11.03.2009

Distúrbios do Sono e Poupança do sono para compensar noites mal dormidas


Diminuição dos reflexos e dificuldade de concentração estão entre as consequências do distúrbio do sono

Noites mal dormidas resultavam em dias de trabalho improdutivos e bastante desgastantes para o operador multifuncional Getúlio Vargas. Sem saber o que causava o problema, procurou alguns tratamentos até descobrir que apresentava distúrbios do sono - uma doença que afeta cerca de 4% da população adulta e quase metade dos homens acima dos 50 anos.


O ronco e a síndrome da apneia obstrutiva são os principais distúrbios do sono. A apneia, que geralmente vem acompanhada de ronco, é uma parada respiratória que acontece enquanto a pessoa está dormindo e que dura períodos de 10 segundos ou mais. "Os músculos da garganta relaxam durante o sono e bloqueiam totalmente a passagem de ar, então acontecem as apneias", explica o Dr. Marcello Tamura S. Brasil, cirurgião dentista graduado pela American Academy of Sleep Disorder dos EUA e membro da Sociedade Brasileira do Sono.


Quem sofre com o problema tem o sono interrompido várias vezes durante a noite e não completa as cinco fases necessárias para que a pessoa acorde descansada. "O ciclo é necessário para garantir um sono restaurador", explica Dr. Marcello.


Além de representar risco sério para a saúde, podendo causar estresse, depressão, hipertensão e doenças cardíacas, o distúrbio afeta diretamente as atividades do cotidiano, especialmente o trabalho. Como a pessoa acorda cansada, sem disposição e irritada, o trabalho é diretamente prejudicado.


A parte cognitiva também é afetada, e a dificuldade de concentração e os problemas de memória atrapalham o rendimento de quem realiza trabalhos intelectuais. Em longo prazo, a pessoa diminui consideravelmente seu desempenho e seu interesse pelo trabalho, afetando sua carreira.


De acordo com a American Academy of Sleep Disorder (Academia Americana de Distúrbios do Sono), pessoas com distúrbios do sono têm uma probabilidade sete vezes maior de sofrer um acidente de trabalho. "Quem trabalha em turnos deve tomar mais cuidado com os acidentes", reforça o especialista.



Investigação e tratamento

Quem apresenta os sintomas dos distúrbios do sono, como sonolência diurna, irritabilidade e falta de concentração, deve procurar por um especialista para investigar o problema. Depois de uma consulta detalhada, são pedidos exames específicos, como a polissonografia, que irá avaliar a qualidade do sono.


Em casos de apneias leves e moderadas e do ronco, o tratamento realizado com o uso da placa intraoral é bastante indicado. O aparelho auxilia a respiração durante a noite, restaurando a passagem de ar e impedindo a apneia. "Cerca de 85% dos portadores de apneia do sono se adaptam ao aparelho intraoral", explica o Dr. Marcello.



Eficiência no trabalho

Foi por perceber que seu rendimento no trabalho estava bastante afetado que o operador multifuncional Getúlio Vargas procurou o tratamento com o uso do aparelho intraoral. "Acordava cansado e trabalhava sem disposição", lembra. Depois de um tempo de adaptação da placa, já pode perceber a melhora na qualidade do seu sono e a diferença no seu dia-a-dia. "Mesmo que eu durma pouco, acordo mais descansado e o dia de trabalho é muito melhor", conta.

Dados da Academia Americana de Distúrbios do Sono mostram que quem dorme mal tem probabilidade 2,5 vezes maior de sofrer um acidente de trânsito

Dr. Marcello Tamura S. Brasil
Cirurgião dentista graduado pela American Academy of Sleep Disorder dos EUA e membro da Sociedade Brasileira do Sono


Sono x Trânsito

O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) publicou, em 2008, a Resolução 267/2008, que estabelece mudanças nos exames para a renovação e obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Uma delas é a exigência do teste de distúrbios do sono para renovação, adição e mudança para as categorias C (caminhão), D (ônibus) e E (carreta). O motorista passará por um teste sobre a possibilidade de ter cochilar em oito diferentes situações. Então, terá que atribuir uma nota de 0 a 3 em relação à sonolência. Caso seja necessário, o motorista se submeterá a um exame de polissonografia.


