1.25.2015

A PETROBRAS É NOSSA E A AMAZÔNIA TAMBÉM




    Lembro-me bem. Encontrava-me no curso secundário quando eclodiu, em todo o Brasil, a campanha denominada  "o petróleo é nosso".
    Como todo bom brasileiro, empolguei-me pela luta em defesa dos interesses do nosso país que queria sair do jugo das nações produtoras de petróleo, sendo o mesmo  totalmente dependente da importação dessa importante matéria prima, indispensável no mundo moderno.
    Por outro lado, sentia uma dor profunda no coração quando se dizia que não havia petróleo na Amazônia. Só podia ser castigo de Deus, pois os países vizinhos como o Peru, a Venezuela, a Colômbia, etc., o possuíam.
    Exultei de alegria quando anunciaram que o "ouro negro" fora encontrado no município amazonense de Nova Olinda do Norte. Mas, quase morri de tristeza, quando o poço foi fechado.
    O que estava acontecendo? A quem interessava desacreditar a Petrobras? Depois de muita raiva contra os estrangeiros, pois a culpa de não se produzir petróleo no Brasil era atribuída aos gringos, recebi uma explicação lógica de um engenheiro que me convenceu plenamente. Ele declarou que havia petróleo na Amazônia Brasileira, e bastante, mas que não era conveniente extraí-lo no momento, porque o produto importado era muito mais barato. Economicamente seria inviável a produção de petróleo em plena selva amazônica.
    Os tempos mudaram. O petróleo encareceu e a sua produção em larga escala no país se tornou aconselhável, inclusive por motivos estratégicos.
    Assim sendo, o petróleo passou a ser extraído em vários pontos do país e também no território amazonense, em Urucu, para alegria do povo brasileiro e de toda Amazonia que se preze.
    Isto provou a capacidade dos nossos técnicos. Somos, de fato,  um povo inteligente e de valor. A invenção do motor a álcool, em substituição ao motor a gasolina, foi  genuinamente nacional.
    Às vezes, somos por demais xenófobos. Culpamos sempre os outros por nossos erros ou fracassos. É verdade que as nações ricas tentam nos explorar cada vez mais, porém sempre foi assim. Cabe-nos reagir e não aceitar o que nos impõem porque, senão, a culpa não será do grupo dos países ricos, mas de nós brasileiros.
    A Petrobras é nossa e a Amazônia também.
    Mas, senhores, o perigo continua. Pensaram, não faz muito tempo,  em privatizar a Petrobras. Verdadeiro absurdo! Como se acabar com uma empresa pública que é um claro atestado da capacidade técnica do nosso povo? Se erros existem na condução da Petrobras que sejam eliminados, mas nunca se pensar em destruir uma empresa que é um verdadeiro orgulho nacional.
    Quanto à Amazônia, é preciso que fiquemos em estado de alerta, porque ela não é patrimônio da humanidade,  mas patrimônio do povo brasileiro, conquistado por nossos antepassados, em momentos memoráveis da história de nossa Pátria.
Vamos acabar com a corrupção, mas não com a nossa Petrobras.

www.espacoamazonico.com.br/artigos/a_petrobras_e_nossa.htm

O "mas" é o verdadeiro orgulho nacional


Eu não sou preconceituoso, mas baiano é fogo - quando não faz na entrada faz na saída; mas mulher no volante é um perigo; mas que caráter pode ter alguém que nasceu naquela favela?; mas tenho medo desses escurinhos mal encarados que pedem dinheiro no semáforo; mas cigano é tudo vagabundo; mas os gays podiam não se beijar em público - assim, eles atraem a violência para eles; mas acho o ó ter um terreiro de macumba na nossa rua; mas é aquela coisa: não estudou, vira lixeiro; mas não gostaria de ver minha filha casada com um negro - não por ele, é claro, mas os filhos deles sofreriam muito preconceito; mas esses sem-teto são todos vagabundos; mas chega de terra para índio, né?; mas uma pessoa que não é temente a Deus, não pode ter bom coração; mas se a polícia prendeu é porque alguma culpa tem; mas esses mendigos deviam ir para a periferia onde não incomodariam ninguém; mas sabe como é esse pessoal de esquerda, é tudo corrupto; mas sabe como é pessoal de direita, é tudo corrupto; mas São Paulo é São Paulo, né amiga? Não é Fortaleza; mas se a mina tava vestida daquele jeito é porque era uma vagabunda e mereceu o que levou; mas esse aeroporto tá parecendo uma rodoviária; mas esse shopping já foi melhor quando só aparecia gente selecionada; mas sobe o vidro, amor, porque você não tá nos Jardins; mas bandido não tem conserto; mas o Brasil que trabalha se chama São Paulo; mas só fracassado fuma maconha; mas gente de bem não fica na rua até tarde da noite; mas trabalhador honesto não faz greve; mas esse negócio de não ter carro é coisa de hippie; mas vocês não acham que essas médicas cubanas têm cara de empregada doméstica?; mas os chargistas provocaram; mas tem jornalista que não presta e gente como o Sakamoto só fomenta o ódio.

