12.11.2008

Voce tem "cabeça de gordo"? / Dicas para corrida ./ Intestino pregriçoso?


Descubra se você tem "cabeça de gordo"

A qualidade do que se come muitas vezes fica em segundo plano

Você depende da comida para se sentir feliz?
A expressão "cabeça de gordo" pode soar estranha, mas se refere a pelo menos um dos inúmeros fatores responsáveis pela obesidade: as emoções. Sim, de acordo com especialistas, sua cabeça mais do que o estômago pode boicotar as suas tentativas de emagrecimento e pesar na balança.

Isso ocorre quando o estado emocional passa a ser dependente da comida. Aí, a alimentação deixa de ser uma forma de sobrevivência para se tornar uma fonte de prazer. De acordo com a psicóloga Silvana Martani, especialista em obesidade da clínica de endocrinologia do Hospital Beneficência Portuguesa, não há nada errado em sentir-se bem depois de devorar uma guloseima - como se quisesse descontar todas as suas angústias naquela mordida. O problema começa quando essas reações passam a ser a única fonte de prazer.

Nesse caso, um prato de comida é colocado como prioridade máxima e a pessoa passa a se desencantar por outros prazeres, em outras áreas da sua vida. "Até mesmo o sexo pode ser deixado de lado", garante a especialista Silvana Martani.

Ninguém ficará mais gordo simplesmente por alguma carência emocional. Porém, é impossível negar como o excesso de peso pode mexer com as emoções. "Os obesos têm mais tendência a comportamentos depressivos, pois há uma discriminação social", afirma José Carlos Pareja, gastroenterologista e Diretor do CCOC (Centro de Cirurgia da Obesidade de Campinas).

Não é à toa que, segundo Pareja, a equipe médica para combater os quilos a mais - e suas conseqüências para a saúde - deve ser multidisciplinar. Isso inclui o trabalho de nutricionistas, educadores físicos, endocrinologistas, cirurgiões gástricos (em alguns casos) e, é claro, psicólogo ou psiquiatra. Para o médico, como a frustração, a ansiedade e a baixa auto-estima podem ser descontadas na comida, se não houver um acompanhamento psicológico, serão maiores as chances do retorno do peso perdido.

A sutil separação entre corpo e mente
Uma das maiores provas da ligação entre os sentimentos e a obesidade é quando o obeso passa por uma redução drástica do peso. Em muitos casos, a mente não acompanha as mudanças do corpo. "Quem sempre foi gordo tem dificuldade de esquecer as formas antigas. Por isso, é comum, mesmo depois de uma cirurgia de redução de estômago, uma pessoa ter a impressão de que não vai passar por uma determinada porta ou que não há espaço suficiente em um assento", explica Pareja.

Trata-se do paciente que o gastroenterologista classifica como "gordo emagrecido". "A cabeça continua gorda, porque a pessoa mantém os mesmos hábitos - inclusive os alimentares - anteriores à perda de peso", define.

Será que você tem a "cabeça de gordo"?
O que a psicóloga Silvana Martani chama de "comprometimento emocional com a comida" pode ser detectado por algumas atitudes. Veja se você vive as situações abaixo e descubra se os seus pensamentos estão deixando a balança mais pesada:

- Só sente prazer extremo, um êxtase, quando come. E não consegue nomear outras atividades que provoquem satisfação elevada;
- Não prioriza a qualidade dos alimentos;
- Não come verduras, legumes e frutas;
- Come escondido, fora dos horários das refeições;
- O hábito alimentar inadequado muitas vezes foi herdado da família ou foi desencadeado por problemas pessoais e profissionais, que resultam em perda da auto-estima e, em casos avançados, pode levar à depressão;
- Acha que sem os quilos extras a sua vida mudaria totalmente. O correto era pensar que se mudasse de vida, aí conseguiria perder esses quilos;
- Quer ser "emagrecido", sem esforço, e ainda responsabiliza somente os alimentos e os médicos pelo fracasso na dieta. Nunca assumi a culpa.

Serviço:
José Carlos Pareja - gastroenterologista e Diretor do CCOC (Centro de Cirurgia da Obesidade de Campinas)
www.obesidadesevera.com.br


Antes de começar a correr, anote as dicas

Alterar os estímulos é importante para não desistir dos treinos


Vestir um par de tênis e sair correndo pelo mundo. Este é o ideal de muita gente que deseja um pouco de liberdade, qualidade de vida e, é claro, um corpinho em boa forma. Antes de sair por aí livre, leve e solto, porém, alguns cuidados básicos são essenciais. Caso contrário, no caminho para o bem-estar, a beleza e a saúde, você pode enfrentar "obstáculos" como dores e lesões.