Fique atento aos principais sintomas de distúrbios do sono:


• Sonolência durante o dia
• Problemas de memória
• Falta de concentração
• Cansaço excessivo
• Estresse
• Ansiedade
• Irritabilidade

Problemas de sono se relacionam à síndrome metabólica e aos fatores genéticos, afirma especialista.Por Roberta Braga

Perder uma noite de sono pode significar um dia seguinte mais cansativo.Se o problema é recorrente, então, a pessoa pode sofrer de uma série de problemas de saúde. O sono, para ser restaurador, deve passar pelas cinco fases, incluindo a fase REM (Rapid Eye Movement ou Movimento Rápido dosOlhos). Pessoas que sofrem com distúrbios do sono acabam tendo o ciclo interrompido e, por isso, não têm um sono de qualidade.

A apnéia obstrutiva do sono é uma síndrome complexa e multifatorial, relativamente freqüente, que se originada obstrução recorrente da via aérea superior durante o sono. Embora a doença seja mais comum em adultos obesos, pode atingir pessoas com IMC (índice de massa corporal) normal de ambos os sexos e em qualquer idade.

Segundo a neurofisiologista Olga Judith Hernandéz Fustes, boa parte dos portadores da doença apresenta fatores genéticos. “De acordo com pesquisas recentes, fatores hereditários estão relacionados com 40% dos casos de apnéia obstrutiva do sono”, esclarece a especialista. Ela cita as dimensões craniofaciais, a disposição do tecido adiposo e anormalidades do controle da via respiratória como distúrbios associados ao problema. “Entretanto, ainda não foram identificadas todas as bases genéticas relacionadas”, reconhece.


Síndrome metabólica

Outro fator relacionado à apnéia é a síndrome metabólica, um conjunto de fatores que pode levar ao surgimento de diversas outras enfermidades. A neurofisiologista explica que existe uma forte associação entre apnéia, obesidade, pós-menopausa, hipertensão e diabetes. “Tanto na síndrome metabólica quanto na apnéia do sono, existe um círculo vicioso de aumento de peso, ronco, interrupção da respiração, sonolência diurna, aumento de peso e agravamento dos transtornos da respiração”, detalha. Olga Fustes explica que, dessa maneira, percebe-se que os problemas anatômicos não são a causa principal da apnéia do sono em adultos.

De acordo com a especialista, sonolência diurna, cansaço excessivo, estresse, ansiedade, dor de cabeça e irritabilidade são alguns dos sintomas que podem indicar a presença do distúrbio. Quando existe a suspeita são realizados diversos exames, indicados para os casos específicos. “O mais comum é a polissonografia, que irá detalhar a qualidade do sono”, indica.

Identificação e tratamento

Depois de investigado o problema, caso seja identificado como apnéia leve ou moderada, o tratamento pode ser pelo uso do aparelho intra-oral, que melhora o ganho na ventilação e facilita a respiração, ou por meio de uma cirurgia, indicada em casos mais graves. Outra opção é o CPAP (Continuous Positive Airway Pressure), uma turbina que, girando a uma rotação pré-determinada, leva o ar até a laringe, utilizando uma máscara de silicone colocada sobre o nariz. De acordo com a médica, na maioria dos casos, pressões baixas já são suficientes.

“A adaptação ao CPAP costuma ser fácil e não existe nenhum tipo de contra-indicação”, ressalta. O aparelho, se usado durante o tempo total de sono, costuma resolver com eficácia o problema da apnéia severa, possibilitando ao paciente uma respiração normal.


“Acordo mais descansada, disposta, permaneço e sempre atenta e sem problemas de memórias.”

Cristiane Ávila

A psicóloga Cristiane Ávila, portadora do distúrbio, apresentava sintomas como cansaço, falta de atenção e problemas de memória, mas não sabia que estavam relacionados com o sono. Como estava acima do peso, com pressão alta e taquicardia, procurou um cardiologista que lhe encaminhou para o tratamento especializado.

Uma polissonografia detectou um grau severo de apnéia do sono. Para o seu caso, o tratamento indicado foi o aparelho intra oral. A psicólo ga está em tratamento desde junho e garante que sua qualidade de vida melhorou muito. Satisfeita, conta que irá passar por um tratamento para emagrecer, a fim de melhorar ainda mais a qualidade do seu sono.

Pessoas com distúrbios do sono tem probabilidade sete vezes maior de sofrer acidentes de trabalho
Por Roberta Braga

Quem dorme mal acorda cansado, tem sonolência durante o dia, dificuldade de concentração, fica mais ansioso, irritado e tem mais propensão ao estresse e à depressão.

Tudo isso pode afetar, e muito, a vida profissional. De acordo com a American Academy of Sleep Disorder (Academia Americana de Distúrbios do Sono), pessoas com distúrbios do sono têm uma probabilidade sete vezes maior de sofrer um acidente de trabalho.

