3.02.2009

É muita adrenalina


A palavra "adrenalina" foi criada pelo cientista que conseguiu isolar este hormônio pela primeira vez, o bioquímico japonês Elissandro Jokichi Takamine, que formou o nome em questão tomando o nome dos rins, sobre o qual se situam as glândulas secretoras, como já mencionado. Utilizou então ad- (prefixo que indica proximidade), renalis (relativo aos rins) e o sufixo -ina, que se aplica a algumas substâncias químicas (as aminas).
A adrenalina ou epinefrina é um hormônio, derivado da modificação de um aminoácido aromático (tirosina), secretado pelas glândulas supra-renais, assim chamadas por estarem acima dos rins. Em momentos de "stress", as supra-renais secretam quantidades abundantes deste hormônio que prepara o organismo para grandes esforços físicos, estimula o coração, eleva a tensão arterial, relaxa certos músculos e contrai outros.
A adrenalina funciona como uma hormonio e como um neurotransmissor.

A libertação de adrenalina é induzida por um baixo nível de glucose na corrente sanguínea. A sua presença na corrente sanguínea acciona mecanismos de produção de açúcares, através da mobilização de triglicéridos(gorduras), sendo assim permitida a fermentação de glucose nos músculos. Outro efeito da molécula de adrenalina é a inibição da libertação de insulina, uma molécula com efeito oposto ao da adrenalina.

Como neurotransmissor , a adrenalina é libertada em situações de stress físico ou mental, actuando ao nível do sistema nervoso simpático: coração, pulmões, vasos sanguíneos, órgãos genitais, etc. A adrenalina liga-se a um grupo específico de proteínas, os receptores adrenérgicos, provocando o aumento dos batimentos cardíacos, dilatação dos brônquios e pupilas, vasoconstrição, suor,etc.

A degradação da adrenalina ocorre de uma forma rápida e eficaz, através de duas enzimas: a catecolamina-O.-metiltransferase (COMT) e a monoaminoxidase (MAO).

Quando lançada na corrente sanguínea, devido a quaisquer condições do meio ambiente que ameacem a integridade física do corpo (fisicamente ou psicologicamente, medo), a adrenalina aumenta a frequência dos batimentos cardíacos (cronotrópica positiva) e o volume de sangue por batimento cardíaco, eleva o nível de açúcar no sangue (hiperglicemiante), minimiza o fluxo sanguíneo nos vasos e no sistema intestinal enquanto maximiza o tal fluxo para os músculos voluntários nas pernas e nos braços e "queima" gordura contida nas células adiposas. Isto faz com que o corpo esteja preparado para uma reação, como reagir agressivamente ou fugir, por exemplo. É utilizada também pela medicina em ressuscitações no caso de parada cardíaca ou para aumentar a duração de anestésicos locais devido ao seu efeito vasoconstrictor.

Afeta tanto os receptores beta¹-adrenérgico (cardíaco) e beta²-adrenérgico (pulmonar). Possui propriedades alfa- adrenérgicas que resultam em vasocosntrição.

A adrenalina também tem como efeitos terapêuticos a broncodilatação, o controle da frequência cardíaca e da pressão arterial.

É uma substância produzida por pequenos órgãos que ficam sobre os rins (Glândulas supra-renais). A liberação dela no sangue se dá, através de um sinal, no qual pode ser o de baixo nível de glicose. Seu efeito é oposto ao da insulina, ela também inibi a liberação de insulina. Ela também pode atuar, como um neurotransmissor, e tem efeito sobre o sistema nervoso simpático.

Este neurotransmissor é liberado em resposta ao grande stress mental ou físico, e liga-se a receptores adrenérgeticos (um grupo especial de proteínas), preparando o organismo para um grande esforço físico: suor, vasoconstricção, aumento dos batimentos cardíacos, dilatação das pupilas e brônquios, eleva o nível de açúcar no sangue, entre outros.

Para se atingir o orgasmo, o sistema nervoso envia ordens ao coração para que os batimentos cardíacos se acelerem. Então a adrenalina é jogada no sangue e dilata as artérias, aumentando o fluxo sanguíneo nos músculos envolvidos nas atividades sexuais. Para que ocorra uma melhor oxigenação do sangue, os pulmões aumentam o seu trabalho, e a respiração se torna curta e rápida. O suor aumenta, provavelmente para dissipar o calor acumulado do corpo.

À adrenalina, provoca um grande aumento nos batimentos cardíacos e eleva as artérias, fazendo com que o sangue chegue mais rapidamente aos órgãos mais importantes como o cérebro e o coração, para isso ocorrer os vasos se contraem ficando mais finos, e se alguma artéria que leva sangue ao coração estiver um pouco entupida, fará com que o sangue não chegue ao órgão e poderá assim ocorrer à morte de um conjunto células por falta de oxigênio (infarto).

Por Eliene Percília
e Wikipédia

SÍNDROMES DE DOR


Síndrome da Fibromialgia - Sinónimos
A Fibromialgia pertence ao grupo da síndroma da dor musculo-esquelética idiopática difusa.

O que é?
A Fibromialgia é uma doença caracterizada por dor musculo-esquelética generalizada e prolongada, rigidez nos tecidos moles (músculos e tendões), e fadiga severa.

É uma doença vulgar?
A fibromialgia surge principalmente em adultos. Raramente ocorre em crianças, e nestes casos acontece predominantemente em adolescentes.
As mulheres são afectadas mais frequentemente que os homens. As crianças com esta doença compartilham muitas características com as que sofrem da síndroma de dor musculo-esquelética idiopática ( = causa indefinida).

Quais são os sintomas principais?
Os doentes queixam-se de dor difusa em tecidos profundos. A severidade da dor é subjectiva. A dor acontece em ambos os lados do corpo, e nas extremidades superiores e inferiores dos membros..
O sono é irregular e, pela manhã, os doentes têm a impressão de despertar de um sono não refrescante e não reparador.
Outra queixa importante é a de fadiga severa, acompanhada pela diminuição de capacidades físicas.
Os doentes relatam frequentemente queixas generalizadas, como dores de cabeça, uma sensação de inchaço dos membros (não presente), e entorpecimento.
Estes sintomas causam ansiedade, depressão, e muitas faltas à escola.

Como é diagnosticada?
Antecedentes de dor generalizada em 4 áreas de corpo, durando mais de 3 meses, em conjunto com dor em 11 de 18 pontos sensíveis verificados no exame clinico, são as características que permitem o diagnostico.
Os pontos sensíveis são clinicamente mensuráveis por pressão do dedo polegar, que é tão eficaz como o dolorimetro, um instrumento especial que mede a dor.

Qual é o tratamento?
Um objectivo importante é a diminuição da ansiedade produzida pela doença, explicando ao doente e família que, embora a dor seja severa e real, não há nenhum dano nas articulações, nem uma doença física séria.
A terapia é determinada por uma aproximação multidisciplinar (equipa com especialistas em áreas diferentes), e baseia-se numa intervenção tendo em vista 3 objectivos distintos:
O primeiro e mais importante, consiste em iniciar um programa de treino cardiovascular progressivo, sendo o melhor exercício a natação. O segundo objectivo é começar uma terapia de comportamento cognitiva, individualmente ou em um grupo.
Finalmente, alguns doentes podem precisar de tomar medicamentos, nomeadamente para restabelecer o sono. O uso de uma almofada especial, que mantém o apoio do pescoço durante o sono, pode ajudar.

Prognóstico ( evolução a longo prazo)
Não é fácil de recuperar da doença, sendo necessário empenho do doente e um grande apoio por parte da família. Geralmente, a evolução em crianças é muito melhor que em adultos, e a maioria deles recuperará completamente. A adesão e cumprimento de um programa de exercício físico regular é um dos factores mais importantes para a recuperação.

Síndrome de Dor Musculoesquelética Idiopática Localizada

Sinónimos
Distrofia Simpática Reflexa, tipo de Síndroma de Dor Regional Complexo

O que é?
Dor extremamente aguda de um membro, de causa desconhecida, frequentemente associada com alterações na pele.

É uma doença vulgar?
Não há nenhuns dados seguros em relação à sua frequência. Contudo, sabe-se que é mais frequente em adolescentes (idade média de inicio é cerca dos 12 anos ), e em raparigas.

Quais são os sintomas principais?
Normalmente há uma história longa de dor muito severa e duradoura num membro, resistente às diferentes terapias e que vai aumentando com o passar do tempo. Frequentemente resulta em impossibilidade de usar o membro afectado.
Sensações indolores para a maioria das pessoas, como a exposição à luz, podem resultar extremamente dolorosas para estes doentes. Este fenómeno chama-se alodínia.
A combinação destes sintomas dificulta as actividades diárias das crianças afectadas, que normalmente faltam muito à escola.
Um subconjunto de crianças desenvolve, com o passar do tempo, alterações na cor da pele (que fica com uma aparência marmoreada, pálida ou roxo), temperatura (normalmente reduzida) ou transpiração. Às vezes a criança mantém o membro em posturas incomuns, recusando efectuar qualquer movimento.

Como é diagnosticada?
Até alguns anos atrás, estas síndromas recebiam diferentes nomes mas, apesar disso, considerando que a maioria é de origem desconhecida e que o tratamento é igual, a tendência actual é de as pôr debaixo do mesmo "guarda-chuva", a síndroma de dor musculoesquelética localizada. Um conjunto de critérios é utilizado no diagnóstico da doença.
O diagnóstico é clínico, baseado nas características da dor (severa, prolongada, limitando a actividade, indiferente a terapias; presença de alodínia) e no exame físico. A combinação das queixas e dos achados clínicos é bastante característica. O diagnóstico exige a eliminação de outras doenças que, na maioria dos casos, já estão eliminadas quando o doente vê um reumatologista pediátrico. Exames laboratoriais são normais.

Qual é o tratamento?
A aproximação que resulta melhor é a iniciação de um programa de terapia de exercício físico significativo, supervisionado por fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, com ou sem psicoterapia.
O tratamento é duro para todos os envolvidos, a criança, a família e a equipa de tratamento. Uma intervenção psicológica é normalmente necessária por causa da tensão produzida pela doença.
Muitos tipos diferentes de tratamentos, só ou em combinação (anti depressivos, “biofeedback”, excitação de nervo transcutânea eléctrica, modificação de comportamentos) têm sido propostos sem resultados definitivos.

Qual é a evolução a longo prazo (prognóstico)?
Esta doença tem um prognóstico melhor em crianças que em adultos. Quase todas as crianças recuperarão.

E o dia a dia da criança?
As crianças devem ser encorajadas a manter um nível normal de actividade, indo à escola regularmente e a socializar com os seus colegas.

Eritromelalgia

Também é conhecida como Eritermalgia. A doença deriva de 3 palavras gregas auto-explicativas: Erythros (vermelho), Melos (membro), e Algos (dor). É extremamente incomum, embora possa aparecer mais de uma caso na família.
A maioria das crianças tem cerca de 10 anos de idade quando apresentam a doença. É mais frequente em meninas.
A doença é caracterizada por uma sensação de queimadura, com os pés quentes, vermelhos e inchados ou, mais raramente, as mãos.
Os sintomas pioram com a exposição ao calor e são aliviados arrefecendo a parte atingida, ao ponto de algumas crianças recusarem remover os pés da água gelada. O curso é inflexível.
O evitar do calor e o exercício vigoroso parecem ser as medidas terapêuticas mais úteis. A doença em crianças normalmente não responde a medicamentos anti-inflamatórios não esteróides, que se revelaram eficazes em adultos. Medicamentos vasodilatadores (que facilitam a circulação do sangue) podem ajudar.

Dores de Crescimento

O que é?
Dores do crescimento são uma síndroma benigna que corresponde a um padrão característico de dor nos membros e que normalmente acontece em crianças com menos de 10 anos de idade.

É uma doença comum?
As dores nos membros estão entre as principais causas que originam a ida a especialistas em pediatria.
Entre estas, as dores de crescimento são as mais comuns. 10-20% das crianças a nível mundial sofrem de dores de crescimento, principalmente entre as idades dos 3-12 anos. Os rapazes e raparigas são igualmente afectados.

Quais são os sintomas principais?
A dor aparece principalmente nas pernas (peles, barriga da perna, atrás dos joelhos ou coxas), e é normalmente bilateral. A dor aparece ao fim do dia ou à noite, acordando frequentemente a criança. Os pais geralmente relatam que as crianças apresentam a dor em dias de actividade física aumentada.
A duração da dor normalmente é entre 10 e 30 minutos, embora possa variar de minutos a horas.
A sua intensidade pode ser moderada ou muito intensa.
As dores de crescimento são intermitentes, com intervalos sem dor de dias a meses. Em alguns casos a dor pode ocorrer diariamente.

Como é diagnosticada?
As manifestações de dor características combinadas com um exame físico normal levam ao diagnóstico. Não há necessidade de executar análises ou exames de raios X , pois estes serão normais.

Qual é o tratamento?
Explicar a natureza benigna do processo reduz a ansiedade da criança e da família. Durante os episódios de dor, massagens no local e analgésicos moderados podem ajudar. Em crianças com episódios frequentes, uma dose nocturna de ibuprofeno pode diminuir ou evitar a dor.

Qual é a evolução a longo prazo (prognóstico)?
As dores de crescimento não estão associadas com qualquer doença orgânica séria, e normalmente desaparecem no fim da infância. Em 100% das crianças, a dor desaparece com o seu crescimento.

Síndrome de Hipermobilidade benigna

O que é?
A síndrome de hipermobilidade benigna (SHB) refere-se a dores nas extremidades, devido a uma mobilidade aumentada (ângulo de movimento) das articulações, sem qualquer doença congénita ou conectiva dos tecidos associada.. Deste modo, a SHB não é uma doença mas muitas vezes, um facto normal.

É uma doença vulgar?
Esta síndroma é extremamente comum em crianças, verificando-se em 25 a 50% dos jovens com menos de 10 anos de idade. A sua frequência diminui com a idade. Frequentemente passa de uma geração para outra da família..

Quais são os principais sintomas?
A hiper-mobilidade causa frequentemente dores intermitentes, profundas, e periódicas no final do dia ou à noite nos joelhos, pés e/ou tornozelos. Em crianças que tocam piano, violino, etc. pode afectar os dedos das mãos ao invés dos pés.
A actividade física e o exercício provocam e/ou aumentam a dor. Em casos raros, pode ocorrer inchaço moderado das articulações.

Como é diagnosticada?
Com base num conjunto predefinido de critérios que quantificam a hipermobilidade das articulações.

Qual é o tratamento?
O tratamento é muito raramente necessário. Se a criança pratica desportos de impacto repetitivo como o futebol ou ginástica, e desenvolve distensões periódicas e entorses, então um fortalecimento muscular e a protecção das articulações (com cintas próprias) deverá ser praticada.

Vida Diária
A hipermobilidade é uma condição benigna que diminui com a idade. As famílias deveriam estar avisadas que o seu risco principal vem de impedir as crianças de viver vidas normais.
As crianças deveriam ser encorajadas a manter um nível normal de actividade, incluindo praticar qualquer desporto em que elas estejam interessadas.

Sinovite Transitória da anca, Sinovite tóxica, Anca Irritável.

O que é?
Trata-se de um derrame articular (presença de líquido dentro da articulação) da anca, de causa desconhecida, que se auto soluciona sem deixar qualquer dano.

É vulgar?
É a causa mais comum de dor na anca, em pediatria. Afecta 2 a 3% das crianças entre 3-10 anos. É mais comum nos rapazes, por cada menina afectada há 3 ou 4 meninos que o são.

Quais são os sintomas principais?
Dor na anca e coxear. A dor na anca pode manifestar-se como dor na virilha, coxa superior ou ocasionalmente no joelho, normalmente de começo súbito. A manifestação mais comum é quando a criança desperta a coxear ou recusando caminhar.

Como é diagnosticada?
O exame físico é característico, apresentando coxear, com dor nos movimentos da anca. Em 5% dos casos, ambas as ancas são afectadas. Os exames de raios X revelam-se normais, de forma que normalmente eles não são pedidos.

Qual é o tratamento?
A base do tratamento é o descanso, que deve ser proporcional ao grau de dor. Medicamentos anti-inflamatórios não-esteróides, ajudam a diminuir a dor. Em casos de dor forte, tratamentos de tracção da perna podem ser usados. O problema resolve-se normalmente sem terapia, em média depois de 6-8 dias.

Qual a evolução a longo prazo (prognostico)?
Excelente, com recuperação completa em mais de 99% das crianças. No entanto, por vezes surgem novos episódios de sinovite transitória, normalmente mais moderados e mais curtos que o primeiro.

Dor patelo-femural - dor de Joelho

Introdução
Dor patelo-femoral (a patela é a rótula) é a Síndroma de uso excessivo mais comum em idade pediátrica. Este grupo de problemas resulta de lesões devidas a movimentos repetitivos e ligados a exercícios contínuos de uma parte particular do corpo.
Estas desordens são muito mais comuns em adultos (cotovelo de golfe ou ténis, síndroma de túnel carpal, etc) que em crianças.

Sinónimos
Síndroma Patelo-femural, Condromalácia da rótula, Condromalácia, dor de joelho Anterior.

O que é?
Esta síndroma refere-se ao desenvolvimento de dor na zona anterior do joelho, devido a actividades que colocam carga adicional em cima da articulação patelo-femural (articulação formada pela rótula e a parte de baixo do osso da coxa ou fémur).
Quando a dor é acompanhada de alterações no tecido da superfície interna da rótula (cartilagem) o termo condromalácia da rótula ou condromalácia patelar é usado.

É uma doença vulgar?
É pouco frequente em crianças com menos de 8 anos de idade, sendo progressivamente mais comum em adolescentes.
A dor patelo-femoral é mais comum nas meninas. Também pode ser comum em crianças com uma angulação significante dos joelhos para dentro (joelhos valgos) ou pernas arqueadas (joelhos varos), bem como também nos com doenças da rótula (instabilidade periódica e mau alinhamento).

Quais são os sintomas principais?
Os sintomas característicos são dor anterior do joelho que piora com actividades como correr, enquanto subir ou descer degraus, agachar ou saltar. A dor também piora com o sentar prolongado, com o joelho dobrado.

Como é diagnosticada?
Em crianças saudáveis é feito um diagnostico clínico (análises ou estudos imagiológicos não são necessários). A dor pode ser reproduzida por compressão da rótula, ou contendo o movimento superior da rótula quando o músculo da coxa (quadricípete) é contraído.

Qual é o tratamento?
Normalmente não é necessário qualquer tratamento. Na maioria das crianças, sem outras doenças associadas (tais como angulação defeituosa dos joelhos ou instabilidade rotular) a dor é uma condição benigna que se soluciona por si só. Se a dor interfere com desportos ou com as actividades diárias, a iniciação de um programa de fortalecimento dos quadricípete (músculos das coxas) pode ajudar. A aplicação de gelo pode aliviar a dor depois do exercício.

Vida Diária
As crianças devem ter uma vida normal. O seu nível de actividade física deve ser ajustado para os manter sem dor. As crianças muito activas e envolvidas na práctica de desporto devem usar uma joelheira especial, com dispositivo de fixação da rótula.

Epifisiólise proximal do fémur

O que é?
É um deslocamento de causa desconhecida da cabeça femoral pela cartilagem de crescimento. A cartilagem de crescimento é uma porção de cartilagem intercalada entre tecido ósseo, responsável pelo crescimento ósseo em comprimento. É a parte mais fraca do osso, e quando fica mineralizado e se transforma em osso, os ossos param de crescer.

É vulgar?
É uma doença pouco vulgar que afecta entre 3-10 em 100.000 crianças. É mais frequente em adolescentes, e em rapazes. A obesidade parece ser um factor de risco.

Quais são os sintomas principais?
São dor na anca e coxear, que pioram com a actividade física, com diminuição de mobilidade da anca. A dor pode ser sentida na parte superior (dois terços) ou inferior (um terço) da coxa, e aumenta com a actividade. Em 15% das crianças a doença afecta ambas as ancas.

Como é diagnosticada?
O exame físico é característico, com mobilidade da anca diminuída. O diagnóstico é confirmado através de radiografias, sendo preferível a axial ou visão de rã.

Terapia
Fixação cirúrgica (estabilização da cabeça femoral com fio metálico, para a manter no lugar).

Prognóstico
Depende em quanto a cabeça femoral deslizou antes do diagnóstico e do grau de deslizamento.

9) Osteocondroses (Sinónimos Osteonecroses, necroses Avasculares).

Introdução
A palavra "Osteocondrose" quer dizer "morte do osso”. É um grupo diverso de doenças de causa desconhecida, caracterizado pela interrupção do afluxo de sangue aos centros primários e secundários de ossificação, dos ossos afectados. Os ossos ao nascer são feitos principalmente de cartilagem, um tecido mais macio que é substituído com o passar do tempo por um tecido mais mineralizado e resistente, o osso. Esta substituição começa em locais específicos dentro de cada osso, o chamado "centro de ossificação", espalhando-se para o resto do osso com o passar do tempo.

O que é?
A osteocondrose refere-se ao processo associado com a perda de fornecimento de sangue ao centro de ossificação dos ossos, e sua substituição posterior por tecido reparador do osso. A dor é o sintoma principal destas desordens.
O diagnóstico é confirmado através de exames radiológicos ou outros exames com imagem. As radiografias mostram, sequências de fragmentação ("ilhas" dentro do osso), colapso (fractura), esclerose (aumento de densidade, o osso aparece "mais branco" nas imagens) e, frequentemente, re-ossificação (formação de novo osso) com reconstituição do contorno do osso.
Embora possa parecer uma doença séria, é bastante comum em crianças e, com a possível excepção de envolvimento extenso da anca, tem um prognóstico excelente. Algumas formas de osteocondroses são tão frequentes que são consideradas "variantes normais" de desenvolvimento do osso (doença de Sever).
Outras síndromas podem ser incluídas nas síndromas de sobre-utilização (doenças de Osgood-Schlatter e Sinding-Larsen-Johansson).

9.1) Doença de Legg-Calvé-Perthes
O que é?
A necrose avascular da cabeça femoral (parte do osso de coxa mais próximo da anca).

É comum?
Não é uma doença comum, verificando-se 1 entre 10.000 crianças. É mais frequente em meninos (4 ou 5 meninos para cada menina) entre as idades de 3 e 12 anos, particularmente em crianças de idades entre os 4 e 9 anos.

Quais são os sintomas principais?
A maioria das crianças apresenta vários graus de dor e coxear, e às vezes nenhum. Normalmente só envolve uma anca, mas em aproximadamente 10% dos casos, a doença afecta ambas.

Como é diagnosticada?
A mobilidade da anca é prejudicada e pode ser dolorosa. As radiografias podem ser normais inicialmente mas depois mostram a progressão referida na introdução. Imagens do osso e Ressonâncias Magnéticas detectam a doenças mais cedo que as radiografias simples.

Terapia
As crianças com a doença de Legg-Calvé-Perthes devem sempre recorrer a um serviço Pediátrico Ortopédico. O tratamento depende da severidade da doença. Em casos muito moderados a simples observação pode ser suficiente.
Em casos mais severos, a terapia é apontada para conter a cabeça femoral afectada dentro da articulação da anca, de forma a que quando do inicio da formação do osso novo, a cabeça femoral recupere a sua forma esférica.
Este objectivo pode ser alcançado a um grau variável usando uma cinta especial (em crianças mais jovens) ou por reconstrução cirúrgica do fémur (osteotomia, cortando uma cunha de osso para manter a cabeça numa posição melhor, para crianças mais velhas).

Prognóstico
Depende em quão extenso é o envolvimento de cabeça femoral (quanto menos, melhor) como também da idade da criança (melhor se mais jovem que 6). O processo inteiro (da fragmentação à regeneração) leva entre 12 e 18 meses para completar. Globalmente, aproximadamente dois terços das ancas apresentam a longo prazo um bom resultado radiográfico.

Vida Diária
Depende do tratamento aplicado. Para crianças sob observação deviam ser evitados impactos fortes na ancal (saltar, correr). De resto, elas devem levar uma vida escolar normal e participar em todas as outras actividades que não impliquem suportar grandes pesos.

Doença de Osgood-Schlatter
É o resultado do trauma repetido pelo tendão da rótula do centro de ossificação da tuberosidade anterior da tibia (pequena proeminência em forma de crista presente 4-5 cms abaixo da rótula, onde se liga o tendão rotuliano). Está presente em aproximadamente 1% dos adolescentes, sendo, no entanto, mais comum nos que praticam desporto.
A dor piora com actividades como correr, saltar, subir ou descer escadas e ajoelhar. O diagnóstico é estabelecido pelo exame físico, com uma ] rigidez ou dor muito características, às vezes acompanha-se de inchaço, na inserção do tendão da rótula na tíbia.
As radiografias podem ser normais ou mostrar pequenos fragmentos de osso na região da tuberosidade anterior da tíbia. O tratamento baseia-se no ajuste do nível de actividade das crianças de modo a mantê-los sem dor, aplicando gelo depois dos desportos, e com descanso. Passa com o tempo.

Doença de Sever
Também chamada ”apofisite do calcâneo". É um osteocondrose da apófise do calcâneo (o osso do calcanhar), provavelmente relacionado com a tracção aplicada pelo tendão de Aquiles.
É uma das causas mais comuns de dor do calcanhar em pediatria. A doença de Sever está relacionada com a actividade e é mais comum nos rapazes. O seu começo é normalmente por volta dos 6-10 anos de idade, com dor do calcanhar e ocasionalmente com coxear depois de exercício.
O diagnóstico é feito pelo exame clínico. Não há nenhuma necessidade de terapia além do ajuste do nível de actividade, para manter as crianças sem dor e, se não resultar, recomenda-se o uso de uma almofada debaixo do calcanhar. A situação se auto-resolve com o passar do tempo.

Doença de Freiberg
A osteonecrose da cabeça do segundo osso metatársico, do pé. A sua causa é provavelmente traumática. É pouco vulgar e na maioria dos casos afecta as adolescentes. A dor aumenta com a actividade.
Um exame físico mostra dor à pressão por baixo da cabeça do segundo metatarso e inchaço ocasional. O diagnóstico é confirmado através de radiografias, embora possa levar duas semanas desde o princípio dos sintomas para se verificarem alterações.
O tratamento inclui descanso e um apoio da zona afectada.

Doença de Scheuermann
A doença de Scheuermann´s ou "cifose juvenil" é uma osteonecrose do núcleo de ossificação dos pratos vertebrais (que constituem as superfícies superior e inferior da vértebra). É mais comum em adolescentes do sexo masculino. A maioria das crianças com este processo apresenta uma postura má, com ou sem dor das costas. A dor é relacionada com a actividade e pode ser aliviada através de descanso.
O diagnóstico é verificado pelo exame (curvatura pronunciada nas costas) e confirmado com radiografias.
Para ser considerada como sofrendo de doença de Scheuermann, a radiografia da criança tem que apresentar irregularidades dos pratos vertebrais e "cunha anterior" de 5º em pelo menos três vértebras sucessivas.
A doença de Scheuermann normalmente não implica mais que ajustar o nível de actividade da criança, observação e, em casos severos, utilização de cintas.

Fonte: Portugal
Não a automedicação

Doenças reumáticas: Tratamentos medicamentosos


TRATAMENTO MEDICAMENTOSO

AINEs – Anti-Inflamatórios Não Esteróides
São medicamentos para tratamento sintomático, tendo efeitos anti-inflamatórios (diminuem o inchaço das articulações), analgésico (reduzem as dores) e antipiréticos (diminuem ou curam a febre, se ela existir); são sintomáticos porque não modificam o curso da doença , mas são úteis para controlar os sintomas devidos à inflamação.
Estes medicamentos actuam principalmente através do bloqueio de uma enzima (chamada ciclo-oxigenase) que tem um papel importante na formação de substâncias que causam inflamação.
Porém, algumas destas substâncias (chamadas prostaglandinas) também têm um papel benéfico para o nosso organismo, que inclui a protecção do estômago e a regulação da circulação renal, entre outros. O bloqueio destes efeitos protectores explica alguns dos efeitos adversos dos AINEs.
Estes efeitos adversos podem incluir:
Alterações do estômago e intestinos, que são as mais frequentes, podendo as queixas por elas provocadas manifestar-se por dores do estômago, enjoos e digestões difíceis, ou mesmo diarreia. Raramente o estômago pode sangrar e, em consequência disso, as fezes ficarem negras e pastosas.
As queixas digestivas provocadas pelos AINEs são muito menos comuns nas crianças que nos adultos; de qualquer forma, é aconselhável que estes medicamentos sejam sempre tomados depois de uma refeição
O fígado pode também ser afectado, embora mais raramente e o único sinal sejam alterações de algumas análises (transaminases) – o AINE que causa estas alterações com maior frequência é a aspirina.
As alterações dos rins são raras e só acontecem em crianças que sofrem antes do coração, fígado ou dos rins.
Os AINEs podem também alterar a coagulação sanguínea, mas este facto só tem alguma importância em crianças que sofram de algum problema de coagulação, como por exemplo a hemofilia (doença muito rara). Também em relação a este problema é a aspirina o medicamento que mais alterações pode causar, por diminuir a coagulação do sangue. Este efeito da aspirina é utilizado para tratar doentes com tendência para formarem coágulos dentro dos vasos (tromboses), situação esta frequente nos indivíduos idosos, mas muito rara nas crianças.

Embora existam muitos AINEs disponíveis para tratar as crianças com doenças reumáticas juvenis, o Naproxeno e o Ibuprofeno são os mais largamente utilizados. A Indometacina é também útil, nos casos em que os sintomas (como, por exemplo, a febre) não cedem aos outros AINEs. A aspirina, embora seja muito barata, é menos utilizada actualmente, devido a ter efeitos adversos muito frequentes, na dose em que é necessária para tratar as doenças reumáticas juvenis.
Nunca devem ser utilizados 2 ou mais AINEs em associação (ao mesmo tempo) para tratar o doente, porque assim o risco de efeitos adversos é muito superior.
Diferentes doentes podem ter respostas muito diferentes a diferentes AINEs. Assim sendo, por vezes um deles é ineficaz e outro dá bons resultados.
Recentemente foi descoberta e posta à venda uma nova categoria de AINEs, chamados inibidores específicos da COX-2. Estes medicamentos parecem ter o mesmo efeito que os outros AINEs, tendo muito menos efeitos adversos sobre o estômago e o intestino.
Os inibidores específicos da COX-2 (Celecoxib e Rofecoxib) são muito mais caros que os outros outros AINEs e o debate sobre a sua eficácia e segurança em relação aos outros AINEs não está ainda concluído. Acresce que a experiência com estes medicamentos em crianças é ainda muito limitada.

Corticosteróides
Os corticosteróides são um grande grupo de substâncias químicas (hormonas) produzidas pelo corpo humano. Estas mesmas substâncias, ou seus derivados, podem ser produzidas em laboratório e utilizadas para o tratamento de várias doenças.
Estes medicamentos também são conhecidos pelo nome de glicocorticóides, mas a sua designação mais corrente é de corticosteróides (CS). São medicamentos que actuam de forma muito rápida e potente suprimindo a inflamação através da interferência com as reacções imunológicas de uma forma complexa. São frequentemente utilizados para obter uma melhoria rápida dos sintomas antes que outros tratamentos utilizados em combinação possam começar a actuar.
Além de diminuírem a imunidade (são imunossupressores) e serem potentes anti-inflamatórios, os CS estão também envolvidos em muitos outros processos de regulação do nosso organismo como, por exemplo, na função do coração e dos vasos, nas respostas ao stress, no metabolismo das gorduras, dos açucares e da água, e na regulação da pressão sanguínea, entre outros.
A par dos seus potentes efeitos terapêuticos, existem também numerosos e graves efeitos adversos possíveis, associados particularmente ao tratamento a longo prazo com os CS, sendo por isso muito importante que o médico seja experiente quer na doença, quer nas formas de melhor utilizar estes medicamentos, de modo a reduzir o mais possível os seus efeitos adversos.
Doses e formas de administrar os corticosteróides (CS)
Os CS podem ser administrados por via geral (pela boca, ou injectados num músculo ou numa veia) ou dados localmente (por injecção numa articulação ou junto ao olho, por exemplo).
As doses e formas de administração serão escolhidas pelo médico, de acordo com a doença de que a criança sofre e da sua gravidade. As doses altas, particularmente quando dadas por injecção, são muito potente e actuam rapidamente.
Os comprimidos existem em tamanhos diferentes, contendo diferentes quantidades de medicamento. A prednisona e a prednisolona são os CS mais frequentemente utilizados.
Não existem regras gerais aceites por todos relativas às doses e frequência de administração destes medicamentos.
Se forem tomados só uma vez por dia (geralmente de manhã) ou em dias alternados, os seus efeitos adversos serão muito menos importantes, mas a sua potência também será menor que se forem utilizados em doses repartidas ao longo do dia (as quais devem ser reservadas para crianças com doença grave).
Quando as doenças são muito graves, muitos médicos preferem optar por doses altas de Metilprednisolona, que é dada com um soro, na veias, lentamente, geralmente uma vez por dia em vários dias seguidos.
A injecção de CS de ação lenta dentro das articulações inflamadas (intra-articular) é o tratamento de escolha em algumas formas de artrite. Estes CS (geralmente o Hexacetonido de Triancinolona – o mais eficaz de todos – ou o acetonido de triancinolona) mantêm-se por longos períodos dentro da articulação injectada, tendo por isso um efeito anti-inflamatório local potente e de longa duração.
Porém, a duração deste efeito é muito variável, podendo durar de semanas a meses na maioria dos doentes. Uma ou mais articulações podem ser tratadas em cada sessão, utilizando uma combinação de analgesia tópica (p.ex: creme ou spray anestésico), anestesia local, sedação (com Midazolam, por exemplo) ou anestesia geral, dependendo do número de articulações a ser tratado em cada sessão e da idade do doente

Efeitos adversos
Dois tipos principais de efeitos adversos pode ocorrer: os resultantes do uso prolongado de doses altas, e os devidos ao abandono precipitado do tratamento.
Se os CS forem tomados continuamente durante mais de um mês não podem ser parados de repente, pois isso poderá causar problemas muito graves para o doente. Estes acontecem devido à insuficiente produção dos CS do próprio organismo, que é suprimida pela administração do medicamento. A paragem tem que se fazer com redução lenta e progressiva da dose, num processo por vezes chamado de “desmame” dos CS.
A eficácia bem como o tipo e a gravidade dos efeitos adversos dos CS são muito variáveis de doente para doente, sendo por isso difíceis de prever. Os efeitos adversos têm habitualmente relação forte com a dose total utilizada e a forma de administração, por ex: a mesma dose diária total tem mais efeitos adversos se for dada, de forma repartida, várias vezes ao longo do dia que quando é administrada numa dose única diária.
O efeito adverso mais visível dos CS é o marcado aumento do apetite, difícil de controlar e que resulta em aumento de peso e aparecimento de estrias na pele (parecidas com as que muitas mulheres têm na barriga, durante a gravidez). A manutenção de uma dieta cuidadosa, com poucas gorduras e açucares e rica em fibras ajudará a reduzir a tendência para o aumento de peso.
O acne (borbulhas) da cara e tronco pode ser controlado com cremes. Problemas do sono (insónia) e alterações da disposição, com sentimentos de alegria ou tristeza inexplicados, são frequentes. Se o tratamento com CS for prolongado, é frequente a paragem do crescimento.
As defesas contra as infecções também são alteradas, podendo haver infecções mais graves ou mais frequentes, o que dependerá da extensão da diminuição da imunidade do organismo. A varicela pode ter uma evolução grave nas crianças com redução da imunidade, sendo por isso importante alertar imediatamente o médico se a criança tratada com CS tiver os primeiros sinais de varicela ou souber que esteve em contacto com alguém com esta doença. Dependendo da situação individual podem ser utilizados anticorpos contra o vírus da varicela e/ou antibióticos anti-virais.
A maioria dos efeitos adversos silenciosos podem ser revelados através da vigilância médica cuidadosa. Estes podem incluir:
Osteoporose, que é uma diminuição da resistência dos ossos, que pode levar a fracturas com pancadas muito pequenas. A osteoporose pode ser identificada por um exame especial, chamado densitometria óssea. Sabemos que será útil administrar um suplemento diário de cálcio (cerca de 1000mg/dia) e Vitamina D (250 UI/dia) para reduzir a probabilidade de se desenvolver osteoporose nas crianças tratadas com CS.
Efeitos adversos sobre o olho, que incluem as cataratas e aumento da pressão dentro do olho.
Se surgir aumento da pressão arterial (hipertensão arterial) uma dieta com pouco sal será muito importante.
O açúcar no sangue pode subir, causando diabetes provocada pelos CS, sendo então indispensável uma dieta pobre em gorduras e em açúcares.

Ciclosporina A
A Ciclosporina A é um medicamento que reduz as defesas imunológicas do doente, tendo sido usado inicialmente para impedir a rejeição dos órgãos em doentes transplantados. É um inibidor potente de um grupo de glóbulos brancos do sangue, que têm um papel importante na defesa imunológica do organismo.
Pode ser administrada sob forma de cápsulas ou de líquido (suspensão).
Os seus efeitos adversos são relativamente frequentes, especialmente em doses mais altas, o que por vezes impede a utilização deste medicamento. Entre outros, podem surgir: alterações dos rins, pressão arterial elevada, alterações do fígado, engrossamento das gengivas, aumento dos pelos no corpo, enjoos e vómitos.
O tratamento com ciclosporina A requer por estes motivos vigilância clínica e laboratorial regular, para avaliar a existência de eventuais efeitos adversos.

Imunoglobulina humana endovenosa
As imunoglobulinas são anticorpos produzidos pelo nosso organismo. As imunoglobulinas Humanas Endovenosas (IgEV) são preparadas a partir de grandes quantidades de plasma de dadores de sangue saudáveis. O plasma é a parte líquida do sangue humano. As IgEV são o tratamento ideal utilizado para tratar crianças que, por defeito de nascença, têm falta da produção de anticorpos e, por isso, não se conseguem defender das infecções. Verificou-se também que, por mecanismos ainda não completamente compreendidos, as imunoglobulinas podem ser úteis para o tratamento de algumas doenças reumáticas juvenis.
São administradas através de um soro injectado lentamente na veia e constituem um tipo de tratamento relativamente seguro. Os efeitos adversos são raros e incluem reacções alérgicas, dores musculares, febre e dores de cabeça durante a infusão na veia, e dores de cabeça e vómitos cerca de 24 h após a infusão na veia (devidas a irritação das meninges, que passam sem necessidade de tratamento).
As IgEV estão livres de risco de infecção com vírus da SIDA, da Hepatite B bem como da maioria dos outros vírus conhecidos.

Azatioprina
A azatioprina é um medicamento que reduz a imunidade (defesas contra as infecções e de outros tipos).
Actua interferindo com processos necessários para as células se dividirem, sendo particularmente importante a sua acção num tipo de glóbulos brancos do sangue, os linfócitos.
É administrada sob forma de comprimidos. Embora tenha menos efeitos adversos que a ciclofosfamida (outro medicamento também utilizado para tratar o mesmo tipo de doenças), a azatioprina pode ter alguns efeitos adversos e a sua utilização deve ser vigiada cuidadosamente.
São raros os efeitos sobre o tubo digestivo (aftas da boca, enjoos, diarreia, dores de estômago). As alterações do fígado podem ocorrer, mas são raras também. É frequente uma redução do número de glóbulos brancos do sangue (leucopenia), que depende da dose utilizada e não se acompanha de problemas. É rara a redução de glóbulos vermelhos ou de plaquetas.
A utilização, a longo prazo, deste medicamento associa-se teoricamente a um risco aumentado de cancro, mas até agora não existem dados que permitam concluir que isto se passa nas crianças que têm sido assim tratadas.
Como com outros medicamentos que reduzem a imunidade, este tratamento expõe os doentes a um risco aumentado de infecção; a infecção pelo Herpes zoster (vírus que causa a varicela e a zona) em particular é observada com maior frequência em doentes tratados com azatioprina.

Ciclofosfamida
A Ciclofosfamida é um medicamento imunossupressor (diminui as defesas do nosso organismo) que reduz a inflamação e diminui a actividade do sistema imune. Actua por interferir com a multiplicação das células do nosso organismo, afectando principalmente as células que se estão a dividir mais rapidamente, como é o caso das células do sangue (glóbulos vermelhos e glóbulos brancos), dos cabelos e das células do revestimento do tubo digestivo (boca, esófago, estômago e intestinos) que se multiplicam com grande frequência.
Um tipo de glóbulos brancos do sangue, chamados linfócitos, são os mais afectados pela ciclofosfamida, e é a sua alteração, quer em número, quer em função (ambos reduzidos pelo medicamento), que explica a redução da actividade da resposta imune. A ciclofosfamida foi inicialmente introduzida para tratar algumas formas de cancro, caso em que são utilizadas doses muito altas, que provocam muitos e graves efeitos adversos. No tratamento das doenças reumáticas, quando é utilizada em tratamentos intermitentes (dada uma vez por mês, através de injecção na veia) tem muito menos efeitos adversos que nos doentes com doenças cancerosas.
A ciclofosfamida é administrada por via oral (comprimidos) ou endovenosa (por injecção na veia, diluída em soro). Neste último caso são habitualmente administradas doses muito altas, de 4 em 4 semanas.
Este medicamento reduz muito a imunidade (isto é, as defesas do organismo contra infecções e tumores, entre outras) e pode ter vários efeitos adversos, que necessitam de vigilância clínica e laboratorial (análises) frequentes. Os mais frequentes são os enjoos (náuseas) e os vómitos e o enfraquecimento importante ou mesmo queda do cabelo.
A redução acentuada do número de glóbulos brancos do sangue ou das plaquetas (que ajudam o sangue a estancar se houver uma ferida) podem verificar-se e obrigar a suspender o medicamento, ou reduzir a sua dose.
Podem surgir alterações da bexiga (com aparecimento de sangue na urina), as quais são muito mais frequentes quando o medicamento é dado pela boca, sob a forma de comprimidos diários, que quando é utilizada a administração endovenosa; para evitar este problema o doente deve ser aconselhado a beber muita água nos dias em que toma o medicamento.
Os tratamentos prolongados têm o risco de causar diminuição da fertilidade (mais frequente no sexo masculino) e aumentar a frequência do aparecimento de doenças cancerosas; o risco destas duas complicações depende principalmente da dose cumulativa (dose total tomada pelo doente ao longo dos anos em que for tratado).
Como já foi dito, a ciclofosfamida reduz as defesas do sistema imunológico e por isso aumenta o risco de infecções, em, particular quando é dada em associação com outros medicamentos que também reduzem a imunidade, tais como os corticosteróides em doses altas.

METOTREXATO
O metotrexato (MTX) é um medicamento que tem sido utilizado no tratamento de várias doenças reumáticas juvenis, ao longo de muitos anos. Foi utilizado inicialmente como um medicamento anti-canceroso devido à sua capacidade de reduzir a velocidade com que as células do organismo se dividem.
Porém, este efeito só é significativo em doses altas. Nas doses baixas e intermitentes (uma vez por semana) em que é utilizado no tratamento das doenças reumáticas o MTX produz o seu efeito anti-inflamatório através de outros mecanismos. Quando utilizado nestas doses baixas os efeitos adversos vistos com doses altas ou não se observam, ou são ligeiros e fáceis de detectar e tratar.
O MTX pode ser utilizado de duas formas distintas: comprimidos ou ampolas para injecção subcutânea ou intramuscular. De qualquer destas formas deve ser administrado uma vez por semana, sempre no mesmo dia da semana.
A via de administração e a dose devem ser escolhidas pelo médico, de acordo com o caso particular do doente.
Os comprimidos têm melhor absorção pelo tubo digestivo (e actuam melhor) se forem tomados antes da refeição, com um copo de água. As injecções podem ser administradas sob a pele (subcutâneas), como acontece com as injecções de insulina dos diabéticos, mas podem ser também dadas no músculo (intramusculares) ou na veia (endovenosas).
As injecções têm a grande vantagem de serem melhor absorvidas (chega maior quantidade de medicamento ao organismo) e causarem menos enjoos ou dores de estômago. O tratamento com MTX é habitualmente de longa duração. A maior parte dos médicos aconselham que o tratamento continue, pelo menos durante 12 a 18 meses após a criança estar bem (em remissão).
A maioria das crianças que tomam MTX têm muito poucos efeitos adversos. Os mais frequentes são os enjoos e as dores de estômago, que podem ser evitados se o medicamento for tomado à noite, antes da criança se deitar. Às vezes surge também inflamação dos lábios e/ou aftas da boca. Estes efeitos adversos podem ser evitados se, 2 ou 3 dias por semana, a criança tomar uma vitamina chamada Ácido Fólico.
Por vezes utilizar medicamentos contra o enjoo antes e depois de tomar os comprimidos de MTX, e/ou passar a administrá-lo por injecção, pode ajudar bastante.
Tosse e falta de ar são problemas muito raros nas crianças.
A diminuição do número de células do sangue, se presente, é geralmente muito ligeiro e não causa problemas. As alterações do fígado (fibrose do fígado) após períodos longos de tratamento são muito raras em crianças, em parte porque outros agentes lesivos para o fígado, como o consumo de álcool, não estão geralmente presentes.
Geralmente o MTX é suspenso quando uma análise (as enzimas do fígado ou transaminases) aumentam significativamente acima do normal e pode ser recomeçado quando estas análises voltam ao normal. As análises de sangue regulares são por isso indispensáveis durante o tratamento com MTX.
Embora o risco de infecção habitualmente não aumente em crianças tratadas com MTX, algumas infecções podem ter uma evolução mais grave ou prolongada. Entre estas, a varicela é a que tem maior importância. Se a criança a tratar não teve varicela antes mas entra em contacto com alguém que a teve há pouco tempo ou estava no início da doença, deve contactar o seu médico imediatamente porque pode ser necessária uma medicação especial para tratar este problema.. Se não tem a certeza se a criança teve ou não varicela antes de iniciar o MTX, uma análise ao sangue pode esclarecer esta dúvida.
Se o doente é adolescente, outras considerações podem ser importantes. Estas incluem o consumo de bebidas alcoólicas, que deve ser totalmente evitado pois aumentam muito a possibilidade do MTX causar lesões do fígado. Por outro lado, o MTX provoca alterações importantes de um bébé que esteja em gestação, por isso são importantes as medidas anti-concepcionais quando a jovem se torna sexualmente activa.

Hidroxicloroquina
A hidroxicloroquina foi usada originalmente (e ainda o é) para o tratamento da malária. Comprovou-se depois que este medicamento interfere com vários processos relacionados com a inflamação.
É administrada uma vez por dia, sob forma de comprimido. É um medicamento geralmente muito bem tolerado (tem poucos efeitos adversos). Pode causar enjoos, mas estes nunca são graves. A maior fonte de preocupação é a possibilidade de provocar alterações da vista. A hidroxicloroquina acumula-se numa parte do olho chamada retina, e permanece aí por longo período de tempo, mesmo depois de o medicamento ter sido interrompido.
Estas alterações são raras mas podem causar cegueira, mesmo depois da medicação ter sido parada. Contudo, este problema é extremamente raro quando o medicamento é usado nas doses baixas adequadas e a vigilância ocular (por Oftalmologista) não é descurada.
É a detecção precoce, por exame oftalmológico, desta complicação que permite impedir a perda de visão, se a medicação for parada a tempo; exames oculares periódicos estão indicados 2 a 3 vezes por ano nos doentes que tomam este medicamento.

Sulfassalazina
A Sulfassalazina resulta da combinação de um medicamento anti-bacteriano (uma sulfamida) com um anti-inflamatório. Foi criado há muitos anos para tratar a Artrite Reumatoide do adulto, quando se pensava que esta doença era infecciosa. Apesar da razão para o seu uso se ter revelado incorrecta, a sulfassalazina provou ser eficaz para o tratamento de algumas formas de artrite e também para o tratamento de um grupo de doenças caracterizado pela presença de inflamação crónica do intestino.
A Sulfassalazina é administrada em comprimidos. Os efeitos adversos não são raros e exigem análises de sangue e urina periódicas.
Entre outros, podem surgir problemas do tubo digestivo (falta de apetite, enjoos, vómitos, diarreia), alergia (com manchas na pele de tipo urticária), lesões do fígado (com elevação das enzimas hepáticas, as transaminases), redução do número de células do sangue (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos ou plaquetas) e diminuição da produção de imunoglobulinas do soro (anticorpos).

Este medicamento nunca deve ser dado a doentes com Artrite Idiopática Juvenil Sistémica ou Lupus Eritematoso Sistémico Juvenil, pois pode causar marcado agravamento de qualquer uma destas doenças.

Colchicina
A Colchicina é conhecida há séculos. É extraída das sementes secas do “colchicum”, género de plantas florais da família das Liliaceae. Diminui a função e o número de glóbulos brancos do sangue, reduzindo desta forma a inflamação.
É dada sob a forma de comprimidos. A maioria dos seus efeitos adversos relacionam-se com o tubo digestivo. A diarreia, náuseas, vómitos e cólicas abdominais ocasionais podem melhorar com uma dieta livre de lactose. Estes efeitos adversos geralmente respondem bem a uma redução transitória da dose. Pode haver uma redução do número das células do sangue e por este motivo são necessárias análises periódicas.
Pode observar-se fraqueza muscular (miopatia) em doentes com problemas do fígado e/ou dos rins. A recuperação é rápida, após suspensão do medicamento.
Outro efeito adverso raro é a alteração da função dos nervos periféricos (neuropatia) e nestes casos, muito raros, a recuperação pode ser mais lenta.
Manchas na pele e queda de cabelo podem surgir raramente.
Uma intoxicação grave pode ser causada se forem tomadas quantidades excessivas (intencionalmente ou por descuido) do medicamento. O tratamento da intoxicação pela colchicina requer intervenção médica de urgência. A recuperação gradual observa-se habitualmente, mas por vezes pode ser fatal. Por este motivo o medicamento deve ser guardado fora do alcance de crianças pequenas, pois a intoxicação não ocorre quando o medicamento é usado nas doses indicadas para o tratamento.
O tratamento com colchicina para a Febre Mediterrânica Familiar é continuado durante toda a gravidez. Quando existem outros factores de risco para problemas do feto uma amniocentese (exame em que é colhida para análise um pequena parte do líquido que rodeia o bébé) deve ser feita entre o 3º e o 4º mês de gravidez.

Agentes Biológicos: Anti – TNF
O Factor de Necrose Tumoral (em inglês Tumor necrosis factor ou TNF) é uma molécula que desempenha um papel central no processo inflamatório. Recentemente foram produzidos vários medicamentos que inibem selectivamente a produção de TNF. Entre eles incluem-se anticorpos contra o TNF (infliximab e adalimumab) e receptores solúveis do TNF (etanercept).
O etanercept é administrado duas vezes por semana, por injecção subcutânea, podendo os doentes e seus familiares directos ser ensinados a administrar estas injecções (tal como acontece com os doentes diabéticos em relação à insulina). As reacções locais (manchas vermelhas, comichão, inchaço) no local da injecção podem surgir, mas são geralmente ligeiras e de curta duração.
O infliximab é administrado por via endovenosa, em meio hospitalar (“hospital de dia”). Durante a administração do medicamento podem ocorrer reacções alérgicas, que vão do grau ligeiro (falta de ar ligeira, manchas na pele, comichões) facilmente tratável, até reacções alérgicas graves, com queda da pressão arterial e outras consequências mais graves. Estas reacções alérgicas acontecem com maior frequência durante os primeiros tratamentos e se forem graves o medicamento deve ser imediatamente suspenso e o doente tratado adequadamente. Estas alergias devem-se ao facto de uma parte da molécula de que é formado o medicamento ser de proteína de rato.
O adalimubab é semelhante ao infliximab, mas a molécula do medicamento é toda de origem humana. É administrado por injecção subcutânea, de 15 em 15 dias.
Todos estes medicamentos têm um potente efeito anti-inflamatório, que apenas persiste enquanto eles são administrados. Os efeitos secundários consistem especialmente numa maior susceptibilidade às infecções, especialmente a tuberculose.
A existência de qualquer infecção grave deve levar à imediata suspensão destes medicamentos. Em alguns casos raros este tratamento provocou o aparecimento de outras doenças auto-imunes, diferentes da artrite. Até agora não existem provas de que este tratamento cause uma maior incidência de cancro nos doentes tratados mas, como a experiência com os inibidores do TNF é recente, ainda não existem dados da sua segurança a longo prazo.
Estes tratamentos são frequentemente designados por “agentes biológicos” por serem produzidos por biotecnologias (como a engenharia genética).
Existem outros agentes biológicos, como o IL1ra e os anticorpos anti-IL6, entre outros, que estão a ser utilizados no tratamento de algumas doenças reumáticas do adulto e, experimentalmente, em crianças.

Ps: Somente um médico pode orientar sobre o melhor tratamento.
Fonte: Portugal

Informação ajuda combater doenças reumáticas
Redação
Uma das principais dificuldades para se tratar as doenças reumáticas é o espaço de tempo entre o surgimento da doença e o seu diagnóstico efetivo.

Isso porque, até o paciente chegar ao consultório de um reumatologista, o especialista indicado para tratar destes distúrbios, ele já perambulou por consultórios de outros médicos, entre ortopedistas, traumatologistas e clínicos gerais.

Assim como uma dor na coluna pode ser um simples “mau jeito”, também pode ser sintoma de espondiloartropatias, artrite psoriásica, doenças crônicas de origem desconhecida e altamente incapacitantes.

As dores nas juntas dos punhos, por exemplo, pode ser sintoma de uma simples tendinite, de um problema de coluna ou até de artrite reumatóide, doença crônica que acomete as articulações e que pode causar deformidades físicas e incapacidade funcional até para atividades rotineiras (como abotoar uma camisa ou girar a maçaneta da porta) e é responsável por 22% de todas as mortes relacionadas a artrites e demais problemas reumáticos.

Diagnóstico precoce

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), Fernando Neubarth, a falta de informação é o principal obstáculo para se reverter essa situação.

As pessoas precisam saber que, se aquela dorzinha na articulação persistir por mais de três semanas é o sinal de que um especialista precisa ser consultado. A SBR pretende, também, fazer com que os médicos de outras especialidades recebam informações atualizadas dos novos consensos sobre as doenças reumáticas e seus tratamentos, além de se inteirar sobre a nova gama de medicamentos que combatem eficazmente a doença.

Para o reumatologista Acyr Rachid Filho, o diagnóstico precoce é de suma importância para o controle da maioria das doenças reumáticas, pois consegue evitar complicações que podem incapacitar os pacientes de forma definitiva.

“O exame clínico, realizado em consultório, é eficaz para a identificação das doenças na maioria dos casos”, assegura. Não existe um exame único para determinar o diagnóstico da maioria das doenças reumáticas.

A investigação tem por base a história do paciente, os exames clínicos e complementares, como os exames de laboratório e o raio X. “O diagnóstico precoce pode ser a diferença entre um estilo de vida normal e uma vida com limitações e incapacidade funcional”, afirma o presidente Fernando Neubarth.

Mitos & verdades

>> Reumatismo não é doença de velho. Boa parte das doenças reumáticas atinge pessoas de todas as idades, incluindo jovens e crianças - como a artrite reumatóide juvenil, doença reumática que tem inicio antes dos 16 anos de idade e que apresenta com os principais sintomas rigidez matinal, dificuldade de andar e de acompanhar as brincadeiras típicas da idade.

>> Reumatismo não é sazonal. Embora o frio, em alguns casos, possa aumentar os sintomas, as doenças reumáticas não pioram ou surgem nos dias mais frios. Ocorrem em qualquer época do ano, em pessoas de todas as idades, em ambos os sexos - apesar de a maioria atingir mais mulheres do que homens.

>> Reumatismo tem tratamento. Apesar de ser uma doença crônica (assim como o diabetes e a hipertensão), muitas vezes sem cura definitiva, o reumatismo tem tratamento, que pode melhorar e restabelecer a qualidade de vida do paciente.

Campanha educativa

A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) promove campanha educativa sobre a importância do diagnóstico precoce das "doenças reumáticas" - um grupo de mais de 100 enfermidades, algumas levando à incapacidade física.

A campanha Reumatismo é coisa séria tem por objetivo esclarecer mitos sobre os diversos tipos de "reumatismos" e incentivar o seu diagnóstico precoce. A maioria das mais de 100 doenças reumáticas pode ter um início comum, uma simples dor nas juntas, mas evolução distinta.

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Como os pacientes podem não valorizar os sintomas, leva-se um bom tempo para que o diagnóstico correto seja feito. Muitas das doenças reumáticas podem ser confundidas entre si e também com outras doenças que afetam estruturas musculoesqueléticas.

Principais doenças reumáticas

>> Reumatismo de partes moles (bursites, tendinites) o mais freqüente junto com a artrose

>> Artrite reumatóide

>> Artrites por cristais (gota)

>> Artrites infecciosas

>> Artrites reativas, espondilite anquilosante, artrite psoriásica

>> Artrites crônicas da infância

>> Febre reumática

>> Osteoporose

Fonte: Paraná On line
Vida e saude

Novas substâncias na lista de medicamentos controlados

2 de março de 2009 - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta sexta-feira, 27, resolução no Diário Oficial da União que inclui novas substância na lista de medicamentos controlados. De acordo com informações da Anvisa, duas substâncias (agomelatina e etravirina) são novas e seus efeitos não são bem conhecidos ainda no Brasil, por isso entraram na lista.

Já as substâncias 1-benzilpiperazina (BZP) e 1-(3-Trifluormetilfenil) piperazina (TFMPP) foram incluídas na lista de medicamentos controlados a pedido da Polícia Federal porque estavam sendo usados como entorpecentes.

Fonte: Anvisa

Farmácias: Situações quanto à melhor maneira de agir e as práticas permitidas ou não pela legislação.



Farmácias: Situações quanto à melhor maneira de agir e as práticas permitidas ou não pela legislação.

Medicamentos Tarjados Sem Receita
Freqüentemente, clientes tentam se medicar sem ir ao médico. Procuram por medicamentos que são passíveis de ter controle nas vendas, como os produtos que têm:

Tarja vermelha, com retenção da receita: medicamentos que exigem controle nas suasvendas. Podem levar o paciente à dependência domedicamento e a graves efeitos colaterais. Na tarjavermelha está impresso o seguinte texto: “Só podeser vendido com retenção da receita.”

Tarja preta: medicamentos em cujas embalagens vem impresso o seguinte texto: “O abuso deste medicamento pode causar dependência.”; “Venda sob prescrição médica, sujeito à retenção de receita.”

Receita de Controle Especial (vulgarmente chamada de “carbonada”– impresso idêntico ao da receita simples, só que em duas vias): usada para a prescrição do medicamento das listas C1 (controle especial), C4 (anti-retrovirais) e C5 (anabolizantes), que possuem a tarja de cor vermelha com os dizeres: “Venda sob prescrição médica: só pode ser vendido com retenção de receita.” – e para os quais é exigido rigoroso controle de retenção da receita médica.

Notificações de Receita A e B: impressas em papel especial, nas cores amarela (A) e azul (B) e que devem ser acompanhadas da receita simples, pois a Notificação ficará retida na farmácia e a receita simples será o comprovante do paciente por estar portando medicamento sujeito ao controle especial.

Todos os medicamentos com esses controles não devem ser vendidos sem receita médica ou notificação. A melhor atitude o cliente dirigir-se a um médico, explicando os danos que essas substâncias podem causar.

Clientes com Receita Adulterada

Não aceitar medicamentos com adulteração da receita médica.

Toda receita deve conter os seguintes requisitos:

- Identificação do emitente: campo impresso contendo o nome completo do emitente, a especialidade médica e o no do CRM;
- Identificação do usuário: nome e endereço completo do paciente;
- Nome do medicamento ou da substância (sob a forma de Denominação Comum Brasileira – DCB), dosagem ou concentração, forma farmacêutica, quantidade (em algarismo arábico e por extenso) e posologia;
- Data da emissão: o dia em que a receita foi fornecida;
- Assinatura do profissional: ele deve assinar, mas o carimbo é dispensado quando os dados do profissional estiverem impressos na receita;
- Endereço: endereço completo do médico, com telefone para contato.

Se o cliente comparecer à farmácia trazendo uma receita adulterada (seja na quantidade, no nome do produto ou na data), não faça a venda. É melhor orientar o cliente sobre os perigos das receitas rasuradas e aconselhá-lo a procurar novamente o médico.

Ler a Bula
Médicos prescrevem medicamentos e deixam de fornecer informações detalhadas aos pacientes, que vão à farmácia para isso. Antigamente, os medicamentos não eram lacrados e era habitual o farmacêutico permitir que os clientes lessem a bula do próprio produto.

Hoje, no balcão, há Dicionários Terapêuticos impressos ou informatizados que contêm todas as bulas dos medicamentos e que os clientes podem consultar.

Todos devem saber que uma bula é composta de vários tópicos, como:

Nome do medicamento: nome comercial ou da marca, dado pelo fabricante.
Apresentação: descreve as formas, fórmulas farmacêuticas, dose e posologia do produto.
Composição: indica a composição de cada forma farmacêutica – os princípios ativos que a compõem e o excipiente ou veículo utilizado.
Uso: indica a quem se destina o medicamento, isto é, se é adulto, pediátrico, etc.
Informações ao paciente: orientações dadas ao usuário como: prazo de ação, efeitos adversos, etc.
Informações técnicas: indicam a ação que o medicamento causará no organismo, grupo farmacológico, etc.
Indicações: para que serve e em quais casos usar.
Contra-indicações: indicam problemas que impedem o uso do medicamento.
Precauções ou advertências: os cuidados que se deve tomar durante o uso.
Reações adversas: os efeitos que podem ocorrer após o uso do medicamento.
Interações medicamentosas ou outras formas de interação: problemas que podem ocorrer nautilização de mais de um medicamento ao mesmotempo.
Posologia e administração: indica qual a dose a ser administrada ou a dose máxima diária, que não deve ser ultrapassada.
Superdosagem: indica o que fazer no caso de uso em excesso.
Identificação do Fabricante: consta o nome, endereço, CGC, registro no Ministério da Saúde e o nome do farmacêutico.
Nº do telefone do SAC ou SIC: consta o no do telefone para que o cliente possa esclarecer suas dúvidas.

Conhecer bem os tópicos de uma bula é importante para poder auxiliar os clientes. A sua habilidade em consultá-la é que vai mostrar o quanto sua ajuda é confiável.


Medicamentos de Uso Restrito Sem Prescrição

Conhecemos alguns medicamentos que são utilizados de forma inadequada à de sua prescrição. Estão enquadrados aí os que podem agir como abortivos; os inalantes, que podem agir como estimulantes.

Agir de forma ética é evitar que tais medicamentos sejam utilizados de maneira inadequada. Evite sugerir essa utilização.

Troca de Medicamentos: Quando e Como Fazer
Há dois tipos usuais de solicitação de troca de medicamentos: o da troca ou substituição de um medicamento por outro (genérico) no ato da compra; ou da troca de um medicamento que não foi usado por outro artigo, após alguns dias da compra.


