1.24.2016

Em meio a temor internacional, Rio anuncia novas medidas contra zika para Olimpíada


Vistorias de instalações olímpicas serão intensificadas em abril.
Alertas internacionais aumentaram atenção para a epidemia no Brasil.

Jefferson PuffDa BBC no Rio de Janeiro
Brasil enfrenta tríplice epidemia do zika vírus, dengue e febre chikungunya. Em comum entre as doenças, o vetor de transmissão, o mosquito Aedes aegypti. (Foto: James Gathany/CDC)Mosquito Aedes aegypti é o transmissor de
vírus como o zika (Foto: James Gathany/CDC)
Em meio ao crescente temor internacional sobre os riscos da epidemia de zika vírus durante os Jogos Olímpicos em agosto – incluindo os alertas recentes dos governos dos Estados Unidos, Canadá e União Europeia, que pediram que mulheres grávidas evitem viagens ao Brasil neste momento – a Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou novas medidas de controle para o período em que milhares de turistas estrangeiros são esperados na cidade.
As vistorias de obras de instalações olímpicas já ocorrem de forma constante e, segundo a Prefeitura, integram as ações contínuas, sendo o objetivo principal eliminar possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor dos vírus da dengue e chikunguya e do zika vírus.
Mas após a crescente preocupação da imprensa internacional e de outros governos sobre a possibilidade de os turistas espalharem o vírus e os riscos para mulheres grávidas ou que estejam tentando engravidar, devido às suspeitas de que o zika esteja relacionado à microcefalia, a BBC Brasil questionou a Prefeitura do Rio sobre os planos para o período dos Jogos.
De acordo com as informações adiantadas à BBC, o Rio deve intensificar o trabalho de vistoria das instalações olímpicas a partir de abril, quatro meses antes da cerimônia de abertura da Olimpíada, marcada para o dia 5 de agosto. O objetivo do trabalho é identificar focos do Aedes aegypti e garantir que as obras, em fase final, não contribuam para a proliferação do mosquito.
Não foi informado se o efetivo atual de 3 mil agentes que trabalham no controle ao mosquito será aumentado para o período.
Já a 30 dias das competições, haverá uma vistoria em todas as instalações olímpicas, desta vez com outro intuito: determinar a necessidade de borrifar inseticida com máquinas instaladas em caminhonetes, procedimento conhecido como fumacê.
"No mês que antecede os Jogos, todos os locais de competição e de grande aglomeração de público e seus arredores serão vistoriados, quando será eliminado qualquer possível reservatório remanescente das obras e tratados os não passíveis de eliminação, para evitar o surgimento de focos do mosquito. Se houver indicação técnica de aspersão de inseticida (fumacê), isso será feito", acrescenta a nota enviada à reportagem.
Após o início da Olimpíada, outra estratégia será distribuir agentes fixos em cada instalação olímpica, mantendo um combate e vigilância diretos.
"Equipamentos de dimensões maiores e com cronograma de atividades mais extenso podem ter até três agentes fixos. Eles atuarão diariamente na busca, eliminação ou tratamento de depósitos que possam se tornar potenciais focos do mosquito", acrescenta a nota.
Borrifar inseticida no entorno ou interior dos locais de competição após o início dos Jogos, no entanto, está descartado.
"Durante a Olimpíada, o trabalho dos agentes será constante nessas áreas, não haverá, porém, aspersão de inseticida nas regiões dos equipamentos esportivos, visto que se trata de um produto químico, com uso contraindicado em áreas onde haja grande concentração de pessoas", explica.
Questionada especificamente sobre áreas turísticas além dos locais de competição, a Prefeitura disse que o trabalho cotidiano dos agentes já inclui estas regiões, como aeroportos, rodoviárias, praias, parques, e que até o momento não estão previstas ações específicas por conta dos Jogos.
Alertas para grávidas e imprensa internacional
A atenção em torno da epidemia de zika no Brasil e a proximidade com os Jogos Olímpicos aumentou nos últimos dias, com os alertas do Centro de Controle de Prevenção de Doenças americano (CDC) e da Agência de Saúde Pública do Canadá, ambos no dia 15, e do Centro de Controle de Prevenção de Doenças da União Europeia (ECDC), na última quinta-feira.
Os três comunicados pedem que neste momento mulheres grávidas evitem viajar ao Brasil e demais países da América Latina que atualmente enfrentam uma epidemia do zika vírus devido às suspeitas de que o vírus cause a microcefalia. O país já contabiliza, até o dia 20 de janeiro, 3.893 casos suspeitos de bebês nascidos com microcefalia em 21 Estados, sendo a maioria em Pernambuco (1.306), Paraíba (665) e Bahia (496).
De acordo com números atualizados pela Secretaria Municipal de Saúde, o Estado do Rio de Janeiro tem 166 casos suspeitos, sendo 92 na capital.
Questionada sobre o alerta internacional, a Prefeitura do Rio não mencionou nada sobre as mulheres grávidas, mas disse à BBC Brasil que "está tomando todas as medidas no combate ao mosquito transmissor do zika vírus. O trabalho vem sendo feito não apenas visando os Jogos Olímpicos e os visitantes que estarão na cidade, mas principalmente para a população do Rio".
O infectologista Jessé Reis Alves, coordenador do Ambulatório de Medicina do Viajante do Hospital Emílio Ribas, de São Paulo, concorda com os alertas das agências internacionais.
"Às mulheres que estiverem grávidas e que vivem em locais onde não existe o risco, caso o zika vírus ainda estiver em grande circulação na época dos Jogos, eu diria que elas têm que considerar a possibilidade de não fazer essa viagem", diz.
Ligado ao hospital que é referência nacional em infectologia e doenças tropicais, ele deixa claro que seu posicionamento não é uma recomendação geral, mas sim de um alerta específico para quem, na sua opinião, integra a população mais vulnerável diante da epidemia, devido às suspeitas de ligação com a microcefalia.
"Não é uma recomendação governamental, não posso fazer isso. É uma opinião pessoal minha. Até porque trata-se de algo muito delicado. E as mulheres grávidas que estarão no Rio de Janeiro? Como vão se sentir, diante dos crescentes alertas de que gestantes deveriam evitar vir para o Brasil?", pondera o infectologista.
O assunto tem ganhado as páginas dos jornais ao redor do mundo. Na terça-feira, o britânico The Guardian disse que o "Brasil minimiza ameaça do zika vírus na corrida para o Carnaval e a Olimpíada do Rio". Dois dias antes, o americano The New York Times afirmou que "O alerta sobre o zika ressalta a luta da América Latina contra as doenças causadas por mosquitos".
Para o Sydney Morning Herald, da Austrália, as "Mulheres grávidas enfrentam a ameaça do vírus diante dos Jogos Olímpicos do Brasil". Já o tablóide britânico Daily Mail foi mais incisivo "Não vá para a Olimpíada do Rio se você estiver grávida: Gestantes são alertadas para não viajar ao Brasil enquanto zika vírus, causado por mosquito, atravessa o país ‘gerando o nascimento de bebês com cabeças pequenas fora do comum’".
Medidas
Para o infectologista Jessé Reis Alves, do Emílio Ribas, todo evento de massa como uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada gera riscos de transmissão de doenças.
"Quando estamos falando de um evento tão grande como a Olimpíada, e concentrado numa cidade, o combate ao vetor realmente tem que ser a grande estratégia, e é crucial que todas as medidas adequadas sejam desencadeadas", diz, relembrando que o combate a criadouros, orientação informativa aos turistas e reforço nas ações de saúde pública serão importantes.
Sobre medidas específicas para o período da Olimpíada, o Ministério da Saúde disse que "está reforçando o pessoal para as visitas a residências que visam a eliminação e controle do mosquito em todo o país".

