3.05.2012

Rivotril porque é tão consumido? O que é? Para que serve?

Na frente de remédios para dor de cabeça e febre, o ansiolítico nem sempre é prescrito adequadamente - e pode causar problemas

Glycia Emrich


Rivotril: riscos do consumo sem prescrição e acompanhamento
É de se desconfiar quando um remédio necessariamente controlado, de tarja preta, se torna o segundo medicamento mais vendido no país. De acordo com o Instituto IMS Heath, no ano passado os brasileiros consumiram 14 milhões de caixas, ficando atrás apenas do anticoncepcional Microvlar. Será que realmente há tanta gente que precisa ser medicada?

Para que serve
Além de ser ansiolítico (agir contra a ansiedade), o remédio é anticonvulsante, poderoso relaxante muscular (e por isso é usado muitas vezes para tratamento de insônia) e é usado até para casos de overdose de anfetamina.

Apesar de possuir tantas propriedades, a categoria dos tranquilizantes não acompanha o sucesso do Rivotril. “Essa categoria é apenas a sétima que mais vende no Brasil. Fica atrás de analgésicos, anticoncepcionais e mais uma lista de medicamentos”, conta a psiquiatra Andrea Mercantes.

Amigo Rivs
A professora do Ensino Médio Carolina Carpezim, 36 anos, faz parte dos adeptos do Rivotril há seis anos. Na sua bolsa, além do celular, batom e da chave de casa, há sempre uma caixinha do remédio.

“O primeiro comprimido ganhei de uma amiga, quando terminei meu relacionamento de cinco anos. De lá pra cá, não parei mais. Sempre que me dá uma baixa emocional já tomo um comprimido. O Rivs (apelidinho dado por quem consome) é a grande invenção da humanidade”, conta ela.

Efeito bem-estar
Esse uso descontrolado em qualquer sinal de alteração dos ânimos é um dos grandes fatores para as vendas do remédio estarem sempre em alta. “O problema não é apenas o vício e a dependência que o consumidor de Rivotril cria. Há aí um problema sério no atendimento médico ao paciente também. Basta dizer que não está bem e o médico logo receita o ansiolítico. Cria a sensação de bem-estar, mas não resolve o real problema”, explica Andrea.

Beatriz M. *, 23 anos, começou a se automedicar quando entrou na faculdade de Engenharia dos Alimentos, há cinco anos. Na sua turma de amigas, não tem uma que não toma o “milagroso remedinho”. “Todo mundo na faculdade toma. É tipo fumar maconha, tomar cerveja. E ele ainda melhora o seu dia rapidinho”, explica Bia.

Plínio Montagna, presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, nota uma glamorização no ato de medicar-se. Os remédios psiquiátricos foram desmistificados e, hoje, são indicados até por quem não atua na área da Psiquiatria. “Emoções normais e importantes para a mente, como tristeza ou ansiedade em situação de perigo, são eliminadas porque incomodam”, diz ele.

Acompanhamento é essencial

O remédio, quando usado corretamente e com acompanhamento médico, tem sim propriedades importantes e que podem ajudar alguns tratamentos. “Ele pode ajudar muito no tratamento de ansiedade. Mas, para obter um resultado positivo, precisa de outros fatores – como terapia, exercício físico ou até antidepressivo. O ansiolítico serve como uma muleta, um apoio até todos os fatores juntos fazerem efeito”, explica a psiquiatra Annie Almond.

Cilada
Mesmo com acompanhamento, é preciso cautela. Rivotril causa dependência e não deve ser usado por muito tempo. O ideal é que ele seja usado apenas nas crises intensas e por no máximo seis semanas. Para quem é vítima do vício, podem aparecer crises de abstinência aguda.

A professora Carolina notou uma necessidade compulsiva logo após 40 dias que tomava o remédio. “Eu parei de tomar e passei a ter insônia, ficar irritada. Não teve jeito. Voltei a tomar o remédio imediatamente. Acho que vou ter que usá-lo para o resto da vida”, conta ela.

A facilidade de manter o uso indiscriminado do remédio tem um motivo preocupante: o acesso simples a um medicamento que é controlado. Apesar de ser vendido apenas com receita médica, não é tão difícil consegui-lo de outras formas.

