2.22.2020

Ô balancê

A imagem pode conter: texto que diz "Dance muito no seu Carnaval balancê balancê Quero dançar com você Entra na roda morena pra ver Ô balancê balancê Quando por mim você passa Fingindo que não me vê Meu coração quase se despedaça No balancê balancê"

Com auxílio de Moro, Bolsonaro e Mourão trabalham para esvaziar poder do Ibama e do ICMBio

 
Governo consulta ministro da Justiça e Segurança Pública sobre ações de preservação na Amazônia e prepara nova força para exercer funções de órgãos ambientais. Foto: Marcello Fim/Zimel Press/Folhapress
Uma série de medidas tomadas pelo governo Jair Bolsonaro está retirando de IbamaICMBioa autonomia para ações de preservação ambiental e combate ao desmatamento na Amazônia. Uma fonte que pediu para não ser identificada por temer represálias disse ao Intercept que há um plano em andamento para esvaziar as funções dos dois órgãos federais especializados em crimes contra o meio ambiente.
No despacho 110/2020, a que tive acesso com exclusividade, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, determinou a dez órgãos subordinados a ele – Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Funai entre eles – que enviassem, até o último dia 12, relatórios “das atividades em curso, ações realizadas no último ano e sugestões de ações para o desenvolvimento da Amazônia Legal, nos eixos: Proteção, Preservação e Desenvolvimento Sustentável”.

Trata-se de uma resposta a um pedido em que o vice-presidente Hamilton Mourão “solicita que seja encaminhado relatório das atividades em curso e sugestões de ação para o desenvolvimento da Amazônia Legal” e pede a Moro uma apresentação sobre “proteção e preservação e desenvolvimento sustentável” – tarefa que, em tese, caberia ao Ministério do Meio Ambiente.
Moro deverá se reunir com o vice presidente na quinta-feira, 20, para tratar do assunto. Mourão foi nomeado presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal, que irá “coordenar e acompanhar a implementação das políticas públicas relacionadas à Amazônia”.
O conselho foi criado em 1995 e reativado, no último dia 11, com uma mudança crucial: o comando saiu das mãos do Ministério do Meio Ambiente para as de Mourão. Salles será apenas mais um entre os 14 ministros com assento no grupo. Já Ibama e ICMBio estão fora da lista. “Existem várias políticas públicas, nos mais diferentes ministérios, que atuam praticamente independentes”, já disse o vice-presidente. “A criação do conselho é para que a gente consiga ter um comando, um controle dessas atividades”.
Atualmente, a legislação assegura que os servidores ambientais são as autoridades competentes para aplicar multas e abrir processos administrativos contra os transgressores. Mas Bolsonaro, Mourão e Moro trabalham para que isso vire atribuição policial.
O novo Conselho da Amazônia deverá ter como subordinada a Força Nacional Ambiental. Ainda sem previsão para começar a funcionar, a nova força policial anunciada no mês passado por Bolsonaro deverá, na prática, retirar atribuições de fiscais do Ibama como os que prenderam o antropólogo e ativista de direita Edward Luz no Pará.
Governo vai usar policiais para driblar o que considera ‘ideologia’ no trabalho de Ibama e ICMBio.
Mourão já adiantou que ela poderá ser formada com base em um decreto editado em 2008, no governo Lula. O texto, nunca colocado em prática, mas ainda em vigor, criava a Guarda Nacional Ambiental.
Questionado sobre planos para a criação da força ambiental, o Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou que o assunto cabe apenas à vice-presidência da República, responsável pelo Conselho da Amazônia. A vice-presidência foi procurada, mas se recusou a prestar esclarecimentos. Também inquiri o Ministério do Meio Ambiente quanto ao pedido feito por Mourão a Sergio Moro a respeito de atribuições que, em tese, caberiam a Ricardo Salles. Não houve resposta.
O governo Bolsonaro trava uma queda de braço com Ibama e ICMBio, órgãos recheados de servidores de carreira que tentam fazer o trabalho: combater o desmatamento ilegal de acordo com a lei em vigor. Na visão do bolsonarismo, ao cumprirem o dever que seus cargos exigem, eles agem motivados por um esquerdismo incorrigível. Ao passar parte das funções para policiais, o governo indica que pretende driblar o problema “ideológico”.
“O governo tem mecanismos para fazer a desconstrução [do poder de fiscalização de Ibama e ICMBio] sem alterar a lei. Há coisas que pode não se tirar da legislação, mas se tira na prática. Tem muitos caminhos para isso”, avalia Elizabeth Uema, secretária executiva da Ascema Nacional, entidade que representa os servidores federais ambientais de carreira.
A entrega do conselho a Mourão já é um sinal de redução da autonomia que os servidores têm para definir os locais a serem fiscalizados. O combate ao desmatamento, por exemplo, é feito pelo Ibama a partir de dados como os fornecidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe. Mas fiscais ouvidos pelo Intercept e que pediram para não ser identificados temem perder a autonomia para atuar tendo que se submeter a um conselho comandado por um militar da reserva.
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Bolsonaro, Ricardo Salles e Sergio Moro: o ministro do Meio Ambiente perde espaço para o da Justiça e Segurança Pública em assuntos de fiscalização ambiental.
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Asfixia de fiscais