O primeiro passo para quem decide correr é buscar ajuda especializada. Hoje, há grupos de corrida espalhados pelo país que recebem a orientação e o incentivo de um treinador, geralmente um professor de educação física. "Por meio de planilhas, o profissional programa o treino e a evolução do desempenho, de acordo com o objetivo de cada aluno", explica Lucas Tessutti, professor e coordenador da equipe de atletismo do Labex-Unicamp (Laboratório de Bioquímica do Exercício da Universidade de Campinas).

Infelizmente, por outro lado, há muita gente que desiste de praticar corrida, porque não pode pagar por esse tipo de assessoria. Na capital paulista, esse serviço sai em torno de R$ 250 por mês. Mas ninguém deveria desistir apenas por essa razão. "Desde que se esteja em dia com o exame médico, principalmente cardiológico, não é necessário ter uma condução", garante Cris Carvalho, educadora física e atleta de endurance de alta performance.

De qualquer forma, com ou sem um treinador acompanhando seus passos, a sua respiração e os batimentos cardíacos, vale a pena anotar as dicas a seguir, antes de colocar - literalmente - os pés na estrada:

Crie novos desafios a cada treino
Para melhorar marcas e o condicionamento físico, você deve estimular sempre o organismo com novos desafios. "Não adianta repetir todo dia o mesmo treino. A cada semana, algo deve ser alterado: pode ser uma progressão na distância do percurso ou intensidade da corrida ou, ainda, um "jogo de velocidade", intercalando num mesmo treino o ritmo leve, moderado e forte", aconselha Lucas Tessuti, do Labex.

Prefira correr ao ar livre
"Nada como quebrar a barreira das quatro paredes", garante Cris Carvalho. Segundo a treinadora, ao ar livre, o corredor tem mais motivação. Mas a treinadora não descarta o uso de esteiras. "O aparelho pode ser um complemento para ocasiões como os dias chuvosos", orienta.

Nesse caso, o professor da Unicamp dá um conselho: "A esteira já faz pelo atleta um pouco da força, devido ao movimento de rolagem. Por isso, para que o treino seja equivalente em gasto calórico à corrida na pista, o ideal é programar uma inclinação de 1% no aparelho." Para Lucas Tessuti, o piso ideal da corrida é a terra batida ou grama, já que essas superfícies absorvem parte do impacto. O asfalto, segundo ele, deve ser evitado. E quanto a correr na areia da praia? "Se for uma areia compactada será igual a superfície de terra. Mas a fofa exige mais da musculatura e não deve ser indicada para quem está começando ou já tem alguma lesão no joelho e em outras articulações", explica a atleta Cris Carvalho. Outro terreno perigoso é a praia com inclinação, porque, nesse caso, podem ser provocados desgastes desproporcionais, como a concentração do esforço e do impacto em apenas uma das pernas.

Observe sempre o clima e a temperatura
A atenção deve ser redobrada nos dias frios, pois a musculatura tende a ficar mais contraída, e, conseqüentemente, são maiores as chances de lesões. Nas baixas temperaturas, a dica do ortopedista Ricardo Cury é caprichar no alongamento e aquecimento - antes e depois da corrida. Se o frio é perigoso, o alto verão também é. Prefira o início da manhã ou o final da tarde para praticar os exercícios ao ar livre. Essa cautela deve ser tomada para diminuir o desgaste.

Prepare seu corpo
Cuidado: se a sua musculatura estiver fraca, como resultado de anos de sedentarismo, é importante fortalecê-la, paralelamente aos treinos de corrida, com exercícios localizados ou musculação. "Ao correr, o impacto de cada passo é absorvido pelo corpo. Se a pessoa não tiver uma massa muscular fortalecida, todo esse desgaste irá para os ossos e articulações", alerta a treinadora Cris Carvalho.

Para potencializar ainda mais o desempenho, além da musculação, o médico Ricardo Cury aconselha o investimento na propriocepção - ou seja, um conjunto de exercícios capazes de melhorar a capacidade de reconhecimento espacial e para ser feito com acompanhamento profissional, de um fisioterapeuta, por exemplo.

E, para quem não está em sintonia com a balança - e, portanto, causam maior impacto na corrida por conta do sobrepeso -, o ortopedista recomenda atividades aeróbicas de baixo impacto, como a hidroginástica, para perder alguns quilinhos antes de começar a correr.

Na dúvida quanto às dores, procure um médico
A corrida é uma atividade de impacto que pode inflamar as articulações. Portanto, na dúvida quanto às dores e incômodos, o corredor deve procurar um médico. "Vale lembrar, porém, que na fase inicial são comuns dores musculares até 48 horas após o esforço físico", ressalta o ortopedista Cury. O especialista também defende a corrida e até o esforço que ela exige do corpo. "Pouco se fala que é justamente o impacto provocado por esse exercício que estimula a formação e o fortalecimento ósseo, diminuindo os riscos de doenças como a osteosporose", conta.

