1.11.2011

Tudo bem com seu fígado??

Fígado - Um órgão vital!

Órgão vital, o fígado também precisa de cuidados. Enquanto as atenções se voltam para coração, pulmões e rins, o fígado, órgão com a maior variedade de funções do corpo humano, é esquecido por muita gente. Doenças hepáticas podem ser evitadas com uma vida saudável e exames periódicos.



Ao contrário de outros órgãos vitais, como coração e pulmões, o fígado é um órgão que “sofre calado”, ou seja, demora a apresentar sintomas quando algo não vai bem. Assim, as pessoas costumam não dar muita importância a ele. Entretanto, como explica o hepatologista do Hospital Lifecenter, Osvaldo Flávio de Melo Couto, o fígado é o órgão mais complexo e com maior variedade de funções do corpo humano.

Os alimentos que comemos ou os líquidos que bebemos são absorvidos no intestino e, ao entrarem na circulação são obrigados a atravessar o fígado antes de poderem alcançar outros órgãos ou circularem no sangue. De igual modo, sucede com todas as substâncias que, à semelhança dos alimentos, forem introduzidas no organismo pela boca, como, por exemplo, acontece com os medicamentos.
Outra das funções hepáticas é a metabolização das substâncias que se encontram em circulação, sejam elas provenientes do exterior ou do interior do organismo.

Esta metabolização tem por finalidade tornar inofensivo, o que pode ser agressivo, ou permitir eliminar do organismo essas substâncias pelas fezes ou pela urina.
Sem saber desse perigo, muita gente comete verdadeiras agressões ao órgão. Entre elas, está o abuso de medicamentos, já que a utilização de remédios em excesso pode levar à hepatite medicamentosa. “São vários os grupos de medicamentos que podem causar doença no fígado, assim como são variados os tipos de lesões causadas por cada grupo. Dentre os mais comuns, estão antibióticos, analgésicos e antiinflamatórios. No geral, as lesões estão associadas ao uso de doses maiores do que as recomendadas pelos médicos. O uso de alguns medicamentos de forma contínua também pode causar hepatite crônica”, esclarece o hepatologista.


Relação complexa entre fígado e medicamentos




Existem três situações distintas quando falamos dos medicamentos e fígado:
- Existem medicamentos que podem causar doenças no fígado;
- Outros tratam doenças do fígado;
- E medicamentos que precisam do fígado para agir corretamente no organismo;

Vamos explicar cada uma das situações:
- No caso dos medicamentos que podem causar lesões no fígado podemos citar o Paracetamol (citado no post anterior), que é DEPENDENTE DA DOSE, ou seja o risco de causar dano no fígado depende da quantidade usada. Há também aqueles medicamentos que podem causar lesão no fígado e que não temos como prever, já que pode aparecer a qualquer momento pelo usuário do medicamento, como o Ácido Acetilsalicílico, a popular Aspirina.
- As doenças hepáticas também são tratadas com medicamentos, mas infelizmente existem poucos medicamentos específicos para as alterações do funcionamento hepático.
- E os medicamentos que precisam do fígado para agir corretamente são aqueles que a partir do momento que passam pelo fígado são metabolizados e resultam em uma outra substância, essa outra substância pode estar pronta para ser eliminada pelo organismo ou só agora, o metabólito ativo irá fazer o efeito desejado pelo paciente.

De uma forma geral pessoas que possuem algum tipo de problemas no fígado devem ficar atentas ao uso de determinados medicamentos, eles podem agravar o problema já existente. Mas desde que a dose do medicamento utilizado seja correta e o paciente tiver um acompanhamento médico ele pode estar usando medicamentos necessários, mas com uma atenção especial.


Hospital LifeCenter

Saiba mais

O fígado  é um órgão que atua como uma glândula do corpo humano e se localiza no canto direito superior do abdómen, sob o diafragma. Seu peso aproximado é cerca de 2,0 kg no homem adulto e um pouco menos na mulher. Em crianças é proporcionalmente maior, pois constitui 1/20 do peso total de um recém nascido. Na primeira infância é um órgão tão grande, que pode ser sentido abaixo da margem inferior das costelas, ao lado direito. Funciona como glândula exócrina, isto é, libera secreções em sistema de canais que se abrem numa superfície externa. Atua também como glândula endócrina, uma vez que também libera substâncias no sangue ou nos vasos linfáticos.

