8.01.2009

O barulho (zumbido) no ouvido. O que fazer?


Zumbido

O zumbido, também denominado acúfeno, tinnitus ou tinido, é uma sensação de som percebido pelo indivíduo na ausência de uma fonte sonora externa. É uma das queixas de problemas no ouvido mais comum e freqüentemente vem associada com tontura e surdez.

O zumbido pode ser considerado como um sintoma de alguma doença ou como seqüela de alguma agressão sofrida pelo ouvido (externo, médio, interno). Existe uma estimativa de que 11% a 17% da população apresenta zumbido. Aqueles pacientes que realmente sofrem com o zumbido (cerca de 20% dos casos), a queixa costuma ser dramática na consulta médica.

Felizmente, a maioria dos pacientes não sofre com o zumbido; referem-no secundariamente ou quando são inquiridos.

O barulho (zumbido) pode ser referido como um chiado, apito, barulho de chuveiro, de cachoeira, de concha, de cigarra, do escape da panela de pressão, de campainha, do esvoaçar de inseto, de pulsação do coração, batimento da asa de borboleta e de outros modos. Pode ser de forma contínua ou intermitente, constante, mono ou politonal.

O zumbido pode ser subjetivo quando é somente ouvido pelo paciente; ou objetivo, quando outras pessoas também podem ouvi-lo.

Pode ser considerado leve quando só é percebido pelo paciente em certas situações; moderado quando o paciente sabe da sua existência, porém não o incomoda; intenso quando a sensação desagradável o incomoda, prejudicando-o em diversas situações ou atividades; severo quando a manifestação se torna intolerável, acompanhando-o todo o tempo e dele não conseguindo se livrar, prejudicando-o ininterruptamente em suas atividades.

O grau de desconforto, intolerância ou incapacidade causado ao paciente frequentemente não esta relacionado com o grau de intensidade do zumbido. As alterações psicológicas, muitas vezes presentes, exercem fortes influências no agravamento do sintoma zumbido.

Causa?

Muito se fala sobre a dificuldade de tratamento do zumbido, mas essa dificuldade será bem menor se soubermos a causa que o originou.

O zumbido continua sendo considerado como um sintoma sem cura estabelecida. Entretanto, isto não significa que nada se possa fazer pelo paciente, principalmente sabendo que a determinação da causa é de suma importância para obter maior possibilidade de êxito no tratamento.

Basicamente existem dois tipos de zumbido:
zumbidos gerados pelo sistema auditivo.
zumbidos gerados pelo sistema auditivo, formado pelas estruturas próximas ao sistema auditivo.


Os zumbidos gerados pelo sistema auditivo são os mais freqüentes e podem se originar em qualquer local das vias auditivas, desde o conduto auditivo externo até o cérebro. São divididos em sete principais grupos causadores.


Causas otológicas
a princípio, qualquer doença ou distúrbio do ouvido pode vir acompanhado de zumbido, desde o ouvido externo (cera no conduto auditivo), ouvido médio (otite) e ouvido interno (ruido intenso).

Causas metabólicas

alterações metabólicas, especialmente da glicose, triglicerídios e hormônios tireoideanos podem causar ou acentuar o zumbido.

Causas cardiovasculares devem ser analisadas, pois são doenças facilmente encontradas na população em geral. As mais comuns são: anemia, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, entre outras. De modo geral, essas doenças promovem uma diminuição do fluxo sangüíneo na cóclea (ouvido interno), provocando um zumbido agudo.


doenças neurológicas (esclerose múltipla), traumatismo de crânio, tumores, seqüelas de infecções neurológicas (meningite), entre outras, podem ser causa de zumbido. Algumas vezes, o zumbido pode ser referido na cabeça e não propriamente nos ouvidos.


O American Physician's Desk Reference lista mais de 70 medicamentos que podem provocar zumbido como efeito colateral, entre eles: ácido acetilsalicílico (aspirina), antiinflamatórios, certos antibióticos e alguns antidepressivos.


a disfunção da articulação têmporo-mandibular (ATM), bem como do aparelho mastigador podem causar zumbido.


ansiedade e depressão podem estar envolvidas com zumbido. Muitas vezes, é difícil diferenciar se isso é causa ou conseqüência ou mera coincidência, principalmente, no paciente que já apresenta ambos os problemas há vários anos.


