2.13.2012

Fórmulas milagrosas

Adquira o corpo que pediu a Deus sem nenhum esforço: apenas duas cápsulas por dia! Popularíssimas no Brasil — terceiro consumidor no ranking mundial –, as fórmulas magistrais para emagrecimento atendem a esse apelo mágico.
O que são essas fórmulas, prescritas por médicos com diploma na parede, para serem aviadas em farmácias de manipulação legalmente autorizadas a fazê-lo, mas também vendidas na clandestinidade e até pela internet?
Fórmulas para emagrecer constituem exemplos didáticos de polifarmácia. A fórmula típica contém de cinco a 15 componentes: uma substância “tipo-anfetamina” (femproporex e dietilpropiona são as mais empregadas), tranquilizantes benzodiazepínicos (geralmente diazepan ou clordiazepóxido), agentes tireoidianos (triiodotironina, tetraiodotironina, triac, triatec), diuréticos (furosemida, hidroclortiazida etc.), agentes gastrointestinais (cimetidina, fenolftaleína, dimeticona etc.), uma variedade de produtos vegetais (cáscara sagrada, cavalinha, Fucus vesiculosus e outros representantes da exuberante biodiversidade brasileira), antidepressivos como a fluoxetina e a sertralina, vitaminas, cloreto de potássio, propanolol e o que mais a imaginação for capaz de criar.
Se a boa prática médica recomenda cautela ao associar duas drogas, pela dificuldade em prever interações medicamentosas, como justificar essas prescrições mirabolantes?
Elas se baseiam numa lógica que os estudantes de medicina jocosamente apelidaram de “princípio da cascata”, segundo o qual sempre há de existir um remédio para combater os males provocados por outro.
Drogas do “tipo-anfetamina” como o femproporex e a dietilpropiona agem no sistema nervoso central provocando diminuição do apetite. Mas, ao lado do efeito anorexígeno, provocam agitação psicomotora, insônia, irritação, nervosismo, ansiedade, tremores, excitação, boca seca, gosto metálico, náuseas, alterações do hábito intestinal.
Para combatê-los, a fórmula contém os tranquilizantes diazepínicos, laxantes, antidepressivos, antiácidos, etc.
Outra peculiaridade dessas prescrições é a generosidade com que são incluídos hormônios tireoidianos sem qualquer indicação clínica ou laboratorial, só sob o pretexto ridículo de fazer trabalhar “tireoides preguiçosas”. Doses maciças desses hormônios, como as utilizadas em tais ocasiões, conduzem ao hipertireoidismo, doença em que alguns dos sintomas se somam e se confundem com os efeitos indesejáveis dos anorexígenos (agitação,  irritabilidade, tremores, taquicardia, alterações intestinais), além de causar perda de massa muscular, osteoporose e queda de cabelo, entre outros inconvenientes.
O trágico é que os incautos compradores dessas cápsulas pela internet ou diretamente dos traficantes não têm a menor ideia das drogas nelas contidas: não existe prescrição nem bula, e os rótulos trazem nomes fantasiosos como “Emagrecedor Número 2″ ou “Emagrecedor Natural”.
Nem por isso os clientes que recebem prescrições das mãos dos médicos ficam em situação mais confortável.
Estudo conduzido pela doutora Solange Nappo (Cebrid – Unifesp) e por colaboradores da USP mostrou que, em 107 consultas com prescrição de fórmulas, apenas um médico falou da existência de efeitos colaterais, somente cinco advertiram para não aumentar
as doses prescritas, e sete, para evitar gravidez. Nenhum deles sequer mencionou que anfetaminas e barbitúricos causam dependência química.
Já em 1983, um boletim da Organização Mundial da Saúde advertia: “A indução de dependência por barbitúricos está claramente demonstrada (…) Essas drogas devem ser reservadas para pacientes que sofrem de ansiedade clínica bem definida”. Bastam três meses de uso (às vezes, menos) para que sejam criadas dependência química e síndrome de abstinência à retirada abrupta.
Em relação às drogas do “tipo-anfetamina”, a dependência leva à tolerância e, consequentemente, ao aumento de doses por conta própria. Aí reside o perigo maior: ao dobrar ou triplicar o número de cápsulas diárias, o usuário duplicará ou triplicará as doses de hormônio tireoidiano, diurético, benzodiazepínico, antidepressivo, laxante e o diabo que houver, correndo o risco de perder a vida.
Por essa razão, a Anvisa proibiu a prescrição de anorexígenos como parte de formulações magistrais.
Mas o que fazem aqueles interessados em burlar a lei? Prescrevem o anorexígeno  separadamente e todos os demais componentes numa mesma fórmula; depois, mandam tomar uma cápsula de cada um, duas vezes ao dia. O que faz a fama de determinada fórmula é o fato de os incautos suporem que a composição foi criteriosamente dosada para seus casos e de conhecerem alguém que perdeu peso ao tomá-la. De fato, há pessoas que emagrecem até dez quilos no primeiro mês de tratamento, mas, daí em diante, a perda fica progressivamente lenta, até que o ponteiro da balança para de se mover e retoma a caminhada inexorável para o alto.
Com a auto-estima rebaixada e achacados por uma constelação de efeitos colaterais, os usuários, então, interrompem o tratamento e entram em crise de abstinência pela falta da anfetamina e do benzodiazepínico: sonolência, apatia, fraqueza, depressão, falta de memória, ideação suicida. A esses sintomas acrescentam-se os do hipotireoidismo, porque a tireoide previamente bombardeada pelas doses excessivas de hormônio declara greve por tempo indeterminado.
Derrotados em seu propósito de perder peso, os ex-usuários recuperarão num instante os quilos perdidos e ganharão outros mais até ouvirem falar na próxima fórmula milagrosa.
Drausio Varela

