5.14.2008

Câncer de próstata. Qual a melhor saída?

Câncer de próstata
Qual a MELHOR SAÍDA?
Todos os tratamentos têm prós e contras. Daí que, feito o diagnóstico, o desafio dos especialistas é indicar o caminho mais adequado a cada paciente.

Um artigo publicado na revista científica americana Annals of Internal Medicine está lançando luz sobre um debate que mobiliza urologistas de todo o planeta: qual o melhor tratamento para o câncer de próstata? Tratou-se de uma revisão de mais de 500 pesquisas patrocinadas pela Agency for Healthcare Research and Quality, instituição de saúde do governo dos Estados Unidos. O trabalho compara a eficácia e os riscos de oito terapias e conclui que não há superioridade de uma sobre as demais, já que todas são eficientes, mas passíveis de complicações. Em vez de eleger o tratamento mais efetivo, o trabalho mostra que o que há é uma atitude pior ou melhor a ser tomada em cada caso, afirma Eric Wroclawski, professor de urologia da Faculdade de Medicina do ABC, na Grande São Paulo.

A cada quatro minutos, um homem é diagnosticado com câncer de próstata no Brasil e, a cada 25 minutos, um paciente morre. A estimativa, feita por Miguel Srougi, professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP, mostra o peso da doença para a população masculina. As terapias entram para evitar a morte e minimizar as complicações, entre elas a disfunção erétil e a incontinência urinária. Um dos grandes desafios hoje é determinar quais homens precisam de fato ser tratados, explica o médico Srougi. Se a expectativa de vida, independentemente da doença, for inferior a dez anos e o câncer tiver uma evolução lenta, não se justifica submetê-los a tratamentos agressivos, analisa Sami Arap, professor emérito de urologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Para os especialistas, no entanto, ao contrário do que o levantamento recémpublicado pelos americanos dá a entender, alguns tratamentos levam, sim, vantagem sobre os outros. Em um tumor localizado, a cirurgia é ligeiramente superior à radioterapia, exemplifica Arap. Feita como primeira opção, ela permite que o doente se submeta a outra conduta se, um dia, o tumor voltar. O mesmo não acontece se a radioterapia for a primeira escolha. O procedimento leva à necrose dos tecidos. Eles endurecem e isso dificulta ou até mesmo impossibilita uma cirurgia mais tarde, opina.

A medição do PSA no sangue, sigla em inglês para antígeno prostático específico, que flagra uma proteína produzida pelas células da próstata, revolucionou o diagnóstico do câncer. É que ela permitiu a detecção precoce do mal, quando o tumor ainda é tratável. Até a descoberta desse marcador biológico, a maior parte dos homens era diagnosticada em estágios avançados da doença, o que resultava numa mortalidade muito mais elevada do que a que se observa hoje em dia.

A disseminação do teste, entretanto, vem sendo questionada por algumas instituições de saúde. O que se alega é que o exame estaria provocando um excesso de diagnósticos, levando muitos homens a condutas agressivas desnecessárias. Discute-se se, hoje, estaríamos tratando pessoas que talvez não precisassem ser operadas, mas, infelizmente, ainda não chegamos ao ponto de saber, numa fase inicial, se o tumor terá uma evolução lenta ou rápida, explica Luiz Alberto Torres, ex-presidente do braço mineiro da Sociedade Brasileira de Urologia.

Para Eric Wroclawski, a medicina está numa fase de transição de conhecimento. De fato, há gente demais sendo tratada. Mas, por outro lado, em um grande número de casos ainda chegamos tarde demais. Sami Arap pondera: Embora não haja comprovação de que o uso rotineiro do exame de PSA esteja ligado à menor incidência de mortes por esse câncer, a suspeita é que sim. O fato é que o número de óbitos caiu dramaticamente em relação a 20 anos atrás.

E um detalhe em que os especialistas são unânimes: o PSA é importante, mas não se deve esquecer o toque retal. Esse exame, feito no consultório, ainda é motivo de preconceito, mas ajuda o médico a definir se o paciente deve se submeter a exames mais detalhados para fechar o diagnóstico. E, claro, acertar na melhor saída.