“Uma amiga minha foi ao psiquiatra e aí aproveitei e pedi pra ela pegar uma receita pra mim. Foi tranquilo, não teve problema. Toda vez que preciso, ela me arruma. E se eu não tiver receita, sempre tem alguém que tem algum comprimido sobrando e quebra esse galho”, explica Beatriz. Pela internet também é possível comprar o medicamento sem apresentar qualquer prescrição médica.

Preço de bananas
O preço é outro fator essencial para o sucesso de vendas do remédio. É possível comprar uma caixinha com 30 comprimidos por apenas 9 reais. “O sucesso do Rivotril é decorrência do aumento dos casos de transtornos psiquiátricos e do perfil único do nosso produto: ele é seguro, eficaz e muito barato. O preço protege o nosso produto”, explica Carlos Simões, gerente da área de produtos de neurociência e dermatologia da Roche.

Aguentar a onda é preciso

A designer gráfica Patrícia D*, 31 anos, carrega sempre um Rivotril na bolsa quando resolve se jogar na balada. Para ela, é impossível curtir a noite toda e não fechar com a ingestão de um comprimido. “A galera toda toma ecstasy e depois tem que aguentar aquela “bad” que sempre bate. Pra evitar essa baixa emocional, a gente toma um Rivotril e fica novinha em folha”, conta a designer.

A ideia de que todo mundo deve estar o tempo todo feliz provoca essa busca incessante por qualquer coisa que mascare uma tristeza, uma dor, um mal estar emocional.
“Ninguém mais quer enfrentar a infelicidade e, por isso, há uma enorme busca por qualquer coisa rápida que esconda esse momento. É um problema sério de saúde pública. A população e especialistas no assunto precisam entender que algumas sensações e vivências são importantes para suportar a vida e encarar o mundo. Nem tudo pode ser medicalizado”, .

Rivotril

O que e?  para que serve ?

Todo mundo tem um refúgio a que costuma recorrer para aliviar o peso dos problemas. Pode ser um lugar tranquilo, talvez a praia. O pensamento em uma pessoa querida. Uma extravagância, como compras ou aquele prato proibido pelo médico.


Na farmácia não se encontra produto descrito como "paz em drágeas" ou "xarope de paz". Mas muita gente acha que é isso o que deveria dizer o rótulo do Rivotril, um ansiolítico (ou, popularmente, um calmante). Rivotril é prescrito por psiquiatras a pacientes em crise de ansiedade - nos casos em que o sofrimento tenha causa bem definida. Mas tem sido usado pelos brasileiros como elixir contra as pressões banais do dia a dia: insônia, prazos, conflitos em relacionamentos. Um arqui-inimigo dos dilemas do mundo moderno.


Tanto que o Brasil é o maior consumidor do mundo em volume de clonazepam, o princípio ativo do remédio. Serão 2,1 toneladas em 2010, o que coloca o Rivotril no topo das paradas farmacêuticas daqui. É o 2º remédio mais vendido no país, à frente de nomes como Hipoglós e Buscopan Composto - em 2004, era o 4º da lista. Só perde agora para o Microvlar, anticoncepcional com consumo atrelado à distribuição pelo governo via Sistema Único de Saúde (SUS).


E olhe que o Rivotril é um remédio tarja preta. Só pode ser comprado na farmácia com a receita do médico em mãos. "A maior parte das vendas desse medicamento acontece via prescrição. Mas muitos conseguem o remédio com receita em nome de outros pacientes ou até pela internet", afirma Elisardo Carlini, diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, da Unifesp. Em alguns casos, até há a prescrição - mas de um médico não especialista, segundo Alexandre Saadeh, professor do Instituto de Psiquiatria da USP. "Ginecologistas costumam prescrever Rivotril para pacientes que sofrem fortes crises de TPM", diz. Até porque poucos brasileiros vão ao psiquiatra, de acordo com a Roche, laboratório responsável pelo Rivotril. "Grande parte dos brasileiros tem dificuldade de acesso a psiquiatras, e isso está relacionado à prescrição do Rivotril por médicos não especialistas", afirma Maurício Lima, diretor-médico da Roche.


