5.20.2018

Falar de Bolsonaro



Jornal do BrasilTereza Cruvinel
Por longo tempo o chamado  “entro”,   composto pelos partidos vitoriosos no impeachment (golpe),  desdenhou a  candidatura de Jair Bolsonaro: Murcharia logo, não iria longe sem estrutura partidária e sem tempo de televisão.  E assim o candidato da extrema direita cresceu em paz, como uma flor venenosa que poderia ter utilidade.  Lula seria impedido e a esquerda não teria outro candidato viável. O governo de Temer daria certo e um candidato de direita, possivelmente um tucano,   disputaria o segundo turno com Bolsonaro. 
Derrotada, a esquerda seria até forçada ao voto útil para evitar o mal maior. Bolsonaro, neste cálculo, funcionaria como  uma espécie de Marine Le Pen, que forçou o voto útil da esquerda francesa no conservador Macron, em 2017.  
Mas nem tudo deu certo. Lula foi de fato preso e deve ser impedido mas o governo de Temer afundou na rejeição e não produziu a prometida recuperação da economia.  O candidato tucano natural,  Aécio Neves,  foi carbonizado no caso JBS, Alckmin (ainda) não decolou e outros candidatos surgiram na raia do centro.   Bolsonaro segue em segundo lugar e alcança 18,3% com Lula fora da pesquisa.  Se a eleição fosse hoje, com Lula excluído, ele iria ao segundo turno contra Marina Silva ou Ciro Gomes. A centro-direita é que ficaria entre apoiá-lo ou votar útil na centro-esquerda. 
Esta possibilidade é claramente exorcizada no manifesto em defesa da unidade do centro, articulado pelo deputado tucano Marcus Pestana e pelo senador Cristóvam Buarque, do PPS: “À direita, esboça-se um inédito  movimento de claras inspirações antidemocráticas. À esquerda, um visão anacrônica alimenta utopias regressivas de um socialismo autoritário”. 
É tempo, então, de falar mais de Bolsonaro, saber o que ele pensa e o que faria se fosse eleito.  Reuni algumas das frases que ele proferiu nos últimos anos, inspirada na recente compilação que o “The New York Times” fez das “459 pessoas, lugares e coisas insultadas por Trump no Twitter”.
“O erro da ditadura foi torturar e não matar.” 
“Não te estupro porque você não merece.” (À deputada Maria do Rosário  (PT-RS). 
“Mulher deve ganhar salário menor porque engravida” . 
“Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ulstra, o pavor de Dilma Rousseff ”. (Ao votar pelo impeachment, invocando as torturas que ela sofreu). 
“Quem procura osso é cachorro”. (Sobre a busca pelos corpos dos desaparecidos na Guerrilha do Araguaia). 
“Pinochet devia ter matado mais gente.”
 “A PM devia ter matado 1.000 e não 111 presos.” (Sobre o massacre do Carandiru)
 “Não vou combater nem discriminar mas, se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater.” (Sobre foto do ex-presidente FHC com a bandeira LGBT). 
“O mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador ele serve mais.”  (Sobre comunidades quilombolas).  
 “Deveriam ter sido fuzilados uns 30 mil corruptos, a começar pelo presidente Fernando Henrique Cardoso”. (Sobre o golpe militar de 1964).
 “Eu não entraria num avião pilotado por um cotista. Nem aceitaria ser operado por um médico cotista." 
“Foram quatro homens. Na quinta eu dei uma fraquejada e veio mulher. (Sobre seus filhos).  
“Você é uma idiota. Você é uma analfabeta. Está censurada!”. (Ao ser entrevistado pela repórter Manuela Borges, da Rede TV). 
“Gastaram muito chumbo com o Lamarca. Ele devia ter sido morto a coronhadas.”
 “O objetivo é fazer o cara abrir a boca. O cara tem que ser arrebentado para abrir o bico.”  (Em defesa da tortura).
 “Competência? Se quiser botar uma prostituta no meu gabinete, eu boto. Se quiser botar a minha mãe, eu boto. É problema meu.” 
“Já vai tarde.” (Sobre a morte de Luís Eduardo Magalhães). 
“Não me venham  falar em ditadura militar . Só desapareceram 282. A maioria marginais, assaltantes de bancos, sequestradores”. 
“Pelo voto não vamos mudar nada neste  país. Só com guerra civil.” 
A lista é longa, a coluna só comporta uma amostra.

STF SELETIVO

Palhaçada !
 
 
 
 
Segundo delação de Sérgio Machado, ele teria recebido R$ 1 milhão em 1998, quando era deputado federal.
globo.com

5.19.2018

FIM DO PROGRAMA FARMÁCIA POPULAR


247 - Governo de Michel Temer avança novamente na retirada de direitos essenciais conquistados pelos brasileiros; ofício do Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, que o 247 teve acesso, oficializa o encerramento de repasses para o Programa Farmácia Popular, criado em 2004, no primeiro governo do presidente Lula.

O governo federal descredenciou 1.729 drogarias em todo o país do Programa Farmácia Popular, conforme publicação desta sexta-feira (18) da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, no 'Diário Oficial da União' (DOU). O número equivale a mais de 5% do total de 31 mil unidades

Michel Temer vai matando o programa Farmácia Popular, um sucesso dos governos democráticos dos presidentes Lula e Dilma. O governo federal descredenciou 1.729 drogarias em todo o país do Programa Farmácia Popular, conforme publicação desta sexta-feira (18) da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, no 'Diário Oficial da União' (DOU). O número equivale a mais de 5% do total de 31 mil unidades que fornecem os medicamentos disponíveis no 'Aqui tem Farmácia Popular', segundo informa o Valor.
A medida foi assinada pelo ex-ministro Ricardo Barros, dias antes de deixar a pasta, e implementada por seu sucessor, Gilberto Occhi, presidente da Caixa Econômica Federal.

Haddad: 'Minha candidatura não existe. Lula está pronto para reassumir o comando'


Em sua primeira visita ao cárcere do ex-presidente em Curitiba, o ex-prefeito de São Paulo e coordenador da campanha de Lula falou sobre diretrizes de um terceiro mandato
por Redação RBA publicado 17/05/2018 18h16, última modificação 18/05/2018 10h42
Eduardo Matysiak/agência PT
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Haddad visitou Lula ao lado da presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann: 'Estamos diante de alguém incomum'
São Paulo – “Lula está disposto, faz uma hora e meia de esteira por dia. Está muito bem de saúde e mandou dizer que não tem como agradecer a solidariedade. Vi uma pessoa pronta para reassumir o comando do país”, disse o ex-prefeito de São Paulo e coordenador de programa de governo do ex-presidente  Fernando Haddad. O petista fez sua primeira visita a Lula, ao lado da senadora e presidenta do PT, Gleisi Hoffmann (PR), desde sua prisão no dia 7 de abril.
Haddad disse que a intenção de sua visita foi de escutar recomendações em relação ao projeto. “Foi uma reiteração. Ele quer um plano de governo ousado, quer fazer mais do que já fez. Está disposto e desejoso de ver o Brasil reverter o quadro atual, de reaver a capacidade de sonhar. Será ousado, na linha do que foram seus vitoriosos governos. Saio animado e convicto que estamos diante de alguém incomum. Ele tem uma disposição incrível para contribuir com o destino do país.”
O ex-prefeito desmentiu ter havido conversas sobre outros planos que não sejam Lula como candidato, inclusive os boatos que envolvem o seu nome. “Minha candidatura não existe. Não tem um petista que duvide da inocência de Lula. Ele está convicto de que vai reverter a condenação. Ele tem convicção de que os próximos recursos terão provimento na Justiça”, disse.
Sobre a aliança com outros partidos, Haddad e Gleisi explicaram que ela existe, o que não impede diferentes candidaturas. “Lula recomendou a manter o debate com demais partidos. Ele quer, inclusive, boas ideias de gente como o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) e de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB). Disse pra ele que pretendo, entre junho e julho, fazer uma viagem aos estados progressistas para incorporar no plano de Lula vitrines estaduais que podem ser nacionalizadas”, disse.
“Formamos uma frente de partidos e temos um manifesto assinado por sete partidos em defesa da democracia”, disse Gleisi. “Estamos em torno de propostas que acreditamos, independente de candidaturas. Os outros partidos têm legitimidade, assim como nós. Mas estamos em um momento diferenciado, o PT, mesmo com toda a perseguição, continua sendo o partido de preferência nacional. Temos o melhor candidato e o mais bem posicionado nas pesquisas. Por que abriríamos mão?”, completou.
Sobre a efetivação da candidatura de Lula, Gleisi disse estar confiante no processo. “Consideramos Lula inocente, não reconhecemos a condenação. Ela é cheio de vícios e não tem crime tipificado. A Ficha Limpa não o impede de ser candidato. Ele tem seus direitos políticos preservados. Vamos registrá-lo, vão questionar o registro, mas ele pode ser candidato e levantar a impugnação até a diplomação. Ele pode estar no processo eleitoral”, afirmou.
“Teremos candidato no primeiro turno, será Lula. Se não for Lula para o segundo, estaremos junto dos outros partidos de esquerda. Hoje, Lula me disse claramente que temos que parar de falar em indulto. Indulto é para culpado e ele está determinado em provar a inocência. Além disso, ele está determinado a lutar pelo Brasil”, concluiu Gleisi.

Retirada de benefícios

Como ex-presidente, Lula tem os benefícios de quatro servidores para segurança e apoio pessoal. Hoje, após pedido do movimento ultraconservador de extrema-direita Movimento Brasil Livre (MBL), a Justiça de primeira instância retirou esses direitos. Sobre o tema, o advogado Cristiano Zanin Martins disse que a decisão será revista em instâncias superiores. “Nenhum juiz pode retirar direitos e prerrogativas instituídas por lei a ex-presidentes da República.”
Leia a íntegra da nota da defesa de Lula:
O ex-Presidente Lula não foi intimado de decisão com esse conteúdo, que causa bastante perplexidade já que todos os ex-presidentes da República, por força de lei (Lei nº 7.474/86) têm direito a “quatro servidores, para segurança e apoio pessoal”. Mesmo diante da momentânea privação da liberdade, baseada em decisão injusta e não definitiva, Lula necessita do apoio pessoal que lhe é assegurado por lei e por isso a decisão será impugnada pelos recursos cabíveis, com a expectativa de que ela seja revertida o mais breve possível.
Nenhum juiz pode retirar direitos e prerrogativas instituídas por lei a ex-presidentes da República. Conforme parecer dos renomados Professores Lenio Luiz Streeck e André Karam Trindade (04/05/2018) sobre a matéria, essas prerrogativas são “vitalícias e não comportam qualquer tipo de exceção”.
Ainda segundo esses juristas, “A existência das referidas prerrogativas, na verdade, decorre de um triplo aspecto: um, preservar a honra e o ‘status’ digno de um ex-ocupante do cargo máximo da nação; dois, quiçá ainda mais relevante, assegurar a independência necessária para o pleno exercício de suas funções de governo, com certeza de que, após o término do mandato, terá segurança e assessoria pessoais garantidas de maneira incondicional; três, contribuir para evitar o ostracismo e, com isso, induzir à alternância ao poder”.
A ação em que foi proferida essa decisão tem manifesto caráter político, já que promovida por integrantes de movimento antagônico a Lula e com o claro objetivo de prejudicar sua honra e sua dignidade.
Lula teve todos os seus bens e recursos bloqueados por decisões proferidas pela 13ª. Vara Federal Criminal de Curitiba e pela 1ª. Vara de Execuções Fiscais Federais de São Paulo, não dispondo de valores para sua própria subsistência e para a subsistência de sua família e muito menos para exercer a garantia da ampla defesa prevista na Constituição Federal. A decisão agora proferida pela 6ª. Vara Federal de Campinas retira de Lula qualquer apoio pessoal que a lei lhe assegura na condição de ex-Presidente da República, deixando ainda mais evidente que ele é vítima de “lawfare”, que consiste no mau uso e no abuso das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política.
Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins

Judiciário, vergonha nacional

Após julgarem Lula, TRF-4 diminui ritmo de julgamento de processos da Lava Jato

Folha de São Paulo

O ritmo das ações da Lava Jato no TRF-4 (Tribunal Regional Eleitoral da 4ª Região) não é mais o mesmo que precedeu o julgamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro.
A oitava turma do tribunal, que chegou a julgar quatro processos da operação em novembro, só concluiu decisão sobre um caso desde que aumentou a pena de Lula para 12 anos e um mês de prisão.

Em parte, isso se deve a três pedidos de vista do juiz federal Victor Luiz dos Santos Laus em casos que chegaram a ser pautados e colocados em votação em sessões.
Os outros dois membros da turma, o relator da Lava Jato João Pedro Gebran Neto e o revisor Leandro Paulsen deram os seus votos, mas Laus pediu mais tempo para analisar melhor os casos.
Não há data para que os processos sejam devolvidos


Depois de apressar condenação de Lula, TRF-4 desacelera


O atual ritmo de trabalho do Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRF-4), em Porto Alegre, confirma a tese de que o julgamento de Lula em segunda instância foi apressado propositalmente. Depois de confirmar a condenação e aumentar a pena do ex-presidente, somente um julgamento foi concluído naquela corte.
Antes do julgamento de Lula, a 8a Turma do TRF-4 chegou a julgar quatro ações em um só mês. Tudo para poder liberar a pauta e chegar no caso do petista. Mas, desde janeiro deste ano, o único caso concluído foi do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares.
Estão pendentes de julgamento os casos do ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto, do pecuarista José Carlos Bumlai, de Cláudia Cruz e do ex-deputado André Vargas.
Esse é só mais um indício de como os caminhos da Justiça brasileira são tortuosos e de como ela pode servir para a ação política na prática. Se fosse mantido o ritmo normal de julgamento, o ex-presidente Lula ainda não teria sido julgado e muito menos preso. Isso sem falar na falta de provas.