Troca de Artigos Diversos da Loja: Como e Quando Fazer

Uma farmácia tem uma infinidade de produtos para servir o cliente. Se ele vem à loja com o produto intacto e pedindo para trocá-lo, faça-o sentir que está ali para ajudar na solução do problema! Escute o que diz e resolva de imediato.

Esta é uma excelente oportunidade para fazer uma venda complementar. Se estiver atento a pessoa diz, vai ajudá-lo a sair satisfeito e terá obtido também um ganho extra para a farmácia.

Aferir a Pressão: Pode ou Não Pode?

Muitas pessoas têm o hábito de procurar as farmácias para verificar a temperatura e a pressão arterial. O Guia de Boas Práticas em Farmácia, do Conselho Federal de Farmácia, diz que “é permitido ao farmacêutico, para serviço de verificação de temperatura e pressão arterial, a manutenção de aparelhos como: termômetro, estetoscópio e esfigmomanômetro; ou aparelhos eletrônicos, ficando os ditos aparelhos sob sua responsabilidade, devendo ser auferidos anualmente por instituição oficial”.

Quando em acompanhamento de pacientes hipertensos, serão observados os seguintes procedimentos:

- É proibida a utilização de procedimentos técnicos para indicação ou prescrição de medicamentos;
- Devem ser seguidas as técnicas preconizadas para verificação de pressão arterial e temperatura. Na observação de alterações significativas na temperatura e pressão dos pacientes, estes devem ser encaminhadas ao serviço de saúde mais próximo, para a devida assistência médica;
- As verificações de pressão arterial devem ser registradas em ficha e/ou carteira de hipertensodo paciente, caso possua. Esses registros devem ser fornecidos ao profissional que assiste aopaciente, mediante solicitação do mesmo e autorização do paciente;
- Deve haver, próximo ao local onde se faz a verificação da pressão, um cartaz com os seguintesdizeres: “Isto não é uma consulta médica, não se automedique e não aceite indicação de medicamentos para regulação de pressão arterial. Consulte seu médico!”

Sempre haja com ética ao efetuar esses procedimentos.


Aplicar Injeções: Pode ou Não Pode?
Será que aplicar injeções na farmácia é um serviço de utilidade pública? Sim; em locais mais distantes dos grandes centros, a farmácia é indispensável. A legislação, quando discorre sobre isso, diz que “é atribuição do farmacêutico, na farmácia e drogaria, a prestação do serviço de aplicação de injetáveis, desde que o estabelecimento possua local devidamente aparelhado, em condições técnicas, higiênicas e sanitárias nos termos estabelecidos pelo órgão competente da Secretaria de Saúde”.

Cabe lembrar que:

- Os medicamentos só devem ser administrados mediante prescrição de profissional habilitado e depois de preenchidas as exigências legais;
- As injeções realizadas nas farmácias ou drogarias só poderão ser ministradas pelo farmacêutico ou por profissional habilitado, com autorização expressa do farmacêutico ou diretor técnico do estabelecimento (a presença e/ou supervisão do profissional farmacêutico é condição e requisito essencial para aplicação de medicamentos injetáveis);
- A responsabilidade técnica vai além da aplicação de conhecimentos técnicos. É necessária a assistência técnica, autonomia técnico-científica e condutas elevadas que se enquadrem dentro dos padrões éticos que norteiam a profissão e atendimento, como parte diretamente responsável depois das autoridades sanitárias profissionais;
- O farmacêutico responsável técnico deverá possuir um livro de receituário destinado aos registros das injeções efetuadas;
- Durante a aplicação dos medicamentos injetáveis, não pode existir dúvida quanto à qualidade do produto. Caso isso exista deve-se notificar o serviço de Vigilância Sanitária.

Alguns cuidados para que a aplicação de injeção :

- Qualidade na aparência pessoal: além do comportamento educado e gentil, é importante o cuidado com a higiene. O aspecto humano conta muito nessa atividade; e sua apresentação demonstra a qualificação que sua empresa tem;
- Ambiente: a sala de aplicação deve ser bem iluminada; ventilada; absolutamente limpa e desinfetada com álcool 70o, água sanitária, etc. O balcão onde é feito o preparo da injeção deve ser desinfetado após cada aplicação. A sala deve possuir torneira e móveis, como balcão com gavetas (separado da pia), cadeira, suporte de braços, lixeira com tampa acionada por pedal, suporte para papel toalha, um anti-séptico (álcool iodado ou álcool 70o), um recipiente para o algodão e caixa própria para o descarte dos materiais perfurocortantes. O material devidamente organizado na cabine de aplicação mostra como é confiável o profissional que nela trabalha;
- Uso de luvas descartáveis: que reduz o risco de contaminação;
- Preparo do medicamento: estar seguro com relação à prescrição médica, uso de seringa e agulha apropriadas, a quantidade, dosagem e vias de administração corretas.


Ética na Dispensação de Medicamentos de Referência, Genéricos e Similares
Ser ético para todos os cidadãos é importante; para os que trabalham nas farmácias e drogarias,mais ainda!

Para que uma venda seja bem feita, é necessário que o funcionário aja com ética e:

- Forneça informações corretas;
- Tenha consciência de que o cliente da farmácia é diferente; está debilitado, sem paciência e sem condições físicas para esperar;
- Conheça o Código de Defesa do Consumidor, para evitar desrespeito ao código e ao cliente;
- Tenha educação e respeito para com todos.

No atendimento em farmácia, é importante conhecer a classificação dos medicamentos por seu tipo. Essa é uma classificação atribuída pelo Ministério da Saúde com a finalidade de orientar sua origem. Qualquer medicamento em circulação e aprovado para comercialização passa por testes e comprovações, bem como por boas práticas de fabricação, definidas pelo Ministério da Saúde.

Os medicamentos obedecem a seguinte classificação, por tipo:

Medicamentos de referência (ou de marca): são medicamentos registrados na Agência Nacionalde Vigilância Sanitária (Anvisa) e comercializadosno país cuja eficácia e qualidade foramcomprovadas cientificamente por ocasião doregistro. Esse medicamento pode servir de padrãode cópia, após a expiração do prazo de patente,para a produção de medicamentos genéricos, similares e alternativas farmacêuticas. São produtosinovadores, resultantes de anos de pesquisa eprotegidos pela Lei de Patentes. Esses medicamentospossuem nomes comerciais, dados pelos fabricantes.

Medicamentos genéricos: são medicamentos copiados de um produto de referência e pretende ser com este intercambiável. É produzido após a expiração de direitos de exclusividade. Contêm a mesma substância ativa, concentração de dose, esquema posológico, apresentação e efeito farmacológico; e passam por testes de bioequivalência e biodisponibilidade. Têm em sua embalagem a inscrição: “Medicamento Genérico – Lei 9.787/99”.

Os nomes dados a esses medicamentos baseiam-se na Denominação Comum Brasileira – DCB que permite comparar os diversos medicamentos existentes nos mercados e saber quais têm a mesma composição ou quais são as diferenças.

Medicamentos similares: são produtos que possuem a mesma substância ativa, concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação terapêutica, MAS podem diferir em tamanho, forma, prazo de validade, embalagem, rotulagem, excipientes e veículos. São identificados pelo nome comercial ou marca.

Conhecendo bem os tipos de medicamentos, fica mais fácil fazer sua dispensação.

Tenha em mente que medicamentos devem ser vendidos com a apresentação da receita médica; esse procedimento evita a automedicação e erros que podem prejudicar a saúde do usuário.

Clientes têm sido alertados pelos meios de comunicação sobre a possibilidade de se usar produtos genéricos, por serem mais baratos. Seu custo é menor porque não passam pelo processo de pesquisa; a compra da matéria prima é efetuada no mercado mundial pelo menor preço e não há despesas com propaganda médica.

Se um cliente, portando uma receita médica, solicitar a substituição de seu medicamento de referência pelo genérico, coloque a alternativa da existência do produto (se houver) e peça para o farmacêutico continuar o atendimento.

Caso o cliente insista, a substituição só pode ser feita pelo farmacêutico responsável. Nesse caso, o farmacêutico deve pôr seu carimbo, constando seu nome e inscrição no CRF, deve datar e assinar. É dever do farmacêutico explicar detalhadamente a dispensação realizada ao paciente. A substituição de medicamentos é permitida somente entre o medicamento genérico e o de referência, baseada na relação de medicamentos genéricos aprovados pela Anvisa.

Os estabelecimentos são obrigados a manter, à disposição dos consumidores, a lista atualizada dos medicamentos genéricos, conforme relação publicada mensalmente pela Anvisa no Diário Oficial.

Na dispensação de medicamentos genéricos de fármacos idênticos, os profissionais farmacêuticos deverão ofertar mais de uma alternativa de medicamentos genéricos, a fim de possibilitar a escolha por parte do usuário.

É importante lembrar que o profissional de farmácia não pode decidir sobre a compra do produto. A decisão é única e exclusivamente do consumidor.

Agir com ética significa evitar a “empurroterapia” e ter a consciência de que estamos lidando com vidas humanas, sendo que qualquer deslize pode ser fatal.

Fonte: MSD