A nova versão do Conselho da Amazônia também excluiu da mesa os governadores da região, o que provocou uma série de críticas. Governos estaduais são diretamente interessados no problema porque, entre outros motivos, a Força Nacional Ambiental deverá contar com policiais militares estaduais deslocados de suas funções originais, como já afirmou Salles.
Antes de ser eleito presidente, Bolsonaro fez o que estava a seu alcance para tentar asfixiar o poder de polícia de servidores ambientais. Em 2013, um ano após ser multado pelo Ibama por pesca irregular em Angra dos Reis (RJ), o então deputado federal apresentou à Câmara um projeto de lei para revogar a permissão de porte de arma para servidores ambientais. Dois anos depois, ele mesmo retirou o projeto de pauta, justificando que “o aumento da criminalidade e da sensação de impunidade” exigiam que determinadas categorias profissionais tivessem acesso ao porte.
Outra proposta apresentada do então deputado Bolsonaro foi incluía as polícias militares no Sistema Nacional do Meio Ambiente, o Sisnama, que congrega todos os órgãos federais, estaduais e municipais que podem atuar na área.
Levado ao Congresso em 2014, o projeto de lei caducou ao final da última legislatura, em 2018, mas foi reapresentado no ano passado pelo bolsonarista Coronel Tadeu, deputado pelo PSL de São Paulo. A ideia é legalizar algo que já ocorre na prática. Mas servidores ambientais com quem conversei avaliam que a falta de limites claros para a atuação das polícias pode ameaçar a autonomia dos fiscais de Ibama e ICMBio.

2.19.2020

Nanopartícula aumenta em até 10 vezes a eficiência de antibiótico


Inovação desenvolvida no CNPEM permite levar o fármaco diretamente até a bactéria, promovendo a liberação controlada do princípio ativo 
 O grupo de Campinas trabalha no desenvolvimento de nanopartículas que possam ser usadas para combater, além de bactérias, vírus e células tumorais
Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma nanopartícula que, ao ser injetada na corrente sanguínea, é capaz de carrear moléculas de antibiótico diretamente até bactérias Escherichia coli. No local da infecção, o material adere à parede do microrganismo e libera o medicamento de forma controlada, aumentando em até 10 vezes a eficácia do tratamento.
A inovação foi desenvolvida com apoio da Fapesp no Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas. Colaboraram cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Os resultados foram descritos na revista Advanced Functional Materials e renderam destaque na capa do periódico.
“A resistência a antibióticos é um problema de saúde pública global. Uma das soluções é criar novas formas de eliminar as bactérias, e as nanopartículas podem ser uma opção. O problema é que esses microrganismos têm uma parede celular muito pouco complexa e, por isso, não há muitos pontos de ancoragem, ou seja, locais em que a nanopartícula possa se ligar e agir”, explicou Mateus Borba Cardoso, pesquisador do CNPEM e coordenador do trabalho.
O grupo de Campinas trabalha no desenvolvimento de nanopartículas que possam ser usadas para combater, além de bactérias, vírus e células tumorais.
No estudo recém-divulgado, o antibiótico tetraciclina foi encapsulado em nanopartículas de sílica revestidas com uma camada de gluconamida, um tipo de carboidrato. A formulação foi então colocada para interagir in vitro com bactérias E. coli, usadas como modelo de estudo.
“A parede bacteriana é constituída por moléculas de lipopolissacarídeo, um carboidrato complexo. Procuramos outro tipo de carboidrato capaz de se ligar à parede e a gluconamida se mostrou a melhor opção”, contou Cardoso.
Segundo o pesquisador, a ideia é promover uma ação seletiva, atingindo diretamente as bactérias e liberando uma dose de medicamento suficiente para eliminá-las. Em tese, tal estratégia ajudaria a evitar o surgimento de microrganismos resistentes ao medicamento.
Na comparação com as formas mais comuns de administração da droga, a nanopartícula mostrou-se de cinco a 10 vezes mais eficiente para eliminar as bactérias.
“O protocolo convencional prevê administrar uma dose do fármaco suficiente para circular por várias partes do organismo até atingir as bactérias. Grande parte do princípio ativo é degradada durante o caminho e só uma fração realmente chega ao alvo. Com a nanopartícula o tratamento foi otimizado”, explicou o pesquisador.
O artigo tem como primeira autora Larissa Brentano Capeletti, que realizou o trabalho no LNNano-CNPEM durante estágio de pós-doutorado, com apoio da Fapesp.
Partículas invisíveis
Para obter evidências de que a nanopartícula chegaria às bactérias depois de injetada na corrente sanguínea, os pesquisadores precisavam testar se ela seria reconhecida e eliminada pelo sistema imune.
“Um grande desafio quando uma nanopartícula está no sangue é passar incólume por proteínas especializadas em detectar invasores. Elas se ligam a corpos estranhos para indicar aos mecanismos de defesa o alvo a ser eliminado. Quando isso ocorre, o tratamento não se efetiva”, disse Cardoso.
Uma das vantagens da gluconamida é não interagir com essas proteínas de defesa. Testes feitos com soro fetal bovino, modelo usado para mimetizar as proteínas do sangue humano, mostraram que a nanopartícula não induzia a formação de coroas, aglomerado de proteínas que sinalizam a invasão. Tal resultado sugere que a nanopartícula não seria detectada pelo sistema imune.
Além desse teste, os pesquisadores submeteram a nanopartícula a amostras de sangue humano. A interação não causou efeitos nos glóbulos vermelhos, indicando que a nanopartícula não é tóxica. A mesma partícula sem o revestimento de gluconamida, por sua vez, mostrou-se prejudicial às células sanguíneas.
O grupo trabalha agora no aprimoramento estrutural da nanopartícula. O objetivo é garantir que, após a liberação do medicamento no local da infecção, o material se degrade e possa ser eliminado do organismo. Com informações da Fapesp

2.18.2020

Marielle

Bolsonaro ofende jornalista: 'ela queria dar o furo'