Foi assim, por via não ortodoxa, que a popularidade do Rivotril cresceu. Não é difícil ouvir donas de casa recomendando o remédio a uma amiga que tem tido problemas para dormir. "Quem nunca ouviu que uma tia ou uma vizinha toma Rivotril há 20 anos e só dorme com isso?", pergunta o professor de psiquiatria do curso de medicina da PUC de São Paulo, Carlos Hubner. Ou achar relatos do tipo "Rivotril é meu melhor amigo" no Orkut e no Facebook. Nessas histórias, o Rivotril aparece sempre como um freio para sentimentos como medo, rejeição, angústia, tristeza e ansiedade. "Houve Big Brother em que eu estava com muita ansiedade e usava Rivotril para entrar no ar", disse Pedro Bial em entrevista à revista Playboy. O remédio tem sido usado até para cortar o efeito de outras drogas, segundo o psiquiatra André Gustavo Silva Costa, especialista em tratamento de dependentes químicos. "Jovens têm tomado o Rivotril para cortar o efeito de drogas como cocaína. Eles querem dormir bem para conseguir trabalhar no dia seguinte", diz.


O que é que o Rivotril tem?  
Quando somos pressionados, algumas áreas do cérebro passam a trabalhar mais. Vem a ansiedade. O Rivotril age estimulando justamente os mecanismos que equilibram esse estado de tensão - inibindo o que estava funcionando demais. A pessoa passa a responder menos aos estímulos externos. Fica tranquila. Ainda que o bicho esteja pegando no trabalho, o casamento indo de mal a pior e as contas se acumulando na porta. É essa sensação de paz que atrai tanta gente. Afinal, a ansiedade traz muito incômodo: suor, calafrios, insônia, taquicardia... "Muitas vezes o sofrimento se torna insuportável. O remédio é valioso quando o paciente piora", diz Silva Costa. Para a carioca Bruna Paixão, de 32 anos, funcionou. "Um dia tomei uma bronca do meu chefe e fiquei péssima. Só pensava nisso. Aí resolvi tomar Rivotril para dormir. Tinha uma caixa em casa, dada por um amigo médico. Assisti um pouco de TV, conversei com um amigo no telefone e fui ficando bem", diz.


Justamente por trazer essa calma toda, o Rivotril não é recomendado a qualquer um. Seu consumo por profissionais que têm de se manter ágeis e em estado de alerta - como pilotos de avião e operadores de máquinas, por exemplo - é desaconselhado por médicos. "O Rivotril dá a falsa impressão de que a pessoa produz mais, mas a verdade é que o remédio só deixa mais calmo", diz José Carlos Galduroz, psiquiatra da Unifesp.


Não é só com o Rivotril que isso acontece. Os calmantes da família dele - os chamados benzodiazepínicos - têm o mesmo papel. São remédios como Lexotan, Diazepam e Lorax. Em parte, o Rivotril ficou famoso ao pegar carona na onda dos "benzo". Eles surgiram na década de 1950, e logo viraram os substitutos para os barbitúricos, como o Gardenal. Os barbitúricos têm indicação semelhante à dos benzo. Mas são mais perigosos: a linha entre a dosagem indicada para o tratamento e aquela considerada tóxica é muito tênue. A mais famosa vítima dos excessos de barbitúricos foi Marylin Monroe (embora haja dúvidas sobre o envenenamento acidental da atriz). Quando surgiram os benzodiazepínicos, o mundo achou um combate mais seguro à ansiedade. "Uma overdose de remédios como o Rivotril é praticamente impossível", diz Saadeh, da USP.


É verdade, o Rivotril tem berço, vem de uma família benquista pelos médicos. Isso já garante uma popularidade. Mas ele tem uma vantagem extra em relação aos parentes. Seu tempo de ação é de, em média, 18 horas no organismo, entre o início do relaxamento, o pico do efeito e a saída do corpo. É o que os médicos chamam de meia-vida. "A meia-vida do Rivotril é uma das mais confortáveis para o paciente, porque fica no meio-termo em relação aos outros remédios para a ansiedade e facilita a adaptação", diz Saadeh. Na prática, esse meio-termo significa que o efeito do Rivotril não termina nem cedo demais - o que poderia fazer o paciente acordar de uma noite de sono já ansioso - nem tarde demais - o que não prolonga a sedação por um período maior que o desejado.


