1.15.2017

STF: o silêncio da conivência e a desculpa esfarrapada



Roberto Stuckert Filho/PR
Tanta gente se pergunta, diante do silêncio cúmplice do STF diante do golpe, o que passa pela cabeça dos juízes. O silencio diante de todo o processo que levou ao golpe se prolonga e se complementar com o silencio posterior.
De repente, interpelado, um dos juízes se manifesta. E o faz catastroficamente, revelando como a posição do STF é indefensável.
Marco Antonio Mello tem a petulância de descarregar a responsabilidade sobre as duas casas do Congresso e dizer que eles ocuparam "uma cadeira de uma envergadura maior". E' um escarnio com a democracia e com o povo brasileiro. O Congresso apelou para o argumento do crime de responsabilidade das chamadas pedaladas, argumento pelo menos altamente polemico
O que deveria fazer o STF se cumprisse minimamente com suas obrigações de zelar pela Constituição? Abrir a Constituição, analisar os argumentos do golpe à luz dela e se pronunciar sobre se estava caracterizado ou não o crime de responsabilidade. Elementar.
Mas o STF nem sequer se pronunciou. Poderia até concordar com os argumentos – dificilmente sustentáveis – dos adeptos do golpe. Mas nem isso fez. Se omitiu diante da mais importante decisão tomada pelo Congresso brasileiro, destituindo uma Presidente reeleita pelo voto popular, frente a ações que todos os outros presidentes e os governadores usam normalmente e, para ficar ainda mais insustentável a posição do STF, usa a rodo o governo saído do golpe.
Vergonhosamente, o STF se omitiu. O seu presidente, presidindo o Senado nas sessões do golpe, segundo noticia da FSP, não desmentida, fazia lobby pelo aumento de 41% para o Judiciário, concedido para o hoje preso Eduardo Cunha, nos intervalos das sessões. Vergonhoso!
Pior do que isso. O STF assistiu passivamente a demora do PGR em dar andamento ao processo contra Eduardo Cunha, tendo todos os dados para faze-lo, desde dezembro de 2015, esperando até que ele prestasse o serviço sujo de dirigir o processo do golpe contra a Presidenta da Republica.
Como argumenta o juiz do STF diante do não pronunciamento deles? Da pior maneira possível. Por que não se pronunciou? "Porque a sobrecarga é inimaginável." Incrível. Se pronunciaram, entre outros temas relevantes, sobre a venda de pipoca nos cinemas, tema que pelo visto consideram que tem prioridade sobre o golpe. Caso de renuncia moral de um juiz do STF.
Melhor tivesse ficado calado, envergonhado, dando continuidade ao silencio cumplice com o golpe. Não poderia haver conivência mas escancarada com o golpe do que aquele silencia, tão vergonhoso quanto aquele strip-tease da Câmara, na votação daquele domingo.
O STF não se mostrou à altura da defesa da democracia e da Constituição. O Brasil não possui mais um Judiciário que defenda os cidadãos, o Estado de direito, a democracia. Deveriam todos renunciar, abandonar seus salários de marajás e ser julgados por um Estado de direito, quando a democracia for restaurada no Brasil.
Enquanto isso, o STF é cumplice também de ter impedido que o Lula, sem ser réu de nenhum processo, não pudesse ser ministro do governo da Dilma, enquanto 14 ministros do atual governo o fazem, diante do silencio cumplice do STF. E o ministro afirma que não estão engajados em qualquer política governamental". Ele considera que os brasileiros são beócios, ignorantes, incapazes de saber que eles forma coniventes com o golpe e agora são coniventes com a perseguição politica ao Lula. Atuam da mesma forma que o STF atuou em 1964, conivente com o golpe militar que destruiu a democracia no Brasil, sob o os olhos cumplices do STF. Um dia serão julgados por um Judiciário que defensa a Constituição, o Estado de direito e a democracia no Brasil e pagarão por seus crimes.

Mentes Maravilhosas

O golpista Temer é o chefe. Até quando?