Funções

Em algumas espécies animais o metabolismo alcança a atividade máxima logo depois da alimentação; isto lhes diminui a capacidade de reação a estímulos externos. Noutras espécies, o controle metabólico é estacionário, sem diminuição desta reação. A diferença é determinada pelo fígado e sua função reguladora, órgão básico da coordenação fisiológica.
Entre algumas das funções do fígado, podemos citar:

Uma usina de processamento

Além das funções citadas acima, este órgão efetua aproximadamente 220 funções diferentes, todas interligadas e co-relacionandas. Para o entendimento do funcionamento dinâmico e complexo do fígado, podemos dizer que uma das suas principais atividades é a formação e excreção da bile, ou bílis; as células hepáticas produzem em torno de 1,5 l por dia, descarregando-a através do ducto hepático. A transformação de glicose em glicogênio, este conhecido como amido animal, e seu armazenamento, se dá nas células hepáticas. Ligada a este processo, há a regulação e a organização de proteínas e gorduras em estruturas químicas utilizáveis pelo organismo da concentração dos aminoácidos no sangue, que resulta na conversão de glicose, esta utilizada pelo organismo no seu metabolismo. Neste mesmo processo, o sub-produto resulta em uréia, eliminada pelo rim. Além disso, paralelamente existe a elaboração da seroalbumina, da seroglobulina e do fibrinogênio, isto tudo ao mesmo tempo em que ocorre a desintegração dos glóbulos vermelhos. Durante este processo, também age em diversos outros, tudo simultaneamente, destruindo, reprocessando e reconstruindo, como se fossem vários órgãos independentes, por exemplo, enquanto destrói as hemácias, o fígado forma o sangue no embrião; a heparina; a vitamina A a partir do caroteno, entre outros.
O fígado, além de produzir em seus processos diversos elementos vitais, ainda age como um depósito, armazenando água, ferro, cobre e as vitaminas A, vitamina D e complexo B. Durante o seu funcionamento produz calor, participando da regulação do volume sanguíneo; tem ação antitóxica importante, processando e eliminando os elementos nocivos de bebidas alcoólicas, café, barbitúricos, gorduras entre outros. Além disso, tem um papel vital no processo de absorção de alimentos. Espiritualmente se diz que no figado armazenamos a raiva.

Morfologia

Fígado anterior.
Nos humanos, o fígado tem formato em forma de prisma, com ângulos arredondados, dando-lhe aparência ovalizada, sua coloração é vermelho-escuro, tendendo ao marrom arroxeado, os tecidos que o compõem são de natureza muito frágil, sua aparência e consistência seguem o padrão de outros animais, sua localização é na parte mais alta da cavidade abdominal, embaixo do diafragma no hipocôndrio direito. É formado por três superfícies: superior ou diafragmática, inferior ou visceral e posterior. Alguns anatomistas dividem o órgão em dois lobos, o direito é bem maior que o esquerdo, tendo ainda mais dois lobos bem menores situados entre o direito e o esquerdo. A superfície superior fica imediatamente abaixo do diafragma e o ligamento falciforme divide-a em dois lobos: o direito e o esquerdo. A superfície inferior é plana, dividida por três sulcos, dando uma forma de H. Na parte anterior do sulco direito, encontra-se a vesícula biliar, que é uma bolsa membranosa que armazena bílis; na parte frontal do sulco esquerdo, está situado o ligamento redondo que é uma extensão da veia umbilical.
Existe ainda um sulco transverso determinado pelo hilo, que é por onde entram e saem todos os vasos sangüíneos, excetuando-se as veias hepáticas. Os sulcos dividem a superfície inferior do fígado em quatro lobos: o direito ou quadrilátero; o esquerdo ou triangular; o quadrado, situado na parte da frente do hilo e, por último, o alongado ou na parte posterior também chamado de Spiegel.
O fígado tem grande parte da superfície externa revestida pelo peritônio, que forma os ligamentos que o conectam ao abdômen e às vísceras vizinhas. Envolvendo-o, há um invólucro especial, formado pela chamada cápsula de Glisson, esta, reveste todo o órgão, sem interrupção, como uma capa, que na parte mais próxima do hilo envolve a artéria hepática própria, a veia porta hepática, o condutor hepático e os nervos.
Embora o tecido hepático seja macio, a cápsula que o recobre é extremamente resistente e diminui a possibilidade de lesões traumáticas. Em caso de ruptura, as consequências são gravíssimas, pois o tecido interno se lacera com grande facilidade.
O órgão é constituído por aproximadamente cem mil lóbulos, que são minúsculos agregados celulares formados pelas célula hepática que se organizam em cordões dispostos em volta da veia chamada de centrolobular. A veia porta contém muitas pequenas ramificações, ligadas às sinusóides, que são espaços compreendidos entre as diversas camadas de células hepáticas.