A pasta informou ainda que no Rio de Janeiro "já atuam 14,6 mil agentes comunitários de saúde e 2.267 agentes de combate a endemias. A orientação é para que esse grupo atue, inclusive, na organização de mutirões de combate ao mosquito em suas regiões".
E ao comentar sobre o período olímpico, o ministério citou o frio como um dos fatores de redução dos riscos.
"O período em que serão realizadas a Olimpíada é considerado não endêmico para transmissão de doenças causadas pelo Aedes aegypti, como zika vírus, dengue e chikungunya. Em 2015, agosto foi o mês com menor incidência de casos de dengue no país", diz a nota.
Para a infectologista Sylvia Maria Lemos Hinrichsen, coordenadora do Comitê de Medicina de Viagem da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), é importante que o governo federal se atente à dimensão dos Jogos Olímpicos.
"A Olimpíada pode ser no Rio, onde os casos suspeitos de microcefalia estão em número inferior ao de outros Estados, e os Jogos ocorrem durante o inverno. Mas esses atletas, comissões técnicas e sobretudo os milhares de turistas vão viajar por todo o Brasil. Fora os brasileiros que também viajarão. É um evento nacional, e é deste ponto de vista que temos que pensar as políticas públicas", diz.
Para a especialista, ainda há muitas questões importantes que seguem desconhecidas.
"Ainda não temos o exame sorológico rápido, não sabemos a viremia (tempo em que o vírus permanece de forma infectante na corrente sanguínea), precisamos conhecer melhor as formas de transmissão. É algo que traz muitos riscos, e estamos focando muito na microcefalia, mas ainda há muito a descobrir sobre esta doença", diz.
Quanto às orientações para turistas estrangeiros, o Ministério da Saúde ressaltou que mantém um portal com informações em português, inglês, espanhol e francês e relembrou medidas do Ministério do Turismo, que no início do ano enviou orientações e alertas a 56 mil mil hotéis, bares e restaurantes, agências de viagens e transportadores turísticos em todo o país acerca dos cuidados com a proliferação do Aedes aegypti e os riscos da dengue, chikungunya e do zika vírus.

