1.07.2018

Entrega Geral

 O golpe foi dado para que os gringos roubassem o nosso petróleo

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O jornalista Leonardo Attuch, em artigo especial, desenterra a cabeluda história da espionagem dos Estados Unidos contra a Petrobras e Dilma Rousseff, em 2013, nas vésperas do golpe que a depôs do cargo. Para o editor do 247, diferente do Oriente Médio, as petroleiras internacionais conseguiram se apoderar da maior descoberta recente de petróleo no Brasil [o pré-sal] sem dar um único tiro.
Roubaram o pré-sal e foram indenizados
Leonardo Attuch*
No segundo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil anunciou as maiores descobertas de petróleo no século 21, que foram as reservas do pré sal. Coincidência ou não, em 2008, quatro notebooks e dois HDs da Petrobras foram furtados, com informações sigilosas sobre o pré-sal, numa típica ação de espionagem industrial, que envolveu a empresa norte-americana Halliburton, que também atuou na invasão do Iraque. Pouco tempo depois, o Brasil passou a ser espionado pela NSA, uma agência de inteligência dos Estados Unidos, com foco especial no setor de petróleo.
A espionagem se tornou pública já no governo da presidente Dilma Rousseff, com as revelações feitas pelo agente Edward Snowden. Não só Dilma havia sido bisbilhotada, como a própria Petrobras. Desde então, surgiram as primeiras evidências de que um golpe, movido a petróleo, estava em curso no Brasil. De um lado, colunistas alinhados com o pensamento vira-lata e entreguista desdenhavam do pré-sal, alegando que o custo de extração seria extremamente alto. De outro, Dilma tentava resistir, com um modelo de exploração que passava a ser o de partilha, com maior geração de riquezas para a União e o comando da Petrobras.
Em 2013, com as chamadas jornadas de junho, uma “primavera árabe” brasileira passou a ser estimulada nas redes sociais por páginas patrocinadas por grandes interesses econômicos. Um ano depois, a Operação Lava Jato transformou a promiscuidade histórica das relações público-privadas brasileiras num caso de “corrupção sistêmica” de uma estatal que teria sido aparelhada para garantir um “projeto de poder”. O que se pretendia era derrubar a presidente Dilma Rousseff e cassar o registro do PT para que o partido fosse banido da vida pública brasileira.
Com a descoberta de que a farra das empreiteiras era generalizada, apenas o primeiro objetivo foi alcançado. E o Brasil, curiosamente, foi o primeiro país da história a derrubar uma presidente honesta para instalar uma organização criminosa no poder. Feita a transição, a primeira mudança se deu justamente no petróleo, com a venda de campos do pré-sal até para estatais de outros países, como a norueguesa Statoil, e leilões que favoreceram empresas como Shell e Exxon.
Sem disparar um único tiro, ao contrário do que ocorreu nas invasões recentes do Oriente Médio, as petroleiras internacionais conseguiram se apoderar da maior descoberta recente de petróleo. Enquanto isso, no Brasil, foram eliminados mais de 2 milhões de empregos na cadeia produtiva do setor de óleo e gás, a indústria naval foi paralisada e, como cereja do bolo, a Petrobras decidiu indenizar, antes de qualquer condenação judicial, investidores dos Estados Unidos, alguns deles de fundos-abutres, em nada menos que R$ 10 bilhões. Em resumo: roubaram o pré-sal e ainda foram indenizados.
*Leonardo Attuch, jornalista, é editor do portal Brasil 247

Resignação e humildade

COM EFEITO


Exercite a humildade ao lado dos modestos servidores do lar doméstico.

Ser humilde com os superiores, de quem se depende, é muito fácil.

Suporte com resignação as dificuldades da tarefa nova.

Quem muda de clima sofre a modificação da temperatura.

Retorne ao trabalho com ânimo redobrado, no lugar em que o insucesso o magoou.

Nem sempre o triunfo pode ser sentido nas moedas de lucro fácil.

Submeta-se às vicissitudes naturais da luta, mas prossiga na direção do serviço honrado.

Não há repouso justo sem o cansaço haurido nas tarefas da aprendizagem.

Cultive o verbo "cooperar".

O progresso nasce quando todos se ajudam.

Levante-se do erro e siga renovando-se.

Muita correnteza cristalina nasce em lodo.

Seja indulgente com aqueles que ainda se demoram sob as fortes luzes da ilusão.

O perdão que você oferece aos outros funciona como lubrificante nas engrenagens de sua alma.

Desperte na criança o ardor evangélico, atestando sempre junto a ela a excelência da Mensagem Cristã.

As atitudes hostis que você mantém, supondo que "a criança não entende", anulam quaisquer palavras da pregação apaixonada.

Combata a onda materialista que domina o mundo, deixando de apoiar as indústrias de perversão dos valores morais.

O prazer do cinema, teatro e televisão, muitas vezes se transforma em "labaredas para o coração".

Empenhe-se na implantação do Evangelho na Terra.

Faça-se, entretanto, uma "carta-viva do Cristo".


Marco Prisco

Uso político da "justiça" para tirar o Lula da disputa.

Lula Marques/Agência PT | Paulo Pinto/Agência PT

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) anunciou o dia 24 de janeiro como data para a apresentação do resultado do julgamento dos recursos impetrados pela defesa de Lula contra a sua condenação no caso do tríplex do Guarujá. Lula foi condenado, kafkianamente, por ter supostamente "recebido" R$ 3,7 milhões na forma de um apartamento que nunca foi dele – a propriedade está em nome de um fundo gerido pela Caixa Econômica Federal – e de obras nesse apartamento. Segundo seus acusadores, seriam "recursos oriundos" de propinas da Petrobras, quando todo mundo sabe, incluídos os funcionários da empresa, que ele nunca se envolveu diretamente com a gestão da companhia.
Em qualquer lugar do planeta, ninguém poderia ser condenado por ter recebido algo que nunca foi seu.
No país arbitrário, hipócrita e surreal em que estamos vivendo, com o descarado uso político da "justiça" por grupelhos partidários de juízes de primeira instância e procuradores do Ministério Público, isso não é apenas possível, como a parte mais poderosa da mídia endossa e aplaude tal absurdo como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Apenas para efeito de comparação, a mesma "justiça" que se adianta para condenar Lula em segunda instância, no tempo recorde de seis meses, com objetivo de impedir que ele concorra à presidência da República, em uma eleição em que é franco favorito, levou 12 anos para julgar um ex-governador tucano – Eduardo Azeredo, também ex-presidente do PSDB – em primeira instância e mais dois para julgá-lo na segunda, sem confirmar sua prisão e reduzindo, no final, a sua pena.
Mas para uma imprensa que se diz isenta e afirma defender o direito e a liberdade, isso também não vem ao caso e é a coisa mais comum do mundo.
Tivessem um mínimo de pudor, aqueles que querem condenar Lula esperariam outro, entre os muitos processos que estão sendo movidos contra ele, que tivesse um mínimo de provas ou verossimilhança.
Mas isso exigiria, diante de seu constante crescimento nas pesquisas, um precioso tempo.
A mesma justiça que quer homologar a condenação de Lula em tempo recorde, nega à sua defesa o acesso a supostas provas contra ele.
Mas para certa imprensa que se diz isenta e afirma defender o direito e a liberdade, isso também não vem ao caso e é merecedor, apenas, de se fazer cara de paisagem e também a coisa mais banal do mundo.
O povo brasileiro tem o direito de escolher, sem interferência de quem quer que seja, o candidato –qualquer que seja ele – que mais lhe aprouver nas próximas eleições. E de ver subir a rampa do Palácio do Planalto aquele que tiver mais votos.
Há dois golpes em andamento para 2018.
O primeiro, já anunciado, será dado, diante do mundo inteiro, no dia 24 de janeiro: impedir – com uma condenação furada, feita com base em delação premiada e em uma armação jurídica – que o principal candidato concorra às eleições. Isso equivale a um golpe de Estado aqui como em qualquer lugar do globo. É interferir descarada e diretamente na história de um país que conta com a quinta população e o quinto maior território do planeta, como se isso aqui fosse uma República de Banana. (Ou melhor dizendo, alô, alô, sociedade civil organizada; alô, alô, defensores do Estado de Direito e da Democracia: de "bananas".)
Uma coisa leva à outra.
O segundo golpe – depois não adianta dizer que a cigana não avisou – também já está sobejamente anunciado.
Ele também é filho torto da "justiça" e tão hediondo e temerário quanto o primeiro. E equivalerá a promover, historicamente, a deliberada, assumida e desavergonhada entrega do país ao fascismo, pela "justiça" brasileira – tente-se ou não tapar o sol com a peneira, caso se confirme a decisão já claramente sinalizada por juízes, desembargadores, e até mesmo ministros da Suprema Corte. E não me venham disfarçar ou mascarar isso com especulações fantasiosas ou a edificação de improváveis e imponderáveis, oníricas, quimeras eleitorais – no dia 30 de outubro de 2018

