2.24.2013

A VERDADEIRA HISTÓRIA DA BLOGUEIRA CUBANA YOANI SANCHEZ


Cenas cubanas

A visita da dissidente Yoani Sanchez merece um minuto de reflexão e debate.


Conheço militantes com uma história respeitável e uma postura de coragem confirmada que defendem a tentativa de boicotar a visita da blogueira.

Mas discordo dessa visão.
Mesmo no  Palácio do Planalto de Dilma Rousseff já se define a perseguição de militantes da juventude do PC do B e de fatias do PT contra  Yoani Sanchez como uma nova edição da Operação Tabajara, aquele quadro trapalhão que fez história entre os Cassetas & Planetas.

Vejamos o enredo da história:
1. O conselheiro político da embaixada de Cuba convoca uma reunião secreta, para organizar uma espécie de boicote contra aquela que se tornou a mais conhecida dissidente do regime cubano;
2. Entre os presentes, encontra-se um funcionário do Planalto que tinha ido à embaixada para outro compromisso, mas é colocado de improviso num  encontro reservado;

3. Outro convidado só estava ali para espionar e fornecer informações supostamente secretas para o inimigo – como se veria mais tarde, quando a revista VEJA (que de  jornalismo  verdade não tem nada)   publicou uma detalhadíssima reportagem sobre o evento e dando a sua versão;

4. Mesmo com a divulgação de toda a história com antecedência, a operação foi mantida, transformando-se num show de constrangimentos;
5. Ativistas e militantes que tentavam boicotar os eventos marcados para recepcionar Yoani foram obrigados a justificar por que achavam que tinham o direito de atazanar a liberdade de expressão da dissidente e, ao mesmo tempo, defender sua própria liberdade de expressar-se contra ela;
6. Candidata a fazer uma visita em situação de semi-obscuridade, Yoani tornou-se protagonista destacada no debate político. Em condições normais, dificilmente se poderia imaginar que fosse capaz de polarizar uma discussão política no País. Mas Yoani até se sentiu no direito de dar pito no governo brasileiro, reclamando que ele não dá importância aos direitos humanos em Cuba.
   
Não vamos ser ingênuos. Yoani Sanchez é uma adversária das conquistas da revolução cubana e, de uma forma ou de outra, recebe sustentação de instituições estrangeiras que pretendem estimular uma transição socialmente regressiva em seu país.
Compreendo, então, que se queira debater a atuação de Yoani Sanchez e seus aliados. Por trás dela, há uma operação de vulto, capaz de mudar a relação de forças no continente, mais favorável a Washington. Perfeito.
O debate não é este, porém.
Dilma e Lula têm mantido uma política correta de não-intervenção em assuntos internos da vida cubana. Seu governo tem feito o possível para construir uma liderança alternativa a Washington no continente – com resultados inegáveis, mesmo para observadores adversários.
Essa atuação implica em respeitar as decisões internas de todos os países, inclusive do governo cubano e tratá-las no plano das relações entre estados soberanos.
Lula e Dilma não param de tomar porrada da oposição conservadora por causa disso.

Imagine quantos pontos Dilma perdeu junto a essa turma ao lembrar que quem lhe pedia para falar de direitos humanos em Cuba deveria, antes, perguntar a Washington sobre a masmorra de Guantánamo.
Mas a postura do governo brasileiro só é defensável porque implica em respeitar os direitos democráticos dos dissidentes.
Por essa razão Brasília deu a Yoani autorização para vir ao Brasil e não colocou nenhum obstáculo a sua visita.
Desse ponto de vista, pouco importa o que o governo do Raul e Fidel Castro pensa de Yoani.
Importa garantir que, em visita ao País, ela possa usufruir das liberdades asseguradas pelas leis brasileiras. Soberania é um conceito de mão dupla. Vale para Cuba e também para o Brasil.

O bullying contra Yoani só ajuda os adversários de Dilma e de Lula a dar verossimilhança à permanente campanha para apontar supostos  traços autoritários num governo que respeita a liberdade como poucos,  ampliou direitos dos fracos e necessitados e jamais modificou a constituição para atender a interesses próprios. 
 
