9.23.2016

Mais conexões da Globo no Bahamas Leaks




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A mídia brasileira até agora não deu atenção nenhuma ao Bahamas Leaks, porque é um desses escândalos cuja narrativa fogem a seu controle.
É um escândalo que não atinge o PT, não interessa ao golpe, então não é notícia.
Em geral, a mídia usa esses vazamentos do ICIJ sobre paraísos fiscais apenas para apimentar a Lava Jato.
A única matéria que eu vi na mídia sobre o Bahamas Leaks é a presença do nome de Leo Pinheiro. Ora, o vazamento traz o nome de diversos brasileiros importantes.
Já mencionei, em post anterior, a presença de José Roberto Marinho no Bahamas Leaks.
Encontramos agora outro nome da família Marinho: Paulo Daudt Marinho, filho de José Roberto Marinho e controlador de várias tvs Brasil a fora.
Daudt Marinho era, inclusive, sócio de J. Hawilla em algumas tvs do interior de São Paulo.
Hawilla foi preso há pouco tempo nos Estados Unidos, acusado de diversos crimes de corrupção.
Segundo o Bahamas Leaks, Paulo Daudt Marinho é dono de uma offshore chamada Canary Global Ltd, cuja criação foi intermediada, assim como a empresa de José Roberto Marinho, pela Trident Corporate Services.
Encontramos também uma empresa chamada Globo Overseas, que muito provavelmente é mais uma offshore controlada pela Globo, visto que o grupo possui, nas Ilhas Virgens Britânicas, uma empresa chamada Globo Overseas Investments BV.
Essas offshores estão registradas na Receita Federal do Brasil? A imprensa não vai correr atrás dessa informação?
É importante e instrutivo saber se a família que construiu seu império sob o impulso da ditadura militar, através de uma concessão pública, está pagando seus impostos em dia.

Parente vende principal gasoduto da Petrobras a canadenses

(Reuters) - Um consórcio liderado pela canadense Brookfield chegou a um acordo com a Petrobras para comprar 90 por cento da unidade de gasodutos Nova Transportadora Sudeste (NTS) da estatal, em negócio de aproximadamente 5,2 bilhões de dólares.
A Brookfield vai deter uma participação de controladora no consórcio, que também inclui os fundos CIC Capital Corp, da China, e GIC Private, de Cingapura, que são clientes da Brookfield Asset Management, e o fundo de pensões de British Columbia, no Canadá.
A Reuters havia antecipado o valor da operação, em 8 de setembro, citando fonte com conhecimento direto do assunto.
A Petrobras informou nesta sexta-feira que a primeira parcela do montante acordado, correspondente a 84 por cento do valor total (4,34 bilhões de dólares), será paga no fechamento da operação e o restante (850 milhões de dólares), em cinco anos.
O acordo para a venda da NTS, que tem cerca de 2,5 mil quilômetros de gasodutos no Sudeste do Brasil, representa o maior desinvestimento até o momento dentro do plano da Petrobras de vender 15,1 bilhões de dólares em ativos em 2015 e 2016.
A estatal busca venda de ativos para abater parte de sua enorme dívida --que somou em termos líquidos 332,39 bilhões de reais em 30 de junho--, a maior de uma petroleira no mundo.
"Essa operação abre oportunidades para que parcerias com outras empresas, com larga experiência e condições de investimento, contribuam para o fortalecimento da indústria de gás natural no Brasil", afirmou a Petrobras em nota.
A estatal afirmou ainda que o acordo fomenta também novos investimentos na ampliação da infraestrutura de transporte de gás, com o objetivo de criar um modelo de desverticalização da cadeia de gás natural.
A estatal brasileira, como dona de 10 por cento da NTS, terá direitos de governança habituais compatíveis com o tamanho de sua participação.
O investimento da Brookfield Infrastructure BIP_pc.TOBIP.N será de cerca de 20 por cento do negócio, enquanto a Brookfield Asset Management concordou em participar inicialmente com cerca de 30 por cento de fatia no consórcio.
A conclusão da transação está sujeita à aprovação da Assembleia Geral da Petrobras e a determinadas condições precedentes usuais, incluindo a aprovação pelos órgãos reguladores competentes.
A Brookfield é uma das maiores gestoras de ativos do mundo, com mais de 200 bilhões de dólares sob administração e vasta experiência em ativos de infraestrutura e energia, cujo portfolio inclui empresas com mais de 14 mil quilômetros de gasodutos nos EUA, Canadá e Austrália.
(Por Arathy S Nair em Bangalore e Roberto Samora, em São Paulo)

Ao MPF, Eike negou motivo alegado por Moro para prender Mantega

Por Fernando Molica, em seu blog
Eike Batista, em seu depoimento a procuradores da Lava Jato, não fez qualquer relação entre contratos do Consórcio Integra com a Petrobras e o pedido de contribuição de R$ 5 milhões para o pagamento de dívidas do PT que, segundo ele, foi feito por Guido Mantega. A OSX Construção Naval, de Eike, fazia parte do consórcio.
No despacho/decisão em que determinou a soltura do ex-ministro, Sérgio Moro afirma que as decisões relacionadas à nova fase da Lava Jato, entre elas a prisão de Mantega, estavam ligadas "a propinas em contrato da Petrobrás com o Consórcio Integra".
Moro cita a entrega da quantia que teria sido pedida por Mantega:
"O pagamento estaria vinculado ao esquema criminoso que vitimou a Petrobrás e a propinas também pagas a agentes da Petrobrás no âmbito do contrato da Petrobrás com o Consórcio Integra", escreveu o juiz.
A ausência de ligação entre o pedido do ex-ministro e a Petrobras foi reafirmada em nota divulgada, nesta quinta-feira, pelos advogados de Eike. A relação entre a suposta solicitação de Mantega e a estatal é que justifica o fato de a investigação sobre o suposto ato do ex-ministro ser conduzida pela Força-Tarefa da Lava Jato. Mantega foi presidente do Conselho de Administração da Petrobras.
No despacho/decisão anterior, que determinara a prisão de Mantega e de outros suspeitos, Moro cita outros depoimentos que indicariam fraudes em contrato da Petrobras com o Consórcio Integra. O nome de Mantega, porém, não é mencionado nesses relatos.
Formado pela Mendes Junior e pela OSX, o consórcio, em julho de 2012, assinou com a Petrobras um contrato de US$ 922 milhões para a construção de duas plataformas de construção de petróleo. A conversa com Mantega, segundo Eike, ocorreu em novembro, cinco meses depois.
No depoimento, Eike nega que tenha feito qualquer pagamento ilícito relacionado ao contrato. A transcrição oficial da conversa mostra que um dos procuradores perguntou se empresas de Eike tinham algum contrato "relacionado a plataforma". O empresário disse que sim, com a Integra, e citou a Mendes Junior - disse que havia cedido um espaço para a empreiteira, que era responsável pelos contatos com a Petrobras. Frisou que não era bem visto na estatal: "Eu era o diabo lá dentro", disse.
Um dos procuradores perguntou:
"E nesse relacionamento, esse contrato com a Petrobras, considerando o contexto da Lava-Jato, o senhor teve ciência ou participou de algum ato ilícito?"
Eike respondeu:
"A estrutura nunca... Olha, de novo, a gente entrou nessa operação com a área, o espaço, acho que tem o contrato né, que rege, qual é o contrato que existe com a Mendes Junior?"
O representante do Ministério Público Federal foi mais direto:
"Mas só voltando objetivamente, a pergunta que eu fiz ao senhor: o senhor tem conhecimento ou teve participação em algum ato ilícito ligado a esse contrato?"
Resposta do empresário:
"Absolutamente não."
O procurador insistiu:
"Certo. O senhor teve algum relacionamento... "
Eike:
"Até porque não faz parte da cultura nossa, por favor, eu não...".
O representante do MPF continuou, mas Eike ressaltou que não participara de nada ilegal e ressaltou que, por estar envolvido na exploração de petróleo, não tinha boa relação com a Petrobras e que estava de fora do "clube", uma suposta citação a esquemas irregulares de empreiteiras na estatal:
"MPF: Perguntamos isso, senhor Eike, porque vendo a lava-jato, isso aconteceu diversas de outras vezes. Então nunca foi solicitado ao senhor, digamos, comissionamento para a Petrobras?
DEPOENTE: Olha, eu era como um jogo fora do baralho. É só vocês verem o que aconteceu. Por que que o Eike Batista não está na Lava-Jato? Não está envolvido com Petrobras? Por que? Eu com os empreiteiros, eu era um bicho que as pessoas nem sabiam me interpretar. O que eles faziam era o seguinte: vamos sugerir para a Petrobras construir um novo porto. Essa era a cultura. Um cartel e o Eike Batista que trazia empresas estrangeiras e capital próprio, não encaixava. Esse clube... eu não fazia parte desse clube. E sempre fui expulso do clube."
Depois, o procurador perguntou se ele conhecia operadores financeiras denunciados na Lava Jato. Eike negou conhecer, entre outros, Alberto Youssef, Mario Goes e Milton Pascowitch. O empresário disse que chegou a ser procurado por Fernando Soares, o Fernando Baiano, mas disse que a conversa não estava relacionada à Petrobras.
No depoimento, Eike diz que Mantega pediu os R$ 5 milhões para pagamento de despesas de campanha:
"Então numa dessas visitas aconteceu precisamente no dia 1º de novembro de 2012, no Gabinete do Ministro MANTEGA, houve um pedido para que eu contribuísse para campanha, para é (...), despesas, porque a campanha já tinha passado, despesas para campanha."
Os procuradores também quiseram saber se o dinheiro iria para o PT e se Mantega fizera alguma ameaça caso a contribuição, que acabaria sendo paga à publicitária Mônica Moura, não fosse entregue.
O empresário negou qualquer ameaça, mas deu a entender que, por conta do volume de seus investimentos, não iria contrariar o ministro:
"MPF: Me permita que... um outro questionamento, senhor Eike. Isso tinha por objetivo de certa forma repassar valores para o Partido dos Trabalhadores?
DEPOENTE: Claro. No fundo, no fundo sim. O Ministro de Estado me pediu, que que você faz? Eu tenho 40 bilhões investidos no país, como é que você faz?
MPF: Ele fez algum tipo de ameaça ao senhor? Fez assim, olha, se não acontecer isso, vai acontecer aquilo?
DEPOENTE: Não, não. Não. Isso nunca existiu. Até porque o capital era meu. Não tinha o que me dar."
Na conversa com os procuradores, Eike entregou uma lista de contribuições de campanhas a partidos políticos, revelou que também fez doações para outros partidos, entre eles, o PSDB:
"Depoente: Eu devo ter. Então, como eu fazia, eu fazia muito no espírito - está aqui, eu tenho aqui - assim democrático, como meus projetos eram muito grandes, estavam em todos os Estados, se nos, quer dizer, achamos que temos uma democracia, eu participei de praticamente em 2006 com o mesmo volume de recursos R$ 1 milhão para o PT, PSDB, é (...) tudo isso daqui a gente pode deixar aqui né."
Citou também doação para o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) - seu nome foi transcrito como "Cristovom":
"Pelo menos, olha, eu acho quem agradeceu foi quem eu não conheço, o CRISTOVOM BUARQUE, esse é educado, o resto não dava para as presidências de partido, comitê de partido, e (...)."

Merdal avisa: depois de Guido, será a vez de Dilma


247 – O colunista Merdal Pereira, do Globo, aposta que a presidente afastada Dilma Rousseff será um dos próximos alvos da Operação Lava Jato.
"Os procuradores de Curitiba frisaram o fato de que Mantega era o presidente do conselho de Administração da Petrobras quando pediu financiamento para pagar dívida de campanha a Eike", diz ele.
"O mesmo ocorreu quando a então ministra Dilma presidia o conselho de Administração da Petrobras, e foi autorizada a compra de Pasadena", prossegue.
Ou seja: basta que algum delator relate algum pedido feito por ela, para que também entre na mira de alguma operação.
Em Salvador, Dilma disse que a prisão de Guido visava apenas interferir no processo eleitoral (saiba mais aqui).

O sentido da reforma apressada do 2º grau

Valter Campanato/Agência Brasil
"A MP do ensino médio, que Temer assinou nesta quinta-feira, é um primeiro passo para a adoção do projeto 'escola sem partido', expressão que na verdade significa escola insípida e técnica, que não forma cidadãos críticos diante do mundo mas jovens preocupados com o 'sucesso' imediato", diz a colunista Tereza Cruvinel, ao comentar a medida provisória apresentada pelo ministro babaca  Mendonça Filho, que flexibiliza as disciplinas do segundo grau; "Lamentavelmente, mudança tão importante foi adotada unilateralmente, sem qualquer debate prévio com a sociedade, com os especialistas em educação, com as entidades que congregam os estudantes e  também com os pais"