7.07.2009

Intoxicação: alerta na cozinha



Metade das contaminações por alimentos estragados ocorre dentro de casa. Perigo está na falta de cuidados com manuseio e conservação da comida. Problema afeta mais quem tem imunidade baixa, crianças, idosos e grávidas

Ovos na porta da geladeira, superfície de madeira para cortar a carne, e o velho pano úmido na pia. É assim que funciona a cozinha da sua casa? Abra o olho, alertam especialistas. A falta de cuidados pode levar a Doenças de Transmissão Alimentar (DTA), problema que atinge gravemente idosos, gestantes, crianças e pessoas com baixa imunidade.


Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, órgão da ONU), no ano passado 82 milhões de brasileiros (43% da população do País) foram internadas com intoxicação alimentar e mais de 6 mil morreram. Metade das contaminações ocorreu dentro de casa.

Os ambientes perfeitos para a proliferação de bactérias, fungos e protozoários são os de temperatura próxima a 37 graus. “Mas a maioria desses micro-organismos se multiplica dentro da faixa entre 4 e 60 graus.
Para impedir o problema, só submetendo os alimentos a temperaturas superiores a 70 graus”, orienta a pesquisadora Tatiana Pastorello, do projeto Cuidar dos Alimentos, da Fiocruz. Depois de pronta, a comida não deve ficar mais de duas horas fora da geladeira.

CONTÁGIO CRUZADO

Na cozinha, nada de manipular diferentes alimentos sem lavar as mãos. “Leva-se micro-organismos de um para outro”, explica Tatiana. Usar a mesma faca, sem lavar, para cortar produtos distintos é perigoso. “Em churrascos acontece muito: a faca que corta a carne crua é a mesma que fatia o alimento servido”, diz. Alimento cozido não está livre do risco de ser contaminado, se tiver contato com alimento cru, que é onde os micro-organismos proliferam. O problema ocorre com facilidade ao se colocar, na mesma vasilha, carne crua e alimentos cozidos.

Ou quando a mesma tábua de carne é usada, ainda suja, para cortar alimentos ‘in natura’, como temperos e saladas.

O ovo é um dos alimentos que mais recebe ressalvas. “Pode transmitir salmonella. Se a casca quebrar, há risco de contaminar a gema. Colocá-los na porta da geladeira é arriscado: o abre e fecha causa microfissuras que provocam o contágio”, orienta o microbiologista Roberto Martins Figueiredo.
“Comer ovo cru ou com a gema mole é perigoso”. Alimentos folhosos devem ser bem lavados em água corrente.

O Dia

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