Marcos Corrêa/PR
Reflexões e conjecturas depois da leitura dos jornais de domingo desse janeiro que é o mais quente dos últimos anos:
   1) Por não gostar de vermelho, a primeira-dama mandou tirar todos os tapetes persas do Palácio da Alvorada, pois não há um só tapete persa que não tenha essa cor na sua composição. Todos os tapetes vermelhos, de todos os tamanhos, origens e feitios, estejam onde estiverem, serão substituídos. Alguns experts tentaram argumentar, sem êxito,  que os tapetes foram confeccionados muito antes da criação do PT. É mais um exemplo da austeridade do atual desgoverno. Em apoio à sua bela, jovem, recatada e exigente esposa, Temer cogita pedir ao novo imperador dos Estados Unidos para extinguir o tapete vermelho do Oscar. Ia me esquecendo: o próprio Temer que também não gosta da cor preta mandou trocar todos os sofás pretos do palácio.
   2) O impeachment foi apenas o último dos muitos golpes aplicados ao longo dos últimos sabe-se lá quantos anos pelo grupo que tomou o poder e que se assemelha, cada vez mais, a uma quadrilha.
   3) O melhor advogado de Lula é a Polícia Federal que vem desmentindo sistematicamente o procurador Dalton Dalagnol: está ficando claro que ele não é nem nunca foi chefe da quadrilha que tomou de assalto o Palácio do Planalto.
   4)  Temer nunca foi um vice decorativo, como alardeou na carta que foi a senha para o golpe. Ao contrário de Itamar Franco, que não tinha nenhum poder dentro do governo Collor e por esse motivo não foi atingido pelo impeachment em 1992, Temer colocou seus aliados, como Geddel Vieira Lima e Moreira Franco, para citar apenas dois, em posições chave onde negociações escusas rolavam solto em benefício de seu grupo e de seu partido.
   5) A ex-presidente Dilma tem que sair de sua reclusão voluntária e contar em todos os detalhes quais foram as pessoas que Temer indicou para postos chave do governo e que ela nomeou, mesmo correndo o risco de ser criticada por ceder esses postos a trombadinhas e trombadões travestidos de políticos.  
   6) Até quando o país vai se sujeitar ao comando de um presidente da República que a cada dia perde as condições morais de governar?
   7) Não adianta apenas a Odebrecht, ou a Friboi, ou a Gol mudarem de nome para sobreviver, talvez seja o caso de o Brasil mudar de nome.
   8) Tinha razão o visionário Raul Seixas: o negócio é alugar o Brasil.

