11.21.2014

Gilmar Mendes engaveta processo que acaba com financiamento empresarial de campanhas quando o placar já estava em 6 x 1 para acabar com a promiscuidade de empresários financiar politicos corruptos

Os sentidos da Operação Lava Jato: devolve, Gilmar!



Gilmar Mendes

A promiscuidade entre política e mundo dos negócios produz enormes prejuízos para a democracia: além da corrupção, dá poder às empresas de eleger candidatos e conseguir maioria no Congresso

por Jean Wyllys
Ministro Gilmar Mendes pediu vistas do processo que acaba com financiamento empresarial de campanhas em abril, mas nada fez a respeito.

A Operação Lava Jato poderia ser uma oportunidade excepcional, dessas que quase nunca ocorrem, para discutir seriamente o problema da corrupção no Brasil e a forma com que ela prejudica a democracia. Pela primeira vez, as principais empreiteiras estão sendo investigadas e 21 executivos foram presos pela Polícia Federal, entre eles os presidentes de algumas delas. Não estamos falando de quaisquer empresas, mas daquelas que realizam as mais importantes obras públicas, financiadas pelos governos federal, estaduais e municipais de diferentes partidos e que, ao mesmo tempo, são as principais financiadoras das campanhas eleitorais que elegeram esses governantes.
Os grandes esquemas de corrupção — que sempre são apresentados pela cobertura jornalística, de forma falaz, como se fossem apenas uma espécie de degeneração moral de determinadas pessoas — geralmente associada ao partido que está no governo, revelam-se no caso da Lava Jato como o que realmente são: um componente fundamental de um sistema econômico e político controlado não por funcionários corruptos, mas pelas empresas corruptoras.
Repassemos alguns dados.
As empreiteiras investigadas são nove: OAS, UTC, Queiroz Galvão, Odebrecht, Camargo Corrêa, Iesa, Galvão Engenharia, Mendes Junior e Engevix. Juntas, elas têm contratos com a Petrobras de 59 bilhões de reais. Só no Rio de Janeiro, três dessas empreiteiras (OAS, Camargo Corrêa e Odebrecht) participam, associadas em diferentes consórcios, das dez maiores obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas (linha 4 do metrô, Maracanã, Parque Olímpico, Transcarioca, Transolímpica, Porto Maravilha etc.) por um valor total de 30 bilhões. Elas têm contratos com governos de quase todas as cores. Várias delas também participam da privatização dos aeroportos e das obras do PAC, do governo federal, mas também das obras do metrô de São Paulo, envolvidos num caso de corrupção pelo qual é investigado o governador Geraldo Alckmin, que também recebeu dinheiro de empreiteiras para sua campanha.
Com negócios diversificados e participação em diferentes escândalos de corrupção, a lista das empreiteiras mais importantes do País é liderada pela Odebrecht que, segundo o ranking da revista O Empreiteiro, tem um faturamento de 5.292 bilhões de reais. Você sabe quanto dinheiro "doou" essa empresa para diferentes partidos e candidatos nas últimas eleições? Mais de 30 milhões de reais! A Odebrecht doou para todos os seguintes partidos: PSDB, PT, PSB, PMBD, PP, DEM, PCdoB, PV, Solidariedade, PROS, PRB, PSD, PPS, PSC, PCdoB, PTC e PSL. Eles doaram 2,95 milhões para a campanha da Dilma, 2 milhões para a campanha do Aécio e 500 mil para a campanha de Eduardo Campos (depois somou quase 50 mil a mais para a campanha da Marina), mas também para candidatos a governador e deputado e para os comitês financeiros e as direções nacional e estaduais de diferentes partidos.
De todos os partidos que elegeram representantes para o Congresso Nacional, o único que não recebeu dinheiro de nenhuma das empreiteiras investigadas (aliás, de nenhuma empreiteira!) foi o PSOL. Sim, foi o único!