O presidente fez a insinuação sexual ao comentar declarações do ex-funcionário de agência de disparos em massa de mensagens Hans River, que difamou a jornalista da Folha de S. Paulo Patrícia Campos Mello na CPMI das Fake News. Ouça

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Bolsonaro insultou jornalista da 'Folha' em entrevista em frente ao Palácio da Alvorada. Foto: Reprodução / Facebook (Crédito: )
Bolsonaro insultou jornalista da 'Folha' em entrevista em frente ao Palácio da Alvorada. Foto: Reprodução / Facebook
Ao falar com jornalistas na manhã desta terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro comentou as declarações do ex-funcionário de agência de disparos em massa de mensagens Hans River. Na saída do Palácio da Alvorada, o presidente falou para jornalistas e apoiadores insultos sexuais a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo: "Ela queria dar um furo [risos]... Ela queria dar um furo a qualquer preço contra mim [risos]", disse o presidente, que ainda insinuou que a jornalista seria ligada ao Partido dos Trabalhadores.


E a conja do Moro, dona Rosângela, diz que "Moro e Bolsonaro são uma coisa só". O meme já tava pronto!


O inevitável

 
A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, texto que diz "DENTRO DE POUCO TEMPO NÃO PRECISAREMOS MOSTRAR ERROS, TODOS SENTIRÃO NO BOLSO, NOS SUPERMERCADOS, NO COMÉRCIO, SAÚDE, NO DINHEIRO, SEGURANÇA, A MISÉRIA TOMARÁ CONTA DAS NOSSAS VIDAS, NINGUÉM ESCAPARÁ."
''' COISA DO CAPIROTO......''

2.17.2020

Moleza

General Heleno foi condenado pelo TCU por contratos irregulares no valor de R$ 22 milhões

Esse sujeito que chamou o presidente Lula de criminoso, quando o Papa Francisco o recebia em Roma.

General Augusto Heleno. (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)
O general Augusto Heleno,  foi condenado em 2013 pelo Tribunal de Contas da União, o TCU, por autorizar convênios ilegais que custaram R$ 22 milhões ao governo e favoreceram militares conhecidos seus. As informações são do repórter Eduardo Goulart de Andrade no The Intercept Brasil.
O general autorizou, no tempo em que era chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, dois convênios para a quinta edição dos Jogos Mundiais Militares, que ocorreram em 2011 no Rio de Janeiro. Os acordos, de mais de R$ 22 milhões, foram feitos com duas entidades sem fins lucrativos: a Fundação Ricardo Franco, a FRF, que dá apoio ao Instituto Militar de Engenharia, e o Instituto de Fomento e Inovação do Exército Brasileiro, o Ifiex.
Apenas com a Fundação Ricardo Franco, o acordo assinado pelo general foi de R$ 19,5 milhões “para dar suporte técnico e administrativo” para a realização dos Jogos Militares, com desenvolvimento de serviços de engenharia de computação e de comunicações. A intenção, de acordo com o contrato, era aprimorar um sistema de controle “desenvolvido para ser usado em ambiente hostil”. No acordo, no entanto, não fica clara qual é a necessidade desse tipo de sistema complexo em um contexto de jogos esportivos, e nem por que os Jogos seriam um ambiente hostil.
Na época, o presidente da Fundação Ricardo Franco era o general Edival Ponciano de Carvalho, casado com Marilu Ferreira de Carvalho, amiga da família do general Heleno. No Facebook dela, há uma foto de 2015 com comentário da esposa de Heleno, Sonia Maria Pereira: “Que linda foto, amiga!”.
A fundação se beneficia de dinheiro público desde os anos 90. Entre 1998 e 2012, a FRF assinou 53 convênios com diferentes órgãos da União, totalizando mais de R$ 245 milhões. Mas o Departamento de Ciência e Tecnologia, que foi chefiado por Heleno, foi o responsável pelo maior volume desses recursos: R$ 76,3 milhões, 31% do total.
Heleno argumentou que não tinha os conhecimentos necessários para avaliar a necessidade dos convênios que assinou. Para o TCU, ele deveria ter feito uma licitação.
Já o acordo com o Ifiex, de R$ 3 milhões e duração de 18 meses (também prorrogáveis), previa o auxílio técnico e administrativo para o desenvolvimento e adequação de softwares que seriam usados nos Jogos. O então presidente do Ifiex também era um velho conhecido de Heleno: Léo José Schneider foi ex-colega do futuro ministro de Temer na Academia Militar de Agulhas Negras, onde se graduou em 1969.
O TRIBUNAL DE CONTAS da União entendeu que os convênios não se justificavam porque o Exército e as duas entidades estavam “em desacordo com os preceitos legais e a jurisprudência” da Corte. Ou seja: fora da lei.

Heleno disse ao Intercept que é inocente. Segundo ele, a autoridade “assina o convênio com base nos subsídios e documentos elaborados por suas assessorias”. “É fácil concluir que, uma vez que todos os órgãos de assessoramento apontavam para a viabilidade operacional e jurídica”, ele explicou, “não restaria à autoridade [ele] outra conduta” senão assinar o convênio. O general também argumenta que “ofenderia o princípio da eficiência imaginar que o chefe de um órgão de direção setorial, antes de cada decisão a ser tomada, verificasse ou confrontasse, detalhadamente, todos os estudos e análises feitas por seus assessores e técnicos”.
Leia a matéria completa no The Intercept

