8.26.2018

ISOLADO, AÉCIO É A IMAGEM DO FIASCO DO GOLPE

O Golpe deu errado. O PT volta mais forte



 Rafael RibeiroUm novo governo Lula aponta no horizonte como uma das previsões mais elementares da cena política brasileira. Aliás, é bom que se diga: o mercado das previsões andou em baixa como todos os outros mercados no Brasil. Esta coluna navega contra a corrente porque segue a piracema dos fatos empíricos e faz o cotejo dos dados concretos estatísticos com suas curvas recentes e históricas.

Há vários tipos de negação da realidade em curso no Brasil. A mais evidente e comovente é a da imprensa tradicional, que ainda lida com suas fobias e preconceitos como quem entra no décimo ano de análise lacaniana e insiste em resistir ao tratamento quase que como um sintoma dobrado de sua própria condição subjetiva ‘interrompida’.
O jornalismo brasileiro segue em estágio avançado de negação e só consegue prever o passado. Eles levam a sério os pitorescos debates televisivos entre candidatos à presidência e acreditam que o horário eleitoral gratuito vai ser ‘decisivo’ no cenário das intenções de voto.
É uma situação crítica: viver no passado e negar a realidade. A imprensa brasileira, finalmente, terá o seu devido castigo depois de décadas fazendo o serviço sujo para as elites.
Terá de sofrer uma readaptação furiosa se quiser sobreviver a partir de 2019, a começar pela interação concreta com os leitores, olimpicamente desprezados por ela desde sempre – a imprensa tradicional trata o leitor como um idiota que precisa de tutela.
Há outro segmento, no entanto, que também adotou a negação da realidade como atenuante para múltiplas dores oriundas do ferimento democrático – que, afinal, causa traumas. Uma parte dos próprios eleitores de Lula e do PT teme mais um golpe do judiciário e acusa dificuldade em começar a pensar no que será o próximo governo Lula-Haddad-Manuela.
Essa negação da realidade não é canalha e covarde como a da imprensa, mas tem um fundo irracional. Aos que temem uma nova rodada de violências jurídicas contra a democracia, advirto: a cena mudou depois da determinação do Comitê de Direitos Humanos da ONU sobre Lula.
Óbvio que haverá tentativas de truncamento eleitoral, mas sem a força desvairada e histérica de um Sérgio Moro que, aliás, agoniza em seu próprio momento ‘Ofélia’, defensivo, disléxico e delirante.  
O golpe, caros leitores, não tem mais condições de violentar a democracia. Não há por que subestimá-lo, mas também não há por que superestimá-lo. A fragilidade da confraria do horror é evidente. Dar um golpe com a opinião pública dividida – como no caso do impeachment sem crime – é uma coisa. Dar um golpe com 100% da população contra é outra.
Colocando em pratos limpos o argumento: o próximo governo brasileiro será o governo Lula e é preciso começar a pensar em como ele será organizado e como será o comportamento dos segmentos progressistas na condução da leitura social do governo e das pressões que certamente virão.
A chance é muito especial. Estamos diante de uma onda vermelha irresistível, como nunca antes na história deste país. O senado aponta para uma configuração progressista inédita: Dilma, Suplicy, Lindberg, Wagner, Paim são apenas alguns nomes eloquentes que despontam neste momento. Há muitos outros.
A miséria eleitoral do PSDB e do dos golpistas abre o maior flanco estratégico que a esquerda já assistiu. Em suma: o plano dos facínoras da elite deu muito errado.
Nós estamos diante de um fenômeno ainda muito maior que o mais otimista dos ativistas de esquerda poderia imaginar.
Pensem cá comigo: quem imaginaria – há um ano atrás – que Lula estaria tão forte hoje? Quem imaginaria que Dilma seria tão favorita a um cargo no legislativo? Que o PSDB estaria arrasado? Que os adversários de Lula estariam tão fragilizados? Que a imprensa estaria tão emparedada?
A despeito da tentação incontornável de dizer ‘ninguém’, sinto-me obrigado a dizer: esta coluna previu. Está tudo lavrado e registrado desde dezembro de 2017.
A rigor, era mesmo delicado defender esse prognóstico em meados de 2017. O ceticismo foi amplo, geral e irrestrito. Mas, advirto que era apenas uma questão de análise técnica, não de aposta passional: as curvas estatísticas de opinião naquele momento já apontavam para este cenário.
A fiança, no entanto, para este quadro tão favorável à esquerda vinha, no meu caso, da leitura discursiva, da codificação da linguagem e dos tons dessa linguagem que iam se precipitando por sobre a mesa da democracia.
O vazio semântico de um Alckmin, a contumaz cifra oportunista de Marina Silva, a truculência verbal de Ciro Gomes, a destituição generalizada de carisma de Henrique Meirelles, a covardia estampada na face prepotente de Joaquim Barbosa, o subletramento de Luciano Huck e a coleção de besteiras grotescas alinhavadas na dicção de Bolsonaro me davam a certeza: todos cairiam nos seus devidos tempos.
