10.01.2009

O perigo da desidratação

Uma das maiores preocupações trazidas pelo clima quente do verão é a desidratação. O distúrbio atinge todas as idades, mas são as crianças que mais sofrem nesse período. As causas mais comuns que levam à doença são a diarréia e os vômitos. As diarréias, que são evacuações líquidas ou pastosas em grande quantidade, são causadas por vírus ou bactérias presentes nos intestinos ou por algum tipo de intolerância alimentar. Esse perigo é maior no verão, pelo aumento da quantidade de vírus causadores de diarréia, como, também, pela contaminação dos alimentos por bactérias. Segundo o pediatra Luís Ernesto Pujol, o que acontece é que nem sempre as pessoas se preocupam em colocar os alimentos bem acondicionados na geladeira ou não lavam as mãos antes de prepará-los. “Assim, as bactérias encontram um ambiente ideal para se multiplicar”, explica o médico.

Outra causa importante de desidratação são os vômitos. Para Pujol, piores ainda do que as diarréias, já que, ao vomitar, as crianças perdem muito mais nutrientes, ficando, por isso, muito mais debilitadas e sujeitas à doença. O médico explica que as crianças com até seis meses de idade, amamentadas somente no seio materno, não correm nenhum risco de sofrer tais infecções. “Nessa idade, o leite materno é o único alimento que a mãe deve dar ao bebê”, salienta, enfatizando que nem mesmo chás e a própria água necessitam ser oferecidos à criança.

A boca é a porta de entrada

O distúrbio também pode ser causado pela exposição excessiva ao sol ou outra fonte de calor, sudorese excessiva ou outras doenças associadas. Quando uma criança está desidratada, ela apresenta sede, fica muito tempo sem urinar, com a boca seca, olhos ressecados e fundos. “Além disso, ela pode apresentar sonolência, palidez, tontura e recusar alimentos”, ressalta o clínico-geral Thadeu Rogas. Conforme o médico, uma pessoa perde, em média, 2 litros de água por dia, seja pela urina, fezes, suor ou, até mesmo, pela respiração. “Quem pratica atividade física mais exigente chega a perder até quatro litros de água”, completa.

Rogas aconselha que as pessoas evitem refeições pesadas, que utilizam muito mais líquido para sua perfeita digestão, salientando que o ideal é abusar de frutas, verduras, legumes e carboidratos. Luis Pujol esclarece que a única porta de entrada dessas doenças gastrointestinais é a boca. Após engolir um alimento sujo, mal-lavado ou manipulado, a criança corre o risco de contrair a doença. Além disso, o médico recomenda que as mães procurem locais arejados e com sombra para ficar com seus bebês. Também é importante usar roupas leves e oferecer constantemente líquidos (no mínimo um copo a cada hora).

Assim que os primeiros sintomas da desidratação forem constatados, Luís Pujol indica que o auxílio médico deva ser procurado imediatamente. “Além disso, sob a menor suspeita da doença, o soro caseiro deve ser utilizado”, recomenda. Para cada litro de água, deve ser misturada uma colher de sobremesa de sal e quatro colheres de sopa de açúcar. Segundo a orientação do pediatra, o soro deve ser dado em pouca quantidade, porém de 15 em 15 minutos. “Esse deve ser o único alimento ingerido pelo bebê, antes que um médico verifique a causa que originou a doença”, explica.

Não é difícil evitar a doença

* Ingerir líquidos freqüentemente durante todo o dia;

* Lave bem as mãos antes de preparar as refeições;

* Conserve os alimentos perecíveis no refrigerador;

* Lave bem as frutas e vegetais que vão ser consumidos crus;

* Vestir roupas leves, de fibras naturais, que facilitam a transpiração;

* Sempre que possível se manter em ambientes ventilados;

* Evite exposição ao sol entre as 10h da manhã e 4h da tarde.

Santo remédio

O soro caseiro é uma solução prática e econômica para se evitar a desidratação, veja como é fácil fazer:

Em um copo de água fervida e fria diluir uma medida rasa de sal e duas medidas rasas de açúcar. Mexer bem e dar à criança em pequenas colheradas, de 15 em 15 minutos ou após cada evacuação líquida se houver diarréia. Se os sintomas não cederem procure orientação médica.


Fonte: O Estado do Paraná - PR

Própolis contra queimaduras

A própolis é conhecida por ser um antibiótico natural e ter diversos efeitos terapêuticos. A novidade é que o material coletado pelas abelhas para a defesa da colméia também é eficaz no tratamento de queimaduras. A descoberta foi de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), que desenvolveram um medicamento à base de própolis capaz de auxiliar na cicatrização desses ferimentos.

Coletada por abelhas em plantas e usada na proteção da colméia, a própolis é composta basicamente de ceras e resinas. A substância já é usada em diversos produtos terapêuticos para fins bactericidas, anestésicos, antiinflamatórios e cicatrizantes.

“Após uma revisão da literatura científica, descobrimos que um médico em Cuba aplicava própolis de forma artesanal em queimaduras e ferimentos que surgem em pacientes que ficam muito tempo deitados”, afirma a farmacêutica Andresa Berretta, que desenvolveu o estudo em sua tese de doutorado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, sob orientação da professora Juliana Marchetti. “Mas ainda não havia um medicamento farmacêutico à base de própolis.”

