5.18.2015

MULHER

Polícia prende porteiro que aplicava golpe do disque-extorsão em moradores do prédio


O porteiro, que selecionava vítimas do condomínio onde trabalhava Foto: Divulgação
Paolla Serra
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Agentes da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) prenderam um porteiro de um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, que selecionava moradores do prédio e os indicava para serem vítimas da quadrilha que aplicava golpes do “disque-extorsão”. Vitor Alexandre dos Santos, de 28 anos, foi capturado em Realengo, também na Zona Oeste, onde marcou para um rapaz lhe entregar R$ 5 mil. O dinheiro seria para liberar o filho da vítima, que os criminosos diziam ter sequestrado.
Thiago, que está preso no Complexo de Gericinó, e seria o responsável por ligar para as vítimas
Thiago, que está preso no Complexo de Gericinó, e seria o responsável por ligar para as vítimas Foto: Divulgação
De acordo com o delegado Antenor Martins Lopes, titular da Dcod, o golpe começava com Thiago Cipriano Fraga, de 27 anos, ligando para as vítimas e simulando que estava com seus filhos e parentes. O criminoso - que cumpre pena pelo crime de homicídio no Complexo de Gericinó, em Bangu - fazia ameaças e não permitia que a pessoa desligasse o telefone. Ele a direcionava a um ponto de encontro onde Vitor e Márcio Cipriano Fraga, de 25 anos, arrecadavam o dinheiro para o suposto resgate.
Márcio, que foi baleado e está custodiado no Hospital Albert Schweitzer, em Realengo,
Márcio, que foi baleado e está custodiado no Hospital Albert Schweitzer, em Realengo,
Na madrugada desta segunda-feira, os agentes da especializada foram com uma vítima até o ponto marcado. Parte do diálogo entre ela e Thiago foi registrada em áudio, pelo celular.
Ao serem abordados pelos policiais, eles reagiram e Márcio acabou sendo baleado. Ele está internado no Hospital estadual Albert Schweitzer, em Realengo, e não corre risco de morrer. Já Vitor foi preso em flagrante. Os dois, além de Thiago, foram autuados pelo crime de extorsão, cuja pena chega a quatro anos de prisão.
Nas mensagens, Thiago orienta Vitor a selecionar os moradores
Nas mensagens, Thiago orienta Vitor a selecionar os moradores "ricos" Foto: Divulgação
Numa troca de mensagens entre Vitor e Thiago, o porteiro conta que “trabalha na portaria” e tem nomes e número de apartamentos e blocos dos moradores. O presidiário então determina que o comparsa selecione “nomes de ricos”, o que é aceito por Vitor. Em outra conversa, ele ainda se coloca à disposição da quadrilha: “Se tiver trabalho para o lado da Taquara, já vou estar por lá”.
Nas mensagens, o porteiro se coloca à disposição da quadrilha
Nas mensagens, o porteiro se coloca à disposição da quadrilha Foto: Divulgação

Jô e Dilma

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Presidente receberá nesta segunda-feira 18 o apresentador da Globo Jô Soares para um bate-papo informal no Palácio da Alvorada, residência oficial da presidência; não haverá gravação de entrevista, nem o encontro será transmitido pela emissora no programa diário; visita de Jô a Brasília faz parte de uma nova forma de aproximação de Dilma Rousseff com a mídia, que prevê ainda novas conversas fora das câmeras, as chamadas "off the records", com outras personalidades; o apresentador tem sido uma voz dissonante na emissora que ataca frequentemente o governo por diversas vias; ele condenou no final do ano passado "o surto de impeachment" no Brasil e o que chamou de "paranoia bolivariana"; neste mês, voltou a criticar o golpismo tucano: "parece uma coisa de república de patetas"