Golpe anestesiou o Ethos social. Toda aberração ficou natural


Alguma surpresa com a última operação da Polícia Federal, revelando que Geddel Vieira Lima e Eduardo Cunha, eminências do golpe, cobravam propina para liberar créditos na Caixa Econômica Federal? Nenhuma. E também não se registra qualquer indignação, qualquer panelaço, qualquer ato na Avenida Paulista contra a corrupção oceânica todo dia revelada.
O golpe anestesiou o Ethos da sociedade brasileira - entendido como seu "caráter moral", seu conjunto de crenças e valores - a um ponto tal que até mesmo uma manifestação extrema de barbárie e regressão ao primitivo, o banho de sangue e as degolas nos presídios, não arrancaram um soluço coletivo, um grito de compaixão em forma de protesto contra o inaceitável.
Mas fiquemos na corrupção, pois até há poucos meses ela mobilizava milhares, produzia passeatas em que uma classe média supostamente portadora de maior exigência ética pedia o impeachment da presidente eleita e bradava contra a corrupção. Vestia de presidiários os bonecos de Lula e Dilma, enforcava-os na avenida estimulando o ódio social que anda solto entre nós. Derrubado o PT e entronizado outro governo, tornaram-se cotidianas a revelações de que o poder foi açambarcado por um grupo político essencialmente corrupto, que corre desesperadamente contra o tempo para implementar a agenda socialmente regressiva prometida aos capitais e para realizar os negócios de Estado que ainda podem render um butim. As privatizações, as concessões, as vendas dos nacos da Petrobrás, a contratação de empresas estrangeiras para substituir as brasileiras, o desmonte da rede social, tudo é para ontem.
Geddel não é mais ministro mas era um dos homens fortes do Planalto até há poucas semanas. No entorno do presidente não restam auxiliares importantes inalcançados por uma denúncia, seja da Lava Jato ou de outras investigações. Resta o ministro da Fazenda, mas este vem tendo a biografia carbonizada pelos resultados desastrosos na economia. O próprio presidente tem explicações a dar sobre recursos recebidos de empreiteiras. E no entanto, cadê as panelas? Cadê a Janaína Paschoal e os garotos amestrados pela cada vez mais revelada ação americana no golpe? Estes não irão mesmo admitir que ajudaram a embarcar o Brasil num trem fantasma que corre célere para um buraco negro. Mas os outros, os que estão perdendo empregos, tendo direitos ameaçados, a renda subtraída, a dignidade afrontada, como os aposentados por invalidez convocados a provar que são doentes? Ou os que, mesmo preservando um território social e econômico melhor, historicamente defenderam um país mais justo, mais soberano e menos cruel, capaz de admitir e respeitar “o outro”, apesar das divergências? Onde a classe média iluminista ou melhor iluminada? Todos anestesiados pela vertigem da derrocada, pela velocidade com que os fatos graves e chocantes se sucedem, “naturalizados” pela ausência de contraditório.
Por isso, tudo bem, tudo natural com a Operação Cui Bono, informando que  Geddel integrava uma “verdadeira organização criminosa”. Não fosse o berro do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, aí estaria ele bem faceiro, comandando a maioria reacionária do Congresso. Tudo normal, tudo natural, mas anestesias uma hora passam.
A frente de esquerda não saiu. A unidade das oposições muito menos, pois não há oposição liberal neste momento. Só a de esquerda. Lula anuncia que passará 2017 percorrendo o Brasil e debatendo a tragédia política e econômica. Ela exige, porém, mais que sua liderança e sua identidade com o povo brasileiro. Exige a unidade, a frente que as lideranças de oposição não entenderam ainda como imperiosa, assim como o foi em outros momentos da História do Brasil e da humanidade diante dos arreganhos do atraso

Gaspari lança Cármen Lúcia(mortiça) para presidente já em 2017

247 – O jornalista Elio Gaspari, um dos porta-vozes do establishment econômico no Brasil, lançou a ministra Cámen Lúcia para a presidência da República, já em 2017, no artigo Cármen Lúcia, presidente. Ou seja: ele leva em consideração a hipótese de queda da "pinguela" Michel Temer, nome citado nas delações de empreiteiras como a Odebrecht.
"Havia um vazio em Brasília e ele foi ocupado pela ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal. Pudera, está no Planalto o vice de uma governante deposta, cujo futuro depende de um julgamento do TSE. Do outro lado da praça, há um Senado presidido por Renan Calheiros e uma Câmara até há bem pouco tempo comandada por Eduardo Cunha", diz Gaspari.
"Na prática, a mineira miúda e frugal sentou-se na cadeira com disposição para iniciativas audaciosas, cenografias batidas (depois do massacre do Compaj foi a Manaus e criou um grupo de trabalho), retórica bíblica ('Quem tem fome de justiça tem pressa') e atitudes angelicais (no Dia da Criança recebeu um grupo de meninos e meninas carentes)", reforça o jornalista. "Em apenas cinco meses, Cármen Lúcia deu nova dimensão à presidência do tribunal. Ora com frases retumbantes: 'Onde um juiz for destratado, eu também sou', até mesmo quando este juiz vende sentença. Ora com raciocínios cortantes: a questão não é se devemos bloquear celulares nos presídios, eles não podem é entrar.", faz lembrar aquela máxima da igreja católica: "Não devemos utilizar camisinha, devemos é não fazer sexo fora do casamento".
"O desembaraço e a exposição conseguidos pela ministra seriam apenas um asterisco se o nome dela não estivesse na lista de prováveis candidatos a presidente da República. Numa eventual eleição indireta para substituir Temer, com certeza. Na disputa de 2018, talvez", diz ainda Gaspari.
Ou seja: Carmen Lúcia é um dos nomes do establishment para o pós-Temer, já em 2017. A que ponto chegamos. Temos que achar um herói que derrote o inimigo  Lula. Mas tá difícil.