"No material estão listadas as medidas que devem ser tomadas nos locais com potencial para proliferação do mosquito como jardins, quintais, cozinhas, depósitos, animais de estimação e banheiros. Como os meses de janeiro e fevereiro são de alta temporada no Brasil, o Ministério do Turismo também tem orientado o turista, antes de viajar, a ficar atento para evitar que a própria casa transforme-se em um criadouro para o mosquito. São informações como cuidados com piscina, geladeira e caixa d'água", acrescenta a nota.

Existência após o amor

Não me ama

 Internauta que diz ter agido de maneira egoísta com sua parceira ao terminar a relação com ela. Mas se arrependeu, e voltaram. De uns tempos para cá, sente que deixou de ser prioridade na vida dela, não se sente mais amado, e sofre bastante.

A ideia de deixar de ser amado é apavorante. Ela conduz a duas outras possibilidades nefastas: viver mal com a pessoa que imaginamos nos completar ou encarar a separação. E é grande o medo de se separar.
Medo de ficar só, de sentir a falta do outro, de não encontrar um novo amor, do desamparo, de não conseguir se sustentar, de se sentir jogado fora. Então, para evitar essa hipótese paga-se qualquer preço.
Em tais momentos o anseio amoroso de todo ser humano parece ser o de recuperar a sensação de harmonia vivida durante a fusão no útero e perdida no nascimento. A criança dirige intensamente para a mãe sua busca de aconchego.
As relações amorosas do adulto funcionam mal porque a maioria tende a reeditar inconscientemente com o parceiro a relação típica da infância. E isso fica claro na forma como se vive o amor, só se aceitando como natural se for um convívio possessivo e exclusivo com uma única pessoa.
Existe uma resistência geral em admitir que o amor pode ser vivido de forma intensa e profunda fora de uma relação entre duas pessoas. O amor romântico alimenta a idéia de que é possível a fusão entre duas pessoas, ou seja, de que elas podem se transformar numa só — da mesma forma que vivemos com a mãe antes de nascer.
Desde muito cedo somos levados a acreditar no casamento, como única forma de realização afetiva. Passamos a vida esperando o momento de encontrar a pessoa certa, para, a partir daí, vivermos felizes para sempre.
Em muitos casos, sonhos e esperanças, por tanto tempo alimentados, desaparecem, dando lugar à desilusão, praticamente inevitável, depois de certo tempo. Por que a vida a dois não corresponde às expectativas nela depositadas?
A resposta mais provável reside no enorme descompasso entre a expectativa que se tem do casamento e a real possibilidade de satisfazê-la. Alimentados pelo mito do amor romântico, homens e mulheres esperam que através do casamento as pessoas que se amam se tornem uma só.
Desistem de seus prazeres e projetos pessoais, se afastam dos amigos, sempre apostando na satisfação mágica de todas as necessidades. Participam sem cerimônia da vida do outro, mas o controle sufocante que daí decorre não é evitado. É aceito como necessário para garantir a complementação total.
As pessoas que já conseguiram se livrar da ilusão do amor romântico não têm medo de se perceberem sozinhas. Sabem que não podem resolver suas necessidades através do outro nem precisam dele para se sentir completas

Regina Navarro Lins

Temperatura amena no verão não é sinal de mudanças climáticas


Tempo chuvoso em janeiro virou tema preferido de comentários e conversas nas ruas e pelas redes sociais

