8.10.2013

Mais Médicos recebe inscrição de 715 formados no exterior

Profissionais têm até segunda-feira para confirmar participação no programa

Outros 367 brasileiros indicaram novamente as opções de municípios, grupo que tem prioridade nas vagas. Os médicos, brasileiros e estrangeiros, têm até segunda-feira (12/08) para confirmar participação no programa.
O Ministério da Saúde divulgará a lista final de participantes do primeiro mês de seleção na terça-feira (13/08). A próxima chamada de médicos e municípios começa no dia 15 de agosto. Os médicos do programa receberão bolsa federal de R$ 10 mil, paga pelo Ministério da Saúde, mais ajuda de custo, e farão especialização em Atenção Básica durante os três anos do programa.
“Em um mês de seleção, conseguimos mobilizar um grande número de profissionais, brasileiros e estrangeiros, que demonstraram interesse em atuar nas regiões mais carentes do Brasil. Muitos dos moradores dessas regiões passarão a ser atendidos por um médico, e sabemos a grande diferença que faz um profissional perto da população. Esse é apenas o início do programa, o processo continua aberto e usaremos de todas as estratégias para suprir as mais de 15 mil vagas apontadas pelos municípios”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Os brasileiros têm prioridade no preenchimento dos postos. As vagas remanescentes são oferecidas primeiramente aos brasileiros graduados no exterior e em seguida aos estrangeiros. Os médicos com diplomas do exterior atuarão com autorização profissional provisória, restrita à atenção básica e às regiões onde serão alocados.
A região Sul deverá receber o maior número de profissionais estrangeiros, com 204 médicos, seguida da região Sudeste, com 162. O Nordeste deverá receber 153 médicos do exterior, o Norte, 137, e o Centro-Oeste, 59.
Neste primeiro mês de seleção, 938 profissionais brasileiros confirmaram participação. A maioria (51,8%) atuará nas periferias de capitais e regiões metropolitanas e os 48,1% restantes em municípios do interior de alta vulnerabilidade social, totalizando 404 cidades atendidas na primeira chamada de profissionais.
O número de vagas preenchidas, até o momento, equivale a 6% da demanda dos municípios, que apontaram a necessidade de 15.460 médicos para completar seus quadros na atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS). Apenas 11,4% dos 3.511 municípios que aderiram à iniciativa vão receber profissionais nesta etapa. 
Os profissionais selecionados começam a trabalhar no início de setembro. A partir de 13 de agosto, a Coordenação do Programa informará aos municípios os dados dos médicos.

Muito tempo de televisão prejudica desempenho de crianças na pré-escola

Segundo estudo, uma série de habilidades escolares - como aquisição de vocabulário e capacidade de prestar atenção na aula - são afetadas quando a criança assiste a mais do que duas horas de televisão ao dia

Televisão: ter o aparelho no quarto contribui com aumento da circunferência abdominal e da gordural acumulada no corpo de crianças e adolescentes
Pré-escola: diversas habilidades acadêmicas são prejudicadas pelo tempo prolongado de televisão (Thinkstock)
Passar muitas horas em frente à televisão não faz bem para a saúde das crianças. O hábito, como vários estudos científicos já mostraram, as torna mais sedentárias, incentiva o consumo de alimentos não saudáveis e, consequentemente, eleva o risco de obesidade e prejudica o desempenho em atividades físicas.
Agora, um novo estudo feito na Universidade de Montreal, no Canadá, apontou para outro tipo de prejuízo que o tempo prolongado de televisão pode causar: o acadêmico. Segundo a pesquisa, cada hora a mais do que o tempo recomendado em que uma criança de dois anos passa em frente à televisão prejudica a aquisição de vocabulário, habilidades matemáticas, capacidade de prestar atenção na sala de aula e seu desempenho em atividades físicas na escola.
Limite — A Academia Americana de Pediatria (AAP) recomenda que crianças de dois anos de idade não passem mais do que duas horas ao dia em frente à televisão. “Parece que todo tempo a mais do que isso tem uma considerável influência negativa para a criança”, diz Linda Pagani, pesquisadora do Centro de Pesquisa Saint-Justine da Universidade Montreal e coordenadora do estudo.
A pesquisa de Pagani, divulgada nesta quarta-feira pela universidade, foi feita com cerca de 2.000 crianças de 2,5 anos que frequentavam a pré-escola. Seus pais responderam a um questionário relatando por quanto tempo os filhos viam televisão diariamente. Segundo os resultados do estudo, o prejuízo nas habilidades de aprendizado foi observado quando as crianças passavam mais do que duas horas ao dia em frente à televisão – e quanto maior era esse tempo, mais prejudicadas elas foram.
“O desempenho de uma criança no jardim de infância pode influenciar a sua produtividade no futuro. Esses resultados sugerem a necessidade de que os pais se conscientizem de que deve haver limites em relação ao tempo de televisão que uma criança assiste ao dia”, diz Pagani.