TESTE ESSENCIAL
PSA é um exame extremamente sensível, mas não específico. Isso significa que alterações nos níveis do marcador no sangue podem ser causadas por outros fatores que não um tumor uma inflamação na próstata, por exemplo. O teste também é incapaz de determinar se o câncer terá crescimento lento ou rápido. Por isso, os médicos passaram a fazer uso de outras informações fornecidas pelo próprio PSA, como a velocidade com que ele cresce ao longo dos meses. Se a elevação dos níveis se dá num curto espaço de tempo, essa é uma pista da presença de câncer mais agressivo, diz o urologista Eric Wroclawski.

A ciência busca um marcador que não leve a tantos falsos positivos, como ainda acontece com o PSA. Cientistas da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, por exemplo, desenvolveram um teste feito na urina, e não no sangue, capaz de fl agrar a presença de quatro tipos de moléculas de RNA típicas do câncer de próstata. Esses marcadores identificaram 80% dos pacientes que, depois, foram diagnosticados de fato com o tumor. Os resultados saíram na edição de fevereiro da publicação científica americana Cancer Research. A idéia é chegar a um exame que seja tão acurado que dispense a biópsia, conta a SAÚDE! Arul Chinnaiyan, autor da pesquisa.

TERAPIAS ANTITUMOR
Conheça as opções de tratamento mais comuns no Brasil e suas indicações:

›› PROSTATECTOMIA RADICAL
Trata-se da remoção total da próstata e das glândulas seminais, recomendada quando o câncer está localizado. O pós-operatório é dolorido e a incidência de disfunção erétil e incontinência urinária é maior do que na radioterapia.

›› ROBÓTICA
O Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, acaba de adquirir equipamentos para essa operação, feita por meio de pequenos furos no abdome, como na laparoscopia. É mais demorada do que a prostatectomia, mas o pós-operatório é menos doloroso.

›› HORMONIOTERAPIA
Aplicada quando o câncer já se espalhou, não cura, mas reduz o seu tamanho. Consiste na remoção dos testículos, produtores da testosterona, que alimenta o câncer, ou no uso de remédios que previnem a produção ou bloqueiam a ação do hormônio. Muitos relutam em aceitar a conduta porque ela pode levar à redução da libido ou ao crescimento das mamas.

›› RADIOTERAPIA
É a alternativa para tratar o tumor localizado. Destrói paulatinamente células doentes com material radioativo. São necessárias várias sessões, rápidas e indolores. Mas pode provocar distúrbios intestinais.

›› BRAQUITERAPIA
Também é uma opção para o tumor localizado. O material radioativo, no caso, é liberado apenas perto da glândula, onde precisa atuar. Isso preserva um maior número de células sadias.

›› OBSERVAÇÃO VIGILANTE
O mais polêmico dos procedimentos, limita-se a acompanhar o paciente ao longo dos anos. Costuma ser sugerido a doentes idosos ou aos portadores do câncer indolente, isto é, que cresce superdevagar.

Depressão: Sintoma , causas e tratamento

Depressão

A depressão é um distúrbio afetivo que acompanha a humanidade ao longo de sua história. No sentido patológico, há presença de tristeza, pessimismo, baixa auto-estima, que aparecem com freqüência e podem combinar-se entre si.

É imprescindível o acompanhamento médico tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento adequado.


Sintomas:

• humor depressivo ou irritabilidade, ansiedade e angústia;
• desânimo, cansaço fácil, necessidade de maior esforço para fazer as coisas;
• diminuição ou incapacidade de sentir alegria e prazer em atividades anteriormente consideradas agradáveis;
• desinteresse, falta de motivação e apatia;
• falta de vontade e indecisão;
• sentimentos de medo, insegurança, desesperança, desespero, desamparo e vazio;
• pessimismo, idéias freqüentes e desproporcionais de culpa, baixa auto-estima, sensação de falta de sentido na vida, inutilidade, ruína, fracasso, doença ou morte. A pessoa pode desejar morrer, planejar uma forma de morrer ou tentar suicídio;
• interpretação distorcida e negativa da realidade: tudo é visto sob a ótica depressiva, um tom “cinzento” para si, os outros e seu mundo;
• dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e esquecimento;
• diminuição do desempenho sexual (pode até manter atividade sexual, mas sem a conotação prazerosa habitual) e da libido;
• perda ou aumento do apetite e do peso;
• insônia (dificuldade de conciliar o sono, múltiplos despertares ou sensação de sono muito superficial), despertar matinal precoce (geralmente duas horas antes do horário habitual) ou, menos freqüentemente, aumento do sono (dorme demais e mesmo assim fica com sono a maior parte do tempo);
• dores e outros sintomas físicos não justificados por problemas médicos, como dores de barriga, má digestão, azia, diarréia, constipação, flatulência, tensão na nuca e nos ombros, dor de cabeça ou no corpo, sensação de corpo pesado ou de pressão no peito, entre outros.


Causas:

A depressão é uma doença. Há uma série de evidências que mostram alterações químicas no cérebro do indivíduo deprimido, principalmente com relação aos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, dopamina), substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células. Outros processos que ocorrem dentro das células nervosas também estão envolvidos.


Ao contrário do que normalmente se pensa, os fatores psicológicos e sociais muitas vezes são conseqüência e não causa da depressão. Vale ressaltar que o estresse pode precipitar a depressão em pessoas com predisposição, que provavelmente é genética. A prevalência (número de casos numa população) da depressão é estimada em 19%, o que significa que aproximadamente uma em cada cinco pessoas no mundo apresenta o problema em algum momento da vida.


Tratamento:

O tratamento da depressão é essencialmente medicamentoso. Existem mais de 30 antidepressivos disponíveis. Ao contrário do que alguns temem, essas medicações não são como drogas, que deixam a pessoa eufórica e provocam vício. A terapia é simples e, de modo geral, não incapacita ou entorpece o paciente. Alguns pacientes precisam de tratamento de manutenção ou preventivo, que pode levar anos ou a vida inteira, para evitar o aparecimento de novos episódios.


A psicoterapia ajuda o paciente, mas não previne novos episódios, nem cura a depressão. A técnica auxilia na reestruturação psicológica do indivíduo, além de aumentar sua compreensão sobre o processo de depressão e na resolução de conflitos, o que diminui o impacto provocado pelo estresse.


Fonte: Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde

Pênis: Mitos e Verdades

Mitos e verdades sobre o pênis


O pênis pode quebrar.
Verdade.

Pênis torto é sinal de algum problema.
Depende.
Não, se essa curvatura for de até 30 graus, para o lado direito ou esquerdo. O problema é quando a curva é mais acentuada e ocorre no meio do membro, por meio de um defeito de nascimento - chamado pênis curvo-congênito - ou quando, na fase adulta, aparece a doença de Peyronie, uma inflamação da túnica que recobre o corpo cavernoso que atinge cerca de 10% dos brasileiros. No primeiro caso, recomenda-se a realização de uma cirurgia para correção, no segundo, o tratamento clinico pode melhorar ou estabilizar a doença, sendo a cirurgia uma indicação em último caso.

É possível aumentar o tamanho do pênis por meio de alguma técnica conhecida pela Medicina.
Mito.
Pura ilusão! Apesar das inúmeras “possibilidades de tratamento” que nos são apresentadas, hoje, a melhor forma de tratar a impotência masculina é confiar o tratamento da doença a um profissional credenciado, e não fazer “um aumento do pênis”. As formas para tratar as disfunções sexuais masculinas são ensinadas nas faculdades de medicina, são conhecidas do mundo acadêmico, não são atributos de um ou de outro profissional ou de um único produto disponível no mercado. Até agora não foram apresentados métodos cientificamente aceitos que comprovem aumento do pênis. Nenhum procedimento tem se mostrado eficaz. A maioria das "técnicas revolucionárias" pode trazer complicações, como a impotência e o surgimento de infecções. É importante esclarecer que a cirurgia para aumento do pênis, em nosso país, ainda é considerada um procedimento experimental, de acordo com a Resolução N° 1478/97 do Conselho Federal de Medicina. Assim sendo, só pode ser realizada de acordo com as normas da Resolução N° 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, que regulamenta a pesquisa envolvendo seres humanos.

O pênis enruga com a idade.
Mito.
O que enruga é a pele que o recobre, como qualquer outra parte do corpo, geralmente, a partir dos 75 anos.




O pênis tem algum odor característico.
Mito.
Os problemas mais comuns relativos ao odor são conseqüências de fenômenos irritativos como hábitos higiênicos inadequados dos genitais – principalmente quando o paciente é portador de fimose – e excesso do prepúcio. Neste caso, há depósitos de restos de descamação celular, o esmegma, que promove a irritação. Ainda dentro desta causa está o uso de agentes irritativos para limpeza do pênis, sendo aconselhável o uso de produtos neutros para higiene desse local, como sabão neutro. Outras causas importantes para o surgimento de odores são as infecciosas, como um fungo chamado Cândida Albicans que pode ser sexualmente transmissível. Assim como os outros fungos, ele se aproveita do local quente e úmido existente entre a glande e o prepúcio. Se o homem sentir algum tipo de odor diferente deve consultar um especialista para obter o diagnóstico correto.

Homens de 60, 70 ou 80 perdem a capacidade de manter relações sexuais.
Mito.
Somente o preconceito faz com que acreditemos que as pessoas com mais de 60, 70 ou 80 anos percam o interesse e a capacidade de manter uma vida sexual ativa. O desejo não se modifica obrigatoriamente com a idade, embora seja esperada uma diminuição dos níveis de testosterona no sangue. No homem, os fatores emocionais estão mais envolvidos no desejo do que o simples estímulo hormonal. Isso explica a razão de homens de idade avançada apresentarem seu desejo sexual preservado, mesmo com diminuição da secreção de testosterona. O envelhecimento é um processo fisiológico normal e não uma doença. Está claro que quanto mais o indivíduo vive, mais sujeito está às diversas doenças conseqüentes ao desgaste natural dos órgãos e dos tecidos do organismo. Está claro, também, que o indivíduo que cuidou de preservar a sua saúde, ao longo dos anos, melhor enfrentará o processo do envelhecer. A abstenção do fumo e do álcool, a prática de exercícios físicos regulares, a manutenção de um peso adequado são medidas importantes. Assim como o corpo, a sexualidade precisa ser exercitada. A atividade sexual na velhice não é de forma alguma prejudicial ao organismo. Muito pelo contrário, a prática regular da atividade sexual é benéfica. Suas repercussões, tanto a nível físico, quanto emocional permitirão ao homem um envelhecer com melhores possibilidades.

Ejaculação com sangue é sinal de doença.
Mito.
A hemospermia - sangue no esperma ou ejaculação com sangue - acomete homens das mais variadas faixas etárias. Na maioria das vezes não apresenta gravidade e é uma condição relativamente comum. O fato de ocorrer sem maiores sintomas como dor ou ardor uretral preocupa o homem, que fica abalado com esta emissão sanguinolenta, interpretada como "câncer", a maior preocupação masculina relatada nas consultas. A ocorrência do sangue no esperma pode estar relacionada a processos infecciosos na próstata, na vesícula seminal, na uretra, à hipertensão arterial ou a fatores cuja causa não pode ser determinada. Há ainda outras origens, como a prática de coito interrompido, abstinência sexual prolongada, hemorragia pós-ereção quando se utiliza o aparelho de vácuo - para auxiliar nos casos de disfunção erétil - ou trauma da mucosa uretral. Algumas vezes, a hemospermia acontece porque o homem está tomando anticoagulantes ou usando anti-adesivos plaquetários, as populares drogas para “afinar o sangue”. Esses remédios costumam ser utilizados por pacientes que tiveram infarto do coração ou outros quadros vasculares. Nesses pacientes pode ocorrer um rompimento de um vaso sanguíneo, no momento da ejaculação. Para se fazer o diagnóstico correto, a consulta ao medico urologista é imprescindível. Ele irá solicitar um exame de urina e um espermograma para verificar se há presença de bactérias e até mesmo uma ultra-sonografia da próstata e das vesículas seminais para mais esclarecimentos.


Fonte: Sentir Bem UOL

5.11.2008

Os determinantes da felicidade

Pesquisadores criam indicador de felicidade similar ao da bolsas de valores

Manter-se saudável e feliz é uma luta para a cerca de metade dos americanos, de acordo com uma extensa pesquisa que pretende medir as condições gerais da nação da mesma forma que a Dow Jones Industrial Average retrata a saúde do mercado de ações.

O Index de Bem-estar Gallup-Healthways, baseado em entrevistas com mais de 100 mil pessoas até o momento, mostra que 47% dos americanos lutam para se manter saudáveis e felizes e 4% sofrem. Cerca de 49% dos entrevistados disseram que estão bem quando questionados sobre como se sentem sobre suas vidas e onde pensam que estarão em cinco anos.

A pesquisa pedia que as pessoas dissessem onde se colocariam em uma escala de 0 a 10. Aqueles que responderam que se vêem na posição sete ou acima são vistos como pessoas que estão bem. Os que se colocaram em quatro ou abaixo estão sofrendo. No meio da escala estão as pessoas que lutam para manter o equilíbrio.

Os que estão bem tendem a conseguir salários melhores, mais educação e menos doenças. Os que sofrem mal conseguem atingir suas necessidades básicas, como comida, abrigo e cuidados médicos, disse James Harter, chefe do grupo científico da Gallup.

Assim como os Estados Unidos não são número um quando o assunto é medir a saúde de seu povo, também não são número um em bem-estar, ele disse. Por exemplo, 83% dos moradores da Dinamarca são considerados bem-sucedidos e apenas 1% sofre.

Os pesquisadores esperam que as descobertas, que podem ser analisadas segmentadamente por ocupação, tempo gasto em transporte e hábitos de exercícios, irão ajudar os empregadores a compreender melhor o que podem fazer para que seus funcionários sejam mais felizes e saudáveis.

Eventualmente, eles disseram, esses dados podem ser usados para comparar a saúde e felicidade por CEP, gerando uma medida determinante para as futuras gerações de políticos.

"Essa é a primeira iniciativa do gênero", disse Daniel Kahneman, prêmio Nobel em Ciências Econômicas.

"Estamos descobrindo detalhes sobre como é viver nesse país", disse Kahneman, professor da Universidade de Princeton que participou do debate sobre os possíveis usos desses dados. "Como se vive o fim de semana? Como se vive a semana quando se é doente e ainda assim é preciso ir trabalhar pela manhã? Vamos aprender muito sobre os determinantes da felicidade".

Julie Gerberding, diretora do Centro de Prevenção e Controle de Doenças, ressaltou que os Estados Unidos investem muito mais em saúde do que qualquer outro país, mas mesmo assim seu sistema de saúde está em 37ª posição.

"Isso mostra que não estamos conseguindo o melhor através do investimento que estamos fazendo", disse Geberding. "Isso é algo para o que nós como nação precisamos acordar".

A pesquisa tem implicações para empregadores que quiserem se manter acima dos problemas que atingem uma mão de obra específica.

A pesquisa mostra que funcionários do setor de manufatura ou transporte estão mais propensos a relatar ambientes de trabalho negativos - 29%. Aqueles que relatam um ambiente de trabalho negativo tendem a faltar mais. Um funcionário com até três condições crônicas e um ambiente de trabalho negativo falta me média 6.6 dias a mais do que um funcionário que gosta do seu ambiente de trabalho, descobriu a pesquisa.

Segundo a pesquisa, um ambiente de trabalho negativo inclui insatisfação com o trabalho, chefes autoritários, falta de confiança e de percepção dos potenciais de um indivíduo.

Entre todos os trabalhadores, dois terços disseram ter uma ou mais doenças crônicas e/ou recorrentes. Mais de um quarto relatou problemas nas costas ou pescoço; 23% têm colesterol alto e 22% pressão alta. Mais de um em cada dez disseram sofrer de depressão.

Quase dois terços dos trabalhadores têm um índice de massa corporal que indica obesidade ou peso excessivo.

A Healthways, que trabalha com companhias para melhorar a saúde de seus funcionários, se associou à Gallup para pagar pela pesquisa. O custo da manutenção do index deve chegar a US$ 20 milhões ao ano. Mais de mil pessoas são entrevistadas diariamente.

A memória da velhice

A memória da velhice
Dr. Drausio Varela
Preservar a vida é o mais arraigado dos instintos. Na evolução das espécies, a seleção natural cuidou de eliminar os incapazes de defendê-la com unhas e dentes.
Os seres humanos não constituem exceção. Mas, pelo fato de sermos animais racionais, aceitamos determinados limites para a duração da existência; mantê-la a qualquer custo não nos parece sensato. A perda irreversível da memória configura uma dessas situações. Incapazes de lembrar quem somos e de entender o que se passa a nossa volta, de que vale a condição humana?
A perda progressiva de memória associada ao envelhecimento é característica comum a um conjunto de patologias que a medicina classifica como demências (termo que nada tem a ver com loucura), das quais a doença de Alzheimer é a mais prevalente. A incidência de quadros demenciais aumenta com a idade: aos 70 anos, já acometem entre 10% e 15% da população; aos 90 anos, entre 50% e 60%.

