6.14.2015

Estupro dentro de casa



Regina Navarro Lins

Ilustração: Lumi Mae
Ilustração: Lumi Mae

Comentando o “Se eu fosse você''

A questão da semana é o caso  da internauta que não quis transar com o marido, porque não se sentia bem, mas ele a forçou ir para a cama, rasgou sua roupa e a penetrou contra a vontade dela.
É dessa forma de violência que as mulheres têm mais dificuldade de falar e, no entanto, ela está presente em muitos relacionamentos. A violência sexual abrange um espectro bastante amplo, que vai do assédio sexual à exploração sexual, passando pelo estupro conjugal.
A internauta que nos relatou seu caso não está sozinha. Tânia, uma designer de 36 anos, chegou aos prantos à primeira sessão de terapia. “Meu casamento não ia nada bem, tanto que eu tentava conversar com meu marido sobre uma possível separação. Já não fazíamos sexo há vários meses, apesar das insistências dele. Na sexta-feira de manhã ele parece ter perdido a paciência: com raiva, me jogou na cama, me amarrou e me estuprou.”
Em um estudo, na França, com uma amostragem de 148 mulheres vítimas de violência no casal, que foram objeto de decisão judicial, 68% das que foram interrogadas relatavam ter sofrido, além de pancadas e ferimentos, violência sexuais conjugais.
E as mulheres sexualmente agredidas apresentavam, significativamente, mais sintomas psicológicos pós-traumáticos do que as que haviam sofrido apenas violência física sem componente sexual. A violência sexual tem duas formas de se manifestar: pela humilhação ou pela dominação.
De qualquer forma, toda violência sexual é bastante traumatizante. É, sobretudo, um meio de sujeitar o outro. O que não tem nada a ver com o desejo; é simplesmente, para o homem, um modo de dizer: “Você me pertence”.
É importante que todos saibam, que sexo sem consentimento, mesmo com o marido, é estupro. E pela legislação brasileira estupro é crime hediondo, com pena de 6 a 10 anos de prisão. O ideal seria que toda mulher estuprada pelo marido desse parte dele à polícia e se separasse, como sugeriram vários internautas. Mas a questão não é simples.
Marie-France Hirigoyen, psicanalista francesa que escreveu um livro sobre a violência no casal, faz uma severa crítica aos psicanalistas que consideram que as mulheres que permanecem na relação experimentam uma satisfação de ordem masoquista em ser objeto de sevícias. “É preciso que esse discurso alienante cesse, pois, sem uma preparação psicológica destinada a submetê-la, mulher alguma aceitaria os abusos psicológicos e muito menos a violência física.”
Hirigoyen, acredita que antes da primeira violência física as mulheres devem cortar o mal pela raiz, reagindo à violência verbal e psicológica. Para isso é essencial que elas aprendam a perceber os primeiros sinais de violência para encontrar em si mesmas a força para sair de uma situação abusiva. Compreender por que se tolera um comportamento intolerável é também compreender como se pode sair dele.

