A questão levantada por juristas e até por ministros do Supremo Tribunal Federal é se Cunha pode a assumir a Presidência após ter se tornado réu no âmbito da Operação Lava Jato. Partidos como o PSB já afirmaram que vão entrar com ações no STF questionando essa situação.
Nas últimas semanas, o ex-ministro do Supremo Carlos Ayres Britto tem defendido a tese de que a condição de réu é incompatível com a de presidente da República. Ele argumenta que o artigo 86 da Constituição estabelece que o presidente deve ser afastado do cargo caso se torne réu em uma ação do Supremo. Por isso, questiona: “Se uma pessoa já está sob essa condição, poderia vir a assumir a Presidência?”.
“A dúvida posta tem razão de ser. Se o presidente da República, uma vez recebida a denúncia pelo Supremo, fica afastado da função, então é perfeitamente razoável que se indague se isso atingirá também o substituto eventual”, argumenta Sepúlveda Pertence, que também já ocupou uma cadeira no STF.
Plenitude
Já para o jurista Ives Gandra Martins, se Cunha não for afastado do cargo, continua na linha sucessória e tem plenas condições de assumir a Presidência temporariamente. “Quem está no exercício do cargo, exerce em toda a sua plenitude.”
Esse também é o entendimento do ex-ministro do Supremo Carlos Velloso. “Acho que esse problema é muito mais ético do que jurídico. Se ele está no exercício da presidência da Câmara, pela lei e pela Constituição, ele pode assumir a Presidência”, disse.
Nesta semana, o ministro do STF Teori Zavascki reconheceu que esse debate vai acontecer junto com a discussão sobre o pedido de afastamento do deputado do comando da Câmara.
A saída de Cunha do cargo foi pedida em dezembro do pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Desde então, o processo está parado no STF, mas começa a circular no Tribunal a informação que Teori poderia liberar o caso para a pauta em breve
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