O DIA
Rio - O verão carioca mais fresquinho dos últimos tempos. As baixas temperaturas que dominaram o Rio nesses dias viraram tema preferido de comentários e conversas nas ruas e pelas redes sociais. Afinal, desde 12 de janeiro o sol não dava suas caras na estação mais quente do ano, esvaziando praias, bares e áreas de lazer a céu aberto. Mas meteorologistas e ambientalistas ouvidos pelo DIA garantem: não tem nada de anormal nesse fenômeno e as baixas temperaturas não podem ser confundidas com as temidas mudanças climáticas no planeta.
Positiva para alguns, negativa para outros, a chuva frequente, típica do mês de janeiro, trouxe desta vez o frio, a novidade do verão. A mínima registrada foi de 18 graus e a média ficou na casa dos 25. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as temperaturas médias registradas neste período no Rio, consideradas normais, variam de 28 a 32 graus.
Lapa, terça-feira (19), às 14h: a chuva insistente fez despencar os termômetros. E teve carioca que tirou agasalhos do armário em pleno verão
Foto: André Mourão / Agência O Dia
“É muito difícil atribuir um fenômeno tão imediato às mudanças climáticas. Caso tivéssemos no Cantareira, por exemplo, uma seca que durasse 10 anos, poderíamos atribuir sim à degradação pelo homem”, disse José Marengo, chefe da Divisão de Pesquisas e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Morador de Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste, uma das regiões que costumam registrar as temperaturas mais elevadas na cidade, Osvaldo Rodrigues diz não lembrar de outro verão como esse. “É a primeira vez desde criança que eu lembro de chover e ficar tão fresquinho por um período tão longo. Eu lembro de quando eu morava na roça que podia chover três, quatro dias e o clima continuava abafado”, diz o aposentado de 68 anos que nasceu em Itaboraí e veio para a cidade aos 17.
Para André Nahur, coordenador do Programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, o comportamento de hoje pode afetar as temperaturas no futuro. “Todas as nossas decisões cotidianas vão afetar, em longo prazo, a temperatura dos anos futuros. Essas temperaturas amenas podem acontecer, mas é importante ressaltar que as mudanças climáticas, o desmatamento, as ilhas de calor, são responsáveis por potencializar os efeitos do El Niño que ainda pode chegar com força total ao território brasileiro”, explica.

Massa de ar e nuvens trazem o ‘friozinho’
Para meteorologistas, a queda na temperatura pode ser vinculada a longos períodos nublados que evitam que os raios solares atinjam a cidade. “Essa chuva fininha, típica do verão, e o céu completamente cinza, com muitas nuvens, determinam a diminuição das temperaturas”, explica o pesquisador José Marengo, acrescentando que esse ano o Rio recebeu uma massa de ar mais fria, que não chega a ser polar, mas que diminuiu a temperatura.
Osvaldo, de 68 anos, não se lembra de chover e ficar tão fresco por um período tão longo nessa época do ano
Foto: Divulgação
Em nota, o Alerta Rio explicou que as temperaturas tendem a ficar mais amenas quando há muitas nuvens durante o dia. “Essas nuvens acabam bloqueando os raios solares e isso faz com que a temperatura não aumentem tanto. Além disso, em alguns dias tivemos ventos que vinham de quadrante sul, o que ajudou a trazer um ar um pouco mais frio”.

"As pessoas devem saber que o que escrevem têm consequência"


    lula el pais 2Lula: "Eu gosto de uma briga""Comecei a processar porque as pessoas precisam perceber que o que elas escrevem tem consequências na vida das pessoas".  A frase define a nova postura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com relação aos ataques desferidos pela grande imprensa. Em conversa com blogueiros no Instituto Lula na manhã desta quarta-feira (20), o ex-presidente explicou que, daqui para frente, vai processar jornalistas que o caluniam "para ver se colocamos ordem na casa".
     
    Lula reclamou do tratamento que recebe dos "jornalões" e disse que essa indisposição contra ele começou desde os tempos em que era do movimento sindical. Depois de inúmeros ataques tanto a ele mesmo quanto à sua família,  o contra-ataque começou.

