2.12.2012

Saudade

Um nó no lugar do coração

Sentir saudade do que está ali pertinho é tão difícil.
É o tempo perdido, os momentos que a gente não divide, as novidades que a gente não compartilha e o ombro que a gente deixa de emprestar e de ganhar. A vida segue porque é assim que tem que ser. Mas ela segue deixando um arranhãozinho que sempre dói e faz a gente lembrar de que as coisas podiam ser diferentes. 
Podiam. 
Mas não são. 
E não há nada a fazer a não ser esperar e torcer muito para que, essa saudade um dia vire só mais uma história para contar. Mais uma para as centenas que já colecionamos. Nostalgia define.

Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
Clarice Lispector 
 
Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos...

Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...


Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados...


Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...


Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!


A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...


Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...


Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...


Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!!!
Vinícius de Moraes

Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar

Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz

E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor

E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz
Charles Chaplin 
 
Saudade

Saudade é solidão acompanhada,

é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,

é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...


Saudade é o inferno dos que perderam,

é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:

aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:

não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
Pablo Neruda


O segredo dos magros


É possível manter o corpo em forma sem sofrer com dietas torturantes. Dez magros dão a receita


    1. 'COMO DEVAGAR E NÃO JANTO'
    Anderson Magalhães - IMC 23,80
    Peso: 68 quilos
    Altura: 1,69 metro
    Idade: 27
    Profissão: vendedor
    Horas trabalhadas por dia: 11
    Estado civil: solteiro
    Hábitos: nunca belisca entre as refeições e não janta. Come extremamente devagar e só coloca no prato o suficiente para matar a fome
    Vem chegando o verão, e meio mundo, preocupado com o peso, decide começar um regime. Opções não faltam, e a novidade da vez são as dietas que enganam a fome. Mas uma minoria da população, para irritação e inveja de amigos e colegas, passa incólume pela crise da balança. É aquela irritante categoria de pessoas que comem de tudo e, como se contrariassem as leis da Física, se mantêm surpreendentemente em forma. Quem precisa se esfalfar para fechar o cinto ou para entrar no vestido se pergunta qual é o mistério dos felizardos que vivem magros aparentemente sem fazer esforço. Seriam apenas dissimulados, que escondem o sacrifício que fazem? Ou a explicação é somente a genética privilegiada? Para desvendar essas questões, ÉPOCA ouviu as histórias de dez pessoas que conservam a forma sem fazer disso um drama, sem regimes rigorosos e sem rotinas estafantes de malhação. Todos os entrevistados são adultos entre 27 e 42 anos, que têm a agenda ocupada com o trabalho e pouco tempo para se cuidar. 'Eu não me privo de comida mineira, mas coloquei na cabeça que um prato é o suficiente', diz o advogado Fabio Tavares. 'Não vou à academia, mas procuro fazer caminhadas diariamente', diz a terapeuta corporal Gladys França Ruozzi. Em síntese, segundo os médicos, essas pessoas conseguiram desenvolver rotinas que as ajudam a manter a forma sem dietas radicais, mas com uma vida que equilibra nutrição adequada e alguma atividade física.

    Frederick Jean/ÉPOCA
    2. 'COMPENSO O EXAGERO NA HORA'
    Estudos mostram que menos de 10% dos adultos conseguem viver totalmente relaxados com a balança. Alguns porque têm uma maior capacidade de queimar calorias excedentes, outros por se satisfazer com quantidades ínfimas de comida. Na ponta oposta estão os obesos, com índice de massa corporal (IMC) acima de 30. A maioria das pessoas fica entre a faixa considerada saudável e a de sobrepeso. Mesmo nessa última categoria, muitos são considerados 'magros'e saudáveis, porque fatores como massa muscular alta podem elevar o IMC. Mas, ao entrar nessa faixa, boa parte dos homens costuma reclamar da barriga e as mulheres evitam o biquíni. Muitos experimentam alguma dieta da moda, cujos efeitos não perduram. Para esse grupo, as lições de equilíbrio de quem permanece magro por quase toda a vida são especialmente úteis.
    O economista Fernando Zorio conta que sempre comeu muito e passou a adolescência 'com algumas gordurinhas'. Quando percebeu que podia perder a batalha, começou a desenvolver novos hábitos. Um deles foi o de reduzir as porções de comida. 'Tento sair da mesa com fome', revela. O outro foi começar a correr 7 quilômetros, três vezes por semana. Diz que na beirada dos 40 se sente melhor do que na juventude, sem virar escravo de dietas. A produtora Patrícia Fernandes tem um relato semelhante. Ela viveu fora do peso na adolescência, mas conseguiu dar uma virada. 'Tenho muita consciência de que não posso bobear. Se eu sair da linha, engordo', afirma. Para se manter no peso, ela também adotou uma série de hábitos novos. Em vez de doces, procura comer barras de cereais. Quando faz uma refeição mais calórica, tenta compensar na próxima. 'Estar bem comigo é muito mais prazeroso', diz.