2.16.2020

Miriam confirma que apoiou o golpe

Cai a ficha da jornalista que apoiou o golpe de estado contra a ex-presidente Dilma Rousseff e alimentou a farsa das pedaladas fiscais
247 – "Há quem prefira o autoengano. O governo hostiliza a imprensa, e o filho do presidente dá sequência a uma difamação sexista contra uma jornalista, da tribuna da Câmara. O presidente se cerca de militares da ativa. O ministro da Economia ofende grupos sociais. A Educação está sob o comando de um despreparado. Alguns ministros vivem em permanente delírio ideológico. Os indígenas são ameaçados pelo desmonte da Funai e pelo lobby da mineração e do ruralismo atrasado. Livros são censurados nos estados. A cultura é atacada. Há quem ache que o país não está diante do risco à democracia, apenas vive as agruras de um governo ruim. E existem os que consideram que o importante é a economia", escreve a jornalista Miriam Leitão, em sua coluna deste domingo.
"Quem prefere o autoengano pode viver melhor no presente, mas deixa de ver os avisos antecedentes do perigo e, portanto, não se prepara para enfrentá-lo. Manter a consciência dos riscos é a atitude mais sensata em época tão difícil quanto a atual. Nada do que tem nos acontecido é normal", afirma Miriam, que apoiou o golpe de estado contra a ex-presidente Dilma Rousseff e a farsa das pedaladas fiscais, com a finalidade de reimplantar a agenda neoliberal no Brasil.

2.15.2020

O manual para envenenar a terra

 

Embora neonicotinoides, um dos inseticidas mais comuns do mundo, sejam proibidos na União Europeia, uma sofisticada guerra de informações os manteve no mercado americano.

Muitas sementes nos EUA são pré-revestidas com neonicotinoides, um dos inseticidas mais comuns no mundo.

Os produtos químicos estão no centro do que muitos chamam de “apocalipse dos insetos”.

Eles tornam o ambiente tóxico para abelhas, borboletas, pássaros e até mamíferos grandes.

É por isso que a Europa proibiu os inseticidas.

Mas, nos Estados Unidos, documentos revelam que uma sofisticada guerra de informações os manteve no mercado.


2.14.2020

Conselho Deliberativo da Fiocruz publica nota sobre a água no Rio de Janeiro



"Manifestação do Conselho Deliberativo da Fiocruz à sociedade fluminense
Em função dos acontecimentos recentes que vêm atingindo o consumo da água produzida pelo Sistema Guandu e distribuída para parte expressiva da população da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) tem se envolvido em diversas ações, incluindo inspeções no sistema e discussões com a Vigilância em Saúde estadual e municipais, Ministério Público Estadual, órgãos ambientais e universidades, bem como desenvolvido internamente análises de cenários. Nesse contexto, cumprindo seu dever institucional como instituição de Estado, integrante do Sistema Único de Saúde (SUS), expressa seu posicionamento frente à situação.
A Fiocruz entende que os agentes públicos de saneamento e de saúde pública possuem responsabilidades intransferíveis na condução dos procedimentos necessários para minimizar o impacto sobre a população. Nesse sentido, não se pode minimizar a dimensão do problema e nem criar um sentimento de pânico que não condiz com os riscos reais apontados para a saúde humana. A solução do problema deve estar baseada em transparência e evidências científicas.
Particularmente, o recente surgimento de detergentes na água do manancial, associado à prévia ocorrência de geosmina, confirma que as pressões sobre a qualidade da água do Rio Guandu não são momentâneas ou pontuais. Uma das lições desta crise é que se pode esperar a recorrência futura de eventos similares aos atuais, que serão exacerbados pela dinâmica das mudanças climáticas. É absolutamente necessário e urgente o planejamento de longo prazo da gestão das águas do Rio Guandu e de medidas de contingência e segurança da água, orientadas pela proteção da saúde da população, incluindo o sério enfrentamento da ocupação territorial na bacia do manancial e do controle da poluição das várias fontes existentes.
As obrigações do Brasil relativas aos direitos humanos à água e ao esgotamento sanitário requerem das autoridades envolvidas uma série de medidas de gerenciamento da atual crise, incluindo:
1.    Assumir que a solução para a crise é de responsabilidade do poder público e não deve ser transferida para a população, sobretudo a mais pobre, que já se encontra em situação de ainda maior vulnerabilidade, pelos problemas com a qualidade da água;
2.    Disponibilizar informações claras, reais e não ambíguas para os consumidores da água;
3.    Incluir a participação popular na gestão da crise, de forma livre, ativa e significativa, em coerência com os princípios do SUS;
4.    Fortalecer as ações de vigilância da qualidade da água e sua articulação com a vigilância epidemiológica dos agravos relacionados à água;
5.    Incrementar as ações de controle da qualidade da água pela Cedae, com intensificação da frequência de amostragem e a inclusão de parâmetros que possam contribuir com a explicação e a mitigação da crise, bem como com a antecipação de possíveis cenários futuros;
6.    Implementar ações urgentes para impedir a continuidade da contaminação por esgotos sanitários, efluentes industriais e resíduos sólidos dos rios Poços, Queimados e Ipiranga, que desembocam próximo ao ponto de captação no rio Guandu; e
7.    Desenvolver medidas emergenciais efetivas para a remoção da geosmina, detergentes e outros eventuais poluentes encontrados, considerando que o comprometimento das características estéticas da água tem levado a população a se abastecer de outras fontes de água, muitas vezes inseguras e financeiramente inacessíveis.

Por fim, cabe às autoridades de saúde pública e de saneamento orientar e dar assistência no início do ano letivo para o uso seguro da água.
A Fiocruz continuará à disposição e colaborando com os órgãos públicos responsáveis pelo controle e vigilância da qualidade de água."

