? Então hoje, em uma autópsia, certas partes do cérebro, por exemplo as que usam lógica e abstração, teriam se exercitado mais e, por isso, pareceriam diferentes. Outras partes do cérebro diminuíram um pouco", prosseguiu.
Pode ser que algumas habilidades – como a resolução de problemas ou as habilidades para pensar – tenham melhorado, mas a habilidade cognitiva, em geral, não mudou.
Essa habilidade geral é fundamental para a forma como muitos cientistas veem a inteligência.
Apesar de pouco se saber sobre essa habilidade cognitiva, há uma suposta tendência hereditária de quem é bom em falar em público também seja bom jogando Sudoku (um quebra-cabeças numérico).
O problema é que essa habilidade cognitiva geral é exatamente o que os testes de QI deveriam medir. Na verdade, de todos os outros itens da prova, as Matrizes de Raven deveriam fornecer a medição mais precisa do teste. Se as pessoas não estão se tornando mais inteligentes mesmo, testes de QI não estão fazendo o que eles deveriam.
Mas Rob Morris está preparado para acatar a possibilidade de que, com o tempo, houve um aumento na habilidade cognitiva em geral.
"Parece razoável para mim pensar que o funcionamento intelectual pode ser maior ao longo do tempo em sociedades mais desenvolvidas", contou Morris.
Mas será que nós realmente percebemos no nosso meio uma proporção maior de gênios do que existia em gerações passadas?
"Esse é o aspecto confuso", admite Morris. "Como poderia aumentar tanto, sem que a gente perceba todas essas pessoas super inteligentes andando por aí? Isso é um mistério. Mas as pessoas começaram a dizer que talvez existam pessoas mais brilhantes e elas estariam escondidas por causa da maneira como a ciência se tornou 'especializada' ao extremo. Eles estariam trabalhando em seus próprios campos de pesquisa, fazendo coisas incríveis, e agindo como pessoas normais e genuínas. Mas eles não são identificados como 'gênios'."

