8.21.2016

Ficou barato para os nadadores americanos

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"Saiu barato para os nadadores americanos que inventaram a história do assalto. Em 2004, no aeroporto de Miami, dois jovens brasileiros disseram ao policial que revistava suas bagagens que nela havia uma bomba. Pela brincadeira de mau gosto, ou confusão idiomática, os dois ralaram um mês na cadeia, outro em prisão domiciliar e tiveram que pagar US$ 5.000", lembra o jornalista Elio Gaspari

Com Serra no Itamaraty, Brasil se torna um 'anão diplomático', diz Fuser


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Para professor Igor Fuser, do departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, tudo o que foi construído pela diplomacia brasileira nos últimos anos "está sendo jogado no lixo com a gestão de José Serra"; reportagem de Eduardo Maretti, na Rede Brasil Atual Por Eduardo Maretti, na Rede Brasil Atual
O Brasil está patrocinando, no campo da política externa, um retrocesso de extrema gravidade. Para Igor Fuser, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), todo o avanço dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff na área, principalmente com o ex-ministro Celso Amorim no Itamaraty, com a chamada diplomacia ativa e altiva, "está sendo jogado no lixo com a gestão de José Serra".
A nomeação do novo embaixador do Brasil em Washington, Sérgio Amaral, referendada pelo Senado na terça-feira (16), segundo ele, "tem como única tarefa convencer as autoridades norte-americanas, políticos, opinião pública e mídia de que supostamente não houve um golpe no Brasil".
A gestão de Serra no Ministério das Relações Exteriores, nos 100 dias de governo interino de Michel Temer, trabalha para "sabotar" tudo o que foi feito na integração latino-americana, em relação ao Mercosul, aos Brics, à soberania nacional, diz Fuser. "Eles vão se jogar de braços abertos em qualquer proposta de abertura das restrições ao capital estrangeiro, em qualquer proposta de globalização neoliberal e investimentos especulativos. É um governo que contraria não só princípios da diplomacia brasileira, mas da própria Constituição Federal, que estabelece como princípio fundador do Estado a busca da integração regional."
Esse estado de coisas e essa guinada numa política que era considerada avançada nos meios diplomáticos mundiais tem um lado irônico, observa o professor. "Há menos de dois anos, o Brasil foi alvo de uma grosseria de Israel, que chamou o Brasil de ‘anão diplomático’. Naquele momento (julho de 2014) o Brasil estava muito longe de ser um ‘anão diplomático’. Nunca tinha sido tão gigante. No entanto, essa grosseria se revelou profética, porque o Brasil hoje se transformou num anão diplomático", diz Fuser.
Na época, o Itamaraty convocou o embaixador em Tel Aviv, Henrique da Silveira Sardinha Pinto, para consultas, por considerar "inaceitável a escalada de violência" e condenar "energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza".
Para analistas, os objetivos de José Serra no âmbito do Mercosul são esvaziar o próprio bloco sul-americano eao mesmo tempo desestabilizar a Venezuela de Nicolás Maduro, interesse direto dos Estados Unidos. "Só podemos pensar que, em vez de contribuir para a estabilidade, a atual política contribui justamente para a instabilidade da região", disse a professora de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Analúcia Danilevicz Pereira à RBA, no início do mês.
Segundo ela, "a ideia é retomar as posições dos países mais alinhados aos Estados Unidos, ideia dos anos 1990, ultraliberal, ideia de um bloco dos pobres que vão receber a ajuda dos ricos. Essa visão é extremamente atrasada e míope em relação às mudanças internacionais dos últimos anos".
Um fato simbólico da nova política exterior brasileira se revelou um misto de arrogância e presepada. Esta semana, o chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, denunciou que Serra tentou "comprar o voto do Uruguai" ao trabalhar pelo boicote da transferência rotativa do Mercosul à Venezuela, em troca de favorecer o país platino em negociações comerciais.
"Não gostamos muito do chanceler (José) Serra ter vindo ao Uruguai, para nos dizer que vinham com a pretensão de se suspender a transferência (da presidência do Mercosul à Venezuela) e, se suspensa, levar-nos em suas negociações com outros países, como querendo comprar o voto do Uruguai", declarou  Nin Novoa.
Para Igor Fuser, o desenlace do que está acontecendo depende dos desdobramentos políticos nos próximos meses, se se consolidar o impeachment de Dilma Rousseff.  A questão é como a burguesia vai encarar esse retrocesso, essa guinada radical à direita, acredita. "No seu afã de ajudar a direita venezuelana a depor Maduro, Serra adota atitudes que vão além do alinhamento político com forças internas da Venezuela: está destruindo o relacionamento comercial entre Brasil e Venezuela, construído ao longo de 15 anos."
Na opinião de Fuser, ficarão cada vez mais evidentes as perdas de empresários que exportam para a Venezuela, principalmente  do Norte e Nordeste do Brasil, pela proximidade geográfica. "Me pergunto quanto tempo os empresários brasileiros que nesses últimos 13 anos obtiveram altos ganhos com as exportações à Venezuela, e agora vão perder, levarão para começar a protestar."
Fuser diz ainda que, com sua política, Serra ignora fatos básicos que qualquer político deveria saber, principalmente um ministro das relações exteriores. "Ele se esquece que a adesão da Venezuela ao Mercosul foi aprovada pelo Congresso brasileiro, com apoio dos empresários das regiões Norte e Nordeste, assim como pelos congressos argentino e uruguaio. É ridículo", diz.
Estreitamento de relações
Outro fato simbólico ocorreu há duas semanas. No dia da abertura dos Jogos Olímpicos (5 de agosto), Serra recebeu o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, no Palácio Itamaraty, no centro do Rio de Janeiro. "Foi uma oportunidade muito importante, pois temos muito a conversar e a fazer juntos", disse Kerry.Segundo ele, "questões políticas" dos últimos anos impediram que Brasil e EUA "potencializassem parceria".
"A defesa do presidente Temer de uma relação aberta e madura entre o Brasil e os Estados Unidos ajuda na construção de uma parceria renovada entre os dois países", afirmou Serra.
O encontro entre o brasileiro e um representante do alto escalão do governo dos Estados Unidos foi interpretado como o mais claro sinal de apoio do governo de Barack Obama ao governo interino.

