4.17.2015

Mulheres ainda sofrem cobranças (e se cobram) para casar e ter filhos



Heloísa Noronha
Do UOL, em São Paulo

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    Desde crianças, as meninas são induzidas a acreditar que a natureza da mulher é procriar
    Desde crianças, as meninas são induzidas a acreditar que a natureza da mulher é procriar
Embora os papéis femininos tenham passado por transformações relevantes nas últimas décadas, as mulheres que não se casam e/ou não têm filhos continuam a ser cobradas por isso, como se essas fossem funções obrigatórias para todas. E, dessa forma, quem não as assume, por opção ou outros fatores, parece estar renegando a própria natureza. Por que esse tipo de cobrança ainda acontece?
Uma das razões é que há um padrão de comportamento feminino desejado que, mesmo ultrapassado, ainda é fortemente arraigado. "A visão cultural sobre o papel das mulheres na família e na sociedade ainda é o do passado", afirma Jacira Vieira de Melo, militante feminista desde os anos 1970, especialista em comunicação social e política na perspectiva de gênero e raça e diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, de São Paulo (SP).
Na opinião da psicóloga Lígia Baruch Figueiredo, mestre e doutoranda em Psicologia pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), onde também é pesquisadora no Núcleo de Família e Comunidade, argumentos pouco aprofundados e repetidos automaticamente falam que a "natureza da mulher é procriar".

As mulheres sofrem pressão para casar e ter filhos?

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"Segundo esses argumentos, uma mulher que não casa e não tem filhos foge à sua natureza. Se não pode ter filhos, é uma coitada; caso não queira, é fria", explica a especialista. Porém, a cobrança social também é internalizada, e a pessoa acaba cobrando de si mesma atender a expectativas que, muitas vezes, não correspondem a seus desejos.
A sociedade ainda espera que a mulher ocupe as funções tradicionais. "Mesmo que  trabalhe fora, deve colocar em primeiro lugar o cuidado com a família. Ela sempre terá de se sacrificar ou a seu trabalho em prol do lar", diz Lígia.
Para Mary Del Priore, docente na pós-graduação em História da Universidade Salgado de Oliveira, no Rio de Janeiro (RJ), como nossa base cultural vem dos portugueses, prezamos valores da igreja católica. "A mensagem dessa herança é clara: a família deve ser o projeto de vida mais importante", diz ela, que é autora de 37 livros, entre os quais "História das Mulheres no Brasil" e "História do Amor no Brasil", ambos pela Editora Contexto.
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É machismo pensar que homem deve ajudar em casa; veja teorias para esquecer11 fotos