O estupro mora no quarto ao lado

  • 31 março 2014
  •  
  •  comentários
Nana Queiroz iniciou campanha online contra a ideia de atribuir culpa do estupro à vítima
Desde que iniciei o protesto on-line "Eu não mereço ser estuprada", na noite da última quinta-feira, recebi uma série de depoimentos de mulheres, homens e adolescentes que foram vítimas de abuso sexual. É incrível como essas histórias têm força, muito mais força que os números. E o que vi é que o estupro geralmente não ocorre à noite, num beco escuro. Ele ocorre, principalmente, em situações mais cinzentas.
No Distrito Federal, onde vivo, uma pesquisa publicada no ano passado, por exemplo, indicou que 85,2% dos estupros acontecem dentro da casa da vítima ou do agressor. Os números são chocantes, e me sinto na obrigação de contar sobre alguns rostos por trás das estatísticas.
Todos os nomes a seguir são fictícios.
Joana foi abusada sexualmente pelo pai durante toda a infância. O mais curioso é que ela só percebeu ter sido vítima de abuso na vida adulta - e o pai dela não percebeu até hoje. Sabe por quê? Porque ele nunca a penetrou. Enfiava a mão por dentro de sua calcinha, acariciava seus seios mas, para ele, abuso sexual é penetração.
No entanto, segundo a Lei Ordinária Federal nº 12.015, de 2009, que alterou o Código Penal Brasileiro, o crime de estupro não se refere somente à penetração, mas a qualquer ato de "conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima".
Outra história. Certa noite, Maria estava entediada. Foi à casa de um amigo em quem confiava muito para ouvir música e beber até cair. Temerosa de dirigir para casa embriagada, ela pediu para dormir em seu sofá até que o efeito do álcool se dissipasse. Acordou algumas horas depois com a bruta inserção de um pênis em sua vagina. Ela gritou, protestou, exigiu que parasse. Ele prosseguiu até não conseguir mais lutar contra ela. Argumentou que a culpa era dela por ter dormido na casa dele.
Nesse caso, vale um raciocínio básico: na dúvida, é estupro. Não tem certeza se ela está suficientemente consciente? É estupro. Não sabe se álcool ou drogas afetaram sua capacidade de julgamento? É estupro. Ela está semiacordada? É estupro. Devíamos nos concentrar em explicar aos homens como não estuprar, e não em dizer às mulheres como não serem estupradas.
Marco foi estuprado aos cinco anos pelo irmão. Na vida adulta, ele teve coragem de contar aos pais. Pressionado para dar explicações, o abusador, que era bem mais velho que Marco, afirmou: "Eu já havia percebido que ele era gay, imaginei que ele iria gostar, e ele gostou".
Mas crianças não podem "gostar" ou não de sexo. Elas ainda não têm a maturidade e os critérios para definir se desejam ou não uma relação sexual. A ONG Childhood, que trabalha com vítimas de pedofilia, explica que "a natureza sexuada, inerente a qualquer criança, não pode ser entendida no sentido genital, mas sim no contexto de uma série de experiências psicológicas e físicas que vão, aos poucos, dando forma a seu pensamento e a seu corpo, ao que ela pensa sobre seu corpo e como o sente".
Mais: vocês sabiam que mais de um terço dos abusadores de crianças são também menores de idade? Ou seja, você que forçou seu primo ou prima mais nova a ter envolvimento sexual com você também cometeu um abuso, mesmo sendo menor de idade. Este é o caso de Marcelo, um belo homem que foi abusado constantemente por um primo cinco anos mais velho durante a infância. Quando enfrentou o abusador, apoiado pela família, na vida adulta, o abusador alegou: "Eu também era menor de idade, portanto, não sou culpado". É, sim. Mas, claro, deve ser tratado como um menor ofensor, que não tinha seu caráter ainda completamente formado.
Finalmente, gostaria de dizer que tenho recebido e-mails de pessoas que sugerem castração e pena de morte para abusadores. Não creio que a solução esteja por aí. A lei brasileira já protege amplamente o abusado. Temos que pedir que ela seja aplicada e não que endureça. O trabalho deve se concentrar em educar os homens para que não estuprem, as mulheres para que denunciem, os policiais para que não culpem as vítimas e os familiares para que não acobertem os casos de abuso intrafamiliares.
O primeiro passo para evitar mais histórias como as de Marco, Marcelo, Maria e Joana é a mudança do discurso. Diga às suas filhas que elas são dignas e que seu corpo é só delas. Ensine seus filhos a respeitar as mulheres e buscar o sexo como uma experiência mágica a dois. Não deixemos esse movimento morrer. Eu lancei a pergunta, agora, a resposta é com vocês!
Nana Queiroz, 28 anos, é autora do movimento "Eu não mereço ser estuprada", criado no Facebook na última quinta-feira em resposta ao resultado de uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) segundo a qual 65% dos brasileiros acham que mulheres com roupas curtas merecem ser atacadas. O movimento ganhou a adesão de 44 mil pessoas e repercutiu em vários países. Jornalista formada pela USP, Queiroz estuda desde 2009 o sistema carcerário feminino do Brasil. A pesquisa dará origem ao livro "Presos que Menstruam", a ser publicado até o fim de 2014.