    “Eu comecei a processar. Diferentemente do que eu pensava há algum tempo. O pessoal dizia: processar não adianta", relatou. Agora, em vez de abrir ações judiciais contra os jornais, Lula decidiu processar diretamente os jornalistas que o atacam."Comecei a processar jornalistas. Quando processo jornal, o dono do jornal se livra do processo jogando a culpa no jornalista. Então, eu falei: vou começar a processar jornalista para ver se a gente recupera a dignidade da  categoria. Daqui prá frente vou processar todo mundo, criminalmente, civil, sei lá", disse.

    Ele  falou sobre os ataques midiáticos a um de seus filhos, Fábio. " O que fazem com ele é uma violência. Quando eu vejo, meu filho é dono da Friboi, dono de todas as cabeças de gado, é dono da Casa Branca, do Kremlin...". E lembrou que não tem nada contra o fato de a imprensa ter um lado.  "O que não admito é mentira na informação", ressalvou, garantindo que vai se defender.

    Os instrumentos de defesa, lembrou Lula, além da Justiça, são a voz e a língua. "Se está erindo a minha honra, o meu caráter ou o legado do meu governo, vou reagir", garantiu, lembrando que gosta de briga.
     
    Giselle Chassot

    Não gostar de "BBB" não torna você mais inteligente do que ninguem



    Thais Carvalho Diniz
    Do UOL, em São Paulo

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    Veja imagens da primeira semana no "BBB16"289 fotos

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    24.jan.2016 - Matheus tenta beijar Maria Claudia Reprodução/ TV Globo
    A 16ª edição do "Big Brother Brasil" (Globo) começou na terça-feira (19) e o público já está preparado para os apelidos criativos dos casais, a alternância de amor e ódio por determinados participantes e, claro, ouvir sobre o reality no trabalho, em casa e na rua. Entretanto, se você faz parte do grupo dos que odeiam o programa --e não se cansam de exaltar sua opinião contrária--, entenda que tal atitude não lhe torna uma pessoa melhor. Pelo contrário. De acordo com os especialistas entrevistados pelo UOL, alardear todo ano a sua indignação com a atração só mostra uma coisa: você se identifica com ela de alguma forma.
    "Quem se importa em denegrir os assuntos relacionados ao 'BBB', certamente, vê em algum dos personagens da edição algo que reconhece em si mesmo e não suporta ver exposto. Traições entre amigos e casais, inveja, tudo isso provoca autoconhecimento e é o que as pessoas não querem", afirma Mara Lúcia Madureira, psicóloga cognitivo-comportamental. 

    Você acha que ser fã de "BBB" emburrece?

    Resultado parcial
    Mara afirma que alguns indivíduos têm a sensação de que, ao emitir um parecer ofensivo sobre algo, são superiores. "É como se ao falar mal eu negasse pertencer àquilo. Afinal, se não diz nada para você, não deve perturbar e, portanto, é só mudar de canal e seguir a vida. Em vez de tentar convencer o outro de que o programa é ruim, questione o motivo de se sentir tão incomodado com o que acontece lá."
    Para a psicoterapeuta Miriam Barros, a internet e as redes sociais dão mais espaço para o depósito de "lixos" pessoais e a manifestação do lado narcisista. "As pessoas gostam de mostrar que são intelectuais e, por isso, precisam opinar e deixar claro que não se deixam influenciar pela massa, já que o 'BBB' é popular. Esses indivíduos não pensam no outro ao ofender, apenas em si mesmos."
    O professor Tuca Américo, da pós-graduação em mídia e tecnologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista), diz que o grupo dos que odeiam o "BBB" se divide em dois: os que assistem ao programa para falar mal e aqueles que não acompanham, mas são bombardeados com as notícias a respeito da atração. "A questão envolve a polarização que está presente na sociedade maniqueísta: ou se é a favor ou contra. Existe um pensamento de que somos obrigados a ter uma opinião sobre tudo. É quase como um prazer mórbido assistir só para cutucar quem gosta do reality."
    Para os que argumentam que o programa emburrece, Tuca esclarece que o papel da televisão é entreter e não educar. "A questão editorial de um telejornal, por exemplo, é pouco discutida pela massa. Mas se o programa é o 'BBB', as pessoas cobram uma obrigação que não é dele, de educar e passar valores, por exemplo."
    Segundo Mara Lúcia, apesar de não provocar questionamentos intelectuais, a atração trata de aspectos afetivos, dramas pelos quais todos passam em algum momento e, por isso, faz tanto sucesso. "Nenhum programa emburrece. Não é porque escutamos uma estupidez na rua que nossa inteligência vai diminuir. Se determinada atração te satisfaz, tudo bem, se não, procure outra."

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