1.22.2017

Folha aponta Temer como beneficiário da tragédia

Ela não se deixou fotografar ao lado de políticos delatados pela Odebrecht, como Temer, Serra e Padilha, que estão nas delações que seriam homologadas por Teori se ainda estivesse vivo
A presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, não se deixou fotografar ao lado de Michel Temer no velório do ex-ministro Teori Zavascki, que faleceu num misterioso acidente aéreo na última quinta-feira; ao participar do…
brasil247.com|Por Brasil 24/7


Do ponto de vista simbólico e semiótico, a capa da Folha de S. Paulo deste domingo é devastadora para Michel Temer: ela o exibe diante do caixão de Teori Zavascki, sob a manchete que o aponta como o principal beneficiário de sua morte; segundo o jornal, o desastre aéreo, ainda não esclarecido, atrasa as delações da Odebrecht, que atingem Temer e vários de seus ministros, e também retarda seu processo de cassação no Tribunal Superior Eleitoral; o motivo é a posição do ministro Gilmar Mendes, presidente do TSE, que pretende incluir as delações da Odebrecht no processo que pede a cassação da chapa Dilma-Temer; no velório, Cármen Lúcia não aceitou ser fotografada ao lado de Temer

Globo: Cármen tem 10 dias para homologar delações

Se a morte de Teori Zavascki foi uma tentativa de "estancar a sangria" da Lava Jato, o tiro pode sair pela culatra; em sua capa deste domingo, o jornal O Globo informa que a ministra Cármen Lúcia estuda chamar para si a responsabilidade do caso e homologar todas as 77 delações da Odebrecht; ela só pode fazer isso até 31 de janeiro, dentro do recesso do Poder Judiciário, alegando a urgência do caso; esta saída foi defendida ontem pela Ordem dos Advogados do Brasil e por vários juristas; se Cármen Lúcia adotá-la, o novo relator da Lava Jato receberá as 77 delações, que Teori Zvascki pretendia tornar públicas, já homologadas

Moraes trava acordo do MP com a Suíça, ao pedir lista prévia de suspeitos


247 - Sob o comando de Alexandre de Moraes, o Ministério da Justiça brasileiro travou o processo de negociação de um acordo de cooperação com a Suíça para acelerar as investigações de corrupção no âmbito da operação Lava Jato. 
Proposta em março de 2016 pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o acordo pretende criar uma força-tarefa com o Ministério Público suíço para depurar milhares de páginas de extratos bancários, levantar identidade de suspeitos e tratar de acordos de delações premiadas ainda não celebrados. 
As autoridades suíças aprovaram a iniciativa e começaram a escolher os integrantes da equipe. Passado quase um ano, porém, o lado brasileiro não conseguiu fazer sua parte nem consolidar a cooperação.
Segundo reportagem do jornalista Jamil Chade, o Executivo do Brasil pediu o nome de suspeitos e a lista de potenciais alvos que poderão vir a ser investigados. A condição causou estranhamento, e o pedido não foi acatado.
Diante da interrupção dos avanços na celebração do acordo, em novembro do ano passado, Rodrigo Janot voltou a apresentar a proposta para Michel Temer, em encontro que participou também Alexandre de Moraes e o ministro de Relações Exteriores, José Serra. 
Dias depois, contudo, os suíços receberam e-mail do Ministério da Justiça no qual o governo brasileiro dizia não ter chegado a um consenso sobre o assunto e, portanto, o projeto estava cancelado. Sem entender o motivo do entrave, autoridades de Berna encaminharam a mensagem à PGR. A instituição brasileira pediu explicações a Moraes, que alegou não ter conhecimento do e-mail e prometeu solucionar o impasse.
Entre os investigados pelos ministérios públicos brasileiro e suíço estão integrantes e aliados do governo de Michel Temer, como José Serra, que é acusado de receber R$ 23 milhões em propina em uma conta secreta (leia aqui). Segundo a delação da Odebrecht, o dinheiro foi destinado a Serra por meio da conta do banqueiro Ronaldo Cezar Coelho. Este, por sua vez, pagou várias de suas despesas na campanha presidencial de 2010, como o jato usado pelo candidato tucano (leia mais). 
Além de Serra, o deputado cassado Eduardo Cunha e o ex-deputado Henrique Eduardo Alves também são acusados de manter dinheiro não declarado no país europeu.

1.21.2017

PENSAMENTOS DO PADRE FÁBIO DE MELO

Erros nos preparam para a vida...


Não diga as coisas com pressa. Mais vale um silêncio certo que uma palavra errada!


