8.29.2021

"agro é tech, agro é pop, agro é tudo". Mas o agro também é golpe


Hoje eu quero te dar um exemplo muito contundente de algo que a gente repete exaustivamente para você. É algo bastante cristalino e tenho certeza de que vai te ajudar a entender melhor aquilo que já cansou de nos ouvir dizer: o que torna o Intercept independente e livre para fazer as análises, investigações e denúncias que dão nome aos bois e tiram o sono de empresários, governantes e abusadores é o fato de não termos anunciantes.
No último sábado, dia 21, publicamos uma extensa e vastamente documentada reportagem da Amanda Audi e do Fábio Bispo mostrando que os ruralistas estão financiando um movimento golpista que vai às ruas em 7 de setembro. Os chats bolsonaristas focados nas ações do próximo Dia da Independência são financiado pela agricultura.
Quem financia a logística do movimento que quer a dissolução do STF são grandes ruralistas. Mas o que isso tem a ver com você? Mais especificamente, o que o movimento que se articula em torno do lunático golpe desejado por Bolsonaro tem a ver com o que você está consumindo?
Se você pensou na indústria de alimentos, mandou bem. Mas, preste atenção: o perigo está também no jornalismo que você recebe diariamente na grande mídia.
Vamos direto ao ponto: patrocinada pelo agronegócio, a mídia corporativa está totalmente aninhada nos braços dos latifundiários brasileiros. E talvez o exemplo mais conhecido seja a propaganda: “Agro: a Indústria-Riqueza do Brasil”. Exibida desde 2016 pela principal emissora brasileira em diversas plataformas (TV, online etc.), a mensagem-chiclete não deixa dúvidas da aliança entre mídia e agro: "agro é tech, agro é pop, agro é tudo".
Mas o agro também é golpe e paga o jornalismo enviesado que consumimos diariamente.
É raro ver nos noticiários da mídia comercial reportagens sobre ativistas e especialistas como o pesquisador do Inpa Lucas Ferrante, que o Intercept entrevistou em março deste ano. Conhecido internacionalmente por denunciar o desmonte das políticas ambientais no governo Bolsonaro, Lucas tem sido perseguido e recebe constantes ameaças e intimidações.
Denúncias contra desmatadores e mineradoras na Amazônia, sobre falta de demarcação de terras indígenas, sobre a abundância de agrotóxicos na nossa agropecuária também passam longe da ordem do dia nas redações que afirmam insistente e enfaticamente que o agro "é pop".
Não é isso que pauta o Intercept. Nossas reportagens sobre meio ambiente, economia, política e direitos humanos servem para mostrar que o agro também é morte, devastação, exploração e, agora, golpe. É seu direito receber essa parte da informação. É nosso dever fazer com que cada vez mais pessoas tenham acesso a ela.
Esse ciclo só existe porque nós somos totalmente independentes. Sim, nossa comunidade de apoiadores nos permite publicar sobre qualquer tema, sem medo. Contra a boiada do agronegócio, da mineração e da indústria de alimentos, o Intercept há cinco anos faz jornalismo sem receber 1 centavo desses setores. Ao mesmo tempo, como somos financiados coletivamente, garantimos que tudo que produzimos permaneça gratuito, com livre acesso. Ou seja: ao apoiar o TIB, você garante que mais investigações sejam feitas com liberdade e coragem e que muito mais pessoas possam ler os resultados desse trabalho.
O jornalismo não existe para esconder conchavos, nem se beneficiar deles. Muito pelo contrário. Ele existe para revelar aquilo que o agro tanto deseja esconder.
Nós queremos continuar expondo o golpe, a exploração, a violência que o agronegócio representa para esse país.