VAPOR DA DISCÓRDIA: USUÁRIOS DRIBLAM PROIBIÇÃO DE VENDA DE CIGARRO ELETRÔNICO, MAS MÉDICOS QUESTIONAM PRODUTO


e-cigs - 18.05.2015
Tecnologia polêmica. Vendedor de cigarro eletrônico mostra o dispositivo em funcionamento: países têm diferentes posições sobre o produto, que pode ser facilmente comprado no país apesar da restrição da Anvisa – Agência O Globo / Marcos Alves
RIO – Criados no início dos anos 2000, os cigarros eletrônicos vêm se multiplicando em modelos, sabores e controvérsia. Enquanto, em países como EUA e Reino Unido, os chamados e-cigs se popularizaram, em outros, como Dinamarca e Itália, sua venda tem diversas restrições. No Brasil, a comercialização do produto é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas os dispositivos vêm ganhando uma legião de adeptos no país. Eles conseguem adquirir cigarros eletrônicos facilmente pela internet e até em lojas de rua. Há, inclusive, usuários que passaram a comprar grandes quantidades do produto em balcões virtuais para revender por aqui. Só de janeiro de 2014 a este mês, a Receita Federal apreendeu 2.100 unidades, a maioria em Foz do Iguaçu.
Enquanto os usuários, chamados de “vapers”, militam pela sua regulamentação no Brasil, alegando que os e-cigs podem ajudar na luta para abandonar o cigarro convencional, especialistas pedem muita cautela. De acordo com médicos, ainda não há um volume suficiente de estudos para garantir que os dispositivos sejam seguros para a saúde.
Consumidor do produto há cinco anos, um carioca conta que começou a “vaporizar” para abandonar a dependência do cigarro. Desde então, participa de fóruns on-line sobre o tema e, há algum tempo, passou a vender o produto — motivo pelo qual prefere não se identificar.
— Queria parar de fumar e vi que o cigarro eletrônico poderia ser uma opção. No meu caso, deu certo: abandonei o cigarro comum e, hoje, só uso e-cig sem nicotina. Como a venda ainda não é legalizada, cada pessoa tem a sua própria rede de importação. Foi assim que comecei a vender — explica ele, que consegue o produto de fornecedores no Paraguai, na China e nos EUA.
COM OU SEM NICOTINA
Alimentados por baterias, os e-cigs são dispositivos que geram vapor inalável a partir de cartuchos descartáveis com líquidos compostos de aromatizantes, água, glicerol e outros elementos. O usuário pode escolher entre cartuchos com diferentes doses de nicotina ou até sem a substância, considerada altamente nociva e viciante. Justamente por haver essa opção de regular a dosagem de nicotina, muitas pessoas que desejam abandonar o cigarro comum estão adotando o eletrônico.
De acordo Jaqueline Scholz, diretora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Instituto do Coração (Incor), do Hospital das Clínicas da USP, o vapor dos e-cigs percorre os mesmos caminhos da fumaça do cigarro comum: inalado, ele vai para o pulmão e ganha a corrente sanguínea, nos alvéolos pulmonares — uma parte é absorvida pelo organismo e a outra, expelida:
— A diferença do vapor para a fumaça é a ausência das substâncias tóxicas provenientes da combustão.
No Brasil, o produto é vendido por valores que variam conforme o modelo — o comércio é proibido, mas o consumo, não. O mais básico pode ser comprado por cerca de R$ 49. Já um modelo intermediário custa cerca de R$ 130.
Secretária-executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, do Instituto Nacional do Câncer (Conicq/Inca), Tânia Cavalcante considera os e-cigs um grande dilema na comunidade científica:
— Há muito marketing sobre eles e seu possível auxílio no tratamento do vício à nicotina, mas muita coisa sem base científica. Os estudos a respeito ainda são recentes para qualquer conclusão sobre os seus efeitos.
Apesar de o número de “vapers” crescer em todo mundo, sua situação está longe de ser unanimidade entre as autoridades. Enquanto países como Alemanha, França e Reino Unido permitem a sua venda, outros como Dinamarca, Finlândia e Itália o fazem com restrições. No EUA, a sua legalidade varia de acordo com cada estado. Já Argentina e México o proíbem.
Por aqui, a Anvisa alega que a venda dos e-cigs não é permitida porque “não há comprovação clínica nem científica da eficácia e da segurança na utilização de tais produtos”, e nem da sua segurança para o fumo passivo.
Já a Polícia Federal diz que o combate ao contrabando do produto faz parte da sua estratégia contra crimes transnacionais, que englobam tráfico de drogas e armas, e contrabando em geral.
A posição das autoridades brasileiras segue uma conclusão semelhante da Organização Mundial de Saúde (OMS), que no ano passado elaborou um relatório alertando para o perigo que o produto pode ter para crianças e jovens.
VENDA ON-LINE
Nem mesmo o fato de a venda dos e-cigs representar uma infração sanitária sujeita a multa de até R$ 1,5 milhão tem sido suficiente para impedir a sua popularização no Brasil.
— Querendo parar de fumar, acabei pesquisando sobre eles e comprei um normalmente pela internet. Desde então, uso o meu todo dia, e tem dado certo — afirma Thiago Moreira, de 31 anos.
Conhecido na internet como “Japa do vapor”, Nicolas Mori, de 30 anos, mantém um canal no YouTube sobre o tema. Com mais de 90 mil visualizações, ele também compra os e-cigs on-line:
— Adquiri o meu primeiro em 2010, na Rua 25 de Março, em São Paulo. Quando voltei a usá-los, no ano passado, passei a comprar na internet. Chegam pelo correio mesmo.
Em geral, os “vapers” argumentam que a proibição do e-cig trata-se de uma incoerência diante da venda legal do cigarro comum.
— É um contradição, porque o cigarro, que é comprovadamente prejudicial à saúde, é legalizado. Se as autoridades quisessem regularizar os e-cigs, bastava criar regras e fiscalizar o comércio — afirma Moreira.
Apesar de reconhecer que os e-cigs têm menos substâncias tóxicas que o cigarro comum, Jaqueline Scholz, do Incor, nega que eles sejam um tratamento para o vício em nicotina.
— O fato de eles terem vantagens em relação aos cigarros não quer dizer que não tenham outras substâncias tóxicas. A regulamentação dos e-cigs é um debate quente, mas a proibição da sua venda é preventiva — diz ela.

