6.08.2013

Aprendendo a lidar com nossos próprios fantasmas.

O medo do menino

Quando eu era pequena, aprendi rápido que adultos podiam ser controlados. Se quisesse a boneca que mamava e ouvisse um não tão frio quanto o Pólo Norte, me sentia desprezada e castigada e, dessa forma, uma boa chorada na frente da loja resolveria o meu problema. Lá pelas tantas, quando eu já estava craque na arte da pirraça, a mãe (muito enxerida!) de uma amiga, ensinou a minha mãe um novo truque. Um simples berreiro em algum lugar público já era suficiente para ela me olhar com cara de poucos amigos e dizer, apontando para algum rosto desconhecido: "Uma mocinha tão bonita fazendo vergonha na rua... Olha ali o menino olhando!".

Assim, as minhas artimanhas deixaram de ser solução quando a minha mãe descobriu as delícias de haver um menino olhando pra um chilique infantil. Crescia uma criança com vergonha dos olhares do menino.

Técnica muito famosa entre as mães atuais quando questionadas sobre os seus incompreendidos nãos, o menino se torna uma ferramenta-chave para calar a matraca chorona das suas proles. O único problema é quando o menino não segue em frente e permanece na nossa vida até a próxima fase: da infância para a vida adulta.

Nos primeiros anos da minha adolescência o menino me perseguia em quase todos os momentos. Não gostava de falar em público, por puro receio dos olhares dos inúmeros meninos. Não abria a boca na classe a fim de evitar que o menino me constrangesse com seu olhar. Não fazia o que queria, com medo da reprovação do menino que olhava.

Até que comecei a sentir as dores de fingir ser o que eu nunca fui. Deixar de seguir o meu coração, meus instintos e a minha própria cabeça começou a se tornar algo tão físico e dolorido que senti a obrigação berrante de parar de me queixar pela falta de prazer, levantar a minha poupança da cadeira e correr, sem olhar pra trás, em busca daquilo que me fizesse feliz - ainda que fosse esquisito ou inaceitável aos olhos do menino.

E deu certo. No início, senti que os olhos se multiplicavam quando eu vestia o que gostava, falava em público, tirava minhas dúvidas, dizia o que queria, saía com quem me interessava. Mas depois foi glorioso: os olhos se calaram - esquecendo os limites da lógica e da razão. E o menino, assim, se foi.

A técnica do menino é ótima para crianças birrentas. É maravilhosamente funcional até certo ponto - quando ainda não levamos o menino tão a sério e ainda não tememos seus olhares ao desejar toda a prateleira de bonecos ou doces. O dilema é quando ainda usamos o menino como desculpa pelos nossos temores e aumentamos seus poderes pela falta de coragem. Não há problema algum na timidez, no medo ou na insegurança - a menos que estes passem a atrapalhar de alguma forma qualquer parte da nossa vida. E é isso que o medo do menino faz: impede que sejamos livres. Diagnosticados com normose crônica, passamos metade de uma vida lamentando nossas falhas e invejando aqueles que não se importam com olhares alheios. O menino é útil na infância, mas, se torna um fardo se não aprendermos a lidar com nossos próprios fantasmas.

É hora de cortar de vez os laços com o menino. Nunca é tarde pra ser feliz.