2.12.2020

ALZHEIMER

A imagem pode conter: possível texto que diz "Poema do Alzheimer Não peça para lembrar, Não Deixe-me descansar e saber que você está comigo. Beije minha segure minha mão. Estou além da sua compreensão Estou triste doente e perdido. Tudo sei é que preciso que você esteja todo o custo. Não perca paciência comigo. Não xingue nem maldiga meu pranto. Não posso evitar jeito como agindo, Não dá para mudar, ainda que eu tente. Basta lembrar eu preciso de você, Que o melhor já se foi. Por favor, não deixe de ao lado. Dê-me amor até que minha vida se acabe. Desconhecido ongeVIDAdei"

No carnaval, ficamos sujeitos a uma porção de riscos para o corpo, veja como se cuidar para não ficar doente.







Como cuidar do corpo durante o carnaval?

Beber água e ficar atento aos lanches são algumas das dicas

Durante o carnaval, a maioria de nós sai para festejar, aproveitar a música e se divertir. É uma época do ano que celebra a felicidade e a beleza, mas sempre devemos nos lembrar de nos cuidar e não vacilar para perder a festa.
“A alimentação é uma parte crucial desse cuidado, pois é o combustível do seu corpo, se ele não estiver funcionando corretamente, não há como curtir as festas”, conta Kelvin Taporosky, nutricionista.
Quem aproveita o carnaval costuma dormir pouco, ficar entre muita gente, suar muito e comer besteiras, e isso envolve gastar muita energia. Mas o que fazer para recuperá-la? A resposta do nutricionista é simples: beber muita água.
O grande consumo de álcool nessa época, além de ser prejudicial ao cérebro, favorece a diurese. Através da inibição da vasopressina, ele evita que os rins reabsorvam a água do corpo. Por isso, após consumir álcool, vamos ao banheiro constantemente. A água não para em nosso organismo e não é aproveitada.
Esse fator, além de atividades como dançar, pular, ficar muito tempo e movimento, contribuem para a desidratação. “Não é preciso deixar o álcool de lado, mas paralelamente, beber água também. Como sabemos que o pessoal extrapola, esse cuidado vai amenizar possíveis danos”, aconselha Kelvin.
A dor no corpo, dor de cabeça e mal estar, mais conhecidos como ressaca, é um dos sintomas da desidratação, que acontece fortemente no carnaval, assim como a intoxicação alimentar.
“Quando saímos de casa para o carnaval e acabamos ficando com fome, é comum comer lanches, que são comidas mais fáceis e rápidas, porém não conhecemos a procedência dos ingredientes ou se foi bem preparado e armazenado. No momento de euforia, acabamos não percebendo e mais pra frente vai ser preciso lidar com a intoxicação alimentar”, explica.
É preciso ficar atento ao que você consome e quanto consome para evitar problemas e não vacilar nas festas, lembre-se de comer bem e beber água para ter um bom feriado.
Kelvin Taporosky

2.11.2020

Parasita: Posto Ypiranga

Vejam que interessante:
Paulo Guedes é filho de uma funcionária pública, lotada no Instituto de Resseguros do Brasil, ele estudou no Colégio Militar de Belo Horizonte (escola pública), graduou-se na Faculdade de Economia da UFMG (universidade pública) e ingressou no Departamento de Economia da Universidade de Chicago com uma bolsa do CNPq (programa público que é vinculado ao MEC e portanto, financiado pelo governo federal). Assim podemos concluir então que esse verme boçal, pedante e arrogante, foi gerado por uma "parasita" e foi educado por "parasitas". Lembrando que esse nematoide sugador de fundos de pensão, também foi professor no Instituto de Matemática Pura e Aplicada do Rio de Janeiro (escola superior pública). Vesse que estamos diante uma ascaris lumbricoides absolutamente retumbante.
"Economista de Bolsonaro se beneficiou com fraude de corretora, diz juiz
Esquema do qual Paulo Guedes teria participado causou prejuízos à fundação responsável pela gestão da aposentadoria dos funcionários do BNDES"

O filme não levou o Oscar, mas diretora liberou trecho em que Jair Bolsonaro critica cultura e levou protestos ao tapete vermelho

Manifestação no tapete vermelho

Antes da premiação, Petra se reuniu com a equipe do filme no tapete vermelho com cartazes de manifestação contra o neo-fascismo e pela proteção dos povos indígenas. A coordenadora nacional da Apib (Associação dos Povos Indígenas), Sônia Guajajara, era uma das presentes.
Petra Costa libera novo trecho de Democracia em Vertigem

Conteúdo dos novos livros didáticos


Segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020
Olavo para baixinhos...

Está próximo de acontecer algo que deve provocar um dos maiores estragos do governo Bolsonaro na educação pública brasileira. Um discípulo de Olavo de Carvalho, bacharel em direito e mestre em educação que jamais assinou publicações científicas sobre alfabetização, será o responsável por definir qual o conteúdo dos novos livros didáticos do primeiro e segundo anos do ensino fundamental a partir de 2021.
O Intercept recebeu informações de uma fonte que pediu para não ser identificada sobre a convocação de um grupo de especialistas para que desenvolvam estudos que sirvam de base para a revisão de conteúdo dos livros didáticos. Eles foram chamados sem consulta pública, e o MEC se recusa a dizer quem são. Mas nós apuramos alguns nomes.
Eles foram convocados  por Carlos Nadalim, ícone conservador que mantém um blog em que dá orientações a quem prefere educar os filhos em casa e longe da escola. Nadalim é secretário de Alfabetização do ministério e, como ele próprio já afirmou na sua página, um discípulo de Olavo de Carvalho. “Eu sou aluno do professor [Olavo de Carvalho] há anos. E graças a tudo que o professor me ensinou, eu fui estudar, fui pesquisar assuntos relacionados à educação”.
O secretário espera que essa fase do trabalho esteja concluída até o fim deste mês, de acordo com nossa fonte. Até maio deve ser  publicado um edital de licitação para a compra dos livros – a partir de critérios sobre os quais Nadalim dará a última palavra. Isso deverá favorecer editoras que publicam conteúdos alinhados com a nova extrema direita brasileira, das quais Nadalim é próximo.
Rafael Moro Martins
Editor Contribuinte Sênior
Rafael Neves
Repórter

2.10.2020

Aumento da miséria extrema, informalidade e desigualdade marcam os dois anos da Reforma Trabalhista

Mudanças trabalhistas de Temer, junto a medidas do governo Bolsonaro, acentuam precariedade no mundo do trabalho, analisam professores Ricardo Antunes e Andréia Galvão.A reportagem é de Liana Coll, publicada por Jornal da Unicamp, 11-11-2019.
“A nova legislação criará novas relações trabalhistas adequadas à realidade atual, preparando o mercado para as demandas do presente e exigências do futuro”, dizia, em pronunciamento realizado em 2017, o então presidente Michel Temer, em seguida da aprovação da Reforma Trabalhista. Dois anos após a vigência da Lei 13.467, os recordes de informalidade e desigualdade socioeconômica, além do crescente número de pessoas entrando na extrema pobreza, levantam a questão sobre qual o perfil do futuro trazido pelas mudanças no mundo do trabalho.
Trabalhos por aplicativo, sem proteção ou direitos, viram alternativa que cresce no país. Foto: Antonio Scarpinetti. Fonte: Jornal da Unicamp.
De 2017 a 2019, a taxa de desemprego no Brasil passou de 12% para 11,8%, nos trimestres equivalentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A diminuição é tímida: são 12,5 milhões de desempregados em 2019, 100 mil a menos que em 2017, número muito distante da projeção da equipe ministerial de Temer, que afirmava a geração de até dois milhões de empregos nos primeiros dois anos da Reforma. Além disso, a suavização no índice é puxada pelo incremento de formas mais precarizadas de trabalho.
As estatísticas apontam que há uma transição ocorrendo no panorama do trabalho, já que a informalidade recupera sua marca histórica, enquanto o trabalho formal cai. São 600 mil pessoas a mais trabalhando sem carteira assinada, em comparação com 2017, totalizando 11,8 milhões, ou 41,4% do total dos empregados. Os trabalhadores por conta própria alcançam 24,4 milhões pessoas, enquanto no mesmo trimestre de 2017 eram 23 milhões.

“Trabalho contratado é cada vez mais parte do passado”

Uma jornada extensa, em atividade por conta própria, é a realidade do vendedor de frutas Lauro Ferreira Filho, de 44 anos, e que desde os 13 trabalha. As atividades começam cedo, quando ainda nem é dia. “Saio 4h da manhã e volto às 18h30. Moro em Paulínia, pego as frutas no Ceasa às 4h e retorno para cá [para o local de trabalho]”. Lauro, antes de montar sua própria fonte de rendimentos, era almoxarife em uma empresa de montagem. Foram anos neste emprego, com carteira assinada, até que sofreu um acidente de motocicleta que o fez passar um ano se recuperando. Já são 18 anos na nova rotina e, com essa experiência, ele aponta quais são as diferenças entre o trabalho contratado e o trabalho autônomo. Na venda de frutas, diz, “a renda varia muito, um dia você vende, outro não vende. Quando chove é terrível, não vende e praticamente não venho trabalhar”. Já no emprego com carteira assinada, os rendimentos são fixos e é possível se programar melhor.
Para João Pedro de Souza, pedalar até 140km por dia é o meio de subsistência há quase um ano. Entregador por aplicativo, ele trabalha desde os 12 anos na região do distrito de Barão Geraldo, em Campinas (SP). “Sempre procurei um meio de trabalhar”, diz ele, que antes era vendedor de salgados e em dezembro de 2018 passou ter como meio de trabalho a bicicleta e o celular. Aos 19 anos, ele diz ter se adaptado ao serviço, destaca que trabalha para si, mas sua jornada é extensa. “É de domingo a domingo. Não tenho descanso, mas não me sinto cansado”. A média de renda varia entre R$1.500 e R$3.000, para um trabalho de 12 a 18 horas diárias. Estima-se que, assim como João, há quatro milhões de pessoas trabalham para aplicativos de entregas no Brasil, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva de abril de 2019.
“O trabalho regulamentado e contratado é cada vez mais parte do passado”, observa o professor de Sociologia da Unicamp, Ricardo Antunes. “A Contrarreforma trabalhista, aprovada durante o governo Temer, foi a legitimação jurídica da burla. Ela na verdade impulsiona, favorece e cria condições para o aumento explosivo da informalidade, em particular da intermitência, na medida em que apresenta uma formalização de algo que é pautado e caracterizado pela informalidade. É como se você dissesse o seguinte: o mercado é informal, então vamos criar um monstrengo jurídico para dar juridicidade e legalidade à informalidade”.
Para Ricardo, pesquisador que há mais de três décadas se dedica à Sociologia do Trabalho, a questão do desemprego e da precariedade no mundo do trabalho contemporâneo combina a política econômica adotada no Brasil, de neoliberalismo exacerbado, e as mudanças nas regras trabalhistas. “Tem relação, portanto, tanto com a situação macroeconômica quanto com uma contrarreforma que tem como principal significado a corrosão dos direitos no Brasil”.
Da mesma forma, a professora do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Unicamp, Andréia Galvão, observa que a lei 13.467/2017 é levada a cabo para criar novos regulamentos, que ampliam formas precarizadas de contratação. “A legislação é aprovada para autorizar aquilo que antes era ilegal”, aponta, e assinala que a ideia de que a legislação atrapalha o mercado, ou que o trabalhador é muito protegido, não é nova e vem ganhando força a partir da década de 1990 no Brasil, com o advento do neoliberalismo. Dessa época em diante, foram realizadas mudanças pontuais na legislação pelos governos, mas, devido à resistência de sindicatos e de movimentos sociais, as propostas mais amplas não foram levadas em frente até 2017.
“Essa ideia de reforma trabalhista global, que significa uma destituição de direitos, foi retomada com força pelos governos Temer e Bolsonaro. Eles partem do pressuposto de que o mercado de trabalho é autorregulável, que as empresas precisam de total liberdade para que haja contratação e que não podem ser engessadas pela lei. Essa é uma premissa equivocada, pois o nível de emprego não aumenta ou diminui em virtude da legislação mas da dinâmica econômica”. Para a professora, a proteção social, a legislação e os direitos são resultado de lutas e demandas que visam minimizar as desigualdades, o que seria imprescindível em um país onde os índices de extrema miséria e inequidade bateram recordes em 2018 e 2019.

Modernização e desigualdade

Voltando a 2017, modernização era a palavra-chave do pacote de justificativas que acompanhavam a maior mudança na Consolidação da Lei do Trabalho (CLT) desde a sua origem, em 1943. Temer, investindo maciçamente recursos públicos em publicidade para a aprovação da Reforma, apontava que ela traria um “futuro com empregos para todos os brasileiros e oportunidades para nossos filhos e netos”. A mudança na legislação, dizia o governo, era imperativa para relações de trabalho modernas e flexíveis.
Mas o que isso significa? Por que o moderno e o flexível resultaram em um aumento da pobreza e da desigualdade? Andréia Galvão é enfática na resposta: “modernização virou uma palavra mágica para justificar qualquer rebaixamento de direitos”. Assim, analisa a docente, que integra a Rede de Estudos e Monitoramento Interdisciplinar da Reforma Trabalhista (REMIR), um grupo de pesquisadores que já publicou dois livros de balanço sobre as reformas, o moderno “é apresentado como o indivíduo que assume todos os riscos e toda a responsabilidade pelo seu sucesso ou pelo seu fracasso. O moderno é o empreendedor de si mesmo, aquele que consegue se vender no mercado, definir sua jornada, e, supostamente, definir sua remuneração”. Como no caso de João, que afirma trabalhar para si mesmo, mas também só pode contar consigo mesmo, já que o trabalho é desregulamentado e não confere direitos trabalhistas.
O professor Ricardo Antunes examina em sentido similar. Para o docente, há uma contradição visceral em associar essa legislação ao moderno, e pontua: “Temer não pode estar vinculado a nada que fale em moderno. Temer é a expressão do velho, da forma mais grotesca do velho, é a expressão do pântano que domina a economia brasileira”. Ele também avalia o termo modernização como um “fetiche” para mascarar uma sociedade em que as corporações, altamente avançadas e tecnológicas, desenvolvem seus negócios a partir de “uma exploração brutal do trabalho e uma espoliação brutal do conjunto da classe trabalhadora”.
O docente também observa que o discurso do desemprego atrelado ao esforço individual é equivocado. “Dizer que o desemprego é justificado pela falta de esforço do trabalhador e da trabalhadora é uma impostura. Não há outras palavras. O desemprego é resultado de causas estruturais e conjunturais impulsionadas por uma legislação que incentiva o trabalho informal, o trabalho intermitente, o trabalho precarizado”.
No âmbito desse discurso do moderno e do flexível, enraizado em diretrizes neoliberais, é desconsiderado que as pessoas têm diferentes trajetórias e oportunidades ao longo da vida, além de origens sociais distintas. “Não dá para achar que todas as pessoas vão se comportar da mesma forma ou vão ter a mesma chance de se inserir e de obter sucesso no mercado de trabalho”, diz Andréia, para quem o moderno, ao contrário dessa visão, deveria ser uma sociedade “menos desigual, em que os direitos são abrangentes e são respeitados, porque justamente são esses direitos que possibilitam proteger os mais vulneráveis e diminuir a desigualdade”.
O sentido da flexibilização tem, para ela, um claro viés: o da redução de direitos. “Não é uma flexibilização para melhorar, é uma flexibilização para piorar. E os resultados são esses que a gente vê: 12,5 milhões de desempregados, 28 milhões de trabalhadores subutilizados, 41% na informalidade”. Com um impacto mais negativo sobre pretos, pardos e mulheres, como mostra o IBGE.

“Punhalada na coração ou espadada nas costas?”