A experiência política universal ensina que os governos que pretendem falar em nome do cidadão comum devem ter uma postura exemplar de respeito à democracia e à liberdade. A razão é simples: os mais fracos e desprotegidos são os primeiros a serem feridos quando os direitos democráticos são atingidos. Cedo ou tarde, são os principais prejudicados. É uma questão de relação de forças, vamos combinar.
Não custa lembrar que essas comédias cubanas não são inéditas.
Nos anos 60, o governo Goulart teve uma postura corajosa de resistência às pressões do governo John Kennedy para que rompesse relações com o governo de Fidel. Enfrentou ameaças diretas do governo americano e, conforme o professor Muniz Bandeira, essa postura independente foi decisiva para que a Casa Branca resolvesse ajudar o golpe de 1964 com todos os recursos que possuía: dinheiro, publicidade milionária na mídia e auxílio militar.
Mas Jango também tinha adversários internos.

Aliados de Fidel Castro chegaram a montar campos de guerrilha no País, num radicalismo que levou o próprio Goulart – adversário resoluto das pressões americanas contra a revolução cubana – a denunciar o fato a Havana, como uma traição. Chato, né...
A queixa de Jango é que em Washington lhe arrancavam o couro por ajudar a revolução cubana e, em troca, era golpeado por quem deveria demonstrar um pouco mais de consideração.
(Curiosidade: Che Guevara, a caminho de se tornar o mito, discordava dos guerrilheiros brasileiros, por considerar que a luta armada era inviável contra um governo democrático.)
Nós sabemos quem ganhou com isso, utilizando cada um desses episódios em sua propaganda, para assustar e confundir o cidadão comum, aquele que compreende o valor da liberdade e o respeito às regras democráticas e é capaz de se mobilizar em sua defesa. Embora fosse um defensor da democracia, os adversários acusavam seu governo de preparar um golpe – tentando, por isso, justificar a conspiração militar de 64.
Este é o ponto. Defender a mais ampla democracia é obrigação – eu diria privilégio – de quem fala em nome da maioria.

Paulo Moreira Leite
Desde janeiro de 2013, é diretor da ISTOÉ em Brasília. Dirigiu a Época e foi redator chefe da VEJA, correspondente em Paris e em Washington. É autor do livro A mulher que era o general da casa -- Histórias da resistência civil à ditadura.