por Vivian Loreti

Receita Federal vai liberar lote recorde de restituição do IR

Ao todo, serão restituídos 2,8 bi de reais. Pagamento será feito em 17 de junho

Leão do imposto de renda e receita federal
Imposto de renda: Mais de 1,9 milhão de contribuintes serão contemplados com o primeiro lote de restituição do IR neste ano, que soma 2,71 bilhões de reais (Cameron Spencer/Getty Images)
A Receita Federal vai liberar este mês o maior lote da história de restituição do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). Serão 2,8 bilhões de reais, dos quais 2,71 bilhões são referentes ao primeiro lote de 2013. O restante dos recursos será para pagar lotes residuais dos últimos cincos anos (2008 a 2012). A consulta aos lotes pode ser feita a partir desta segunda-feira às nove horas da manhã. O pagamento será feito no dia 17 de junho por meio de depósito bancário para 1.996.333 contribuintes.
O último lote recorde havia sido pago pelo Fisco em julho do ano passado, no valor de 2,6 bilhões de reais. A Receita informou nesta sexta-feira que terão prioridades os contribuintes com mais de 60 anos e portadores de deficiência, conforme previsto em lei. Esse público é formado por 1.736.949 pessoas que receberão 2,2 bilhões de reais do total que será liberado.
No primeiro lote de 2013, estão sendo contemplados 1.965.712 contribuintes. A devolução do imposto será feita com correção de 1,6%, referente à taxa Selic de maio a junho deste ano. Os demais lotes também serão reajustados pela Selic dos últimos anos.
Para saber se teve a declaração liberada, o contribuinte deverá acessar a página da Receita na internet (www.receita.fazenda.gov.br), ou ligar para o Receitafone (146). A restituição ficará disponível no banco indicado pelo contribuinte durante um ano. Depois desse prazo será preciso solicitar a devolução do dinheiro pela internet, por meio do Formulário Eletrônico - Pedido de Pagamento de Restituição, ou diretamente no e-CAC, no serviço Declaração IRPF.
A Receita informa que, caso o valor não seja creditado, o contribuinte poderá ir pessoalmente a qualquer agência do Banco do Brasil ou ligar para a Central de Atendimento para agendar o crédito em conta-corrente ou poupança em qualquer banco. Este ano, foram recebidas 26 milhões de declarações dentro do prazo, que encerrou no dia 30 de abril. Os contribuintes já podem saber, pelo site da Receita, se há inconsistências em suas declarações e podem enviar uma retificação para corrigir os erros e sair da malha fina.
(Com Estadão Conteúdo)

Começou hoje a campanha de vacinação contra a paralisia infantil

Meta é vacinar 12,2 milhões de crianças, diz Ministério da Saúde.
Cerca de 115 mil postos de saúde estarão abertos em todo o país.

Do G1, em São Paulo
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Cartaz da campanha (Foto: Ministério da Saúde/Divulgação)Cartaz da campanha nacional de vacinação contra
poliomielite (Foto: Ministério da Saúde/Divulgação)
A Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite começa neste sábado (8) e vai até o dia 21 de junho em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.
A previsão do Ministério da Saúde é que 12,2 milhões de crianças sejam vacinadas. A meta equivale a 95% do público-alvo, que é de 12,9 milhões de crianças entre seis meses e menos de cinco anos de idade.
No ano passado, foram vacinadas mais de 14 milhões de crianças nessa faixa etária.
Cerca de 115 mil postos de saúde estarão abertos pelo país a partir deste sábado. Mais de 350 mil pessoas vão estar envolvidas na campanha, que distribuirá 19,4 milhões de doses da vacina oral.
Ao todo, foram investidos R$ 32,3 milhões na campanha, dos quais R$ 13,7 milhões foram destinados para a aquisição das doses.
Neste ano, assim como em 2012, crianças menores de seis meses serão vacinadas com a dose injetável, considerada mais segura e eficaz pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O Brasil não tem registros de paralisia infantil há 24 anos. O último caso notificado foi em 1989, na Paraíba.
"Em muitos países do mundo, ainda circula o vírus da paralisia infantil. Por isso, é muito importante manter as nossas crianças protegidas do vírus. O (fato de o) Brasil atingir mais uma vez essa meta reforçará o nosso papel de liderar, no mundo inteiro, a campanha para erradicação da poliomelite", destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
esquema sequencial para crianças que iniciam a vacinação contra pólio
Idade Dose
2 meses Vacina inativada injetável
4 meses Vacina inativada injetável
6 meses Vacina oral
15 meses Reforço oral 
 

Evitando a Depressão


Padre Marcelo Rossi: "Aprender a esperar me ajudou a evitar uma depressão"

 O religioso conta como recuperou a autoestima. Após sofrer uma lesão, o padre ficou três meses numa cadeira de rodas. Deixou de correr, engordou 40 quilos, diz que sentiu dor e frustração, mas perseverou. Assim descobriu o tempo de Deus

