4.14.2014

MELANCIA REDUZ PRESSÃO ARTERIAL E RISCO DE ATAQUE CARDÍACO

Melancia reduz pressão arterial e risco de ataque cardíaco

Veja o resultado de um estudo que comprova os benefícios da melancia para a pressão arterial.

Para os amantes de melancia, uma boa notícia: além de saborosa, o fruta reduz a pressão arterial em pessoas com sobrepeso e também diminui o risco de um ataque cardíaco, de acordo com um estudo publicado no American Journal of Hypertension. As informações são do jornal Daily Mail.
O levantamento mostra que comer melancia faz bem para a saúde e reduz o risco de problemas cardíacos durante o frio, já que a baixa temperatura gera condições de estresse para o corpo e faz com que o coração trabalhe mais.
Por três meses, cientistas analisaram 13 homens e mulheres obesos, de meia-idade, que sofriam de pressão alta. As mãos dos participantes foram mergulhadas em água fria para testar as reações do organismo. Diariamente, metade dos participantes recebeu extratos de melancia - que corresponde a 4 g de citrulina e agina - e a outra metade recebeu um placebo.
Os resultados mostram que a melancia reduz a pressão arterial e o estresse cardíaco, mesmo em condições de baixa temperatura.
“Isso significa menos sobrecarga para o coração, de modo que ele funcione facilmente durante uma situação de tensão, como a exposição ao frio”, detalhou o professor Arturo Figueroa, da Univerdade Estadual da Flórida.
Recentemente, pesquisadores da Universidade de São Paulo, mostraram que fazer hidroginástica em água quente pode reduzir a pressão arterial, mesmo em pessoas para as quais a medicação não funciona.

Genéricos de má fama


A maioria dos insumos da indústria farmacêutica vem da Ásia. Serão eles 100% confiáveis? Por Riad Younes



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 Genérico
Drogas contra a tuberculose estão abaixo do padrão em certos países emergentes

Os medicamentos dividem-se em duas categorias: originais e genéricos. Os primeiros são desenvolvidos e comercializados por um laboratório farmacêutico, público ou privado, enquanto seus genéricos são produzidos por outros laboratórios, geralmente após o fim da patente exclusiva. Do ponto de vista de médicos e pacientes, não importa se os medicamentos são originais ou genéricos, eles devem ser eficientes, conter as doses do princípio químico ativo exatamente como divulgado na caixa, e ser livres de impurezas tóxicas. Para farmácias, hospitais e órgãos governamentais, ambos deveriam ser estáveis e suportar armazenamento em condições normais. Por outro lado, espera-se que os genéricos sejam bem mais baratos.
Os genéricos, que de início aderiam a todos os preceitos citados, adquiriram fama e distribuição ampla em todo o mundo. Milhões de pessoas com baixo poder aquisitivo tiveram acesso a medicamentos pela primeira vez. No entanto, estudos e escândalos revelados nos últimos meses têm alertado a comunidade médica para o risco da disseminação descontrolada de medicamentos de qualidade questionável. Um dos perigos desse comércio ilícito, além de maus-tratos aos doentes, é a difamação dos genéricos. Estudo publicado na revista International Journal of Tuberculosis demonstrou que 9% dos remédios contra a tuberculose distribuídos em países em desenvolvimento não atingiram os mínimos níveis de eficiência. E, dependendo do país, os medicamentos falsificados ou abaixo do padrão atingiram mais de 16% (na África) e 10% (na Índia). No Brasil, os pesquisadores estimaram que 4% dos medicamentos para tuberculose sejam menos eficientes que o recomendado.
Atualmente, a Organização Mundial da Saúde, as Nações Unidas e a FDA estão focando atenção e recursos para combater a epidemia de remédios de qualidade duvidosa. Estima-se hoje que a maioria dos medicamentos comercializados nos Estados Unidos, e no Brasil provavelmente, assim como os insumos básicos para sua produção, é fabricada na Ásia. Uma das maiores indústrias farmacêuticas na Índia, a Ranbaxy, foi condenada a pagar multa de 500 milhões de dólares por falsificar dados e produzir drogas abaixo do padrão recomendado, escândalo que trouxe incerteza e pânico a doentes de todo o mundo. Pior, medicamentos produzidos em alguns países da Ásia foram proibidos, por seus respectivos governos, de ser administrados a pacientes no próprio país, mas sua exportação segue permitida.
A ONU reconhece que não existem órgãos e recursos suficientemente adequados para controlar a cadeia de produção e a qualidade de cada medicamento. A Anvisa, considerada uma das mais rigorosas do mundo, tem problemas semelhantes. Na semana passada, a FDA lançou um programa ambicioso para testar sistematicamente os medicamentos genéricos comercializados nos EUA, garantir sua segurança terapêutica e sua equivalência em relação aos originais.
O doutor Harry Lever, do departamento de cardiologia da Cleveland Clinic, de Ohio, deixa clara sua preocupação: “Perdemos o controle sobre o que as pessoas estão ingerindo medicamentos”. A pressão dos médicos e da indústria farmacêutica (e a insegurança dos pacientes) certamente crescerá nos próximos anos contra as indústrias produtoras de drogas genéricas. Essas, porém, são na sua maioria sérias e fundamentais para o acesso dos pobres a tratamentos adequados. Infelizmente, a má prática de alguns produtores inescrupulosos está difamando os tão importantes genéricos. 