Segundo Berretta, o produto, um líquido frio que se transforma em gel no contato com a pele, tem uma série de vantagens em relação ao tratamento usual de queimaduras nos hospitais, geralmente feito com pomadas à base de sulfadiazina de prata e nitrofurazona. “Além do fato de ser um produto natural, ele é um líquido mantido frio, o que já proporciona sensação de analgesia ao paciente na aplicação”, destaca.

A pesquisadora explica que o líquido se transforma em gel ao entrar em contato com a pele porque ela tem temperatura mais alta. “A composição em gel faz com que o produto permaneça mais tempo no local afetado, o que reduz o número de aplicações necessárias para completar o tratamento, além de tornar fácil a sua remoção”, acrescenta.

Resultados promissores
Em uma primeira etapa, o produto foi aplicado com sucesso em lesões de ratos. Depois, foi testado em pacientes da Unidade de Queimados do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, sob a co-orientação do cirurgião plástico Werther G. Marchesan. “Nosso medicamento apresentou resultado semelhante ao de produtos sintéticos usados no tratamento de queimaduras”, conta Berretta.

A pesquisadora optou por testar o medicamento no local da pele de onde é retirado o enxerto para a queimadura, área chamada de doadora. “Em casos mais graves, quando é necessário fazer enxertos, essa é uma região da pele que simula uma queimadura de segundo grau e também tem que se regenerar”, explica. “Além disso, essa área apresenta a mesma profundidade em toda a sua extensão, o que facilita o acompanhamento dos resultados.”

Berretta conta que foi necessário padronizar a composição química do produto para garantir que fosse usada a mesma quantidade de princípios ativos em todos os testes. “As concentrações das substâncias presentes na própolis mudam de região para região”, justifica.

A próxima etapa da pesquisa será disponibilizar a formulação do medicamento para uso doméstico em pequenas queimaduras. “O nosso extrato de própolis já foi patenteado. Em breve, o veremos no mercado”, prevê.

Fonte: Ciência Hoje On-line

Quer ter dentes brancos?

Desvende os mitos que rondam o clareamento dental.
A busca por um sorriso branco tem levado cada vez mais pacientes aos consultórios dos dentistas. Há diversas técnicas e produtos para aplicação no consultório ou em casa. Mas ainda há muitas dúvidas e mitos em torno do clareamento dental. O tratamento acaba com o esmalte dos dentes? A sensibilidade aumenta? Mulheres grávidas e crianças podem fazer?

Entre as técnicas disponíveis, a mais popular é a caseira, supervisionada pelo dentista, com a aplicação do gel clareador por meio de uma moldeira plástica. O resultado aparece após três a quatro semanas de uso diário do produto - normalmente, durante a noite. Segundo os dentistas, as concentrações dos géis clareadores variam de paciente para paciente.

- Quanto mais concentrado o gel, mais rápido o clareamento. Mas, como a sensibilidade varia de pessoa para pessoa, começamos com uma concentração menor e, dependendo da resposta, aumentamos, garantindo velocidade e conforto ao mesmo tempo - explica o odontologista Rodrigo Reis, diretor clínico da Dentsply, fabricante mundial de materiais odontológicos.

Apesar de ser um pouco mais demorado, o clareamento doméstico é o mais vantajoso financeiramente. O tratamento completo sai por R$ 350 a R$ 700. Além disso, é menos agressivo, provocando uma sensibilidade menor no dente.

- O clareamento caseiro é mais demorado. Mas possibilita um clareamento mais estável, pois atinge camadas mais profundas de pigmentação. Agora, depende da cooperação do paciente - diz a dentista Deise Amaral, da Sociedade Brasileira de Odontologia.

Já o clareamento feito no consultório do dentista pode ser feito com auxílio do laser ou apenas com aplicação do gel clareador - em concentração maior que o caseiro. O resultado aparece após duas ou quatro sessões, e o custo médio é de R$ 1.200.

- O clareamento em consultório é mais rápido e tem um custo maior, o que não quer dizer que tenha um resultado melhor. Nestes casos, a responsabilidade é exclusiva do dentista. O paciente não precisa se preocupar com nada - explica Deise Amaral.

Uso do laser divide opinião de odontologistas

O uso do laser, no entanto, ainda é controverso e divide a opinião de especialistas.

- Acreditava-se que o laser potencializava a ação do produto. Mas estudos recentes mostram que não há ação do laser no clareamento. Acaba sendo mais um marketing do que terapia, porque o laser não tem efeito comprovado - afirma Rodrigo Reis.

Como escolher a melhor técnica então?

- Não existe técnica mais eficaz que a outra. Todas chegam lá. Só depende da velocidade e do perfil do paciente - diz o odontologista.

Durante o 26º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo (CIOSP), que acontece de 25 a 29 de janeiro, será lançado o Whitegold , um novo produto para clareamento dental. O gel tem a mesma concentração de peróxido de hidrogênio (35%), usado tradicionalmente. A diferença está na textura do produto usado na aplicação em consultório e na segurança de seu manuseio. A repórter Fadua Matuck testou a novidade e conta o que achou.

Os especialistas alertam ainda para as falsas promessas de pastas de dente e produtos para clareamento à venda nas prateleiras dos supermercados.

- Nada funciona. É a velha indústria da propaganda. Faz mal pro bolso, porque você compra e não funciona. Pasta de dente é cosmético, pode prometer e não cumprir. O produto clareador usado pelos dentistas é um medicamento - explica Deise Amaral.

O odontologista Rodrigo Reis explica que a origem do sorriso amarelo são os pigmentos existentes nos alimentos e em bebidas - como café, chá, vinho tinto e muitos outros que, com o passar dos anos, mancham e escurecem os dentes. A falta de uma higiene bucal adequada também é um dos fatores que colabora para a coloração amarelada.

Fonte:O Globo

Doenças reumáticas

Entenda os diferentes tipos de doenças reumáticas
Responsáveis por alterações e inflamações nas juntas, as doenças reumáticas que evoluem com artrite acometem homens e mulheres de todas as idades, comprometendo a realização de tarefas simples, como segurar um copo ou pentear o cabelo. Entre estas doenças destacam-se a artrite reumatóide, a osteoartrite e a gota.

Apesar de apresentarem alguns sintomas semelhantes, como a dor nas articulações, cada tipo de doença reumática tem características próprias. De acordo com a médica reumatologista Evelin Goldenberg, o diagnóstico correto e precoce é muito importante para o adequado controle dessas doenças. No entanto, muitas vezes, a demora para começar o tratamento está justamente associada à falta de conhecimento, até mesmo por médicos de outras especialidades que não estão habituados com a forma de apresentação dessas patologias. Acompanhe as dicas da especialista para detectar e tratar a doença:

Artrite Reumatóide

O que é?
A doença caracteriza-se por intensa inflamação nas juntas, principalmente das mãos, pés, provocada por uma reação auto-imune do próprio organismo contra as articulações. A inflamação persistente destrói progressivamente a cartilagem e os ossos, causando dor, deformidades e limitando os movimentos.

Atinge cerca de 1% da população mundial e a prevalência aumenta com a idade, podendo chegar até a 5% em mulheres com mais de 55 anos. Mulheres são mais freqüentemente afetadas do que os homens. No Brasil, estima-se que cerca de 1,5 milhão de pessoas seja acometida pela doença, na maioria mulheres em idade economicamente ativa - entre 30 e 50 anos. Especialistas alertam também que o número de pessoas atingidas pela artrite reumatóide deve aumentar expressivamente nos próximos anos com o envelhecimento da população.

Sintomas
Em geral, o paciente sente as juntas rígidas como se estivesse "enferrujado" ao acordar pela manhã e esta rigidez articular pode durar mais de uma hora. Fadiga inexplicável, inchaço e vermelhidão das articulações, principalmente das mãos, são outros sinais observados.

Prevenção
Como não se conhece as causas da doença, não existe uma forma específica para prevenir a artrite. No entanto, especialistas acreditam que o problema tenha origem genética. A artrite reumatóide não é hereditária nem contagiosa, mas estudos recentes mostram que a presença de alguns genes que regulam o sistema imunológico podem estar relacionados a maior suscetibilidade ao desenvolvimento da doença.

Tratamento
Apesar da artrite reumatóide não ter cura, a eficiência das novas terapias têm cooperado para uma melhor qualidade de vida dos pacientes. De acordo com a gravidade, a doença pode ser tratada com analgésicos, antiflamatórios hormonais e não-hormonais, drogas anti-reumáticas modificadoras da doença (DMARDs) e medicamentos biológicos - entre eles os recém lançados MabThera (rituximabe) e abatacepte. No ano passado, o laboratório Roche anunciou pesquisas com uma nova substância biológica - o tocilizumab. De acordo com os resultados dos estudos, 30% dos pacientes tratados com a substância conseguiram deter o avanço da doença, enquanto 65% apresentaram uma melhora de pelo menos 50% nos sintomas, como a diminuição das dores e da anemia e fadiga que acompanham o quadro. O tocilizumab deve ser aprovado no país entre 2008/2009. Além do novo medicamento, o laboratório já disponibiliza no país o MabThera, primeiro e único remédio para artrite reumatóide que age seletivamente nos linfócitos B - células responsáveis pela produção dos auto-anticorpos e uma das causas das inflamações.

Osteoartrite

O que é?
A osteoartrite ou osteoartrose, conhecida popularmente como "Bico de Papagaio", é uma doença crônica degenerativa que destrói a cartilagem das juntas, gerando dor e limitação dos movimentos. É a mais comum das doenças reumáticas e estima-se que cerca de 15% da população mundial seja afetada pelo problema, principalmente pessoas com mais de 50 anos. Diferentemente da artrite reumatóide, a osteoartrite pode ser causada por vários fatores, entre eles traumas, fraturas, excesso de peso, sedentarismo ou desarranjos da própria articulação.

Sintomas
Geralmente aparecem após os 50 anos de idade. Dor nas juntas durante ou após os movimentos é o primeiro sinal, podendo ser acompanhada de inchaço, rigidez no início do movimento, estalos, sensação de instabilidade ao andar e menor flexibilidade nas articulações afetadas, atrapalhando o portador a exercer as atividades do dia-a-dia.

Prevenção
Manter um peso ideal, praticar exercícios físicos de baixo impacto, diminuir, ou de preferência, suspender o tabagismo e o consumo de álcool pode ajudar a prevenir a doença.

Tratamento
O problema pode ser tratado com analgésicos e antiinflamatórios, mas só um médico pode dizer qual a melhor terapia. Fisioterapia e exercícios físicos também ajudam no controle da doença. Em alguns casos é necessário intervenção cirúrgica.

Gota

O que é?
A gota é caracterizada pelo depósito de ácido úrico nas articulações, causando episódios de artrite. A doença provoca dor intensa e, na maioria dos casos, afeta a articulação do dedão do pé. Estima-se que 2% da população mundial sofram de gota, que geralmente acomete pessoas com mais de 35 anos, especialmente os homens.

Sintomas
A primeira manifestação da doença dura de 3 a 4 dias e desaparece em seguida. É caracterizada pelo início súbito e agudo de dor localizada, começando normalmente pelo dedão do pé e depois subindo pela perna. Outra característica da doença é a formação de tofos e deposito de ácido úrico embaixo da pele.

Prevenção
A melhor medida é evitar o aumento de ácido úrico no organismo, regulando a prática de exercícios físicos e a obesidade, assim como consumo de álcool e controle da dieta.

Tratamento
Além dos medicamentos que eliminam o ácido úrico, o tratamento é feito com medidas preventivas como a alta ingestão de líquidos, além de dieta rica em carboidrato e com pouca proteína e gordura.

Fonte: Maxpress

TRISTEZA OU DEPRESSÂO

Quando foi lançado nos Estados Unidos, em 1987, o mais famoso medicamento antidepressivo do mundo chegou a ser apontado, pela revista Scientific American, como um “anjo que ilumina as trevas da alma”.
O Prozac foi o primeiro de uma série de remédios que visam alterar o nível de serotonina, uma substância química do cérebro relacionada à sensação de prazer. Com as mudanças das últimas duas décadas no modo como a ciência médica encara a depressão, esses medicamentos se tornaram campeões de venda.

O número de pílulas consumidas no mundo inteiro pulou de 4 bilhões, em 1995, para 10 bilhões, em 2004, um aumento de 150%. No Brasil, também se registrou um salto. Há três anos, 20,6 milhões de comprimidos foram vendidos no país. No ano passado, foram 24,4 milhões (um aumento de 18,5%).

Por isso, um estudo lançado na semana passada na Public Library of Science Medicine (Biblioteca Pública da Ciência Médica) causou grande impacto. O pesquisador Irving Kirsch, da Universidade de Hull, no Reino Unido, e seus colegas revisaram os estudos clínicos de vários antidepressivos e concluíram que, nos casos de depressão leve, seus efeitos não são melhores que os de placebos. (Os placebos, pílulas sem substância ativa, são usados em um grupo separado de pacientes para avaliar quanto da melhora se deve ao remédio e quanto apenas ao efeito psicológico de ser atendido e medicado.)

Kirsch utilizou estudos que a indústria não havia divulgado. Os laboratórios foram obrigados a liberá-los pela Food And Drug Administration, o órgão regulador de medicamentos dos Estados Unidos. A indústria rebateu a conclusão, dizendo que Kirsch analisou poucos estudos. Além disso, outro estudo, lançado também na semana passada pelo Escritório Nacional de Pesquisas Econômicas dos Estados Unidos, afirma que o uso de antidepressivos ajuda a diminuir a taxa de suicídios.

Essa discussão provavelmente terá vida longa. E dá força a uma questão de fundo: s por que buscamos com tamanha avidez a felicidade? Boa parte do sucesso dos remédios está não numa epidemia de depressão, como apontou o psiquiatra Derek Summerfield em um recente artigo no Journal of the Royal Society of Medicine, mas numa “epidemia de receitas de antidepressivos”.

Os antidepressivos são um avanço extraordinário, diz o psiquiatra paulista Renato Del Sant, diretor do Hospital Dia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. “Mas, para receitá-los, é preciso uma avaliação longa e precisa. Hoje, os psiquiatras estão mais preocupados em acompanhar os avanços da neurociência do que em se debruçar no histórico do paciente, muitas vezes até por falta de tempo. Por isso, o diagnóstico está cada vez mais superficial.”

Nessas horas, confunde-se tristeza com depressão. E dá-lhe remédio. É como se quiséssemos abolir de nossa vida toda e qualquer contrariedade. “Eu não tenho problemas de depressão, apenas de mau humor e timidez”, diz um internauta da comunidade Confissões de um Prozaquiano, que tem 160 membros no site de relacionamento Orkut. “Uso pelo estresse do dia-a-dia mesmo. É um santo remédio.” O próprio Del Sant é um exemplo contra o abuso. No ano passado, uma de suas filhas, Carlota, sofreu um acidente de trânsito e está em coma até agora. Já passou por 16 cirurgias. “Eu, minha mulher, Solange, e minha outra filha, Lorena, estamos profundamente tristes. Muitas vezes, choramos. Sentimos falta da nossa Carlota. Mas não estamos depressivos.”

Assustado com a enorme indústria que se formou em torno de nossa necessidade de ser felizes acima de tudo, um dos pioneiros do estudo da felicidade, o psicólogo americano Edward Diener – por muito tempo alcunhado de Doutor Felicidade – voltou atrás. Não à toa, seu próximo livro, em parceria com o filho, Robert Biswas-Diener, terá o título de Rethinking Happiness (Repensando a Felicidade). Diener não renega sua tese central, de que as pessoas felizes vivem mais (por ter sistemas imunes mais fortes) e são mais bem-sucedidas. Mas ele aprofundou suas pesquisas. Em geral, os estudos sobre o tema comparam pessoas felizes com pessoas infelizes. Desta vez, Diener comparou pessoas felizes e pessoas extremamente felizes. Aí, o resultado é outro. Os extremamente felizes vivem menos que os moderadamente felizes, e são menos bem-sucedidos.

Sua conclusão: há um nível de felicidade ótimo, além do qual ela se torna mais prejudicial que benéfica. Segundo ele, numa escala de 0 a 10, sendo 0 o sujeito miserável e 10 a pessoa inabalavelmente contente, o melhor é uma nota 8, nível médio de felicidade. Ele garante uma existência aprazível e traz uma margem de insatisfação que evita a letargia.

Como diz Diener, há uma lista enorme de pessoas que querem que você seja mais feliz – não importa quanto você já seja. Essa lista inclui os ativistas da psicologia positiva, uma corrente que se tornou preponderante nos Estados Unidos no fim da década de 90 e afirma que, em vez de apenas curar doenças, a medicina da mente deve tratar de elevar nosso bem-estar. Também inclui os autores de livros com receitas para sermos mais contentes, os políticos em quem você votou (porque a probabilidade é que os reeleja), os profissionais de auto-ajuda, os técnicos de laboratórios que buscam drogas cada vez mais eficazes para combater a tristeza. Até sua mãe, “porque ela o ama e provavelmente se sentirá um fracasso se você for uma pessoa infeliz”. Há, no entanto, uma corrente cada vez mais vigorosa contra essa indústria da felicidade. Ela inclui quatro vertentes de combate:

1. Felicidade tem limite
Nesse campo estão os argumentos apresentados por Diener: ser feliz demais não é bom. O contentamento em excesso torna as pessoas menos capazes, menos saudáveis, menos atentas a riscos. Além do pragmatismo de Diener, há uma questão de essência. “Cedo ou tarde na vida, cada um de nós se dá conta de que a felicidade completa é irrealizável”, escreveu o escritor italiano Primo Levi, um sobrevivente de um campo de extermínio nazista durante a Segunda Guerra Mundial. “Poucos, porém, atentam para a reflexão oposta: que também é irrealizável a infelicidade completa. Os motivos que se opõem à realização de ambos os estados-limite são da mesma natureza, eles vêm de nossa condição humana, que é contra qualquer ‘infinito’.”

Há ainda uma terceira forma de entender os limites da felicidade. Só conseguimos ter a percepção de um sentimento em comparação com outros estados de ânimo. Como demonstram vários estudos, é a variação do humor que nos causa espasmos de alegria ou de tristeza. “Felicidade em excesso é indesejável, porque leva a uma capacidade menor de apreciá-la”, diz o historiador inglês Stuart Walton, autor de Uma História das Emoções, publicado no ano passado no Brasil. No livro, Walton examina as emoções que considera primordiais (como medo, raiva, tristeza e felicidade) e as relaciona à vida moderna. “Se você tem algo o tempo todo, não pode dizer se aquilo é bom ou ruim”, diz. “É preciso descartá-lo para saber se a tal coisa lhe oferece ganhos ou perdas.” Portanto, quem diz que é 100% feliz pode não estar falando a verdade. Felicidade, por definição, não é um estado de espírito permanente. Fosse assim, as pessoas seriam mais fortes na vida.

“A felicidade pode chegar com um amor, com uma conquista, com um fato que transformou de maneira positiva o indivíduo”, diz Walton. “Mas ela não fica para sempre. De uma hora para outra, pode e provavelmente vai partir.” Assim como a infelicidade.

2. Sem obstáculos, não há vitória
Uma segunda defesa da tristeza pode ser resumida pelo famoso ditado do filósofo alemão Friedrich Nietzsche: “O que não me mata me torna mais forte”. Ele aponta para o valor da adversidade. Como disse Paulo, em sua Carta aos Romanos: “O sofrimento produz resistência, a resistência produz caráter e o caráter produz a fé”.

Algumas pessoas que passam por grandes traumas, como a perda de um ente querido, relatam que se tornaram mais completas depois de passar pela experiência, afirma o psicólogo Jonathan Haidt, da Universidade de Virgínia, nos EUA, em seu livro The Happiness Hypothesis (A Hipótese da Felicidade). “Quem passa por episódios traumáticos aprende a se conhecer melhor e passa a valorizar as coisas que realmente têm importância”, escreveu Haidt. Elas dão mais valor à amizade, à família, ao tempo livre, apreciam o que têm e entendem melhor seus limites.

“Só quem vive emoções profundas e passa pela dor e pelo sofrimento é capaz de se realizar na plenitude. O homem é um ser ambíguo”, diz o filósofo brasileiro Franklin Leopoldo e Silva, que no ano passado publicou um livro chamado Felicidade – Dos Filósofos Pré-Socráticos aos Contemporâneos.

Não é por algum ingrediente precioso que o sofrimento molda o caráter. Para Haidt, isso acontece porque nós somos seres viciados em contar histórias. O que sabemos sobre nós mesmos é um relato que continuamente reescrevemos, escolhendo o que lembrar do passado e o que projetar para o futuro. As adversidades nos ajudam a criar histórias melhores. (Ou você acha que a Branca de Neve seria um bom conto se a bruxa nunca a tivesse envenenado? Hamlet teria feito sucesso se não vivesse atormentado pelo drama do assassinato de seu pai?)

É claro que os traumas, assim como podem “purificar”, podem matar. Ou estragar uma vida inteira. Crianças são especialmente suscetíveis. Algumas pesquisas mostram que a melhor época para enfrentar um grande desafio na vida é a que vai do início da adolescência até os 20 e poucos anos – quando é assim, a probabilidade de o episódio servir de estímulo, em vez de fator de paralisia, é maior.

Os estudos modernos estão de acordo com as teses levantadas há meio século por um dos maiores estudiosos de mitologia do mundo, o americano Joseph Campbell. No livro O Herói das Mil Faces, ele descreve um esquema comum a quase todos os grandes mitos da humanidade, incluindo as grandes religiões. Para se tornar um herói, a personagem recebe um “chamado”, tenta rejeitá-lo, é obrigada finalmente a aceitar a missão, viaja, passa por alguma provação, encontra alguém ou algum objeto mágico que lhe forneça uma revelação, volta mais forte, vence o obstáculo inicial e, com isso, liberta os demais, ou lidera-os no caminho da redenção. Pense em seu herói favorito, ou na história de Moisés, Jesus, Maomé, Buda, e compare com o roteiro de Campbell.

Por que é sempre assim? Para Campbell, essa trajetória faz parte de nossa psique. Em nossa formação individual, passamos também por um enredo parecido. Somos os heróis de nossa história. Quando o obstáculo é feroz demais, ou quando nos perdemos no deserto, estabelece-se o quadro neurótico. Nesses casos, o remédio é indicado. Mas tomá-lo antes de ter a oportunidade de confrontar nossos demônios é desperdiçar a oportunidade de crescer.

Marvin Minsky, um dos pais da inteligência artificial e pesquisador do MIT, nos EUA, uma das universidades mais renomadas do mundo, resumiu a questão de forma precisa. “Se pudéssemos deliberadamente controlar nossos sistemas de prazer, seríamos capazes de reproduzir o prazer do sucesso sem a necessidade de realizar coisa alguma – e isso seria o fim de tudo.”

3. A alegria ou a vida
Um terceiro ponto de defesa da tristeza vem da teoria evolucionista. Os sentimentos negativos, como angústia, tristeza e pessimismo, fazem parte de nossa natureza. A seleção natural os favoreceu porque, se não os tivéssemos, seríamos presas fáceis de adversidades. Imagine um homem pré-histórico extremamente feliz e despreocupado, saindo desarmado no meio da selva. Se esse ancestral existiu algum dia, ele morreu, provavelmente comido por um grande felino. O que sobreviveu, e deu origem à espécie humana, foi seu primo preocupado, atento – por vezes angustiado e rabugento. É assim com todos os animais. O estado de tensão é uma condição necessária à vida.

No livro Felicidade, o economista Eduardo Giannetti aponta outros riscos que o contentamento exagerado traria para a sobrevivência da civilização. Segundo Giannetti, a invenção de uma pílula que provesse todos os cidadãos de felicidade provocaria danos irreparáveis ao mundo. Na ausência de sentimentos negativos como culpa, vergonha, remorso e arrependimento, todos eles neutralizados pelo tal remédio, haveria um enfraquecimento do respeito às normas morais de convivência. As pessoas não se sentiriam psicologicamente inibidas para praticar atos terríveis porque, ao tomar a pílula, deixariam de sentir culpa ao prejudicar alguém. O resultado seria o caos completo, que muito provavelmente resultaria no aniquilamento do mundo tal qual o conhecemos.

4. A angústia dos gênios
O ponto mais polêmico dos novos defensores da tristeza é o vínculo entre realização criativa e a angústia. Não se trata, aqui, de defender um pouco menos de felicidade. É o próprio poder de um estado melancólico que está sendo reavaliado. Não faltam exemplos de pensadores, artistas e realizadores estimulados por estados de depressão, angústia ou tristeza – constante ou, ao menos, temporária. Do presidente americano Abraham Lincoln, que aboliu a escravidão e venceu a Guerra de Secessão, autor de alguns dos melhores discursos políticos da História, a Woody Allen, que diz ter dirigido dezenas de filmes sob o signo da melancolia, de John Lennon a Elis Regina, de Fernando Pessoa a Salvador Dalí, os casos se multiplicam.

Teriam eles produzido o que produziram se não fossem atormentados? Ludwig van Beethoven teria composto a Nona Sinfonia se, em vez de usar a música para aquietar o espírito, tomasse antidepressivos? Beethoven era uma espécie de infeliz crônico, mal que foi agravado por seu problema de surdez. O brasileiro Alberto Santos Dumont desenhava projetos de aeronaves quando estava triste. Segundo seus biógrafos, é provável que ele sofresse de depressão profunda.

“Há estudos que comprovam a relação entre as oscilações de humor e a criatividade”, afirma Luiz Alberto Hatem, vice-presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria. “Van Gogh e Wagner, quando deprimidos, produziam menos obras artísticas, mas de maior qualidade. É durante as fases de dor e depressão que surgem as produções mentais, os questionamentos que não povoam a vida mental habitual.”

Uma das idéias que Giannetti discute em seu livro é que a felicidade completa pode trazer paz e alívio, mas ao custo de aniquilar o que a humanidade tem de melhor – a capacidade de criar, ousar e experimentar. É uma reflexão derivada de um famoso dito do filósofo inglês John Stuart Mill: “É melhor ser um Sócrates insatisfeito que um porco satisfeito”.

A reflexão pode ser estendida até para países. Em seu ensaio A Democracia na América, publicado em 1835 e 1840, o pensador francês Aléxis de Tocqueville escreveu, numa comparação entre a agitação dos Estados Unidos e a letargia européia: “Chega-se a pensar que a sociedade (européia), tendo consolidado todas as benesses, não anseia por mais nada, exceto descansar e usufruir o que conquistou”. O direito à busca da felicidade está inscrito na Declaração da Independência dos Estados Unidos. É uma formulação sábia. Essa busca parece tornar as pessoas mais ativas. É um estado diferente do de quem já está contente.

Esta é, aliás, uma filosofia que impregna o mundo do trabalho. A frase mais célebre do fundador da empresa de chips Intel, Andrew Grove, é: “Só os paranóicos sobrevivem”. Refere-se a um mundo de tanta concorrência que, se você não está atento o tempo todo, é ultrapassado.

Desde os anos 90, isso se traduziu no mundo do trabalho em dois conceitos onipresentes. O primeiro é o combate à “zona de conforto”. Esta seria aquela situação em que o profissional está tão bem que não se sente desafiado a progredir. Daí, também, outro célebre jargão do mundo do trabalho: o de que as pessoas devem ser motivadas por desafios. O segundo é a idéia do “estresse positivo”. É um conceito que veio da medicina. Assim como descobriram que existe um colesterol bom e um colesterol ruim, os pesquisadores também identificam um estresse positivo – que leva à ação –, oposto do estresse negativo, que traz a apatia. Entre um e outro, em geral, a diferença é o tamanho do desafio, diante das condições para realizá-lo.

Na vida prática, portanto, já se sabe que um porcentual de tristeza, estresse, angústia é necessário para realizar um bom trabalho. E por que um bom trabalho é preferível a um trabalho medíocre, sem sofrimento? Para muita gente, não é. Mas é importante lembrar que felicidade não é nosso único ideal. Queremos todos ser felizes, claro, mas também queremos deixar um legado, educar bem os filhos, vencer uma competição ou outra. Cabe a cada um traçar seus objetivos, e entender quanto de sacrifício eles podem demandar.

Nessa equação, tornar-se refém da felicidade é um erro. Vivemos numa sociedade imediatista, que nos impõe uma urgência em resolver os problemas de forma rápida e prática, sem ter de suportar a dor e a tristeza. “As pessoas não têm paciência para a infelicidade”, diz o filósofo Renato Janine Ribeiro. “Num mundo altamente competitivo, estar triste pode ser interpretado como sinal de fraqueza, e isso ninguém quer.” A busca da felicidade tem o potencial de nos tornar infelizes.

O conselho de Diener para nos orientar é: “Seja um pouco como a Mona Lisa”. Ele diz que uma recente análise das expressões da mais famosa pintura de Leonardo da Vinci estabeleceu que seu sorriso enigmático revela 83% de felicidade e 17% de infelicidade. É justamente nesse espaço de tristeza, diz Diener, que reside seu poderoso encantamento.

A depressão impulsiona a criatividade
Ao longo da História, gênios realizaram suas grandes obras em estado extremo tormento. Descobriu-se recentemente a ligação entre a depressão e a criação. Os criadores, quando estão deprimidos, são capazes de grandes feitos. É nessa hora que eles produzem menos e com maior qualidade - e alcançam a maestria.

Ludwig Van Beethoven (1770-1827)
Um dos maiores gênios musicais da História, o compositor erudito alemão era atormentado pela depressão, agravada por seu problema de surdez e por amores impossíveis que colecionava.

Friedrich Nietzsche (1844-1900)
O filósofo alemão era depressivo e suicida. Aos 40 anos, teve crises de loucura, sendo internado em um sanatório. A doença não o abandonou até a morte.

Vincent Van Gogh (1853-1890)
O pintor holandês sofreu de depressão durante toda a vida. Expressava seu desequilíbrio nas pinceladas irregulares e cores sombrias que marcaram algumas de suas fases. Matou-se com um tiro no peito.

Edvard Munch (1863-1944)
Sofreu de depressão e foi internado em um sanatório. Chegou a dizer que sua saúde mental era a catalisadora de sua pintura. O quadro O Grito é um ícone do expressionismo.

Alberto Santos Dumont (1873-1932)
Suspeitou-se que o aviador tivesse esclerose múltipla ou depressão profunda. Mas ele sofria de bipolaridade. Os transtornos constantes o levaram a cometer suicídio.