Lista resumida dos medicamentos – Alto Custo – SUS

Medicamentos do SUS – Farmácia de Alto Custo

Acetato de Zinco – Doença de Wilson
Amantadina – Doença de Parkinson
Anticorpo Monoclonal Murino Anti CD3 – Transplante Renal
Antiinflamatórios não-esteroidais – Artrite Reumatóide
Atorvastatina – Dislipidemias
B
Basiliximab Transplante Renal
Beclometasona – Asma grave
Benserazida – Doença de Parkinson
Bezafibrato – Dislipidemias
Biperideno – Doença de Parkinson
Bisfosfonados – Osteoporose
Bromocriptina – Acromegalia, Doença de Parkinson
Budesonida – Asma grave
C
Calcitonina Osteoporose
Carbonato de Cálcio + Vitamina D – Osteoporose
Ciprofibrato – Dislipidemias
Ciprofloxacina – Doença de Crohn
Clofibrato – Dislipidemias
Cloroquina – Artrite Reumatóide
Clozapina – Esquizofrenia
D
Daclizumab – Transplante Renal
Donepezil – Alzheimer
E
Entacapone – Doença de Parkinson
Enzimas Pancreáticas – Fibrose Cística
Eritropoetina Humana Recombinante – Anemia da Insuficiência Renal Crônica (IRC)
Espironolactona – Hiperplasia Adrenal Congênita
Estrógenos – Osteoporose
Etofibrato – Dislipidemias
F
Fenoterol – Asma grave
Filgrastima – Neutropenia
Fludrocortisona – Hiperplasia Adrenal Congênita
Fluvastatina – Dislipidemias
Formoterol – Asma grave
Fórmula de aminoácidos isenta de Fenilalanina – Fenilcetonúria
G
Gabapentina – Epilepsia Refratária
Galantamina – Alzheimer
Genfibrosila – Dislipidemias
Globulina Antilinfocitária – Transplante Renal
Globulina Antitimocitária – Transplante Renal
H
Hidroxicloroquina – Artrite Reumatóide
I
Imiglucerase – Doença de Gaucher
Imunoglobulina Hiperimune Anti-Hbs, Esclerose Lateral Amiotrófica
Interferon Alfa Peguilado – Hepatite Viral Crônica C
Isotretinoína – Acne
L
Lamotrigina – Epilepsia Refratária
Lanreotida – Acromegalia
Leflunomida – Artrite Reumatóide
Lenograstima – Neutropenia
Levodopa – Doença de Parkinson
Levotiroxina Sódica – Hipotirioidismo Congênito
Lovastatina – Dislipidemias
M
Mercaptopurina – Retocolite Ulcerativa
Metilprednisolona – Transplante Renal
Metronidazol – Doença de Crohn
Micofenolato Mofetil – Transplante Renal
Molgramostima – Neutropenia
O
Octreotida – Acromegalia
Olanzapina – Esquizofrenia
P
Penicilamina – Doença de Wilson
Pergolida – Doença de Parkinson
Pramipexol – Doença de Parkinson
Pravastatina – Dislipidemias
Q
Quetiapina – Esquizofrenia
R
Raloxifeno – Osteoporose
Ribavirina – Hepatite Viral Crônica C
Risperidona – Esquizofrenia
Rivastigmina – Alzheimer
S
Sacarato de Hidróxido de Ferro III – Anemia da Insuficiência Renal Crônica (IRC)
Salbutamol – Asma grave
Salmeterol – Asma grave
Selegilina – Doença de Parkinson
Sinvastatina – Dislipidemias
Sirolimus – Transplante Renal
Somatropina – Deficiência de hormônio do crescimento
T
Tacrolimus – Transplante Renal
Tolcapone – Doença de Parkinson
Topiramato – Epilepsia Refratária
Toxina Tipo A de Clostridium Botulinim – Distonias, Espasticidade Focal Disfuncional
Trientina – Doença de Wilson
Triexifenidil – Doença de Parkinson
V
Vigabatrina – Epilepsia Refratária
Z
Ziprasidona – Esquizofrenia