Ministro nega patrulhamento nas ruas de Porto Alegre pelo Exército Brasileiro

O Exército Brasileiro deixou ‘na mão’ o prefeito Nelson Marchezan (PSDB), membro do Movimento Babaca Livre (MBL), ao negar patrulhamento nas ruas de Porto Alegre durante manifestações em defesa da democracia e por eleições diretas no próximo dia 24 de janeiro.
O MBL tentou pegar uma carona nas forças armadas em sua odiosa campanha anti-Lula, mas o ministro da Defesa Raul Jungmann não viu motivos para fazer a segurança na capital gaúcha.
Em resposta ao prefeito do MBL(Movimento Babaca Livre), o ministro disse que não cabe ao Exército fazer o papel de polícia em virtude de manifestações no julgamento de Lula pelo TRF-4.
Portanto, sem a retaguarda das baionetas, dificilmente os bem nutridos meninos do MBL sairão às ruas para contestar os barbudinhos do PT.
O tribunal julgará politicamente o petista no caso do tríplex do Guarujá (SP), cuja propriedade do imóvel não é dele, tendo como objetivo a inabilitação de Lula na eleição presidencial deste ano.

O desfile dos descontentes chega ao Sambódromo: Reformas do Temer

Pamela Mascarenhas
O enredo da Mangueira para o Carnaval de 2018, "Com dinheiro ou sem dinheiro eu brinco", é um ponto fora da curva na história da escola de samba, diz o carnavalesco Leandro Vieira. As escolas sempre foram mais adesistas, ou seja, sempre fizeram desfile com conteúdo político, mas na maior parte das vezes alinhado ao poder. Agora, contudo, 2018 vai representar um capítulo de crítica opositora. A Mangueira e a Paraíso do Tuiuti preparam uma crítica direta à Prefeitura do Rio, no primeiro caso, e às mudanças nas relações de trabalho estabelecidas pelo governo Temer, no caso da segunda. 
“O país sempre foi conservador, mas estamos em um momento em que o conservadorismo virou um plano de poder, de governo, e de cidade”, diz o carnavalesco da Mangueira Leandro Vieira para o Jornal do Brasil.
Leandro explica que o enredo da Mangueira nasce enquanto a política de Crivella aponta para uma tentativa "de diminuir a importância de manifestações afro-brasileiras". "E uma das vertentes das atividades de matriz africana que nos últimos 50 anos tem alcançado notoriedade internacional é o carnaval das escolas de samba. O enredo nasce deste momento. O corte de verba do Carnaval tem clara essa tentativa de esvaziamento, de domesticar as ruas, domesticar o carnaval, uma festa que é desde sempre espontânea.”
O carnavalesco chama atenção para o discurso de que a redução da verba para o Carnaval teria como intenção beneficiar a saúde e a Educação. "A gente vive a falência completa da saúde e da educação", aponta. "Por isto faremos um desfile dos descontentes, um desfile afirmativo da cultura popular, do que somos, enquanto cultura indomesticável. De forma abusada, digo que [Crivella] dando ou não dinheiro, vai ter Carnaval, vai ter brincadeira.”
"Será um carnaval mais pleno de sentido do papel político do folião", diz carnavalesco da Mangueira
"Será um carnaval mais pleno de sentido do papel político do folião", diz carnavalesco da Mangueira
Os blocos de rua, inclusive, são um ponto fundamental na apresentação da Mangueira neste ano, como um “tributo à espontaneidade das ruas”. Leandro alerta para a criação do chamado ‘blocódromo’ na cidade como uma ameaça a esta espontaneidade.
“A imprensa tem transformado o pré-carnaval de 2018 numa visão tenebrosa do Carnaval deste ano. Acho que as pessoas não estão levando em conta a capacidade que o carioca e o brasileiro têm de se reinventar, de se recriar. Eu estou apostando que 2018 é o ano da retomada do papel desse carnaval que é válvula, momento de exacerbar essa tristeza que tem rondado a cidade, de forma alegre, incontida. Será um carnaval mais pleno de sentido do papel político do folião. Vai ser muito importante brincar o carnaval, ir pra rua", conclui.
“Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”
Já a escola Paraíso do Tuiuti vai fazer um desfile com foco nas relações de trabalho estabelecidas pelo governo atual. Um dos setores será uma referência direta à Reforma Trabalhista do governo de Michel Temer. A escola, contudo, frisa que tal representação “será feita de forma irreverente, e respeitosa”.
Uma das fantasias, chamada de Guerreiro da CLT, traz um trabalhador sobrecarregado com várias funções tentando se proteger da exploração patronal. Como defesa, ele usa sua abatida carteira de trabalho, transformada em uma espécie de escudo. 
No segundo ano no Grupo Especial, a escola tem o enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, do carnavalesco Jack Vasconcelos.
Trabalhador que tenta se proteger da exploração patronal é uma das fantasias da Paraíso do Tuiuti
Trabalhador que tenta se proteger da exploração patronal é uma das fantasias da Paraíso do Tuiuti
Felipe Ferreira, professor do Instituto de Artes da Uerj na graduação e na pós-graduação, coordenador do Centro de Referência do Carnaval e autor de diversos livros sobre o tema, lembra que críticas políticos contundentes e diretas não são novidade para escolas de samba, embora exista a diferença entre o enredo e/ou conteúdo político de apoio ao poder e de crítica ao poder, os dois com espaço nesta história. 
A favor, por exemplo, Ferreira lembra das escolas da década de 1940, quando era comum enredos louvando Getúlio Vargas, que ficaram famosos, inclusive, como o da Mangueira. Ele resgata também os famosos dois enredos da Beija Flor em louvor aos governos militares, que levaram a escola para o Grupo Especial. 
Escolas de samba que não necessariamente tinham enredo político incorporavam partes políticas, ele explica. "Eu me lembro agora quando teve o confisco, lá do Plano Cruzado, a Imperatriz terminou o seu desfile sobre a banana, com uma grande mão dando banana para o Plano Cruzado. A Mocidade com um enorme abacaxi, que seria o Plano Cruzado."
“Este é um um ano que marca um momento importante dessa questão da crítica política no carnaval. Mas vale ressaltar realmente que o carnaval realmente sempre teve seu lado crítico, não é nenhuma novidade isso. Desde o tempo das grandes sociedades tinham o que era chamado carro de crítica, que sempre vinha com uma crítica ao imperador, por exemplo. O Pedro II foi muito criticado nesses carros. Mas, como era um monarca democrático, apoiava isso, não passou pela cabeça dele censurar."
João Gustavo Melo, jornalista e pesquisador do Carnaval, comenta que a contestação carnavalesca está presente, por exemplo, no quadro de Pieter Brugel, "A Luta do Carnaval contra a Quaresma" (1559), que questionava a austeridade religiosa católica. “O Carnaval se fortalece e se reafirma sempre historicamente em momentos em que há personalidades ou elementos que representam ideias conservadoras ou baseadas em determinados dogmas religiosos, como estamos vendo hoje no país, em que política e religião estão se misturando de forma nefasta. Não à toa, o Carnaval mete tanto medo nos detentores do poder. É, como disse Goethe, ‘o Carnaval é uma festa que o povo dá de presente a si mesmo’. E sendo assim, torna-se muitas vezes porta-voz de tensões latentes na sociedade.”
O pesquisador vê o Carnaval 2018 como uma resposta à onda conservadora que se ergueu no país e no mundo. “Por reunir milhares de pessoas em espaços públicos, como ruas, praças e avenidas, o Carnaval tem uma grande capacidade mobilizadora em torno da alegria e também, em certa medida, contra o poder institucionalizado.”