Tive medo do escuro, dormi de luz acessa a noite inteira. Não quis encarar meu futuro e dei passos para trás, chorei quando achei que já haviam secado todas as lágrimas, sorri quando achei que seria incapaz de sorrir novamente, fiz coisas inusitadas com pessoas estranhas, esqueci por alguns minutos de problemas de uma vida inteira. Ajudei pessoas que não tinham importância para mim, enquanto outras que eram tudo para mim iam embora sem que eu notasse ou pudesse fazer algo para reverter a situação; perdi muitos e me culpo por tudo ou da maior parte de tudo. Fiz novos amigos, e os abandonei na mesma velocidade com que os encontrei. Corri para os braços dos meus pais quando fiz algo errado e não pude me perdoar sozinha, chorei lendo livros e ouvindo a maior parte das músicas que hoje ainda ouço. Me isolei, me machuquei, abri feridas que já haviam sido cicatrizadas, fiz novas cicatrizes e ainda continuo de pé, depois de muitos tombos.
Abracei estranhos, com medo de conhecidos. Esqueci de muitos. Encontrei em outros tudo, novamente. Sorri, e os perdi da mesma forma; não é algo com que você se habitue, mas a vida nos impõe de tudo e nós temos que perder o medo.
Cresci na medida que os sonhos sumiam e se renovavam, me mudei, achei um refugio tranquilo que hoje só me causa estresse, tive problemas com hábitos nada sadios, tive problemas com mais estresse...A minha vida foi só pauleira. Sempre enxugando as lágrimas e recomeçando. .eu queria chorar; queria chorar e deixar de sentir por alguns minutos - pelo menos - essa perturbação que permanece em mim agora. Eu queria chorar e esquecer o peso do mundo; e esquecer de todos os problemas, de todos os esquecimentos ridículos, de todos os indigentes que batem nas milhares de portas - inclusive na minha - todos os dias. Eu queria chorar e destruir o castelo dos contos de fadas que tem nos livros infantis. Chorar e por pra fora os sentimentos repugnantes que corroem a minha garganta nesse momento. Eu queria chorar e quando sufocar nos soluços irregulares não lembrar de absolutamente nada. Não lembrar que todos os dias eu espero tua visita em minha vida, não lembrar dos choros intensos no chão do quarto escuro e despedaçado, não lembrar que um dia eu cheguei a escrever tudo isso, que...
...UM DIA EU QUIS CHORAR. Por Laura Pedrosa
Um comentário:
Maravilha.....
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