6.27.2017

Mídia consegue algo inédito: um presidente denunciado por corrupção

Decisiva na construção do golpe de 2016, a mídia brasileira se vê forçada a estampar em suas capas uma manchete que envergonha o Brasil diante do mundo e dos próprios brasileiros: pela primeira vez, o Brasil tem um ocupante da presidência, Michel Temer, denunciado por corrupção em pleno exercício do cargo; depois de colocá-lo no poder, a elite brasileira ainda não encontrou uma forma de se libertar desse pesadelo.
 As capas dos maiores jornais do Brasil nesta terça-feira não deixam dúvidas: o golpe afundou o Brasil em uma crise não só econômica, mas também de moralidade política. 
Pela primeira vez na República, o Brasil tem um ocupante da presidência, Michel Temer, denunciado por corrupção em pleno exercício do cargo.
Apoiadora e uma das responsáveis pelo golpe, a grande imprensa não teve outra saída a não ser noticiar o fracasso da coalizão golpista que colocou no poder.
Depois de colocá-lo no Planalto, a elite brasileira ainda não encontrou uma forma de se libertar desse pesadelo

6.26.2017

PF conclui: Temer tentou obstruir investigações


Em seu relatório final entregue ao Supremo Tribunal Federal nesta tarde, a Polícia Federal constatou que Michel Temer incentivou pagamentos ao ex-deputado Eduardo Cunha, a fim de comprar seu silêncio no âmbito da Operação Lava Jato, e que por isso atuou para obstruir investigações; o incentivo ocorreu durante uma conversa com Joesley Batista, dono da JBS, no Palácio do Jaburu, cuja gravação foi entregue pelo empresário à PF; o documento diz ainda que Temer deixou de comunicar as autoridades sobre suposta corrupção de membros do Judiciário e do Ministério Público, conforme informado por Joesley; no relatório preliminar, a PF já havia apontado a prática do crime de corrupção passiva por Temer

Janot denuncia Temer por corrupção passiva


247 - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou ao Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira 26 uma denúncia contra Michel Temer por corrupção passiva.
A denúncia tem como base as investigações sobre a relação de Temer com a JBS, do empresário Joesley Batista.
Agora o ministro Edson Fachin, do STF, aciona a Câmara, que vai decidir se autoriza ou não o prosseguimento da denúncia - é necessária a aprovação de dois terços dos 513 deputados. Após a votação, se o plenário do Supremo decidir aceitar a denúncia, Temer vira réu e terá de se afastar do cargo por até 180 dias. 
O ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), homem da mala de Temer, que recebeu R$ 500 mil em dinheiro da JBS a pedido do presidente, também foi denunciado. Os investigadores acreditam que o dinheiro teria Temer como destino final.

Moro mantém Palloci preso porque não delatou Lula do “jeito certo”, do jeito que o Moro queria

Tijolaço
A leitura do trecho final da sentença dada por Sérgio Moro no processo que envolve o ex-Ministro Antonio Palocci é muito claro para quem quiser ler sua intenção:
(…) o condenado é um homem poderoso e com conexões com pessoas igualmente poderosas e pode influir, solto, indevidamente contra o regular termo da ação penal e a sua devida responsabilização. Aliás, suas declarações em audiência, de que seria inocente, mas que teria muito a contribuir com a Operação Lavajato (item 609), só não o fazendo no momento pela “sensibilidade da informação”, soaram mais como uma ameaça para que terceiros o auxiliem indevidamente para a revogação da preventiva, do que propriamente como uma declaração sincera de que pretendia naquele momento colaborar com a Justiça. 858. Portanto e com base na exposição mais ampla contida na decisão referida, Antônio Palocci Filho deverá responder preso cautelarmente eventual fase recursal.
Tradução: Numa cambalhota jurídica que executa pena em primeira instância, Palocci ficará preso por quanto tempo durar o seu recurso (um ano? dois?) ou…
Ou vai fazer a delação que Moro quer, que não seja “ameaça a terceiros”, mas apenas a Lula.

Nada de falar sobre o sistema financeiro, nada de falar sobre o socorro ao grupo Globo, semi-falido no início do governo Lula.
Não é à toa a nota de Monica Bergamo, na Folha: “a força-tarefa da Operação Lava Jato está apreensiva com o impacto da delação de Antonio Palocci no sistema financeiro do país. Estuda uma forma de, ao contrário do que ocorreu com as empreiteiras, preservar as instituições e os empregos que geram”.
Os empregos? Só rindo…

Sentença de Palocci é tentativa de barrar candidatura de Lula.

Reunido em São Paulo, o comando do PT divulgou, nesta segunda-feira (26), uma nota em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para a cúpula petista, esta será uma semana decisiva.
Embora a reunião tenha ocorrido ninguém propôs a inclusão de seu nome no documento divulgado do partido.
Ex-secretário de Relações Governamentais da gestão Haddad, o deputado estadual José Américo chegou a mencionar a condenação de Palocci como uma tentativa de interdição da candidatura de Lula.
“O objetivo de Moro é ter argumento para condenar Lula. Forçar uma delação de Palocci”, disse Américo, na saída da reunião.
No encontro, prevaleceu a necessidade de dar respostas às reportagens que afirmam que Lula poderá ser condenado nos próximos dias. Segundo o ex-deputado Renato Simões, a ideia é mobilizar os militantes.
A avaliação é de que a condenação seria uma reação ao Lula apareceu no levantamento na liderança das intenções de voto para 2018, com 29% a 30% das intenções de voto.
A orientação é ficar em estado de alerta nesta semana.
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“Nossa militância segue atenta e mobilizada para, junto com outros setores da sociedade brasileira, dar a resposta adequada para qualquer sentença que não seja a absolvição completa e irrestrita de Lula.

Fonte: Folha de S.Paulo