Demore na dúvida...E descubra a sabedoria que insiste em se esconder na ausência de palavras

São sinceras as lágrimas no enterro de Teori?


247 – O primeiro escalão do governo Michel Temer prestou, neste sábado, suas últimas homenagens a Teori Zavascki, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, que morreu num desastre aéreo na última quinta-feira – o qual, na visão de 83% brasileiros foi um atentado (leia aqui).
Agora, repare bem na imagem e nos personagens; no canto esquerdo, Alexandre de Moraes, que sonha com a vaga de Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal. No canto direito, José Serra, que foi delatado pela Odebrecht por ter recebido R$ 23 milhões na Suíça, em 2010. A seu lado, Eliseu Padilha, também delatado, que disse que o governo ganhou tempo com a morte de Teori, pois a homologação das delações irá demorar um pouco mais (saiba mais na coluna de Tereza Cruvinel). No centro, Michel Temer, que também foi delatado por pedir R$ 10 milhões à empreiteira em pleno Palácio do Jaburu.
Abaixo, reportagem da agência Reuters sobre o velório:
Corpo do ministro Teori Zavascki é velado em Porto Alegre
SÃO PAULO (Reuters) - O corpo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, morto na quinta-feira na queda de um avião, está sendo velado desde a manhã deste sábado na sede do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre.
O funeral está marcado para o fim da tarde no cemitério Jardim da Paz.
O presidente Michel Temer chegou ao velório depois das 13 horas. Em breve declaração para jornalistas, ele voltou a lamentar o acidente e disse que a morte do ministro é uma perda para o país e para a classe jurídica.
"O Brasil precisa cada vez mais de homens com a competência pessoal, moral e profissional do ministro Teori", disse.
Temer ainda afirmou que só deverá indicar um novo ministro para o STF depois que o relator do processo da Operação Lava Jato no Supremo for definido.
A presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, também participa do velório.
Teori, de 68 anos, era relator da operação Lava Jato no Supremo e deveria decidir no início de fevereiro se homologaria ou não dezenas de acordos de delação premiada de ex-executivos da Odebrecht, que poderiam atingir muitos políticos, incluindo várias figuras importantes do governo Temer.
O ministro do STF morreu na quinta-feira na queda de um pequeno avião que decolou de São Paulo rumo a Paraty. A aeronave pertencia ao grupo Emiliano, do empresário Carlos Alberto Fernandes Filgueiras, de 69, que também morreu no acidente.
O Regimento Interno do STF traz mais de uma possibilidade para a definição do novo relator para a Lava Jato.
Uma das opções, agora aparentemente descartada, seria transferir a relatoria para o sucessor a ser indicado por Temer e aprovado pelo Senado. Mas como o presidente é citado na Lava Jato, que também investiga senadores, o custo político dessa saída provavelmente seria muito alto.
Outro dispositivo do regimento prevê a redistribuição do processo em casos excepcionais, a partir de um pedido do Ministério Público ou de parte interessada.
Nesse caso, há dúvidas sobre os critérios a serem considerados, se ocorreria entre os ministros da Segunda Turma do STF, à qual pertencia Teori, juntamente com Gilmar Mendes, Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli. Ou se entre todos os integrantes da Corte.
A própria presidente do STF pode decidir assuntos emergenciais relacionados à Lava Jato, uma vez que responde pelo plantão do Supremo até o dia 31 deste mês, quando se encerra o recesso do Judiciário.

Quanto mais compreendo menos me sinto compreendido.

FERNANDO PESSOA
Que importa àquele a quem já nada importa que um perca e outro vença .. se a aurora raia sempre .. se cada ano com a Primavera as folhas aparecem .. e com o Outono cessam? E o resto, as outras coisas que os humanos acrescentam à vida, que me aumentam na alma? Sim, sei bem que nunca serei alguém. Sei, enfim, que nunca saberei de mim. Sim, mas agora, enquanto dura esta hora, este luar, estes ramos, esta paz em que estamos .. deixem-me crer o que nunca poderei ser. Ser um é cadeia, ser eu é não ser. Viverei fugindo mas vivo a valer. O mistério do mundo, o íntimo, horroroso, desolado, verdadeiro mistério da existência, consiste em haver esse mistério. Quanto mais fundamente penso, mais profundamente me descompreendo. Só a inocência e a ignorância são felizes, mas não o sabem. São ou não? Que é ser sem o saber? Ser, como a pedra, um lugar, nada mais. Quanto mais claro vejo em mim, mais escuro é o que vejo.