4.13.2014

Ministério diz que vai analisar estudo que questiona eficácia do tamiflu

Estudo concluiu que remédio para H1N1 não evita disseminação da gripe.
Ministério disse que indicação se baseia em recomendações da OMS.

Mariana Lenharo Do G1, em São Paulo
Enfermeiras guardam lote de Tamiflu que foi enviado pela Secretaria de Saúde do Estado (Foto: Elias Bruno/G1 Ceará) 
Enfermeiras guardam lote de Tamiflu
(Foto: Elias Bruno/G1 Ceará)
O Ministério da Saúde informou que vai avaliar em profundidade o estudo da Cochrane Collaboration – rede independente e global de pesquisadores especializada em revisões sistemáticas na área da saúde – que concluiu que o medicamento antiviral tamiflu (oseltamivir) não evita a disseminação da gripe e nem reduz as complicações perigosas da doença, apenas ajuda com os sintomas. O estudo foi publicado na quinta-feira (10).
O governo brasileiro vai iniciar, de 22 de abril a 9 de maio, a campanha de vacinação contra a gripe em todo o país. A meta deste ano é imunizar 49,6 milhões de pessoas. A imunização protege contra os subtipos do vírus influenza: H1N1, H3N2 e B.
No combate ao vírus H1N1, segundo o estudo britânico, o medicamento não seria mais eficaz do que um paracetamol, analgésico popular usado em vários países. O tamiflu tem sido usado em larga escala no Brasil e no mundo para o combate ao vírus H1N1 desde a pandemia de gripe A de 2009.
Em nota ao G1, o Ministério da Saúde afirmou, no entanto, que "o antiviral oseltamivir (tamiflu) é indicado para o tratamento de casos graves e de pessoas com fatores de risco.  Esta indicação se baseia em estudos clínicos e respaldada por recomendações de instituições de referência, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos".
O ministério acrescenta ainda que "estudos realizados no Brasil têm confirmado a importância da administração do oseltamivir, rapidamente, nas situações indicadas como medida capaz de reduzir complicações e mortes decorrentes da influenza (gripe)".

Orientações sobre H1N1 (Foto: Arte/G1)
Estudo anterior
Em 2009, um levantamento feito pela Central Estadual de Regulação Hospitalar, da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul, já havia chegado a uma conclusão preliminar de que o tamiflu poderia não determinar uma evolução melhor do paciente.

Na época, foram analisados 203 casos de pacientes que foram internados em UTI por suspeita ou confirmação de H1N1. Desse total, apenas 83 tiveram a evolução conhecida.
Dos 30 pacientes que receberam o tamiflu em até 48 horas após o início dos sintomas, 12 morreram. Entre os 32 pacientes que receberam o tamiflu depois de 48 horas, houve 14 óbitos. Já entre os 21 pacientes que não receberam o medicamento, houve apenas 6 óbitos.
Na época, a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul afirmou que o estudo seria ampliado. Atualmente, porém, a pasta afirma que não tem mais registros sobre o levantamento e não sabe informar se ele teve desdobramentos.
O Ministério da Saúde diz ainda que vai sempre "avaliar estudos que sejam desenvolvidos para garantir sempre que as condutas preconizadas estejam baseadas nos mais sólidos conhecimentos científicos disponíveis".

Ucrânia dá prazo até segunda-feira para rebeldes se desarmarem

Novo governo ameaça ação militar contra separatistas pró-Russia no leste.
'Não vamos permitir que Rússia repita cenário da Crimeia', disse presidente.