Os zumbidos gerados pelo sistema pára-auditivo (estruturas próximas ao sistema auditivo) são geralmente causados por alterações nos vasos arteriais ou venosos, nos músculos ou na tuba auditiva. Resumidamente, são divididos em vasculares (pulsáteis) e musculares (cliques). As principais causas são os tumores vasculares, as malformações vasculares, as contrações rápidas (involuntárias, rítmicas) de um ou vários grupos musculares e a disfunção da tuba auditiva.


O ouvido é divido em três partes: externo, médio e interno. O ou vido externo é formado pelo pavilhão auricular e canal auditivo com a membrana timpânica no fundo do canal. No ouvido médio estão os três ossículos (martelo, bigorna, estribo) e a abertura da tuba auditiva. O ouvido interno também chamado de labirinto, é formado pelo aparelho vestibular (equilíbrio) e cóclea (audição). O som chega ao cérebro através do nervo coclear.

Qual o diagnóstico?

A história do paciente é o primeiro e o mais importante passo no diagnóstico. A descrição de alguns tipos de zumbido, a maneira como o paciente relata, o desconforto que ele produz, podem ser informações úteis na avaliação do médico, sugerindo as prováveis etiologias de cada caso.

O passo seguinte na avaliação do médico é o exame do paciente. Consiste no exame físico (pressão arterial, pulso, peso, exame otorrinolaringológico), avaliação da audição e equilíbrio. Um exame de imagem como a tomografia computadorizada ou ressonância magnética poderá ser necessário para estudo do ouvido médio, interno e estruturas crânio-encefálicas relacionadas. Exames laboratoriais poderão ser solicitados como sangue, secreções, excreções ou fragmento de tecido, a fim de detectar possíveis alterações tóxicas, infecciosas, sangüíneas, metabólicas, endócrinas, renais, hepáticas, intestinais.

A avaliação cuidadosa, minuciosa, criteriosa e global de todas as informações obtidas poderá determinar o diagnóstico etiológico (causa) do zumbido. Sabendo-se a causa, será dado um passo à frente na obtenção de melhores resultados, pois vai tornar possível tratar de modo específico a doença da qual o zumbido é apenas um sintoma. É claro que isso nem sempre é possível, mas com certeza as chances serão bem melhores do que quem pensa "zumbido é tudo igual..., é muito difícil..., não tem cura..., não há nada que se possa fazer...".

Tratamento

Antes de tudo, o médico deve tranqüilizar o paciente quanto à pequena probabilidade de doença grave. Muitos pacientes diminuem a percepção de seu zumbido apenas com palavras confortantes que lhe tirem quaisquer suspeita de "tumor na cabeça" ou "enlouquecimento".É importante assegurar ao paciente que dificilmente seu zumbido vai piorar, mas pelo contrário, na maioria dos casos pode ocorrer uma melhora com o passar do tempo.

Após concluida uma minuciosa avaliação e tendo sido constatado que não existe uma doença causadora do zumbido, é muito importante dizer ao paciente que o zumbido que ele tem não é nenhuma ameaça para a sua saude.

Os ambientes excessivamente barulhentos devem ser evitados, pois é muito freqüente a queixa de piora após exposição ao ruído.

Também evitar o abuso de cafeína, limitando seu uso a três xícaras de café caseiro por dia. Chocolate, chá (preto e mate) e refrigerantes (tipo cola) também contêm cafeína e, além disso, muitos produtos ditos descafeinados não são isentos de cafeína, mas apresentam redução de 50% no seu teor.

Evitar o fumo e o consumo exagerado de bebidas alcoólicas, fatores considerados agravantes do zumbido.

Certos medicamentos em uso podem ser a causa do zumbido, como, por exemplo, o ácido acetilsalicílico (aspirina) e os antiinflamatórios. Alguns pacientes podem, ao mesmo tempo, estarem tomando vários remédios (diabete, hipertensão, coração, depressão, ansiedade, reumatismo) e, nesses casos, fica difícil saber qual das medicações pode ter feito o zumbido aparecer ou piorar.

Se houver a constatação de alterações psicológicas relevantes como depressão e ansiedade, agravando o zumbido, um tratamento com o psicólogo ou psiquiatra tornar-se-á necessário.