No Brasil, o Rivotril tem ainda outra vantagem importante. Repare: somos os maiores consumidores mundiais do remédio, mas estamos apenas na 51ª colocação na lista global de consumo de benzodiazepínicos. Ou seja: o mundo consome muitos benzo, nós consumimos muito Rivotril. Por quê? Por causa do preço. Uma caixa de Rivotril com 30 comprimidos (considerando a versão de 0,5 miligrama) custa em torno de R$ 8. O principal concorrente, o Frontal, da Pfizer, custa cerca de R$ 29. Tudo isso faz o pessoal se esquecer da tarja preta do remédio. Mas ela está lá por um motivo, é claro. E esse motivo é o risco de dependência.


O risco é o mesmo visto em outros benzodiazepínicos. São dois, aliás. O de dependência química e o de dependência psicológica. Na química, o processo é parecido com o gerado por drogas como álcool e cocaína. O uso prolongado torna o cérebro dependente daquela substância para funcionar corretamente. A outra dependência é a psicológica. A pessoa até para de tomar o remédio, mas mantém uma caixa sempre no bolso como precaução. "Cerca de 80% das pessoas que usam benzodiazepínicos ficam dependentes em 2 ou 3 meses de uso", diz Anthony Wong, diretor do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas, de São Paulo. "E a maioria tem sídrome de abstinência se o remédio for tirado de uma hora para outra."


Em casos mais graves, a abstinência pode levar o paciente a uma internação. A pessoa pode ver, ouvir e sentir coisas que não existem, apresentar delírios (como ser perseguida por extraterrestres), agitação, depressão, apatia, entre outros sintomas. E para cortar a dependência? "O paciente precisa querer parar. Há drogas que tratam os sintomas da abstinência em no máximo 4 semanas", afirma Carlo Hubner, da PUC. Livrar-se do Rivotril é duro porque é preciso enfrentar todos os fantasmas de que o paciente queria se livrar quando buscou o remédio. Afinal, o remédio só esconde os problemas. Eles continuarão lá, à espera de solução.

O que é e para que serve ? O rivotril é o clonazepam, um tranqüilizante do grupo dos benzodiazepínicos. Sua alta potência, longo tempo de circulação como forma ativa e peculiaridades farmacodinâmicas o tornam um dos melhores tranqüilizantes disponíveis no mercado. Além disso, é uma medicação antiga o que permite seu conhecimento profundo uma vez que é usada por milhares de pessoas em todo o mundo, há muitos anos, sem nunca ter acontecido nenhum relato de efeitos perigosos. Como é antigo é também barato e fácil de ser encontrado, o que de forma alguma deve ser interpretado como sendo uma medicação de segunda categoria. A segurança dessa medicação é atestada pelo uso que é feito em crianças há muitos anos, sem nenhum problema decorrente do longo tempo de uso. A indústria que fabrica essa medicação elegeu este produto como antiepilético. De fato é assim, como todos os tranqüilizantes benzodiazepínicos, mas o efeito antiepilético não é sua principal função. Seu efeito tranqüilizante, sim, deve ser considerado sua principal qualidade. O Rivotril é eficaz para o controle da Fobia Social, do Distúrbio do Pânico, das formas de ansiedade genaralizadas e para ajudar a controlar os sintomas de ansiedade normais decorrentes de situações extremas da vida de qualquer um. Sua alta potência garante quase sempre um bom resultado e sua prolongada eliminação do organismo diminuem bastante o risco de dependência química. A dose comumente empregada varia entre 0,5 e 6mg por dia, podendo chegar a 20mg por dia em certos casos. Recentemente foi lançado a apresentação de 0,25mg de uso sublingual que está indicado para o uso imediato e episódico. Certos pacientes preferem usar a medicação só quando precisam e não o tempo todo como se costuma fazer, para esses casos existe a alternativa a apresentação sublingual.