Alimente-se melhor e descanse
Para que todo o esforço na corrida não seja em vão, a dieta precisa acompanhar seu novo ritmo. Caso contrário, junto com as calorias, serão gastos nutrientes importantes para o organismo. "O cansaço constante pode ser um alerta de deficiência nutricional", afirma a atleta Cris Carvalho. Para combater o problema, uma visita ao nutricionista pode ser necessária.

Além de comer bem, outra questão a ser considerada está relacionada à qualidade do sono. "Todo exercício promove pequenas lesões nos músculos, o que vale para surtir efeitos é o que vem com a recuperação. Por isso, alimentação e sono são tão importantes. Caso contrário, no lugar de ganhar, o atleta pode perder", explica Lucas Tessuti.

A hidratação também deve ser adequada. Segundo o ortopedista Ricardo Cury, é preciso beber água antes do exercício. Levar a garrafinha à tira-colo pode ser uma boa idéia, mas nada de ingerir líquidos exageradamente durante o treino: correr com a barriga estufada não é indicado.

Escolha o tênis certo
A corrida é um esporte que requer pouco investimento: não é preciso montar equipes, nem procurar um local especializado para praticar. Bastam roupas confortáveis e um bom tênis. Portanto, atenção na escolha do calçado. Para o professor Lucas Tessuti, o solado deve ser o mais reto possível. "Tênis com o amortecedor em formato de bolhas, por exemplo, dificultam as passadas em terrenos irregulares, o que deixa o corredor mais propenso a lesões."

Se você sentir dor a cada corrida, mesmo usando um tênis com amortecedor de boa qualidade, é o momento de recorrer a recursos normalmente buscados por atletas profissionais. Por meio de uma avaliação biomecânica em laboratório e até em algumas lojas especializadas em tênis para corrida, é diagnosticado precisamente o seu tipo de pisada: normal, pronada (para dentro) ou supinada (para fora). Existem tênis específicos indicados para cada situação.

O ortopedista Ricardo Cury destaca mais um ponto essencial: o prazo de validade do calçado. "Para quem corre, por exemplo, três vezes na semana com uma intensidade moderada, o tênis dura de seis a, no máximo, nove meses", avisa.


Saiba quais são os perigos de um intestino preguiçoso

O incômodo pode causar hemorróidas e até esconder a presença de tumores

Você sofre com os problemas causados pelo mau funcionamento do intestino?

Mau humor, barriga inchada e uma sensação de desconforto constante. Esses são apenas alguns dos sintomas causados pela constipação intestinal crônica, o nome científico dado ao popular intestino preguiçoso. O que a maioria das pessoas ainda desconhece são os males que tanto o descaso de quem já se acostumou a não usar o banheiro, quanto a automedicação - com o uso prolongado de laxantes - podem provocar à saúde.

O que você faz para regular seu intestino?

"As pessoas acham normal ficar quatro ou cinco dias sem conseguir ir ao banheiro. Por isso, não procuram o especialista", alerta Pedro Bertevello, gastroenterologista do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. A atitude é arriscada. De acordo com o médico, o hábito de não evacuar adequadamente pode estar relacionado à presença de tumores intestinais e de inflamações no aparelho digestivo.

Além de poder esconder um problema mais grave, o descaso com essa "preguiça" intestinal ainda pode gerar outros incômodos, bem mais constrangedores. O médico Pedro Bertevello garante que, ao permanecerem estocadas por vários dias no corpo, as fezes ressecam e podem provocar hemorróidas e fissuras, por exemplo.

Para quem insiste em afirmar que não sente a mínima vontade de usar o banheiro, os especialistas alertam: "É preciso esquecer essa história de vontade e criar o hábito. Como tudo na vida, para isso também é necessário treinamento", esclarece Eduardo Berger, gastroenterologista do Hospital Prof. Edmundo Vasconcelos.

Vida corrida e fatores emocionais também não deveriam ser usados como desculpa para deixar de atender a essa reação fisiológica - tão natural quanto comer e tomar banho todos os dias. Muitas pessoas por vergonha de usar um banheiro fora de casa ou pela tão criticada falta de tempo desenviolvem a mania de segurar essa necessidade orgânica. Resultado: o hábito gera uma perda do reflexo, até que, ao longo dos anos, a tal "vontade" finalmente desaparece.

