2.20.2009

Fatores que podem ajudar a desencadear a enxaqueca: jejum, álcool e chocolate


Estudo publicado na revista Arquivos de Neuro-Psiquiatria investigou os fatores que desencadeiam a enxaqueca. Dos 200 pacientes estudados, 83,5% apontaram algum fator relacionado à dieta – sendo o jejum o mais freqüente, seguido de álcool, chocolate, vinho tinto e café. Os problemas com o sono foram relatados por 81% dos entrevistados e 64% associaram a enxaqueca ao estresse, principalmente à preocupação com o trabalho.

A pesquisa foi realizada por estudantes de medicina da Liga da Cefaléia da Escola de Medicina do ABC e coordenada por Mário Fernando Prieto Peres, professor do Departamento de Neurologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisador sênior do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, em São Paulo. Participaram 200 indivíduos, sendo 162 mulheres e 38 homens, com média de idade de 37,7 anos. Os entrevistados foram questionados sobre a presença ou ausência de possíveis fatores para as crises de enxaqueca.

O estudo aponta que a enxaqueca afeta três vezes mais as mulheres do que os homens, em decorrência de fatores hormonais. Ocorre principalmente durante a fase reprodutiva, entre 20 e 50 anos, tendo importante impacto socioeconômico e sobre a qualidade de vida dos pacientes. Os resultados mostram que cerca de 53% das mulheres apresentaram fatores hormonais como principais desencadeadores da enxaqueca, sendo o período pré-menstrual o mais freqüente.

A enxaqueca foi diagnosticada segundo os critérios da Classificação Internacional dos Distúrbios de Dores de Cabeça. Todos os participantes apresentaram pelo menos um fator desencadeante para as crises e cerca de 95% relataram mais de um fator.

Merecem destaque os fatores ambientais, como alergia, poluição, claridade solar, mudanças no tempo, cigarro, ar condicionado, odores de perfumes, produtos de limpeza e gasolina. Cerca de 68,5% dos entrevistados afirmaram sentir os sintomas da enxaqueca após exposição a esses fatores, sendo os odores (36,5%) os mais recorrentes.

É fundamental que médicos e pacientes reconheçam esses fatores para prevenir as crises de enxaqueca. O tratamento psicológico, a orientação alimentar e a atenção aos hábitos de sono podem ser importantes para o tratamento, afirma o pesquisador Mário Peres.

Fontes: SciELO e Agência FAPESP

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