Pedófilo britânico é condenado a 10 anos de prisão por tentar 'comprar' menino no Brasil.

 BBC

Um britânico de 40 anos tentou comprar um menino de 6 anos em São Paulo com o suposto objetivo de cometer violência sexual contra ele.
Essa informação veio à tona no julgamenmto de Jason Paske, condenado nesta semana a 10 anos de prisão por possuir e distribuir pornografia infantil.

Os crimes do suspeito ocorreram entre março de 2012 e maio de 2014, quando ele foi preso, segundo afirmou a polícia de Avon e Somerset à BBC Brasil.

Um de seus 34 crimes foi oferecer 1.000 libras (cerca de R$ 4 mil) para um suspeito em São Paulo para abusar sexualmente de uma criança.

O criminoso disse a ele que conseguiria uma família disposta a permitir que ele abusasse de um filho por 1.200 libras.

De acordo com a sentença do juiz Stephen Ashurst, da Corte de York, Paske desconfiou da oferta e pediu uma prova da veracidade da negociação.

O suspeito em São Paulo teria então transmitido um vídeo ao vivo pela internet onde um menino de 6 anos de idade apareci nu, segurando uma mensagem escrita com os dizeres "Hello (olá) Jason".

Paske não chegou a viajar ao Brasil e o crime não foi consumado porque os criminosos não chegaram a um acordo.

Porém, Paske foi condenado por diversos outros crimes, especialmente por possuir milhares de imagens de pornografia infantil – em muitas das quais era possível ver adultos consumando abusos sexuais contra crianças muito jovens.

Segundo a polícia, ele não só recebia as imagens pelo computador, como redistribuía material para uma rede de pedofilia.

"Jason Paske é um homem horrendo e pervertido que representa uma ameaça à sociedade", disse o investigador Nigel Pepper, da Unidade de Proteção a Pessoas Vulneráveis da polícia de North Yorkshire.

"É muito satisfatório para todos os envolvidos na investigação que ele fique atrás das grades por um bom tempo", disse ele.

Outros abusos

Ele também foi condenado por receber imagens de um pai abusando do próprio filho, de 3 anos de idade, na República Tcheca. Segundo o juiz Ashurst, Paske assistia as cenas de abuso sexual e chegou a sugerir que novos abusos fossem cometidos em ambientes diferentes.

Ele teria se oferecido ainda a financiar a compra de um tablet para que o criminoso tcheco pudesse cometer as violações em um banheiro.

Paske, que trabalhava em um supermercado na Grã-Bretanha, foi descoberto quando os pais de um menino de 15 anos de Yorkshire descobriram mensagens trocadas entre os dois no computador da vítima.

O sentenciado havia enviado 340 libras (quase R$ 1,3 mil) para que a vítima tivesse relações sexuais com ele em um hotel.
 
A polícia começou a monitorá-lo e encontrou grandes quantidades de material pornográfico infantil em seus computadores.

‘Felizes Para Sempre?’ Minissérie da Globo

Paolla Oliveira se desliga das mocinhas e solta sua sensualidade em minissérie

Atriz promete surpreender na pele de uma universitária lésbica, que ganha a vida como prostituta em ‘Felizes Para Sempre?’