BOTOX PARA DEPRESSÃO

Mulher pensando
Os participantes do último Congresso Mundial de Psiquiatria, realizado em setembro em Madri, na Espanha, foram surpreendidos com a apresentação de um estudo mostrando que a toxina botulínica do tipo A (o Botox), largamente empregada para suavizar rugas, pode trazer alívio contra a depressão. “A pesquisa é inovadora porque oferece uma nova abordagem para tratar a doença, e ela não entra em conflito com qualquer recurso já disponível”, observou o psiquiatra Norman Rosenthal, professor da Georgetown Medical School, em Washington, nos Estados Unidos, e coautor do estudo, publicado no Journal of Psychiatric Research. Em parceria com o cirurgião dermatológico Eric Finzi, ele acompanhou 74 pacientes de ambos os sexos com diagnóstico de depressão moderada ou severa. Metade recebeu uma aplicação de Botox entre as sobrancelhas, nos músculos usados para franzir a testa, local onde se formam vincos que conferem a expressão de preocupação e tristeza – o chamado olhar bravo. A outra metade (o grupo controle) recebeu uma injeção no mesmo lugar, só que de solução salina. Para avaliar a depressão, os participantes passaram por testes três semanas depois – e isso se repetiu seis semanas mais tarde. O resultado: 52% dos tratados com a toxina tiveram melhora significativa ante, no máximo, 20% do outro grupo. Embora não tenha sido o primeiro trabalho a propor o Botox contra a depressão, o estudo de Finzi e Rosenthal foi o maior e mais controlado já feito e confirma que as expressões do rosto interferem no humor. Um ar mais leve e sereno acaba influenciando nosso estado de espírito. O efeito, portanto, não decorre da ação do princípio ativo sobre o sistema nervoso central, mas do benefício que a mudança facial teria sobre o ânimo e o bem-estar. Ou, como já dizia um dos fundadores da psicologia moderna, o americano William James: “Nós não rimos porque estamos felizes. Nós estamos felizes porque rimos”.
Essa descoberta animadora não é a única. “Diferentemente do que diz o senso comum, a depressão é tratável e a maioria dos pacientes responde bem”, assegura Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Há outras boas notícias para enfrentar a doença, que atinge 350 milhões de pessoas no mundo – mais de 10 milhões delas no Brasil –, na proporção de duas mulheres para cada homem. Segundo o presidente da ABP, parte do prejuízo associado ao transtorno pode ser evitada. As perdas a que ele se refere são a diminuição da qualidade de vida e o ônus para a sociedade, já que a depressão só fica atrás das doenças cardiovasculares. De fato, crescem as evidências de que os tratamentos funcionam e podem ser seguros inclusive para gestantes. Após acompanhar 5 mil pacientes tratados com diversos medicamentos, Robert Gibbons, da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, observou melhoras substanciais em todas as faixas etárias. “Hoje o diagnóstico é mais fácil e as chances de sucesso no tratamento são maiores, o que não ocorria no passado”, diz o psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e professor da Faculdade de Medicina do ABC.
A depressão produz uma tristeza profunda, desproporcional às circunstâncias (tudo parece assustador demais), perturba o sono e o apetite, elimina a possibilidade de sentir prazer. Ainda que não deixe a pessoa prostrada na cama nem a impeça de trabalhar, esgota sua energia. “É como se eu tivesse um elefante fantasma em cima de mim”, comparou uma paciente atendida na Beneficência Portuguesa, em São Paulo. “A depressão é a solidão dentro de nós que se manifesta e destrói não apenas a conexão com os outros mas também a capacidade de estar em paz conosco mesmos”, descreve o jornalista e escritor americano Andrew Solomon, em O Demônio do Meio-Dia (Companhia das Letras). No livro, que ganhou por aqui nova edição em julho, às vésperas da vinda do autor para a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) deste ano, Solomon registra sua luta contra a doença e afirma que o oposto da depressão não é a alegria, mas a vitalidade. “O único sentimento que resta nesse estado despido de amor é a insignificância.” A saúde padece: cresce o risco de ataque cardíaco, menopausa precoce, perda de memória. Fora o perigo de suicídio. Todo ano são notificados cerca de 10 mil no país, 90% deles ligados à depressão grave. Ainda assim, Solomon defende que é possível viver bem, apesar da doença, e encontrar um sentido no caos para permanecer vivo. “Essa habilidade duramente aprendida infunde, na escuridão demoníaca, a luz do meio-dia.”
Não é um mal do nosso tempo. Os sintomas haviam sido descritos na Antiguidade pelo grego Hipócrates, o pai da medicina. O atual crescimento na incidência é atribuído ao maior número de diagnósticos e também à exposição aos gatilhos para quem nasce com predisposição genética. Entre eles estão o alto nível de stress, o ritmo acelerado da vida atual e a redução das horas de sono. Por muito tempo se supôs que a depressão fosse fruto apenas do déficit de serotonina (que atua sobre o humor, o sono e o apetite). Hoje se sabe que envolve outros mensageiros químicos, como a noradrenalina, responsável pela disposição e por manter a pressão em níveis normais, e a dopamina, que confere motivação para viver e participa do prazer, da memória e da atenção. Essa descoberta expandiu as fronteiras do tratamento. “A evolução dele tem produzido respostas mais rápidas”, destaca Antônio Geraldo da Silva. O combate à doença é feito com antidepressivos, como fluoxetina, sertralina e escitalopram, que normalizam a serotonina; ou a venlafaxina e a duloxetina, que agem sobre a serotonina e a noradrenalina. Também a agomelatina é usada para mirar os receptores da melatonina, indutora do sono. O psiquiatra faz a defesa dos antidepressivos: “Eles não viciam – como os remédios de tarja preta, erroneamente usados contra depressão, já que não conseguem debelá-la”. Os efeitos colaterais, em geral, são leves e toleráveis e variam de boca seca a náuseas.
