6.27.2016

Trabalhador pagando o pato

REFORMA DE TEMER PREVÊ APOSENTADORIA AOS 70


De acordo com a proposta de reforma da Previdência a ser enviada ao Congresso pelo governo interino de Michel Temer, a partir da aprovação do texto, a idade mínima para aposentadoria passaria a 65 anos, e uma segunda faixa, de 70 anos, seria aplicada daqui a 20 anos para uma futura geração; hoje, a idade média das pessoas se aposentarem é de 54 anos; centrais sindicais resistem à mudança; querem a manutenção da regra 85/95 (soma entre idade e tempo de contribuição para mulheres e homens, respectivamente) e pedem, em vez de mudanças estruturais no sistema, que o governo faça uma fiscalização rigorosa nos gastos com os recursos previdenciários; “Queremos que o governo abra a caixa-preta da Previdência. O trabalhador não é o responsável pelo déficit que existe no sistema”, disse ontem o vice-presidente da Força Sindical, Miguel Torres

O Espiritualismo Ocidental: Alex Solnik sobre o retorno espetaculoso de Sérgio...

 O retorno espetaculoso de Sérgio Moro: Operação Custo Brasil? Nada disso, Operação Impeachment

   "Eu já desconfiava que as ações espetaculosas de hoje dentro de uma operação chamada Custo Brasil tinham alguma coisa a ver com o processo de impeachment, mas, quando soube que na terça-feira o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, visitou o juiz Sergio Moro, em Curitiba a minha desconfiança se transformou em certeza. A prisão de Paulo Bernardo foi decidida para atingir sua mulher, a senadora Gleisi Hoffmann, que tem se destacado na comissão do impeachment como a mais aguerrida defensora da presidente Dilma."
Provas deverão ser anuladas, mas o estrago já foi feito
Gleisi Hoffmann é o alvo? - Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Gleisi Hoffmann é o alvo? – Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Eu já desconfiava que as ações espetaculosas de hoje dentro de uma operação chamada Custo Brasil tinham alguma coisa a ver com o processo de impeachment, mas, quando soube que na terça-feira o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, visitou o juiz Sergio Moro, em Curitiba a minha desconfiança se transformou em certeza.
A prisão de Paulo Bernardo foi decidida para atingir sua mulher, a senadora Gleisi Hoffmann, que tem se destacado na comissão do impeachment como a mais aguerrida defensora da presidente Dilma.
O fato de a operação ter sido deflagrada por São Paulo aumenta ainda mais a suspeição, pois Paulo Bernardo não tem nada a ver com São Paulo e sim com Curitiba, e Alexandre de Moraes tem tudo a ver com São Paulo.
Flagrado por jornalistas, Moraes explicou que foi visitar Moro para oferecer infraestrutura e apoio.
A explicação não passa num detector de mentiras. Se o motivo fosse esse ele não precisaria ir até lá, bastaria enviar um ofício de seu gabinete. Para que perder um dia de trabalho que ele parece prezar tanto para fazer uma coisa que podia fazer por internet?
O encontro pessoal só se justifica para tratar de um assunto à prova de telefone ou internet, ou seja, um assunto altamente sigiloso. E um assunto altamente sigiloso só poderia dizer respeito à Lava Jato que é o púnico de que Moro cuida há dois anos.
Ou Moraes foi sugerir a operação ou receber informações de que a operação seria feita. Qualquer que seja a hipótese foi uma interferência direta do ministro da Justiça na Operação Lava Jato.   
A conclusão possível é que Temer está preocupadíssimo com a votação do impeachment e resolveu lançar mão de meios mais truculentos do que o simples oferecimento de cargos em troca de votos, como foi feito na fase 1.
A operação, no entanto, foi desastrada porque foi flagrada e o juiz paulista autorizou busca e apreensão na residência oficial de uma senadora da República, o que só poderia ter feito com permissão do STF.
O fato de não ter solicitado a permissão, que sabia que deveria fazer, revela que ela foi organizada às pressas e precisava ser rápida.
É praticamente certo que as provas colhidas serão anuladas, mas o que importava era desestabilizar a senadora e dar um aviso aos demais opositores de Temer de que o jogo, de agora em diante, será bruto.
O verdadeiro nome da Operação Custo Brasil é Operação Impeachment.
Alex Solnik

Vídeo: Bolsonaro confessa. O alvo é o Lula!