Flavia Muniz
Rio - Esqueça a choradeira das mocinhas sofridas. Agora, Paolla Oliveira é quem dará as cartas e fará um bocado de gente debulhar-se em lágrimas. No jogo de traição, mentira e assassinato que envolve a minissérie ‘Felizes Para Sempre?’, de Euclydes Marinho, no ar amanhã, na Globo, a atriz promete surpreender na pele de uma universitária lésbica, que ganha a vida como prostituta de luxo.
'O amor é um sentimento forte e tão nobre... As pessoas precisam ser livres para amar'
Foto:  Márcio Mercante / Agência O Dia

“Estou encarando essa aposta com muita responsabilidade. Mas preciso confessar que isso tudo também dá um frio na barriga. Eu me dediquei bastante a esse trabalho e espero que o público goste do resultado tanto quanto eu gostei de fazê-lo”, diz Paolla, que, na obra, é dirigida por Fernando Meirelles.
Denise para os íntimos, Danny Bond para os clientes, a personagem misteriosa abusa da sexualidade para fisgar suas presas. “As cenas mais íntimas foram feitas com muito cuidado e serão mostradas da mesma forma. Elas estão inseridas no contexto da trama, existem por um propósito e também nos ajudam a contar a história. Por tudo isso, lidei de forma natural. Estou pronta para fazer o que a personagem pedir. Procuro ter dedicação e profissionalismo em todos os meus papéis. Mas é claro que, enquanto algumas cenas são mais tranquilas, outras exigem do ator uma concentração maior”, explica.
E engana-se quem pensa que a personagem caiu no colo da atriz. Paolla disputou a vaga até levar a melhor. “Eu estava disposta a fazer um papel que me desafiasse e passei por vários testes até conseguir. Personagens diferentes e complexos como a Denise são muito desejados, mas acredito que o desafio pelo desafio não tem propósito. O que vale é a oportunidade de tentar se reinventar e contar uma boa história. É a oportunidade de sair da zona de conforto. Por isso insisti bastante para conseguir esse papel”, conta.
As chamadas da trama na TV, em que a atriz aparece de calcinha fio-dental e em cenas apimentadas, dá uma boa noção do quão despudorada é Denise. E as imagens tentadoras não têm instigado só o público. Segundo ela, seu marido, o ator Joaquim Lopes, também aprovou: “Tanto ele quanto eu gostamos muito.”
Na minissérie, a avassaladora Danny Bond chega na vida do casal Marília (Maria Fernanda Cândido) e Cláudio (Enrique Diaz) para tentar reacender a chama do casamento deles. Por conta de uma grave crise no relacionamento, os dois recorrem à terapia e Marília descobre que o marido tem a fantasia de transar a três. Decidida a reconquistar seu homem, a restauradora de obras de arte topa, mas recua na hora ‘H’. Cláudio, completamente rendido à sedução de Danny Bond, inicia um caso com a prostituta, sem se dar conta de que, às escondidas, Denise também acaba conquistando a mulher dele. O que levou Paolla e Maria Fernanda a rodarem takes de tirar o fôlego.
“Mais do que qualquer coisa, acredito que as personagens descobrem uma nova forma de amor, uma nova maneira de ver a vida. No caso da Marília, ela restabelece o amor próprio também. Assim como as relações de amor nunca são simples, essa também não será e, no fim das contas, as duas acabam sendo pegas de surpresa”, entrega Paolla.
Cenas quentes da atriz com Enrique Diaz (Cláudio) na minissérie
Foto:  Reprodução