Os prejuízos de ver muita TV

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Controle do peso

De acordo com um estudo feito na Universidade de Montreal, no Canadá, e publicado em 2012, quanto mais tempo uma criança de dois a quatro anos de idade passa em frente à televisão, maior o risco de acúmulo da gordura na cintura. Uma outra pesquisa, feita nos Estados Unidos, mostrou que há outro agravante para a saúde de criança em relação ao hábito: de acordo com o trabalho, ter televisão no quarto aumenta ainda mais o tempo em que uma criança passa em frente ao aparelho e eleva o risco de obesidade infantil

Testes para detectar câncer de ovário não são efetivos

Especialistas dizem que as técnicas de diagnóstico não reduzem mortalidade e podem levar a falsos positivos, expondo pacientes a cirurgias desnecessárias

Guilherme Rosa
Câncer de ovário: nova descoberta genética pode levar a novos tratamentos para a doença
Métodos para diagnosticar o câncer de ovário podem levar a cirurgias desnecessárias (Thinkstock)
O câncer de ovário é o tumor ginecológico mais difícil de ser diagnosticado e o de menor chance de cura — cerca de 3/4 dos casos desse tipo de câncer já estão em estágio avançado no momento do diagnóstico. No entanto, especialistas americanos não recomendam que mulheres saudáveis façam os testes disponíveis para a detecção do tumor. Segundo o U.S. Preventive Services Task Force, grupo de trabalho que analisa as evidências científicas e faz recomendações para os serviços governamentais de prevenção, esses testes não são efetivos e podem até ser prejudiciais às mulheres.
Por sua localização, o câncer de ovário é extremamente difícil de detectar, impedindo o diagnóstico precoce. Os exames normalmente usados para descobrir sua presença são a análise do sangue para encontrar marcadores biológicos vinculados ao câncer e a ultrassonografia dos ovários. No entanto, quando aplicados em mulheres saudáveis, eles não reduzem a mortalidade da doença.
Além disso, estes procedimentos produzem muitos falsos positivos, que podem levar a cirurgias desnecessárias. "Não existe um método eficaz de detecção do câncer de ovário que permita reduzir a mortalidade", afirma Virginia Moyer, presidente do grupo. "De fato, uma grande porcentagem das mulheres que passam pelos testes recebem resultados positivos falsos e podem passar por cirurgias desnecessárias."
Recomendações parecidas já foram feitas por outras entidades americanas, como a American Cancer Society e o American Congress of Obstetricians and Gynecologists. No Brasil, nenhum dos procedimentos é recomendado pelo Ministério da Saúde ou pelo Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Os cientistas recomendam que os testes só devem ser feitos em mulheres que apresentem sintomas da doença ou mutações em genes ligados ao câncer, como o BRCA 1 e o BRCA 2. Nesses casos, eles podem ajudar os médicos a acompanharem os resultados do tratamento e o avanço da doença.
O câncer de ovário é bastante raro. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer estima que teremos 6.190 novos casos em 2012. Em 2010, 2.979 mulheres morreram por causa da doença.



Opinião do especialista

Jesus Paula Carvalho
Chefe da equipe do de ginecologia oncológica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e professor da Faculdade de Medicina da USP

"Não existe nenhum método de diagnóstico precoce do câncer de ovário que seja recomendado. Não conheço nenhum país do mundo que recomende o teste de sangue e o ultrassom em mulheres saudáveis. Infelizmente, quando uma mulher nos pergunta se existe algum modo de detectar o câncer antes dele se espalhar, nosso resposta é negativa.

"Quando a mulher percebe os sintomas do câncer de ovário, ela já está em estágio avançado da doença. O tratamento deve ser cirúrgico e quimioterápico. Na mulher com os sintomas, esses testes de sangue e ultrassonografia têm validade para confirmar o diagnóstico e para orientar os médicos durante o tratamento.

