Cinco suspeitos e grande quantidade de drogas já foram apreendidas
Luarlindo Ernesto
Rio - Policiais do Batalhão de Operações
Especiais (Bope) e do 14º BPM (Bangu) realizam na manhã desta
sexta-feira uma operação na comunidade Vila Vintém, em Padre Miguel, na
Zona Oeste, atrás dos criminosos que participaram da tentativa de
resgate de comparsas do fórum de Bangu, ontem à tarde. Cinco suspeitos e
grande quantidade de drogas já foram apreendidas.
Pelo menos 45 policiais participam da
ação. Foram apreendidos 3.200 papelotes de cocaína, 2.286 pedras de
crack, além de um carro roubado, que estava na comunidade com os
bandidos e foi recuperado. A operação continua e a PM não informou se
houve confronto armado.
Homenagens e tristeza após tragédia em fórum de Bangu
A morte do menino Kayo da Silva
Costa, de oito anos, conhecido como Kayo Cabeludinho chocou Bangu, na
Zona Oeste do Rio. Ele foi baleado na cabeça durante tentativa de
resgate de dois bandidos que prestavam depoimento no fórum do bairro. O
menino era conhecido por ser jogador das categorias de base do futsal do
Bangu. Amigos postaram homenagens ao beque parado.
Tragédia atraiu a atenção de muita gente que passava perto do Fórum de Bangu
Foto: Jadson Marques / Agência O Dia
Um deles foi o treinador Sérgio Kazú
Bangu, que mostrou foto do menino com tarja de luto no Facebook. A
postagem recebeu mais de 600 comentários e foi compartilhada por mais de
mil internautas em pouco mais de uma hora. No caminho para o treino, o
menino passou no trabalho da mãe e deu um beijo nela. Logo depois
morreu.
Na ação, bandidos invadiram o local e
abriram fogo. As pessoas se atiraram no chão para fugir dos tiros, em
desespero. Outro PM e uma camareira, que estava num ônibus, foram
baleados.
O grupo, com cerca de 10 bandidos armados com fuzis, pretendia resgatar
Alexandre Bandeira de Melo, o Piolho, e Vanderlan Ramos da Silva, o
Chocolate, apontados, respectivamente, como chefes do tráfico do Morro
do Dezoito, em Água Santa, e da Favela Gogó da Ema, em Belford Roxo.
Segundo a PM, nenhum dos 23 réus que estavam no local foi resgatado. Os
comparsas fugiram.
Vídeo: Tiroteio em Bangu deixa uma criança e um PM mortos
Os familiares do menino Kayo
Cabeludinho chegaram no fim da noite no Instituto Médico Legal, na
Leopoldina, ainda em estado de choque. O avô da criança, Joamir Faria do
Rosário, de 42 anos, foi o único que conseguir falar com os
jornalistas. "Foi uma tragédia. A ficha ainda não caiu para ninguém. O
sonho dele era jogar no Vasco e ganhar uma chuteira nova de Natal. A
gente ia comprar a chuteira dele amanhã, de surpresa, para o jogo dele
no fim de semana", contou Joamir.
Kayo Cabeludinho, do Bangu, morreu a caminho da escolinha de futsal
Foto: Reprodução
Invasão frustrada
Por volta das 17h30, os bandidos
chegaram em dois carros e invadiram o fórum procurando pela carceragem.
PMs reagiram, e houve intenso tiroteio. Na fuga, o bando continuou
atirando. Nos fundos do prédio, Maria José da Silveira Rodrigues, de 54,
que estava num ônibus da linha 738 (Bangu—Marechal Hermes) , levou um
tiro na barriga. Kayo da Silva Costa, chamado por amigos de Kayo
Cabeludinho, de 8, estava indo para a escolinha de futebol do Bangu, na
companhia da avó, quando foi atingido na cabeça e morreu na hora. Ele
era atleta das categorias de base do clube. “Vimos o desespero da avó
que gritava: ‘Me ajuda, me ajuda!’. Ninguém podia socorrer em meio ao
tiroteio”, disse a balconista Maria da Conceição.
No fórum, servidores se trancaram
dentro dos cartórios junto com o público. “Eram muitos tiros. Todo mundo
ficou em pânico. Quando a situação acalmou, havia marcas nas paredes e
sangue nos corredores”, contou um funcionário do tribunal, que teve o
carro roubado. O dono de um estacionamento foi feito refém pelo bando e
liberado na Av. Brasil. “Só pensava na família”.