Em busca do DNA perfeito

Avanços científicos são mais rápidos que discussão sobre a ética na genética



Advogada mãe de criança com atrofia muscular espinhal fez exame para assegurar que gêmeas não tivessem a anomalia
Foto: Fábio Rossi
Advogada mãe de criança com atrofia muscular espinhal fez exame para assegurar que gêmeas não tivessem a anomalia Fábio Rossi
RIO - "Daqui a 10 ou 15 anos, quando a técnica avançar e se popularizar, ninguém mais vai querer ter filho transando", prevê o médico Márcio Coslovsky, especialista em reprodução humana que faz um exame capaz de detectar anomalias genéticas em um embrião antes da implantação no útero. Não fosse a tecnologia, uma advogada da Zona Sul entrevistada pelo GLOBO teria 25% de chances de ter novamente um filho com diagnóstico de atrofia medular espinhal — doença que impede os movimentos do bebê e, na forma mais grave, dá dois anos de expectativa de vida. Ela deu à luz gêmeas sadias este mês. Mas se a visão do médico já fosse verdade uma ou duas gerações atrás, talvez nunca tivéssemos Ariel Goldemberg, o protagonista de “Colegas”, filme vencedor do Festival de Gramado, estrelado por portadores de Síndrome de Down.
Protesto europeu contra exame
O dilema ético do diagnóstico precoce de doenças impressas no DNA ganhou um novo ingrediente este mês. Se a manipulação de embriões in vitro é vista com ressalvas, o que dizer sobre o teste recém-chegado ao Brasil para detectar, a partir do sangue da mãe, pequenos rastros do DNA do feto já no útero, com nove semanas e resultado com 99% de segurança? A Federação Internacional das Organizações de Síndrome de Down, que reúne 30 associações de 16 países, entrou com uma representação na Corte Europeia de Direitos Humanos para proibir o exame. No julgamento da federação, o exame pode motivar o aborto de crianças com doenças que não são uma sentença de morte, como o Down.
No caso da biópsia de embrião, a estatística estima que em cada quatro embriões de pais com o defeito genético causador da atrofia muscular espinhal, um deve ser descartado com a biópsia. Não foi diferente com a advogada que, para preservar as filhas, preferiu não se identificar.
— Decidimos ter mais um filho para que a responsabilidade de cuidar da mais velha, que tem a doença, não ficasse apenas com a irmã mais nova na ausência dos pais. E recebemos agora uma surpresa, com outras duas filhas — diz a mãe de quatro meninas, que depende de enfermeira 24 horas por dia e suprimento de oxigênio para manter a filha de seis anos, que superou, e muito, a expectativa de vida prevista para o diagnóstico.
Para quem pode pagar entre R$ 5 mil e R$ 6 mil, a biópsia embrionária começa com a fecundação in vitro do óvulo pelo espermatozoide do pai. O zigoto então é cultivado por cinco dias, até que se torne um aglomerado microscópico de células humanas. Algumas delas então são removidas e mandadas para os EUA, onde o DNA é rastreado. Só com o aval de lá é que o embrião daqui ganha o ventre da mãe. O embrião reprovado, a depender do caso, é descartado ou congelado.
— Na lei brasileira, o que não está proibido é permitido. O Supremo Tribunal Federal já se manifestou sobre os casos de fetos com anencefalia, com permissão de aborto nesses casos — conclui Sandra Franco, presidente da Academia Brasileira de Direito Médico e da Saúde. — Nossa Lei de Biossegurança é abrangente, mas não é taxativa em relação ao descarte de embriões com anomalias que não levam à morte.
A Lei de Biossegurança é de 2005, quando não havia o exame de sangue que detecta DNA do feto nem biópsias embrionárias capazes de identificar o número de doenças que pode atualmente. Mas uma resolução do Conselho Federal de Medicina estabelece que embriões “excedentes viáveis” devem ser congelados.
— As leis nunca acompanham o desenvolvimento técnico. A lei de biossegurança levou 20 anos para ser aprovada. A biópsia não existe para fazer eugenia, mas se aplicarem um questionário entre as mães, nenhuma vai querer um embrião com anomalia — avalia Coslovski. — Até porque, naturalmente, óvulos com problemas genéticos são os que abortam espontaneamente.
Tanto a biópsia quanto o exame de sangue conseguem detectar anomalias em nossos 23 pares de cromossomos, forma como está disposto o material genético com as instruções químicas para o desenvolvimento da espécie. Não só a Síndrome de Down, quando o par 21 tem três em vez de dois cromossomos, como também a Síndrome de Edwards ou a de Patau, duas doenças que dão dias ou horas de sobrevida ao recém-nascido. A biópsia embrionária pode detectar uma gama ainda maior de doenças de caráter genético, como a hemofilia, a anemia falciforme e a fibrose cística, devido ao desenvolvimento de marcadores químicos — espécie de detectores de genes defeituosos, técnica com mais alcance que a simples análise de cromossomos. Só é indicada para mulheres com mais de 37 anos, histórico familiar de anomalias genéticas ou com sucessivos fracassos em engravidar com reprodução assistida.
Para estágios um pouco mais avançados da gravidez, há outras formas de checar os pares de cromossomos do feto. Com 12 semanas, é possível fazer a biópsia do vilo corial — nome da placenta neste estágio da gravidez — e, a partir da 15ª semana, a amniocentese, em que é retirado uma amostra do líquido amniótico em busca do DNA do feto. Nos dois casos, o exame é invasivo, pois precisa da introdução de uma agulha e oferece, mesmo que pouco, mais risco que as técnicas mais avançadas.
Roberto Sá, presidente da comissão de medicina fetal da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, esclarece que os exames invasivos são indicados para mulheres com gravidez de alto risco. O médico conta que a partir da experiência de atendimento de mães que passaram por exames de vilo corial em programa da Universidade Federal Fluminense, a conclusão é que a orientação pós-exame tem poder de reverter uma possível tendência à procura pelo aborto ilegal, em caso de teste positivo para doenças que não são incompatíveis com a vida:
— Na maioria das vezes existe um momento inicial de “luto” que depois acaba evoluindo para o momento de luta, quando o casal busca entender e aceitar o resultado. É importante que o casal receba suporte especializado de uma equipe multidisciplinar.
Gecy Klauck, presidente da federação brasileira de Associações de Síndrome de Down, não tem a visão radical da federação internacional que quer proibir o exame de sangue da mãe com DNA do feto, mas alerta que embriões com doenças que não incapacitam para a vida têm direito de nascer:
— Não somos contra a ciência, mas o exame tem que levar ao melhor tratamento do bebê, o contrário é crime.