Paralelamente a esse triângulo amoroso está Daniela (Martha Nowill), namorada de Denise, que nem imagina que a estudante de moda sustenta a casa vendendo sexo. Sobre o tão comentado beijo gay, Paolla não levanta polêmica: “O amor é um sentimento forte e tão nobre... As pessoas precisam ser livres para amar. Acredito que não podemos julgar a relação de ninguém, mas sim respeitar. O que está sendo percebido não é simplesmente um beijo gay, é a relação de amor entre duas pessoas. Isso é o que vale e faz com que o beijo ou a transa se tornem secundários.”
Para essa dose cavalar de sensualidade e complexidade da personagem, a artista buscou referências em grandes sucessos da telona, como ‘Azul é a Cor Mais Quente’, que conta a paixão de duas meninas com cenas intensas de sexo e nudez. “Me inspirei bastante no cinema e em diversas produções. Assisti, por exemplo, a série ‘House Of Cards’, por conta de uma personagem que me interessa muito por sua agilidade de raciocínio. Também me inspirei em ‘Chloe’ (filme no qual uma mulher contrata uma prostituta de luxo para seduzir o marido e testar a fidelidade dele), e ‘Azul é a Cor Mais Quente’, porque são histórias que apresentam relações de amor mais complexas”, destaca a atriz.
Mas antes mesmo de estrear, a minissérie já sofreu um corte do Ministério da Justiça. “Por causa da classificação indicativa, nos pediram para tirar algumas imagens e textos, principalmente referentes a sexo e drogas. São as regras da teledifusão no Brasil. O fato é que a TV aberta precisa de alguns parâmetros, gostemos ou não”, justifica o diretor Fernando Meirelles no site da O2 Filmes, produtora responsável pela atração.
Voltando ao casal em crise, Paolla prefere abster-se de qualquer opinião sobre os motivos que levam uma pessoa a se submeter aos maiores sacrifícios para manter uma relação: “Cada caso é um caso, não é possível generalizar. As pessoas têm o direito de fazer escolhas. Em situações assim, não existe o certo e o errado.” Para ela, o ‘felizes para sempre’ fica melhor mesmo nos contos de fadas: “Acredito que felicidade acontece a cada dia, a cada momento de nossas vidas. E é isso que faz valer a pena.”
Mais do que despertar um desejo incontrolável em Marília e Cláudio, Danny Bond vai devastar a vida de toda a família Drummond, e é aí que um crime passional acontece. Cinco casais, incluindo a garota de programa, têm motivos para matar e morrer: “Todos na série não são bem-resolvidos. São personagens que guardam mágoas, mentem, têm um tanto de egoísmo e outro tanto de resignação, sentimentos que tornam as pessoas passionais. Ser misteriosa e abusada, como a Denise, é motivo suficiente para as duas ações.”
Rotulada pelo público como heroína e mocinha, Paolla viu na prostituta de luxo a chance de se renovar. “O que me leva a escolher um papel é o quanto ele me traz coisas novas, o quanto eu posso me modificar, aprender, estar presente. Só a possibilidade de poder fazer esse trabalho já me fez feliz, então todo o processo dos testes, do encontro com o Fernando (Meirelles), com a Fátima Toledo (preparadora de elenco), tudo isso já foi me fazendo dizer “sim” por dentro. Fiquei feliz com as pessoas com quem pude trocar experiências, com as pessoas novas que entraram na minha vida, pessoas que já estão dentro de um universo que eu ainda desejo muito, que é o cinema”, pontua.
Depois de enfrentar o efeito sanfona e assumir que é uma mulher de curvas bem moldadas, Paolla volta à cena com um corpo ainda mais invejável, apesar de jurar que não fez nada além dos cuidados de rotina. Com um marido como Joaquim, expert na cozinha, ela confessa que não dá para fazer uma dieta radical: “Não mesmo. Mas procuro sempre estabelecer e manter alguns limites, tanto para o bem da saúde física quanto da emocional. Afinal, comer também é um prazer.” O universo gay tem permeado a relação dos dois ultimamente.
Enquanto ele interpreta o homofóbico Enrico na novela ‘Império’, ela faz uma lésbica em ‘Felizes Para Sempre?’. “Conversamos sobre o assunto como qualquer outro casal, como um tema normal na vida. Não há qualquer tipo de preconceito ou foco de um trabalho polêmico nessas conversas.”
QUEM É QUEM NA MINISSÉRIE
MARÍLIA (Maria Fernanda Cândido). Apaixonada e disposta a tudo para salvar o casamento com Cláudio (Enrique Diaz), um advogado canastrão e mulherengo.
OLGA (Cássia Kis Magro). Fotógrafa, aventureira e sedutora. Foi casada três vezes, mas gosta de viver sozinha. Voltou para o Brasil para repensar a vida e reaproximou-se de Dionísio (Perfeito Fortuna). Tem uma filha.
DIONÍSIO (Perfeito Fortuna). Casado com Norma (Selma Egrei) há 46 anos é apaixonado e fiel, mas vai se reaproxima do grande amor do passado, Olga (Cássia Kis Magro). É pai de Joel (João Baldasserini), Cláudio (Enrique Diaz) e Hugo (João Miguel).
NORMA (Selma Egrei) é professora de sociologia da Universidade de Brasília, inteligente e mulher de fibra. Será traída e cairá em tentação.
SUSANA (Caroline Abras). Casada com Joel (João Baldasserini), tentará se divorciar para ficar com Buza (Rodrigo dos Santos). É professora de pilates.
JOEL (João Baldasserini). Filho adotivo de Norma (Selma Egrei) e Dionísio (Perfeito Fortuna), não se conforma com a traição de Susana (Caroline Abras).
JUNIOR (Matheus Fagundes). Filho de Tânia (Adriana Esteves) e Hugo (João Miguel). É engajado politicamente e repudia o tio Cláudio (Enrique Diaz). Vai se envolver com Mayra (Silvia Lourenço), muito mais velha do que ele.
HUGO (João Miguel). É amoroso com a família e deseja ter mais um filho com Tânia (Adriana Esteves), até descobrir que ela o traiu e que Junior não é filho dele. Tânia é cirurgiã plástica, que vive para o trabalho e não corresponde o amor do marido.