    Fotos: Fabiano Accorsi/ÉPOCA
    3. 'COMO A CADA TRÊS HORAS'
    Patrícia conseguiu se reprogramar no momento certo. Na transição da adolescência para a vida adulta, muitas pessoas ganham peso, pois não se dão conta de alterações importantes no estilo de vida. Adultos ficam mais dependentes de carro para se locomover, costumam se divertir em pizzarias e choperias e têm menos tempo para praticar esportes. Vistos isoladamente, são fatores menores. Porém, a soma desses desvios acaba produzindo um resultado visível na balança. O endocrinologista Márcio Mancini, do Grupo de Obesidade e Doenças Metabólicas do Hospital das Clínicas, de São Paulo, diz que, em termos de calorias, uma laranja por dia além do necessário acaba levando a um ganho de 1 quilo em seis meses. Segundo os médicos, atacar o problema no começo facilita muito. Psicólogos que pesquisaram o assunto descobriram que a maioria dos obesos ignorou o problema quando percebeu que estava começando a ganhar peso.

    No caso das mulheres, a gravidez representa uma ruptura no estilo de vida. Nessa fase, mudanças hormonais e metabólicas também dificultam o controle de peso. 'Nunca sofri com a balança até completar 30 anos e ter meu filho. Fiquei gorda, com culote e cheguei aos 57 quilos', conta a relações-públicas Mônica Falcão. Ela diz que sua primeira investida contra o excesso de peso foi muito sistemática. 'Por dois anos, não comi uma batata frita', diz. Depois, começou uma mudança de hábitos mais gradual e profunda. Hoje, opta por tudo light. Procura comer a cada três horas e faz exercícios. Com isso, não se priva de quase nada. #Q:O segredo dos magros - continuação:#

    4. 'Não como gordura'
    Um adulto precisa em média de 2.500 calorias por dia para viver. Se ingere mais ou gasta menos do que isso, o excesso se acumula em forma de gordura. 'No final das contas, é matemática. Para emagrecer, é preciso gastar mais calorias do que se consome', diz o endocrinologista Mancini. Muitos que enfrentam dificuldades com a balança, porém, ignoram essa lei, ou fingem que podem driblá-la. A analista financeira Ana Paula Tapia Bin conta que, para não abrir mão de um cheese-salada, faz compensações. Por exemplo, no café-da-manhã toma leite com chocolate sem açúcar e come pão light com requeijão light. Soluções desse tipo são eficientes e não exigem que se ande com uma calculadora para contabilizar as calorias de cada refeição. Médicos que estudam o tema acreditam que aqueles que vencem a balança com mais facilidade acabam desenvolvendo fórmulas mentais que os fazem ter atitudes de pessoas magras. O vendedor Anderson Magalhães se acostumou a mastigar bem devagar a fim de se sentir satisfeito com menos comida. A atitude funciona porque o cérebro demora um pouco até receber a informação de que a quantidade de comida ingerida foi suficiente. Comer devagar realmente ajuda a parar na hora certa.

    A outra ponta da equação é gastar mais calorias. O mito que assusta muita gente é o de que é necessário se submeter a uma disciplina militar para tirar proveito do exercício físico. O fato é que, para controlar o peso, também é possível tirar benefícios de atividades físicas leves. Uma hora de caminhada gasta cerca de 240 calorias, equivalente a um milk-shake do McDonald's. É alta a taxa de fracasso daqueles que resolvem da noite para o dia entrar em um programa qualquer de exercícios puxados. Por isso, é melhor encontrar um ritmo confortável e uma atividade que proporcione satisfação. O advogado Gustavo Baêta joga tênis quase todo dia. 'Além de descarregar o stress, me sinto livre para comer o que quiser', diz. 'Só pela disciplina seria difícil manter o ritmo', conta.

    Frederick Jean/ÉPOCA
    5. 'NAMORAMOS NA ACADEMIA'
    Os magros contumazes são atentos a detalhes. O advogado Fabio Tavares leva frutas para o trabalho e, com isso, quando bate a fome, evita petiscos mais calóricos e menos nutritivos. O empresário Fernando Elkis, dono de uma casa noturna, descobriu que, se forrar a barriga com filé de frango e salada antes de sair de casa, evita a tentação dos petiscos na rua. Para a maioria das pessoas, mudar os hábitos, reprogramar detalhes da rotina e achar um ponto de equilíbrio entre alimentação e atividade física parece menos atraente que embarcar na dieta da moda. Mas isso costuma ser mais eficiente - afinal, exige apenas certa dose de autoconhecimento.

    Dietas da moda, mesmo que reduzam drasticamente o peso num primeiro momento, não têm efeitos duradouros. Adotar novos hábitos funciona melhor, mas as pessoas costumam resistir à mudança. O psiquiatra Fábio Salzano, vice-coordenador do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo (Ambulim), diz que o primeiro passo é tentar identificar as mudanças que precisam ser feitas no dia-a-dia. 'A grande dificuldade é que não existe uma receita de bolo que dê certo para todo mundo', diz. 'Cabe a cada um identificar onde está seu problema e combatê-lo', explica.
    Sabe-se também que fatores psicológicos desempenham um papel importante nessa história. Clínicos experientes perceberam que as pessoas mais bem-sucedidas na tarefa de manter uma vida saudável e peso sob controle desenvolvem um sistema de motivação para compensar eventuais sacrifícios. A atriz e empresária Maria Manuela Assunção diz que resolveu suprimir a gordura e os doces de sua alimentação. O prêmio é o espelho. 'Eu me cuido porque gosto de mim magra.' Também é o caso de Fernando Elkis. Ele diz que 'adora beber', e abre mão desse prazer. 'No futuro, vou sentir a diferença e vai valer muito a pena', aposta.

    Frederick Jean/ÉPOCA
    6. 'CONTROLE DURANTE A SEMANA'
    #Q:O segredo dos magros - continuação:#
    7. 'BEBO SÓ SUCO E ÁGUA'

    Fabiano Accorsi/ÉPOCA
    8. 'SAIO DA MESA COM FOME'

    9. 'VOU À ACADEMIA TODO DIA'


    10. 'NÃO COMO TUDO QUE GOSTARIA'

    #Q:Como calcular o IMC:#
    O QUE É INDICE DE MASSA CORPORAL

    #Q:Novas dietas:#
    Coma mais, por menos
    Sem abandonar a contagem de calorias, novas dietas apostam no conceito da saciedade e de como os alimentos são absorvidos
    Aida Veiga
    Depois que o império Atkins pediu concordata e as dietas de proteínas e de baixos carboidratos perderam popularidade, surge um novo capítulo na centenária luta contra a balança. São regimes baseados no conceito de saciedade, que sugerem alimentos que permitem à pessoa comer bastante, consumindo uma quantidade menor de calorias e produzindo menos gordura. Melhor: não exigem que ninguém subsista apenas de folhagens, sementes e outras opções insossas - porém saudáveis. No cardápio desses dois programas - volumétrico e de índice glicêmico - é possível comer quase tudo. Basta, é claro, ter moderação. Se balanceados com outros alimentos e na devida proporção, pode-se almoçar um prato de macarrão ou deliciar-se com um pedaço de chocolate no final da tarde.
    Tentador? Sem dúvida. É por isso que essas dietas estão fazendo tanto sucesso. 'Está provado que regimes radicais emagrecem num primeiro momento, mas não levam ninguém a manter a forma. Fórmulas mágicas que inventam 'o que' comer também não funcionam. Essas novas dietas sugerem 'como' comer, o que faz muito mais sentido', aposta o nutricionista David Katz, professor da Universidade de Yale nos Estados Unidos e uma das maiores autoridades no assunto.