Não é à toa que a maioria das queixas contra o mau funcionamento do intestino parte da ala feminina. "As mulheres têm mais pudores que os homens e foram acostumadas a ouvir desde pequenas que é muito feio fazer fora de casa", lembra Carlos Pareja, gastroenterologista e professor da Unicamp. "O fato, portanto, não tem nada a ver com diferença fisiológica entre os sexos. É algo cultural somado aos maus hábitos alimentares", completa.

Para funcionar como um reloginho
Uma forma eficiente para terminar com o desconforto depois de dias sem evacuar é recorrer aos laxantes. Mas aí está outra armadilha. "O uso prolongado desses remédios faz com que o intestino perca seu funcionamento habitual", alerta Bertevello.

Os remédios são realmente eficientes, mas sua ação é tão intensa que provoca uma disenteria, ou seja, a eliminação excessiva de líquidos. "O medicamento desenvolve outro problema: a diarréia", completa Berger.

Para reverter a situação e deixar o seu "reloginho intestinal" funcionando nos eixos, a solução é a conhecida, porém pouco seguida, cartilha da vida saudável. "É preciso ter tempo para se cuidar. Tem que haver uma rotina que inclua a dieta alimentar rica em fibras, práticas de exercícios físicos regularmente e a ingestão de bastante líquido", explica Pedro Bertevello.

Confira, a seguir, dicas práticas para acertar os seus ponteiros:

- Coma de duas a três unidades por dia dos seguintes alimentos: castanha-do-pará, tâmara, nozes, damasco e ameixa preta. "Esta é uma forma prática de recuperar o hábito de evacuação", garante Pareja.

- Aproveite a fruta até o bagaço, principalmente laranja e tangerina.

- Dê preferência ao pão preto, pão de centeio, arroz e macarrão integrais.

- Inclua as fibras na sua vida. Mas caso você não goste ou não ingira a quantidade suficiente por meio dos alimentos in natura - o recomendável é 20g por dia - recorra às fibras solúveis. "Ao contrário do que muitos pensam, esse tipo de suplemento não vicia. As fibras são um combustível para o bom funcionamento do intestino e precisam ser ingeridas diariamente", explica Bertevello.

- Use as bactérias probióticas a seu favor. O nome pode parecer estranho, mas esses organismos vivos compõem vários iogurtes e outros derivados do leite. "Os probióticos são ativos que ajudam a manter a flora intestinal em ordem. Mas é preciso ter cuidado, pois algumas pessoas têm intolerância a lactobacilos, por exemplo, o que pode acarretar uma diarréia", esclarece o gastroenterologista do Hospital Beneficência Portuguesa.

- Arrume um espaço na agenda para "visitar o banheiro". "Fique pelo menos por 15 minutos todos os dias sentado no vaso. Mas nada de fazer força excessiva. Mantenha essa regra independentemente se irá evacuar ou não. Essa é uma forma de treinar seu intestino a trabalhar sempre no mesmo horário", ensina Eduardo Berger.

- Caso nada disso funcione. Corra para o consultório médico. Talvez sejam necessárias doses de laxantes, principalmente na primeira fase do tratamento, até que seu organismo esteja reeducado.