PRODUTOS NATURAIS SÃO PROIBIDOS PELA ANVISA- Emagrecedores não

Produtos naturais são proibidos pela Anvisa

Produtos naturais da Naturnatus Produtos Naturais estão proibidos. Saiba o motivo.


Quem opta por produtos naturais com propriedades laxativas e estimulantes, por exemplo, atenção! A fabricação, o consumo e o uso de produtos fitoterápicos foram proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), neste mês de fevereiro, em todo o país. De acordo com o comunicado do órgão, os produtos naturais não possuem registro.
De acordo com a Anvisa, os produtos em questão são: Ginkgo Biloba com Ginseng, Sene, Chá Verde Cápsulas, Catuaba Cápsulas, Tribulus Terrestris, Cáscara Sagrada, Castanha da Índia, Garcínia, Composto Laxante, Alcachofra com Berinjela, Composto Circulatório e Hipérico, além dos demais produtos sujeitos à vigilância sanitária da empresa Naturnatus Produtos Naturais. Segundo a Agência, fabricante não possui Autorização de Funcionamento.
Produtos como imuniflora, salsa caroba, unha de gato, algas flora, carvão vegetal, garra do diabo, erva são joão, lobélia anti-fumo, colágeno, isoflavona, anis estrelado e acerola cápsulas, de uma empresa, sem nome divulgado, também foram suspensos. Segundo a Anvisa, as pessoas que já tiverem adquirido o produto devem interromper o uso.
Especialistas alertam para o uso indiscriminado desses produtos, já que os mesmos podem causar danos à saúde e precisam ser consumidos sob orientação médica.
Ginko Biloba: além de ser um oxidante, é usado, também, em tratamentos de distúrbios de memória e para melhorar a concentração;
Chá verde: ajuda a prevenir doenças cardiovasculares e possui propriedades anti-sépticas e adstringentes;
Ginseng: utilizado na medicina chinesa, o Ginseng é um forte estimulante. Esta planta é contraindicada para pessoas que apresentam problemas renais e infecções agudas.

