12.07.2014

"TRENSALÃO": A RAPIDÍSSIMA CONCLUSÃO DA PF DE QUE POLÍTICOS TUCANOS SÃO INOCENTES...




Já havíamos presenciado um recorde de velocidade de investigação da polícia brasileira. Aconteceu em Minas Gerais. Foi no caso do flagrante de transporte de meia tonelada de cocaína por helicóptero de senador amigo e aliado de Aécio Neves. Em poucos dias, com velocidade da luz, a polícia investigou e divulgou sua conclusão que o culpado era somente o piloto. 

Da mesma maneira, vemos a polícia e justiça paulista concluírem que nesses mais de dez anos de enorme esquema de desvio de dinheiro público, sobrepreço, propina, no "trensalão tucano", todos os políticos tucanos são inocentes e não sabiam de nada.  Os culpados, por analogia, devem ser os maquinistas. Impressionante.

Trensalão: PF, Tóffoli, Marco Aurélio e Fux (claro) matam no peito

Por Eduardo Guimarães, no "Cidadania"

"Enquanto céus e terras se movem para inventar pagamento de propina com recibo, nas instâncias de investigação que julgam e condenam políticos só quando são petistas, tucanos envolvidos em escândalo que em tudo se assemelha ao da Petrobrás vão saindo à francesa, sob os auspícios da PF e do STF.

Esse caso é uma bofetada no rosto da sociedade, sobretudo da sociedade-zumbi que povoa São Paulo, ainda que esta não se manque.

Na última quinta-feira (4), a Polícia Federal concluiu o inquérito sobre o cartel de empresas fornecedoras de trens para o Metrô e para a CPTM, esquema que operou em São Paulo entre 1998 e 2008 (dez anos inteirinhos) sem que os então governadores Mario Covas, Geraldo Alckmin e José Serra soubessem qualquer coisa.

Governante tucano tem direito de “não saber”, ao contrário de governante petista.

A PF indiciou 33 investigados por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de cartel e crime licitatório. Nenhum desses indiciados é político. Só laranjas foram acusados. Meros funcionários, tanto das empresas corruptoras quanto das corrompidas.

Alguns deles ainda trabalham nas empresas estatais paulistas, inclusive.

O perfil de indiciados é muito parecido com o do escândalo da Petrobrás. São servidores públicos, doleiros, empresários e executivos de grandes empresas que participaram de esquema de divisão de contratos com o Metrô de São Paulo e com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

As estatais “foram usadas, foram vítimas” do ajuste das empresas, diz a PF. Não são como a Petrobrás (SIC), que “sabia de tudo”…

O que difere em um esquema criminoso que teve início há 16 anos – e que só começou a ser investigado em 2008 – para o caso Petrobrás é que, de forma espantosa, essas empresas que corromperam funcionários públicos das estatais Metrô e CPTM fizeram tudo isso "sem envolver um mísero político" [sic], segundo a PF.

José Serra, por exemplo, apesar de ter sido acusado por um ex-executivo da Siemens, Nelson Marchetti, de ter orientado a multinacional alemã a não entrar com ação na Justiça contestando a contratação da espanhola CAF na licitação para compra de 384 carros da CPTM, segundo a PF “não sabia” de nada.

Mas Serra não foi o único político investigado. Em outubro de 2013, a PF tomou depoimentos de dois ex-diretores da Siemens, em uma delação premiada igualzinha à do caso Petrobrás. Everton Rheinheimer, um dos delatores, citou deputados do PSDB, do DEM e do PPS como beneficiários de propinas do cartel.

Porém, alegando falta de indícios, o Supremo Tribunal Federal [rapidamente] arquivou os inquéritos contra o senador Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB, e contra os deputados federais Arnaldo Jardim, do PPS, e Edson Aparecido, do PSDB.

Contudo, o escândalo que seria um esquema dessa envergadura não envolver um mísero político, tem chance (pequena) de não ocorrer. O Supremo ainda analisa suspeitas contra os deputados Rodrigo Garcia, do DEM, e José Anibal, do PSDB. Eles foram citados em delação premiada feita pelo ex-diretor da Siemens Everton Reinheimer.

Dois ministros já votaram para acabar com essa coisa incômoda de investigar demos e tucanos e decidiram-se pelo arquivamento da denúncia. Outros dois posicionaram-se a favor da continuidade da investigação. O julgamento, porém, foi interrompido por pedido de vista de um dos ministros.

O recurso de “acompanhamento processual” do site do STF mostra quem decidiu o que no STF após a escandalosa conclusão da PF, que age de forma tão diferenciada quando os envolvidos em escândalos são do PSDB. Confira, abaixo, o que diz o andamento do processo 3815 do Supremo:



FONTE: escrito por Eduardo Guimarães, no seu blog "da Cidadania"   (http://www.blogdacidadania.com.br/2014/12/trensalao-pf-toffoli-marco-aurelio-e-fux-claro-matam-no-peito/). [Título e trechos entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].

COMPLEMENTAÇÃO

Do portal "Conversa Afiada":

Trensalão tucano: PF do zé é muito gentil

Roubalheira geral não pega tucano gordo



Como se sabe, a PF do da Justiça marcou o depoimento do Padim Pade Cerra para DEPOIS da eleição.

Gente fina é assim: não iria atrapalhar a campanha do inimputável senador.

Agora, a extrema gentileza chega ao ponto da generosidade cristã.

No [tucano] "Globo":

PF INDICIA 33 POR CORRUPÇÃO ATIVA E PASSIVA NO CARTEL DOS TRENS EM SÃO PAULO


Investigado, o ex-governador e senador eleito por São Paulo, José Serra (PSDB), não foi indiciado

SÃO PAULO — A Polícia Federal indiciou 33 pessoas por corrupção ativa e passiva no o inquérito que investiga a formação de cartel nas obras do metrô e trens de São Paulo. O prejuízo envolvendo as licitações do sistema metroferroviário entre 1998 e 2008 podem ter gerado um prejuízo de R$ 577 milhões aos cofres públicos. Os indiciados são acusados de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de cartel e crime licitatório.

Estão indiciados servidores públicos, doleiros, empresários e executivos de multinacionais do setor que participaram em conluio do esquema para obter contratos com o Metrô de São Paulo e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O ex-governador e senador eleito José Serra (PSDB), intimado para depor como investigado, não foi indiciado. Segundo a PF, não há provas da ligação do tucano com o cartel, nem com crimes transnacionais de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

A investigação aponta indício de que as empresas combinavam valores elevaram os valores dos contratos de Metrô e da CTPM a preços acima do mercado chegando a faturar até 30% a mais. As empresas vencedoras dos certames subcontratavam outras companhias que não tiveram sucesso na disputa."


FONTE: do portal "Conversa Afiada"  (http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2014/12/04/trensalao-tucano-pf-do-ze-e-muito-gentil/).

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