José Carlos Pareja

Pedro Bertevello -

FONTE: PORTAL TERRA

FALTA DE RITMO DO CÉREBRO


ESTUDO LIGA DISTÚRBIOS À FALTA DE RITMO DO CÉREBRO
08/12/2008
O doutor Patrick J. Kelly, chefe de neurocirurgia da Universidade de Nova York, cruzou os braços, irradiando ceticismo. "Tenho um problema neurológico que nunca contei a ninguém - a nenhuma alma," ele recorda ter dito para seu colega, o doutor Rodolfo Llinas perante um auditório lotado de neurocirurgiões. "Escute meu cérebro e me diga o que é. Se fizer isso, eu acreditarei em você". Kelly, então, permitiu que seu cérebro fosse examinado por uma máquina de magnetoencefalografia (MEG), um aparelho que mede pequenos sinais magnéticos que refletem mudanças no ritmo do cérebro. Após analisar a atividade cerebral de seu colega, Llinas anunciou: "você tem um zumbido. No lado direito do cérebro. O som fantasma zunindo nos seus ouvidos deve ser muito alto. É um barulho surdo de baixa freqüência". Kelly ficou espantado, disse depois. Ele ouvia o zumbido desde que serviu em uma estação hospitalar em Danang durante a Guerra do Vietnã. O estrondo dos helicópteros trazendo feridos havia permanentemente prejudicado sua audição. Llinas, chefe de neurociência e fisiologia da Escola de Medicina da Universidade de Nova York, acredita que ritmos cerebrais anormais podem ser a causa de uma série de distúrbios sérios, incluindo doença de Parkinson, esquizofrenia, zumbido e depressão. Sua teoria pode explicar por que a técnica chamada de estimulação cerebral profunda - implantação de eletrodos em regiões específicas do cérebro - geralmente alivia os sintomas de doenças de movimentos como Parkinson. A teoria está longe de ser aceita amplamente e a maioria dos neurocirurgiões diz que os mecanismos por trás da estimulação cerebral profunda permanecem um mistério. Contudo, cirurgiões como Kelly estão entusiasmados com a pesquisa, dizendo que ela sugere novos alvos para o tratamento de uma série de distúrbios. "É um mistério por que levei tanto tempo para entender o que Rodolfo estava dizendo", Kelly disse. "Gosto de usar a desculpa de que estava muito ocupado. Na verdade, era burro demais para ouvi-lo. Agora digo a meus colegas mais jovens, 'escute esse homem.' Ele está trabalhando em algo que pode revolucionar a neurocirurgia e nosso entendimento de como o cérebro funciona." Llinas, 73, nascido na Colômbia, há muito tempo segue seus instintos. Diferente dos neurocirurgiões que estudam a camada exterior do cérebro, ou córtex, ele concentrou sua atenção no tálamo, uma estrutura pareada no cérebro intermediário. Ele descobriu que cada tálamo, do tamanho de uma noz, tem 30 ou mais núcleos e é especializado em um dos tipos de informação captados pelos sentidos - visões, sons, movimentos, toques externos, sensações internas e assim por diante. Cada núcleo envia uma mensagem a uma área específica do córtex para processamento inicial. A informação então é devolvida ao tálamo, onde é associada a outros sentidos. Depois, ela retorna ao córtex em uma forma multisensorial mais rica e constantemente aprimorada, reverberando uma sinfonia de experiências de vida. O tálamo e o córtex trabalham dinamicamente, trocando ciclos de informação, disse Llinas. "Se pensarmos no cérebro como uma orquestra, o tálamo é o maestro. Os músicos ficam no córtex. Quando o maestro faz um movimento, os músicos acompanham. O maestro então ouve os sons e faz novos movimentos, resultando em um diálogo contínuo." As células do tálamo e do córtex dependem de propriedades elétricas intrínsecas para manter a música fluindo. "Grupos de neurônios, milhões deles, agem como pequenos corações batendo por si sós," Llinas disse. Eles podem oscilar em freqüências múltiplas, dependendo do que está acontecendo no mundo exterior. Quando o cérebro está acordado, os neurônios do córtex e do tálamo oscilam na mesma freqüência, chamada gama. "É como uma apresentação de sapateado irlandês," Llinas prosseguiu. "Algumas células sapateiam em harmonia e outras ficam em silêncio, criando incontáveis padrões que representam as propriedades do mundo externo. As células com o mesmo ritmo formam circuitos que unem a informação a tempo. Essa atividade coerente permite que você enxergue e escute, esteja alerta e pense". Mas ao final do dia, as células do tálamo naturalmente entram em uma oscilação de baixa freqüência. Elas funcionam lentamente ao invés de dispararem. Quando o tálamo toca em ritmo mais lento, o córtex acompanha. E então você adormece. Seu cérebro continua funcionando em ritmo lento, mas a consciência é suspendida. Por isso, se uma parte pequena do tálamo empaca permanentemente em baixa freqüência, ou se parte do córtex não consegue responder ao aviso de despertar, Llinas disse, um ritmo anormal é gerado, a chamada arritmia tálamo-cortical. "Os neurocirurgiões pensam em termos de mudanças anatômicas - buracos no cérebro, crescimentos, tumores," ele disse. "Mas uma baixa freqüência anormal e prolongada em uma parte do cérebro pode gerar o que chamamos de atrator. Pense em um tornado. É apenas vento girando em torno de si mesmo. Ao fazer isso, ele se torna algo que, embora feito de ar, tem vida própria. "Uma arritmia tálamo-cortical também tem uma estrutura. Ela é uma coisa. E causa sintomas vistos em uma série de distúrbios cerebrais". Llinas acredita que esses ritmos anormais podem ser deflagrados por diversas causas - genes defeituosos, lesões cerebrais, desequilíbrio químico. No caso de seu colega Kelly, uma pequena porção do córtex auditivo foi lesada pelo barulho do helicóptero. Llinas viu através da MEG - um local oscilando como se estivesse em sono leve. Zumbido e outras arritmias podem ser tratados com estimulação profunda do cérebro, medicação ou pequenas intervenções cirúrgicas que fazem o cérebro retornar às oscilações normais, ele disse. O objetivo é acordar as partes do cérebro que estão no modo de baixa freqüência. Na doença de Parkinson, mudanças químicas colocam partes do tálamo no modo de baixa freqüência. Se a parte afetada do tálamo estiver ligada ao centro motor primário do cérebro, acontece um pequeno tremor, de quatro rotações por segundo. Os pacientes tremem na mesma freqüência que o tálamo motor oscilante. Se a parte anormal do tálamo estiver ligada à região que planeja os movimentos, os pacientes não conseguem iniciar um movimento. E se a parte do tálamo estiver envolvida na execução de movimentos suaves, os pacientes sentem um enrijecimento do tônus muscular. Eles ficam rígidos. Llinas diz que um paciente pode sentir vários desses sintomas ou apenas um, dependendo do local do ritmo anormal. Da mesma forma, ele diz, a função normal pode ser restaurada por meio de uma ação no mesmo local. A estimulação cerebral profunda, na qual finos eletrodos são implantados diretamente no córtex ou no tálamo, já foi usada em 40 mil pacientes ao redor do mundo, principalmente para tratar distúrbios de movimentos, e agora está sendo testada para esquizofrenia, epilepsia, síndrome de Tourette, distonia, dor crônica, depressão, dor fantasma e traumatismo craniano. Llinas diz que mesmo quando os tratamentos funcionam, eles devem ser vistos não como uma cura, mas como um modo de aliviar os sintomas. Ele reconhece que muitas coisas podem dar errado: o eletrodo precisa ser colocado exatamente no lugar afetado e por causa das diferenças individuais da estrutura cerebral, os cirurgiões têm que fazer uma dedução de embasamento teórico. Além disso, os aparelhos podem quebrar. E os tecidos podem infeccionar. "Depois, precisamos escolher uma freqüência," ele disse. "Se ela for alta demais, o estímulo pode produzir alucinações ou outros problemas psicológicos. Uma mulher não conseguia parar de chorar". Felizmente, ele disse, a estimulação cerebral profunda é reversível: retire os eletrodos e os efeitos colaterais desaparecerão. - Sandra Blakeslee - Tradução: Amy Traduções.
Fonte: The New York Times - Notícias Terra