"Para ferrar o PT eu me alio ao Eduardo Cunha!"

Cai a farsa do impeachment                                           Aos poucos, vai caindo a farsa do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Com a palavra o supersincero deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que entrega o objetivo do jogo (golpe):

“Sem o Cunha nós não teríamos tirado a Dilma…guerra a gente não escolhe parceiro. Cunha foi o parceiro dessa guerra. Sem o Cunha, Dilma faria o sucessor do PT em 2018. Aqui o jogo é bruto, pra não falar outra coisa… Você será respeitado por mim quando entender o que é esse jogo do poder”.
Ontem, menos de 24 horas depois da votação da farsa, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) também se pronunciou nesse sentido:
“Eduardo Cunha exerceu um papel fundamental para aprovarmos o impeachment da presidente. Merece ser anistiado”, disse o parlamentar paranaense.
Ou seja, o objetivo era impedir Dilma de fazer o sucessor em 2018. Portanto, jamais se votou na Câmara o combate à “corrupção” ou “crime de responsabilidade” como divulgou a velha mídia golpista.
Para fechar com chave de ouro, não é demais lembrar da prisão do prefeito de Montes Claros, Ruy Adriano Borges Muniz, horas depois de ser elogiado pela mulher, deputada Raquel Muniz (PSB-MG), na votação do golpe.
“O meu voto é para dizer que o Brasil tem jeito e o prefeito de Montes Claros mostra isso a todos nós com sua gestão”, discursou a parlamentar.

