10.08.2012

ANTICONCEPCIONAL MASCULINO NÃO HORMONAL

Gene ligado ao esperma abre caminho para anticoncepcional masculino

Estudo mostrou que regular esse gene pode levar ao amadurecimento total dos espermatozoides e, consequentemente, da perda de seu efeito reprodutivo

Regulação de gene pode ser chave para criação de contraceptivo não hormonal para homens 
Regulação de gene pode ser chave para criação de contraceptivo não hormonal para homens (Thinkstock)
O descobrimento de um gene ligado ao amadurecimento dos espermatozoides nos homens abre as portas para a criação de um anticoncepcional masculino de tipo não hormonal, segundo indica um estudo publicado nesta quinta-feira na revista PLoS Genetics. O estudo, que foi feito na universidade escocesa de Edimburgo, demonstrou que o gene chamado Katnal 1 é chave para permitir que os espermatozoides percam o efeito reprodutivo nos testículos.
Segundo os analistas, se eles conseguirem controlar a função do gene, seria possível desenvolver um novo tipo de contraceptivo masculino que, ao contrário dos hormonais, que são baseados na supressão da testosterona, não teria efeitos secundários como irritabilidade, acne ou mudanças de humor. Os cientistas acreditam que regular o efeito do Katnal 1 nos testículos poderia prevenir que o esperma amadurecesse completamente, o que atuaria como um anticoncepcional natural ao eliminar seu efeito reprodutivo.
Segundo a pesquisadora, Lee Smith, especialista em genética endócrina do centro de saúde reprodutiva da Universidade de Edimburgo, a vantagem de um método como esse seriam seus efeitos reversíveis, já que o gene "só afeta as células em seus estádios de desenvolvimento tardios", por isso a capacidade do homem em produzir esperma não seria afetada.
A pesquisa sobre o Katnal 1 também poderia ter outras aplicações, como contribuir para encontrar tratamentos contra a infertilidade quando esta ela está relacionada com uma disfunção do gene.

Nota boaspraticasfarmaceuticas: Controlar a produção de esperma é um passo para entender a biologia masculina. A identificação de um gene que controla a produção de esperma é muito importante para entender o funcionamento dos testiculos.
A descoberta pode servir para tratamentos de fertilidade nos homens.

   
CONHEÇA A PESQUISA
Título original: KATNAL1 Regulation of Sertoli Cell Microtubule Dynamics Is Essential for Spermiogenesis and Male Fertility
Onde foi divulgada: revista PLos Genetics
Quem fez: Lee Smith, Laura Milne, Nancy Nelson, Sharon Eddie, Pamela Brown, Nina Atanassova, Moira O'Bryan, Liza O'Donnell, Danielle Rhodes, Sara Wells, Diane Napper, Patrick Nolan, Zuzanna Lalanne, Michael Cheeseman e Josephine Peters
Instituição: Universidade de Edimburgo, Escócia
Resultado: Regular o gene Katnal 1, que está ligado ao amadurecimento dos espermatozoides, pode fazer com que o esperma amadureça e perca seu efeito reprodutivo. Ratos que tiveram esse gene eliminado ficaram inférteis.


O Anticoncepcional Masculino

Enquanto a mulher libera apenas um 
óvulo por mês, o homem produz cerca 
de 1000 espermatozóides por segundo e 
libera de 100 a 500 milhões deles em apenas 
uma ejaculação. No entanto, há apenas 
dois métodos contraceptivos disponíveis 
para o sexo masculino: a camisinha e a 
vasectomia. Por outro lado, as pílulas 
anticoncepcionais revolucionaram a vida 
das mulheres no começo dos anos 60 e até 
hoje proporcionam o método mais 
seguro, efetivo e reversível de contracepção.

Embora as pílulas femininas ofereçam 
segurança contra a gravidez indesejada, 
muitos homens achariam interessante a 
possibilidade de ter sob o seu controle a 
mesma opção. Então, por que não 
existe ainda um contraceptivo hormonal masculino?

Pelo fato do homem produzir um número tão 
enorme de espermatozóides é mais difícil criar 
uma pílula masculina que possua a mesma 
eficácia e segurança que a pílula feminina e 
que, ao mesmo tempo, não tenha efeitos 
colaterais relevantes, como a diminuição da 
libido. Contudo, cientistas de todo o mundo 

vêm realizando pesquisas e testes. A tão 
sonhada pílula masculina se torna mais real 
a cada dia que passa. Na verdade, espera-se 
que os métodos hormonais contraceptivos 
para os homens sejam lançados no 
mercado, na forma de pílulas, adesivos, 
cremes, implantes ou injeções, em meados da 
próxima década.

O princípio de funcionamento do 
anticoncepcional masculino é o bloqueio da 
ação da testosterona, um hormônio andrógeno 
que impulsiona a produção de espermatozóides. 
Esse bloqueio deve ocorrer
 de forma que os níveis de testosterona não 
fiquem tão baixos a ponto de o hormônio 
não conseguir realizar suas outras funções 
metabólicas.

Uma maneira de realizar este feito é injetar 
uma versão sintética de 
testosterona. O hormônio sintético 
interromperia a produção de testosterona 
normal, e conseqüentemente, impediria a 
espermatogênese, mantendo ao mesmo 
tempo os níveis hormonais suficientes para 
evitar efeitos colaterais. Fórmulas com 
testosterona sintética combinados com 
outros hormônios como a gonadotrofina 
também estão sendo testadas.

Apesar dos resultados dos testes serem 
animadores, ainda é preciso que se realizem 
muitos outros. No entanto, as novidades 
no campo contracepcional masculino não 
se limitam apenas às opções hormonais: 
novos métodos contraceptivos não 
hormonais também são possíveis e estão 
sendo submetidos a testes. Um exemplo 
é o RISUG (Reversible Inhibition of Sperm 
Under Guidance), técnica na qual um gel 
especial é injetado nos vasos deferentes 
e assim mata todos os espermatozóides 
que passam por lá. O gel permanece nesses 

canais permanentemente, até quando o 
homem decidir o contrário. Então, uma 
lavagem é feita e a fertilidade do indivíduo 
 é restabelecida. Outra técnica interessante 
 é a aplicação de ultra-som nos testículos, 
um procedimento indolor, que dura cerca de 
10 minutos. O aquecimento gerado 
pelo ultra-som gera efeito anticoncepcional e 
possui durabilidade de cerca de 6 meses.

As pílulas masculinas apresentam outras 
limitações que vão além das físicas. Os homens 
usariam uma pílula diária corretamente? 
Seriam, então, mais adequadas alternativas 
em injeções ou implantes? Mais do que isso, 
eles conseguiriam superar preconceitos e 
medos impostos pela sociedade para 
se beneficiar dessa grande conquista? 
Suas parceiras conseguiriam confiar neles?

Esperamos que a obtenção das respostas 
dessas e de outras perguntas aconteça logo, 
e que o desenvolvimento de novas técnicas 
contraceptivas - não só as hormonais - ocorra 
o quanto antes, para que cada vez se torne 
mais fácil evitar a gravidez indesejada.

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