“Quem trabalha em turnos é quem deve tomar mais cuidado com os acidentes”, reforça Dr. Marcello Tamura S. Brasil, cirurgião dentista graduado pela American Academy of Sleep Disorder dos EUA e membro da Sociedade Brasileira do Sono.

Profissionais com funções intelectuais e estudantes também têm seu desempenho cognitivo afetado. “Em longo prazo, a pessoa diminui consideravelmente seu desempenho e seu interesse pelo trabalho, afetando sua carreira”, alerta o especialista. Dados da Academia também mostram que quem dorme mal tem probabilidade 2,5 vezes maior de sofrer um acidente de trânsito. “O motorista fica com seus reflexos prejudicados”, explica o especialista.

O executivo Juarez Frizzo constatou na prática as conseqüências das noites mal dormidas. “Não conseguia trabalhar por causa do cansaço e do sono”, conta o executivo, que sofreu com os distúbios por dois anos. Juarez passou por situações constrangedoras por causa do sono, dormindo durante o trabalho e não conseguindo se concentrar. Mas foi quando sofreu um acidente de carro por dormir ao volante que percebeu a gravidade do problema. Foi então que ele procurou tratamento e constatou que tinha a apnéia do sono. “Com o uso do aparelho intra-oral voltei a ter uma vida normal, dormindo bem e acordando descansado”, relata. Distúrbios do sono



Cerca de 4% da população adulta e quase metade dos homens acima dos 50 anos sofre com -distúrbios do sono. Um sono restaurador precisa passar por cinco diferentes fases, incluindo a fase chamada de REM -Rapid Eye Moviment.

Quem tem ronco e apnéia, principais distúrbios do sono, acaba não passando por todas as fases. "A pessoa tem o sono interrompido várias vezes durante a noite, não completando o ciclo", explica o Dr. Marcello Tamura S. Brasil.

A Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS) pode ser definida como uma parada respiratória que acontece enquanto a pessoa está dormindo e que dura um período de 10 segundos ou mais.

A apnéia acontece quando os músculos da garganta relaxam e bloqueiam totalmente a passagem de ar, e geralmente vem acompanhada de ronco. A procura por um especialista é a melhor maneira de investigar o problema, pois a doença ainda é bastante subdiagnosticada.

O primeiro passo é uma consulta detalhada. Depois, exames específicos podem ser necessários para uma investigação completa. O tratamento por meio de aparelhos orais, indicado em casos de apnéias leves, moderadas e do ronco, se destaca por sua facilidade de adaptação e eficácia. O uso de uma placa intra-oral irá auxiliara respiração durante a noite, restaurando a passagem de ar, fazendo o nível de oxigênio melhorar e impedindo a apnéia.

"Isso deixa a passagem de ardes bloqueada mesmo em fases de maior relaxamento, como acontece durante o sono. Cerca de 85% dos portadores de apnéia do sono se adaptam ao aparelho intra-oral", explica o Dr. Marcello.

Corpore

"Poupança de sono" ajuda a compensar noites mal dormidas


A privação crónica do sono é um fato para muitas pessoas, mas será possível "compensar" esse atraso aos fins-de-semana?

Uma equipa de cientistas descobriu que pode levar uma semana ou mais para que as consequências cognitivas ou fisiológicas das noites mal dormidas apareçam, mesmo depois das horas de sono aumentarem.

Num estudo do Walter Reed Army Institute of Research realizado em 2003, os investigadores examinaram os efeitos cognitivos de uma semana de noites mal dormidas, seguidas de três dias de sono de pelo menos oito horas por noite. Eles descobriram que o sono de "recuperação" não reverteu completamente os resultados no desempenho de um teste de tempos de reacção, especialmente quando os participantes tinham sido forçados a dormir apenas três a quatro horas por noite.

Um outro estudo semelhante, realizado em 2008, os cientistas do Karolinska Institute, em Estocolmo, constataram que aqueles que dormiam quatro horas por noite em cinco dias, e depois "compensavam" com oito horas de sono por noite na semana seguinte ainda apresentavam ligeiras deficiências cognitivas residuais uma semana depois, embora sem sonolência.

No entanto, um outro estudo, também do Walter Reed Army Institute of Research, revelou que as pessoas recuperavam bastante mais rápido de uma semana mal dormida quando ela era precedida por uma semana de "acumulação", que incluía dez horas de descanso.

Assim, seria mais eficaz "adiantar" o sono antes de uma semana de pouco sono, ao invés de tentar recuperá-lo depois.

Fonte: Diário Digital

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