Tchau Bento XVI

Papa agradece fiéis em português na sua última oração do Ângelus

Itália -  O papa Bento XVI disse neste domingo que Deus o chamou para se dedicar ainda mais à oração e à meditação, o que fará "de um modo mais adequado" a sua "idade e forças", assim que for efetivada sua renúncia ao pontificado, na próxima quinta-feira. Bento XVI rezou seu último Ângelus em uma abarrotada Praça de São Pedro, na qual se reuniram cerca de 200 mil fiéis, peregrinos e turistas, que quiseram se despedir assim do pontífice e que inclusive ocupavam a via da Conciliação e outras ruas adjacentes à praça.
Papa terminou oração agradecendo em sete idiomas, entre eles, em português | Foto: EFE
Papa terminou oração agradecendo em sete idiomas, entre eles, o português | Foto: EFE
Emocionado, o papa foi interrompido várias vezes por aplausos da multidão durante sua mensagem aos fiéis. O pontífice, que daqui a dois meses completará 86 anos, falou de sua retirada "à montanha" (Tabor), mas esclareceu que isto "não significa abandonar a Igreja". "É mais, se Deus me pede isso, é porque eu poderei continuar servindo com as mesmas condições e o mesmo amor com o qual o fiz até agora, mas de um modo mais adequado à minha idade e às minhas forças", afirmou.
A chuva que caiu nos últimos dias em Roma deu uma trégua para o sol, um detalhe sobre o qual o papa brincou. Bento XVI escolheu para este segundo domingo de Quaresma a passagem do Evangelho de Lucas sobre a Transfiguração do Senhor, no qual relata como Jesus se transfigurou enquanto rezava em uma espécie de retirada espiritual no monte Tabor junto com os apóstolos Pedro, Tiago e João. Ao meditar sobre esta passagem do Evangelho, "podemos extrair um ensino muito importante", disse. Em primeiro lugar, a primazia da oração, sem a qual todo o compromisso do apostolado e da caridade se reduz a ativismo, sustentou. Na Quaresma, "aprendemos a dar seu devido tempo à oração, tanto pessoal como comunitária, que encoraja nossa vida espiritual", afirmou o Bispo de Roma. "A oração não representa se isolar do mundo e de suas contradições, como no monte Tabor queria fazer Pedro, pois a oração conduz ao caminho, à ação", explicou. "A vida cristã - que escrevi na Mensagem para a Quaresma - consiste em um contínuo subir à montanha para se encontrar com Deus, para depois descer levando o amor e a força a fim de servir nossos irmãos e irmãs com o mesmo amor de Deus", acrescentou.
Depois da mensagem, o papa cumprimentou os peregrinos em sete idiomas - entre eles o português - e se retirou a seu aposentos.
As informações são da EFE

Dieta de suco pode fazer mal

‘Juice fasting’ (‘suco de jejum’), nova moda, faz o corpo ficar desnutrido. Alguns suplementos utilizados podem ser até cancerígenos

