11.02.2019

Bolsonaro diz que pegou gravação da portaria do condomínio onde tem casa no Rio 'antes que fosse adulterada'

Por Luiz Felipe Barbiéri, G1 — Brasília
 

O presidente Jair Bolsonaroafirmou neste sábado (2) que pegou a gravação das ligações da portaria do Condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro, onde tem uma casa, para que não fossem adulteradas. O presidente falou com jornalistas sobre o assunto durante visita a concessionária em Brasília, onde ele comprou uma motocicleta.
Reportagem do Jornal Nacional mostrou na terça-feira (29) que um porteiro do condomínio contou à polícia que, horas antes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes, o ex-policial militar Élcio Queiroz, suspeito de participação no crime, esteve no local e disse que iria à casa 58, casa que pertence ao presidente, e que o "seu Jair" atendeu ao interfone e autorizou a entrada.
Queiroz, entretanto, seguiu para a casa de Ronnie Lessa, outro suspeito do assassinato, no mesmo condomínio. Naquele horário, o então deputado Jair Bolsonaro estava em Brasília e participou de votações na Câmara no mesmo dia.
"Nós pegamos, antes que fosse adulterada, ou tentasse adulterar, pegamos toda a memória da secretária eletrônica que é guardada há mais de ano. A voz não é a minha", declarou Bolsonaro.
Neste sábado (2), o presidente voltou a dizer que estava em Brasília e não
 no Rio de Janeiro no dia em que o ex-policial militar Élcio Queiroz esteve no Condomínio Vivendas da Barra.
00:00/07:05
MP diz que depoimentos do porteiro do condomínio de Bolsonaro não condizem com a realidade

Gravação da portaria

Na quarta (30), o Ministério Público do Rio de Janeiro afirmou que um 
áudio obtido na investigação da morte de Marielle e Anderson mostra 
ex-PM Élcio de Queiroz no Condomínio Vivendas da Barra, horas 
antes do crime, em 14 de março de 2018 (veja no vídeo acima). 
Suspeitos de serem os autores do assassinato, os dois estão presos 
desde março deste ano.
Também na quarta, uma gravação divulgada pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) mostrou que a autorização para a entrada do 
u da casa em que morava outro suspeito – Ronnie Lessa – e não da 
casa do presidente.
Nesta sexta-feira (1º), o presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais, Marcos Camargo, afirmou que a análise das provas que envolvem o sistema que registra ligações de interfone no condomínio do presidente Jair Bolsonaro foi superficial e que a ausência de perícia oficial pode levar à nulidade do processo.
"Lá na frente, se não tiver perícia, ele é passível de ser anulado", 
afirmou Marcos Camargo. A decisão sobre o arquivamento ou nulidade
 do processo cabe à Procuradoria-Geral da República (PGR).

A Grécia passou a ser comunista

10.30.2019

Tic Tac: a semana decisiva


Quarta-feira, 30 de outubro de 201

Toque de recolher no Chile. Manifestações intensas no Equador. Multidões nas ruas na Bolívia, Venezuela, Haiti, Colômbia, Argentina, Hong Kong, Líbano, França, Egito, Iraque e mais. Até nos Estados Unidos as pessoas saíram de casa para exigir seus direitos. Este ano foi extremamente agitado no Brasil, mas ao redor do continente e do mundo também. E 2020 será ainda mais louco.
As populações estão de saco cheio de ser ignoradas, abusadas e descartadas por seus governos. Suas condições financeiras estão cada vez mais precárias, enquanto os ricos estão cada vez mais blindados pela lei. 
Os políticos e os mais ricos que os controlam são os principais culpados por este cenário. A grande mídia oligárquica também tem sua responsabilidade. Aquela mídia que vende como boas as reformas que tiram dos mais pobres e da classe média e dão para os mais ricos. A mídia que obriga seus funcionários a evitar certas pautas "polêmicas" e passar pano para quem controla o cofre de verbas públicas. A mídia que estimula ódio porque ele vende bem e opta por entretenimento em vez de investigações, pois dá menos dor de cabeça. Essas empresas de mídia esqueceram que deveriam ser a voz da população e fiscalizar o poder. Sem jornalistas cumprindo sua função a pressão acumula e eventualmente, em um instante, a panela explode. 
Aqui no Intercept a gente sabe qual é o nosso papel e a #VazaJato comprovou que topamos arriscar tudo para cumpri-lo. Agora, pensando em 2020, estamos sonhando ainda mais alto. Temos uma eleição importantíssima para cobrir, um governo indecente para fiscalizar e uma sociedade que está desesperada por justiça.
Topamos enfrentar os gangsters de todos os setores porque nosso jornalismo que não se ajoelha, que não se vende e que não teme o poder é mais necessário do que nunca. Mas não podemos fazer nada sem sua ajuda.
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As ideias estão fervilhando por aqui. Isso porque estamos montando o orçamento do próximo ano. É nesse momento que planejamos o que será possível fazer de audacioso em 2020. Vídeos, viagens, investigações exclusivas — tudo isso é caro! Quem mais conseguimos contratar? Quantos repórteres cobrindo novas áreas? Um podcast ou videocast, talvez? O quão alto podemos sonhar?
Eu sou um dos responsáveis por essa estratégia como Editor Geral e o principal ponto de interrogação na minha cabeça hoje é: o quanto eu posso contar com o apoio dos leitores do TIB? Porque é esse apoio que nos permite ir além. Exatamente como aconteceu em 2019. Graças a vocês, conseguimos contratar um novo diretor de vídeo (temos grandes surpresas para vocês em 2020!) e seis novos estagiários que já estão com a mão na massa. Abriremos um estúdio para gravar vídeos de alta qualidade em breve e contrataremos pelo menos mais uma jornalista. Tudo isso foi por causa do apoio massivo que nossos leitores nos deram.  
O Intercept não tem conteúdo pago e diariamente nossos leitores dizem o quanto nos valorizam, basta ver o tamanho da nossa comunidade e como ela se mobiliza. Somos mais de 9 mil pessoas hoje. No entanto, este número está bem abaixo do que chegamos a reunir em agosto, infelizmente. A verdade é que as doações estão ficando aquém das projeções que tínhamos há alguns meses. É por isso que essa semana é decisiva. Teremos que fechar os planos logo e antes de passar a régua no orçamento a gente precisa mobilizar mais leitores para nos apoiarem e com isso garantir que 2020 seja um ano como nenhum outro. Se isso não acontecer teremos que reduzir nossos planos, contratar menos profissionais, fazer menos investigações explosivas. Cá entre nós, é tudo que Bolsonaro quer, não? 
Nós não temos investidores ou uma família por trás. É esse dinheiro que vem dos leitores que nos permite ter um jornalista por 6 meses cultivando uma fonte. É com isso que podemos levar uma equipe para o interior de Minas Gerais e cobrir a violência da Vale contra populações ribeirinhas ou manter uma correspondente no nordeste e equipes em Rio, São Paulo e Brasília. Esse trabalho nos expõem sem gerar lucros.
Bom, nós temos uma semana para fechar o orçamento e garantir que em 2020 esse esforço não diminua. O que nós queremos na verdade é dobrar a meta: ampliar a equipe, publicar mais, investigar cada escaninho do governo, expandir nossa cobertura para cada canto do país e não dar um dia de descanso para os poderosos. 
Nós fomos ameaçados pelo governo. Nosso site vive sob constante ataque. Nosso endereço foi exposto por deputados governistas. Mas nós não daremos um passo atrás. 
Editor Geral