Saiba como manter a hipertensão arterial sob controle
Consumo
limitado de sal e gorduras saturadas e exercícios físicos ajudam a
reduzir riscos de doença silenciosa, que causa AVC e infarto
O Dia
Rio
- Há quatro anos, o advogado Evaldo de Andrade Costa, de 67 anos,
passou mal e desmaiou em uma boate na Barra da Tijuca. Levantou-se e
caminhou até a porta, onde, mais uma vez, ficou tonto e teve de ser
levado embora. Resistente a ir ao hospital, pediu para levarem-no até
sua casa. Mas, ao chegar no condomínio, ele mesmo constatou que buscar
atendimento médico era o melhor a ser feito. Lá, ele descobriu que havia
sofrido um pequeno Acidente Vascular Cerebral (AVC), provocado por uma
“doença silenciosa” que afeta mais de 30 milhões de brasileiros: a
hipertensão arterial.
Evaldo, 67, teve um AVC há quatro anos, após uma crise de hipertensão arterial. Hoje, sua vida mudou
Foto: Divulgação
A doença é chamada de “silenciosa” por não
apresentar sintomas. Contudo, pode acarretar problemas gravíssimos, como
o AVC e o infarto do miocárdio. No Brasil,
cerca de 22,3% da população adulta são de hipertensos, ou seja, têm a
pressão alta. E o número aumenta quando a idade dos avaliados também
sobe: entre os idosos com 75 anos ou mais, 46% vivem com o problema,
que, apesar de não ter cura, tem controle.
Segundo o
cardiologista do Hospital do Coração (HCor) Celso Amodeo, o hipertenso
precisa modificar o estilo de vida — a começar pela alimentação, a qual
deve ter a quantidade de sal bem reduzida. Amodeo explica que 76%
do sal que consumimos vêm de produtos industrializados ou processados,
que utilizam uma quantidade enorme da substância a fim de preservar o
alimento. “A média do nosso consumo de sal é de 12 ou 15 gramas por dia,
quando o recomendado são cinco”, critica o cardiologista. Para se ter
uma ideia, um pãozinho francês tem em média um grama. A
nutricionista Isabela Pimentel Mota, da Sociedade de Cardiologia do
Estado de São Paulo, também destaca o controle da alimentação como algo
essencial. Além dos produtos ricos em sal, ela rechaça o excesso de
alimentos ricos em gordura saturada, aos quais os vasos sanguíneos
respondem muito mal. Outra dica para os hipertensos é a
prática regular de atividade física. Recuperado do AVC, Evaldo segue as
normas de sua médica, Márcia Umbelino, e faz exercícios ao menos duas
vezes por semana, seja musculação ou caminhada. Márcia também aponta a
importância de um bom medicamento para conter a doença, caso as medidas
naturais não sejam suficientes. Costa, por exemplo, diz que se sente
muito bem com o remédio que toma. Com quatro filhos e uma
neta de 3 anos, ele comenta que tudo em sua vida foi feito com o
pensamento neles. “Sempre foi por causa dos meus filhos, agora é por
causa da minha netinha.” Durante a vida, o advogado fumou bastante
cigarro e ingeriu bebida alcóolica, algo refutado pelos especialistas.
Hoje, ele segue as indicações da médica, mas, apesar de ter largado o
cigarro, nem todos os hábitos foram deixados para trás. “O que não evito
é o álcool. Gosto muito de tomar meu uísque no fim de semana”, confessa. Obesidade é um dos principais fatores para desenvolver doença O
AVC que matou o ator Umberto Magnani, de 75 anos, durante uma gravação
de ‘Velho Chico’, da TV Globo, na última semana, não é o único risco que
a hipertensão arterial pode causar, mas certamente é um dos mais
graves, ao lado do infarto. Um dos fatores fundamentais para o
desenvolvimento de hipertensão é a obesidadel. “É claro que
há outros fatores, como hereditariedade, envelhecimento, sedentarismo,
consumo excessivo de sal na alimentação, estresse e tabagismo, mas o
peso tem papel decisivo no controle desta patologia”, destaca o
cardiologista Ivan Cordovil, coordenador do serviço de Hipertensão do
Instituto Nacional de Cardiologia. Para prevenir, Ricardo
Mourilhe, presidente da Sociedade de Cardiologia (Socerj), recomenda
atividade física por, no mínimo, 150 minutos por semana, dieta saudável e
balanceada com menor quantidade de sódio, parar de fumar e evitar o
consumo de álcool. Ele explica que a pressão é considerada alta quando
está acima de 140 (máxima) por 90 (mínima). “A de 120 por 80 (ou 12x8) é
considerada ideal”.
Alimentos recomendados Beterraba
e alho: Vários estudos têm mostrado que o consumo diário de suco de
beterraba rico em nitratos contribui para a pressão arterial. O extrato
de alho também tem sido investigado pelo seu poder hipotensor. Peixes
fonte de ômega 3: Esta gordura encontrada na sardinha, salmão e atum
aumenta a síntese de substâncias vasodilatadoras e têm ação similar a
alguns medicamentos anti-hipertensivos. Laticínios magros: Cada porção de iogurte adicionada à dieta foi associada com redução de 6% do risco de hipertensão arterial. Morangos
e romã: O consumo de morango tem apresentado relação inversa com a
incidência de hipertensão. Estudos mostram que o suco de romã é rico em
antioxidantes, com efeito hipotensor. Frutas secas: Damasco, uva
passa, ameixa preta são frutas com elevado teor de potássio, que atua
de modo positivo no controle da hipertensão. Castanha do Pará, pistache,
amendoim, macadâmia, nozes e amêndoas também são aliadas. Azeite
de oliva: A inclusão de 30 ml de azeite de oliva extra virgem à dieta
tem sido associada a maior produção de endotelina e óxido nítrico, ambos
importantes reguladores da pressão arterial. Cacau: O consumo
do chocolate com quantidade mínima de 70% de cacau mostrou ter efeito
hipotensor. A quantidade mínima de consumo diário necessário para a
redução da pressão arterial é de de 40 gramas de chocolate amargo. Tente evitar Excesso
de sal (o recomendado é consumir cerca de 5 gramas por dia), gorduras
saturadas, cigarro, bebidas alcoólicas e obesidade
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