Rio -  Agora que o ano começou para valer, a ideia de limpar o corpo das toxinas acumuladas com a farra alimentar das férias tem levado muita gente, especialmente celebridades, a fazer dietas que prometem desintoxicar e cortar quilinhos extras. E a do momento é a “juice fasting”; em português “suco de jejum” ou “suco de limpeza”. Os adeptos bebem apenas sumos de fruta e de vegetais (de 1 a 2 litros por dia) uma vez por mês ou mais.
Faz tanto sucesso que na Europa e nos Estados Unidos existem kits prontos das bebidas, acompanhados de pílulas de suplementos. O problema é que inexiste evidência científica de que dietas como a do “suco de jejum” levem ao emagrecimento saudável e à purificação do fígado, dizem médicos e nutricionistas. O certo é optar por alimentação balanceada, incluindo proteínas, carboidratos, de preferência integrais, e gorduras não saturadas.
Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
Mesmo assim há quem leve a sério a dieta “suco de jejum”, como as supermodelos Natalia Vodianova, Poppy Delevingne e Tali Lennox. Elas certamente estão brincando com a própria saúde, pois é praticamente impossível obter todos os nutrientes que o corpo precisa só com líquidos ou um tipo de alimento, alerta a Associação Dietética Britânica. No fim de janeiro, o ator Ashton Kutcher, que interpreta Steve Jobs no filme jOBS, ficou internado num hospital após fazer a mesma dieta seguida pelo fundador da Apple, baseada em apenas frutas, nozes e sementes, em alguns períodos.
E o risco à saúde pode ser maior quando se faz a dieta do “suco de jejum” com kits prontos, que chegam a custar 345 euros na Europa. O jornal inglês ‘The Independent’ testou um deles, que vem com comprimidos de suplementos, e as cápsulas continham substâncias potencialmente cancerígenas.
A nutricionista Andrea Santa Rosa, do Centro Brasileiro de Nutrição Funcional, afirma que dá para fazer uma dieta desintoxicante, desde que sob supervisão de médico ou nutricionista. “Dieta só à base de sumo de frutas e vegetais não é benéfica para a saúde”, alerta.
Ela explica que o objetivo de uma dieta desintoxicante de baixa caloria (até 900kcal) é a alcalinizar o sangue, tornando-o menos ácido. “Um pH alto (mais de 7.35) gera substâncias inflamatórias. A dieta rica em verduras, legumes e frutas ajuda a baixar o pH. Porém só isso não basta. O corpo precisa de proteínas, além de outros nutrientes, como os de sementes e cereais integrais. Caso contrário, além de ganhar gordura, perde-se massa muscular. E ninguém quer isso. Só recomendo detox de duas a quatro vezes ao ano, no máximo”, diz.
A nutricionista Virginia Nascimento, vice-presidente da Associação Brasileira de Nutrição, reforça que a dieta do “suco de jejum” é insuficiente para as necessidades do corpo. “Ela tem apenas um efeito de limpeza e pode causar queda de pressão, fraqueza e diminuição de glicose no sangue, devido ao esvaziamento rápido do estômago”.
Detox por longo período cobra alto preço ao corpo
Adeptos do “suco de jejum” acreditam que esse tipo de dieta ajuda a prevenir e a tratar infecções e até mesmo doenças crônicas, como artrite. Mas o principal objetivo da maioria dos seus seguidores é mesmo limpar as toxinas que se acumulam no sangue e no fígado.
E como os sumos puros de frutas e vegetais contêm pouca ou nenhuma fibra, quem segue a dieta do “suco de jejum” costuma associar ervas e outros produtos laxantes para eliminar os resíduos dos intestinos e cólon, de forma eficiente. E alguns tomam um composto de fibras chamado psyllium, misturado com os sucos, para manter os intestinos trabalhando.
Esses truques podem até reduzir peso por um curto período, mas, com o tempo, a dieta vai cobrar um preço alto à saúde. Pesquisas mostram que há risco de piora do diabetes e deficiência de sódio, que, na dose certa, é essencial para o funcionamento das células. Catherine Collins, nutricionista no St George’s Hospital Medical School, em Londres, diz que “o conceito de detox é jogada de marketing. Assim com a ideia de que uma avalanche de vitaminas, minerais e laxantes tomados num período de dois a sete dias oferece benefício duradouro. Dietas detox, dependendo do tipo e do tempo de duração, não só causam perda de massa muscular, como há o risco de ganho de gordura após a desintoxicação”.
A nutricionista Virginia Nascimento diz que “essa dieta só se sustenta em ambientes monitorados, como spas, clínicas, e o tempo máximo da prática não deve passar de sete dias”.
Outras dietas absurdas
A Associação Dietética Britânica listou dietas absurdas ou perigosas para saúde.
DO ÁLCOOL
Uma delas é conhecida como alcorexia, comum entre celebridades. O objetivo é ingerir pouquíssimas calorias durante o dia para deixar espaço para beber bastante álcool. Claro que não fornece vitaminas e nutrientes. E pode causar coma alcoólico.
INTRAVENOSA
Os adeptos recebem na veia uma solução de vitaminas, magnésio e cálcio. Não funciona e ainda pode causar tontura, infecções e inflamação de veias.
ENTERAL
Em inglês, KEN. Por dez dias a pessoa não come nada. Fórmula líquida é liberada diretamente no estômago por meio de tubo plástico, como em hospitais.