Reserva cognitiva acumulada
As primeiras manifestações da doença de Alzheimer são insidiosas, caracterizadas por pequenos lapsos de memória que podem passar despercebidos durante anos, até a pessoa esquecer o endereço de casa ou estranhar a fisionomia de um filho.
Em agosto de 2005, a revista "Science" publicou um artigo que reúne a informação científica apresentada na Conferência Internacional sobre Prevenção da Demência, realizada dois meses antes, em Washington.
Ainda na década de 1970, foi aventada a hipótese de que as atividades intelectuais, ao aumentar o número e a versatilidade das conexões (sinapses) entre os neurônios, criariam uma espécie de reserva cognitiva passível de ser utilizada na velhice. Em 1977, um grupo do St. Lukes Medical Center, de Chicago, estudando 642 idosos, demonstrou que cada ano de escolaridade formal reduziria o risco de desenvolver Alzheimer em 17%.
O resultado levou o mesmo centro a acompanhar, a partir de 1995, um grupo de padres e freiras submetidos periodicamente a uma bateria de 19 testes de avaliação da capacidade intelectual. Em 2003, depois de analisar 130 cérebros dos religiosos falecidos, os autores concluíram que a presença das placas no sistema nervoso, características da doença de Alzheimer, não guardava relação com os níveis de escolaridade. Mas, a bateria de testes aplicados em vida indicava que as habilidades cognitivas eram preservadas por mais tempo nos religiosos mais instruídos. Neles, a doença só se manifestava quando eram encontradas cinco vezes mais placas do que nos outros.
Com os mesmos objetivos, um grupo da Universidade de Minnesota conduziu o célebre "Estudo das Freiras", no qual foram analisados ensaios biográficos que 678 freiras nascidas antes de 1917 haviam escrito ao serem admitidas no convento, aos 20 anos. As irmãs com menor versatilidade lingüística naquela época desenvolveram Alzheimer mais precocemente e, ao morrerem, seus cérebros exibiam as placas características da enfermidade.
Inquéritos populacionais conduzidos em São Paulo pela Unifesp encontraram maior prevalência de demências entre os analfabetos e os que não haviam concluído o primeiro grau. Da mesma forma, em 109 pares de gêmeos idênticos matriculados no Registro Sueco de Gêmeos, nos quais apenas um dos irmãos desenvolveu demência, o gêmeo saudável, estatisticamente, havia estudado mais tempo.

Estímulos intelectuais e atividade física
Ao comentar essas pesquisas, o pesquisador Robert Friedland concluiu que não apenas a leitura, mas simples passatempos como a montagem de quebra-cabeças ou a prática de palavras cruzadas são atividades capazes de proteger o cérebro. No final, acrescentou que vários trabalhos demonstram que assistir à televisão está associado ao efeito contrário: aumenta a probabilidade de Alzheimer. Num inquérito conduzido entre 135 portadores da doença, comparados a 331 de seus familiares saudáveis, cada hora diária adicional diante da TV multiplicou o risco de Alzheimer por 1,3.
Vários estudos apresentados na conferência reforçam a idéia de que nem só do intelecto vive o cérebro: o exercício físico também é capaz de torná-lo mais resistente.
Anos atrás, uma avaliação dos resultados obtidos em 18 pesquisas (meta-análise) envolvendo mulheres e homens de 55 a 80 anos demonstrou que a vida sedentária aumenta o risco de demência. Desde então, surgiram vários estudos sobre o tema.
Os mais importantes foram realizados na Universidade da Califórnia, com cerca de 6.000 mulheres com mais de 65 anos, em Harvard, com mais de 18 mil mulheres, e na Universidade Johns Hopkins, com mais de 3.000 participantes de ambos os sexos. Os resultados são inequívocos: quanto maior o tempo gasto em atividades físicas, como andar (principalmente), mais lento o declínio da capacidade cognitiva.
Trabalhos experimentais confirmam essa conclusão: o exercício físico melhora o fluxo sangüíneo cerebral através da formação de novos capilares no córtex -área essencial para a cognição - e induz a produção de proteínas que estimulam o crescimento e favorecem a formação de novas conexões entre os neurônios.
Essas pesquisas estão sujeitas a um viés metodológico: será que a menor versatilidade lingüística demonstrada pelas freiras aos 20 anos, a menor dedicação à escolaridade formal e às atividades intelectuais, o maior número de horas passivas na frente da TV e a pouca disposição para atividades físicas já não fariam parte de um conjunto de manifestações extremamente precoces das demências que irão se instalar na senectude?
Impossível ter certeza, mas vale a pena acreditar na idéia de que, através de estímulos intelectuais e da atividade física, será possível preservar, na idade avançada, a experiência e as habilidades cognitivas acumuladas com tanto esforço no decorrer da vida.