ANVISA PROÍBE NOVE REMÉDIOS FITOTERÁPICOS

Anvisa proíbe nove remédios fitoterápicos
Anvisa concluiu que estes medicamentos possuem desvios de qualidade. Saibam quais são eles!


Adeptos dos medicamentos fitoterápicos, muita atenção. Nove remédios tiveram a sua venda e uso proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), neste mês, em todo o país. De acordo com o órgão, entre os remédios estão produtos voltados para o combate à celulite, obesidade e disfunção erétil.
Um dos remédios é bastante conhecido de propagandas de televisão e das prateleiras de lojas de produtos naturais. Para a temida celulite, o órgão proibiu o comércio do Chá Sete Ervas, da empresa Rouxinol Produtos Naturais. A indicação deste chá é, também, para obesidade, gordura localizada e colesterol.
Outro medicamento proibido em todo o território nacional é o elixir natural Tayu Caroba, indicado como depurativo do sangue, além de eliminar cravos e espinhas. Já para impotência sexual, o produto listado pela Anvisa é o Elixir de Pai João que, também, é indicado para dores de barriga e perda de memória.
A Anvisa recomenda a todos que fazem uso de um desses remédios que suspendam o seu consumo. Conheça quais são os outros remédios:
- Xarope Flor da Índia, da Nutri Plantas. Indicado para boca amarga, cólica de fígado ou rins, prisão de ventre e dores de cabeça;

- Xarope Flor do Sertão, da Elis Natu’s. Indicado para hepatite, úlcera gástrica, pedras na vesícula e ácido úrico;

- Flor da Catingueira, da Bonature Produtos Naturais. Indicado como bebida com extratos vegetais e vitamina C;

- Umburana. Indicado para infecções dos rins, fígado e vesículas;

- Nutri Plantas da Nutri plantas. Indicada para empachamento, úlcera, azia, boca amarga e dores gástricas;

- Folha Santa, da Natureza Viva. Indicada para evitar derrame, palpitação no coração, tônico do coração

ANVISA ALERTA PARA O RISCO DE USAR REMÉDIO PARA DIABETES 2 COMO EMAGRECEDOR

Anvisa alerta para o risco de usar remédio para diabetes 2 como emagrecedor
Cuidado com a medicação usada de forma errada!


Atualmente são raras as pessoas que estão satisfeitas com o seu corpo. O desejo de entrar para o padrão da estética global e ser magro é tão grande que há quem faça loucuras para alcançar o objetivo. A bola da vez é o remédio Victoza, específico para o tratamento da diabetes tipo 2 e que vem sendo usado como emagrecedor.  Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez um alerta sobre os altos riscos que as pessoas correm.
De acordo com a agência, “o Victosa não é indicado para perder peso e seu uso para outra finalidade que não seja como antidiabético caracteriza elevado risco sanitário para a população”. Ainda segundo a Anvisa, nos estudos clínicos do registro da medicação e nos relatórios de segurança periódicos apresentados ao órgão, foram relatados efeitos colaterais associados ao Victoza, sendo os mais frequentes a hipoglicemia, dores de cabeça, náusea, diarréia, pancreatite, desidratação e alteração da função renal e tireóide.
Para quem chegou a pensar na possibilidade de usar essa medicação, a Anvisa informa que “não foram apresentados estudos que comprovem qualquer grau de eficácia ou segurança do uso do produto Victoza para redução de peso e tratamento da obesidade”.
O Victoza é um medicamento de alta complexidade, de uso injetável, contendo a substância liraglutida, aprovado pela Anvisa para comercialização no Brasil em março de 2010.