Bangu em estado de choque
A outra vítima fatal, o sargento Oliveira, que
trabalhava na segurança do fórum, foi baleado ao entrar no prédio para
alertar outros PMs. A camareira Maria José da Silveira Rodrigues,
atingida na barriga quando estava no ônibus, tem sete filhos e não corre
risco de vida. “Ela só tinha um mês de carteira assinada”, disse
Rosângela Fernandes, sobrinha da vítima. Até à noite, nenhum dos
criminosos havia sido localizado pela PM, que reforçou o policiamento na
região e na Favela Vila Vintém por tempo indeterminado.
A Divisão de Homicídios vai identificar os
criminosos captados nas câmeras do fórum. “As imagens são boas. Deu para
identificar nitidamente o rosto de cada um”, disse o delegado Alan
Duarte. Nesta sexta-feira moradores farão homenagem ao atleta do Bangu,
depositando flores brancas no local onde o menino morreu. Em seguida
farão passeata. “Queremos proteção do Estado, porque temos um fórum que
recebe criminosos todo dia”, cobrou o morador Carlos Oliveira.
'Piolho' era um dos criminosos que estava em audiência no Fórum de Bangu. Ação de bandidos
Foto: Divulgação
Secretário pede transferência de Piolho e Chocolate para presídios federais
O secretário estadual de Segurança,
José Mariano Beltrame, solicitou, logo após a tragédia, a transferência
para presídios federais de Alexandre de Melo, o Piolho, e Vanderlan
Ramos da Silva, o Chocolate, alvos da tentativa de resgate. Chefe do
tráfico nos morros do Dezoito e Saçu, em Água Santa, Piolho tem 40 anos e
foi preso em abril, em Jacarepaguá. Contra ele havia seis mandados de
prisão por homicídio, tráfico, associação para o tráfico, roubo e
formação de quadrilha.
Segundo a polícia, ele possui perfil
violento e teria enterrado várias vítimas no alto do Saçu. Piolho
cumpria pena no Instituto Penal Ismael Pereira Sirieiro, em Niterói,
onde ganhou benefício para trabalhar fora e não voltou mais, em 2010.
Acabou recapturado em abril passado. Por sua vez, Chocolate, de 30 anos,
estaria à frente de quadrilha de traficantes com atuação no Gogó da
Ema, Jardim Bom Pastor e Guachá, todas em Belford Roxo. Segundo a
polícia, Chocolate esteve por trás da guerra do tráfico no Morro do
Jorge Turco, em Rocha Miranda, durante o ano passado.
Ações se repetem na saída de fóruns
Nos últimos cinco meses, pelo menos outras duas
ações de bandidos para libertar comparsas levaram pânico às ruas de
Niterói. Em junho, um grupo de marginais armados de fuzis trocou tiros
com agentes da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), na
Alameda São Boaventura, quando o ônibus do órgão com 20 detentos passava
pela via.
Os presos estavam sendo transportados do Fórum
de São Gonçalo, na Região Metropolitana, para o Complexo Penitenciário
de Bangu. Agentes rechaçaram a tentativa de resgate e o grupo fugiu em
seguida. Em maio, o agente penitenciário Antonio Pereira foi morto a
tiro após ser baleado nas costas durante uma tentativa de resgate de
presos, na Rodovia Niterói-Manilha, na altura de São Gonçalo.
Nos últimos dias houve vandalismo em manifestações nas duas capitais. Ministro da Justiça se reuniu com PF e secretários estaduais de segurança.
Mariana OliveiraDo G1, em Brasília
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O
ministro José Eduardo Cardozo (centro) com os secretários de Segurança
Pública de São Paulo, Fernando Grella (esq.), e do Rio de Janeiro, José
Mariano Beltrame (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil)
O Ministério da Justiça anunciou a criação de um grupo de inteligência integrado pela Polícia Federal
e pelas secretarias de Segurança Pública de São Paulo e Rio de Janeiro
para tentar conter manifestações violentas nas capitais dos dois
estados.
Nesta quinta-feira (31), o ministro José Eduardo Cardozo,
o diretor-geral da PF, Leandro Daiello, e os secretários José Mariano
Beltrame (RJ) e Fernando Grella (SP), se reuniram em Brasília para
discutir o assunto.
Nos últimos dias, as duas capitais registraram casos de vandalismo e
depredação durante manifestações. No começo desta semana, manifestações
contra a morte de um adolescente por um policial militar terminaram em
confronto, saques e vandalismo nas imediações da Rodovia Fernão Dias. O
governo de São Paulo não descartou a possibilidade de envolvimento nas
ações de integrantes de facção criminosa que atua nos presídios do estado.
Não se trata de recrudescer contra manifestante, de coibir movimento
social, medidas que seriam ilegais se fossem tomadas. Levamos muito
tempo para conseguir isso. O que estamos falando é de situações
ilícitas, abusos, violência contra pessoas. E de agir contra pessoas que
praticam ilícitos penais."
José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça
Segundo o ministro José Eduardo Cardozo, ficaram definidas na reunião quatro frentes de atuação:
- um grupo de inteligência para evitar e punir abusos em protestos;
- criação de um protocolo unificado de atuação das polícias;
- criação de grupos operacionais nos estados entre Ministério Público e delegados para discutir as manifestações;
- criação de grupo composto por juristas para discussão de mudanças na legislação.
Cardozo afirmou que as atividades de inteligência serão destinadas a
"coibir abusos e garantir liberdade de manifestação". Segundo ele, "de
maneira alguma" haverá "acompanhamento" de movimentos sociais, mas sim
planejamento contra quem se organiza para infringir a lei.
"Não se trata de recrudescer contra manifestante, de coibir movimento
social, medidas que seriam ilegais se fossem tomadas. Levamos muito
tempo para conseguir isso. O que estamos falando é de situações
ilícitas, abusos, violência contra pessoas. E de agir contra pessoas que
praticam ilícitos penais."
De acordo com o ministro, o governo federal e os estaduais já
compartilham informações de inteligência, e agora a intenção é ampliar a
parceria.
"A ideia é aprofundar, estreitar ainda mais esses laços, para que
possamos compreender essas ações que acontecem de maneira abasolutamente
indesejáveis", afirmou. Segundo Cardozo, a pretensão é uniformizar as
regras de conduta das duas polícias em um único protocolo de atuação.
Sobre mudanças na legislação, disse que, enquanto isso não acontecer, a
unificação de procedimentos das polícias servirá de parâmetro para que
juízes, delegados, forças policiais, e promotores tenham uma "orientação
sobre como proceder em caso de abusos em protestos".
"É preciso legislação que tecnicamente, juridicamente, politicamente,
atenda a este momento. Tem havido dúvida. O momento é novo. [...] E
enquanto não se discute um termo legislativo, é preciso ter parâmetro
para órgãos de segurança pública e da Justiça."
De acordo com o ministro da Justiça, o movimento "black bloc"
será investigado pelo grupo de inteligência. "O modus operandi será
objeto de análise de inteligência e poderá orientar a atuação",
declarou.
Segundo ele, caso se constate que é necessária a atuação da Polícia
Federal para monitorar o grupo, isso será feito. "Se configurada a
competência da PF, haverá a atuação dessa polícia." São Paulo
O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella,
defendeu mudança na legislação para aumentar as penas dos autores de
atos de violência e de dano contra o patrimônio.
Ele disse que, em São Paulo, uma investigação em andamento está "bem
avançada" com o objetivo de identificar "o maior número de pessoas que
são atuantes, principalmente os líderes".
Grella afirmou que uma das propostas do governo de São Paulo é estender
a regra que amplia as penas de quem comete crimes contra menores de
idade e maiores de 60 anos para quem pratica crime contra policiais.
Nesta semana, um grupo agrediu um coronel da Polícia Militar de São Paulo durante protesto.
"O policial está agindo em nome do Estado, da sociedade. Queremos
estender as regras existentes – causas de aumento de pena para homicídio
ou lesão que já existem para quem atinge menor de 18 anos ou maior de
60 anos – para a figura do policial." Rio de Janeiro
Para o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano
Beltrame, há necessidade de que outros atores e outras instituições se
envolvam com a solução do problema. "Isso não vai se resolver só com o
policial fardado", disse.
Ele também defendeu "adequar a lei para que possamos enfrentar um
movimento totalmente novo". "O policial precisa ter uma garantia de que
quando ele apresenta alguém numa delegacia (...), aquilo efetivamente
termine numa ação penal", afirmou.
Beltrame disse ainda que, da mesma forma que deve sofrer punição, o
policial que eventualmente cometer excessos também deve ter direito à
ampla defesa.
"Não estamos numa ditadura. Filmagem que mostre excesso policial, não
significa que policial tenha que ir para a rua. Policial, como qualquer
cidadão, tem direito à ampla defesa. Sinto que às vezes a sociedade quer
punição rápida. A gente também quer que algumas pessoas sejam julgadas,
condenadas e cumpram suas penas. É preciso que se saiba que não vamos
pactuar e nem haverá corporativismo", declarou.
O secretário do Rio de Janeiro destacou que o estado ainda não
encontrou uma forma de dialogar com o movimento "black bloc". "Não há
ponto focal para conversar com black bloc. O Rio de Janeiro tem tradição
em movimentos, seja festivo ou reivindicatório, com todos conversamos.
Mas nosso foco é em cima do que queremos: ordem. Sem ordem, não há
democracia."