    Estudo mostrou que quem come salada antes de um prato de macarrão consome 100 calorias a menos do que quem fica só na massa; quem optou por uma sopa no lugar de uma refeição perdeu 50% a mais de peso do que quem comeu um prato qualquer
    O programa Volumetrics foi criado pela nutricionista Barbara Rolls, professora da Universidade da Pensilvânia e ex-presidente da Associação Norte-Americana para Estudos da Obesidade. Nas últimas três décadas, ela estudou como os alimentos influenciam o apetite e o grau de satisfação dos indivíduos. Foi uma das primeiras cientistas a notar que o ser humano ingere o mesmo volume de comida todo dia - mas não a mesma quantidade de calorias. Também descobriu que quanto maior a porção de um alimento, mais as pessoas comem. E concluiu que a sensação de saciedade é específica para cada comida. É por isso que uma pessoa, mesmo se fartando numa churrascaria, ainda tem espaço para um doce. Hoje, esses conceitos são mundialmente aceitos.
    A partir de pesquisas feitas em laboratório, ela criou um plano baseado na densidade energética de cada comida e em sua capacidade de 'encher' a barriga. 'Elaboramos uma dieta em que a escolha dos alimentos ajuda a pessoa a se sentir satisfeita com menos calorias', explicou Barbara Rolls em entrevista a ÉPOCA. A densidade energética é calculada dividindo-se o número de calorias de uma porção por seu peso em gramas. Os alimentos de menor densidade energética têm menos calorias em uma porção que seu peso. São basicamente as frutas e verduras. Depois vêm os alimentos cujo número de calorias é igual ou um pouco maior que seu peso. Entram aí arroz, feijão, batata, peixe, frango e macarrão. Devem ser controlados aqueles com coeficiente igual ou maior que dois na equação: carne vermelha, sorvete, batata frita e queijo.
    Mas, no plano de Rolls, ninguém precisa se tornar um vegetariano. Ela não só ensina a equilibrar o insosso grupo dos alimentos de baixa densidade com o apetitoso de alta, como também sugere truques para diminuir a quantidade de calorias ingerida. Por exemplo: acrescentar alimentos ricos em água, como verduras, ao preparar uma carne. Um cozido tem menos calorias e sacia mais que um simples bife. Outro truque é começar a refeição com uma salada ou sopa. Ambas vão provocar uma sensação de saciedade, levando a pessoa a atacar com menor ganância o segundo prato - seja ele uma pasta ou um estrogonofe. O preparo dos alimentos também faz diferença. Uma massa, que absorve água enquanto é cozida, tem metade da densidade energética de um pão italiano - apesar de possuírem ingredientes semelhantes. 'Quanto mais seco for o alimento, maior é sua densidade energética', diz ela.
    Já a dieta do índice glicêmico visa diminuir a produção de gordura no organismo. Ela baseia-se na capacidade e na velocidade que um alimento tem de aumentar os níveis de glicose, levando o corpo a produzir insulina. 'Desde uma simples hortaliça até a mais calórica guloseima, a maior parte dos alimentos aumenta o nível de açúcar no sangue, levando a uma maior geração de insulina. Em excesso, isso faz o organismo produzir gordura', explica o cardiologista e nutrólogo Jota Rodrigues. Como não é usada, essa gordura extra fica depositada, e engorda. Além disso, como alimentos de alto índice glicêmico são absorvidos rapidamente, sente-se vontade de comer logo. Já aqueles de baixo índice glicêmico fazem com que a insulina seja mais bem aproveitada pelo corpo, diminuindo a produção de gordura e provocando uma sensação de saciedade por mais tempo.