6.26.2016

O Brasil está doente e não fazemos nada

26/06/2016 16h26

Sidney Rezende

Neste mês, estive em Natal, São Paulo, Uberlândia (MG), Catalão (GO) e Teresópolis (RJ). Estarei esta semana em Boa Vista, capital de Roraima, Itaperuna, interior do Rio, e Recife, em Pernambuco. Por onde passo, digo o que penso e tenho consciência que gero, em alguns, desconforto. Mas também percebo o desejo de mudança de rumo por parte da maioria.
No Tribunal de Justiça do Rio, me detive na crítica à burocracia jurídica e comentei que não me parecia ponderado encontrarmos nas instalações do evento para qual fui convidado para palestrar elevadores privativos para juízes, onde um ascensorista ali permanecia em horário integral para fazer apenas três ou quatro viagens. Enquanto a fila para os demais mortais se esparramava além do saguão. E pedi justificativa para a existência de bar e restaurante exclusivos para desembargadores. Eles não gostaram.
Na ABI, Associação Brasileira de Imprensa, falei de empreendedorismo, da perseguição do Império ao Barão de Mauá, genial empresário brasileiro. Frisei a farsa de pensar que ser empreendedor é fácil num país oligárquico como o nosso. E comentei o quanto era importante o desenvolvimento não dependente do Estado. Os meus colegas jornalistas torceram os seus narizes. 
Numa gigante empresa pública, eu me opus ao modelo de concursados que podem mais que a própria direção. Era notório a existência de quebra de autoridade. Fui hostilizado. Uma moça escreveu para mim: "seja homem e seja concursado"(?!). A direção, dócil, aceita esta anomalia que confunde com direito adquirido, e, simplesmente, nada administra, e cada centavo do contribuinte vai, bovinamente, para o ralo.
Fui dizer que a mídia não pode disseminar a manipulação como prática natural e fui defenestrado. Para mim, informações "boas" ou "ruins" devem ser dadas, desde que... sejam notícia.
Poderia cansar o leitor com uma lista de outras verdades inconvenientes. Estamos anestesiados, simples assim. Dizemos uns aos outros que não suportamos ver os desmandos, roubos, monopólio, violência, o poder centralizador de poucos sobre muitos. Mas o que temos feito concretamente para mudar esta realidade? Pouco. Muito pouco. Aparentemente, a maioria está contente com o subdesenvolvimento, embora, em palavras, o repudiem.
O ácido escritor, ensaísta, deísta e filósofo iluminista francês François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire, estava amargando seus últimos dias e o seu confessor tentou "salvá-lo" do que imaginava ser "calvário do porvir":
- Por que o senhor não abandona os seus demônios e o diabo?
Voltaire respondeu com humor e pragmatismo:
- Estou prestes a morrer e não é hora de arrumar mais inimigos.
Não pretendo arrumar mais inimigos dos que eu já tenho. Mas nossa letargia está levando o país ao abismo definitivo, pelo menos enquanto nossa geração existir.
Pelos puros e anjos que não nasceram, pensem comigo:
"No Brasil, há aproximadamente 14 milhões de analfabetos absolutos e um pouco mais de 35 milhões de analfabetos funcionais, conforme as estatísticas oficiais". A afirmação do economista da UnB Vicente Vuolo é cruel.
A enciclopédia conta que "analfabetismo funcional é a incapacidade que uma pessoa demonstra ao não compreender texto simples. Tais pessoas, mesmo capacitadas a decodificar minimamente as letras, geralmente frases, sentenças, textos curtos e os números, não desenvolvem habilidade de interpretação de textos e de fazer operações matemáticas. Também é definido como analfabeto funcional o indivíduo maior de quinze anos possuidor de escolaridade inferior a quatro anos letivos".
Um professor de uma turma de meninos e meninas entre 10 e 12 anos de uma escola da Baixada Fluminense me disse que a maioria não sabe ler e muito menos escrever. Uma outra também me contou que, na periferia de São Paulo, onde dirige uma escola, 35% dos alunos são criados pela avó, porque pais e mães seguiram seus caminhos pessoais. E os filhos que geraram não estavam nos seus planos.
É comum crianças apreendidas, confinadas em abrigos - e lá permanecem por um bom tempo - não receberem uma visita sequer. Nem dos jornalistas que vivem exigindo a redução da maioridade penal, mas não frequentam os infernos concernentes aos pobres. Onde está a responsabilidade dos "responsáveis"?
O Brasil perde R$ 197 bilhões por ano com violência no trânsito. Esse é o impacto econômico provocado pela morte de 43 mil pessoas e dos 525 mil casos de invalidez permanente resultantes de colisões e atropelamentos. O cálculo refere-se à interrupção da atividade produtiva como resultado da incapacidade de trabalho. Esses dados fazem parte do estudo Estatísticas da Dor e da Perda do Futuro: novas estimativas, do economista Claudio Contador, diretor do Centro de Pesquisa e Economia do Seguro (CPES), da Escola Nacional de Seguros. E por que dirigimos como ogros?
Os jornalistas Victor Martins, Diego Amorim e Carolina Mansur fizeram uma reportagem que é para sentar na calçada e chorar. "Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento".
Em quatro anos, o número de processos movidos por erro médico que chegaram ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) cresceu 140%. Em 2014, 626 ações foram encaminhadas à corte sobre o tema. Em primeira instância, o número é muito maior.
No Brasil, quarto maior produtor mundial de alimentos, 50% do estoque se perde na cadeia de distribuição.
Levantamento feito pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) diz que a automedicação é praticada por 76,4% dos brasileiros. Entre os que adotam essa prática, 32% têm o hábito de aumentar as doses de medicamentos prescritos por médicos com o objetivo de potencializar os efeitos terapêuticos.
Como posso, diante de tudo isso, ficar aqui no meu lugar de braços cruzados? Os caras lá em cima, em Brasília, não estão nem aí para o Brasil real. Eles sequer sabem a realidade do povo brasileiro.
E, você, o que está fazendo concretamente para melhorar o nosso país?

Defesa de Dilma usará confissão da líder do governo interino de Temer


Advogado da presidente afastada, José Eduardo Cardozo diz que declaração da senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) é importante prova de defesa e evidencia "desvio de poder" na abertura do processo de impeachment; "A senadora foi muito transparente. Até porque, de fato, sendo presidente da Comissão Mista do Orçamento, estudou profundamente a matéria. É a prova, portanto, que não há fundamento para o impeachment”, diz o ex-ministro; Rose disse neste sábado (25) à Rádio Itatiaia que “não teve esse negócio de pedalada, nada disso. O que teve foi um país paralisado, sem direção e sem base nenhuma para administrar”