Da Reuters
38 comentários
Homem armado em uma das barricadas montadas pelos separatistas em Slaviansk, na Ucrânia. (Foto: Gleb Garanich/Reuters)Homem armado em uma das barricadas montadas pelos separatistas em Slaviansk, na Ucrânia
(Foto: Gleb Garanich/Reuters)
A Ucrânia deu até a manhã de segunda-feira (14) para separatistas pró-Rússia abaixarem as armas. Caso contrário, o governo diz que eles vão enfrentar uma "operação antiterrorista de grande escala" das Forças Armadas, aumentando o risco de um confronto militar com Moscou. O presidente interino Oleksander Turchinov afirmou que os rebeldes que ocupam prédios públicos têm até as 6h (3h no Brasil) para depor as armas, após a morte de um oficial de segurança do governo e do ferimento de dois companheiros ao leste da cidade de Slaviansk.
"O Conselho de Segurança Nacional e Defesa decidiu lançar um ofensiva de grande escala antiterrorista envolvendo as Forças Armadas da Ucrânia", disse Turchinov em um comunicado à nação.
Ele culpou a Rússia de estar por trás dos rebeldes em cidades que falam russo no leste da Ucrânia. O governo de Vladimir Putin anexou a região ucraniana da Crimeia quando o ex-presidente Viktor Yanukovich, apoiado por Moscou, fugiu do país depois de meses de protestos pró-ocidente.
"Não vamos permitir que a Rússia repita o cenário da Crimeia em regiões orientais da Ucrânia", disse Turchinov.
Resposta da Rússia
O Ministério de Relações Exteriores da Rússia chamou a planejada operação militar de "ordem criminal" e disse que o Ocidente precisa controlar o aliado governo ucraniano. "Agora é responsabilidade do Ocidente prevenir uma guerra civil na Ucrânia", disse o ministério, em um comunicado.
Um diplomata que integra o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) disse à Reuters, sob condição de anonimato, que o conselho vai se reunir em Nova York às 20h (hora local) desde domingo, a pedido da Rússia. Outro diplomata disse que as negociações sobre a participação da Ucrânia estavam em andamento.
Mais cedo, a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Samantha Power, disse no programa "This Week", da emissora de televisão ABC, que os últimos eventos na Ucrânia indicam "o envolvimento de Moscou".
"O presidente deixou claro que, dependendo do comportamento da Rússia, sanções em energia, bancos e mineração podem estar em jogo, e há muita coisa no meio disso", acrescentou.
A Ucrânia repetidamente disse que as rebeliões são inspiradas e lideradas pelo Kremlim. Mas ações para desarmar os rebeldes podem resultar em um novo cenário, perigoso, porque Moscou avisou que vai proteger as regiões pró-Rússia, se elas estiverem sob ataque.
tópicos:

Ajuda para bebê com doença rara em redes sociais

Sofia, de três meses, têm problemas no intestino e precisa de transplante.

Cantores, atrizes e jogadores de futebol se comoveram com a história.

Jéssica Pimentel Do G1 Sorocaba e Jundiaí
94 comentários
Cantora Cláudia Leitte compartilhou a foto da Sofia (Foto: Reprodução / Instagram)Cantora Cláudia Leitte compartilhou a foto da Sofia (Foto: Reprodução / Instagram)
A luta da pequena Sofia Gonçalves de Lacerda, de Votorantim (SP), ficou conhecida em todo o país e comoveu até o meio artístico, que tem feito mobilizações nas redes sociais para tentar ajudar a criança. A menina, de apenas três meses de vida, sofre de uma rara doença que provoca problemas no intestino, na bexiga e no estômago. Ela precisa de um transplante, mas a cirurgia custa cerca de R$ 2,4 milhões, por isso uma campanha na internet passou a mobilizar as pessoas para ajudar Sofia.
Famosos compartilham história da Sofia (Foto: Reprodução/ Instagram)Giovana Antonelli também incentivou na ajuda da
campanha (Foto: Reprodução/ Instagram)
Famosos viram a campanha e se comoveram com a história da bebê. A cantora Cláudia Leitte, e as atrizes Giovana Antonelli e Grazi Massafera, e até os jogadores de futebol como Robinho e o atacante da seleção brasileira Hulck se emocionaram com a luta de Sofia. Eles compartilharam fotos da menina em uma rede social de fotos, com mensagens positivas, incentivando as pessoas a doarem.
A técnica do programa ‘The Voice’ compartilhou uma imagem de Sofia ainda recém-nascida, respirando com a ajuda de aparelhos e contava sua história. Já o jogador da seleção, incentivou a campanha e escreveu: “Eu fiz minha parte. E você: fez a sua? Vamos lá gente ajudar a #Sofia. Que DEUS abençoe a vida desse anjinho.”
Ao se deparar com tantas manifestações positivas, a mãe da menina, Patrícia de Lacerda, se assustou. Ela contou ao G1 que não imaginava que tanta gente se comoveria com a história. “Nosso objetivo sempre foi conseguir ajuda e nunca ficar famosos. Agora, acredito que muitas pessoas poderão nos ajudar! Através dessas ações vejo a força do povo em ajudar quem precisa. É comovente!”, conta emocionada.
Nesta semana, um médico dos Estados Unidos aceitou assumir a cirurgia da Sofia com o peso atual dela, que é de cerca de 5kg. Inicialmente, a juíza da terceira Vara Federal de Sorocaba, Sylvia Marlene de Castro Figueiredo, determinou por meio de liminar que o transplante da menina fosse realizado no Brasil, mas o Hospital da Clínicas afirmou que não poderia realizar esse procedimento em pacientes com menos de 10 kg.
Mesmo com o desejo do médico, a família ainda terá de pagar pelo procedimento. Dinheiro que os pais afirmam que é incalculável e que precisa da ajuda da Justiça. Segundo o advogado da família, Miguel Navarro, todas as medidas cabíveis estão sendo tomadas para conseguir a autorização da Justiça para a realização do transplante, já que o caso da menina é grave. “Tudo o que está ao nosso alcance estamos fazendo. Nós queremos salvar a vida da Sofia e fazer com que essa cirurgia aconteça o quanto antes”, explica.
Ainda segundo ele, nos próximos dias o desembargador do Tribunal Regional, Márcio Moraes, deve decidir se o bebê conseguirá ser operado no Brasil ou nos Estados Unidos.
Sofia passou a última noite internada em Campinas (Foto: Divulgação / Campanha 'Ajude a Sofia')Sofia sofre de uma rara doença no intestino
(Foto: Divulgação / Campanha 'Ajude a Sofia')
'Ajude a Sofia'
Sofia sofre com a síndrome de Berdon, uma doença rara que provoca problemas no intestino, na bexiga e no estômago. Segundo a mãe, a menina nunca fez necessidades e se alimenta através de uma sonda.
Desde que descobriu a doença, a família está pedindo ajuda financeira para conseguir uma viagem até os Estados Unidos, único país onde há a possibilidade da realização da cirurgia que pode reverter o quadro de saúde da menina.
A campanha foi intitulada como "Ajude a Sofia" e ganhou força nas redes sociais e mais de 100 mil pessoas já curtiram e compartilharam a página. Ela está internada em um hospital de Sorocaba (SP).
Jogador da seleção também se comoveu com a história (Foto: Reprodução / Instagram)Jogador da seleção também se comoveu com a história (Foto: Reprodução / Instagram)

Aposentado: Atenção voltada para decisão do STF até fim de maio

Aposentados do INSS que continuam trabalhando com carteira assinada vão saber se terão direito de trocar benefício por um mais vantajoso

Max Leone
Aposentados do INSS que continuam trabalhando com carteira assinada vão saber se terão direito de trocar benefício por um mais vantajoso
Foto:  Banco de imagens
Rio - Os próximos 50 dias vão ser de grande expectativa para aposentados do INSS que continuam trabalhando com carteira assinada. Até o fim do mês de maio, terá uma decisão final do Supremo Tribunal Federal (STF) o processo que definirá se esses segurados têm direito de trocar o benefício por um mais vantajoso, por levar em conta as contribuições feitas depois da concessão da aposentadoria — a chamada desaposentação. Relator do caso, o ministro Luis Roberto Barroso vai julgar a questão até o fim do próximo mês.
Segundo o INSS, existem hoje 24 mil ações originais na Justiça, sem contar recursos em tramitação. O assunto é de interesse de 703 mil aposentados em todo o país que contribuem e estão no mercado de trabalho. O governo reclama que o impacto será de R$ 70 bilhões sobre os cofres da Previdência.
“Estamos muito otimistas em relação a um desfecho favorável. O governo alega que terá que cobrir esse dinheiro, que sairá dos cofres públicos. Mas os recursos já entraram nos cofres. O aposentado que trabalha pagou novamente e tem o direito de se beneficiar dessa nova contribuição”, defende Warley Martins, presidente da Confederação Brasileira de Aposentados (foto).
Os aposentados têm a seu favor uma série de fatores. O mais recente foi parecer do subprocurador-geral da República Odim Brandão Ferreira, do Ministério Público Federal, que derrubou argumentos do INSS contra o direito à desaposentação. O subprocurador pediu que seja mantida decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que garante a troca de benefício sem que os aposentados tenham que devolver valores já recebidos da Previdência.
O outro ponto favorável é justamente a decisão do STJ. Em maio de 2013, a Primeira Seção do tribunal decidiu que aposentados que continuam no mercado de trabalho com carteira assinada podem abrir mão do benefício inicial e usar as contribuições feitas após a concessão para recalcular valores. A posição do STJ permitiu o uso do mecanismo de recurso repetitivo, ou seja, tribunais de instâncias inferiores teriam que seguir a decisão proferida pela Corte. Mas a palavra final será do Supremo Tribunal Federal.
O advogado Guilherme de Carvalho lembra que apesar do entendimento do STJ, a Turma Nacional de Uniformização (TNU) havia orientado pela suspensão de todos os processos que envolvessem devolução. Com a posição do STJ os processos voltaram a tramitar, mas esperam o desfecho do Supremo

Empresas concientes

Abre_capitalismo_Consciente2.jpg
Ganha força entre as empresas a consciência de que sua contribuição para a sociedade vai além da geração de lucro, renda e empregos. As crises econômicas, sociais e ambientais têm levado líderes empresariais a repensar o propósito de seus empreendimentos e o papel dos negócios em um mundo saturado dos velhos paradigmas. Sintonizados com os novos tempos, gestores pioneiros impulsionam um modelo de desenvolvimento que ganha cada vez mais adeptos no mundo corporativo. Trata-se do capitalismo consciente, conceito que consiste essencialmente na ideia de que as empresas devem ter uma motivação maior do que apenas a busca de lucro a qualquer preço. Atenta a essa transformação, a ISTOÉ lança o prêmio “As Empresas Mais Conscientes do Brasil”, que vai identificar e reconhecer as companhias que melhor estão fazendo essa transição. “O capitalismo consciente representa uma profunda e necessária transformação na forma de se fazer negócios”, diz Caco Alzugaray, presidente executivo da Editora Três. “As empresas que não se adequarem a essas mudanças provavelmente ficarão para trás.”
01.jpg
As inscrições para o prêmio poderão ser feitas entre 15 de abril e 10 de junho, em um link disponível no site da ISTOÉ (www.istoe.com.br). Qualquer companhia pode participar. As empresas serão avaliadas de acordo com o seu porte (pequenas, com receita operacional bruta de até R$ 16 milhões, médias, com receitas de até R$ 300 milhões, e grandes, para as que faturam mais de R$ 300 milhões). Serão distribuídos 19 prêmios: uma campeã geral, as vencedoras nas três categorias (pequena, média e grande) e as melhores empresas pequenas, médias e grandes em cada uma das cinco dimensões de avaliação (governança, modelo de negócios, relacionamento com funcionários, relacionamento com a comunidade e meio ambiente). A organização do prêmio será feita pela Report Sustentabilidade e, para analisar as candidatas, a ISTOÉ vai utilizar a metodologia do B Lab, organização norte-americana dedicada a certificar empresas com práticas alinhadas ao lema: “Não ser apenas as melhores empresas do mundo, mas as melhores para o mundo.” No Brasil, essa cuidadosa avaliação é coordenada pelo Sistema B. Se houver dúvidas sobre a inscrição e os critérios, elas poderão ser esclarecidas em quatro webinars (seminários online) ou enviadas para o e-mail premioempresasconscientes@istoe.com.br.
02.jpg
Nos Estados Unidos, os conceitos centrais do capitalismo consciente estão ganhando eco em empresas como a Whole Foods, maior varejista de produtos orgânicos do mundo, a Patagonia, grife de roupas esportivas, e a companhia aérea Southwest. No Brasil, o modelo já encontra exemplos valorosos. “Uma empresa não pode visar exclusivamente o lucro, mas precisa ter um conjunto de valores”, diz Camila Valverde, diretora de sustentabilidade do Walmart Brasil. “Quando vamos lançar uma marca, pensamos no que ela pode trazer de conceitos e como contribui para mudanças de comportamento positivas”, diz João Paulo Ferreira, vice-presidente comercial e de sustentabilidade da Natura. Em entrevista à ISTOÉ, o guru indiano Rajendra Sisodia, fundador do movimento capitalismo consciente, resumiu suas ideias em uma frase: “Muitas empresas estão começando a descobrir que devem aderir a uma abordagem diferente para o negócio, que se baseia na criação de valor em vez da exploração.”