    Quanto maior o tamanho da porção, maior é a quantidade consumida. Numa porção de 500 g, adultos comem 320 g; na de 1.000 g, o consumo pula para 450 g - 30% a mais
    Vedetes no programa volumétrico por sua baixa densidade energética, as fibras são os alimentos com menor índice glicêmico. Elas demoram a ser digeridas, elevando aos poucos o nível de açúcar e provocando maior saciedade. Mas o índice glicêmico pode variar. Alimentos cozidos ou assados têm uma digestão mais rápida que os crus, o que aumenta a velocidade de absorção do carboidrato. Muito ácidos, o limão e o vinagre têm a capacidade de retardar essa velocidade. Assim, o alimento demora mais para elevar o índice glicêmico. Carnes, embutidos e vários laticínios como queijo não produzem açúcar. 'Mas isso não quer dizer que eles estejam liberados', alerta Jota Rodrigues. 'Um médico saberá dosar o consumo dependendo da necessidade de proteína de cada pessoa.'
    'As duas propostas apresentam conceitos relevantes que podem ser levados em consideração na hora de escolher um alimento, mas não representam uma dieta ideal', diz o endocrinologista Walmir Coutinho, presidente da Federação Latino-Americana das Sociedades de Obesidade. 'Seja através de uma ou de outra, aprender a comer de forma balanceada, preocupando-se também com a saciedade, já é um grande passo', afirma David Katz. O futuro, dizem os cientistas, está nas dietas customizadas - baseadas nas necessidades de cada pessoa e nos fatores de risco para a saúde. Se ela tem colesterol alto, vai precisar comer menos gordura. Se o problema são os triglicérides, terá de diminuir o consumo de carboidratos. Se for diabético, vai precisar cortar o açúcar. E, se quiser emagrecer, terá de escolher alimentos menos calóricos. Para isso, tanto a volumétrica como a dieta do índice glicêmico são boas opções. #Q:Novas dietas - continuação:#
    =
    200 cal
    Dois pedaços de pão com manteiga de ervas equivalem a um prato de salada com peito de peru

    =
    300 cal
    Uma porção de nuggets de frango equivale a um prato de macarrão com molho vegetariano

    =
    150 cal
    Uma porção de passas equivale a uma sobremesa de pêssegos em calda
    Fotos: Marcio Lanzarii/ÉPOCA
    colaborou Suzane Frutuoso
    #Q:Como calcular a densidade energética:#

    Rachel Campello com Marcela Buscato
    Revista Época

    Nhoque ao sugo ou salada Caesar

    “Precisamos pedir o prato de acordo com nossa necessidade de energia e de prazer – e não pelo tamanho da fome”, diz Lancha Jr. “Se a pessoa passou muitas horas sem comer nada (o que já é um erro), deve pedir uma torrada quando chegar ao restaurante”. Depois de aplacar a ansiedade e melhorar o humor, aí sim poderá fazer uma escolha mais saudável – sem restrições malucas e sem abrir mão do prazer. 
    Os comportamentos corriqueiros e mitos sobre alimentação saudável divulgados à exaustão na internet para criar um livro útil e cheio de comparações surpreendentes.
    O primeiro deles: quem escolhe uma salada Caesar porque não quer engordar faria melhor negócio se pedisse um nhoque ao sugo. A salada de alface e frango grelhado leva também molho cremoso e porções generosas de queijo parmesão. Um prato costuma ter 329 kcal e 16 gramas de gordura. Quatro colheres de nhoque de batata com uma concha de molho (sem queijo ralado) contêm menos calorias (213 kcal) e gorduras (3 gramas). Bom saber disso, não é?
    O livro, parecido com o guia americano Eat this, Not that!, de David Zinczenko, traz muito mais. Compara 106 pratos da cozinha internacional consumidos no Brasil, sobremesas e itens vendidos em cafeterias. Fica fácil identificar as melhores escolhas em qualquer ocasião e em qualquer tipo de restaurante (italiano, japonês, português, indiano etc).
    . Você sabia que uma fatia de pudim de leite é uma opção mais interessante que um naco de Romeu e Julieta? “Quem acha que se alimenta bem e se preocupa com a saúde e a boa forma costuma errar em pequenos detalhes”, diz Lancha Jr. Um erro corriqueiro é escolher pizza de massa fina. O que torna a pizza engordativa é a grande quantidade de gordura presente no recheio.
    Ao escolher a massa fina precisamos de vários pedaços para nos sentir satisfeitos. Por causa disso, ingerimos mais gordura. Com a massa mais grossa, comemos menos fatias. Logo, vamos ingerir menos gordura.
    Duas boas opções são as pizzas de atum ou caprese (mozarela de búfala, tomate e manjericão). Sempre de massa grossa. É claro que se você for um glutão do tipo que come seis pedaços, essa estratégia não funciona. Nesse caso, a espessura da massa será indiferente.
    Outro mito é o do “grelhado com salada”. É uma opção rica em proteína, gordura, vitaminas e sais minerais – mas pobre em carboidatros. É por isso que em geral sentimos vontade de comer “um docinho” pouco tempo depois.
    Os autores explicam que isso acontece porque o organismo sente falta do carboidrato. Ou melhor: sente que a glicemia (concentração de glicose no sangue) pouco se alterou após a refeição – diferentemente das concentrações de lipídios (provenientes da gordura), aminoácidos (provenientes da proteína), vitaminas e sais minerais.
    É preciso comer de tudo – com moderação e inteligência. Restringir a ingestão de determinado tipo de nutriente é bobagem. A ausência dele será sentida e diversos mecanismos de estímulo ao consumo serão disparados até que essa falta seja suprida.
    Quando sentimos fome também não adianta apelar para litros e litros de água ou para a monotonia de salada no almoço e no jantar durante vários dias. O corpo possui necessidades biológicas bem definidas – influenciadas por fatores sociais e emocionais. Quem pretende emagrecer precisa compreender e respeitar essas necessidades. As dietas falham justamente porque desprezam esses fatos.
    Passar muitas horas sem comer, adotar dietas malucas ou ficar em jejum são boas formas de engordar. Isso tudo estimula a produção de gordura pelo organismo – um processo chamado de lipogênese. Num primeiro momento, a pessoa perde peso porque perde músculo (a tal massa magra), mas o organismo passa a produzir mais gordura. E ainda armazena maiores quantidades de gordura encontradas nas refeições seguintes.
    Para emagrecer – e para ser feliz à mesa – é preciso perceber que os alimentos são muito mais que um amontoado de calorias. “A alimentação é um elemento fundamental do convívio social. A palavra comemorar vem do verbo comer. Nós COMEmoramos”, diz Lancha Jr.
    Que as informações possam ajudar você a comer melhor e a comemorar mais!
    Alimentação light coluna Cristiane Segatto (Foto: ÉPOCA)
     