DOPING MENTAL

GRUPO DE CIENTISTAS PEDE LIBERAÇÃO DE DOPING MENTAL
08/12/2008
Manifesto discute a regulamentação de droga usada para "turbinar" a inteligência em pessoas saudáveis, medicamentos usados para tratar o déficit de atenção, como a retalia, parecem estimular a concentração. Um manifesto assinado por pesquisadores de sete universidades líderes nos EUA e no Reino Unido pede que o uso de drogas com o fim de melhorar a inteligência seja regulamentado e, eventualmente, liberado. em artigo ontem no site da revista "nature" (www.nature.com), os acadêmicos argumentam que é preciso disciplinar o uso que pessoas saudáveis fazem de medicamentos como a ritalina (metilfenidato). Concebida para tratar crianças com tdah (transtorno do déficit de atenção por hiperatividade), essa droga (e outras similares) parece ter um efeito de melhora na concentração e na memória também em adultos saudáveis. Um levantamento conduzido neste ano em universidades americanas revelou que cerca de 7% dos estudantes já fizeram uso de medicamentos desse tipo pelo menos uma vez, na tentativa de melhorarem seus desempenhos acadêmicos. Tecnicamente, nos EUA, isso é crime, porque envolve comércio de uma droga para uso "off label" -fora do propósito original para o qual foi aprovada. cientistas argumentam porém que a medida é um exagero e drogas como a ritalina poderiam ser liberadas para "aprimoramento cognitivo", desde que novos testes comprovem sua segurança. "Propomos ações que vão ajudar a sociedade a aceitar os benefícios do aprimoramento, acompanhadas de pesquisa apropriada e regulamento avançado", escrevem os cientistas. "isso tem muito a oferecer para indivíduos e sociedade, e uma resposta apropriada por parte de todos deve incluir a disponibilização dos aprimoramentos acompanhada da gestão de riscos." SONO E CANSAÇO - Entre os nomes que assinam o documento estão "pesos-pesados" das neurociências, como Michael Gazzaniga, da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, e também um jurista, Henry Greely, da Universidade de Stanford. A idéia do manifesto saiu de um seminário promovido pela "Nature" e pela Universidade Rockefeller, de Nova York. Além da ritalina, os pesquisadores mencionam outras três drogas que já vêm ganhando algum grau de popularidade em usos "off label". uma delas é a similar Adderall, também usada em transtorno de tdah. outra é a stavigile (modafinil), aprovada para tratar o desgaste físico causado pela narcolepsia, mas que vem sendo usada por alguns estudantes para combater sono e cansaço. Há ainda uma quarta droga, a aricept, mais difícil de obter, originalmente aprovada para tratamento do mal de alzheimer. A preocupação inicial dos cientistas, contudo, é mesmo a ritalina. "Com a prevalência de tdah indo de 4% a 7% entre universitários americanos (...), há um bocado de droga no campus que pode ser desviada para usos de aprimoramento." CONCORRÊNCIA DESLEAL - Caso o uso de drogas para "turbinar" o cérebro venha realmente a ser aprovado, há outras questões que devem ser discutidas, além da segurança, afirma o manifesto publicado na "Nature". Uma delas é o risco de que estudantes deixem de concorrer em pé de igualdade quando participarem de exames que envolvam inteligência. Uma pessoa que tenha se valido de uma droga poderia obter vantagem de maneira artificial, da mesma forma que um atleta dopado faz na disputa de uma competição, por exemplo. Os cientistas apontam também o risco de mais um problema: Empresários poderiam obrigar seus funcionários, de maneira direta ou indireta, a fazerem uso dessas drogas para melhorarem o rendimento. O manifesto reconhece, porém, que faltam ainda muitos dados essenciais para que a discussão tome o rumo desejado. Ninguém sabe dizer, por exemplo, o quanto uma droga como a ritalina pode de fato ajudar a inteligência propriamente dita. O efeito de longo prazo de uma dessas drogas sobre pessoas que já estão saudáveis, também, ainda é totalmente desconhecido. "clamamos por um programa de pesquisa sobre o uso e o impacto das drogas de aprimoramento cognitivo por indivíduos saudáveis", ressalta o documento.
Fonte: Folha de São Paulo