A segunda maior empreiteira do ranking, com um faturamento de 5.264 bilhões, é a Camargo Corrêa, que doou, por exemplo, 1,5 mi para o DEM. A empreiteira Queiroz Galvão fez doações de campanha por mais de 50 milhões, beneficiando candidatos de 15 partidos, entre os quais o PT, o PSDB, o PMDB, o DEM e o PSB. Também doaram 200 mil reais para a campanha do nanico pastor Everaldo. Outra campeã das doações foi a OAS, com uma generosidade política de mais de 52 milhões que beneficiou Aécio, Dilma, Marina e candidatos de 12 partidos. A UTC fez doações de 34 milhões e também foi ampla na distribuição, beneficiando a 11 partidos, entre os quais estavam os mais importantes da situação e da oposição. E por aí vai. Todas elas estão envolvidas na investigação da Polícia Federal.
Alguns candidatos não recebem dinheiro de uma determinada empresa de forma direta, mas essa empresa doa para o comitê do partido, ou para sua direção nacional ou estadual, que por sua vez faz uma doação ao candidato. Ou então a empresa pode doar para um candidato a deputado, que depois faz uma doação para o candidato a presidente, ou vice-versa. Algumas empresas têm diferentes denominações, cada uma com um CNPJ distinto. Mas a quantidade de dinheiro que sai da União, dos Estados e dos municípios e vai para as empreiteiras mediante contratos para obras públicas, e que sai das empreiteiras e vai para os candidatos e seus partidos, é imensa. E essa promiscuidade entre política e mundo dos negócios produz enormes prejuízos para a democracia.
O problema não é apenas a corrupção direta, a propina e a lavagem de dinheiro. É também o poder que essas empresas têm para desbalancear o sistema democrático, apoiando determinados candidatos e candidatas com quantias absurdas de dinheiro que fazem com que os e as concorrentes de outros partidos tenham pouquíssimas chances de vencer, a não ser que entrem no esquema.
Nas últimas eleições, 326 parlamentares tiveram suas campanhas financiadas por empreiteiras (nenhum do PSOL!). E, entre eles, 255 receberam dinheiro das envolvidas na operação Lava Jato. Façamos as contas. Os candidatos das empreiteiras são maioria no Congresso! Dentre eles, 70 deputados e 9 senadores são citados nas investigações. E há governistas e opositores — inclusive petistas e tucanos (mas alguns jornais e revistas citam apenas os petistas).
O financiamento empresarial das campanhas favorece esse esquema e prejudica os que não querem fazer parte dele. Eu fui o sétimo deputado federal mais votado do estado do Rio de Janeiro, com 144.770 votos, e a receita total da minha campanha foi de 70,892.08 mil reais em doações físicas, sendo que, destes, 14 mil correspondem a trabalhos de voluntários. Não recebi (e nem quero!) um centavo das empreiteiras.
Agora vou dar um exemplo contrário: deputado Eduardo Cunha, que teve 232.708 votos e foi o terceiro mais votado do estado, declarou uma receita de mais de 6,8 milhões de reais! Sim, você leu bem: quase 7 milhões. Os diretórios nacional e estadual do PMDB, seu partido, que também doou dinheiro para ele, receberam "ajuda" da OAS (3,3 milhões), da Queiroz Galvão (16 milhões), da Galvão Engenharia (340 mil) e da Odebrecht (8 milhões). O PMDB governa o estado que dá a algumas dessas empreiteiras obras públicas milionárias. Isso sem falar dos bancos, empresas de mineração, shoppings e outros empreendimentos que depositaram na conta de Cunha.
Vocês percebem como o é injusto e antidemocrático que um candidato honesto, que conta apenas com doações de amigos, militantes e simpatizantes, contra outro que recebe quase 7 milhões de bancos e empreiteiras? Vocês percebem como isso faz com que nosso poder, eleitor, seja cada vez menor, e com que o poder da grana se imponha cada vez mais?
Agora pense no seguinte: Eduardo Cunha pode ser o próximo presidente da Câmara dos Deputados! Ele é um dos cérebros da bancada fundamentalista, foi o grande articulador da presidência da CDHM para o pastor Marco Feliciano e é o porta-voz do que há de mais reacionário, retrógrado, conservador e antipopular no Congresso. Algumas pessoas acham que o grande vilão da direita é Jair Bolsonaro, mas na verdade, ele é apenas um personagem caricato, bizarro, que tem mais holofotes do que merece. O verdadeiro poder radica em personagens menos conhecidos, como Cunha, que se mexem nas sombras. E as doações milionárias entram na conta dele.
Mas eu comecei dizendo que tudo o que está acontecendo em torno da operação Lava Jato poderia ser uma oportunidade excepcional para discutir seriamente o problema da corrupção no Brasil e a forma com que ela prejudica a democracia. Poderia ser, mas não está sendo. A maioria da imprensa e alguns líderes da oposição com espaço na mídia está tentando passar a impressão de que se trata, apenas, de um novo "escândalo de corrupção do PT".
Delegados e fontes do judiciário ligadas a partidos de direita vazam de forma seletiva informações que envolvem apenas os corruptos petistas, mas escondem as que poderiam prejudicar os corruptos tucanos ou de outros partidos. Tudo passa a ser “culpa da Dilma, do Lula e dos petralhas". E o PSDB e seus aliados da direita tentam se apropriar da operação e se apresentar como os paladinos da moral e da honestidade que querem nos livrar dessas mazelas. Hipócritas!
É claro a corrupção na Petrobras durante os governos petistas que tem que ser investigada — mas também durante os governos tucanos e os governos anteriores aos tucanos! É claro que temos que investigar todos os funcionários e parlamentares envolvidos nos esquemas, seja do partido que forem. O PT e seus aliados têm uma enorme responsabilidade nisso tudo. Mas enquanto pensarmos na corrupção apenas como uma sucessão de casos particulares e olharmos para ela apenas como um problema moral seremos como aquele personagem da publicidade "Sabe de nada, inocente!". O escândalo está sendo instrumentalizado por uma parte da imprensa não apenas para atacar o governo, mas também para colocar a Petrobras no alvo de discursos privatizadores! Ou seja, a questão é muito mais complexa!
Por isso, e se realmente quisermos fazer algo que tenha impacto real contra a corrupção, o primeiro passo é acabar com o financiamento empresarial de campanha. A OAB apresentou no Supremo Tribunal Federal uma ADIN (ação direta de inconstitucionalidade) para proibi-lo, e tem todo o apoio do PSOL. Seis dos onze ministros já votaram favoravelmente, mas o ministro Gilmar Mendes, Advogado Geral da União durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso, pediu vistas do processo em abril desse ano e, desde então, nada fez a respeito.
Diversos movimentos sociais e políticos lançaram a campanha #devolvegilmar, para que o ministro conclua suas vistas e permita que ela seja julgada. O fim do financiamento empresarial de campanhas deveria ser, também, um dos principais eixos da reforma política que o Brasil precisa. Porque com um Congresso cujos integrantes foram financiados pelas principais empreiteiras envolvidas nesses esquemas, não haverá "CPI das empreiteiras", da mesma forma que não avançará a CPI da Petrobrás. Tudo será tratado como mais um escândalo.
Se quisermos que a corrupção deixe de ser, apenas, o tema favorito das manchetes de jornal, e passe a ser combatida de forma realista e eficaz, sem hipocrisia, precisamos produzir reformas estruturais no sistema político e econômico e não apenas fazer julgamentos morais partidarizados. Precisamos cortar um dos principais rios de dinheiro que corrompe a política e, ao mesmo tempo, diminui o poder dos eleitores, transformando os governos e o Congresso em reféns dos interesses de um pequeno grupo de empresários com negócios bilionários.
Devolve, Gilmar! Vamos falar sério dessa vez!

10 piores desculpas usadas para faltar ao trabalho

Pesquisa da CareerBuilder elegeu as histórias mais absurdas contadas por empregados para justificar uma falta

“Não consegui chegar porque embarquei por engano em um avião”. A criatividade humana é louvável. Quando aplicada para inventar histórias que justifiquem uma falta no trabalho, então, nos faz duvidar do tão genial que é a mente humana! A Business Insider listou as dez desculpas mais esfarrapadas usadas por funcionários para justificar o fato de terem se ausentado em um dia de trabalho. 
Contudo, antes de chegarmos as desculpas, de fato, aqui vão alguns números extraídos de uma pesquisa da CareerBuilder que elegeu as histórias mais absurdas. O levantamento contou com a participação de 3.103 norte-americanos que trabalham em tempo integral, somados aos dados coletados junto a 2.203 empregadores. O estudo descobriu que 28% dos trabalhadores ligaram para patrão justificando uma falta ao longo dos últimos 12 meses. 
Alguns apenas falaram que não estavam se sentindo muito bem, enquanto outros disseram que precisavam de um dia para relaxar ou necessitavam colocar o sono em dia. Uma outra parcela colocou a desculpa no mau tempo. 
“Em algumas companhias, as pessoas não se sentem confortáveis de dizer aos seus chefes que precisam de um tempo, então começam a elaborar desculpas para faltar ao trabalho”, comentou Rosemary Haefner, vice-presidente de RH da CareerBuilder, em entrevista ao Business Insider. “Quanto mais flexível o ambiente e mais honesta a comunicação entre a companhia, menor a necessidade que os colaboradores sentem de mentir”, constata. 
Ela aconselha que, caso você precise de um dia de folga, a melhor forma de pedir isso ao seu chefe é de maneira honesta. “Muitos empregadores são mais flexíveis em suas definições e padrões quanto a ausência no trabalho e tendem a permitir que os colaboradores usem essas faltas para recarregarem suas baterias ou resolverem questões pessoais”, observa. 
Agora, se sua tática foi inventar uma história, apesar da observação acima, cuidado: enquanto a maioria das empresas dá a seus funcionários o “benefício da dúvida”, 31% afirmam que checam as informações para verem se seus funcionários estão falando, realmente, a verdade. Além disso, outros 18% afirmaram que já demitiram empregados que deram desculpas esfarrapadas.  
A pesquisa pediu para gerentes e profissionais de RH compartilharem as histórias mais peculiares que receberam de um funcionário que precisava faltar ao trabalho. “Nunca paro de me surpreender quanto ao que uma pessoa pode dizer para justificar uma falta”, afirma Rosemary, que vê as desculpas ficarem cada vez mais criativa, ano após ano. 
Depois de toda essa introdução, aqui vai a prometida lista das 10 desculpas mais esfarrapadas contadas nos últimos 12 meses de acordo com a CareeBuilder (tentamos dar um sentido mais local na tradução, mas mantivemos a versão em inglês ao lado). 

“Passei o final de semana inteiro no cassino e ainda tinha um dinheiro para continuar jogando hoje [segunda-feira] de manhã”
"I was at the casino all weekend and still have money left to play with this [Monday] morning."

“Estava sentado no banheiro e meus pés e pernas adormeceram. Quando tentei me levantar, cai e quebrei meu tornozelo.”"I was sitting in the bathroom and my feet and legs fell asleep. When I stood up, I fell and broke my ankle."
“Meu uniforme pegou fogo quando eu tentei secá-lo no micro-ondas.”"I caught my uniform on fire by putting it in the microwave to dry."
“Minha cirurgia plástica precisou de uns ‘ajustes’.” "My plastic surgery for enhancement purposes needed some 'tweaking' to get it just right."
“Acabei de colocar uma caçarola no forno.”"I just put a casserole in the oven."
“Acordei de bom humor e simplesmente não queria estragar isso.”"I woke up in a good mood and don't want to ruin it."
“Fiquei preso na máquina de pressão arterial na farmácia e não consegui sair.”"I got stuck in the blood pressure machine at the grocery store and can't get out."
“Tenho um cálculo biliar e quero curá-lo de com tratamento holístico.”"I have a gallstone I want to let heal holistically."
“Embarquei sem querer em um avião.”"I accidentally got on a plane."
“Tive uma noite tão boa que não lembro mais onde estou.”"I had a 'lucky night' and don't know where I am."

SAIBA MAIS:

Confira algumas das desculpas mais inusitadas dadas por quem falta ao trabalho

Uma pesquisa realizada em junho deste ano com 1.013 pessoas nos Estados Unidos, revelou quais as principais desculpas para faltar ao trabalho. Além disso, a pesquisa que foi encomendada pela empresa de soluções em tecnologia Citrix, mostrou também algumas desculpas inacreditáveis usadas pelos empregados.
Entre as justificativas mais comuns, a mais usada ainda é de que o empregado está doente. Já no que diz respeito à criatividade dos funcionários com seus chefes, as respostas são surpreendentes. Veja abaixo algumas delas:
  • Encontrei o amor da minha vida
  • Minha moto ficou sem gasolina
  • A gasolina é muito cara
  • Estou de dieta
  • Estou com problemas com a unha do dedão
  • Meu numerologista disse para não ir
  • É aniversário do Elvis
  • Um gambá espirrou seu cheiro no meu cachorro
  • Todas as minhas roupas estão para lavar agora, não tenho nada para vestir
  • Eu tinha que ver se meu jardineiro estava mesmo plantando tudo que queria e pelo que paguei
Além das desculpas, a pesquisa levantou outros dados interessantes sobre o que as pessoas acham do seu trabalho. Entre as coisas que elas mais rejeitam, estão eventos da própria empresa e tirar fotos em equipe. Tabalhar com colegas “sabe tudo” foi a coisa que mais votada entre as que mais irritam os  entrevistados.
Para conferir na íntegra a pesquisa, basta clicar aqui.

CRESCE O NÚMERO DE CASOS DE AFASTAMENTO DO TRABALHO POR DROGAS


Cresce o número de casos de afastamento do trabalho por drogas
O que mais chama a atenção no levantamento do Ministério da Previdência é que o maior motivo de afastamento não são as chamadas ‘drogas pesadas’, como o crack e a cocaína, mas sim o álcool
A cada mês, 3,5 mil pessoas são afastadas do trabalho por problemas com álcool e drogas. A estimativa é do Ministério da Previdência, que aponta que o número de afastamentos vem aumentando ano a ano.
O número de pessoas que precisaram se afastar por invalidez provocada por problemas com álcool e drogas em todo o Brasil pulou de 47.839, em 2012, para 52096 em 2013, segundo o Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS. Um crescimento de oito pontos percentuais. Mas o número permanece em crescimento: até julho deste ano, 23.855 trabalhadores precisaram se afastar por causa do vício.

O que mais chama a atenção no levantamento do Ministério da Previdência é que o maior motivo de afastamento não são as chamadas ‘drogas pesadas’, como o crack e a cocaína, mas sim o álcool. O psicólogo Dionísio Banaszewski, que trabalha há mais de 25 anos na orientação e combate ao uso de drogas, afirma que o problema do álcool cresce porque não é percebido pela sociedade. “O fato de a bebida alcoólica ser aceita socialmente, e até incentivada, só agrava a questão”, comenta.

Dionísio argumenta que é na empresa que os reflexos do problema, como absenteísmo, acidentes de trabalho, abandono do emprego, entre outros, aparecem com maior nitidez. Segundo ele, os trabalhos de prevenção também devem ser intensificados nas organizações corporativas, o que tem acontecido de forma ainda tímida. “O trabalho de conscientização deve ser contínuo e feito por profissionais qualificados”, alerta o psicólogo, lembrando que há muitos casos de pessoas bem intencionadas, mas pouco preparadas, fazendo palestras meramente emocionais, que não chegam a promover resultados efetivos para evitar e combater o uso e a dependência.

O médico José Carlos Vasconcelos, diretor da Quinta do Sol, clínica especializada na orientação e tratamento contra as drogas, lembra ainda que, quando o trabalho de conscientização é bem feito dentro das empresas, os resultados são realmente efetivos.

Universitários criam fábrica de óculos de grau de baixo custo para doação

Alunos do Insper receberam prêmio de R$ 100 mil para investir no negócio.
Empresa emprega ex-presidiários, moradores de rua e refugiados.

Vanessa Fajardo Do G1, em São Paulo
Fabio Blanco e Bruna Vaz atuam na empresa VerBem que produz óculos de grau a baixo custo para doação (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)Fabio Blanco e Bruna Vaz atuam na empresa VerBem que produz óculos de grau a baixo custo para doação (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)
Um grupo de alunos e professores do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), em São Paulo, criou uma fábrica de óculos de grau a baixo custo para serem doados em comunidades carentes. O projeto, chamado VerBem, integra a ONG Renovatio, ligada ao Insper, e funciona como atividade extracurricular aos alunos. O trabalho dos fundadores é voluntário e a empresa não tem fins lucrativos.
O que começou como um projeto universitário virou negócio. A empresa que emprega três pessoas, e produz, em média, 12 óculos por dia, no Instituto da Visão, na Vila Clementino, Zona Sul de São Paulo, vai crescer. O projeto foi premiado na categoria Universidade Solidária, do Prêmio Santander Universidades, no dia 5 de novembro, e ganhou R$ 100 mil para investir na empresa.
O dinheiro vai servir para montar uma nova fábrica na comunidade Vila Nova Esperança, no Butantã, na Zona Oeste de São Paulo, triplicar o número de funcionários e a produção. Os empregados são pessoas que estão em vulnerabilidade social como ex-presidiários, moradores de rua e refugiados, têm por obrigação além de trabalhar, estudar e participar de programas culturais.
Um dos funcionários atuais é Alex Sandro dos Santos, de 34 anos, que passou dez anos preso, perdeu o contato com o pai e as irmãs e vê no projeto uma chance de se reerguer na vida. “É a minha oportunidade.” Cada trabalhador precisa montar no mínimo sete óculos por dia, e recebe bônus à medida que ultrapassa a meta. O custo médio de cada unidade é R$ 17 - o mesmo modelo pode ser encontrado nas óticas por R$ 90, segundo os integrantes do VerBem.
Alex Sandro é um dos funcionários do VerBem (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)Alex Sandro é um dos funcionários do VerBem
(Foto: Vanessa Fajardo/ G1)
Duplo impacto
Os óculos estão disponíveis em apenas um modelo em cores e tamanhos diferentes. A armação de aço flexível e as lentes vêm da Alemanha, da Fundação OneDollarGlasses, matriz que originou o projeto no Brasil. Há lentes apenas para casos de miopia e hipermetropia entre seis graus negativo e seis positivo.

Desde junho deste ano, quando as atividades foram iniciadas, já foram produzidos 800 óculos. Cerca de 600 foram doados para comunidades carentes em São Paulo e famílias ribeirinhas do Pará. Os óculos são oferecidos para pacientes com receitas do Sistema Único de Saúde (SUS).
O objetivo do atividade é gerar um duplo impacto, segundo estudante de economia Fabio Rodas Blanco, de 21 anos, um dos organizadores do VerBem. “Atendemos pessoas em situação de vulnerabilidade social e nossa outra missão é produzir objetos que gerem impacto.”
Blanco conta que participou da doação de 46 óculos em uma comunidade ribeirinha do Pará e a história de um contemplados o marcou. Um homem com seis graus de miopia que não usava óculos e ganhava a vida subindo em árvores para apanhar açaís. “Ele tinha de subir 10 metros para ver se o açaí estava maduro ou não porque não conseguia enxergar.
Nunca aprendi tanto e fazemos tudo voluntariamente. Abrimos mão de férias e viagens para nos dedicarmos ao projeto porque é gratificante e acreditamos no seu impacto"
Bruna Vaz, de 20 anos,
aluna de administração
Queremos chegar a toda população que não pode pagar por um óculos, que vive na extrema pobreza, para poder ajudar em seu desenvolvimento pessoal e profissional.” O estudante diz que a meta da empresa é dentro de três a quatros anos, exterminar o problema de falta de visão gerado por ausência de óculos em todo o país.
Para Bruna Vaz, de 20 anos, estudante de administração e diretora financeira do VerBem, o negócio propicia que todo o conhecimento da faculdade seja utilizado na prática. “Nunca aprendi tanto e fazemos tudo voluntariamente. Abrimos mão de férias e viagens para nos dedicarmos ao projeto porque é gratificante e acreditamos no seu impacto.”
Mesmo depois de se formarem na faculdade, os alunos pretendem participar do projeto atuando no conselho consultivo. A tendência, segundo eles, é de que outros voluntários sejam agregados e que os funcionários possam treinar os novos colaboradores e subir na escala hierárquica da empresa.
O VerBem terá uma plataforma na internet para doações, patrocínios de empresas e vendas online para o público que queira comprar. Por enquanto, o contato com o grupo pode ser feito pela página no Facebook.
Parte da equipe fundadora e funcionários atuais da fábrica que atua no Instituto da Visão (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)Parte da equipe fundadora e funcionários atuais da fábrica que atua no Instituto da Visão (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