"Em junho de 2011 foi realizado um estudo com 79.000 mulheres, para testar os métodos de rastreamento de câncer. Por causa deles, 1.800 das voluntárias tiveram de passar por cirurgia para tratar o câncer de ovário. No entanto, não houve nenhuma diferença na mortalidade por conta da doença entre as pacientes que fizeram parte do estudo e as que não fizeram. Mais de uma centena de mulheres tiveram complicações por causa da cirurgia.

"Pelo menos 10% dos casos de câncer de ovário são causados por alterações genéticas e estão ligados ao histórico familiar. Quando uma mulher tem história familiar sugestiva, com parentes que tenham tido esse tipo de câncer, ela passa a ser suspeita de ter a mutação nos genes. O ideal é que ela procure por aconselhamento genético. Se a mulher tiver uma mutação comprovada, os médicos irão recomendar a remoção do ovário.

"O câncer de ovário mais comum é causado pelo carcinoma seroso de alto grau. Durante décadas, os pesquisadores acharam que ele surgia no ovário. De alguns anos para cá, no entanto, novos estudos têm mostrado que a célula que dá origem ao carcinoma surge na tuba uterina. Quando o câncer chega no ovário, ele já está em metástase. Esse é um conhecimento muito novo, é a nova fronteira da pesquisa contra o câncer de ovário. Talvez o caminho para um método de prevenção seja a busca de mutações genéticas na tuba uterina. Acredito que nos próximos anos vão surgir testes moleculares para encontrar o câncer de ovário antes dele entrar em metástase."
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Neurociência quebra estereótipos sobre sexo e amor entre casais

  • Jornalista científica Kayt Sukel reune últimos estudos neurocientíficos sobre os relacionamentos humanos em livro

Flávia Milhorance

CH Rio de Janeiro (RJ) 07/08/2013 Kayt Sukel, autora do livro Sexo na cabeça Foto Divulgação Foto: Terceiro / Agência O Globo

CH Rio de Janeiro (RJ) 07/08/2013 Kayt Sukel, autora do livro Sexo na cabeça
Homens e mulheres são mais parecidos quando o assunto é amor, sexo, monogamia e desejo do que temos sido levados a acreditar. A jornalista científica Kayt Sukel reuniu os melhores e últimos estudos neurocientíficos sobre os relacionamentos humanos e até participou de cobaia em alguns para escrever o livro americano “Sexo na Cabeça”, que pode nos fazer mudar de ideia sobre alguns conceitos.
Costuma-se dizer que homens e mulheres têm abordagens diferentes com relação ao amor e aos relacionamentos. Você parece não concordar com isso. Por quê? E se não há diferenças biológicas, há sim as culturais, certo?
Existem muitos estereótipos quando o assunto é sexo e amor. Mulheres não estão apenas interessadas em relacionamentos seguros e monogâmicos, enquanto homens em sexo. Os novos estudos simplesmente não conseguem mostrar isto. Eles sugerem que as mulheres são tão propensas a se envolver em um caso extraconjugal quanto homens. Inclusive, elas têm mais orgasmos com novos parceiros (e não os monogâmicos). Eles também mostram que ambos têm estímulos e motivações similares. Quando assistem a filmes pornográficos, por exemplo, têm as mesmas taxas de excitação. A diferença é que tendem a ter diferentes focos de interesse numa mesma imagem. Existe diferença biológica, obviamente. Mas a abordagem para o sexo e o amor é mais parecida do que temos sido levados a acreditar.
Cientistas de todo o mundo buscam uma razão evolutiva para a monogamia humana. Dois novos estudos foram divulgados semana passada sobre o tema e cada um foi por um caminho, para mostrar o quão difícil é a questão. Qual é a sua opinião?
Não sei se as perguntas “a monogamia é natural?” ou “humanos são monogâmicos?” são as melhores a se fazer. Acho que está claro, a partir de pesquisas e experiências, que a monogamia é possível. Humanos formam laços fortes e duradouros entre si — e alguns permanecem tanto social quando sexualmente monogâmicos por longos períodos de tempo. Mas se observarmos os arganazes do campo (uma espécie de roedor), descobrimos que a monogamia social e a sexual não são sempre a mesma coisa. Embora possível, ela depende de fatores que vão além da pura biologia, tais como cultura, valores religiosos e oportunidade.
Para onde caminha a neurociência do amor? Seu livro conta que havia um certo constrangimento de se pedir financiamento para pesquisa sobre o tema há até pouco tempo.
Amor e sexo são motivadores primários, e seus estudos oferecem a oportunidade de se tentar responder às maiores questões da Humanidade e a desafiar vários estereótipos. Não é que eles se envergonhassem, mas com a limitação de financiamento para pesquisa, doenças neurológicas ou câncer são os que têm mais recursos. Eu não concordo com isso. Amor e sexo influenciam nossas vidas, trabalho e provavelmente também a propensão às doenças.
O cérebro pode confundir amor e desejo? Ou é o mesmo? O amor existe para a neurociência?
Pesquisas sugerem que há três diferentes, ainda que sobrepostos, sistemas que envolvem o amor: o hipotálamo para a luxúria, a área tegmental ventral para o amor romântico e o pálido ventral para a conexão. Como as áreas de diferentes aspectos do amor se sobrepõem, é possível confundir amor com desejo. E certamente a experiência nos mostra que isto é verdade! Mas sim, o amor existe. É um impulso. E é um imperativo biológico. Conexões sociais, incluindo o amor romântico, garantem que tenhamos parceiros para nos ajudar a procriar, criar nosso filhos, cuidar de nós — e todas as coisas necessárias para ajudar a espécie a sobreviver.
Por que você diz que não somos escravos dos nossos hormônios com relação ao sexo?
Enquanto escutamos, ainda jovens, que nossos hormônios influenciam tudo, eles não existem no vaco. Eles interagem com outros neuromoduladores para produzir nosso comportamento e podem ser inibidores. Até um macaco macho, que pode ter muito sexo sem compromisso, é capaz de negá-lo quando não é do seu interesse. Humanos têm lobos frontais muito grandes, que é a área da função executiva, de tomada de decisão. Enquanto nossos hormônios podem fazer sugestões sobre fazer sexo, nós sempre temos o poder de evitá-las se quisermos.
Quando cientistas começaram a aprofundar os estudos sobre genética, pensava-se que muitos dos nossos problemas estariam resolvidos (ou não). Mais recentemente, cientistas se depararam com o desafio da epigenética, em que o meio ambiente “liga” ou “desliga” os genes. Como isto influencia o amor?
A biologia não existe sem o meio ambiente. Eles estão intrinsecamente ligados e influenciam um ao outro em maneiras que ainda não compreendemos. O ambiente pode dizer aos nossos genes quando e quanto eles podem produzir de uma proteína. Sabendo que o amor é o produto de muitas proteínas — incluindo, digamos, quem interage com quem —, o estudo do amor pela epigenética pode nos ajudar a entender por que um parceiro nos deixa fora de órbita, enquanto outro é tão bom quanto, porém mais tranquilo.
Como foi sua experiência como parte dos testes, inclusive a do orgasmo?
Existem muitos experimentos interessantes na neurociência, mas é difícil entender o quão válidos eles são até participar deles. Por isso eu pensei que era importante me envolver. Para o estudo do orgasmo, foi um tanto surreal! Eu não tinha certeza se seria capaz de atingir um orgasmo no equipamento de ressonância magnética, mas pensei que a pesquisa seria bem interessante, assim como importante, então dei o melhor de mim. Depois eu até participei de mais dois estudos do tipo.
Você escreveu o livro depois que o seu casamento terminou. Como a ciência te ajudou? Você ficou mais pessimista ou otimista com o amor?
Definitivamente mais otimista! Na verdade, eu me casei de novo há algumas semanas. A ciência me ajudou a entender que não existe apenas uma forma de se apaixonar, de confiar mais em meus instintos. Muitas mulheres, inclusive eu, temos uma lista de características que esperamos de um parceiro. Depois de escrever o livro, eu a joguei fora. Em vez disto, eu decidi prestar mais atenção em como me sentia quando estava com alguém: a perceber como o meu corpo e minha menta interagiam e reagiam a ele. E quando eu encontrei meu atual marido, eu não pensava demais. Só deixei acontecer! E acho que isto fez toda a diferença.

Lula dá aula de economia e politica em palestra no Uruguai - 2013