5.17.2010

Libertação da francesa Clotilde Reiss e os termos do acordo

A francesa Clotilde Reiss deixa o Palácio do Eliseu neste domingo (16) depois de ter sido recebida pelo presidente Nicolas Sarkozy. (Foto: AFP)

O Brasil também desempenhou um "papel fundamental" na libertação da francesa Clotilde Reiss, que retornou domingo a Paris depois de ter ficado retida durante dez meses no Irã, disse Amorim.

Acordo é grande vitória, diz Alencar
"Em todas as vezes que fui a Teerã, este assunto foi abordado. O papel do Brasil foi absolutamente fundamental", disse. "Isso prova que o trabalho feito com discrição gera resultados, assim como a competência da diplomacia brasileira."
O ministro brasileiro fez essas declarações depois de ter deixado Teerã, onde participou do acordo com a Turquia e o Irã para uma troca no exterior de parte do urânio levemente enriquecido desse país por combustível.

Amorim explicou que o presidente Nicolas Sarkozy havia dito há seis meses durante a sua visita a Manaus (Brasil) que qualquer negociação entre a França e o Irã era difícil em razão da situação de Clotilde Reiss.
"Propusemos nossa ajuda por meio de uma mediação para que ela fosse libertada", indicou o chefe da diplomacia brasileira.
Clotilde Reiss, retida há dez meses no Irã por ter participado de manifestações contra o governo, chegou no domingo à tarde à França após uma libertação que não foi fruto de um acordo secreto com Teerã, segundo Paris.
O presidente Nicolas Sarkozy agradeceu "particularmente" ao presidente Lula, ao presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, e ao presidente da Síria, Bachar al-Assad, por seu papel "ativo" na libertação de Clotilde Reiss.

Declaração do Irã não é 'balde de água fria' no acordo, afirma Amorim
Funcionário iraniano afirmou que país seguiria enriquecendo urânio.
Para chanceler brasileiro, fala seria uma maneira de 'acalmar' radicais.
Da AFP, em Madri
O chanceler do Brasil, Celso Amorim, negou nesta segunda-feira (17) que o acordo nuclear firmado pelo Irã com a mediação de Brasil e Turquia para troca de combustível nuclear tenha ficado "comprometido" pelo fato de Teerã ter manifestado a intenção de seguir enriquecendo urânio a 20%.
Segundo Amorim, a declaração, feita depois da assinatura do acordo, "não foi um balde de água fria", e poderia ter como objetivo acalmar setores mais "linha dura" dentro do Irã.
"Em verdade, cada um tem seu público interno", disse o ministro em uma teleconferência em Madri. "Se criarmos confiança, haverá condições de discutir o assunto."
íntegra

Ele também acrescentou que o Irá, até agora, não conseguiu enriquecer uma "quantidade significativa" de urânio a 20%.
Amorim afirmou que ele e o presidente Lula passaram o dia explicando o acordo a líderes de todas as partes do mundo.
análises
Lula está em Madri para participar nesta terça-feira de uma reunião de cúpula entre América Latina e Europa.


Leia a íntegra do texto do acordo de troca de combustível nuclear do Irã
Acordo foi assinado nesta segunda-feira, intermediado por Brasil e Turquia.Ele prevê que a troca de combustível seja feita em território turco.
Do G1, com agências internacionais

Estes são os principais termos da "declaração comum" de dez pontos assinada nesta segunda-feira por Irã, Turquia e Brasil, que estabelece uma troca de combustível em território turco para tentar pôr fim à crise nuclear iraniana ):
Tendo-se reunido em Teerã em 17 de maio, os mandatários abaixo assinados acordaram a seguinte Declaração:
1. Reafirmamos nosso compromisso com o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e, de acordo com os artigos relevantes do TNP, recordamos o direito de todos os Estados-Parte, inclusive a República Islâmica do Irã, de desenvolver pesquisa, produção e uso de energia nuclear (assim como o ciclo do combustível nuclear, inclusive atividades de enriquecimento) para fins pacíficos, sem discriminação.
2. Expressamos nossa forte convicção de que temos agora a oportunidade de começar um processo prospectivo, que criará uma atmosfera positiva, construtiva, não-confrontacional, conducente a uma era de interação e cooperação.
3. Acreditamos que a troca de combustível nuclear é instrumental para iniciar a cooperação em diferentes áreas, especialmente no que diz respeito à cooperação nuclear pacífica, incluindo construção de usinas nucleares e de reatores de pesquisa.
4. Com base nesse ponto, a troca de combustível nuclear é um ponto de partida para o começo da cooperação e um passo positivo e construtivo entre as nações. Tal passo deve levar a uma interação positiva e cooperação no campo das atividades nucleares pacíficas, substituindo e evitando todo tipo de confrontação, abstendo-se de medidas, ações e declarações retóricas que possam prejudicar os direitos e obrigações do Irã sob o TNP.
5. Baseado no que precede, de forma a facilitar a cooperação nuclear mencionada acima, a República Islâmica do Irã concorda em depositar 1200 quilos de urânio levemente enriquecido (LEU) na Turquia. Enquanto estiver na Turquia, esse urânio continuará a ser propriedade do Irã. O Irã e a AIEA poderão estacionar observadores para monitorar a guarda do urânio na Turquia.
6. O Irã notificará a AIEA por escrito, por meio dos canais oficiais, a sua concordância com o exposto acima em até sete dias após a data desta Declaração. Quando da resposta positiva do Grupo de Viena (EUA, Rússia, França e AIEA), outros detalhes da troca serão elaborados por meio de um acordo escrito e dos arranjos apropriados entre o Irã e o Grupo de Viena, que se comprometera especificamente a entregar os 120 quilos de combustível necessários para o Reator de Pesquisas de Teerã.
7. Quando o Grupo de Viena manifestar seu acordo com essa medida, ambas as partes implementarão o acordo previsto no parágrafo 6. A República Islâmica do Irã expressa estar pronta - em conformidade com o acordo – a depositar seu LEU dentro de um mês. Com base no mesmo acordo, o Grupo de Viena deve entregar 120 quilos do combustível requerido para o Reator de Pesquisas de Teerã em não mais que um ano.
8. Caso as cláusulas desta Declaração não forem respeitadas, a Turquia, mediante solicitação iraniana, devolverá rapida e incondicionalmente o LEU ao Irã.
9. A Turquia e o Brasil saudaram a continuada disposição da República Islâmica do Irã de buscar as conversas com os países 5+1 em qualquer lugar, inclusive na Turquia e no Brasil, sobre as preocupações comuns com base em compromissos coletivos e de acordo com os pontos comuns de suas propostas.
10. A Turquia e o Brasil apreciaram o compromisso iraniano com o TNP e seu papel construtivo na busca da realização dos direitos na área nuclear dos Estados-Membros. A República Islâmica do Irã apreciou os esforços construtivos dos países amigos, a Turquia e o Brasil, na criação de um ambiente conducente à realização dos direitos do Irã na área nuclear.
Manucher MottakiMinistro dos Negócios Estrangeiros da República Islâmica do Irã
Ahmet DavutoğluMinistro dos Negócios Estrangeiros da República da Turquia
Celso Amorim Ministro das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil

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