 Irrigação

O fígado recebe suprimento sanguíneo da veia porta hepática e das artérias hepáticas. A veia porta supre aproximadamente 75% do volume sanguíneo do fígado e transporta sangue venoso drenado do baço, trato gastrointestinal e seus órgãos associados. As artérias hepáticas fornecem sangue arterial para o fígado, correspondendo aos 25% de volume restantes. A oxigenação do órgão é realizada por ambas as fontes sendo que aproximadamente 50% da demanda de oxigênio do fígado é suprida pelo fluxo da veia porta hepática. O sangue transita pelos sinusóides hepáticos até a veia central de cada lóbulo, que coaslece nas veias hepáticas, que por sua vez deixam o fígado e drenam para a veia cava inferior.

Histologia

O componente básico histológico do fígado é a célula hepática, ou hepatócito, estas são células epiteliais organizadas em placas. A unidade estrutural hepática chama-se lóbulo hepático. Em seres humanos estes lóbulos estão juntos em parte de seu comprimento. Os hepatócitos estão dispostos nos lóbulos hepáticos formando como se fossem pequenos tijolos, e entre eles vasos chamados sinusoides hepáticos, e estes são circundados por uma bainha de fibras reticulares. Os sinusoides contêm macrófagos, chamados de células de Kupffer, que vão desempenhar diversas funções.

Processamento químico e sub produtos

As impurezas são filtradas pelo fígado, que destrói as substâncias tissulares transportadas pelo sangue. Os lipídios, glicídios, proteínas, vitaminas, etc, vindos pelo sangue venoso, são transformados em diversos sub-produtos. Os glicídeos são convertidos em glicose, que metabolizada se converte em glicogênio, e, novamente convertida em açúcar que é liberado para o sangue quando o nível de plasma cai. As células de Kupffer, que se encontram nos sinusóides, agem sobre as células sangüíneas que já não têm vitalidade, e sobre bactérias, sendo decompostas e convertidas em hemoglobina e proteínas, gerando a bilirrubina, que é coletada pelos condutores biliares, que passam entre cordões dessas células que segregam bílis; esta, por sua vez, vai se deslocando para condutos de maior calibre, até chegar ao canal hepático, (também chamado de ducto hepático, ou duto hepático); neste, une-se numa forquilha em forma de Y com o ducto cístico, chegando à vesícula biliar. Da junção em Y, o ducto biliar comum estende-se até o duodeno, primeiro trecho do intestino delgado, onde a bílis vai se misturar ao alimento para participar da digestão. O alimento decomposto atravessa as paredes permeáveis do intestino delgado e suas moléculas penetram na corrente sangüínea. A veia porta conduz estas ao fígado, que as combina e recombina, enviando-as para o resto do organismo.
A importância do fígado e seu poder de regeneração
Em casos de impactos muito fortes, pode haver ruptura da cápsula que recobre o fígado, com a imediata laceração do tecido do órgão. As lesões em geral são importantes e de extrema gravidade, podendo ser muitas vezes fatais, devido à enorme quantidade de sangue que pode ser perdida, dado o grande número de vasos sangüíneos que compõem o órgão. Se em caso de acidente grave, e consequente lesão, a pessoa sobreviver, o fígado geralmente demonstrará alto e rápido poder de regeneração.

[Enfermidades

Entre as principais enfermidades que acometem ao fígado estão, as Hepatites agudas de etiologia desconhecida, chamadas de hepatites criptogênicas, as hepatites B, C, D e E, as doenças alcoólicas do fígado, as doenças hepáticas tóxicas, as insuficiências hepáticas, as fibroses e cirroses hepáticas, entre outras.
Células de um fígado normal
Células de um fígado cirrótico

[Referências Bibliográficas

  1. Fisiologia no MCG 6/6ch2/s6ch2_30
  2. BONSANELLO, Aurélio; Afídio, in "Biologia", Volume II, Biblioteca do Paronama Cientifico, Editora Educacional LTDA
  3. . Atlas de Anatomia Humana, Wolf, Heidegger, Guanabara-Koogan, 1968.

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