O último a resistir é Bolsonaro. Pois lhes digo do alto da minha paciência perdida: ele vai cair. Como eu sei? Ele próprio confessou essa queda quando se negou ir a debates, para em seguida voltar atrás – sintoma claro de pressões internas. Não só: Bolsonaro percebeu que seu patamar de intenção de voto é completamente artificial. Não tem voto consolidado ali. É só anti-petismo.
Destaque-se que ele também tentou proibir judicialmente o jornal Folha de S. Paulo de veicular notícias sobre sua ex-funcionária fantasma. A rigor, Bolsonaro sente a pressão, porque ele é o último bastião do golpe que ainda não ruiu por completo. Só falta ele.
Esse cenário tão positivo à esquerda, embora fosse previsível com alguma metodologia técnica e de posse de alguma leitura minimamente consistente dos eventos subsequentes ao golpe, não foi sequer aventado pelo próprio Lula, o mais entusiasmado dos agentes políticos do país.
Aliás, o próprio PT manifestava muita resistência em acreditar que o quadro eleitoral lhe seria tão favorável neste momento presente da campanha. Havia muita apreensão no ar.
De sorte que há de se fazer agora uma nova rodada de leituras com base nesta anterior vitoriosa que se impôs à revelia dos ceticismos e apreensões de praxe.
Devo dizer que estamos na iminência de assistir uma movimentação pró-esquerda muito maior e mais intensa ainda do que estas que já são favas contadas. O processo vai se intensificar.
O que significa isso? Teremos, em breve, apenas uma candidatura no cenário das eleições à presidência. As outras estarão no seu lugar real de origem e destino que é o lugar no dígito simples.
Essas candidaturas não se impuseram desta vez como manifestação da diversidade democrática, até porque não estamos vivendo propriamente um momento democrático – senão pelo fato de termos eleições justamente para corrigir esse disfuncionalidade estrutural – e golpista – da nossa soberania.
O que institutos de pesquisa e analistas não entenderam ainda, com todo o respeito, é que essa não é uma eleição qualquer. Tanto o comportamento do eleitor como o comportamento dos candidatos não pode ser comparado de maneira ‘tranquila’ com comportamentos do passado recente.
Ambos sofreram um considerável deslocamento no próprio conceito e isso é suficiente para que se mude todos os parâmetros de análise e de prognóstico.
Há uma clara ambivalência, portanto, nesta eleição que toma ares de ‘restauradora’: é civilização versus barbárie, mas é também politização versus despolitização.
Negações de realidade à parte, temos nessas eleições também a negação da política (que é Bolsonaro, brancos e nulos) versus a afirmação da política (que é Lula).
Esse é um quadro técnico que não está sendo considerado pelos institutos de pesquisa, à exceção do Vox Populi, que tem uma metodologia muito mais consistente que os demais, justamente porque tenta fazer a leitura das ‘camadas’ de comportamento que vão se acumulando sobre as ‘camadas’ clássicas, dos períodos democráticos consolidados na literatura técnica do campo.
De sorte que é importante estarmos preparados para mais um salto neste avanço inédito da esquerda sobre os segmentos conservadores da sociedade brasileira.
Há, no horizonte, um congresso progressista e um conjunto de governadores igualmente democrático e de viés restaurador. O eleitor brasileiro pode ser dócil, civilizado e carinhoso com seus algozes de sempre, mas ele não é tolo.
A cena presente é de um indiscutível 3 a 0 para a democracia contra o golpe. Mas esse só é o primeiro tempo. Resta saber como se comportar no segundo tempo, com a torcida toda a favor: se vamos recuar para garantir o resultado ou se vamos partir para uma goleada histórica.
Eu sou daqueles que acha que a postura deve ser completamente destituída de piedade. Jogo é jogo. O negócio é ir para cima e fazer 6 a 0 – isso, inclusive, é ‘respeitar’ o adversário.
Destaque-se mais um dado: muitos candidatos do golpe que estão liderando em seus estados podem estar prestes a se autoconsumirem. Por quê? Porque eles representam o golpe – o que é uma leitura quase lógica.
Tome-se o exemplo de Anastasia em Minas Gerais. Ele lidera com 29% (Pimentel tem 20%). Alguém acha que um nome tão ligado a Aécio tem viabilidade eleitoral? Tão logo comece a campanha, ele derrete, com todo respeito aos céticos de plantão.
Mais: o PT é bom de campanha e vai desconstruir a imagem de Anastasia em uma semana de rádio e TV, na influência transversal que esta plataforma ainda pode produzir.
Concluo, fazendo mais uma advertência final: não há otimismo algum nesta breve reflexão. Há sentido de responsabilidade. Porque uma vez vencida esta etapa (da eleição da democracia que se traduz em Lula), o desafio só estará começando.
Reconstruir o país ‘tijolo por tijolo um desenho mágico’ não será apenas responsabilidade de um novo governo Lula, empossando em catarse democrática em janeiro de 2019.
A responsabilidade será de todos nós

Maioria do Supremo já defendeu jurisprudência da candidatura Lula









A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal já se manifestou favoravelmente, em diferentes momentos, ao ordenamento jurídico que permite a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva a presidente da República nestas eleições.
Luiz Fux; Luis Roberto Barroso - relator da candidatura de Lula no Tribunal Superior Eleitoral; Rosa Weber - presidente do TSE; Alexandre de Moraes; Gilmar Mendes e Luiz Edson Fachin já fizeram defesas enfáticas de dois pilares que sustentam a candidatura de Lula: a Lei da Ficha Limpa e a força de lei dos tratados internacionais assumidos voluntariamente pelo Brasil, como o que embasou a decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU que obriga a participação de Lula no pleito. 
Fux, o ex-presidente do TSE que em fevereiro disse que Lula seria "irregistrável", mostrou o caminho das pedras da candidatura do petista no livro "Novos Paradigmas do Direito Eleitoral", de 2016. Nele, o ministro defende ardorosamente que sempre que houver possibilidade de um candidato reverter a inelegibilidade, a Lei garante que o candidato "prossiga na corrida eleitoral".
Como se sabe, Lula recorre de sua condenação em segunda instância ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal. Como atestam os mais de 100 juristas reunidos nos dois volumes do livro organizado pela advogada Carol Proner, a sentença contra Lula é fragilíssima e deverá cair mais cedo ou mais tarde. 
A candidatura de Lula, que lidera todas as pesquisas e pode vencer em primeiro turno, recebeu 16 pedidos de impugnação. Todos serão julgados pelo ministro Barroso, há sete meses na Suprema Corte Eleitoral e o ministro do STF mais ligado à Globo. Durante palestra em evento da associação de delegados da Polícia Federal (ADPF), em Salvador, nesta semana, Barroso falou sobre a importância de defender a jurisprudência. "Não há razão para mudar jurisprudência. Um país que vai mudando sua jurisprudência em função do réu não é um Estado democrático de direito, mas um Estado de compadrio", disse ele. 
Imagina-se que a opinião do ministro se aplica à jurisprudência dos tratados internacionais, que têm força de lei no Brasil. Como mostrou a colunista do 247 Thaís Moya, que tem resgatado os posicionamentos dos ministros, Barroso defendeu o caráter supralegal do Pacto de São José da Costa Rica de Direitos Humanos numa intervenção sobre o voto avulso.

Processo de envelhecimento começa antes dos 30 anos


Junto com rugas e marcas
de expressão, a pele flácida é um dos sinais da idade
Por volta dos 25 anos inicia-se o processo de envelhecimento que 
envolve diversos fatores.
 Um dos mais comentados
é a diminuição da produção
de colágeno e sua perda.
 Estima-se que o organismo
 perca 1% de colágeno ao 
ano a partir desta idade.
“O colágeno tem um papel
 fundamental para a saúde
 e beleza da pele, sendo
responsável por sua 
estrutura e firmeza.
 Ou seja, quando acontece 
a diminuição desta proteína,
 a pele fica flácida”, explica
 a dermatologista Annia
 Cordeiro, diretora da
 Clínica da Pele Annia 
Cordeiro, de Curitiba (PR).
 Mas o colágeno e as fibras
de elastina da pele não são
 os únicos responsáveis 
pormanter sua firmeza. 
Há outros fatores do 
Pocesso de envelhecimento 
que afetam diretamee a
 aparência do rosto. 
“Nessa
 fase iniciam-se a perda óssea, perda de depósitos de gordura e enfraquecimento muscular. Tudo isso faz com que a pele perca sustentação e não consiga se manter no lugar. É então que o rosto começa se modificar. Entre alguns sinais estão as bolsas sob os olhos, a perda do contorno facial e  o acúmulo de pele na parte inferior das bochechas, dando a aparência de ‘bulgdogue’ para alguns pacientes”, comenta a especialista.
Por mais que os fatores externos 
tenham grande influência sobre o envelhecimento da pele, eles podem acelerar o processo, mas não são sua causa. “O envelhecimento vai acontecer por fatores intrínsecos ao organismo, independente de agentes externos. 
Mas o estresse, má alimentação, 
falta de sono, exposição ao sol sem proteção, cigarro são fatores que aceleram o processo e devem ser observados”, enumera.
Além de observar os fatores externos, é possível prevenir principalmente a perda de colágeno. Cremes que estimulam a continuidade da produção (como ácido retinóico) e, principalmente, o uso do filtro solar de maneira adequada e contínua são algumas maneiras de retardar o envelhecimento.
A dermatologista Annia Cordeiro lista tratamento que atingem as diferentes necessidades de cada paciente, em diferentes níveis de flacidez e causas:
Prevenção: laser não ablativo. Estimula a produção de colágeno.
Primeiros sinais: laser não ablativo, associado à radiofrequência. Além de produção, estimula a contração do colágeno.
Flacidez instalada: tratamentos acima associados ao preenchimento com diversos volumizadores e também com o ácido poli-l-láctico, um estimulante de colágeno que é injetável que também contribui para diminuir a perda óssea e a preencher a área que sofreu perda de gordura.

Flacidez acentuada: tratamentos acima associados ao laser fracionado. “Para casos de flacidez já instalada ou acentuadas, pode-se usar o laser subcutâneo, que tem uma ação mais eficaz, por conta do aquecimento e estímulo de colágeno gerado por baixo da pele.”

Em todas fases: o TrueLift é um lifting facial não cirúrgico que utiliza ultrassom microfocado, que diminui sinais de envelhecimento e melhora o contorno corporal, mantendo o músculo mais firme e fugindo daquela aparência de “buldogue”. “Outro aspecto importante é o uso de toxina botulínica na plastima, músculo do pescoço que é sempre esquecido e tem papel fundamental na aparência jovem e delineada do rosto”, ressalta a dermatologista.

'Se faz muita promessa cuja única intenção é a de enganar o leitor',


Propor o impossível, dizer que é fácil de resolver... É preciso ficar atento para não ser levado pelas promessas vazias que já começam a aparecer. Veja o currículo dos candidatos e as suas experiências políticas.

Por *Felipe Rebouças
Bolsonaro (PSL): negação da História e tese econômica duvidosa
O cara de pau Bolsonaro (PSL): negação da História e tese econômica duvidosa - 
Rio - Pode ser diante das câmeras, em cima do palanque, nas redes sociais ou nas proposta do plano de governo. Candidato a cargo público adora promessa e diz o que o eleitor quer ouvir. Muitas vezes, as promessas são feitas por desconhecimento da realidade ou equívoco. Mas, na maior parte das vezes, são apenas engodo, palavras vazias que serão esquecidas após a posse no cargo. “Se faz muita promessa cuja única intenção é a de enganar o leitor”, diz Saturnino Braga, veteraníssimo em campanhas eleitorais.
A temporada de propostas impossíveis para seduzir o eleitor já foi aberta. E é preciso estar atento para não embarcar em propostas que não têm a menor possibilidade de se concretizar, como a de conseguir vagas em creches particulares para cobrir o déficit nas unidades públicas. Ou as que prometem soluções fáceis, como a de derrotar a corrupção “por decreto”.
Sem falar das que são feitas sem levar em consideração a realidade, como a de zerar o déficit público no primeiro ano de governo ou a de negociar com o Congresso tendo por base apenas programas de interesse público. Todas essas já foram feitas nos últimos dias e são analisadas ao lado para que o leitor fique atento aos modelos mais clássicos de ‘lorota eleitoral’.
“O eleitor precisa ver quem é o candidato capaz de atacar toda a estrutura da gestão, ao invés de focar em promessas específicas, propostas de pouca importância que, no final, só servem mesmo para angariar votos”, diz Bruno Sobral, especialista em gestão pública e em Economia fluminense. Na próxima sexta-feira, começam os programas na televisão e no rádio. É hora de redobrar a atenção. 
ANÁLISE DAS PROPOSTAS
"Isentar o Imposto de Renda de todos aqueles que ganham até cinco salários mínimos” PLANO DE GOVERNO - PT
A proposta é positiva. A tabela do IR tem defasagem de 88,4% desde 1996, segundo o Sindifisco. Porém, 18 milhões dos 28 milhões de declarantes ficariam isentos - baque impensável para um governo que vai lidar com um déficit previsto em R$ 139 bi no primeiro ano. Gil Castello Branco, da ONG Contas Abertas.
"Oferecer a todas as famílias com Bolsa Família o direito de colocar seus filhos em creches particulares” - Henrique Meirelles (MDB)
Tem vaga para todo mundo?
Apenas 22,5% das crianças brasileiras de zero a três anos estão em creches. Faltam vagas para cerca de 7 milhões de meninos e meninas. Não há rede privada que dê conta. “E seria a instituição definitiva da barbárie”, avalia a professora de Educação da Uerj Inês Barbosa de Oliveira. Segundo a especialista, “ampliar o ‘direito’ de mandar as crianças para a creche privada se trata, na verdade, de tirar a responsabilidade do Estado de fornecer vagas em creches públicas”. Inês lembra que o Bolsa Família é interligado à questão da frequência escolar. 
"Aqui no Brasil não existe isso de racismo” - Jair Bolsonaro (PSL) 
Negação da História
A professora de História da Universidade Federal da Bahia Wlamyra Albuquerque diz que “além de ser uma demonstração de ignorância sobre a estrutura social e a História do país, a frase revela descompromisso com o combate a violência”. A autora do clássico ‘Historia do Negro no Brasil’ lembra que “no Congresso Nacional, nos ministérios, nos álbuns dos cursos de Medicina e nas reuniões de magistrados, os negros são exceções”. Para ela, ‘quem nega a existência do racismo, nega o desejo de igualdade no país”.
"O déficit público primário precisa ser eliminado já no 1º ano e convertido em superávit no 2º ano”- Jair Bolsonaro (PSL) 
Se fosse fácil...
“Absolutamente inviável fazer essa transformação em apenas dois anos”, assegura Gil Castello Branco, do Contas Abertas. Uma nota técnica das consultorias de Orçamento da Câmara e do Senado, previu, em junho, que, além dos R$ 139 bilhões de 2019, o próximo presidente vai lidar com déficit de R$ 110 bi em 2020 e R$ 70 bi em 2021. “O presidente não tem condições de reequilibrar as contas públicas com uma bala de prata”, diz Castello Branco. Sobretudo porque o orçamento brasileiro tem margem estreita de manobra e o Congresso prefere criar despesa do que cortar.
"Buscaremos diálogo com o Legislativo, a partir de um programa de interesse público, com transparência” - Marina Silva (Rede)
Marina Silva: sonhática (Bla.. bla.. bla..) - Marcello Casal jr/Agência Brasil
Pura ilusão
No papel, perfeito. Mas o próximo presidente vai lidar com um Congresso bem parecido com o atual, que pauta suas negociações pelo interesse em cargos e liberações de emendas. Senso de realidade, nessa hora, cai bem. O ex-senador Saturnino Braga considera a intenção de Marina “nobre, mas de árdua execução”. “É preciso ter noção de que o Congresso é um ambiente extremamente complexo, difícil de lidar”.
"O Estado do Rio tem dinheiro sobrando” - Pedro Fernandes (PDT) 
Conta maluca
Desprezar a matemática não é novidade no debate político. “Achar que vai apertar e vai tirar leite de pedra, fazendo dinheiro surgir, é uma presunção, e das maiores”, avalia Pedro Sobral, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Uerj. Na opinião do especialista, o projeto de austeridade na gestão que o candidato abraça prevê cortes na despesa, inclusive com o funcionalismo público, mas não indica como a receita pode aumentar. “Hoje, no Rio, muitos setores essenciais à população estão sucateados. Não haverá no curto prazo geração de renda para ter receita capaz de fomentar grandes avanços nas estruturas funcionais do estado”, explica.
"Eu vou decretar o fim da roubalheira no Estado do Rio” -  Wilson Witzel (PSC)
Na base dacanetada
Os políticos adoram prometer que podem resolver os problemas na base da “vontade política”. Saturnino Braga entende que a declaração de Witzel é “fantasiosa” e “sem valor nenhum”. O ex-senador lembra que nenhum candidato tem o poder de agir sozinho, através de um decreto, sobre a vontade dos muitos corruptos e corruptores que gravitam os poderes do estado. “Se não houver mudança política, no funcionalismo e na investigação, a corrupção se mantém”, diz.
"Vou tirar 63 milhões de brasileiros do SPC" - Ciro Gomes 
Ciro Gomes (PDT): autor da promessa que mais deu o que falar na atual campanha - Marcello Casal Jr./ABr
Proposta parece impossível, mas é baseada em feirões que o SPC já realiza 
A promessa que mais deu o que falar na campanha presidencial até agora foi feita pelo candidato Ciro Gomes (PDT): “Eu vou tirar seu nome do SPC”. Já virou até samba, em paródia de ‘SPC’, sucesso de Zeca Pagodinho nos anos 1980.
No entanto, a proposta do candidato é, com ajustes, factível, segundo especialistas. “Trata-se de entender o volume da dívida que humilha 63 milhões de pessoas”, defendeu Ciro. A base da proposta é um amplo programa de refinanciamento das dívidas.
O primeiro passo seria aplicar descontos nos juros e reduzir o valor médio dos débitos – hoje, em torno de R$ 4,2 mil – para algo próximo de R$ 1,4 mil. E depois parcelar esse valor em suaves prestações. Os recursos para financiar essas operações viriam de um afrouxamento no compulsório – a parte dos depósitos bancários que as instituições são obrigadas a recolher ao Banco Central.
Os executores do plano seriam o Banco do Brasil e a Caixa. O candidato espera que as instituições privadas também possam aderir. O economista Mauro Benevides, ligado à campanha de Ciro, lembrou, em entrevista à GloboNews, que o SPC costuma realizar feirões de renegociação de dívidas. “Ele (o consumidor) sai de uma dívida de cartão de crédito de 400% ao ano e vem para uma operação de crédito. (...) Em vez de ser 400% de taxa de juros, vai ser de, por exemplo, 10 ou 12% ao ano”. Benevides acredita que isso possa liberar R$ 70 bilhões para serem injetados na economia. Claro que há dificuldades, como um eventual impacto na lucratividade dos bancos públicos ao arcar com os custos iniciais da proposta, ou um excesso de liquidez, de caráter inflacionário, com a redução dos compulsórios, mas não é uma proposta que possa ser colocada numa lista de promessas impossíveis.
Debates no fim de setembro
Os principais debates televisivos entre os presidenciáveis, nos quais surgem as promessas mais retumbantes  as campanhas, só vão acontecer no final de setembro, quando já poderá estar definida a substituição de Lula (PT) por seu vice, Fernando Haddad - caso se confirme a perspectiva de que a candidatura do petista seja impugnada, com base na Ficha Limpa.
Em 20 de setembro, a TV Aparecida, católica, é a anfitriã de um debate. A presença de Jair Bolsonaro (PSL) é uma incógnita.
No dia 26, começa a temporada dos grandes encontros, com o debate do SBT. No dia 30, é a vez da TV Record. E em 4 de outubro, três dias antes do primeiro turno, o embate é na TV Globo.
*Estagiário sob supervisão de Dirley Fernandes