PADRE MARCELO ROSSI, EM DEPOIMENTO A THAIS LAZZERI

"Não conseguia explicar o que sentia. Parecia existir um deserto dentro de mim. Acordar e dormir eram os piores momentos daqueles dias de 2010. Na cama, deitado, imaginava que tudo o que acontecera no dia anterior se repetiria de novo. E de novo. É como obrigar alguém que gosta de provar novos sabores e combinações a comer, em todas as refeições, o mesmo prato. Não conseguia me olhar no espelho. Evitava encarar um reflexo frustrado. Chorava sem motivo. Machucar gravemente o tornozelo esquerdo, em abril daquele ano, não tirou apenas minha independência de ir e vir quando desejasse. Roubou o prazer que sentia todos os dias quando corria na esteira. Apagou minha autoestima. Foi a primeira vez que experimentei uma profunda tristeza na minha vida, um princípio de depressão.
O APRENDIZADO Padre Marcelo Rossi, em 2010. Quando machucou o tornozelo, ficou meses sem andar e beirou a depressão: “Agora, eu sei como é” (Foto: Leticia Moreira/Folhapress)
Tudo aconteceu muito rápido naquele final de abril. No dia 27, depois de realizar a missa da manhã, recebi a visita do embaixador de Roma, Dom Dino Samaja, na minha sala. Ele disse: ‘Você foi presenteado’. Diante da minha surpresa e da paralisia pela qual fui acometido, Dom Dino continuou: ‘Você receberá um prêmio, em Roma, das mãos do (então) papa Bento XVI.’ A cerimônia tinha data marcada, 22 de outubro. Essa premiação, até então por mim desconhecida, é concedida pelo papa todos os anos. Cinco pessoas são escolhidas por se destacar na difusão do catolicismo no mundo. É obrigatória a presença do homenageado. Em caso de falta, o prêmio é cancelado. Naquele ano, eu seria um dos cinco a receber o prêmio Van Thuân, com o título de evangelizador moderno.
Dois dias depois, torcedor fanático do Corinthians, não conseguia dormir por causa do jogo em que o Flamengo, por 1 a 0, tirou meu time da disputa da Copa Libertadores da América. Mal-humorado e sem sono, decidi correr na esteira. Eram 4 horas da manhã. Pratico corrida sempre à tarde ou à noite, a 9 quilômetros por hora. Naquele dia, não era possível esperar tantas horas para aliviar o estresse. O treino não durou mais que cinco minutos. Tive uma vertigem, pisei mal na esteira e fui lançado para trás. Na hora, me lembrei de proteger a cabeça – regra básica das aulas de artes marciais que fiz na adolescência. Levantei do tombo com dor no corpo, em especial na clavícula. Decidi procurar ajuda médica. A avaliação mostrou que a clavícula estava bem. Meu tornozelo esquerdo não. Na queda, rompi todos os ligamentos. A previsão mais otimista falava em meses de tratamento – e nenhuma viagem. Pensei: ‘Não vou me recuperar a tempo de receber o prêmio’. Diante desse impasse, o médico deu duas opções. Uma cirurgia, de resultado incerto, ou centenas de sessões de fisioterapia. Sem a operação, o tratamento seria mais longo, mas era a única chance de voltar a caminhar até a entrega do prêmio, em outubro. Optei pela recuperação em casa." (...)

Professora muda estilo de vida e perde 20 kg

'Agora posso me considerar uma pessoa saudável', avalia Cristiane, do DF.
Mudança refletiu não só na balança, mas também em sua qualidade de vida.