Como os primeiros resultados aparecem em três semanas, os cientistas tentam abreviar o tempo de espera. Eles têm procurado um teste que aponte previamente se o paciente reagirá bem e rapidamente ao medicamento. Um possível marcador é o fibrinogênio, proteína fundamental para a coagulação. “Observamos que os pacientes com baixa concentração sanguínea de fibrinogênio respondem melhor”, diz o biólogo Daniel Martins de Souza, que iniciou os estudos na Universidade de Munique, na Alemanha, e continua agora na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Se o “candidato” for aprovado, a etapa seguinte será desenvolver estratégias para melhorar a resposta, como o uso da aspirina, dada a sua capacidade de inibir a ação do fibrinogênio.
Estímulos elétricos e magnéticos
Quando não há alívio, a depressão é considerada refratária. Então, podem ser adotados métodos como a eletroconvulsoterapia (ECT), em que o paciente recebe uma descarga elétrica de dois segundos para induzir convulsões e aumentar a concentração dos neurotransmissores que trazem bem-estar. “O procedimento é seguro e eficaz, pode ser indicado até para gestantes, mas, como requer internação e anestesia, não é usado como rotina”, explica Antônio Geraldo da Silva. Outro método é a estimulação vagal, que está sendo investigado na Universidade de São Paulo (USP). É invasivo: com procedimento cirúrgico, um aparelho semelhante a um marcapasso é instalado para estimular o nervo vago (um dos dez pares de nervos cranianos) e reequilibrar a produção de neurotransmissores. Já a estimulação magnética transcraniana (EMT) utiliza ímãs e ondas eletromagnéticas para promover alterações na atividade das células nervosas. “O efeito ainda não se compara ao do eletrochoque”, afirma o psiquiatra.
Uma arma importante é a psicoterapia. “Em caso de depressão leve ou moderada, ela é tão eficaz quanto os medicamentos”, diz o psicólogo Armando Ribeiro, coordenador do Programa de Avaliação do Stress da Beneficência Portuguesa, que acaba de participar de um curso de atualização em stress, ansiedade e depressão na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. “O melhor mesmo é associar as duas ferramentas, já que uma potencializa a outra.” Nas depressões severas, a psicoterapia ajuda a reduzir o risco de suicídio. As linhas mais usadas são a terapia comportamental cognitiva e a interpessoal. A primeira entende que os padrões de pensamento determinam as ações e, por isso, estimula o paciente a reconhecer e modificar visões distorcidas da realidade e transformar seu modo de agir. Já a interpessoal aprimora a capacidade de estabelecer relações saudáveis e resolver conflitos.
Fim do preconceito contra a depressão
Mais um aliado é o exercício físico regular. Caminhadas, musculação, dança e natação ativam a produção de endorfinas, o que leva ao bem-estar. “Além disso, aumentam o fluxo de oxigênio para o cérebro, estimulando novas conexões entre as células nervosas nas áreas debilitadas pela depressão”, esclarece Armando Ribeiro. O psicólogo sugere também a acupuntura: “Melhora o sono e ajuda a modular a produção de neurotransmissores”. Meditação e outras práticas de atenção plena (mindfulness) são bem-vindas. “Na depressão, o pensamento se prende ao passado. Essas técnicas mantêm a mente no presente.” Também contribuem o apoio da família e dos amigos e a fé (não no sentido religioso, mas de acreditar em algo). “Quem conta com esses suportes precisa de menos remédios”, diz Arthur Guerra. Para superar o estado depressivo e preveni-lo, é recomendado adotar dieta equilibrada (alimentos ricos em fontes de ômega 3, como sardinha, salmão, linhaça dourada e quinua), tomar sol (para ativar a síntese de vitamina D) e aprender técnicas para administrar o stress.
Mas, antes, é preciso vencer o preconceito. A campanha “Psicofobia é crime”, promovida pela ABP, luta pelo fim do estigma contra quem sofre com desordens mentais. “A depressão é uma doença como diabetes ou hipertensão. Não tem a ver com escolha, tipo de personalidade, covardia ou falta de força de vontade”, ressalta Antônio Geraldo da Silva. “Ninguém diz a um portador de diabetes: ‘Agora se concentre, faça um esforço e baixe sua glicose’. Em vez disso, o paciente é encaminhado a tratamento. Do mesmo modo, quem tem depressão deve ser visto como um doente que precisa de atendimento.” Solomon escreve em seu livro: “Todos gostaríamos que o Prozac resolvesse o problema, mas, pela minha experiência, o Prozac não resolve, a não ser que o ajudemos”. Isso também se aplica ao Botox ou a outros métodos que estão dando perspectivas de futuro para muita gente.
Fonte: M de Mulher

Dilma recebe líderes do Congresso para tentar se aproximar da base

Presidente tem reunião marcada no Planalto com senadores e deputados.a

Entre os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Pepe Vargas (Relações Institucionais), a presidente Dilma Rousseff recebe os líderes dos partidos da base do governo no Senado, no Palácio do Planalto, em Brasília (Foto: José Cruz/Agência Brasil)Entre os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Pepe Vargas (Relações Institucionais), a presidente Dilma Rousseff recebe os líderes dos partidos da base do governo no Senado, no Palácio do Planalto, em Brasília (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
A fim de sinalizar que deseja se aproximar do Congresso Nacional, a presidente Dilma Rousseff se reúne nesta quarta-feira (4), no Palácio do Planalto, com os líderes dos partidos da base aliada no Senado e na Câmara dos Deputados.
Nesta terça (3), o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), devolveu ao governo federal a medida provisória 669/2015 que trata da desoneração da folha de pagamento das empresas. Parte do ajuste fiscal, a medida foi reenviada pelo Planalto em formato de projeto de lei com pedido de urgência – o texto precisa ser aprovado pelo Legislativo para virar lei.
No início da semana, Dilma ofereceu jantar ao PMDB no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, do qual participaram ministros e parlamentares da legenda, além do vice-presidente da República, Michel Temer. Presidente nacional do partido, ele disse após o encontro que Dilma se reunirá semanalmente com os partidos que compõem o governo.
A expectativa é que após os encontros os parlamentares falem à imprensa sobre como foram as reuniões, o que ficou decidido e como eles procederão no Congresso. A pauta do encontro não foi divulgada oficialmente, mas faz parte das medidas que Dilma deve tomar para se aproximar dos partidos da base.
As reuniões com deputados e senadores dos partidos aliados no Palácio do Planalto começaram há algumas semanas. Responsável pela interlocução do governo com o Congresso, o ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas, participou de rodada de encontros com parlamentares das legendas da base para explicar as medidas de ajuste fiscal do governo e pedir apoio na votação delas.
Escalados pelo governo para apresentar às legendas aliadas o pacote fiscal, os ministros Pepe Vargas, Aloizio Mercadante (Casa Civil), Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento) e Alexandre Tombini (Banco Central) participaram na semana passada de jantares com parlamentares do PMDB e PSD.

Normcore hair: Tendência que está fazendo o cabelo das famosas em 2015

normecore cabelo das famosas

Não é à toa que as celebridades estão dando tchau para 
o cabelão e apostando nos 
cortes médios, como o long bob. Ser normal, ou seja, 
abandonar aquelas tentativas de parecer sexy o tempo todo, 
além de dar menos trabalho, agora também é chique! 
"Estamos na fase do 'quanto mais prático 
melhor' e a mulher mais preocupada em ser ela mesma, 
adotando um clean ao invés do femme fatale", diz o hairstylist do 
Dame de Lis Salon, Junnior Martins, de São Paulo. 
E segundo a hairstylist do tapete vermelho Marie Robinson,
que cuida da cabeleira de estrelas como Natalie Portman 
e Emma Stone, os fios naturais estão em alta em 2015.
O Normcore, que é uma combinação das palavras nmal + hardcore,
 começou nas ruas de São Francisco, nos Estados Unidos, 
explicar a tendência que foi além das roupas
 e virou um estilo de vida, que era o de não se preocupar 
com modismos ou marcas famosas. É o famoso jeans e camiseta. 
O movimento tomou conta das passarelas
 e invadiu o universo da beleza.
Menos é mais
Para aderir ao Normcore, você não precisa abandonar seu sonho 

ficar loira ou desfilar mechas à lá Marina Ruy Barbosa. 
Mas antes de investir nos ombrés ou
 técnicas mais complicadas com dégradé de cor, invista na 
monocromia e prefira tons que imitam os naturais ? 
e cores ousadas ficam de fora da lista. 
"A tendência é colorir os fios sem deixá-los em evidência, apostando nas 
microhighlights em tons mais sutis, como o caramelo, 
manteiga e o loiro areia", fala o hairstylist.
Corte sem dó!
O que a Kim Kardashian e a Andressa Urach têm em comum? 

Ok, a gente sabe qual foi a primeira coisa que você pensou, 
mas a segunda é que as duas cortaram 
o cabelo pra valer e sem dó, dando um ar sofisticado e natural. 
E apesar do long bob ser o queridinho do Normcore, os curtinhos e até os longos podem entrar pra lista. "A chave é apostar em uma base de corte arredondada,
 tirando o peso dos fios e desfiar só nas pontas, mantendo o corte 
indo ao salão a cada 3 meses".
3 motivos para apostar no Normcore já!
- É prático: você não precisa investir aqueles 40 minutos do dia para escovar os fios.
 É só lavar, pentear e deixá-los secar naturalmente, respeitando a textura natural do cabelo
- Agride menos os fios: menos chapinha, técnicas de tintura menos 

agressivas e cortes
 médios garantem a saúde dos fios em dia. Isso porque na tentativa de
sair por aí com um longo Gisele, a gente pode acabar deixando 
de cortar as pontas danificadas e maltratar os fios com muita química.
- Ser a melhor versão de você mesma: na tentativa de mudar, a gente acaba 
investindo o que pode e não pode para parecer outra pessoa e acaba 
esquecendo que cada fio tem a sua necessidade e não importa quanto
você escove ou pinte, sua estrutura vai ser sempre a mesma. Passar alguns
 meses aceitando seus cachos ou seu castanho além de fazer bem para a 
saúde do cabelo, vai te ajudar a perceber que você é linda assim, 
naturalmente.
Veja exemplos de celebridades com o cabelo normcore: