5.09.2009

Venda de produtos irregulares em farmácias

Anvisa denuncia venda de produtos irregulares em farmácias
Agrotóxico, ração animal, bebidas alcoólicas, cigarros e charutos, lâmpada e filme fotográfico.
Esses são alguns dos produtos à venda em algumas farmácias e drogarias do país, segundo denunciou o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Dirceu Raposo de Mello, nesta quarta-feira (6), em audiência pública da Comissão de Assuntos Sociais (CAS).
O debate girou em torno de eventual resolução a ser editada pela Anvisa, submetida à Consulta Pública nº 69/07, para regulamentar a oferta de produtos e serviços nesses estabelecimentos.

- Esse é o ponto a que o mercado farmacêutico chegou. O objetivo da resolução é melhorar o atendimento à população da perspectiva da saúde, e não do comércio. A resolução proíbe o que não tem que ter em farmácia, e de fato não tem na maioria dos países - comentou.

De acordo com Dirceu Raposo, as farmácias e drogarias que não vendem esses tipos de produtos não precisam se preocupar com a resolução, que daria um prazo de seis meses para os estabelecimentos se adequarem às mudanças. A nova norma libera a comercialização de quase três mil produtos e envolveu na consulta pública, durante quase três anos, mais de cinco mil pessoas.

Outra voz em defesa da resolução foi a do professor Arnaldo Zubioli, representante do Conselho Federal de Farmácia (CFF), para quem o objetivo da norma é fortalecer o controle sanitário do estabelecimento farmacêutico. Ao apontar a desatualização da legislação em vigor - a Lei nº 5.991, de 1973, trata do controle sanitário do comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos -, Arnaldo Zubioli argumentou pela necessidade de a Anvisa procurar modernizar essa norma por meio de resolução.

- É preciso apoiar algo para regular a matéria, já que o Legislativo ainda não alterou a lei em vigor - comentou.

Modificações na Lei nº 5.991/73 estão propostas em projeto de lei do Senado (PLS 41/93) já aprovado pela Casa e alvo de substitutivo do deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) na Câmara, onde tramita como PL 4385/94. Representantes do comércio farmacêutico presentes à audiência pública defenderam a validade da lei em revisão no Congresso e contestaram a legitimidade da Anvisa para editar uma norma restringindo a venda de produtos em farmácias e drogarias. A categoria só admite mudanças no setor discutidas e votadas pelo Legislativo.

O presidente da Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico (ABCFARMA), Pedro Zidoi, propôs a formação de um grupo de trabalho com representantes da Anvisa, do Legislativo e do setor regulado para aperfeiçoar o texto dessa resolução. O advogado da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) Cácito Augusto Esteves está convencido de que essa resolução não tem amparo legal, cogitando contestar sua constitucionalidade junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Representante das 25 maiores redes de drogarias do país, que respondem por 32% do mercado e realizam mais de 300 milhões de atendimentos por ano, o presidente da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), Sérgio Mena Barreto, acredita que esses estabelecimentos não podem ser vistos apenas como uma unidade de saúde. Ao diversificarem seus produtos, os estabelecimentos estariam atendendo a novas necessidades da população e, ao atuarem como correspondente bancário, possibilitando o pagamento de contas e de benefícios da Previdência Social, estaria exercendo uma função econômica importante para a comunidade.

A presidente da CAS, senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), leu correspondência enviada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) justificando sua ausência no debate. Para a entidade, as farmácias são estabelecimentos de saúde e, dessa forma, deve-se impedir a "banalização" do comércio de medicamentos e sua transformação em quase "supermercados".

Grupo de trabalho

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), autor do requerimento na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) para realização da audiência pública, propôs que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) promova uma reunião com os representantes do setor para criação de um grupo de trabalho que elabore uma lista de produtos não-farmacêuticos e não-medicamentosos que possam ser comercializados pelas farmácias e drogarias brasileiras.
Outra sugestão do senador, essa de solução a médio prazo, seria a Anvisa encaminhar proposta, via Presidência da República, para ser analisada pelo Congresso Nacional, em regime de urgência.

Propósito da resolução

O presidente da Anvisa contestou as acusações de que a agência estaria regulamentando a venda de produtos farmacêuticos "ao arrepio da lei", alegando que antes de propor a consulta pública sobre a resolução pediu à Advocacia Geral da União (AGU) que se pronunciasse sobre sua legalidade. Manifestou ainda preocupação com a manifestação feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) de que drogas e insumos farmacêuticos possam ser comercializados em supermercados e similares.

Favorável ao livre comércio

Ao comentar o tema, o senador Adelmir Santana (DEM-DF) afirmou que sua posição sobre a livre venda de drogas e insumos farmacêuticos em farmácias e drogarias já é conhecida, por ser ele um empresário do ramo.

- O parlamento tem forças e lados e [o projeto em tramitação na Câmara] ainda não se transformou em lei. Não foram modificados os arcabouços jurídicos que regulam esse assunto e uma resolução não pode sobrepor-se a uma lei.
Uma agência não pode legislar - argumentou Adelmir Santana.

Fonte:Agência Senado.

Biblioteca de Medicamentos

Superbiblioteca de medicamentos ajuda a criar novas drogas a partir de antigas
Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins guardam 3.000 princípios.
Vantagem é uso de remédios já aprovados e sem royalties sobre eles.

Mantidos numa fila de refrigeradores brancos, num laboratório da Escola de Medicina da Johns Hopkins University, em Baltimore, estão mais de 3.000 – de um total estimado de 10.000 – medicamentos conhecidos da medicina. Não há uma placa na porta para indicar que esta talvez seja a maior biblioteca de medicamentos disponível a pesquisadores interessados em descobrir novos usos para remédios antigos e muitas vezes esquecidos.

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Até hoje, pesquisadores já utilizaram a biblioteca para descobrir que o itraconazol, remédio usado durante décadas para tratar fungos na unha do pé, pode também inibir o crescimento de alguns tipos de tumores e evitar a degeneração macular. Outro medicamento, a clofazimina, usado há mais de um século para tratar lepra, pode ser eficiente contra doenças autoimunes como esclerose múltipla e psoríase.

“Leva 15 anos e custa quase um bilhão de dólares para se desenvolver um novo medicamento”, disse Jun O. Liu, professor de farmacologia e diretor da Biblioteca de Medicamentos Johns Hopkins. “Por que não começar com compostos que já possuem segurança e eficácia comprovadas?”

Ele e seus colegas constroem a coleção desde 2002 e esperam completá-la até 2011. Os pesquisadores adquirem os medicamentos através de doações, compras e algumas vezes por síntese em laboratório. Eles enviarão aos pesquisadores um conjunto completo – quantidades minúsculas de cada medicamento na biblioteca – por US$ 5.000, o que cobre os custos de envio e renovação.

Sem patente
Como os remédios contra lepra e fungo na unha do pé são aprovados nos Estados Unidos e não possuem proteção de patente, experimentos clínicos para testar seus novos usos estão sendo realizados ou perto de obter a aprovação regulatória, disse Liu. Remédios ainda sob proteção de patente são mais complicados; detentores de patente raramente permitem pesquisas independentes sobre usos alternativos. “As empresas de medicamentos não têm estado muito entusiasmadas em nos ajudar”, disse Liu.

Existem outras bibliotecas de medicamentos, comerciais e não-comerciais. Fornecedores comerciais, dos Estados Unidos e de outros países, oferecem consideravelmente menos remédios que a Johns Hopkins (embora detenham remédios que não existem lá), e cobram muito mais. Bibliotecas não-comerciais incluem a do Instituto Nacional de Saúde dos EUA; a da Universidade da Califórnia, em São Francisco; e a da Universidade McMaster, em Hamilton, Ontário. Mas elas geralmente não enviam remédios a pesquisadores não-afiliados.

Independente da fonte, pesquisadores geralmente solicitam cópias de coleções completas, ao invés de medicamentos individuais que eles acreditem funcionar em seus experimentos. “Encontramos medicamentos que são ativos de maneira que ninguém jamais teria suposto”, disse Marc G. Caron, professor de biologia celular na Universidade Duke que está usando a biblioteca da Johns Hopkins para encontrar remédios capazes de acalmar a síndrome de abstinência em usuários de drogas.

Os testes desses compostos se tornaram muito mais simples nos últimos anos. Isso é possível através do uso de uma tecnologia automatizada conhecida como HTS – do Inglês high-throughput screening. Os medicamentos são dissolvidos numa solução e armazenados em pratos retangulares, compartimentados, que lembram fôrmas de gelo; eles podem então ser entregues a pesquisadores para testes sobre sua eficácia contra várias doenças e mecanismos de doenças, como as inflamações.

Conta-gotas computadorizados, agitadores de pratos e leitores de imagens microscópicas atualmente conseguem em dias o que antes levava anos para os cientistas. Embora o HTS já esteja em uso há pelo menos uma década, foi apenas nos últimos cinco anos que a tecnologia se tornou amplamente disponível. Anteriormente, somente grandes companhias farmacêuticas podiam pagar os testes de milhares de componentes; hoje, mais instituições públicas e acadêmicas estão fazendo isso. Sua ênfase tende a ser mais em redescobrir ou alterar a estrutura química de velhos medicamentos do que desenvolver novos compostos.

“A instrumentação para fazer testes sofisticados, e em larga escala, de medicamentos se tornou significativamente melhor e mais barata”, disse Michelle Arkin, diretora-associada do Small Molecule Discovery Center da Universidade da Califórnia, São Francisco. Algumas instituições, como a McMaster, em Ontário, e a Rockefeller University, em Nova York, permitem que pesquisadores externos utilizem suas estruturas de HTS por valores entre 10 mil e 20 mil dólares, dependendo da complexidade do projeto.


Menos taxistas
“Não permitimos que entrem motoristas de táxi direto da rua, mas somos bastante abertos”, disse Eric Brown, professor e presidente de bioquímica da McMaster, que junto a outro professor, Gerry Wright, inspeciona a biblioteca de medicamentos local. (Ela é conhecida por lá como Gerry and Eric's Excellent Screening Collection, ou GEEC, um trocadilho em Inglês para a palavra que designa aqueles mais obcecados por tecnologia e estudos.)

O acesso a tais aparatos aumentou a demanda pela análise de compostos, particularmente pelos medicamentos já aprovados e fora de patente. A Johns Hopkins e fornecedores comerciais relatam uma explosão de pedidos nos últimos dois anos – não só por haver mais laboratórios de HTS, dizem eles, mas também graças a esforços mundiais na busca por tratamentos mais baratos contra os males do mundo em desenvolvimento, como a malária e a tuberculose.

“Remédios antigos representam a fruta pendurada mais baixo, em termos de tratamentos seguros e baratos para essas doenças”, disse Carl Nathan, presidente de microbiologia da Escola de Medicina Weill Cornell, em Nova York. Nathan recebe pratos de medicamentos da Johns Hopkins e de fornecedores comerciais. Ele também realiza o HTS na Rockefeller, onde possui uma parceria com a Weill.

Globo.com

5.08.2009

Antioxidante

Os antioxidantes são todos aqueles elementos que têm como função eliminar ou diminuir do organismo os radicais livres.

Para evitar a aparição dos radicais livres é necessário evitar os elementos externos que aumentam o número de radicais livres. Entre estes fatores temos os seguintes:

- Ingestão de tóxicos (drogas, tabaco, álcool, etc.), produtos químicos (detergentes, inseticidas, herbicidas, conservantes e corantes dos alimentos).

- Poluentes ambientais (fábricas, fumaça dos carros).

- Stress Uma situação de angústia pessoal rebaixa as defesas de nosso organismo, favorecendo o aumento de radicais livres e inibindo aquelas enzimas que poderiam neutralizá-los.

- Alimentação animal Certos alimentos de origem animal, especialmente aqueles muito ricos em gorduras monoinsaturadas, provocam a aparição dos radicais livres. Uma boa maneira de evitá-los é preferir pescados ou carnes magras, todos eles, muito ricos em aminoácidos antioxidantes, como a cisteína, ou em minerais úteis no mesmo sentido como o selênio ou o cobre.

Também se obtêm benefícios ao se trocar os hábitos alimentares adotando uma alimentação que inclua produtos vegetais, que neutralizem os efeitos dos radicais livres. Entre eles aparecem as frutas, verduras ou hortaliças com valor antioxidante.

- Betacaroteno : O betacaroteno é um carotenóide. Trata-se de um pigmento vegetal que, uma vez ingerido, transforma-se no fígado e no intestino delgado em vitamina A. Além disso, como se transforma em vitamina A, resulta uma maneira adequada de beneficiar-se das propriedades desta vitamina, sem o perigo de intoxicação que pode acontecer numa ingestão exagerada da mesma como pode suceder com o uso de vitaminas em cápsulas.

Um excesso de betacaroteno leva a um estado de hipercarotenodermia, que se caracteriza por uma coloração amarelada da pele, que desaparece sem seqüelas quando se deixa de ingerir mantimentos ricos em betacarotenos. Entre estes temos a cenoura, o espinafre, o agrião, o aspargo, a abóbora, o tomate, etc.

- Vitamina C além de suas propriedades antioxidantes é igualmente importante para a absorção do ferro, do cálcio ou de outros aminoácidos. De igual maneira ajuda na recuperação das feridas. Sua deficiência provoca uma debilidade geral no organismo, manifestada em sintomas como cabelo frágil, gengivas que sangram e feridas que não cicatrizam além de perda do apetite, etc.

São ricos nesta vitamina a acerola, o pimentão, os cítricos (laranja, limão, tangerina, etc). Não é recomendável sua ingestão em cápsulas, pois em excesso no fígado pode ajudar a aumentar os níveis de ferro aumentando os radicais livres.

- Licopeno É um componente identificado pela coloração vermelha, como nos tomates. Com propriedades similares aos betacarotenos das cenouras, que tem propriedades anticancerígenas. Aparece nos tomates frescos, mas especialmente nos cozidos, que facilita a absorção pelo organismo.

- Glutatión Outro componente com propriedades antioxidantes, que ajuda a eliminar os radicais livres. Este elemento aparece com maior quantidade no brócolis, que deveremos comer cru em forma de saladas.

É um elemento adequado na eliminação das toxinas do corpo, especialmente dos metais pesados, que produzem deterioração do organismo por acumulação dos mesmos. Outros alimentos ricos neste componente são o alho, a batata, a espinafre e o milho. Também e necessário ressaltar sua capacidade para rebaixar a pressão arterial e favorecer o bom estado de nosso fígado.

- A Vitamina E: Protege as membranas celulares da oxidação com a proteção de seus ácidos gordurosos. Uma falta desta vitamina pode originar mudanças degenerativas nas células de alguns tecidos como as dos músculos e o coração.

As verduras e hortaliças de cor verde, assim como os vegetais ricos em óleos, são os que possuem mais quantidade desta vitamina. Nas ervilhas, nozes, germe de trigo, aspargos, alface e sementes de girassol o conteúdo é bem mais alto. Se ingerida em cápsulas a dose não pode ser superior às 400 UI por dia, por um tempo máximo de três meses.

- Flavonóides São compostos polifenólicos que aparecem em frutas e verduras e em algumas bebidas, como a cerveja ou o vinho. Entre estes compostos o mais importante é a quercitina que aparece em muitos alimentos vegetais como o alho, a cebola, a maça, a pêra, a uva e o espinafre, a soja,o chá verde.

Os flavonóides são potentes antioxidantes, além de intervir em uma série de processos benéficos para o organismo como potencializar a memória, potencializar a atividade antioxidante da vitamina C, evitar a formação de coágulos no sangue, potencializar a sexualidade masculina e o sistema imunológico.

- Cobre Potencializa o sistema imunológico. Intervém na formação da hemoglobina do sangue. Uma boa fonte deste mineral é encontrada nos frutos secos como as avelãs e nozes, nos legumes, ou na soja.

- Zinco Além de suas propriedades antioxidantes, intervém na maturação dos órgãos.

Gripe suína: Brasil tem quatro casos confirmados da doença. Um no Rio de Janeiro



O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, confirmou nesta quinta-feira quatro casos de gripe suína - chamada oficialmente de influenza A (H1N1) - no Brasil. São um no Rio de Janeiro, dois em São Paulo e um em Minas Gerais. Todos os pacientes contraíram o vírus no exterior - três vieram do México e um dos Estados Unidos - e passam bem. Outros 15 pacientes fizeram exames e o diagnóstico deve sair nesta sexta-feira.

Você acha que o Brasil está preparado para enfrentar a gripe suína?
O caso do Rio de Janeiro, classificado por Temporão de "número 4", é de um rapaz de 21 anos que desembarcou na cidade no último sábado, dia 2, de um voo vindo de Cancún, com escala na Cidade do México. O paciente é o único internado e está no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), do Fundão, desde a última terça-feira. Ele começou a passar mal no domingo, com sintomas de gripe.

Antes mesmo de sair o laudo do exame feito no Rio com os kits de diagnóstico rápido recebidos hoje pelo Ministério da Saúde, o diagnóstico já era esperado. Segundo uma fonte da área de saúde, o paciente foi submetido a um exame para detectar influenza, que tem as variações A e B. Como o teste descartou o tipo B, o paciente foi testado, com os recursos então disponíveis, para os diversos subtipos da influenza A. Todos deram negativo, menos o da gripe suína. (Mapa mostra a evolução da doença) .

O caso do Rio é o de um jovem morador da Ilha do Governador. Quando voltou de Cancún, não sentia nada e assistiu, na casa de amigos, ao jogo do Flamengo, no domingo. Na quinta-feira, o jovem já estava sem febre, mas continuava isolado até da família.

- Ele estava com febre baixa, mas, como sabíamos da doença, resolvemos procurar o hospital. Ele agora está bem melhor e tranquilo - contou a mãe do paciente ao GLOBO, pedindo que os nomes não fossem divulgados.

O paciente ficará internado por até dez dias, tempo que dura o ciclo do vírus. Ele está num quarto com sistema de ventilação próprio e pressão negativa. O maior problema é que o paciente, até ser internado, pode ter contaminado outras pessoas. Na véspera de ir ao hospital, ele esteve numa festa. Uma pessoa que teria tido contato com ele está sendo monitorada.

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O vírus chegou ao Brasil, mas não circula
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Em entrevista coletiva para anunciar a confirmação dos casos, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que não há motivo para mudar a estratégia de combate à doença.

- O vírus chegou ao Brasil, mas não circula. Não há evidência, por enquanto, de que tenha contaminado outras pessoas - disse Temporão.

O ministro informou ainda que todos os contaminados são adultos jovens:

- Não há nenhuma criança ou idoso portando o vírus no Brasil.

O caso classificado por Temporão como 1 é de um morador de São Paulo que esteve de 17 a 22 de abril no México. Ele começou a sentir os sintomas no dia 24 de abril e ficou internado até 4 de maio.

O caso 2 é de um paciente de Minas Gerais que desembarcou do México no dia 26 de abril. No dia 29 de abril, ele teve alta e permaneceu em isolamento domiciliar.

O terceiro caso, também de São Paulo, chegou ao Brasil no dia 28 de abril, vindo da Flórida. No dia 29, ele começou a apresentar sintomas, mas não foi internado porque aquele estado americano ainda não era considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como área afetada pela doença. Depois que a Flórida foi considerada área de risco, o paciente foi mantido em isolamento domiciliar.

Os dois pacientes infectados com o vírus da gripe suína em São Paulo já estão em casa. Segundo a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, eles estão curados e não há mais perigo de transmissão da doença. A secretaria garante que nenhuma pessoa que teve contato com os dois foram infectadas.

Nesta quinta-feira, o Ministério da Saúde recebeu, do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), dos Estados Unidos, os primeiros kits para diagnóstico rápido da gripe suína . Eles já estão sendo utilizados nos pacientes com suspeita da doença. Noventa e três casos monitorados já foram descartados.

Os kits de diagnóstico rápido foram encaminhados à Fiocruz, no Rio, e ao Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, que farão os testes. (OMS recomenda cautela no consumo de carne de porco) .

Até hoje, a gripe suína (influenza A) afetou 24 países, com 2.371 casos confirmados e 44 mortes, sendo 42 no México e duas nos Estados Unidos, de acordo com os números da OMS. Os casos do Brasil ainda não foram computados pela organização.

O Globo

5.07.2009

HEPATITES: Como Conviver?


Como Conviver com as hepatites?

Quando um dos elementos da família tem hepatite A ou E, os membros da família devem ter cuidados de higiene redobrados: não partilhar loiça e talheres com o doente, desinfectar os sanitários com lixívia e lavar sempre as mãos depois de contactar com a pessoa infectada ou com os seus objectos. Nos casos de hepatite B aguda, raramente é necessário tomar qualquer medida em relação ao agregado familiar.

Nos casos de hepatite B crónica, o parceiro sexual deve ser vacinado e se o portador for uma criança os irmãos devem fazer a vacina. O mesmo acontece para a hepatite D. Estando toda a família vacinada, não é necessário tomar outras precauções.

Em relação às hepatites C e G, a prevenção passa por não partilhar objectos que estiveram em contacto com o sangue do doente. Na hepatite auto-imune não são necessárias quaisquer precauções no convívio com os doentes pois trata-se de uma doença não transmissível.

HEPATITE AO que é a Hepatite A

Infecção provocada pelo vírus da Hepatite A (VHA) que entra no organismo através do aparelho digestivo e multiplica-se no fígado, causando neste órgão a inflamação denominada hepatite A. A descoberta do vírus ocorreu em 1975, todavia, na Antiguidade, já se registavam surtos da doença, na altura chamada «icterícia infecciosa», e eram frequentes as epidemias em períodos de guerra e de cataclismos.

A hepatite A transmite-se de pessoa para pessoa quando os alimentos ou a água estão contaminados por dejectos contendo o vírus, daí que seja mais frequente em países menos desenvolvidos, devido à precariedade do saneamento básico, e incida, principalmente, em crianças e adolescentes (50 por cento dos casos acontece antes dos 30 anos).

Nos países ocidentais, com a melhoria das condições de higiene, somos expostos cada vez mais tarde a esta doença considerada aguda, mas que se cura rapidamente na maioria dos casos (ao fim de cerca de três semanas) sem necessitar de internamento hospitalar ou de um tratamento específico e sem deixar vestígios: após a cura, o vírus desaparece do organismo e surgem anticorpos protectores que impedem uma nova infecção, por isso, não existem portadores crónicos.

Raramente esta doença é fatal, embora em adultos afectados por uma doença hepática crónica - originada por outro vírus ou pelo consumo excessivo de álcool - a infecção pelo VHA possa provocar a falência hepática, conhecida por hepatite fulminante; de outro modo, o risco é muito baixo, da ordem de um para mil ou mesmo para dez mil.

O Vírus (Hepatite A)
A sua denominação é VHA - Vírus da Hepatite A - tem uma dimensão de 27 nm, é da família dos picornavírus, tal como o vírus da poliomielite.

O seu genoma é constituído por ARN, positivo e monocatenário. Encontra-se por todo o mundo, especialmente em lugares onde as condições de higiene são escassas. Espalha-se através do contacto directo ou indirecto com material fecal e encontra-se nas fezes da pessoa infectada (foi por essa via que acabou por ser identificado, pela primeira vez, em 1975) duas a três semanas antes de os sintomas se declararem e durante os primeiros oito dias em que a doença permanece activa.

Este vírus é muito infeccioso e é a causa mais frequente de hepatite aguda (mais de 50 por cento dos casos), apesar da sua presença no sangue ser diminuta e de curta duração. Uma pessoa que não tenha anticorpos, adquiridos quando teve a hepatite A ou através da vacina, pode ser infectada e transmitir a doença a outros, mas o risco é pequeno no contacto ocasional.

O chamado período de incubação, que é maior nas crianças do que nos adultos, dura entre 20 a 40 dias, espaço de tempo em que não se revelam quaisquer sintomas. A infecção pode durar seis meses, mas a maioria dos doentes recupera ao fim de três semanas.

HEPATITE B O que é a Hepatite B

A hepatite B, provocada pelo Vírus da Hepatite B (VHB), descoberto em 1965, é a mais perigosa das hepatites e uma das doenças mais frequentes do mundo, estimando-se que existam 350 milhões de portadores crónicos do vírus. Estes portadores podem desenvolver doenças hepáticas graves, como a cirrose e o cancro no fígado, patologias responsáveis pela morte de um milhão de pessoas por ano em todo o planeta; contudo a prevenção contra este vírus está ao nosso alcance através da vacina da hepatite B que tem uma eficácia de 95 por cento.

O vírus transmite-se através do contacto com o sangue e fluidos corporais de uma pessoa infectada, da mesma forma que o vírus da imunodeficiência humana (VIH), que provoca a Sida, só que o vírus da hepatite B é 50 a 100 vezes mais infeccioso do que o VIH.

Existe também a possibilidade de transmissão de mãe para filho, no momento do nascimento, uma forma de contágio especialmente grave, dada a grande tendência de evolução para a cronicidade e que é muito comum nas zonas hiperendémicas de países em desenvolvimento, onde a maior parte dos infectados contrai o vírus durante a infância. Nos países industrializados, esta faixa etária é a que se encontra mais «protegida» já que a vacina contra a hepatite B faz parte do programa nacional de vacinação de 116 países, Portugal incluído. No mundo ocidental, Europa e América do Norte, o vírus é transmitido, sobretudo, aos jovens adultos por via sexual e através da partilha de seringas e outro material de injecção entre os utilizadores de drogas endovenosas.

O vírus provoca hepatite aguda num terço dos atingidos, e um em cada mil infectados pode ser vítima de hepatite fulminante. Em menos de dez por cento dos casos em que a infecção ocorre na idade adulta, a doença torna-se crónica, verificando-se esta situação mais frequentemente nos homens. Em Portugal, calcula-se que existam 150 mil portadores crónicos do VHB .

O Vírus (Hepatite B)
O Vírus da Hepatite B (VHB), da família dos hepadnavírus, é composto por ácido desoxirribonucleico sendo o único vírus de hepatite a possuir ADN como material genético e tem um diâmetro de 42 nm.

A infecção pelo VHB tem um período de incubação longo, entre as seis semanas e os seis meses, e é mais prevalente na Ásia, Pacífico e África inter tropical, onde se calcula que entre cinco e 20 por cento das pessoas sejam portadoras crónicas. O vírus tem menor incidência no mundo desenvolvido, Estados Unidos da América e Europa Ocidental, mas regista-se um elevado número de casos na Europa Central e Oriental.

Hepatite C O que é a Hepatite C

A epidemia silenciosaO vírus da hepatite C foi descoberto em 1989 graças às técnicas de biologia molecular. Como este vírus nunca foi conclusivamente observado ao microscópio electrónico, o conhecimento da sua existência baseia-se na clonagem do seu material genético.

Antes da descoberta do vírus da hepatite C, falava-se de um tipo de hepatite infecciosa então designada por hepatite "não-A, não-B". Os indivíduos com esta doença tinham evidência clínica ou laboratorial de hepatite sem evidência de infecção pelos vírus das hepatites A ou B.

Os estudos realizados em doentes com hepatite "não-A, não-B" permitiram estabelecer uma associação entre a doença e uma história recente de transfusão sanguínea ou de toxicodependência. Em 1989 os cientistas identificaram o vírus da hepatite C como sendo o agente infeccioso responsável por mais de 95% dos casos dessa hepatite "não A não B".

O vírus da hepatite C é um vírus que se encontra no sangue e se transmite essencialmente através do sangue contaminado. Depois de entrar no organismo humano viaja no sangue até ao fígado, local onde desencadeia um processo inflamatório inicial a que se chama hepatite aguda e, muito frequentemente, esta inflamação perpetua-se evoluindo para a forma de hepatite crónica.

A infecção aguda pelo vírus da hepatite C habitualmente não origina sintomas e, por essa razão, raramente é diagnosticada. A maior parte das pessoas com infecção crónica não se recorda de nenhum episódio agudo de icterícia ou de doença hepática. Algumas pessoas desenvolvem sintomas inespecíficos na altura da infecção mas não os associam à doença hepática. Tal como foi referido acima, a infecção evolui para a forma crónica numa grande percentagem de casos. Embora a infecção aguda, que acontece quando o vírus entra no organismo, não seja, geralmente, acompanhada de doença clinicamente evidente, existe uma elevada probabilidade de que este agente permaneça e se replique no fígado conduzindo a uma lesão progressiva deste órgão que poderá, nalguns casos, levar à situação de cirrose.


É uma inflamação do fígado provocada por um vírus, que quando crónica, pode conduzir à cirrose, insuficiência hepática e cancro. Durante vários anos foi conhecida sob a designação de hepatite não-A e não-B, até ser identificado, em 1989, o agente infeccioso que a provoca e se transmite, sobretudo, por via sanguínea. É conhecida como a epidemia «silenciosa» pela forma como tem aumentado o número de indivíduos com infecção crónica em todo o mundo e pelo facto de os infectados poderem não apresentar qualquer sintoma, durante dez ou 20 anos, e sentir-se de perfeita saúde.

Calcula-se que existam 170 milhões de portadores crónicos (cerca de três por cento da população mundial), dos quais nove milhões são europeus, o que faz com que o VHC seja um vírus muito mais comum que o VIH, responsável pela SIDA. Segundo a Organização Mundial de Saúde, é possível que surjam todos os anos três a quatro milhões de novos casos no planeta. A prevalência do vírus difere de acordo com a região geográfica; enquanto na Europa e na América do Norte os índices de contaminação rondam os dois por cento, em África, no Sudeste Asiático, no Pacífico Ocidental e no Leste do Mediterrâneo as taxas de prevalência são superiores.

No mundo ocidental, os toxicodependentes de drogas injectáveis e inaláveis e as pessoas que foram sujeitas a transfusões de sangue e derivados e/ou a cirurgias antes de 1992, são os principais atingidos. Com a descoberta do vírus da imunodeficiência humana – responsável pela SIDA, na década de 80 do século passado, foram adoptadas novas medidas de prevenção e hoje, a possibilidade de contágio com o VHC, numa transfusão de sangue ou durante uma intervenção cirúrgica nos hospitais, é praticamente nula. Esta segurança não está ainda garantida em alguns centros médicos e hospitalares dos países em desenvolvimento.

Em Portugal, a hepatite C crónica é já uma das principais causas de cirrose e de carcinoma hepatocelular estimando-se que existam 150 mil infectados embora a grande maioria não esteja diagnosticada. De acordo com um estudo do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, Portugal é um dos países europeus a apresentar as mais elevadas taxas de contaminação deste vírus, que atinge 60 a 80 por cento dos toxicodependentes.

Cerca de 20 a 30 por cento dos indivíduos infectados com o VHC recuperam espontaneamente após a infecção aguda pelo VHC, mas os restantes 70 a 80 por cento evoluem para a hepatite crónica e, muitas vezes, sem que se apercebam. Em 20 por cento dos doentes, a hepatite C crónica pode conduzir à cirrose e/ou ao cancro no fígado. Os especialistas ainda não chegaram a uma conclusão sobre as razões que levam alguns doentes a desenvolver uma cirrose em poucos anos, enquanto outros podem levar décadas. Entre as possíveis explicações está a idade em que a pessoa foi contaminada (quanto mais tarde, mais grave pode ser a evolução da infecção), as diferenças hormonais (é mais comum no sexo masculino) e o consumo de álcool (que estimula a multiplicação do vírus e diminui as defesas imunitárias).

Este tipo de hepatite só excepcionalmente se apresenta como hepatite fulminante.

O Vírus (Hepatite C)
O VHC pertence à família dos flaviviridae e o seu genoma é constituído por ARN. Encontra-se no indivíduo doente e tem um período de incubação que oscila entre os 40 e os 70 dias. Tal como o vírus da SIDA é capaz de se modificar e de se camuflar, o que dificulta uma resposta adequada do sistema imunitário.

Até agora foram identificados seis genótipos diferentes do VHC que, por sua vez, se dividem em subtipos. Os genótipos, ou estirpes, são identificados com os números de um a seis e os subtipos com letras.

O tipo de vírus mais frequente em Portugal é o 1b, responsável por cerca de metade das hepatites C e o que mais afecta as pessoas que foram contaminadas através de uma transfusão sanguínea. O genótipo 3a é comum nos toxicodependentes intravenosos que são normalmente doentes mais jovens e que adquiriram a infecção há menos tempo. Nos últimos 3-5 anos temos assistido a um aumento da frequência do genótipo 4 em Portugal e, nalgumas zonas atinge já os 10-12%. Os genótipos 5 e 6 são raros, encontrando-se mais frequentemente em África e na Ásia. Segundo alguns especialistas, é possível que numa mesma pessoa possam coexistir dois tipos diferentes do VHC. Estas diferenças nas populações de vírus dificultam a elaboração de uma vacina.

Hepatite D O que é a Hepatite D

A hepatite D foi conhecida em 1977, ano em que foi descoberto o vírus que a provoca, o VHD ou vírus Delta como também é designado. A hepatite D só se manifesta em conjunto com a hepatite B, isto é, surge por co-infecção ou por superinfecção. Em Portugal é rara e, embora não tenhamos estatísticas específicas, supõe-se que existam cerca de 15 mil portadores crónicos no país.

A doença terá chegado à Europa Ocidental com viajantes toxicodependentes, uma parte da população sempre exposta ao risco deste tipo de infecções, mas encontra-se, sobretudo, na zona do Mediterrâneo, no Médio Oriente, na Ásia Central, na África Ocidental, na América do Sul e em algumas ilhas do sul do Pacífico. No sudeste asiático, permanece em Taiwan, na China e na Índia. Também se registaram casos, muitas vezes mortais, entre a população indígena da Venezuela, Colômbia, Brasil e Peru.

Provoca, por vezes, epidemias de que são exemplo as verificadas em Nápoles, no ano de 1977 e entre os índios Yupca da Venezuela em 1981.

O problema é que uma pessoa nunca sofre apenas de hepatite D: ou é infectada em simultâneo com o VHD e o VHB ou só contrai esta doença quando já tem hepatite B. No caso de uma co-infecção, a hepatite D aguda pode ser severa, ou mesmo fulminante, no entanto, raramente evolui para uma forma crónica ao contrário do que sucede com a superinfecção que provoca hepatite crónica em 80 por cento dos casos, dos quais 40 por cento evoluem para cirrose.

O Vírus (Hepatite D)

O VHD ou Delta é o agente infeccioso da chamada hepatite D, tem 35 nm, pertence à família dos Viróides e o seu genoma é constituído por ácido ribonucleico (ARN) circular, de uma só cadeia. É único no seu género em patologia humana e não se consegue multiplicar senão na presença do vírus da hepatite B.

O período de incubação dura entre 15 a 45 dias e a sua presença no sangue é prolongada, podendo mesmo permanecer para sempre no organismo, o que pode originar formas mais graves de doença hepática.

Encontra-se, com maior incidência, na bacia do Mediterrâneo, no Médio Oriente, na Ásia Central, na África Ocidental, na bacia do Amazonas, na América do Sul, e em algumas ilhas do Pacífico Sul.

Hepatite E O que é a Hepatite E

A hepatite E resulta da infecção pelo vírus da hepatite E (VHE), é transmitida de pessoa a pessoa, através da água e de alimentos contaminados com matéria fecal, e já foi responsável por grandes epidemias no centro e sudeste da Ásia, no norte e oeste de África e na América Central. No mundo industrializado, o vírus quase não existe, como é o caso de Portugal, onde a doença escasseia e apenas se manifesta em indivíduos que tenham estado em regiões tropicais endémicas.

Como doença humana específica só foi identificada em 1980, quando se realizavam testes para detecção de anticorpos da hepatite A, na Índia, durante o estudo de uma hepatite epidémica transmitida através das águas, mas cujo agente infeccioso não era o VHA. Na altura, foi considerada uma doença hepática virulenta sem qualquer outra classificação e só em 1988, com a descoberta do vírus, passou a designar-se hepatite E. A gravidade da infecção pelo VHE é maior que a provocada pelo vírus da hepatite A, mas a recuperação ocorre ao fim de pouco tempo.

A doença pode ser fulminante, a taxa de mortalidade oscila entre os 0,5 a quatro por cento, e os casos ocorridos durante a gravidez são bastante mais graves, podendo atingir taxas de mortalidade na ordem dos 20 por cento se o vírus for contraído durante o terceiro trimestre. Existem também registos de partos prematuros, com taxas de mortalidade infantil que atingem os 33 por cento. Nas crianças, a co-infecção com os vírus A e E pode resultar numa doença grave, incluindo a falência hepática aguda.

Alguns especialistas referem a possibilidade de existir transmissão entre animais e homens, já que vários macacos, porcos, vacas, ovelhas, cabras e roedores são susceptíveis à infecção com o vírus da hepatite E.

Uma leitura das estatísticas indica que a doença tem uma maior taxa de incidência entre os adultos dos 15 aos 40 anos mas, segundo a Organização Mundial de Saúde, a baixa taxa registada entre as crianças pode dever-se ao facto de a hepatite E, normalmente não provocar quaisquer sintomas nos mais novos.

O Vírus Hepatite E
O VHE é composto inteiramente por ácido ribonucleico (ARN) e proteína vírica e tem um diâmetro de 27 a 34 nm. Descoberto em 1988, foi primeiro classificado na família dos calicivírus mas, actualmente, existem dúvidas sobre a sua classificação.

O período de incubação oscila entre os 15 e os 64 dias (três a oito semanas, 40 dias em média) e a transmissão do vírus ocorre desde a segunda metade do período de incubação, até sete dias após o início da icterícia.

O VHE é mais comum em locais com climas quentes do que temperados e, devido à sua forma de propagação, o maior de infecção encontra-se nos países em desenvolvimento com sistemas de saneamento básico precários. Além da Índia, onde foi descoberto, já foi detectado no médio e extremo Orientes, no norte e oeste de África, nas repúblicas centrais da ex-União Soviética, na China e também na América Central.

As epidemias de hepatite ocorridas na Europa, antes do século XX e que até há pouco tempo se supunha serem de vírus da hepatite A, têm, na verdade, as características epidemológicas da hepatite E. Os especialistas avançam com a hipótese de o VHE ter desaparecido dos países industrializados num passado recente, tal como o vírus da hepatite A está hoje a perder importância nestes mesmos países.

O vírus encontra-se no humano doente mas, também, em macacos, porcos, vacas, cabras, ovelhas e roedores (pelo menos naqueles que habitam nas regiões endémicas).

Hepatite G O que é a Hepatite G

A hepatite G foi a hepatite descoberta mais recentemente (em 1995) e é provocada pelo vírus VHG que se estima ser responsável por 0,3 por cento de todas as hepatites víricas. Desconhecem-se, ainda, todas as formas de contágio possíveis, mas sabe-se que a doença é transmitida, sobretudo, pelo contacto sanguíneo.

Em análises feitas nos Estados Unidos da América aos dadores de sangue demonstrou-se que cerca de dois por cento já teve contacto com o vírus. Supõe-se que o VHG se encontre em 20 a 30 por cento dos utilizadores de drogas injectáveis e em dez por cento das pessoas que foram sujeitas a uma transfusão de sangue. Em cerca de 20 por cento dos doentes com infecção pelos VHB ou VHC é possível detectar anticorpos para o VHG, mas esta coinfecção não parece influenciar a evolução daquelas hepatites.

Não foi ainda possível determinar com exactidão – dado que a descoberta da doença e do vírus que a provoca foram recentes –, as consequências da infecção com o vírus da hepatite G. A infecção aguda é geralmente «suave» e transitória e existem relatos duvidosos de casos de hepatite fulminante (os especialistas ainda não chegaram a uma conclusão definitiva sobre as causas destas hepatites fulminantes).

Noventa a 100 por cento dos infectados tornam-se portadores crónicos mas podem nunca vir a sofrer de uma doença hepática. Até agora não foi possível comprovar que a infecção pelo VHG conduza a casos de cirrose ou de cancro no fígado.

O Vírus (Hepatite G)

O VHG é constituído por ácido ribonucleico (ARN), pertence à família dos flavivírus, é um parente afastado do vírus que provoca a hepatite C e, tal como este, também apresenta diferentes genótipos.

A infecção pelo VHG pode, muitas vezes, ocorrer em simultâneo com a provocada pelo VHC, mas os estudos feitos até agora permitem concluir que a hepatite G não agrava a hepatite C, nem perturba o seu tratamento.

Supõe-se que o vírus da hepatite G seja ainda mais comum que o VHC, contudo, a sua gravidade para o organismo humano é baixa ou quase nula.

A forma como se propaga ainda é desconhecida.


Fonte: Roche.com