12.10.2008

SUPERBACTÉRIA

SUPERBACTÉRIA
01/12/2008
Estudos alertam para o aumento da resistência de um agente responsável por casos graves de infecção hospitalar. Duas pesquisas divulgadas na última semana revelam que algumas bactérias que afetam a saúde humana começam a apresentar comportamentos que pedem maior vigilância. Um dos estudos, conduzido pela Universidade do Oregon, nos Estados Unidos, e pelo Instituto de Pesquisa do Hospital Sick Children, no Canadá, informa a existência de um pico de infecções durante os verões. Assim como os agentes da gripe e dos resfriados se espalham com mais facilidade no inverno, os diversos microorganismos pertencentes à família das bactérias gram-negativas parecem preferir os dias de calor. Fazem parte desse time micróbios como a Pseudomonas aeruginosa, a Escherichia coli e a Acinetobacter baumannii. "Eles são causa freqüente de infecções na corrente sanguínea, urinárias, gastrointestinais, pneumonias, em ferimentos, queimaduras e cortes cirúrgicos", explica o infectologista Jacyr Pasternak, da Comissão de Controle de Infecções Hospitalares do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. A conclusão de que as bactérias gram-negativas se disseminam mais no calor está fundamentada em um estudo que durou sete anos no Hospital Baltimore. Os dados obtidos indicam que o número de pacientes afetados por essas bactérias pode subir até 17% a cada dez graus de elevação da temperatura. Embora as razões do aumento sejam diferentes para cada microorganismo e não estejam bem estudadas, a variação sazonal passa a ser um dado importante na hora do diagnóstico. O reconhecimento do vínculo entre as infecções e o calor deve ser alvo de mais estudos para avaliar seu impacto diante das transformações climáticas globais. Disso espera-se que surjam estratégias de prevenção. Vigilância ainda mais intensa parece ser necessária sobre a Acinetobacter baumannii. Um trabalho veiculado pela revista médica The Lancet Infectious Diseases, na edição que acaba de sair, registrou um crescimento nos casos de infecção provocados por essa bactéria em hospitais americanos. Ela produz contaminações graves e pode levar à morte pacientes com sistema imunológico comprometido. Ataca especialmente pessoas com suporte ventilatório (entubadas). "O simples ato de lavar as mãos é uma forma de combater o micróbio" Apesar de ser velha conhecida dos cientistas, a A.baumannii configura uma ameaça emergente. "Este micróbio está 30% mais resistente do que era em relação aos antibióticos conhecidos", afirmou à ISTOÉ Matthew Falagas, do Alfa Instituto de Ciências Biomédicas de Atenas, na Grécia. Um dos autores do trabalho, ele costuma ser contratado por laboratórios farmacêuticos para falar em congressos sobre o tema. A bactéria também é mais difícil de ser erradicada com os desinfetantes usados nas enfermarias e UTIs. Pode ser transportada na pele de pessoas saudáveis e transmitida aos enfermos por causa da má higienização das mãos dos profissionais da saúde. O relatório de Falagas recomenda aos médicos e enfermeiros higiene rigorosa e muito cuidado com os antibióticos. "Deve-se dar esses medicamentos pelo menor tempo possível para obter o efeito pretendido, em vez de prolongar o uso. Outra boa medida é lavar as mãos entre o atendimento de um paciente e outro, uma prática que apenas 60% dos médicos e enfermeiros adotam", diz Pasternak. Conter o avanço das bactérias multirresistentes é um grande desafi o. Na semana passada, um estudo publicado na revista americana Science deu mais fôlego àqueles que procuram caminhos diferentes para vencer essa guerra. Pesquisadores ingleses conseguiram descrever como o organismo do besouro Tenebrio molitor, o popular bicho-da-farinha, destrói esses microorganismos com facilidade impressionante. Em menos de uma hora, o sistema imunológico desse inseto devorou milhões de Estafilococos aureus usados na pesquisa. Depois, trocou as armas e fez um novo ataque usando proteínas que mostraram efeito bactericida. Com a estratégia, eliminou os Estafi lococos que sobreviveram ao primeiro embate, os chamados mais resistentes. Em vários países já se estuda o desenvolvimento de medicamentos a partir dessa proteína do besouro.
Fonte :Isto é