Principais efeitos: O bloqueio da ansiedade costuma ser sentido logo nos primeiros dias, com isso os pacientes costumam adquirir confiança na medicação. Por outro lado a sedação é também forte, sendo recomendado para quem está com problemas para dormir. Ao longo do uso o efeito sedativo costuma diminuir permitindo que as pessoas que foram prejudicadas pela sonolência causada pela medicação restabeleçam seu rendimento normal. A sedação é muito variável: algumas pessoas com 1mg ficam completamente sedadas enquanto outras com 6mg não sentem sono algum. Isto depende apenas das características pessoais de cada um e é impossível saber como a pessoa reagirá caso esteja tomando pela primeira vez. Doses mais altas podem diminuir o desejo sexual: este efeito colateral desaparece quando a medicação é suspensa. Outros efeitos comuns aos benzodiazepínicos como tonteiras, esquecimentos, fadiga, também podem acontecer.

Considerações importantes:  
Não há relatos de má formação induzida durante a gestação provocada pelo rivotril. Sempre que possível, no entanto é recomendável evitar seu uso no primeiro trimestre. Quanto a esse assunto essa medicação é mais segura que outros tranqüilizantes benzodiazepínicos. Alguma coisa estranha deve estar acontecendo quando um remédio contra a ansiedade – tarja preta, vendido apenas com retenção de receita – se torna o segundo medicamento mais consumido no Brasil. Esse remédio é o velho Rivotril, que tem 35 anos de mercado, mas nos últimos cinco escalou rapidamente o ranking dos mais vendidos até chegar ao segundo lugar. Em 2008, os brasileiros compraram nas farmácias 14 milhões de caixinhas do ansiolítico (o campeão de vendas é o anticoncepcional Microvlar, com 20 milhões de unidades). O Rivotril bate remédios de uso corriqueiro, segundo o IMS Health, instituto que audita a indústria farmacêutica. Vende mais que a pomada contra assaduras Hipoglós, o analgésico Tylenol e outros produtos que os consumidores colocam na cestinha sem saber se algum dia vão usar.

O sucesso espetacular do Rivotril no Brasil não ocorre com outros medicamentos da mesma categoria. A classe dos tranquilizantes é a sétima mais vendida no país – vende menos que anticoncepcionais, analgésicos, antirreumáticos e outros tipos de remédio. A clara preferência pelo Rivotril é um fenômeno brasileiro, que não se repete em outros países. A escalada desse ansiolítico na lista dos mais vendidos sugere que a população em sofrimento psíquico pode ser maior do que se imagina. Transtornos de ansiedade e depressão são comuns nas grandes cidades, castigadas pela violência, pelo trânsito e pelo desemprego. Mas a pesquisa São Paulo Megacity, uma parceria do Hospital das Clínicas de São Paulo com a Organização Mundial da Saúde, revela que cerca de 40% dos moradores da região metropolitana sofre de algum tipo de transtorno psiquiátrico. É um porcentual que os próprios psiquiatras consideram “assustador” – e que depõe frontalmente contra a imagem de “nação feliz” que os estrangeiros e nós mesmos, brasileiros, gostamos de cultuar.

O segundo problema que leva à indicação excessiva do Rivotril é a precariedade do atendimento de saúde brasileiro, sobretudo de saúde mental. Há falta de psiquiatras no país. Consequentemente, as pessoas não recebem diagnóstico correto e não têm tratamento adequado de seus problemas. Quando o paciente chega ao consultório com enxaqueca, gastrite ou qualquer outra queixa que possa ter alguma relação com ansiedade, frequentemente ganha uma receita de Rivotril. “Os médicos fazem isso porque o remédio é barato (a caixinha mais cara custa R$ 13), antigo e seguro”, diz Luiz Alberto Hetem, vice-presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria. “Mas ele pode mascarar quadros mais graves.” O ansiolítico acalma e atenua a ansiedade, mas os problemas subjacentes não são diagnosticados. “Grande parte das pessoas nem sequer sofre de ansiedade. A depressão é muito comum”, afirma a psiquiatra Mônica Magadouro.

O terceiro fator que contribui para a venda de Rivotril é o que o psicanalista Plínio Montagna chama de “glamorização do ato de medicar-se”. No passado havia preconceito contra os remédios psiquiátricos. Recentemente, houve uma guinada cultural e eles passaram a ser vistos como resposta a todos os problemas da existência. Os médicos (sobretudo os que não são psiquiatras) receitam remédios psiquiátricos com total desenvoltura. Da parte dos pacientes, também existe a expectativa de que isso aconteça.Todos têm pressa.
“Emoções normais e importantes para a mente, como tristeza ou ansiedade em situação de perigo, são eliminadas porque incomodam”, diz Montagna, que é presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Questões existenciais são tratadas como sintomas médico-psiquiátricos, com a colaboração de “uma avassaladora quantidade de dólares” gastos em publicidade pela indústria farmacêutica. “É frequente eu receber para tratamento pacientes com dosagens excessivas de medicação ou coquetéis de diversas substâncias, sem que os aspectos psicológicos tenham sido levados em consideração”, afirma o psicanalista, que também é formado em psiquiatria.

Por trás da precariedade do sistema de saúde e do modismo da medicação, existe a crescente incapacidade das pessoas – e dos médicos – em conviver com um dos sentimentos mais enraizados da psique humana, a ansiedade. Ela está lá desde os primórdios do homem, associada a temores e ameaças indefiníveis. Embora desagradável, é um dos motores da existência. Faz parte da nossa constituição evolutiva. “Ela é um estado de alerta, um estímulo para produzir. O contrário da ansiedade é a apatia”, diz o psicanalista Eduardo Boralli Rocha. Totalmente diferente dessa ansiedade benigna é a combinação explosiva de urgência, competição e sentimento de exclusão que caracteriza o nosso tempo.

“As pessoas sentem que em algum lugar está havendo uma festa para a qual elas não foram convidadas e têm de correr atrás”, diz Boralli. Sigmund Freud, o criador da psicanálise, dizia que a ansiedade era o sintoma de algo que não estava bem resolvido interiormente. Ele diferenciava entre a ansiedade produzida por uma situação externa real e aquela imaginada ou brutalmente amplificada por nossos medos interiores. A primeira não deveria ser medicada, mas ela tornou-se tão presente, tão avassaladora, que é isso que tem sido feito, em larga escala.



Psicofármacos / Ansiolíticos




RIVOTRIL
Rivotril


O rivotril é o clonazepam, um tranqüilizante do grupo dos benzodiazepínicos. Sua alta potência, longo tempo de circulação como forma ativa e peculiaridades farmacodinâmicas o tornam um dos melhores tranqüilizantes disponíveis no mercado. Além disso, é uma medicação antiga o que permite seu conhecimento profundo uma vez que é usada por milhares de pessoas em todo o mundo, há muitos anos, sem nunca ter acontecido nenhum relato de efeitos perigosos. Como é antigo é também barato e fácil de ser encontrado, o que de forma alguma deve ser interpretado como sendo uma medicação de segunda categoria. A segurança dessa medicação é atestada pelo uso que é feito em crianças há muitos anos, sem nenhum problema decorrente do longo tempo de uso. A indústria que fabrica essa medicação elegeu este produto como antiepilético. De fato é assim, como todos os tranqüilizantes benzodiazepínicos, mas o efeito antiepilético não é sua principal função. Seu efeito tranqüilizante, sim, deve ser considerado sua principal qualidade. O Rivotril é eficaz para o controle da Fobia Social, do Disturbio do Panico, das formas de ansiedade genaralizadas e para ajudar a controlar os sintomas de ansiedade normais decorrentes de situações extremas da vida de qualquer um. Sua alta potência garante quase sempre um bom resultado e sua prolongada eliminação do organismo diminuem bastante o risco de dependência química. A dose comumente empregada varia entre 0,5 e 6mg por dia, podendo chegar a 20mg por dia em certos casos. Recentemente foi lançado a apresentação de 0,25mg de uso sublingual que está indicado para o uso imediato e episódico. Certos pacientes preferem usar a medicação só quando precisam e não o tempo todo como se costuma fazer, para esses casos existe a alternativa a apresentação sublingual.

Principais efeitos
O bloqueio da ansiedade costuma ser sentido logo nos primeiros dias, com isso os pacientes costumam adquirir confiança na medicação. Por outro lado a sedação é também forte, sendo recomendado para quem está com problemas para dormir. Ao longo do uso o efeito sedativo costuma diminuir permitindo que as pessoas que foram prejudicadas pela sonolência causada pela medicação restabeleçam seu rendimento normal. A sedação é muito variável: algumas pessoas com 1mg ficam completamente sedadas enquanto outras com 6mg não sentem sono algum. Isto depende apenas das características pessoais de cada um e é impossível saber como a pessoa reagirá caso esteja tomando pela primeira vez. Doses mais altas podem diminuir o desejo sexual: este efeito colateral desaparece quando a medicação é suspensa. Outros efeitos comuns aos benzodiazepínicos como tonteiras, esquecimentos, fadiga, também podem acontecer.

Considerações importantes
Não há relatos de má formação induzida durante a gestação provocada pelo rivotril. Sempre que possível, no entanto é recomendável evitar seu uso no primeiro trimestre. Quanto a esse assunto essa medicação é mais segura que outros tranqüilizantes benzodiazepínicos.

Ref. Bibliograf.:
The Practioner's Guide to Psychoactive Drugs 3º Ed 1991

Ver bula de Rivotril


17 comentários:

Anônimo disse...

Olá, Muito bom ler sua página sobre o RIVOTRIL. As informações são muito importantes. Eu uso Rivotril, uso 5 gotinhas à noite (precrição médica). Esta é a terceira vez que uso ( em momentos diferentes da minha vida ) e quando descontinuei o uso, sempre com orientação médica, eu consegui fazer isso de um modo relativamente seguro. Há momentos na vida, no entanto, em que não tem jeito, ou a gente recorre a um médico ( um profissional capacitado ) e pede ajuda ou se despedaça interiormente. Eu não acredito que sofrer muito( quando algo muito ruim acontece em nossas vidas) seja uma atitude heroica e louvável. Acho que esse tipo de sofrimento não faz ninguém crescer ou se tornar um ser humano melhor. Existe, claro, um tipo de sofrimento inerente à condição humana, do qual não escapamos, mas se ele se torna intolerável, eu acho que precisamos buscar ajuda, seja na terapia e até mesmo no Rivotril.Não é bonito sofrer, é terrível... Mayana

Antonio Celso da Costa Brandão Brandão disse...

Mayana
Obrigado pela iniciativa do comentário na nossa página.
Abração, boa sorte e muita paz
Antonio Brandão

LEONARDO disse...

eu uso cocaina e após o uso principalmente a noite quero dormir e acabo não conseguindo tomo 3 comprimidos de rivotril 2mg e até hoje nãotive problemas,pode usar o rivotril para cortar oefeito da cocaina e alguns minutos dormir??

LEONARDO disse...

Faço uso da droga cocaina e quando sobre efeito dela monitoro minha pressão arterial com aferidor de pulso quando a pressão abaixa para 15.8 ou mesmo 18 ou 17.8 tomo 3 rivotril para poder dormir se não não tem jeito fica acordado até dia amanhecer e ai acaba indo atrásdo prazer que provoca a droga cocaína posso tomar o rivotril seguramente e sentir o efeito logo ou demora muito para fazer efeito e dormir ou continuo aferindo a pressão e vendo os batimentos cardiacos abaixarem depois tomar os 3 comprimidos de 2mg com segurança??

LEONARDO disse...

na questão anterior eu sempre tomei 3 comprimidos de 2mg receitadas pelo psiquiatra e com o uso da droga na qual ainda tenho dificuldades para largar consigo amenizar o problema depois de aferir a pressão e conferir que está abaixando ai depois tomo a dose prescrita pelo psiquiatra?

LEONARDO disse...

O efeito da cocaina usada por exemplo pela ultima vez as 01:00hs da manhã as 3 da manhã já posso toma-lo para cortar a agitação e vir o sono bem forte,mas parece que no meu caso não vem o feito do rivotril em 15 ou 30 minutos demora mais ou as vezes não faz efeito porque?

Anônimo disse...

Para com a droga e tb com o rivotril.
Arranje outro médico.
Abs

Alrac disse...

Eu acho que eh mais saudável cortar a cocaína e seu sono vira naturalmente. Além dos males que você bem deve saber do uso dadora né Leonardo????

Alrac disse...

Leia se uso da droga

Anônimo disse...