Uso das mídias sociais na ciência

Cientistas defendem que seus pares utilizem plataformas como Facebook, Twitter e YouTube para informar sobre resultados de pesquisas e se aproximar mais da população geral (foto: AAAS)
20/02/2013
Por Heitor Shimizu, de Boston
Agência FAPESP – O uso de Twitter, Facebook, YouTube e outras mídias sociais para a divulgação de informações sobre pesquisas científicas foi defendido pelos participantes de um painel sobre comunicação em ciência na reunião anual da American Association for the Advancement of Science (AAAS), realizada de 14 a 18 de fevereiro em Boston, Estados Unidos. O detalhe é que os painelistas eram não apenas comunicadores, mas também cientistas.
Entre os dados apresentados está que a internet ultrapassou os jornais como a segunda maior fonte de notícias (após a televisão) para o público geral nos Estados Unidos. Mas, no caso de informação científica e para quem tem menos de 30 anos, a principal fonte são os veículos on-line.
“Se os cientistas não estão utilizando as mídias sociais, eles simplesmente não estão se comunicando com a maioria da população”, disse uma das palestrantes, Christie Wilcox, do Departamento de Biologia Celular e Molecular da Universidade do Havaí.
“Mais de 680 mil atualizações de status por minuto são compartilhadas pelo Facebook. Em um segundo, o YouTube recebe uma nova hora de vídeo e o Twitter, 4 mil novos tweets. Você pode atingir milhares de pessoas com um único tweet, mas consegue falar com apenas um punhado de pessoas em um dia”, disse.
Até aí, nada de novo, mas o ponto principal é que os cientistas estão atrasados nessa tendência. Apesar do elevado nível de escolaridade e familiaridade com o uso de computadores e de tecnologia, em grande parte dos casos, os pesquisadores estão utilizando menos as redes sociais do que a população geral, de acordo com Wilcox.
“Um levantamento com chefes de laboratório apontou que mais da metade não tinha contas em serviços de mídias sociais. Sem esse alcance, cientistas ficam limitados a quantas pessoas eles podem atingir. Se você está fora das mídias sociais, pode fazer muito barulho, mas poucos serão os que o ouvirão”, disse.
“Quando um cientista escreve um livro a respeito de sua pesquisa, as pessoas que o comprarem serão pessoas interessadas em ciência. São importantes, mas compõem apenas uma pequena parte da população. Por isso, é fundamental atingir aqueles que ainda não se interessam por ciência”, disse outra palestrante, que atende pela alcunha “Scicurious”, com o qual assina um popular blog científico na revista Scientific American.
Com doutorado e pós-doutorado em neurociências, Scicurious salientou que as mídias sociais ajudam a tornar a ciência uma experiência mais próxima do público geral e podem dar aos pesquisadores uma possibilidade de mostrar “sua personalidade fora do laboratório”.
“A maior parte dos cientistas pode não ter tempo de manter um blog, mas felizmente plataformas como o Facebook oferecem maneiras eficientes de compartilhar informações científicas. Com 67% dos internautas usando o Facebook, os pesquisadores têm ali uma forma de atingir uma rede de pessoas com a qual, de outra forma, não poderiam se comunicar”, disse.
Otimismos à parte, a palestrante Dominique Brossard, professora de Comunicação na Universidade de Wisconsin em Madison, concordou com a importância das mídias sociais, mas sugeriu cautela na utilização dessas formas de comunicação para a transmissão de informações científicas.
Em um artigo publicado no Journal of Computer Mediated Communication, Brossard concluiu que o tom dos comentários em um blog ou em um post influencia a percepção dos leitores.
“O ponto principal é que a publicação em mídias sociais é uma comunicação bidirecional. Cada publicação pode vir acompanhada de comentários, que podem ser favoráveis ou contrários ao que se está informando”, disse.
De acordo com Brossard, quando comentários sobre uma pesquisa mencionada em redes sociais são rudes ou depreciativos, os leitores se tornam mais propensos a adotar um ponto de vista negativo a respeito do estudo. “Mas uma série de regras ou diretrizes de uso de mídias sociais, nesse caso, pode mitigar o problema e levar a melhorias na etiqueta on-line”, disse.