    Biquínis à brasileira

    O país dita moda praia para todo o mundo. Conheça as tendências do próximo verão

    MARGARIDA TELLES
    MADE IN BRAZIL Modelo com biquíni brasileiro. As consumidoras daqui preferem peças menores  (Foto: Rodrigo Schmidt/ÉPOCA)
    Quando o assunto é praia, os brasileiros são conhecidos no exterior não só pela exuberância das mulheres e pela depilação com cera quente que leva o nome de nosso país. Os biquínis e os maiôs brasileiros são referências pela qualidade dos tecidos e pelo design cheio de bossa. Uma pesquisa inédita revela que a brasileira é a mulher mais exigente na hora de comprar as peças de moda praia. E que outros países seguem nossas tendências na hora de escolher a roupa para andar na areia ou na beira da piscina. “As pessoas no exterior não procuram apenas biquínis. Elas querem biquínis brasileiros”, afirma Renato Thomaz, diretor da grife Água de Coco. “Virou um objeto do desejo.”
    A Invista, dona da marca Lycra, comparou como 2.576 mulheres no Brasil, na Alemanha, nos Estados Unidos, na França, na Itália e no Reino Unido escolhem a roupa de praia. Até há pouco tempo, a moda era marcada por tendências bem definidas e pouca variedade de estampas e cores. Um verão era da bolinha, o outro das listras. “Hoje, cada marca trabalha com pelo menos quatro ou seis bases diferentes de tecidos”, afirma Amalia Spinardi, criadora e estilista da Jo de Mer. Por trás da variedade de desenhos, está um avanço técnico. Novas tecnologias digitais permitiram imprimir em tecidos de moda praia estampas antes impraticáveis em larga escala.
    A pesquisa da Invista também mostra nossa influência. Segundo o levantamento, a consumidora brasileira dita moda em estampas, tecidos e na forma de usar biquíni. Antes, cada país tinha tendências bem diferentes do outro. Agora, a estamparia usada nos cinco países pesquisados é muito similar à do Brasil. Por aqui é comum misturar a parte de cima de um modelo com a de baixo de outro. Esse hábito começa a ser disseminado lá fora. A brasileira também é a mais exigente. Para 66% delas, a qualidade é o primeiro ponto que avaliam para escolher uma peça. “Um biquíni bem-aceito pelo público brasileiro é um produto com qualidade mundial”, diz Paola Robba, diretora da Poko Pano.
    O tamanho das peças usadas e fabricadas em outros países também mudou. Os modelos estão muito similares aos brasileiros. O ponto de discórdia ainda é o bumbum. “As brasileiras preferem modelagens menores. Acabamos adaptando as peças para a exportação”, afirma Benny Rosset, estilista e dono da Companhia Marítima.
    TENDÊNCIAS PARA 2013 (Foto: Fonte: pesquisa realizada pela Invista em 2011)