Mundo não está preparado para emergências sanitárias, diz diretora da OMS


Da Agência Lusa

  • Daniel Berehulak/The New York Times
    Equipe funerária enterra o corpo de um homem que morreu após contrair ebola na Libéria Equipe funerária enterra o corpo de um homem que morreu após contrair ebola na Libéria
O atual surto de ebola é "a mais grave emergência dos tempos modernos" e mostra que o mundo está malpreparado para responder a uma emergência sanitária crítica disse, hoje (13), a diretora-geral da OMS (Organização Mundial de Saúde), Margaret Chan.
"O mundo está malpreparado para responder a qualquer emergência sanitária sustentada e severa", disse a diretora num discurso lido por um representante da OMS em reunião de responsáveis de saúde do Pacífico Ocidental, em Manila, e distribuído à imprensa, em Genebra.
Margaret Chan frisou que esta constatação não se refere apenas ao surto de ebola na África Ocidental, mas a qualquer outra emergência da mesma magnitude.
O atual surto, considerou, é a maior emergência sanitária da nossa era. "Na minha longa carreira na saúde pública, que incluiu lidar com os surtos de H5N1 e Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave), em Hong Kong, e com a pandemia de gripe, na OMS, nunca vi um assunto que atraia tanto interesse midiático mundial. Nunca vi um problema de saúde que provoque tanto medo e terror fora dos países afetados. Nunca vi uma doença contagiosa que contribua tão fortemente para o potencial fracasso de um Estado", disse a diretora-geral da OMS.
A reunião de 18 de setembro, do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para avaliar a situação demonstra se tratar de "uma crise de saúde pública que se transformou numa crise que afeta a paz e a segurança internacional", avaliou Margaret Chan.
Ela realçou que a evolução do surto foi parcialmente determinada pelo fato de ter surgido em países pobres com sistemas de saúde precários. "O surto demonstra os perigos das crescentes desigualdades sociais e econômicas no mundo. Os ricos obtêm o melhor tratamento. Os pobres são deixados [para] morrer", disse.
A inexistência de tratamentos ou vacinas para um vírus conhecido desde 1976 deve-se ao fato de "o ebola ter sido histórica e geograficamente confinado a nações africanas pobres", destacou a diretora da OMS. Mais de 8.000 pessoas foram infectadas com o ebola, na África. Nos últimos meses, mais de 4.000 africanos morreram.
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Epidemia de ebola na África provoca temor

6.jan.2015 - Funcionários da Cruz Vermelha carregam o corpo de uma vítima do ebola durante um enterro com a presença de familiares, em Monróvia, na Libéria. Escolas irão reabrir em fevereiro, seis meses depois de terem sido fechadas em uma tentativa de conter a propagação do vírus. O pior surto da doença já matou mais de 8 mil pessoas. A Libéria teve a taxa de mortalidade mais alta, com 3.471 mortes, seguida por Serra Leoa e Guiné. A foto foi tirada em 5 de janeiro Zoom Dosso/AFP

