
Problema atinge cerca de 20 milhões de brasileiros.
Contato de enzimas com parede do esôfago lesiona órgão.
Há duas razões principais responsáveis pelo aparecimento de problemas com a válvula gastro-esofágica. Os dois podem aparecer isoladamente ou juntos. O músculo do esfíncter, no fundo do esôfago, pode relaxar demasiadamente ou pode aparecer uma falha por onde o esôfago passa através do diafragma - a hérnia de hiato.
O Refluxo não mata, mas afeta a qualidade de vida. Só quem sofre com azia e regurgitação, quando o conteúdo estomacal segue goela acima e deixa aquele gosto azedo, sabe o que é.
Se fosse apenas o incômodo, menos mau.
O que preocupa, porém, é a relação com doenças pulmonares, hipotireodismo, dor torácica não cardíaca, obesidade e diabetes.
Como suas causas ainda não são bem conhecidas, os médicos tratam os sintomas com medicamentos e sugerem mudanças na alimentação e no estilo de vida.
Apesar dos avanços na cirurgia laparoscópica, o implante de uma válvula para corrigir o esfíncter problemático esta longe de ser consenso.
PROBLEMAS COM O MÚSCULO DO ESFÍNCTER
Em algumas pessoas pode não haver nenhuma explicação óbvia de por que o músculo não funciona da maneira como deveria, mas sabe-se que alguns fatores têm a sua influência: ter peso acima do normal, consumir bebidas alcoólicas em excesso, fumar, certas comidas (frituras, cebola, condimentos, chocolate e alimentos ácidos) e, ocasionalmente, alguns remédios. Todos esses têm mais possibilidades de causar problemas perto da hora de dormir, de forma que o risco de haver refluxo é maior quando você se deita.
A doença de refluxo pode aumentar em 70% o risco de uma pessoa desenvolver câncer no esôfago. Levantamento do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo, mostra que, de 120 pacientes com esse tipo de câncer, 40% sofriam de refluxo. A intensidade e duração da doença podem contribuir ainda mais para o desenvolvimento do tumor.
Pacientes devem evitar café, chá, refrigerantes, bebidas alcoólicas e alimentos com muito molho
O refluxo, segundo o hospital, atinge cerca de 20 milhões de brasileiros. Já o câncer esofágico é o 6º mais comum entre os homens e o 8º entre as mulheres. Nos últimos anos, segundo o chefe de cirurgia abdominal do A.C. Camargo, Felipe José Fernandez Coimbra, a incidência de câncer no esôfago subiu de 10% para 50%.
É recomendado também que as pessoas não deitem logo após a refeição
Comum em pessoas com mais de 50 anos, o refluxo é causado pelo retorno do conteúdo do estômago ou do duodeno ao esôfago. A sensação causada é de azia e queimação. Com o contato constante das enzimas digestivas com a parede do esôfago, o órgão passa a apresentar lesões e tecido parecido com o do estômago. As células danificadas por esse processo sofrem mutações e podem se tornar cancerígenas.
O tratamento, segundo Coimbra, é feito com dietas e mudança de hábitos alimentares. Os pacientes não devem ingerir café, chá, refrigerantes, bebidas alcoólicas e alimentos com muito molho, principalmente o de tomate. É recomendado também que as pessoas não deitem logo após a refeição e mantenham o peso adequado. "Quanto mais tempo a pessoa fica sem cuidar do problema maior o risco de o caso se agravar", explica Coimbra.
Beber vinho moderadamente ajuda a evitar câncer de esôfago
Pesquisa feita na Califórnia testou variante tinta da bebida.
Consumo parece prevenir lesões que precedem os tumores.
Pesquisadores da Califórnia, estudando a relação entre o consumo de álcool e o adenocarcinoma de esôfago, deram de cara com uma curiosa relação. Os bebedores de uma ou duas doses de vinho tinto por dia apresentavam uma redução do risco de 56% da ocorrência de uma lesão pré-cancerígena chamada de esôfago de Barret.
Essa lesão ocorre quando a parede da região entre o estômago e o esôfago sofre alterações celulares por contato constante com o suco gástrico. A alteração ocorre em cerca de 5% da população e aumenta entre 30 e 40 vezes a chance do desenvolvimento do adenocarcinoma de esôfago.
A obesidade é um dos fatores de risco para o aparecimento do refluxo gastroesofageano que facilita o aparecimento do esôfago de Barret. A busca original dos pesquisadores era tentar entender o papel do consumo de álcool no desenvolvimento do câncer de esôfago.
Foram mais de mil adultos acompanhados por dois anos, Período durante o qual foram comparados o consumo de álcool, o tipo de bebida e fatores corporais e o aparecimento das lesões esofageanas. O consumo de álcool não se mostrou relacionado ao aumento do risco para alterações do esôfago. No caso do vinho tinto o efeito foi diretamente oposto.
Como ainda não se conhecem as causas para esse efeito benéfico, os pesquisadores se voltam para propriedades antioxidantes do vinho tinto. Acredita-se que os antioxidantes possam contrabalançar os efeitos danosos do ácido sobre a parede do esôfago. Antes que os apreciadores de vinho se animem, tomar mais do que duas taças por dia não aumenta o efeito protetor.
Da Agência Estado
Nenhum comentário:
Postar um comentário