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HOMEM QUE É HOMEM ENGOLE O CHORO E NÃO DEMONSTRA FRAQUEZA: o machismo também prejudica o homem. Muitos são ensinados, desde a infância, a não revelarem suas emoções e, com isso, tornam-se adultos incapazes de demonstrar sentimentos como afeto e compaixão. "Os pais devem ensinar os meninos que ter sensibilidade não implica ser menos masculino ou viril", diz a historiadora e socióloga Rosana Schwartz. "Se pai e mãe mandam o garoto parar de chorar e o estimulam a nunca levar desaforo para casa, não estão apenas inibindo o lado sensível dele: estão, também, despertando a sua agressividade" Didi Cunha/UOL
Mary também diz que a imprensa e a publicidade dos séculos 19 e 20 moldou estereótipos femininos que até hoje permeiam nossa cultura. "Só que em vez de valorizar a mulher 'exclusivamente do lar', a mídia atual destaca aquela que consegue dar conta de vários papéis. Saiu de cena, por exemplo, a mãe doadora, que se sacrificava pela família, e entrou nos holofotes a mãe ativa, que assume diversas funções com um sorriso no rosto", declara.
A antropóloga Mirian Goldenberg, professora do curso de pós-graduação em Sociologia e Antropologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), costuma afirmar em palestras e artigos que a brasileira enxerga o marido como um bem e que se sente mais valorizada ao mostrar socialmente que conquistou o papel de casada.
"Já ouvi muitas afirmarem que preferem casar e se separar a nunca se casarem e, assim, carregarem o rótulo de fracassada. O estado civil é uma etiqueta de valorização. Divorciada, na opinião de algumas, é um termo mais chique do que solteira", conta.
Há mulheres, mesmo sendo independentes, que ainda acreditam que só podem ser felizes tendo um marido. A questão é que autonomia econômica não garante a afetiva. Muitas se submetem a relacionamentos ruins por carência e por não suportarem a solidão e encarar a vida a partir de uma outra perspectiva que não seja a do casamento.
A maternidade passa por um raciocínio semelhante: é o principal projeto de vida da brasileira. "Todas nós, na infância, convivemos com brincadeiras, como bonecas e casinhas, que são uma espécie de treino para encarar esse projeto. Mesmo que a mulher não o escolha, ele faz parte da vida dela. Então, é difícil perceber sua real vontade, pois o próprio contexto cultural não oferece escolha", observa Mirian, autora de "A Revolução das Mulheres: Um Balanço do Feminismo no Brasil" (Ed. Revan) e "Homem Não Chora. Mulher Não Ri" (Ed. Nova Fronteira), entre outras obras.

O papel do machismo feminino

Em vez de tentarem romper esse padrão, assumindo para si mesmas os próprios desejos e colocando-os em prática, muitas mulheres acabam perpetuando essa cobrança e pressionando outras em relação ao destino considerado óbvio: casamento e filhos. "Muitas investem tanto nessa ideia que não admitem que a amiga ou a vizinha não invista. Elas ficam incomodadas"", diz Mirian.
Outras, quando encontram alguma mulher diferente do padrão antiquado, a olham com desconfiança e preconceito. Para Maria Alice Schuch, especialista em Políticas Públicas em Gênero e Raça pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), de Santa Maria (RS), pós-graduada em Psicopedagogia pela Universidade Castelo Branco, na capital carioca, as mulheres jogam constantemente entre si.
"A força que tem a mulher independente sempre vai ameaçar outras mulheres, consciente ou inconscientemente", explica Maria Alice, autora de "Mulher: Aonde Vais? Convém?" (Ed. Palmarinca). É mais fácil e cômodo se estabilizar nos estereótipos.

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Você é machista?

Tanto homens quanto mulheres podem ter atitudes e pensamentos machistas, até sem perceberem. Avalie como você se posiciona, fazendo esse teste elaborado com o auxílio da socióloga Lennita Oliveira Ruggi, integrante do Núcleo de Estudos de Gênero da Universidade Federal do Paraná.

Patrícia Abel Balestrin, pesquisadora do GEERGE-UFRGS (Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero da Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e professora colaboradora do EducaSaúde (Núcleo de Educação, Avaliação e Produção Pedagógica em Saúde) da Faculdade de Educação da mesma entidade, diz que as mulheres ainda são pressionadas a casar e ter filhos para que se mantenha alguma ordem nas normas de gênero e de sexualidade que têm sido sacudidas pelas teorias feministas.
"É como se no casamento e na maternidade ainda habitasse a esperança na manutenção dessas normas que posicionam as mulheres, interpelando-as a cumprir com as velhas expectativas sociais. Mas é preciso questionar até que ponto essas cobranças limitam a experimentação e a criação de novos modos de vida, de outras formas de se relacionar e de se realizar na contemporaneidade".

Novos arranjos

Casar e ter filhos não é um modelo ultrapassado de vida para as mulheres ou homens. O que está ultrapassada é a exclusividade desse modelo na vida da mulher contemporânea, que sente necessidade de realizar-se de outras formas.
"É preciso reconhecer que a maternidade ainda tem significativa centralidade nos sonhos e expectativas das mulheres, embora ocupem um lugar substantivamente diferente de 30, 50 anos atrás. E o casamento tradicional, em uma igreja vestindo véu e grinalda, não figura mais como um ritual indispensável", afirma Jacira
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Há um ideal de amor romântico que muitas vezes nos impede de criar outras formas de viver e conviver com um parceiro, de acordo com Lígia. "Só que existem diversas maneiras de amar, assim como há muitos modos de ser mãe e possibilidades de 'constituir família'. Nossos sonhos não cabem em gavetas classificatórias e prescrições normativas", diz.
Para Maria Alice, não é preciso desanimar, pois trata-se de uma cultura histórica feminina que vêm mudando de forma lenta, mas avançando. "Para que a mulher de hoje possa compreender a função feminina, ela deve relativizar as disposições do passado e assumir no presente a sua importância. E isso implica em um conhecimento profundo de si mesma", diz a psicopedagoga.

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Dez sinais indicam que o jovem pode estar usando drogas.


Marina Oliveira e Amanda Sandoval
Do UOL, em São Paulo
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    Alterar o hábito alimentar ou de sono pode ser indício do uso de drogas
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Pais de dependentes químicos ou de ex-dependentes, não raramente, culpam-se por ter percebido tarde demais que o filho estava usando drogas. Mas é normal que o adolescente tenha segredos e dificulte o acesso dos adultos a sua vida pessoal. O desafio é identificar quais comportamentos estão dentro do esperado para a idade e quais indicam problemas mais graves, como dependência química.
Os sinais abaixo não devem ser avaliados de maneira isolada, mas podem servir como indícios de que o jovem precisa de atenção extra.

1 - Mudar radicalmente de interesses

Quando a droga passa a ser mais atraente do que as outras atividades que o adolescente desenvolve –e das quais costumava gostar–, as preferências dele podem mudar radicalmente.
Ele pode, por exemplo, não querer mais praticar o esporte a que se dedicava ou não tocar mais um instrumento musical. Essas desistências, geralmente, acontecem, no caso de um dependente, sem que ele troque uma atividade por outra. A perda de interesse pelos hobbies ocorre sem motivo aparente.
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Veja dez temas que você já deveria ter conversado com seu filho adolescente11 fotos

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Atualmente, as relações familiares são mais informais. Em vários lares, as pessoas conversam sobre os mais diversos tipos de assunto, o que ajuda a fortalecer os vínculos afetivos e a estabelecer uma convivência mais harmoniosa e verdadeira. No entanto, por motivos como vergonha, desconhecimento, questões e tabus particulares ou mesmo dificuldade em lidar com o amadurecimento do filho, muitos pais acabam esperando a chegada da adolescência para tratar de determinados temas. Conheça alguns importantes, apontados por especialistas, e veja dicas sobre como conduzir melhor o diálogo | Por Heloísa Noronha - Do UOL, em São Paulo Stefan/Arte UOL

2 - Apresentar queda no rendimento escolar

É comum que as notas do adolescente que usa drogas de forma contínua despenquem de uma hora para outra. Normalmente, o declínio é consequência das faltas seguidas às aulas ou ainda do uso de drogas durante o período letivo –os efeitos das substâncias químicas, evidentemente, impedem o jovem de absorver 100% do conteúdo.
"Ele pode estar cabulando aulas, deixando de estudar para as provas e de fazer trabalhos para ficar com a turma que usa drogas ou, então, para se isolar e usar sozinho", diz a psiquiatra da infância e adolescência Jackeline Giusti, do Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo). 

3 - Mostrar-se muito agressivo

O adolescente que usa drogas e tenta ocultar isso dos pais pode se tornar mais hostil. Mas é preciso detectar se o comportamento está fora do usual.
"É importante os adultos saberem que os jovens mudam muito de humor, independentemente de usarem drogas ou não", declara o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Tornar-se mais bravo ou nervoso não é, necessariamente, um efeito da droga, mas pode ser uma tentativa de ocultar o vício. "Quando os pais desconfiam que o filho está usando algo, costumam ficar mais inquisitivos e vigilantes. E o adolescente tenderá a reagir mostrando-se mais irritado e agressivo", diz Jackeline Giusti.