Ex-ministro da Casa Civil foi condenado a 10 anos e 10 meses de prisão. Ele afirmou que condenações por corrupção e quadrilha foram 'injustas'.
Mariana OliveiraDo G1, em Brasília
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado pelo Supremo Tribunal Federal
(STF) como mandante do esquema do mensalão, apresentou novo recurso
nesta quinta-feira (31) no qual pede absolvição pelo crime de formação
de quadrilha. Dirceu argumenta que o tribunal não provou que existiu
compra de votos de parlamentares no Congresso Nacional nos primeiros
anos do governo Lula.
O ex-ministro foi condenado no julgamento do processo do mensalão, no
ano passado, a 10 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de corrupção
ativa e formação de quadrilha.
José Dirceu apresentou ao Supremo os chamados embargos infringentes,
recursos que levam a um novo julgamento nos casos em que o réu foi
condenado por margem apertada (pelo menos quatro votos a favor).
O prazo para apresentação dos infringentes termina no próximo dia 11 de
novembro. O relator é o ministro Luiz Fux, e o julgamento desses
recursos deve ocorrer somente no ano que vem. Antes disso, na primeira
quinzena de outubro, o tribunal deverá analisar o novo recurso de quem
não tem direito a embargos infringentes, os chamados segundos embargos
de declaração.
Em recurso de 30 páginas, o advogado José Luís de Oliveira Lima argumenta que as condenações do cliente foram injustas.
"José Dirceu de Oliveira e Silva registra seu completo inconformismo
com as decisões que o condenaram pela prática dos crimes de corrupção
ativa e formação de quadrilha, considerando-as injustas e em absoluta
desconformidade com as provas desta ação penal. Não se reconhece como
justa a condenação de José Dirceu pelo crime de corrupção ativa, nem
tampouco se admite provada a alegada compra de votos", diz o recurso.
Apesar de alegar inocência, a defesa esclarece que o recurso se
restringe ao permitido na regra sobre os embargos infrigentes -
contestar o que foi alvo de divergência na Corte. O ex-ministro obteve
quatro votos a seu favor na condenação pelo crime de quadrilha.
O advogado afirma que o cliente deve ser absolvido porque "os votos
vencidos mostram que não há provas de que o grupo se organizou com o
objetivo de cometer crimes".
A defesa alega que Dirceu não chefiou esquema de corrupção e que não poderia ser chefe da quadrilha porque o ex-tesoureiro Delúbio Soares
e o ex-presidente do PT José Genoino tinham autonomia em suas funções
no Partido dos Trabalhadores - eles foram acusados de subornar
parlamentares da base aliada para que votassem a favor de projetos do
governo Lula.
"É absolutamente impossível afirmar que os integrantes dos diversos
núcleos se associaram para a prática de crimes indeterminados de forma
estável, permanente e sob o comando de José Dirceu. [...] Restou
fartamente provado, o Secretário de Finanças do Partido dos
Trabalhadores, Delúbio Soares, chegou ao cargo por meio do voto dos
integrantes do PT. Acumulava as funções administrativas e financeiras no
partido, e, cotidianamente, deliberava com total autonomia sobre
obtenção e repasse de recursos. Não assumiu seu posto por indicação ou
determinação de José Dirceu e tampouco lhe devia obediência."
As provas indicam que José Dirceu chegou ao cargo de ministro da Casa
Civil após décadas de atuação política transparente e sem máculas. [...]
Não praticou peculato, não exigiu ou solicitou vantagens indevidas em
razão da função pública exercida, não prevaricou, não praticou advocacia
administrativa."
Recurso apresentado ao Supremo Tribunal Federal
Caso seja absolvido do crime de formação de quadrilha, a pena de Dirceu
em regime fechado passaria para o regime semiaberto - iria para 7 anos e
11 meses de prisão.
A defesa pede que, caso o Supremo rejeite o pedido para que ele seja
absolvido do crime de formação de quadrilha, a pena para o delito seja
pelo menos reduzida.
Na avaliação do advogado, o tribunal aumentou a pena de Dirceu duas
vezes pelo mesmo fato, uma vez porque ele seria mandante e outra porque
teria papel importante no esquema. "Há distinção entre aquele que
exercia um papel proeminente na condução das atividades de todos os réus
e outro que era o signo da palavra final?"
O recurso sustenta que Dirceu foi ministro da Casa Civil sem cometer
irregularidades. "As provas indicam que José Dirceu chegou ao cargo de
ministro da Casa Civil após décadas de atuação política transparente e
sem máculas. [...] Não praticou peculato, não exigiu ou solicitou
vantagens indevidas em razão da função pública exercida, não prevaricou,
não praticou advocacia administrativa."