Uma das grandes mudanças da Reforma Trabalhista, que alterou 117 artigos da legislação relativa ao trabalho, foi a adoção do “negociado sobre o legislado”. Significa que os acordos entre patrões e empregados prevalecem sobre a legislação. “A negociação, antes da reforma, existia, mas podia acontecer desde que fosse para melhorar o que a lei previa. O que a reforma estabelece é que a negociação possa piorar aquilo que a lei define como norma. Nós temos, dessa forma, dois processos: de um lado, a redução de direitos garantidos na lei, legalizando e criando mais contratos precários; de outro, um processo de negociação que autoriza a abrir mão até mesmo desses direitos que já foram reduzidos”, aponta Andréia.
A professora explica que, no direito do trabalho, é reconhecida a assimetria na relação capital e trabalho, uma vez que são partes com poderes distintos: o empregador escolhe quem trabalha em sua empresa, define o contrato, a remuneração, a jornada e demite se não estiver satisfeito. O trabalhador, por sua vez, tem uma única escolha: definir onde trabalhar. “Mas é uma escolha entre aspas porque se ele está pressionado por suas condições de vida, por suas necessidades de sobrevivência, essa possibilidade de escolha é muito reduzida. São duas partes assimétricas. Esse discurso do governo de que as pessoas têm que escolher entre ter direito e ter emprego é perverso, porque o indivíduo vai se sujeitar a qualquer coisa para não passar fome”, observa, referindo-se aos pronunciamentos do atual presidente, Jair Bolsonaro, que afirma ser necessário escolher entre "ter muitos direitos e pouco emprego, ou menos direitos e mais empregos".
Com um quadro de recessão econômica e um contingente de 30 milhões de trabalhadores entre o desemprego, o desemprego por desalento, o trabalho intermitente e a informalidade, é cada vez mais comum que não haja opção senão aceitar condições precárias de trabalho para não entrar no desemprego, reflete Ricardo Antunes. “O negociado sobre o legislado, em particular num período de recessão e de um processo autocrático de dominação burguesa no Brasil, impulsiona ainda mais a classe trabalhadora para a seguinte opção: você prefere uma punhalada no coração ou uma espadada nas costas?”.

“Qual é esse limite?”

A reconfiguração do mundo do trabalho, acompanhada do aumento da pobreza e desigualdade, mostram que há uma mudança em curso na sociedade. “Quanto a gente fala do ponto de vista econômico, tanto o governo que implementa quanto os defensores desse tipo de medida olham para o trabalhador e para a trabalhadora como um dado econômico numa planilha que a gente pode enxugar e espremer até o mínimo. Mas a pergunta que a gente tem que se colocar é: qual é esse limite, do ponto de vista da dignidade humana, da sociedade em que vivemos?”, questiona Andréia.
Para a docente, reduzir a todo custo os direitos trabalhistas, reduzindo assim o preço da mão-de-obra, indica não só um caminho similar a países como Bangladesh, onde há uma superexploração da força de trabalho, mas também o enfraquecimento das instituições responsáveis pela fiscalização do trabalho. “Não é por acaso que a gente vê a fiscalização e a justiça do trabalho sendo atacada. Não é a só a norma que regula a relação capital trabalho que muda, mas também as próprias instituições que asseguram a fiscalização, que estão sendo combatidas”, observa.
Já o professor Ricardo, quando pensa nos rumos que a Reforma Trabalhista indica, traz uma comparação com a Índia. “Nós caminhamos para uma montagem no Brasil muito parecida com a Índia, país asiático que tem milhões de trabalhadores desempregados, muito mais que o Brasil - a população da índia hoje é aproximadamente 1 bilhão de pessoas -, com uma burguesia riquíssima que mantém um sistema de castas profundamente excludente, com uma massa de trabalhadores pobres e um enorme contingente sobrante de força de trabalho na mais absoluta miserabilidade”.

“Futuro sombrio”

A Reforma da Previdência do governo de Jair Bolsonaro, já aprovada no Congresso Nacional, para ambos os professores, deverá piorar a situação. “Se tem, de um lado, pessoas que vão trabalhar muito para conseguir se aposentar e, por outro, gente que nunca vai conseguir se aposentar porque não consegue trabalho ou porque suas formas de contratação não lhes garante o acesso a direitos de seguridade social”, pontua Andréia.
O aumento do tempo de contribuição, combinado a uma legislação trabalhista que dificulta a formalidade, ampliará o contingente de pessoas que não conseguirão ter o tempo estipulado de contribuição. Além disso, a idade mínima (62 anos para mulheres e 65 para homens) para o pedido de aposentadoria fará com que as pessoas que trabalham desde cedo, como João e Lauro, sejam as mais prejudicadas. No caso de João, que começou a trabalhar aos 12, somente após 53 anos de trabalho atingiria a idade mínima.“O trabalho intermitente e a informalidade são a antessala de uma sociedade sem previdência para o futuro. Para a classe trabalhadora, não restará outra coisa senão uma assistência precária, depois dos 60 anos, e para aqueles que chegarem vivos”, aponta o professor Antunes.
Tanto Andréia como Ricardo também chamam atenção para o fato de que o sistema de capitalização, apesar de retirado do texto da Reforma da Previdência, ainda pode voltar, pois é o horizonte pretendido pelo ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes. “O resultado é que quem não se capitalizar não terá previdência. Imaginar que os pobres, que a classe trabalhadora assalariada e empobrecida possa investir capitalisticamente pela via da capitalização é uma impostura”, critica o professor, para quem as medidas do governo mostram uma dependência visceral em relação ao sistema financeiro, qual não possui “um coágulo de humanidade e é por si e em si um capital profundamente destrutivo”
Andréia lembra o exemplo do Chile, país no qual Guedes e Bolsonaro se inspiraram ao propor a capitalização, para indicar os problemas desse modelo previdenciário e sua relação com o futuro dos trabalhadores. “Nós estamos vendo o modelo do Chile, que implodiu. O aumento da pobreza dos idosos e a impossibilidade do trabalhador sobreviver com o valor da sua aposentadoria cria uma sociedade ainda mais desigual. Não bastasse o desmonte do presente, são vários os elementos que ameaçam o futuro dos trabalhadores, de modo que, sem resistência, o prognóstico só pode ser sombrio.”

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