12.09.2008

Quanto vale uma reputação? Ética Médica.


Quanto vale uma reputação?
Autor: Ciro Mortella*
Reportagens recentes sobre o relacionamento da indústria farmacêutica com os profissionais da medicina, divulgadas em jornais e canais de TV, deixaram de lado um aspecto fundamental: a ética médica.
Profissão das mais respeitadas na sociedade, a medicina se baseia num longo e profundo aprendizado, num saber renovado e acumulado ao longo de toda a carreira e por uma ética que envolve inúmeros aspectos, entre eles a atuação clínica e o relacionamento com os pacientes.

A indústria farmacêutica produz e fornece um bem essencial para a prática médica – o medicamento – e usa os diversos canais de comunicação disponíveis para levar as informações sobre seus produtos para os profissionais habilitados a prescrevê-lo para a população.

O médico precisa das informações dos laboratórios para se atualizar sobre os medicamentos disponíveis, assim como precisa saber das novidades sobre práticas terapêuticas, tratamentos e princípios ativos. São informações que se complementam, sem as quais o médico não pode desempenhar sua função a contento, numa época marcada pela medicina baseada em evidências e a produção acelerada de novos conhecimentos.

Nesse contexto, a visita dos propagandistas dos laboratórios aos consultórios tem uma clara e legítima intenção: a de divulgar entre os médicos as características e as indicações dos medicamentos lançados periodicamente pelas empresas que representam.

No ramo farmacêutico, assim como na área da saúde em geral, a atualização profissional é decisiva. É ela que valida, tanto clínica quanto cientificamente, a escolha deste ou daquele medicamento. É nessa perspectiva que devem ser entendidos os convites dos laboratórios para que médicos profiram palestras ou participem de congressos e encontros de atualização.

Qual é o verdadeiro significado de certas afirmações reproduzidas na imprensa e na mídia eletrônica a respeito da “preocupação com o assédio dos laboratórios farmacêuticos sobre médicos”, ou “o marketing agressivo [que] transmite a imagem de que os novos remédios são mais eficazes e os únicos capazes de curar certas patologias”?

Que os médicos não têm formação nem informação suficientes para escolher as terapias mais adequadas aos seus clientes? Que os médicos abdicariam de sua ética profissional e de seus compromissos com os pacientes, em troca de amostras grátis e viagens?

A que profissionais essas afirmações se referem? Certamente, não aos médicos que levam a sério o Juramento de Hipócrates. Nem aos que, nas palavras de um renomado médico brasileiro, fazem da “medicina uma profissão respeitável”, por meio do “compromisso diário com os doentes (...) e com a promoção de medidas para melhorar a saúde das comunidades”.

O compromisso da indústria farmacêutica não difere daquele assumido pelos doutores. Ele se expressa nos bilhões de dólares investidos anualmente em pesquisa e desenvolvimento (P&D), dos quais resultaram centenas de princípios ativos promissores, atualmente em fase de testes clínicos, para o tratamento de graves enfermidades como aids, doenças materno-infantis, câncer, doenças cardiovasculares, doenças prevalentes entre as mulheres etc.

Médicos e laboratórios têm uma reputação e um importante relacionamento a zelar.

Se a saúde no país vive lá os seus problemas - que não cabe analisar nesse espaço - a medicina brasileira vai muito bem. Transformou-se em referência mundial, graças à qualificação e ao trabalho de profissionais e instituições. E ao apoio da indústria farmacêutica, que lhe fornece algumas das principais armas de seu arsenal terapêutico.

(*) Ciro Mortella é presidente-executivo da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma).