A mídia brasileira
até agora não deu atenção nenhuma ao Bahamas Leaks, porque é um desses
escândalos cuja narrativa fogem a seu controle. É um escândalo que não atinge o PT, não interessa ao golpe, então não é notícia. Em geral, a mídia usa esses vazamentos do ICIJ sobre paraísos fiscais apenas para apimentar a Lava Jato. A única matéria que eu vi na mídia sobre o Bahamas Leaks é a presença
do nome de Leo Pinheiro. Ora, o vazamento traz o nome de diversos
brasileiros importantes. Já mencionei, em post anterior, a presença de José Roberto Marinho no Bahamas Leaks. Encontramos agora outro nome da família Marinho: Paulo Daudt Marinho, filho de José Roberto Marinho e controlador de várias tvs Brasil a fora. Daudt Marinho era, inclusive, sócio de J. Hawilla em algumas tvs do interior de São Paulo. Hawilla foi preso há pouco tempo nos Estados Unidos, acusado de diversos crimes de corrupção. Segundo o Bahamas Leaks, Paulo Daudt Marinho é dono de uma offshore chamada Canary Global Ltd, cuja criação foi intermediada, assim como a empresa de José Roberto Marinho, pela Trident Corporate Services. Encontramos também uma empresa chamada Globo Overseas,
que muito provavelmente é mais uma offshore controlada pela Globo,
visto que o grupo possui, nas Ilhas Virgens Britânicas, uma empresa
chamada Globo Overseas Investments BV. Essas offshores estão registradas na Receita Federal do Brasil? A imprensa não vai correr atrás dessa informação? É importante e instrutivo saber se a família que construiu seu
império sob o impulso da ditadura militar, através de uma concessão
pública, está pagando seus impostos em dia.
Consórcio liderado pela canadense Brookfield chegou a um
acordo com a Petrobras para comprar 90% da unidade de gasodutos Nova
Transportadora Sudeste (NTS) da estatal, em negócio de aproximadamente
US$ 5,2 bilhões; negócio já foi duramente criticado pela FUP (Federação
Única dos Petroleiros)
(Reuters) - Um consórcio liderado pela canadense
Brookfield chegou a um acordo com a Petrobras para comprar 90 por cento
da unidade de gasodutos Nova Transportadora Sudeste (NTS) da estatal, em
negócio de aproximadamente 5,2 bilhões de dólares. A Brookfield vai deter uma participação de controladora no consórcio,
que também inclui os fundos CIC Capital Corp, da China, e GIC Private,
de Cingapura, que são clientes da Brookfield Asset Management, e o fundo
de pensões de British Columbia, no Canadá. A Reuters havia antecipado o valor da operação, em 8 de setembro, citando fonte com conhecimento direto do assunto. A Petrobras informou nesta sexta-feira que a primeira parcela do
montante acordado, correspondente a 84 por cento do valor total (4,34
bilhões de dólares), será paga no fechamento da operação e o restante
(850 milhões de dólares), em cinco anos. O acordo para a venda da NTS, que tem cerca de 2,5 mil quilômetros de
gasodutos no Sudeste do Brasil, representa o maior desinvestimento até o
momento dentro do plano da Petrobras de vender 15,1 bilhões de dólares
em ativos em 2015 e 2016. A estatal busca venda de ativos para abater parte de sua enorme
dívida --que somou em termos líquidos 332,39 bilhões de reais em 30 de
junho--, a maior de uma petroleira no mundo. "Essa operação abre oportunidades para que parcerias com outras
empresas, com larga experiência e condições de investimento, contribuam
para o fortalecimento da indústria de gás natural no Brasil", afirmou a
Petrobras em nota. A estatal afirmou ainda que o acordo fomenta também novos
investimentos na ampliação da infraestrutura de transporte de gás, com o
objetivo de criar um modelo de desverticalização da cadeia de gás
natural. A estatal brasileira, como dona de 10 por cento da NTS, terá direitos
de governança habituais compatíveis com o tamanho de sua participação. O investimento da Brookfield Infrastructure BIP_pc.TOBIP.N será de
cerca de 20 por cento do negócio, enquanto a Brookfield Asset Management
concordou em participar inicialmente com cerca de 30 por cento de fatia
no consórcio. A conclusão da transação está sujeita à aprovação da Assembleia Geral
da Petrobras e a determinadas condições precedentes usuais, incluindo a
aprovação pelos órgãos reguladores competentes. A Brookfield é uma das maiores gestoras de ativos do mundo, com mais