ESSA NÂO DEU PARA CENSURAR

Na Globo, heróis olímpicos atribuem sucesso a programa de Lula

Na noite de ontem, no Jornal Nacional, Renata Vasconcelos entrevistava o maior medalhista olímpico brasileiro, Isaías Queiroz, e seu parceiro Erlon Silva e quis saber como os dois, vindos do interior da Bahia, começaram a praticar um esporte tão pouco conhecido como a canoagem; ambos atribuíram o que conquistaram ao programa Segundo Tempo, lançado pelo ex-presidente Lula em abril de 2003, com apenas quatro meses de mandato, como instrumento de inclusão social por meio do esporte; Globo, que reverenciou os atletas, tenta destruir, há mais de dois anos, a imagem do ex-presidente Lula, numa campanha que arrastou construtoras e a própria economia brasileira

A carta do Papa à Dilma


Esq.Andrew Medichini / Dir. Roberto Stuckert Filho-Presidência da República:
Bendita por Francisco; o golpe contra Dilma Rousseff não caiu nas graças do Papa, uma desconformidade que, nos últimos meses, ele vem insinuando através de uma série de gestos discretos, pontifícios; possivelmente, o mais eloquente tenha sido a correspondência que enviou à presidenta que está a ponto de ser destituída; a correspondência do Papa demonstra sua possível desconformidade com um processo anômalo contra uma presidenta legítima, mas também merece ser avaliada por suas implicâncias diplomáticas, numa região onde prevalece o catolicismo, sitiado pelo evangelismo neoconservador, que tem entre seus representantes Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sócio de Michel Temer de longa data; análise de Darío Pignotti, na Carta Maior

8.20.2016

Dilma voltará e os senadores do Maranhão poderão fazer história

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Há uma impressão geral em Brasília de que a presidente Dilma retomará o cargo que o povo lhe outorgou nas urnas em 2014. O golpe não convenceu a ninguém e muito menos aos senadores da República que agora são os juízes do processo de impeachment.
“Quer dizer que a mulher volta, Bob Lobato, o que faz você achar que sim?”, peguntaria o leitor amigo.
Acho que a mulher voltará sim, ainda mais depois que resolveu ir ao Senado para olhar olhos nos olhos do “juízes” e reafirmar o que eles de fato já sabem, ou seja, que a presidente não cometeu crime de responsabilidade.
Ninguém em bom juízo, falo do senadores, irá querer passar para a história como “golpista”, ainda mais os senadores do Norte/Nordeste, regiões que ganharam muito com os governos Lula e Dilma.
 A bancada maranhense no Senado Federal, segundo ouve-se falar, deverá votar unida em relação ao impeachment, a favor ou contra, mas tudo indica que Edison Lobão, João Aberto, ambos do PMDB, e Roberto Rocha, do PSB, darão o mesmo voto.
Trata-se da soberania do voto num momento crítico em que o país vive.
Nenhum dos nossos três senadores deve suas consciências a ninguém, muito menos ao governador do Maranhão que jamais teve a iniciativa política de, num gesto de humildade, procurá-los e pedir o voto dos três juízes maranhenses que julgaram o impeachment da presidente.
Não é possível, claro, afirmar como o senadores do Maranhão votarão no processo de afastamento definitivo de Dilma.
Mas, com certeza, o ânimo deles – Edison Lobão, João Aberto e Roberto Rocha – de juntarem-se ao “golpistas” não é mais tão evidente como no início desse incômodo, sofrido e doloroso momento da vida nacional.
Vale aguardar e conferir.