    ESTILOS PRÓPRIOS Modelos com biquínis das grifes de cada país (Foto: Vittorio Zunino Celotto/Getty Images, Imago Stock&People (2), Johannes Eisele/AFP, Barry Sweet/Newscom e Sendi Morais/ÉPOCA)














    UM MODELO PARA CADA CORPO (Foto: revista ÉPOCA/Reprodução)

    Quer ser criativo? Beba ou fique com sono


    Pesquisas com estudantes mostraram que a criatividade aumenta quando as pessoas estão sonolentas ou sob efeito de álcool
    Por Época Negócios Online
     Shutterstock
    Eu bebo sim: estudo comprovou que estudantes embriagados apresentaram melhor desempenho em questões que pediam mais imaginação na sua resolução
    Resolva a questão a seguir. “Marsha e Marjorie nasceram no mesmo dia, mês e ano e são filhas da mesma mãe e do mesmo pai. Mesmo assim, elas não são gêmeas. Como isso é possível?”.
    Isso é possível porque elas são “trigêmeas”.
    Provavelmente, você teria respondido a essas duas perguntas com muito mais velocidade se estivesse bêbado ou com sono. Pelo menos, é o que dizem dois estudos realizados por pesquisadores dos Estados Unidos. Segundo eles, dormir e consumir bebidas alcoólicas pode deixar as pessoas mais inspiradas e criativas.
    A informação foi divulgada pela revista Wired. A primeira pesquisa, realizado por cientistas da Universidade de Illinois, em Chicago, comparou o desempenho dos estudantes em questões parecidas com a exibida acima, que exigem mais imaginação e um pensamento “fora da caixa” para a sua resolução.
    Os especialistas embebedaram parte dos voluntários e compararam seus resultados com os de alunos sóbrios. Por incrível que pareça, o resultado mostrou que os voluntários que haviam bebido resolveram as questões em menos tempo. Segundo os pesquisadores, eles mostraram 30% a mais de chances de encontrar a solução para as perguntas do que os estudantes sóbrios.
    Já o outro estudo, este realizado na Universidade de Albion, em Michigan, entrevistou mais de 400 alunos da instituição sobre seus hábitos e descobriu os períodos do dia em que eles se sentiam mais ativos. Como esperado pelos especialistas, a maioria dos universitários preferia estudar e fazer outras tarefas à noite, quando estavam mais despertos.

      shutterstock
    Os voluntários da pesquisa foram testados durante a manhã e a noite, com questões analíticas e outras mais criativas
    Assim, os estudantes foram testados em dois horários: durante a manhã e durante a noite. Eles resolveram - além das questões que exigiam um pouco mais de imaginação-, problemas de álgebra, que pedem mais concentração e foco.
    Os resultados mostraram que quando os estudantes foram testados durante a parte do dia em que sentiam mais solonentos, seu desempenho nas questões criativas foi muito melhor do que quando estavam atentos. Segundo os especialistas, a performance dos voluntários nessas perguntas aumentava em quase 50% quando estavam com sono. Enquanto isso, o desempenho dos alunos nos problemas analíticos de álgebra praticamente não foi afetado pelo horário em que realizaram a prova.
    Esses resultados mostram os benefícios de não estar concentrado. O uso do álcool e o sono tornam mais difícil ignorar associações remotas feitas pelo cérebro e pensamentos que logo seriam considerados improváveis quando se está atento ou sóbrio. Moral da história: se quiser ser criativo, beba ou fique com sono. Será?