Fernando Pessoa (1888-1935)
Triste e melancólico na vida e na obra, o escritor português multiplicou seu “eu” em diversas personalidades literárias. O Livro do Desassossego é o retrato dessa depressão. Entregou-se à bebida e morreu de complicações hepáticas.

Clarice Lispector (1920-1977)
No fim da década de 60, com o filho doente de esquizofrenia e em dificuldades financeiras, a escritora caiu em depressão. A melancolia se reflete em seus escritos.

João Cabral de Melo Neto (1920-1999)
O escritor pernambucano, autor de Morte e Vida Severina, sofria de uma doença degenerativa que lhe causava depressão. Era atormentado por uma constante dor de cabeça e sua segunda mulher, Marly, o ajudava a escrever.

Woody Allen (1935-)
Em 2005, o diretor americano deu entrevistas dizendo que fez mais de 30 filmes como uma forma de “distração” contra uma forte depressão que tem desde muito jovem.

Janis Joplin (1943-1970)
A cantora americana de blues sofria de depressão desde a adolescência, quando foi alvo de piadas dos colegas. Dizia que cantar era sua salvação. Bebia muito. Morreu por overdose de heroína.

Jim Morrison (1943-1971)
O vocalista do grupo The Doors vivia em depressão, o que se refletia em suas letras. Era fã de Nietzsche. Nos shows, bebia e xingava a platéia. Quando soube da morte de Janis Joplin, disse que seria o próximo. Foi encontrado morto numa banheira, em Paris.

Elis Regina (1945-1982)
Sofria de bipolaridade, alternando depressão e euforia. A maior intérprete da música brasileira morreu de overdose de cocaína com álcool.

Fonte: Época

Depressão: O Mal do Século
A depressão é um distúrbio que afeta pensamentos, humor, sentimentos, ‎comportamento e saúde física. As pessoas costumavam pensar que era "Tudo ‎coisa da cabeça delas", e que se elas realmente tentassem, poderiam "Sair ‎dessa". Agora, os médicos sabem que a depressão não é uma fraqueza e que não ‎é possível tratá-la sozinha – é um distúrbio médico com base biológica e química.

Às vezes, um acontecimento em uma vida estressante ativa a depressão. Outras ‎vezes, a depressão parece ocorrer espontaneamente, sem nenhuma causa ‎específica identificada. Independentemente de sua causa, a depressão é muito ‎mais que um sofrimento ou a volta de alguns sentimentos...

A depressão pode acontecer apenas uma vez na vida de uma pessoa; porém, ‎geralmente aparece várias vezes durante a vida, com intervalos de tempo ‎saudáveis. Ou pode ser uma condição crônica, que requer tratamento contínuo ‎durante toda a vida.

Os medicamentos disponíveis geralmente são seguros e eficazes, mesmo para os ‎casos de depressão mais séria. Com o tratamento adequado, a maioria das ‎pessoas com depressão séria melhora em semanas e pode voltar às suas ‎atividades diárias normais.

‎SINAIS E SINTOMAS

Os dois principais sintomas da depressão são:

. Perda do interesse nas atividades diárias normais - Você perde o interesse ou o prazer nas atividades das quais gostava ‎anteriormente. Isso se chama "anedonia".
‎. Humor depressivo - Você se sente triste, sem ajuda ou sem esperança, e pode ter crises de choro.

Além disso, para um médico ou outro profissional de saúde diagnosticar a ‎depressão, muitos dos seguintes sinais e sintomas também devem estar ‎presentes na maior parte do dia:

Distúrbios do sono
Dormir muito ou ter problemas durante o sono podem ser um sinal de que você ‎está com depressão. Levantar no meio da noite ou cedo demais e não conseguir ‎dormir de novo é um sintoma típico.

Pensamento ou concentração comprometidos
Você pode ter dificuldade para se concentrar ou tomar decisões e apresentar ‎problemas de memória.

Perda ou ganho significativo de peso
Um aumento ou redução do apetite com conseqüente ganho ou perda de peso ‎inexplicável podem ser um sinal de depressão.

Agitação ou diminuição dos movimentos corporais
Você pode parecer cansado, agitado, irritado e facilmente incomodado. Ou pode ‎parecer que você está fazendo tudo em câmera lenta e responde a perguntas ‎devagar, num tom monótono.

Fadiga
Você sente cansaço e falta de energia quase todos os dias. Você pode se sentir ‎tão cansado de manhã quanto estava à noite, antes de dormir.

Baixa auto-estima
Você se sente inútil ou sente culpa em excesso.

Menos interesse pelo sexo
Se você era sexualmente ativo antes de ter depressão, vai perceber uma ‎diminuição dramática no seu nível de interesse pelas relações sexuais.

Pensamentos de morte
Você tem uma constante visão negativa de si mesmo, de sua situação atual e do ‎futuro. Pode pensar em morte ou suicídio.

A depressão também pode causar vários problemas físicos, como coceira ‎generalizada, visão embaçada, suor excessivo, boca seca, problemas ‎gastrointestinais (indigestão, constipação e diarréia), dor de cabeça e dor nas ‎costas.

Crianças, adolescentes e idosos podem reagir à depressão de maneira diferente. ‎Nestes casos, os sintomas podem ter diferentes formas ou estar mascarados por ‎outras condições.

Em todos os casos, é fundamental a orientação de um médico e tratamento ‎psicoterápico. ‎