Entenda o ebola
  • O que é o ebola?
    É uma doença causada por vírus, que pode ser fatal em até 90% dos casos. A morte geralmente ocorre por falhas renais e problemas de coagulação, em até duas semanas após a aparição dos primeiros sintomas.
  • Como se contrai o vírus?
    Ele é transmitido pelo contato direto e intenso com sangue e fluidos corporais (como suor, urina, fezes e sêmen, por exemplo) de pessoas contaminadas e de tecidos de animais infectados. Até o momento, não há notícias de pessoas que transmitiram o vírus antes de apresentarem os sintomas.
  • Quais os sintomas mais comuns?
    Febre repentina, fraqueza, dor muscular, dor de cabeça e inflamação na garganta. Depois, vômito, diarreia, coceira, deficiência hepática e renal e, em alguns casos, hemorragias internas e externas. O período de incubação costuma ser de dois a 21 dias, ou seja, esse é o tempo que pode levar para a pessoa infectada começar a apresentar os sintomas.
  • O que é um caso confirmado?
    Um caso suspeito com resultado laboratorial positivo para o vírus ebola realizado em laboratório de referência.
  • O 1º exame negativo descartada a doença?
    Não. O descarte só é feito após dois exames laboratoriais negativos com intervalos de 48h entre eles.
  • Qualquer unidade de saúde pode colher sangue para teste?
    Não. Esta doença é de notificação compulsória imediata. O Ministério da Saúde recomenda que, em caso de suspeita, a pessoa seja isolada e o ministério, acionado imediatamente para que o paciente seja levado a uma unidade de referência. Somente neste local pode ser feita a coleta de sangue.
  • Qualquer laboratório pode manipular o sangue de um caso suspeito?
    Não. Apenas um laboratório no Pará tem nível internacional de segurança 3 e, por isso, é o único credenciado pelo Ministério da Saúde para manipular e diagnosticar vírus ebola.
  • Como transportar pacientes suspeitos e/ou confirmados com ebola?
    Uma ambulância é previamente envelopada (seu interior é coberto por plástico para que não haja contato dos instrumentos com o paciente). Durante o transporte, tanto o paciente quanto a equipe médica e o motorista utilizam Equipamentos de Proteção Individual (EPI): macacão de tyvek, protetor facial, bota, luvas, entre outros.
  • O paciente deve ser colocado na ambulância em maca-bolha?
    Não há essa indicação técnica, já que a doença não é transmitida pelo ar e os profissionais de saúde estão usando todos os EPIs indicados no protocolo.
  • O que é feito quando há confirmação de caso de ebola?
    Os pacientes devem ser mantidos isolados, em suporte intensivo, em hospitais de referência para tratamento de doenças infecciosas graves. Todo e qualquer profissional de saúde que tiver contato com o paciente deve estar usando EPI.
  • O ebola tem tratamento específico?
    Não. Em geral os médicos recorrem a medicamentos para aliviar os sintomas, mas a cura depende do organismo do paciente. Existem apenas remédios e vacinas experimentais sendo testados no Canadá e nos EUA. O Zmapp, publicado no meio científico desde 2012, foi usado em humanos pela 1ª vez no surto atual, já que a OMS só libera o uso de medicamentos de alto risco em situações extremas.
  • Existe risco de epidemia de ebola no Brasil?
    O risco é extremamente baixo. Mesmo que haja casos confirmados isolados, a adoção de protocolos de isolamento, monitoramento e bloqueio evita a ocorrência de surto.
  • Quais países têm mais casos de ebola?
    Guiné, Libéria e Serra Leoa vivem surtos de ebola, e há casos na Nigéria e no Congo. EUA, Espanha e Reino Unido levaram compatriotas infectados para tratamento em seus países.
  • Como pode ser feita a notificação de um caso suspeito?
    O Ministério da Saúde disponibilizou alguns canais para profissionais de saúde: o telefone 0800 644 6645 e o e-mail notifica@saude.gov.br. A população pode usar o número 136.
Fonte: Ministério da Saúde, Médicos Sem Fronteias e entrevista com o doutor em microbiologia Atila Iamarino