Ministro Ricardo Lewandowski é a favor de recomposição das perdas salariais para os servidores do Judiciário ainda este ano.

SÃO PAULO - O presidente do Supremo Tribunal Federal
 (STF), ministro Ricardo Lewandowski, disse nesta
 segunda-feira aguardar, mesmo com a crise econômica
 e as medidas de ajuste fiscal adotadas pelo governo
 federal, uma possível recomposição das perdas salariais
 para os servidores do Judiciário ainda este ano.
O ministro reconhece a gravidade do cenário econômico
 atual, mas espera que ao menos um plano emergencial
 para repor as perdas aos servidores venha antes de 
janeiro de 2016, que é quando deverá começar o 
pagamento escalonado por parte do governo federal 
de um plano de cargos e salários do Judiciário que
 tramita no Congresso.

- Nós precisamos sempre (de reajuste). Quem é 
que não precisa pagar o supermercado, já que 
houve um aumento do preço dos produtos? Se for
 possível uma recomposição das perdas salariais 
este ano, será evidentemente bem-vinda - disse,
 após participar da abertura, em São Paulo, de um
 seminário que discute a judicialização na área da saúde.
Segundo Lewandowski, o plano em tramitação no 
Congresso contempla também um novo modelo de
 gestão do Judiciário.
- Nós temos tramitando no Congresso Nacional,
 há muito tempo, um plano de cargos e salários 
do Poder Judiciário, dos servidores do Judiciário.
 Não é apenas um plano que prevê aumento das
 diversas categorias dos servidores, mas também
 é um instrumento de gestão. É um plano orgânico,
 sistêmico, que permite não apenas a recuperação
 das perdas salariais dos servidores, mas permite
 também uma melhor gestão desse imenso número
 de servidores em prol de uma prestação jurisdicional
 mais ágil, mais pronta - disse o ministro presidente
 do STF.
- Esse plano, evidentemente, será implantado em
 etapas. Nós já fizemos uma primeira negociação,
 dividindo o impacto econômico desse plano ao longo 
de 4,5 anos, e existe uma contraproposta de que,
 eventualmente, a primeira prestação pecuniária
 desse plano de cargos e salários se dê apenas


Caso o plano em tramitação no Congresso não
 venha ainda este ano, há um plano emergencial 
discutido, segundo Lewandowski.
- Uma outra proposta que nós estamos negociando
 com o Poder Executivo, e também conversando com 
o Poder Legislativo, que deve aprovar esse plano, 
é uma recomposição das perdas salariais de forma
 emergencial. Nós compreendemos que vivemos um
 momento econômico difícil no país, há uma crise
 mundial econômica que reverbera no Brasil, e claro
 que as expectativas têm de ser moduladas em relação
 a essas medidas que estão sendo propostas pelo 
governo de ajuste fiscal. O Judiciário, afinal de contas,
 não é uma ilha dentro desse enorme arquipélago de
 órgãos públicos que existe no Brasil.
O presidente do STF diz que aguarda a chegada de
 outro ministro - o nome de Luiz Edson Fachin, o 
escolhido de Dilma, ainda terá de passar pelo Senado 
- para a Corte discutir, além dos planos econômicos, 
outros temas relevantes, como a divisão dos
 royalties do petróleo.