BRASILEIROS SÃO A FAVOR DA PROIBIÇÃO DOS EMAGRECEDORES

Brasileiros são a favor da proibição dos emagrecedores
Mais de 70% dos brasileiros são contra a venda de emagrecedores nas farmácias


 A combinação entre exercícios e alimentação balanceada ainda é o melhor remédio contra o sobrepeso para a maioria da população brasileira. Uma pesquisa realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e elaborada pela GfK Custom Research Brasil indica que 74% dos brasileiros são a favor da proibição da venda de produtos como a  sibutramina e outros anfetamínicos nas farmácias do país.Segundo o órgão, foram ouvidas mil pessoas, a partir dos 18 anos, nas cidades de São Paulo, Salvador, Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Belém, Brasília, Goiânia e Manaus. Os dados mostram que 79% das pessoas acima dos 55 anos apoiaram a proibição. No entanto, os mais jovens ainda aceitam os famosos emagrecedores. Entre os entrevistados de 25 a 34 anos, 68% aceitam o comércio de emagrecedores.
Ainda de acordo com os dados, 93% dos entrevistados mostraram conhecer os riscos que esses medicamentos podem causar à saúde, 99% afirmam que não usam qualquer substância e 80% disseram não fazer dietas.
Apesar de especialistas informarem que a população brasileira está engordando, os dados da pesquisa mostram que 22% das mulheres fazem algum tipo de controle alimentar. No entanto, só 14% dos homens são adeptos de alguma dieta. Aproximadamente 79% das pessoas consideram os exercícios físicos como a melhor opção para quem quer perder peso, sendo que 83% das pessoas entre 18 e 44 anos incentivam esta prática.
Para o farmacêutico e tutor do Portal Educação, Ronaldo de Jesus Costa, a proibição foi muito criticada pelos médicos, porém mostra-se apoiada pela população. “Claro que existem casos muito específicos, raros, em que há necessidade de controle medicamentoso, que definitivamente não justificam o excesso de prescrição dessas substâncias no Brasil, que é o maior consumidor de sibutramina do mundo, absorvendo incríveis 50% da produção mundial”, explica o farmacêutico.
A alimentação balanceada ficou em segundo lugar na indicação para controlar o peso. Para 40%, comer bem é a melhor forma para emagrecer. Porém, a opção é contestada pelos mais jovens, com idades entre 18 e 24 anos. Só 24% acreditam na dieta.

    PRODUTOS NATURAIS E DIETA: SERÁ QUE ELES FUNCIONAM?


    Produtos naturais e dieta: será que eles funcionam?
    Saiba o que fazer para não se deixar enganar.

    Basta que o verão se aproxime para que as pessoas partam em busca de milagres emagrecedores. Nesta hora, vale tudo! Inclusive apelar para os produtos naturais que prometem não trazer malefício nenhum à saúde.
    Mas, o que muita gente não sabe é que, mesmo sendo vendidos livremente, muitos deles contêm substâncias proibidas que podem causar sérios riscos. O Fantástico, da Rede Globo, exibiu, recentemente, uma reportagem sobre o problema e levantou a discussão. Até que ponto podemos confiar nos produtos naturais vendidos nas farmácias e na internet?
    Veja as dicas da nutricionista Lilian Assis, responsável pelo plano de emagrecimento do Suadieta, para não ser enganado por mais um desses produtos.
    - Não existe milagre! A regra básica para quem quer emagrecer com saúde é aliar uma alimentação balanceada à prática de exercícios físicos regulares.
    - Não pense que, por ser um produto natural, ele não precisa de recomendação médica. Mesmo sendo naturais, esses produtos precisam ser indicados pelo médico ou nutricionista que o acompanha, pois só ele vai saber o que, de fato, vai auxiliar no seu plano de emagrecimento.
    - Pessoas com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, muitas vezes fazem uso de medicamentos controlados. Nestes casos, é mais seguro consultar o profissional de saúde de sua confiança para saber qual fitoterápico pode ser combinado com esses medicamentos sem cortar seus efeitos ou acabar agravando o problema.
    - Cobre do governo uma fiscalização rígida sobre os alimentos e medicamentos liberados e também contribua para essa fiscalização. Ler os rótulos e pesquisar sobre a procedência do produto no site da Anvisa (Agencia Nacional de Saúde) é um bom começo.
    - Fique atento aos produtos supostamente naturais, que prometem diminuir a fome ou aumentar a sensação de saciedade. Eles podem conter substâncias proibidas como a sibutramina, que agem diretamente no sistema nervoso central, trazendo sérios riscos de acidente vascular cerebral ou enfarte do miocárdio por causa do aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial.
    - Vá ao médico regularmente e não se submeta a ditadura da magreza. O melhor a fazer é manter um peso saudável. Isso se consegue facilmente combinando boa alimentação e exercícios. Os fitoterápicos só funcionam quando estão associados a um plano de emagrecimento bem elaborado. Daí a importância do acompanhamento de um especialista.