Tratamento medicamentoso: não existe fórmula única de tratamento para o zumbido. Cada caso é um caso e, portanto, o tratamento deve ser adequado para cada paciente.

O tratamento da causa é o mais eficaz, neutralizando ou suprimindo o agente agressor, curando ou melhorando o zumbido. Muitas vezes, a causa não ficou estabelecida e para esses pacientes existem vários medicamentos disponíveis com potencial para promover alívio. Caso isso não aconteça com a primeira opção, muitas outras podem ser usadas. Entre os medicamentos prescritos estão os que agem nas células nervosas hiperexc itadas das vias auditivas, drogas que influenciam o estado emocional (ansiolíticos, anti-depressivos), vasodilatadores diretos, reguladores do fluxo sangüíneo e outros.

Terapia de habituação: é uma terapia comportamental, um retreinamento das vias auditivas (Tinnitus Retraining Therapy - TRT) cujo objetivo é provocar o desaparecimento de reação ao som do zumbido e a perda de sentimentos negativos associados.

A TRT envolve dois principios basicos: a orientação que é feita através de entrevistas, reuniões periódicas, com palestras e troca de experiências entre os pacientes, visando desmistificar o zumbido; o enriquecimento sonoro que visa aumentar a quantidade de sons a que o paciente é exposto, como por exemplo, o emprego de CDs com sons ambientais. a orientação basica ao paciente é: evite o silêncio.

Para o enriquecimento sonoro existem aparelhos geradores de som, esteticamente semelhantes aos aparelhos de surdez.O gerador de som, que produz som constantemente é fixado na cabeça por cerca de 8 horas diárias.

Em pacientes com perda auditiva e zumbido é importante prescrever um aparelho auditivo, que muitas vêzes, por si só, é capaz de melhorar significativamente a tolerância do paciente ao zumbido.

Terapias alternativas poderão ser empregadas para diminuir a percepção do zumbido, como a estimulação elétrica da cóclea, a acupuntura, a homeopatia.

Evolução

A maneira como o zumbido severo evolui com o passar do tempo é uma informação importante no aconselhamento médico-paciente. Respondendo a questionários, a maioria dos pacientes afirmou que passou a tolerar melhor o zumbido com o passar do tempo; aqueles que completarm a terapia da habituação, 80% tiveram uma melhora importante .

O que seu médico deve saber responder:

Zumbido é doença?

Por que estou com zumbido?

O meu zumbido tem cura?

Fonte: Internet, wikipedia

3 comentários:

Julie disse...

As informações são muito importante mas até agora não encontrei nenhum medico disposto a ajudar. Pede um exame aqui outro ali e depois não sabem bem que fazer com eles. E enquanto isso já convivo a mais de 15 anos com o problema.

Antonio Brandão disse...

Zumbido no Ouvido, o que fazer? - YouTube
► 11:01► 11:01
www.youtube.com/watch?v=CQQ8M9xXE3s‎
04/12/2012 - Vídeo enviado por Vida Melhor
Dra Tanit Ganz Sanchez -- Otorrinolaringologista - Professora da Faculdade de Medicina da USP

Anônimo disse...

Barulho de asas batendo: Isso aconteceu duas vezes: a primeira vez foi com minha filha. Ela acordou de madrugada dizendo que não conseguia dormir por que parecia que havia um bichinho no ouvido batendo asas.(Não sei se há alguma ligação, mas uns três dias antes ela tinha ido à piscina!). Pesquisei na internet para ver se havia uma solução e não encontrei nada. Então me lembrei de que quando minha filha era bebê o pediatra disse que o melhor remédio para dor de ouvido é azeite com alho. Resolvi tentar: Coloquei alho picadinho na frigideira e acrescentei mais ou menos uma colher de azeite. Deixei "fritar um pouco" sempre amassando o alho com uma colher de pau. Desliguei o fogo e esperei ficar bem morno (cuidado, não pode ser quente!). Com um pedaço de algodão pinguei umas gotas nos (dois) ouvidos da minha filha. Ela dormiu bem o resto da noite e nunca mais sentiu nada. Um mês depois, eu senti a mesma coisa. (Eu tinha ido à uma piscina de ondas: acho que entrou água no ouvido!). Fiz o mesmo procedimento apenas uma vez, e nunca mais senti nada. Estou compartilhando, pois de repente posso ajudar alguém.