de 200 bilhões de dólares sob administração e vasta experiência em
ativos de infraestrutura e energia, cujo portfolio inclui empresas com
mais de 14 mil quilômetros de gasodutos nos EUA, Canadá e Austrália. (Por Arathy S Nair em Bangalore e Roberto Samora, em São Paulo)
"A ausência de ligação entre o pedido do ex-ministro e a
Petrobras foi reafirmada em nota divulgada, nesta quinta-feira, pelos
advogados de Eike. A relação entre a suposta solicitação de Mantega e a
estatal é que justifica o fato de a investigação sobre o suposto ato do
ex-ministro ser conduzida pela Força-Tarefa da Lava Jato", diz o
jornalista Fernando Molica, em seu blog
23 de Setembro de 2016 às 05:01 //
Por Fernando Molica, em seu blog Eike Batista, em seu depoimento a procuradores da Lava Jato,
não fez qualquer relação entre contratos do Consórcio Integra com a
Petrobras e o pedido de contribuição de R$ 5 milhões para o pagamento de
dívidas do PT que, segundo ele, foi feito por Guido Mantega. A OSX
Construção Naval, de Eike, fazia parte do consórcio. No despacho/decisão em
que determinou a soltura do ex-ministro, Sérgio Moro afirma que as
decisões relacionadas à nova fase da Lava Jato, entre elas a prisão de
Mantega, estavam ligadas "a propinas em contrato da Petrobrás com o
Consórcio Integra". Moro cita a entrega da quantia que teria sido pedida por Mantega: "O pagamento estaria vinculado ao
esquema criminoso que vitimou a Petrobrás e a propinas também pagas a
agentes da Petrobrás no âmbito do contrato da Petrobrás com o Consórcio
Integra", escreveu o juiz. A ausência de ligação entre o pedido do ex-ministro e a Petrobras foi reafirmada em nota divulgada,
nesta quinta-feira, pelos advogados de Eike. A relação entre a suposta
solicitação de Mantega e a estatal é que justifica o fato de a
investigação sobre o suposto ato do ex-ministro ser conduzida pela
Força-Tarefa da Lava Jato. Mantega foi presidente do Conselho de
Administração da Petrobras. No despacho/decisão anterior,
que determinara a prisão de Mantega e de outros suspeitos, Moro cita
outros depoimentos que indicariam fraudes em contrato da Petrobras com o
Consórcio Integra. O nome de Mantega, porém, não é mencionado nesses
relatos. Formado pela Mendes Junior e pela
OSX, o consórcio, em julho de 2012, assinou com a Petrobras um contrato
de US$ 922 milhões para a construção de duas plataformas de construção
de petróleo. A conversa com Mantega, segundo Eike, ocorreu em novembro,
cinco meses depois. No depoimento, Eike nega que tenha
feito qualquer pagamento ilícito relacionado ao contrato. A transcrição
oficial da conversa mostra que um dos procuradores perguntou se empresas
de Eike tinham algum contrato "relacionado a plataforma". O empresário
disse que sim, com a Integra, e citou a Mendes Junior - disse que havia
cedido um espaço para a empreiteira, que era responsável pelos contatos
com a Petrobras. Frisou que não era bem visto na estatal: "Eu era o
diabo lá dentro", disse. Um dos procuradores perguntou: "E nesse relacionamento, esse
contrato com a Petrobras, considerando o contexto da Lava-Jato, o senhor
teve ciência ou participou de algum ato ilícito?" Eike respondeu: "A estrutura nunca... Olha, de novo,
a gente entrou nessa operação com a área, o espaço, acho que tem o
contrato né, que rege, qual é o contrato que existe com a Mendes
Junior?" O representante do Ministério Público Federal foi mais direto: "Mas só voltando objetivamente, a
pergunta que eu fiz ao senhor: o senhor tem conhecimento ou teve
participação em algum ato ilícito ligado a esse contrato?" Resposta do empresário: "Absolutamente não." O procurador insistiu: "Certo. O senhor teve algum relacionamento... " Eike: "Até porque não faz parte da cultura nossa, por favor, eu não...". O representante do MPF continuou,
mas Eike ressaltou que não participara de nada ilegal e ressaltou que,
por estar envolvido na exploração de petróleo, não tinha boa relação com
a Petrobras e que estava de fora do "clube", uma suposta citação a
esquemas irregulares de empreiteiras na estatal: "MPF: Perguntamos isso, senhor Eike,
porque vendo a lava-jato, isso aconteceu diversas de outras vezes.
