7.03.2011

ALIMENTAÇÃO NOTURNA

Síndrome Alimentar Noturna pode causar obesidade

Pesquisa feita pela USP mostra todas as consequências deste transtorno.

Você sente muita fome durante a noite? Costuma acordar de madrugada para atacar a geladeira ou faz refeições pesadas antes de dormir? Saiba que este pequeno desvio de comportamento pode indicar um transtorno psiquiátrico conhecido como SAN (Síndrome Alimentar Noturna). Pelo menos foi o que mostrou a pesquisa “Comportamentos alimentares noturnos inadequados: caracterização clínica e polissonográfica”, realizada na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

“Portadores de SAN relatam aumento do consumo alimentar, usualmente após o jantar, ou apresentam despertares noturnos, para comer ou beber”, explica o médico psiquiatra Alexandre Pinto de Azevedo, autor do estudo sobre a síndrome.

Segundo ele, a maior parte da ingestão alimentar deve ocorrer entre 10 e 19 horas, com uma distribuição adequada do consumo durante o dia. “Na SAN, há uma concentração elevada da ingestão de alimentos no período noturno quando comparado com os hábitos da população normal. É comum que a pessoa também tenha, além desta síndrome alimentar, algum outro transtorno psiquiátrico”, explica.

Uma das mais graves consequências deste transtorno é a obesidade. Também foi identificada pela pesquisa uma prevalência de pacientes portadores de SAN com sobrepeso. A explicação para isso é o fato de, no período noturno, o corpo ficar em atividade metabólica basal, ou seja, com um mínimo de gasto energético em suas funções.

“Imagine uma pessoa ingerindo cerca de 50% da quantidade total diária de calorias após as 19 horas, incluindo-se despertares a partir do sono para comer. Certamente, um consumo elevado durante este período levará ao aumento de reserva energética na forma de depósito de gordura e, por consequência, ao ganho de peso”, pondera Azevedo.

Dos voluntários portadores de SAN que participaram da pesquisa, 71% tiveram ao menos um diagnóstico psiquiátrico. Os transtornos de humor, doenças que determinam sentimentos de tristeza ou de euforia, foram os de maior prevalência, seguidos dos transtornos ansiosos, cujo sintoma principal é a ansiedade em níveis superiores aos aceitáveis pela medicina.

Em relação à eficiência do sono, a pesquisa realizou avaliação de polissonografia — exame no qual um polígrafo avalia o padrão de sono da pessoa, que é monitorado quanto a sua atividade elétrica cerebral, movimentos corporais, atividade respiratória e cardíaca. A avaliação revelou um aumento do índice de micro-despertares em quase 82% dos participantes, com redução da eficiência do sono abaixo da faixa considerada normal em 45% deles.

Atualmente, ainda não foram descobertos os principais fatores causadores de SAN. Predisposição genética, estresse de diversas ordens e alterações dos moduladores do sono, do apetite e de neurotransmissores cerebrais são hipóteses especuladas como causas da síndrome. Existem, entretanto, formas de tratar a doença.

“Usualmente, medicamentos são suficientes no controle dos sintomas de SAN, sem a necessidade de tratamento nutricional ou psicoterápico”, destaca ele. Mas, vale lembrar, que antes de qualquer medida é preciso procurar um médico para fazer a avaliação e diagnosticar a doença.
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