Cirurgia bariátrica: esperar ou não?


Redução de estômago não é só para obesos. Diabéticos e hipertensos podem se beneficiar


Adrian Clark/Flickr

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No Brasil, 15% da população é obesa. A cirurgia bariátrica pode ajudar a controlar casos de hipertensão e diabetes relacionados à obesidade

A cirurgia da obesidade, ou cirurgia bariátrica, tornou-se uma rotina. Quando bem indicada, seus benefícios são claros e seus riscos de complicações graves calculados e minimizados. Desde que sua segurança e seus resultados foram confirmados em vários centros no mundo, bem como no Brasil, as autoridades de saúde se preocuparam com o uso excessivo dessa cirurgia e estabeleceram regras e limites para ela. Em geral, pacientes muito obesos, já com doenças associadas à obesidade com controle ineficaz, e com complicações crônicas como diabetes ou hipertensão, são os candidatos mais óbvios para a cirurgia bariátrica. No entanto, se a cirurgia reverte a obesidade e alivia a hipertensão e o diabetes, por que limitar a recomendação aos pacientes já com estágios mais avançados do problema? Recentemente um editorial da prestigiosa revista britânica de medicina The Lancet perguntou: “A Cirurgia Bariátrica: Por que somente como último recurso?” Conversamos com o doutor Ricardo V. Cohen, cirurgião especialista em obesidade, chefe do centro de cirurgia bariátrica do Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo e autor de um artigo sobre o tema na mesma revista The Lancet.
CartaCapital: A cirurgia de obesidade está em expansão no mundo. Qual o real tamanho do problema no Brasil?
Ricardo  Cohen: A cirurgia para obesidade e suas doenças associadas tem crescido no País. No Brasil, cerca de 15% da população é obesa e 5%, obesa mórbida. Mais de 12 milhões de brasileiros são diabéticos e um bom percentual deles está fora de controle.
CC: A cirurgia é realmente eficaz?
RC: Sem dúvida. Cirurgia bariátrica e metabólica é uma grande ferramenta no tratamento da obesidade e de suas complicações, principalmente o diabetes. Infelizmente, a chance de sucesso em tratar a obesidade isoladamente com mudanças de estilo de vida e remédios em geral é mínima, seja pela pequena aderência dos pacientes, seja pela falta de medicamentos que funcionem a longo prazo. Já a cirurgia tem diversos estudos prospectivos com mais de 20 anos de seguimento e uma manutenção da perda do excesso de peso que varia de 60% a 65%.
CC: E no caso do diabetes?
RC: A cirurgia mostrou-se muito eficiente em reverter a gravidade do diabetes já instalado, assim como em prevenir seu desenvolvimento em pessoas obesas. A incidência de doenças cardiovasculares também é reduzida a longo prazo.
CC: Existe uma limitação recomendada para a indicação de cirurgia bariátrica em pessoas obesas, basicamente baseada no peso ou no IMC – Índice de Massa Corpórea.
O que acha disso?
RC: Em relação ao diabetes, é interessante observar que não existe relação entre o IMC do paciente e a chance de controle da doença, nem previsão de se qualquer tratamento, clínico ou cirúrgico, será eficaz baseado puramente no IMC. Diversas pesquisas mostraram que existe ações antidiabéticas diretas das operações bariátricas e metabólicas, independentes até da perda ponderal. Então, se o universo de diabéticos aumenta a números epidêmicos, a doença está mal controlada e temos ações independentes da perda de peso da cirurgia sobre seu controle, por que não oferecê-la como opção para aqueles que não conseguem controle clínico?
CC: O editorial de The Lancet e o seu artigo abordam esta dúvida.
RC: Exatamente. A questão em nosso editorial: precisamos de outros critérios de indicação cirúrgica, sem ser somente centrada no peso do paciente, mas sim focada na potencial gravidade de suas doenças. Portanto, com equilíbrio, temos de incluir mais precocemente a cirurgia metabólica e bariátrica nas rotinas de tratamento dos obesos e diabéticos. As operações são seguras, com baixos índi­ces de complicações graves e com mortalidade de 0,15%, hoje semelhante a uma simples retirada da vesícula, de acordo com um grande banco de dados internacional com mais de 155 mil pacientes. É óbvio que, se há um tratamento cirúrgico que oferece todas as vantagens com baixo risco, ele não deve ser de forma alguma a última opção, mas sim uma importante opção quando todas as opções clínicas falharam. •

Em protesto, policiais federais prometem parar durante a Copa


Há exatos 60 dias para o início da Copa do Mundo, policiais federais fizeram um protesto na Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, na manhã deste domingo e prometem fazer greve durante o evento esportivo. Cerca de 300 policiais e familiares marcharam pela Avenida Atlântica com cinco elefantes brancos infláveis, para reivindicar melhores condições de trabalho, reajuste salarial e reestruturação da carreira.

O presidente do Sindicato dos Servidores do Departamento de Polícia Federal do Estado do Rio de Janeiro, André Vaz de Mello, explica que a Marcha dos Elefantes, junto com uma paralisação de um dia, é para mostrar para a sociedade as condições precárias de trabalho dos policias e a ineficiência do atual modelo de segurança pública.

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"A gente pede a reestruturação das carreiras, com as atribuições dos cargos de papiloscopista, agente e escrivão definidas por lei, porque não tem isto até agora, e no mínimo uma reposição inflacionária para a gente poder sentar e conversar. O elefante branco é a ineficiência do nosso modelo de segurança pública, no qual 96% dos inquéritos não dão em nada, só 2% apontam realmente e punem os culpados. Em nenhum lugar do mundo isso existe",disse. 

De acordo com ele, a categoria está há sete anos sem aumento. "Toda vez que a gente tem sentado com o governo, por meio da Federação Nacional dos Policiais Federais que está negociando lá (em Brasília), é sempre um passo para trás, o governo vem sempre com um desrespeito total. A gente aguarda até a Copa do Mundo, mas estamos com a mesma proposta de Brasília e dos outros estados: é parar na Copa do Mundo, principalmente os aeroportos".

Mello diz que os serviços essenciais serão mantidos em uma eventual greve, como foi mantido na paralisação de hoje. Mas, segundo ele, uma greve da Polícia Federal representa risco para a segurança do País.

"O governo federal tem dito que consegue nos substituir com outros servidores, como Exército, Força Nacional e outros policiais, só que dentro do aeroporto não tem como, é uma função muito específica, a imigração requer que o cara tenha experiência naquilo ali. Pode substituir, mas o governo vai ter que abrir a porteira e deixar entrar procurados de fora (do País), terroristas, que são um risco para a sociedade e para o Brasil nesse evento grande, que é a Copa do Mundo",observou.

Este foi o sétimo protesto organizado neste ano pela categoria. Os sindicatos denunciam gestão ineficiente, segregação funcional, evasão de servidores qualificados, falta de atribuições por lei, sucateamento funcional e material, congelamento salarial e gestão precária dos recursos humanos dentro do órgão.

Agência Brasil

4.13.2014

O que está por trás da crise financeira da Mundial, uma das mais poderosas igrejas evangélicas do País

Pastor Valdomiro Santiago é capa da revista Isto É!


Chorar durante a pregação é um dos traços mais marcantes da performance de Valdemiro Santiago de Oliveira, o todo-poderoso da Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD), no púlpito. Criticado por abusar dessa prática, o autointitulado apóstolo tem motivos mais terrenos para derramar suas lágrimas atualmente. O império neopentecostal construído por esse mineiro de 49 anos, nascido em Cisneiros, distrito de Palma, a 400 quilômetros de Belo Horizonte, vive a maior crise da sua história. O mais recente indício de que a IMPD está fragilizada foi a decisão do Grupo Bandeirantes de encerrar, na semana passada, a parceria que mantinha com Valdemiro, que alugava quase a totalidade da grade da programação do Canal 21 e ocupava cerca de quatro horas diárias nas madrugadas da Band. Motivo do fim do acordo: atrasos no pagamento.


PASTOR​

Valdemiro até que tentou impedir o fato. De microfone em punho, o comedor de angu que cuidava de marrecos na roça antes de se converter evangélico usou toda a sua empatia com o povão. No início do mês, pôs o rosto no vídeo, caprichou na voz chorosa e iniciou uma campanha conclamando seus fiéis a ajudá-lo a arrecadar R$ 21 milhões para honrar compromissos com o aluguel de horários na mídia. A Mundial já devia R$ 8 milhões ao Grupo Bandeirantes referentes a setembro. No fim deste mês, outro boleto a vencer: R$ 13 milhões. A emissora paulista não confirma oficialmente, mas a Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo, concorrente direta da Mundial, teria entrado na disputa por esses horários e conseguido vencer a briga sobre a maior concorrente na disputa por almas. “Pegaram a gente em um momento de fraqueza”, diz uma liderança da IMPD. “Gastamos R$ 300 milhões com templos ultimamente e vivemos um tempo de estruturação e amadurecimento.”


PODER

Quisera Valdemiro Santiago, porém, que seus problemas fossem revezes restritos apenas ao campo administrativo da sua igreja. Em São Paulo, o líder evangélico é alvo de uma investigação do Ministério Público estadual e da Polícia Civil. Desde janeiro de 2013, diligências feitas pelo Grupo Especial de Delitos Econômicos (Gedec) e pela Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Fazenda, da Polícia Civil, apuram um suposto crime de lavagem de dinheiro e ocultação de bens, direitos ou valores. O dono da Mundial virou alvo das autoridades quando elas descobriram que a Fazenda Santo Antonio do Itiquira, localizada em Santo Antônio do Leverger (MT), um conglomerado de 10.174 hectares de terras ocupado por milhares de cabeças de gado, foi comprado por R$ 29 milhões à vista pela empresa W. S. Music, cujos representantes são o apóstolo e sua mulher, a bispa Franciléia. O caso, que pode configurar uso do dinheiro de fiéis para enriquecimento pessoal, corre em sigilo.

A Mundial, fundada em 1998 – antes dela, Valdemiro fora pastor na Igreja Universal por 18 anos (leia quadro) –, viveu um avanço muito grande em um curto espaço de tempo. De 500 templos em 2009, hoje a denominação computa mais de cinco mil unidades, segundo seus membros. Acontece que a vida de uma igreja não se resume ao púlpito ou aos cultos. Administrativa e financeiramente falando, a IMPD não evoluiu. “Cerca de 30% dos recursos que arrecadamos são desviados. Por mês, R$ 30 milhões saem pelo ralo”, afirma um alto dirigente da denominação, lotado no Rio de Janeiro. De acordo com ele, a devoção em torno dos cultos, espécie de pronto-socorro espiritual, onde fiéis garantem ter alcançado a cura divina para alguma enfermidade graças à intercessão de Valdemiro, trouxe notoriedade à igreja e atraiu quadrilhas de pastores que se infiltraram em seus templos para se apropriar das doações. “Há dois anos e meio, por exemplo, o Valdemiro descobriu uma dessas quadrilhas no ABC paulista liderada pelo bispo e por seus auxiliares e os expulsou.”


PREGAÇÃO

Esse mesmo dirigente lembra do dia em que, ao manobrar seu carro na saída de um culto, uma fiel bateu no vidro para alertar que pessoas traíam a confiança do líder evangélico: “Pastor, está vendo esse carnê da Mundial? A conta corrente aqui escrita não é a da igreja. Estão distribuindo carnês falsos para o povo pagar! Avisa o apóstolo, por favor!” Ou seja, o dinheiro estava sendo desviado num esquema paralelo ao de Valdemiro. Professor da pós-graduação de Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Ricardo Bitun se deparou com essa prática ao ir a campo para a confecção de sua tese de doutorado. Intitulado “Igreja Mundial do Poder de Deus: Continuidades e Descontinuidades no Neopentecostalismo Brasileiro”, o estudo defende que Valdemiro foi o único dissidente da Universal que conseguiu alcançar sucesso. E assim o fez graças, principalmente, à remasterização da cura divina, uma prática bastante difundida no Brasil nos anos 1970. “Um bispo me contou que havia pastores infiltrados em igrejas e até mesmo bispos cobrando propinas de pastores”, diz Bitun.


SUSPEITA

Valdemiro é um líder religioso onipresente no altar e nos programas televisivos e demorou a perceber que estava sendo traído por pessoas muito próximas a ele – e do alto escalão da igreja. Havia um grupo próximo a Josivaldo Batista de Souza, que era considerado o número 2 da Mundial, agindo como lobos em pele de cordeiro. “Ele se deu conta de que o problema advinha da concentração de poder em torno dessa turma”, diz um membro da hierarquia paulista da Mundial. “Era gente pedindo avião para fazer não sei o quê, para ter programa na televisão não sei onde, para abrir igreja em um grotão aí...” Segundo esse integrante da IMPD, Valdemiro cometeu erros próprios de líderes que sobem muito e rapidamente. “Ele se cercou de um estafe pequeno que blindava o acesso a ele. E, assim, passou a ouvir pouco outras opiniões. Precisa amadurecer.”


FLAGRA

Diante das dívidas, dos calotes e das traições, o líder da IMPD está tentando conter a sangria da sua igreja do jeito que pode. Transferiu para Lisboa o pastor Josivaldo, um ex-membro da Universal que o acompanha desde o começo dos trabalhos da denominação em Pernambuco, segundo Estado onde ele fincou sua bandeira. Para substituir Josivaldo, que era responsável pela gestão administrativa e financeira e cuidava do dia a dia da Mundial, além dos bispos e pastores, Valdemiro achou por bem recorrer a um familiar. Empossou o bispo Jorge Pinheiro, marido da irmã da sua esposa Franciléia. Para tentar se reequilibrar financeiramente, conta um bispo paulista, ele decidiu se desfazer de duas Cidades Mundiais, como são chamados os megatemplos da IMPD, em São Paulo e no Paraná. Elas se encontram fechadas pelos órgãos públicos locais, após pouco tempo de funcionamento, por não preencherem requisitos para receber o público. Um claro erro de avaliação que onerou a igreja. “A Cidade Mundial paulista está fechada desde fevereiro de 2012. Mas Valdemiro, todo mês, tem de pagar R$ 5 milhões das parcelas da compra dela”, diz o bispo. Missionário da IMPD, o deputado estadual Rodrigo Moraes (PSC-SP), que foi designado pela igreja para fazer “a coisa caminhar” junto aos órgãos públicos, segue na sua empreitada. “Não recebi o comando de parar o trabalho ainda. Mas a vontade do apóstolo é que fala mais alto”, afirma. Templos pequenos e mal localizados, que não condiziam com a orientação de Valdemiro, também deixaram de ser usados. “Cerca de 15% deles tiveram de ser fechados ou reestruturados”, diz uma liderança da igreja. Pode ser uma saída para que a fama de caloteiro não suplante a de apóstolo milagreiro.


NA JUSTIÇA

Não são poucos os templos ocupados pela IMPD que têm problemas com aluguel atrasado ou ações de despejo em curso na Justiça. Em Pirituba, por exemplo, bairro da capital paulista, o proprietário impetrou na justiça uma ação de despejo contra a igreja por não receber o aluguel de seu imóvel desde julho. E cobra, ainda, o pagamento de R$ 34.538,64. De acordo com um de seus representantes legais, essa é terceira vez que a justiça é acionada desde 2010, quando o local passou a ser ocupado pela Mundial. “Não entendo a falta de organização da igreja. Não acredito que ela não tenha caixa para pagar o aluguel”, diz ele, que prefere não se identificar. “Esses problemas diminuíram 70% nos últimos tempos”, garante Dênis Munhoz, advogado da Mundial. À frente também do cargo de vice-presidente da Mundial, Munhoz refuta a ideia de a denominação viver uma crise, argumentando que a IMPD é a evangélica que mais cresce no Brasil. Sobre as quadrilhas de pastores, afirma: “Se existe esse problema, a igreja sempre tomou as providências rapidamente.” Prefere, no entanto, não comentar a perda dos espaços no Canal 21 e na Band. Quem falou sobre o assunto foi o presidente da IMPD, o deputado federal José Olímpio (PP-SP). “Estamos pagando muitas prestações, os valores de aluguéis aumentaram, temos muitas obras em andamento e acabou atrasando alguma coisa. Aí, deixa de pagar um mês e vira um problema para a mensalidade seguinte”, diz.

Para se ver livre de mais problemas, Valdemiro, que, procurado por ISTOÉ, não se manifestou, entregou os horários que possuía na Rede TV! e na CNT. Deixou também de alugar espaço em dezenas de retransmissoras de diferentes estados e recuou no projeto de ocupar a programação de tevês da Argentina, Colômbia e do México. “Muitas vezes, é melhor dar um passo atrás para, depois, dar um maior à frente”, diz o alto dirigente da Mundial do Rio. “Valdemiro me disse que estava, inclusive, vendendo a sua fazenda no Mato Grosso.” Essa informação não foi confirmada pelo presidente nem pelo vice-presidente da IMPD. Mas, na atual situação, receber R$ 33 milhões, valor estimado da Fazenda Santo Antonio do Itiquira, seria como um milagre para o líder evangélico.
Foto: Pedro Dias/Ag. Isto é Fonte: Isto É Postador: Edson Gilmar