    REMÉDIOS PARA EMAGRECER


    Remédios para emagrecer
    Um assunto que precisa ser debatido!

    Com o aumento do número de casos de obesidade no país, os remédios emagrecedores se tornam alvos de discussão e muita polêmica. Para alguns, eles são grandes aliados no início do tratamento para perda de peso, principalmente para ajudar o organismo a se adaptar às novas porções ingeridas. Para outros, o efeito pode ser devastador.
    Para a nutricionista Lílian Assis, tudo é uma questão de bom senso. Ela conta que em seis anos de experiência, a maioria dos pacientes obesos ou que sofriam com o efeito sanfona haviam começado a usar remédios na adolescência: “nenhuma perda de peso rápida é eficaz. Seu corpo enxerga isso como uma doença e, não só tenta recuperar o peso perdido, como também ganhar dois ou três quilos extras para deixar de reserva caso este problema ocorra novamente. Nessas horas as pessoas voltam a recorrer ao remédio, criando uma bola de neve”.
    Existem diversos tipos de remédios, como os inibidores de apetite, os moderadores e as anfetaminas, que agem diretamente no sistema nervoso central, ou seja, no cérebro, que ainda é um órgão misterioso do ponto de vista científico. Um dos remédios mais populares foi proibido recentemente, não apenas por causar problemas no coração, como foi divulgado, mas principalmente por levar a depressões profundas.
    Tudo fica ainda mais grave quando percebemos que diversos médicos continuam receitando esses medicamentos aos pacientes, muitas vezes sem ao menos informar o que será ingerido. Quantos de nós já fomos a consultas médicas, prometemos o retorno em um mês e não voltamos? Muita gente, inclusive, repete a receita e emagrece mais do que o planejado pelo médico, outro erro muito perigoso: o planejamento é tão fundamental quanto a dieta e os exercícios físicos em si.
    Os remédios para emagrecer devem ser uma alternativa restrita aos casos de obesidade que acarretam complicações na saúde do indivíduo. Além disso, procurar informações sobre a medicação que está sendo consumida é muito importante. Cada organismo reage de uma maneira e tem suas particularidades, portanto, não é porque a experiência deu certo com um amigo que vai funcionar perfeitamente para você. Lembre-se sempre que o mais importante deve ser a sua saúde.

    Novos medicamentos: pesquisas clinicas omitem dados importantes

    As pesquisas clínicas que servem de base para aprovar novos remédios e para que os médicos escolham como tratar seus pacientes omitem dados que poderiam mudar suas conclusões.
    Em sua mais recente edição, o periódico "British Medical Journal" analisa a falta de dados relevantes em artigos sobre pesquisas feitas com seres humanos.
    O editorial da revista classifica essa falha como uma das mais graves violações éticas do processo de formação de conhecimento sobre novos medicamentos.
    Em uma série de análises sobre o tema, o "BMJ" mostra que a omissão de informações muda o resultado de estudos que vão servir para aprovar novas drogas. Isto é, um remédio é avaliado como mais ou menos eficaz, dependendo dos dados do estudo.
    Um dos levantamentos revisou o resultado de 41 estudos sobre novas drogas. Os autores refizeram as conclusões dos testes, incluindo dados de pacientes do grupo inicial de estudo, mas que, por qualquer razão, haviam sido excluídos da análise final.
    Em 93% dos casos, o resultado encontrado pelo novo estudo foi diferente do original. Os pesquisadores, por exemplo, mostraram que uma droga contra Alzheimer, a galantamina, foi menos eficaz quando todas informações colhidas nos estudos originais foram consideradas.
    Muitas vezes, estudos excluem pacientes por terem idade avançada ou sintomas não relacionados à doença estudada. Tudo isso torna a pesquisa e suas conclusões mais distantes da vida real.
    "A maioria dos médicos acredita que o sistema regulatório aplicado a pesquisas em humanos garante que as descobertas sejam relevantes e confiáveis. É um choque ver que isso está longe da realidade", diz a revista.

    Editoria de Arte/Folhapress
    ÉTICA
    O principal responsável pelo problema é o "viés de publicação", como é conhecida a tendência de pesquisadores de selecionar só dados que corroborem sua hipótese, e não os que a negam ou sejam inconclusivos.
    "Mesmo subconscientemente, o pesquisador pode ser induzido a encontrar resultados que estejam de acordo com suas expectativas", afirma o reumatologista Marcelo Schafranski.
    Uma das formas de combater esse viés é a exigência de que as pesquisas sejam registradas em bancos de dados de acesso público em que ficam disponíveis todas as informações sobre o estudo.
    No Brasil, só há um banco desse tipo. O Rebec (Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos) é gerido pela Fundação Oswaldo Cruz e resultado de uma parceria com o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde.
    "O registro dá transparência à pesquisa. Qualquer pessoa tem informações sobre o estudo", diz o coordenador do Rebec, Josué Laguardia.
    Criado há pouco mais de um ano e com inscrição voluntária, o sistema tem 77 pesquisas cadastradas.
    Para Laguardia, essa preocupação com a transparência dos dados ainda não é muito disseminada no país.
    E só o registro não é garantia contra as distorções. "Dependemos da ética individual do pesquisador",
    As pesquisas clínicas que servem de base para aprovar novos remédios e para que os médicos escolham como tratar seus pacientes omitem dados que poderiam mudar suas conclusões.
    Em sua mais recente edição, o periódico "British Medical Journal" analisa a falta de dados relevantes em artigos sobre pesquisas feitas com seres humanos.
    O editorial da revista classifica essa falha como uma das mais graves violações éticas do processo de formação de conhecimento sobre novos medicamentos.
    Em uma série de análises sobre o tema, o "BMJ" mostra que a omissão de informações muda o resultado de estudos que vão servir para aprovar novas drogas. Isto é, um remédio é avaliado como mais ou menos eficaz, dependendo dos dados do estudo.
    Um dos levantamentos revisou o resultado de 41 estudos sobre novas drogas. Os autores refizeram as conclusões dos testes, incluindo dados de pacientes do grupo inicial de estudo, mas que, por qualquer razão, haviam sido excluídos da análise final.
    Em 93% dos casos, o resultado encontrado pelo novo estudo foi diferente do original. Os pesquisadores, por exemplo, mostraram que uma droga contra Alzheimer, a galantamina, foi menos eficaz quando todas informações colhidas nos estudos originais foram consideradas.
    Muitas vezes, estudos excluem pacientes por terem idade avançada ou sintomas não relacionados à doença estudada. Tudo isso torna a pesquisa e suas conclusões mais distantes da vida real.
    "A maioria dos médicos acredita que o sistema regulatório aplicado a pesquisas em humanos garante que as descobertas sejam relevantes e confiáveis. É um choque ver que isso está longe da realidade", diz a revista.




    THIAGO FERNANDES
      FOLHA