Novas manifestações no Egito começam com quatro militantes e um policial mortos Irmandade Muçulmana convoca manifestações em todo o país por conta de massacre de partidários do presidente deposto Mursi. Exército blinda centro do Cairo no dia da ira islâmico
GaleriaTensão no Egito no “Dia da ira” Governo interino do Egito diz que críticas de Obama incentivam grupos violentos Egito manchado de sangue: 2º dia
Cristãos sofrem represálias no Egito após massacre contra muçulmanos
Em dois dias, ao menos 17 igrejas foram atacadas por ativistas islamistas
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Para onde vai a Primavera Árabe?
Polarização política e sectarismo florescem na esteira de levantes, e problemas econômicos não são resolvidos
Pelo menos quatro jornalistas morreram em confrontos no Cairo
Forças militares invadiram acampamentos de opositores do atual governo na quarta-feira. Ministério da Saúde afirma que 525 morreram e quase 4 mil ficaram feridos
Cairo (Egito) - O governo do Egito anunciou
oficialmente, nesta quinta-feira, que usará munições letais contra
manifestantes. O aviso foi feito um dia após as forças militares
atacarem acampamentos dos partidários do presidente deposto Mohammed
Mursi. Apesar do Ministério da Sáude afirmar que 525 pessoas morreram e
quase 4 mil ficaram feridas, o governou não admitiu ter usado armas de
fogo contra os opositores do atual presidente interino, Adly Mansor.
Na manhã desta quinta-feira, a Irmandade
Muçulmana convocou novas manifestações. O porta-voz da entidade, Gehad
el-Haddad, pediu que os manifestantes participem dos funerais, incluindo
o maior deles, na mesquita de Al Iman, no Cairo. Ele ainda disse em sua
conta do Twitter que a Irmandade sofreu"um golpe muito duro" e que dois
líderes do movimento morreram baleados. "A raiva dos nossos militantes
está fora do controle", anunciou ele.
Após o pior derramamento de sangue dos últimos anos, o governo provisório declarou estado de emergência com validade de um mês e impôs um toque de recolher noturno na capital e em dez províncias. Essa providências devolvem ao Exército poderes de prender suspeitos indefinidamente, algo que vigorou durante décadas no Egito até a rebelião popular que derrubou o governante autocrata Hosni Mubarak, em 2011 e elegeu democraticamente o presidente deposto Mohammed Mursi.
O Exército, no entanto, diz não desejar manter o poder, e alega que interveio para destituir Mursi em julho atendendo ao forte clamor popular pela renúncia dele. O governo provisório instalado depois da deposição prometeu realizar novas eleições em cerca de seis meses, mas os esforços para restaurar a democracia no Egito estão sendo ofuscados por uma crise política que polarizou o país entre grupos pró e anti-Mursi, primeiro presidente eleito democraticamente na história egípcia.
Em resposta à violenta repressão do governo e ao elevado número de mortos, o vice-presidente egípcio e ganhador do Nobel da Paz em 2005, Mohamed ElBaradei, renunciou ao cargo. "Ficou difícil para mim continuar a ter responsabilidade por decisões com as quais eu não concordo e cujas consequências eu temo. Não posso carregar a responsabilidade por um derramamento de sangue", escreveu em carta na quarta-feira.
Obama condena ação do governo
O presidente dos EUA, Barack Obama condenou "categoricamente os passos tomados pelo Governo interino e pelas forças de segurança" para reprimir os protestos, e lembrou que a cooperação com o Egito está "no interesse da segurança nacional" dos EUA. "Mas a cooperação tradicional não pode continuar como de costume quando civis estão sendo mortos nas ruas e tendo seus direitos restringidos".
O líder americano anunciou nesta quinta-feira o cancelamento de exercícios militares conjuntos previstos com o Egito e a avaliação de outras medidas perante o aumento de violência no país. "O povo egípcio merece algo melhor do que o que vimos nos últimos dias. O ciclo de violência deve parar", advertiu.
"O Ministério do Interior instruiu
todas as forças a usar munição de verdade para combater ataques a
prédios do governo e às Forças Armadas”, disse o comunicado oficial do
governo. O ministério justificou esta ação após um ataque feito pela
Irmandade à sede do governo da Província de Gizé, ao lado do Cairo. O
prédio foi incendiado após manifestantes jogarem coquetéis molotov.
Mortos no massacre de quarta-feira
Reuters
Reuters
Após o pior derramamento de sangue dos últimos anos, o governo provisório declarou estado de emergência com validade de um mês e impôs um toque de recolher noturno na capital e em dez províncias. Essa providências devolvem ao Exército poderes de prender suspeitos indefinidamente, algo que vigorou durante décadas no Egito até a rebelião popular que derrubou o governante autocrata Hosni Mubarak, em 2011 e elegeu democraticamente o presidente deposto Mohammed Mursi.
O Exército, no entanto, diz não desejar manter o poder, e alega que interveio para destituir Mursi em julho atendendo ao forte clamor popular pela renúncia dele. O governo provisório instalado depois da deposição prometeu realizar novas eleições em cerca de seis meses, mas os esforços para restaurar a democracia no Egito estão sendo ofuscados por uma crise política que polarizou o país entre grupos pró e anti-Mursi, primeiro presidente eleito democraticamente na história egípcia.
Em resposta à violenta repressão do governo e ao elevado número de mortos, o vice-presidente egípcio e ganhador do Nobel da Paz em 2005, Mohamed ElBaradei, renunciou ao cargo. "Ficou difícil para mim continuar a ter responsabilidade por decisões com as quais eu não concordo e cujas consequências eu temo. Não posso carregar a responsabilidade por um derramamento de sangue", escreveu em carta na quarta-feira.
Obama condena ação do governo
O presidente dos EUA, Barack Obama condenou "categoricamente os passos tomados pelo Governo interino e pelas forças de segurança" para reprimir os protestos, e lembrou que a cooperação com o Egito está "no interesse da segurança nacional" dos EUA. "Mas a cooperação tradicional não pode continuar como de costume quando civis estão sendo mortos nas ruas e tendo seus direitos restringidos".
O líder americano anunciou nesta quinta-feira o cancelamento de exercícios militares conjuntos previstos com o Egito e a avaliação de outras medidas perante o aumento de violência no país. "O povo egípcio merece algo melhor do que o que vimos nos últimos dias. O ciclo de violência deve parar", advertiu.
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