Uma em cada três mulheres no mundo sofre violência conjugal


Dados são de estudo divulgado pela OMS nesta sexta.
Entre 100 e 140 milhões de mulheres no mundo sofreram mutilação genital.

Da France Presse
Uma em cada três mulheres no mundo é vítima de violência conjugal, adverte a Organização Mundial da Saúde (OMS) em uma série de estudos publicada nesta sexta-feira (21) na respeitada revista médica The Lancet.
Apesar da maior atenção dada nos últimos anos à violência contra mulheres e meninas, esta ainda se mantém em níveis "inaceitáveis", segundo a OMS, que considerou insuficientes os esforços feitos.
Em todo o mundo, entre 100 e 140 milhões de mulheres jovens e adultas sofreram mutilações genitais, e cerca de 70 milhões de meninas se casaram antes dos 18 anos, frequentemente contra a sua vontade, enquanto 7% das mulheres correm risco de ser vítimas de estupro ao longo da vida, destacaram os autores destes estudos.
A violência, "exacerbada durante os conflitos e as crises humanitárias", têm consequências dramáticas para a saúde mental e física das vítimas, acrescentou a OMS.
"Nenhuma varinha de condão poderá suprimir a violência contra as mulheres. Mas temos provas de que são possíveis mudanças na mentalidade e no comportamento, e estes podem se realizar em menos de uma geração", explicou Charlotte Watts, professora da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.
Investimento
A organização das Nações Unidas reivindica um maior investimento por parte dos países e dos doadores para reduzir a discriminação contra as mulheres, destacando que não se trata apenas de um problema social e criminal, mas também um tema de saúde pública.
"O pessoal de saúde costuma ser o primeiro contato que as mulheres vítimas de violência têm", disse a doutora Claudia García Moreno, encarregada da pesquisa de violência contra as mulheres na OMS. Por isso, este pessoal de saúde precisa de uma formação adequada.
Estes estudos sugerem aos tomadores de decisão política, pessoal médico e doadores internacionais cinco pistas para acelerar seus esforços. Segundo eles, os Estados deveriam consagrar mais recursos para fazer do combate à violência contra as mulheres uma prioridade, reconhecendo que se trata de um freio para o desenvolvimento e o acesso à saúde. Ao mesmo tempo, todos aqueles elementos que perpetuam a discriminação entre os sexos, tanto nas leis quanto nas instituições, deveriam ser eliminados.
A promoção da igualdade, dos comportamentos não violentos e a não estigmatização das vítimas é uma necessidade, afirmaram os autores. A adoção de leis preventivas apoiadas na saúde, na segurança, na educação e na justiça permitirão também fazer evoluir as mentalidades.
Finalmente, os países deveriam favorecer os estudos e pôr em prática com mais rapidez as medidas que se revelarem mais eficazes na luta contra a discriminação de gênero.