4- Trocar de amigos

Mudar o grupo de amigos, de uma hora para outra, é um indicativo de alteração de interesses e identificação. Talvez o jovem faça essa escolha devido a uma preferência recém-descoberta, como um novo gosto musical, mas isso também pode ter a ver com o uso de drogas. Por isso, é preciso acompanhar a vida do adolescente de perto: trazer os amigos do filho para reuniões em casa, buscá-lo ou levá-lo às baladas, além de ouvir o que ele tem a contar sobre os colegas.

5 - Relatar sensação de perseguição

De acordo com a psiquiatra Glaise Franco, especialista em infância e adolescência pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), muitas drogas aumentam a quantidade de dopamina no cérebro e esse excesso provoca sintomas psicóticos, como delírio e alucinação.
"Cocaína e crack são as drogas que mais predispõe a comportamentos paranoicos. Quem utiliza, muitas vezes, acredita que está sendo perseguido por uma pessoa ou por um grupo", afirma Glaise. Diante desse relato, o pai ou a mãe deve procurar ajuda porque, ainda que o filho não use substâncias viciantes, esse pode ser indício de um problema psiquiátrico mais grave.

6 - Pedir mais dinheiro do que o normal

Como não trabalha, um adolescente precisa recorrer ao dinheiro dos pais para sustentar o vício. Por isso, caso o filho peça mais verba do que o estimado para as necessidades da idade, fique de olho. Quando a dependência é grave, muitos jovens chegam a se desfazer de itens pessoais e de pertences de familiares, para conseguir comprar a droga.

7 - Alterar o hábito alimentar

É certo que a adolescência é um momento de muitas mudanças, inclusive no que diz respeito ao apetite. Muitos jovens passam a comer mais porque começam a praticar esportes ou por conta do desenvolvimento físico, típico da idade.
Alguns podem diminuir a quantidade de comida no prato pelo simples fato de que desejam emagrecer. Mas a droga também pode influenciar a rotina alimentar.
"O consumo excessivo de bebida alcoólica provoca falta de apetite e perda de peso, além do aumento do volume abdominal. Já a maconha aumenta a fome e o desejo por doces", fala Glaise.

8 - Dormir pouco ou muito

Álcool, maconha, solventes e heroína provocam sonolência. Enquanto ecstasy e cocaína exercem o efeito contrário. "No entanto, se observar que seu filho está dormindo muito, passa o dia todo deitado na cama e evita sair com colegas, é mais provável que ele esteja deprimido e não usando drogas", diz Jackeline Giusti.

9 - Apresentar a pupila dilatada

As drogas provocam diversas reações químicas no corpo e uma delas pode ser percebida no olhar, segundo Glaise. "As substâncias contidas em algumas drogas modificam a fisiologia humana por inteiro, alterando a pressão arterial, os batimentos cardíacos, o fluxo de sangue para os órgãos vitais e a musculatura do olho, que controla quanto de luz pode chegar até a nossa retina, provocando a dilatação ou a contração pupilar", diz a psiquiatra.

10 - Isolar-se dos familiares e amigos

Quando o adolescente se afasta do convívio com a família e mesmo com a turma com quem costumava andar, é preciso ficar atento, de acordo com Dartiu Xavier da Silveira.
"Quando o jovem torna-se dependente, o relacionamento com parentes e amigos pode deixar de ser prazeroso. Nesse estágio, ele só encontrará satisfação ao usar a substância. Os pais tendem a achar que os adolescentes que saem muito são os mais expostos a drogas, o que não é verdade. Os mais retraídos também estão tão ou até mais vulneráveis."

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