4.29.2019

Por que os cursos de Filosofia e Sociologia incomodam Bolsonaro? Ana Luiza Basilio ANA LUIZA BASILIO 26 DE ABRIL DE 2019


Para especialista ouvido por Carta Capital, 
presidente culpa a educação pela incompetência 
financeira do governo


O presidente Jair Bolsonaro iniciou a sexta-feira 26 
alarmando a sociedade. Algo que já tem
 se tornado frequente na gestão do capitão. 
O foco? A educação, área que tem sido palco
de preocupantes investidas governamentais. 
Em um tweet publicado no início da manhã,
 o presidente anunciou que o ministro da Educação,
 Abraham Weintraub, estuda 
descentralizar investimentos em faculdades de 
Filosofia e Sociologia.

O Ministro da Educação @abrahamWeinT estuda descentralizar investimento em faculdades de filosofia e sociologia (humanas). Alunos já matriculados não serão afetados. O objetivo é focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como: veterinária, engenharia e medicina.


O objetivo seria focar em áreas que gerem retorno
 imediato ao contribuinte, como
 veterinária, engenharia e medicina. “A função 
do governo é respeitar o dinheiro do 
contribuinte, ensinando para os jovens a leitura,
 escrita e a fazer conta e depois um 
ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar
 para a família, que melhore 
a sociedade em sua volta”, apontou o presidente
 em um segundo tweet.


O Ministro da Educação @abrahamWeinT estuda descentralizar investimento em faculdades de filosofia e sociologia (humanas). Alunos já matriculados não serão afetados. O objetivo é focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como: veterinária, engenharia e medicina.
A função do governo é respeitar o dinheiro do contribuinte, ensinando para os jovens a leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar para a família, que melhore a sociedade em sua volta.


O coordenador da Campanha Nacional pelo Direito
 à Educação, Daniel Cara,
 crava que o argumento utilizado pelo presidente
 é falso. “Não é o curso universitário 
que gera recurso econômico. O que gera retorno
 econômico, a partir da formação,
 é o crescimento econômico. Ou seja, não basta 
que a pessoa tenha um diploma
 universitário, é necessário que o mercado de 
trabalho tenha uma vaga para contratar 
essa pessoa”, analisa.
Esta semana, dados do Cadastro Geral de Empregados
 e Desempregados (Caged) 
da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia,
 mostraram que o País teve
 o pior mês de março desde 2017, em relação a 
empregos com carteira assinada.
 O saldo negativo foi de 43.196 empregos a menos.
Segundo Cara, a questão central é que o Brasil 
volte a crescer, o que, em sua análise,
 não deve ocorrer com as diretrizes do atual governo.
 “As políticas de austeridade
 econômica empreendidas desde o governo de 
Michel Temer e em curso no governo
 Bolsonaro não vão nos tirar desse cenário”, atesta,
 afirmando que o País continua
 em um quadro de depressão econômica. 
“Bolsonaro quer responsabilizar a educação
 pela incompetência econômica de seu governo”.
Ainda assim, o especialista reforça que não é 
momento para pânico, sobretudo acerca
 da ideia do fim dos cursos de Filosofia e Sociologia
 vigentes nas universidades públicas 
e privadas. “As universidades, especialmente
 as públicas, são administradas a partir 
do princípio constitucional da autonomia
 universitária, ou seja, quem decide o que
 vai ser lecionado são as próprias universidades.
 O ministro Weintraub está querendo
 aparecer, não tem nenhuma consistência no
 que foi afirmado”, contesta.

Outra questão que o especialista explica é que,
 para existir, as universidades 
obrigatoriamente precisam ter o conjunto 
das áreas do conhecimento. Isso se aplica
 também às universidades privadas que recebem
 apoio do Fies ou Prouni.
 Em sua análise, os cursos não estão ameaçados
 de fechamento. “Pode até ser que
 o governo proíba o investimento, evitando 
os empréstimos do Fies ou negando 
a renúncia fiscal para esses cursos no caso 
do Prouni, mas é difícil que as 
universidades aceitem esse tipo de interferência”.

Bolsonaro não entende de Educação. Tampouco compreende a Economia.

Ele quer tirar recursos das Ciências Humanas para investir em cursos que "dão retorno econômico".

1) Ignora a Autonomia Universitária;
2) Desconhece que emprego é fruto de crescimento econômico, não de formação.


Filosofia e Sociologia nas redes

A polêmica declaração do presidente fez com 
que o tema Filosofia e Sociologia
 virasse um dos assuntos mais comentados do Twitter
 nesta sexta-feira.
O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB)
 reagiu à declaração e disse que
 “vai manter o respeito aos cursos de Filosofia e Sociologia”.

No âmbito estadual, sempre manterei o respeito aos cursos de filosofia e sociologia. Sem ideias e pensamento crítico nenhuma sociedade se desenvolve de verdade. E não haverá o bem viver que tanto buscamos como direito de todos



O ataque aos cursos de Filosofia e Sociologia é a cruzada de um presidente fanático contra o pensamento. É um projeto de mediocridade para o país.



Tirar recursos de faculdades de filosofia e sociologia mostra o real projeto deste governo: de emburrecimento do país. Os cursos de humanas são fundamentais para a construção de ideias e pensamento críticos em qualquer sociedade. Um povo que não pensa não luta por seus direitos.



Bolsonaro retira recursos das faculdades de Filosofia e Sociologia.

"Seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica."

- Paulo Freire


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