Então nunca foi solicitado ao senhor, digamos, comissionamento para a
Petrobras? DEPOENTE: Olha, eu era como um jogo
fora do baralho. É só vocês verem o que aconteceu. Por que que o Eike
Batista não está na Lava-Jato? Não está envolvido com Petrobras? Por
que? Eu com os empreiteiros, eu era um bicho que as pessoas nem sabiam
me interpretar. O que eles faziam era o seguinte: vamos sugerir para a
Petrobras construir um novo porto. Essa era a cultura. Um cartel e o
Eike Batista que trazia empresas estrangeiras e capital próprio, não
encaixava. Esse clube... eu não fazia parte desse clube. E sempre fui
expulso do clube." Depois, o procurador perguntou se
ele conhecia operadores financeiras denunciados na Lava Jato. Eike negou
conhecer, entre outros, Alberto Youssef, Mario Goes e Milton
Pascowitch. O empresário disse que chegou a ser procurado por Fernando
Soares, o Fernando Baiano, mas disse que a conversa não estava
relacionada à Petrobras. No depoimento, Eike diz que Mantega pediu os R$ 5 milhões para pagamento de despesas de campanha: "Então numa dessas visitas aconteceu
precisamente no dia 1º de novembro de 2012, no Gabinete do Ministro
MANTEGA, houve um pedido para que eu contribuísse para campanha, para é
(...), despesas, porque a campanha já tinha passado, despesas para
campanha." Os procuradores também quiseram
saber se o dinheiro iria para o PT e se Mantega fizera alguma ameaça
caso a contribuição, que acabaria sendo paga à publicitária Mônica
Moura, não fosse entregue. O empresário negou qualquer ameaça,
mas deu a entender que, por conta do volume de seus investimentos, não
iria contrariar o ministro: "MPF: Me permita que... um outro
questionamento, senhor Eike. Isso tinha por objetivo de certa forma
repassar valores para o Partido dos Trabalhadores? DEPOENTE: Claro. No fundo, no fundo
sim. O Ministro de Estado me pediu, que que você faz? Eu tenho 40
bilhões investidos no país, como é que você faz? MPF: Ele fez algum tipo de ameaça ao senhor? Fez assim, olha, se não acontecer isso, vai acontecer aquilo? DEPOENTE: Não, não. Não. Isso nunca existiu. Até porque o capital era meu. Não tinha o que me dar." Na conversa com os procuradores,
Eike entregou uma lista de contribuições de campanhas a partidos
políticos, revelou que também fez doações para outros partidos, entre
eles, o PSDB: "Depoente: Eu devo ter. Então, como
eu fazia, eu fazia muito no espírito - está aqui, eu tenho aqui - assim
democrático, como meus projetos eram muito grandes, estavam em todos os
Estados, se nos, quer dizer, achamos que temos uma democracia, eu
participei de praticamente em 2006 com o mesmo volume de recursos R$ 1
milhão para o PT, PSDB, é (...) tudo isso daqui a gente pode deixar aqui
né." Citou também doação para o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) - seu nome foi transcrito como "Cristovom": "Pelo menos, olha, eu acho quem
agradeceu foi quem eu não conheço, o CRISTOVOM BUARQUE, esse é educado, o
resto não dava para as presidências de partido, comitê de partido, e
(...)."
O colunista Merdal Pereira, do Globo, antecipa quais serão, na
sua leitura, os próximos passos da guilhotina de Curitiba; segundo ele,
depois da operação Arquivo X, contra Guido Mantega, a consequência
natural será uma ação policial contra a presidente afastada Dilma
Rousseff, que não tem mais o foro privilegiado; isso porque, diz ele,
Guido foi atingido por ter sido presidente do conselho de Administração
da Petrobras, cargo também ocupado por Dilma no passado; ou seja: basta
que algum delator relate algum pedido feito por ela, para que também
entre na mira de alguma operação; em Salvador, Dilma disse que a prisão
de Guido visava apenas interferir no processo eleitoral
247 – O colunista
Merdal Pereira, do Globo, aposta que a presidente afastada Dilma
Rousseff será um dos próximos alvos da Operação Lava Jato. "Os procuradores de Curitiba
frisaram o fato de que Mantega era o presidente do conselho de
Administração da Petrobras quando pediu financiamento para pagar dívida
de campanha a Eike", diz ele. "O mesmo ocorreu quando a então
ministra Dilma presidia o conselho de Administração da Petrobras, e foi
autorizada a compra de Pasadena", prossegue. Ou seja: basta que algum delator relate algum pedido feito por ela, para que também entre na mira de alguma operação. Em Salvador, Dilma disse que a prisão de Guido visava apenas interferir no processo eleitoral (saiba mais aqui).
"A MP do ensino médio, que Temer assinou nesta quinta-feira, é um
primeiro passo para a adoção do projeto 'escola sem partido', expressão
que na verdade significa escola insípida e técnica, que não forma
cidadãos críticos diante do mundo mas jovens preocupados com o 'sucesso'
imediato", diz a colunista Tereza Cruvinel, ao comentar a medida
provisória apresentada pelo ministro babaca Mendonça Filho, que flexibiliza as
disciplinas do segundo grau; "Lamentavelmente, mudança tão importante
foi adotada unilateralmente, sem qualquer debate prévio com a sociedade,
com os especialistas em educação, com as entidades que congregam os
estudantes e também com os pais"