Tomo Rivotril faz menos de 1 ano, já cheguei a tomar 4mg por dia e não sentir sono nenhum, hoje tomo apenas 1mg, mas se eu não tomar ou passar da hora, meu organismo reage de forma fatal. Tive paradas respiratórias e quase morri em apenas um dia sem tomar, já tive dores na cabeça tão forte a ponto de quase desmaiar de tanta dor, por ter tentado um único dia ficar sem tomá-lo. Tenho fibromialgia e além do rivotril tomo amitriptilina 75mg, tramadol 150mg, dolamin flex 2 x dia. Mas de todos, o Rivotril é o que mais me viciou, não consigo viver sem ele, estou tentando fazer o desmame, mas meu organismo não vive sem ele.Menos de 1mg não me satisfaz, meu corpo não aceita e passo mal a ponto de ir ao pronto socorro, quando chego lá, oque me passam? Diazepam.Trágico

Anônimo disse...

Não consigo ficar calma em exame de direção .Será que um comprimido de rivotril pode mim ajudar.

Bruno Maia disse...

Os benzodiazepínicos, como o Rivotril, agem em subreceptores gabaérgicos dos neurônicos, GABA A, e diminuem a atividade do sistema nervoso, causando sedação. Por isso, são usados em procedimentos médicos (cirurgias, endoscopias etc). Uma outra aplicação, não dita, é que ele é anticonvulsivante, pode ser utilizado para tratar síndrome das pernas inquietas e dor neuropática de fibras amielínicas (dor em queimação), como síndrome da boca ardente. Eu uso para dor neuropática, mas não faço uso continuado. Ao contrário dos gabaérgicos, pregabalina e gabapentina, o efeito dele é imediato e é muito mais barato.

É triste ver pessoas que não precisam de Rivotril se intoxicando com ele, porque prejudicam os pacientes que, como eu, precisam da medicação que fica estigmatizada e os médicos já te olham como se você fosse um viciado. Eu por exemplo, passo mais de 6 meses com uma caixa! Tomo somente quando tenho crises de dor.

Anônimo disse...

Tomo rivotril há mais de anos, combinado com gardenal.Foi a combinação que meu neurologista, na epoca, prescreveu para tratar minha epilepsia.Antes, tomava hidantal, mas não me.dei bem e o medico optou por substituir por rivotril.Tenho varios efeitos colaterais,já tentei trocar mas não deu certo.Tomo remedio porque preciso.Leio a.bula de todos.Acho uma temeridade.tomar remedio como se fosse doce.

Orudam disse...

Tomo rivotril durante 4 anos mas não tomava todo dia foi quando tive problemas na minha vida e comecei a usar sempre por 3 meses fui retirar e já tava viciado agora não consigo parar o máximo foi 40 dias sem mas fui parar no hospital e voltei a tomar agora tomo por conta de uma dor Neuropatica que acho que desenvolvi devido ao medicamento

Orudam disse...

Tomo rivotril durante 4 anos mas não tomava todo dia foi quando tive problemas na minha vida e comecei a usar sempre por 3 meses fui retirar e já tava viciado agora não consigo parar o máximo foi 40 dias sem mas fui parar no hospital e voltei a tomar agora tomo por conta de uma dor Neuropatica que acho que desenvolvi devido ao medicamento

Unknown disse...

Tomo rivotril a 14 anos,o motivo na época em que comecei a tomar foi o nascimento de meu filho...ele nasceu prematuro de 5 meses e meio.. E o médico da maternidade q prescreveu...é como todos a dificuldade de ficar sem tomar foi a abstinência que toma conta de um jeito, que é bem difícil controlar... Um certo momento tentei por conta própria parar definitivamente... Fiquei 16 dias sem e contando os dias ..mas Tbm contei junto a noite, porque eu não dormia.. Foi horrível.. Tive no décimo sexto dia a crise de ansiedade e de abstinência.. Tudo q poderia sentir naquela manhã senti...logo vi minha vida dependendo novamente do remédio... Hoje tomo um comprimido a noite ....Mas na real eu gostaria de não ter conhecido este remédio.. Pois hoje sinto q sempre estarei usando muletas....mas creio q um dia estarei liberta deste medicamento...

Anônimo disse...

Eu tomo desde de 2009 e agora no momento tomo o de gotas 2,5ml tomo 40 gotas porém não faz mais efeito não sei o q faço alguém pode me ajudar