Mariana Palma Do G1, em São Paulo
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Cristiane adotou uma rotina de exercícios e dieta saudável (Foto: Arquivo pessoal/Cristiane Dias da Silveira)Cristiane adotou rotina de exercício e dieta saudável
(Foto: Arquivo pessoal/Cristiane Dias da Silveira)
Perder peso não é só uma questão de estética, mas também de saúde e qualidade de vida. No caso da professora Cristiane Dias da Silveira, de 31 anos, a estética foi uma consequência da mudança que ela teve que fazer para reverter todos os resultados dos exames.
“Em novembro de 2012, eu estava bem gordinha e quase entrando em depressão. Fui ao médico e descobri que estava com as taxas de colesterol e triglicérides alteradas e princípio de anemia”, lembra a guaraense, do Distrito Federal.
Segundo a médica, esses números eram reflexo do estilo de vida que Cristiane levava, com maus hábitos alimentares e sedentarismo. “Ela disse que eu tinha que mudar de vida porque senão ficaria diabética e hipertensa e me aconselhou a procurar um nutricionista e uma atividade física que eu gostasse para perder 10 kg”, conta a professora.
Porém, o efeito foi o contrário: Cristiane voltou ainda mais deprimida para casa, continuou a comer cada vez mais e chegou ao peso de 77 kg, o que a colocava no quadro de obesidade por causa de sua altura, 1.59m. “Nenhuma calça mais me servia, só usava roupas de malha e estava numa situação crítica. Eu me sentia muito mal, só ficava em casa porque tinha vergonha de mim. Só ia trabalhar porque tinha que ir mesmo”, diz a guaraense.
Com os resultados dos exames, ela decidiu mudar os hábitos e conseguiu perder 20 kg; fotos mostram antes e depois (Foto: Arquivo pessoal/Cristiane Dias da Silveira)Com os resultados dos exames, ela decidiu mudar os hábitos e conseguiu perder 20 kg; fotos mostram antes e depois (Foto: Arquivo pessoal/Cristiane Dias da Silveira)
Para tentar perder o peso que lhe trazia tantos problemas, a professora já havia tentado até tomar remédios, mas lembra que não foi a melhor decisão. “Quase morri por causa disso. Fui parar no hospital sem um pingo de potássio no sangue, não conseguia mexer meus dedos e o médico me disse que era grave”, lembra. Depois do trauma, ela resolveu que poderia até ficar acima do peso, mas que nunca mais recorreria a medicamentos.
Porém, seis anos depois, ela decidiu mudar de vida e emagrecer – do jeito seguro, natural e saudável. Cristiane procurou uma academia e um nutricionista para começar a se exercitar e mudar a dieta. “Há 10 anos, eu jogava futsal, era uma atleta, mas aí parei e virei sedentária. Então, dessa vez, comecei a ir à academia todos os dias e logo o resultado foi aparecendo”, conta.
Na alimentação, ela diz que mudou praticamente tudo. “Comia muito e tudo errado, só fritura, chocolate, carboidrato e biscoitos recheados, por exemplo. Depois cortei tudo isso e comecei a comer de 3 em 3 horas e a beber cerca de 3 litros de água”, conta. A dieta, então, passou a ter muita vitamina, frutas, cereais integrais, castanhas, iogurtes, sanduíches naturais e diversas outras opções saudáveis.
Cristiane procurou uma academia e um nutricionista para começar a se exercitar e mudar a dieta (Foto: Arquivo pessoal/Cristiane Dias da Silveira)Cristiane procurou uma academia e um nutricionista para começar a se exercitar e mudar a dieta (Foto: Arquivo pessoal/Cristiane Dias da Silveira)
Os reflexos começaram a aparecer não só na balança, mas também no dia a dia da professora, que começou a ter noites de sono muito melhores. “Tinha muita insônia. Às vezes, ia dormir às 4h e tinha que levantar às 6h para trabalhar. Hoje, meu sono é totalmente regular e durmo em média 8 horas por noite, sem nenhum problema”, conta. Além disso, Cristiane sentia falta de ar, o coração acelerado e tinha o cabelo e as unhas fracas, “tudo por causa do estilo de vida que levava”, como acredita.
Agora posso me considerar uma pessoa saudável"
Cristiane Dias da Silveira
Com 57 kg, 20 kg a menos na balança, ela conseguiu sair do quadro de obesidade e atingir o peso adequado para sua altura. Depois disso, todos os exames que antes estavam alterados foram normalizados. “Agora posso me considerar uma pessoa saudável”, avalia a guaraense. E não só uma pessoa saudável, mas também uma pessoa feliz – a professora comemora o resultado em pouco tempo e diz que agora pode vestir qualquer roupa que quiser, algo que considera “importante” na vida de uma mulher.
Para quem precisa dar o primeiro passo, a dica de Cristiane é ter disciplina, força de vontade, foco e determinação. “Tem tentações o tempo todo, então precisa resistir senão não adianta”, defende. Em seu caso, ela diz que houve melhora até mesmo em sua profissão, que exige muito condicionamento físico. “Sou professora de Ensino Fundamental e Ensino Médio e fico em pé, em média, 5 horas por dia. Antes era um martírio, minhas pernas pesavam e sentia dores no joelho. Hoje trabalho sem problemas”, conta, satisfeita.
Cerca de 6 meses depois, ela avalia todas as vantagens que sua atitude trouxe. “Antes eu não tinha qualidade de vida e meu corpo estava pedindo socorro. Hoje eu tenho ânimo para tudo e vivo muito bem, minha vida melhorou 100%”, finaliza.
'Agora posso me considerar uma pessoa saudável', avalia Cristiane, com 20 kg a menos (Foto: Reprodução/Bem Estar)'Agora posso me considerar uma pessoa saudável', avalia Cristiane, com 20 kg a menos (Foto: Arquivo pessoal/Cristiane Dias da Silveira)